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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Alertas de desmate na Amazônia têm segundo pior agosto na série histórica, aponta Inpe

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Série histórica de novas medições do Instituto começou em 2015; índice atual ficou abaixo apenas do recorde de 2019/2020 quando a área foi de 1.714 km².
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 12 de setembro de 2022 às 07h40m

 #.*Post. - N.\ 10.469*.#

Imagem de sobrevoo de 30 de agosto do Greenpeace. Região exata ainda está sendo georreferenciada pela organização. — Foto: © Nilmar Lage / Greenpeace / Divulgação
Imagem de sobrevoo de 30 de agosto do Greenpeace. Região exata ainda está sendo georreferenciada pela organização. — Foto: © Nilmar Lage / Greenpeace / Divulgação

O acumulado de alertas de desmatamento em agosto de 2022 na Amazônia foi de 1.661 km², segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o segundo pior agosto da série histórica do Deter, atrás apenas de 2019, quando a área foi de 1.714 km².

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Fonte: Deter/Inpe

Quando comparada toda a série de 2021-2022, o acumulado de alertas de desmatamento em 2022 na Amazônia foi de 8.590 km², terceiro ano consecutivo da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL) que os alertam ficam acima da marca de 8 mil.

Bolsonaro pode sair do governo, mas deixa de herança para seu sucessor uma crise ambiental na Amazônia como não se via desde os anos 1990 e uma crise social sem precedentes", avalia Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

"O crime organizado dominou a região, e a liberação de armas para civis torna muito mais perigosa a tarefa de retomar a fiscalização e o controle do desmatamento, complementa.

"O avanço da estação seca, o chamado verão amazônico, após um primeiro quadrimestre de muita chuva, está dando aos desmatadores a oportunidade de queimar a floresta derrubada no ano passado, quando a região viu a maior taxa de desmate em 15 anos", pontua o OC.

Recordes em janeiro e fevereiro

Como dezembro, janeiro, fevereiro e março são meses chuvosos na maioria dos estados que englobam o bioma, as taxas de desmatamento são tipicamente menores durante esses meses.

No entanto, as taxas registradas no começo do ano se comparam aos registros da estação seca em anos onde houve maior ação contra os crimes ambientais.

Em janeiro foram 430,44 km² de área sob alerta de desmatamento. A média para o mês no período entre 2016 e 2021 é de 162 km²; a taxa atual foi 165% maior.

Já em fevereiro foram 199 km² de áreas sob alerta de desmate; a média entre 2016 e 2021 é de 135 km²: o número registrado neste ano foi 47% maior.

Compromisso desafiador

No ano passado, durante a COP 26, o Brasil foi um dos 127 países signatários da Declaração dos Líderes de Glasgow sobre Florestas e Uso da Terra, documento que declara o comprometimento coletivo de deter e reverter a perda de florestas até 2030.

Para Kuczach, diretora-executiva da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação, o Brasil está indo na contramão da busca de soluções no combate das mudanças climáticas e, cada vez mais, se transformando num pária internacional.

Exemplos recentes disso pode ser a diminuição que aconteceu essa semana da Floresta Nacional de Brasília, num ataque surpresa promovido pelo Senado; e a extinção do Parque Estadual do Cristalino, no Mato Grosso, esse em âmbito judicial e com a clara influência de uma empresa vinculada ao maior desmatador da Amazônia, ou seja, nem dentro das unidades de conservação a floresta está de fato protegida.

Deter x Prodes

Os alertas de desmatamento foram feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe, que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²), tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal (exploração de madeira, mineração, queimadas e outras).

O Deter não é o dado oficial de desmatamento, mas alerta sobre onde o problema está acontecendo. A medição oficial do desmatamento, feita pelo sistema Prodes, costuma superar os alertas sinalizados pelo Deter.

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domingo, 11 de setembro de 2022

O biólogo que tentou revelar segredos da indústria pesqueira e desapareceu no oceano

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 "A conclusão inevitável é que algo devia ter acontecido com ele. Até hoje, estou convencido de que ele viu algo que as pessoas que estavam naquele navio não queriam que ele visse", diz um amigo de Keith Davis
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TOPO
Por Rachel Monroe*, BBC — Do Texas (EUA)

Postado em 11 de setembro de 2022 às 07h35m

 #.*Post. - N.\ 10.468*.#

Davis trabalhava como observador de pesca — Foto: BBC
Davis trabalhava como observador de pesca — Foto: BBC

O ativista Keith Davis desapareceu no mar a milhares de quilômetros de casa. Seu corpo nunca foi encontrado. Agora, o mistério de sua morte chama atenção para um setor que normalmente passa desapercebido da maioria das pessoas: o setor pesqueiro.

Em um mercadinho local do Texas, nos EUA, é possível comprar uma lata de atum por menos de US$1 (cerca de R$ 5,20). Mas, como muitas coisas que parecem baratas, esses preços baixos só são possíveis por causa do trabalho perigoso e em grande parte invisível de pessoas em locais distantes.

Davis, um tocador de ukulele idealista e aventureiro do Arizona, trabalhou para tornar visível o mundo da pesca comercial de atum. E ele pode ter pago um preço por isso.

"Ele era muito impulsivo, muito romântico, agia no calor do momento", diz Anik Clemens, seu amigo e colega. "Ele era muito apaixonado pelo que fazia. Queria proteger os oceanos, queria proteger os pescadores e sua indústria."

Em 2015, no meio de uma viagem aparentemente rotineira no navio Victoria 168, parte de uma frota de navios pesqueiros de propriedade de um conglomerado de Taiwan, o homem de 41 anos desapareceu a centenas de quilômetros da costa do Equador.

 — Foto: MRAG AMERICAS/BBC
— Foto: MRAG AMERICAS/BBC

A tripulação vasculhou o navio, mas não encontrou nenhum sinal dele. Quando a notícia de seu desaparecimento chegou a seus amigos e colegas no continente, muitos ficaram imediatamente desconfiados.

"Ele tinha 16 anos de serviço. E não há dúvida de que ele era o mais profissional, cuidadoso e seguro possível", diz Bubba Cook, amigo de Davis e gerente do Programa de Atum do Pacífico Ocidental e Central da ONG de proteção ambiental WWF (World Wildlife Foundation).

"A conclusão inevitável é que algo devia ter acontecido com ele. Até hoje, estou convencido de que ele viu algo que as pessoas que estavam naquele navio não queriam que ele visse."

O novo podcast da BBC, Lost At Sea (Perdido no Mar), investiga seu desaparecimento.

Keith Davis was passionate about his work, says friend Anik Clemens — Foto: BBC
Keith Davis was passionate about his work, says friend Anik Clemens — Foto: BBC

Observador da Pesca

Davis era um biólogo marinho que trabalhava como observador de pesca, uma profissão pouco conhecida e muito arriscada. Os estimados 2.500 observadores vivem a bordo de navios de pesca por meses a fio, aventurando-se a centenas de quilômetros da costa para proteger essas águas da pesca excessiva e coletar observações científicas que nos ajudam a entender a saúde de nossos oceanos e vida marinha.

Observadores vivem entre a tripulação, trabalhando as mesmas horas extenuantes nas mesmas condições adversas. Mas às vezes também são vistos com desconfiança, porque parte de seu trabalho é relatar atividades ilegais.

Mas o que Davis pode ter testemunhado que poderia colocá-lo em risco? O alto mar, onde a jurisdição legal é complexa e há pouca fiscalização, é conhecido pela atividade ilegal - nomeadamente o tráfico de drogas e armas e, por vezes, o tráfico de seres humanos. No entanto, para ser claro, a BBC não encontrou nada que apontasse que Davis testemunhou qualquer uma dessas atividades no Victoria 168.

O barco em que ele estava trabalhando no momento do desaparecimento estava envolvido no que é conhecido como transbordo. Os navios de transbordo abastecem os barcos de pesca de atum com suprimentos frescos e transportam o peixe recém-pescado de volta à costa. Esse processo pode permitir que alguns pesqueiros de atum fiquem no mar por anos, o que pode ajudar a economizar custos - e permitir que a lata de atum custe US$ 0,99.

Observadores que testemunham atividades ilegais estão em uma posição incrivelmente vulnerável. Quando Davis estava trabalhando no Victoria 168, seu único meio de comunicação com a costa era através do computador do capitão.

As pessoas que fazem o trabalho dele às vezes são treinadas para falar em código caso vejam algo muito sensível para dizer em voz alta. Embora Davis adorasse ser um observador, ele também estava ciente dos perigos do trabalho. "Muitos de nós testemunharam atividades com armas, brigas de facas, escravidão... muitas das quais temos que engolir como 'parte do trabalho'", escreveu ele no Facebook um ano antes de desaparecer.

Ainda mais alarmante, a suposta morte de Davis dificilmente é um incidente isolado. Vários observadores desapareceram ou morreram em circunstâncias misteriosas - houve mais dois incidentes durante os meses em que a BBC trabalhou no podcast.

A maioria desses casos tem muito menos visibilidade do que Davis teve. Isso porque muitos observadores não são homens americanos aventureiros, como Davis, mas sim habitantes das ilhas do Pacífico que trabalham para sustentar suas famílias.

São muitas vezes de comunidades com um forte histórico de pesca artesanal - uma indústria local que, em muitos casos, foi devastada por frotas pesqueiras globalizadas que usam o transbordo.

Davis adorava viajar - aqui na Bolívia — Foto: BBC
Davis adorava viajar - aqui na Bolívia — Foto: BBC

Quando homens como Charlie Lasisi, um observador de Papua Nova Guiné, ou Eritara Aati Kaierua, do Kiribati, morreram em circunstâncias suspeitas, as notícias não tiveram destaque. Mas são observadores como esses que carregam o peso do nosso desejo de comprar atum.

"Achamos a falta de conclusão sobre o que aconteceu com Keith extremamente perturbadora, não há muito mais que possamos fazer", diz a empresa MRAG Americas, que o empregava, em comunicado. "Continuamos a lutar pela máxima segurança para nossos observadores no mar e em terra".

O Grupo Gilontas, proprietário do Victoria 168, afirmou que "o Grupo Gilontas cooperou com as autoridades que conduziram a investigação".

Oficialmente, não sabemos se Davis morreu acidentalmente, tirou a própria vida ou foi morto. Mas o que sabemos é que grande parte da atividade ilegal que ocorre no mar se baseia na ideia de que o que acontece longe da costa, onde não há sinal de celular ou câmeras de segurança, é essencialmente invisível para nós no continente.

O trabalho dos observadores, de testemunhar o que acontece no mar, pode torná-los vulneráveis.

"Os observadores não têm apoio da indústria pesqueira. Eles não têm apoio das agências. Eles não têm apoio de seus empregadores, os empreiteiros. No final, eles estão sozinhos", diz Liz Mitchell, o ex-presidente da Associação de Observadores Profissionais.

Bubba Cook, do WWF, acompanha as mortes inexplicáveis ​​de observadores há mais de uma década. "Um dos maiores problemas é que simplesmente não sabemos quantos observadores sumiram", diz ele. "Aqui no Pacífico, tem sido cerca de um observador por ano. E isso é apenas [desde] que começamos a manter registros. Quantos antes disso morreram no mar sob várias circunstâncias, ou nunca voltaram para casa?"

Há também o mapa Global Fishing Watch (observatório global de pescaria), uma ferramenta de acesso aberto que mostra a localização de mais de 65 mil navios de 2012 até hoje.

*Rachel Monroe é narradora e repórter do podcast da BBC Lost At Sea. Ela colabora para a revista New Yorker e é escritora.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-62824145

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sábado, 10 de setembro de 2022

A descoberta sobre poluição do ar que pode revolucionar combate ao câncer

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Pesquisa mostra que câncer nem sempre é causado por mutações do DNA, como se pensava anteriormente.
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TOPO
Por BBC

Postado em 10 de setembro de 2022 às 15h10m

 #.*Post. - N.\ 10.467*.#

— Foto: Getty Images
— Foto: Getty Images

Pesquisadores dizem ter descoberto como a poluição do ar leva ao câncer, em uma descoberta que transforma completamente nossa compreensão de como surgem tumores.

A equipe do Francis Crick Institute, em Londres, mostrou que, em vez de causar danos, a poluição do ar estava despertando células velhas danificadas.

Um dos maiores especialistas do mundo no assunto, o professor Charles Swanton disse que o avanço marca uma "nova era".

E agora pode ser possível desenvolver drogas que impeçam a formação de cânceres.

As descobertas podem explicar como centenas de substâncias cancerígenas agem no corpo.

A visão clássica do câncer começa com uma célula saudável. Ela adquire mais e mais mutações em seu código genético, ou DNA, até atingir um ponto de inflexão. Então ela se torna um câncer e cresce descontroladamente.

Mas há problemas com essa ideia: mutações cancerígenas são encontradas em tecidos aparentemente saudáveis, e muitas substâncias conhecidas por causar câncer - incluindo a poluição do ar - não parecem danificar o DNA das pessoas.

Então qual o problema?

Os pesquisadores produziram evidências de uma ideia diferente. O dano já está no DNA de nossa célula, captado à medida que crescemos e envelhecemos, mas algo precisa puxar o gatilho que realmente o torna canceroso.

A descoberta veio de investigar por que não-fumantes têm câncer de pulmão. A esmagadora maioria dos cânceres de pulmão é causada pelo tabagismo, mas, ainda assim, um em cada dez casos no Reino Unido se deve à poluição do ar.

Os cientistas do Francis Crick se concentraram em uma forma de poluição chamada material particulado 2,5 (conhecido como PM2,5), que é muito menor que o diâmetro de um fio de cabelo humano.

Por meio de uma série de experimentos detalhados em humanos e animais, eles mostraram que:

  • Locais com níveis mais altos de poluição do ar tiveram mais cânceres de pulmão não causados pelo fumo
  • Isso causa inflamação e ativa as células nos pulmões para ajudar a reparar qualquer dano
  • Mas cerca de uma em cada 600.000 células nos pulmões de uma pessoa de 50 anos já contém mutações potencialmente cancerígenas
  • Elas são adquiridas à medida que envelhecemos, mas parecem completamente saudáveis ​​até serem ativadas pelo alarme químico e se tornarem cancerosas

Crucialmente, os pesquisadores foram capazes de impedir a formação de câncer em camundongos expostos à poluição do ar usando uma droga que bloqueia o sinal de alarme.

Os resultados são um avanço duplo, tanto para a compreensão do impacto da poluição do ar quanto para os fundamentos de como temos câncer.

Emilia Lim, uma das pesquisadoras do Francis Crick Institute, disse que as pessoas que nunca fumaram, mas desenvolveram câncer de pulmão, muitas vezes não tinham ideia do motivo.

"Dar a eles algumas pistas sobre como isso pode funcionar é muito, muito importante", disse ela.

"É superimportante - 99% das pessoas no mundo vivem em lugares onde a poluição do ar excede as diretrizes da OMS, então isso realmente afeta a todos nós."

Descobertas podem levar a uma nova compreensão de como os cânceres se formam — Foto:  Getty Images
Descobertas podem levar a uma nova compreensão de como os cânceres se formam — Foto: Getty Images

Repensando o câncer

Mas os resultados também mostraram que as mutações sozinhas nem sempre são suficientes para causar câncer. Elas podem precisar de um elemento extra.

O professor Swanton disse que essa foi a descoberta mais emocionante que seu laboratório encontrou, pois "realmente repensa nossa compreensão de como os tumores são iniciados". Ele disse que isso levaria a uma "nova era" de prevenção do câncer molecular.

A ideia de tomar uma pílula para bloquear o câncer se você mora em uma área altamente poluída não é completamente fantasiosa.

Os médicos já testaram um medicamento interleucina-1-beta em doenças cardiovasculares e descobriram, por completo acidente, que ele reduz o risco de câncer de pulmão.

As últimas descobertas estão sendo apresentadas aos cientistas em uma conferência da Sociedade Europeia de Oncologia Médica.

Falando à BBC da conferência, o professor Swanton disse: "A poluição é um belo exemplo, mas haverá outros 200 exemplos disso nos próximos 10 anos".

E ele disse que precisávamos repensar até como fumar causa câncer - é apenas o dano conhecido ao DNA causado pelos produtos químicos do tabaco ou a fumaça também causa inflamação?

Curiosamente, a ideia de que o DNA mutante não é suficiente e os cânceres precisam de outro gatilho para crescer foi proposta pela primeira vez pelo cientista Isaac Berenblum em 1947.

"Filosoficamente, é fascinante. Esses incríveis biólogos fizeram esse trabalho há 75 anos e ele foi amplamente ignorado", disse Lim.

Michelle Mitchell, executiva-chefe da Cancer Research UK, enfatizou que "o tabagismo continua sendo a maior causa de câncer de pulmão".

Mas ela acrescentou: "A ciência, que leva anos de trabalho meticuloso, está mudando nosso pensamento sobre como o câncer se desenvolve. Agora temos uma compreensão muito melhor das forças motrizes por trás do câncer de pulmão".

Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62863047

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O que o envelhecimento tem a ver com viagens a Marte

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Encontro de especialistas em gerociência enfatizou a importância da prevenção antes do declínio funcional
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Por Mariza Tavares — Rio de Janeiro

Postado em 10 de setembro de 2022 às 07h15m

 #.*Post. - N.\ 10.466*.#

Acompanhei algumas palestras da nona edição do Aging Research & Drug Discovery (ARDD), que reuniu especialistas da gerociência e da medicina da longevidade em Copenhague, entre 29 de agosto e 2 de setembro. São médicos e cientistas que estudam o envelhecimento e pesquisam intervenções que possam retardar ou evitar esse processo. A que me mais me chamou a atenção foi a do geriatra James Kirkland, diretor do Centro de Envelhecimento Robert and Arlene Kogod, da Clínica Mayo, que afirmou: nunca ouvi um paciente meu dizer que seu objetivo é viver até os 120 anos. O que todos querem é ser saudáveis, não sentir dor, se ver livres de doenças.

JamesKirkland: diretor do Centro de Envelhecimento Robert and Arlene Kogod, da Clínica Mayo — Foto: Divulgação: Clínica Mayo
JamesKirkland: diretor do Centro de Envelhecimento Robert and Arlene Kogod, da Clínica Mayo — Foto: Divulgação: Clínica Mayo

Trata-se do cerne da questão do grupo de pesquisadores: não buscar a vida eterna, e sim garantir o envelhecimento ativo. Para Kirkland, substâncias como senolíticos e a metformina têm esse potencial, mas ele acredita em outras opções: a estratégia que está mais próxima é a do desenvolvimento de algo equivalente a um antibiótico de amplo espectro, em vez de drogas que atuem numa única molécula ou doença.

Na sua opinião, é preciso avançar no diagnóstico através de testes não invasivos (como os de saliva), que sejam confiáveis e também baratos, para serem feitos em grande escala. O objetivo é dispor de dados capazes de predizer incidentes ou a progressão de uma enfermidade, facilitando a escolha da melhor abordagem. Como médico e PhD em microbiologia, alerta que o trabalho dos cientistas nem sempre é compreendido:

Cientistas e geriatras às vezes se colocam em campos opostos. Há muitos mal-entendidos, como se, dentro dos laboratórios, o propósito fosse erradicar a velhice. A saída seria termos mais gente no campo da ciência. Não podemos ir a Marte sem entender como intervir no processo do envelhecimento.

Kirkland participa do projeto Axiom Space, que estuda como a falta de gravidade leva as células humanas à senescência, isto é, à velhice. Por exemplo, a atrofia muscular é de aproximadamente 5% por mês no espaço. Há outros efeitos adversos que os astronautas sofrem, no esqueleto e no sistema cardiovascular, além de falta de equilíbrio, diminuição da produção de hemácias e alterações no sistema imunológico. Para resumir: descobrir como deter o envelhecimento será crucial para a conquista do espaço!

Andrea Maier, professora de geriatria na University of Melbourne  — Foto: Divulgação
Andrea Maier, professora de geriatria na University of Melbourne — Foto: Divulgação

Andrea Maier, professora de geriatria na University of Melbourne (Austrália) e na Vrije Universiteit (Holanda), foi enfática ao defender a necessidade de medidas preventivas bem antes da marca dos 60 anos, quando o declínio funcional se acelera:

Na verdade, o declínio começa aos 30 e estamos desprezando a janela da faixa dos 40 anos. A pergunta que precisamos fazer é: você está na melhor forma que poderia?. Afinal, sempre temos algo a ganhar. A medicina da longevidade tem que estar no atendimento primário da saúde.

É a mesma argumentação de Felipe Sierra, diretor científico da Fundação Hevolution, criada pela família real saudita e cujo orçamento é de 1 bilhão de dólares anuais: temos que pôr a saúde na frente, não a doença, diferentemente do que apregoa a medicina tradicional. Isso significa adotar hábitos que nos mantenham saudáveis. A queda da resiliência do organismo, ou seja, da sua capacidade de regeneração, começa a se manifestar a partir dos 30 anos.

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