Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Brasil cai três posições em novo relatório da ONU na comparação de 2021 e fica em 87º lugar. Documento indica que desenvolvimento humano global em 2021 voltou aos níveis de 2016. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por g1 Postado em 08 de setembro de 2022 às 06h45m #.*Post. - N.\ 10.464*.#
Voluntários entregam comida a moradores em situação de rua em Mogi das Cruzes — Foto: Midori Schwartzmann/Arquivo Pessoal
Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud)
divulgado nesta quinta-feira (8) alerta que, pela primeira vez nos 32
anos em que é calculado o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), esse indicador caiu globalmente por dois anos consecutivos. O IDH é calculado levando em conta a saúde, a educação e o padrão de vida de uma nação.
O Brasil ficou na posição 78 do ranking do PNUD, que recolhe dados referentes a 2021.
"O desenvolvimento humano voltou aos níveis de 2016, revertendo parte
expressiva do progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS). A reversão é quase universal, pois mais de 90% dos países registraram declínio na pontuação do IDH em 2020 ou 2021, e mais de 40% caíram nos dois anos, sinalizando que a crise ainda está se aprofundando em muitos deles", detalha o Pnud.
A ONU
argumenta que camadas de incerteza estão se acumulando e interagindo
para desequilibrar as sociedades de forma inédita. "Os últimos dois anos
tiveram impacto devastador para bilhões de pessoas em todo o planeta,
quando crises como a da Covid-19 e a guerra na Ucrânia se sucederam e
interagiram com amplas transformações sociais e econômicas, mudanças
planetárias perigosas e aumento acentuado da polarização", diz o órgão.
Gráfico do Pnud mostra como IDH mundial caiu nos últimos dois anos — Foto: Reprodução/Pnud
Embora alguns países estejam começando a se levantar, a recuperação é
desigual e parcial, aumentando ainda mais as desigualdades no
desenvolvimento humano. América Latina, Caribe, África Subsaariana e sul
da Ásia foram duramente atingidos, segundo a análise do Pnud divulgada
em nota à imprensa.
“O mundo está lutando para reagir a crises consecutivas. Vimos, com as
crises de custo de vida e de energia, que, embora seja tentador focar em
soluções rápidas, como subsidiar combustíveis fósseis, táticas de
alívio imediato estão retardando as mudanças sistêmicas de longo prazo
que precisamos fazer”, diz Achim Steiner, chefe do Pnud.
“Estamos
coletivamente paralisados em relação a essas mudanças. Em um mundo
definido pela incerteza, precisamos de um senso renovado de
solidariedade global para enfrentar nossos desafios comuns e
interconectados”.
Crianças que fugiram do conflito no Tigré recebem comida em campo de
refugiados no Sudão; região na Etiópia é palco de uma guerra entre
governo e forças rebeldes desde novembro de 2020 — Foto: Yasuyoshi
Chiba/AFP/Getty Images
O relatório tenta explicar por que a mudança necessária não está
acontecendo e indica haver muitas razões, incluindo como a insegurança e
a polarização alimentam-se uma da outra, atualmente, para impedir a
solidariedade e a ação coletiva necessária para enfrentar as crises em
todos os níveis.
Novos cálculos do Pnud indicam, por exemplo, que aqueles que se sentem
mais inseguros também são mais propensos a ter visões políticas
extremistas.
“Mesmo antes da Covid, vínhamos observando os paradoxos do progresso
com insegurança e polarização. Hoje, com um terço das pessoas em todo o
mundo se sentindo estressadas e quase dois terços das pessoas em todo o
mundo desconfiadas umas das outras, enfrentamos grandes obstáculos para a
adoção de políticas que funcionem para as pessoas e o planeta”, diz
Achim Steiner em nota.
O primeiro furacão da temporada, Danielle, só se formou em setembro, o que é incomum para esses eventos climáticos. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 07/09/2022 07h41 Atualizado há 2 horas Postado em 07 de setembro de 2022 às 09h45m #.*Post. - N.\ 10.463*.#
A temporada de furacões tradicionalmente começa em junho — Foto: GETTY IMAGES/BBC
Agosto é a temporada de furacões no Atlântico.
Nos últimos tempos, alguns dos furacões mais devastadores chegaram nesse mês: Katrina, de 23 a 25 de agosto de 2005, ou Andrew, de 16 a 28 de agosto de 1992, entre outros.
No entanto, o mês acabou e, de acordo com os registros meteorológicos, nenhum furacão foi nomeado durante esse período e apenas três tempestades receberam um nome.
É algo incomum para especialistas: é a primeira vez que isso acontece desde 1997.
E é ainda mais inesperado depois que 2021 foi um ano recorde para a formação de furacões(em uma semana, quatro dessas tempestades foram registradas ao mesmo tempo).
Tudo isso contrasta com o que os observatórios meteorológicos haviam
previsto: que a temporada de furacões seria muito semelhante à do ano
anterior.
Para Jim Dale, meteorologista do British Weather Services, a razão técnica para isso tem a ver com uma combinação de fatores: ar seco e estável, com a presença de poeira do deserto do Saara, que impede a formação de tempestades, e ventos hostis que suprimiram a geração de furacões.
Furacões que causaram sérios danos, como Katrina ou Andrew, ocorreram no mês de agosto — Foto: GETTY IMAGES/BBC
"No
entanto, não há uma explicação convincente sobre por que o primeiro
furacão da temporada, que começou em 1º de junho, só apareceu em
setembro. Há uma espécie de caos, o que significa que em 2021 tivemos
cinco eventos climáticos ao mesmo tempo e este ano, em mais de um mês,
não vimos nada sério", disse Dale à BBC Mundo.
Para Dale é claro que amudança climática está relacionada a esse tipo de comportamento climático, mas não é a única explicação.
"Uma coisa deve ficar clara: não há uma resposta única para esse
fenômeno. O que vemos aqui é a soma de muitos fatores que coincidem
neste momento. Mas deixemos bem claro que a temporada não acabou", diz o
meteorologista.
O primeiro furacão: também incomum
Depois do final de agosto, os furacões começaram a aparecer.
O primeiro da temporada foi nomeado Danielle e tem se mostrado incomum:
é o mais tardio primeiro furacão da temporada no Atlântico desde 2013.
Além disso, "se forma na latitude 38 norte, um local incomum para esses fenômenos", diz Dale.
Ele acrescenta que, para os furacões ganharem força, é necessário o impulso de uma corrente quente.
"Esta é uma evidência de como as mudanças climáticas estão afetando a
presença desses fenômenos. Cada vez mais ao norte encontramos correntes
quentes, que continuarão a provocar o aparecimento de furacões nesta
região do planeta", acrescenta.
O especialista em furacões da WPLG, afiliada da Miami TV, Michael
Lowry, escreveu em sua conta no Twitter que a temperatura da superfície
do mar perto de onde Danielle se formou excedeu 26ºC pela primeira vez desde o início do registro de satélites.
"A essa temperatura, eles estão competindo com as águas quentes do Caribe", acrescenta Lowry.
No entanto, tanto Dale quanto outros especialistas apontam que esse
início "lento" de temporada não significa que não haverá furacões que
possam causar sérios danos.
"Estamos olhando para uma temporada abaixo da média, mas não podemos
esquecer que as previsões são de que esta será uma temporada acima da
média e falta ver como isso terminará", disse Dale.
As fotos foram capturadas pelo supertelescópio espacial e destacam as características da 'Nebulosa de Tarântula', uma região de formação de estrelas a 161 mil anos-luz de distância da Terra. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por g1 06/09/2022 12h21 Atualizado há 18 horas Postado em 07 de setembro de 2022 às 06h25m #.*Post. - N.\ 10.462*.#
Superzoom na Nebulosa da Tarântula
A 161 mil anos-luz de distância da Terra está a "Nebulosa de Tarântula",uma região de formação de estrelas repleta de gás e poeira e "vizinha" da nossa Via Láctea.
Considerada uma "queridinha" dos astrônomos que estudam estes
"berçários estelares", essa foi a estrutura cósmica escolhida para o
mais recente flagra do supertelescópio James Webb, o maior e mais poderoso telescópio espacial já construído.
A Nebulosa da Tarântula, uma região de formação de estrelas a 161.000
anos-luz de distância da Terra. No centro, em azul-claro, um aglomerado
de estrelas é visível. — Foto: NASA, ESA, CSA, and STScI/Divulgação
As fotos (veja acima e mais abaixo), um
mosaico de imagens super detalhadas, revelam não apenas as
caracterísitcas dessa região empoeirada e carregada de ventos quentes e
poderosos, como também mostram algumas galáxias ao fundo e dezenas de milhares de estrelas jovens nunca antes vistas(a poeira da Tarântula "escondia"essas estruturas de outros telescópios).
As duas imagens foram divulgadas pela Nasa e pela ESA, as agências espaciais dos EUA e Europa, na manhã desta quinta-feira (1º).
A Nasa explica que a Nebulosa tem esse apelido curioso por causa de
seus filamentos, que se estendem pela imagem como pernas de uma aranha.
A
estrutura cósmica é a maior e mais brilhante região de formação estelar
do Grupo Local, que são as galáxias mais próximas da nossa Via Láctea.
Ainda segundo a agência espacial, esse berçario cósmico é o lar das estrelas mais quentes e massivas conhecidas pela ciência.
"Um
dos motivos pelo qual a Nebulosa da Tarântula é interessante para os
astrônomos é que ela tem um tipo de composição química semelhante às
regiões gigantes de formação de estrelas vistas ao 'meio-dia cósmico' do
Universo, quando o cosmos tinha apenas algumas estrelas, bilhões de
anos e a formação estelar estava no seu auge", explica a Nasa.
Uma outra visão da Nebulosa de Tarântula pelo supertelescópio James Webb. — Foto: NASA, ESA, CSA, and STScI
Segundo a ESA, esses mesmos "berçários estelares" da nossa Via Láctea
não produzem estrelas na mesma velocidade frenética que a Nebulosa da
Tarântula e têm uma composição química diferente. Por isso,essa tarântula espacial é o exemplo mais próximo(ou seja, o mais fácil de ver em detalhes)do que estava acontecendo quando o nosso universo se aproximava desse brilhante "meio-dia cósmico".
“Apesar
dos milhares de anos de observação de estrelas da humanidade, o
processo de formação de estrelas ainda guarda muitos mistérios – muitos
deles devido à nossa incapacidade anterior de obter imagens nítidas do
que estava acontecendo por trás das espessas nuvens de berçários
estelares", afirmou a agência europeia.
Os cientistas têm alguns objetivos ambiciosos para o James Webb.
Segundo a Nasa, o supertelescópio de US$ 10 bilhões ajudará a resolver
mistérios em nosso sistema solar, irá olhar para mundos extremamente
distantes, investigará as origens do nosso universo e poderá até mesmo
explorar o potencial de vida em sistemas planetários remotos.
"[O James Webb] já começou a revelar um universo nunca antes visto e
está apenas começando a reescrever a história da criação estelar",
complementou a agência.
(VÍDEO: Veja as primeiras fotos divulgadas pelo supertelescópio James Webb.)
Veja as primeiras fotos divulgadas pelo supertelescópio James Webb.
A antiga cidade de Elengubu, hoje conhecida como Derinkuyu, foi habitada de forma quase constante por milhares de anos, trocando de mãos, dos frígios para os persas e depois para os cristãos, na Era Bizantina. Até que foi finalmente abandonada nos anos 1920 pelos gregos capadócios, que fugiram em massa para a Grécia após a derrota na Guerra Greco-Turca de 1919-1922. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Geena Truman, BBC 06/09/2022 05h03 Atualizado há 30 minutos Postado em 06 de setembro de 2022 às 07h35m #.*Post. - N.\ 10.461*.#
Os mistérios da maior cidade subterrânea já descoberta no mundo — Foto: DANM/GETTY IMAGES
Uma enorme cidade subterrânea, que permaneceu ativa por milhares de
anos quase sem interrupções, repousa a mais de 85 metros de
profundidade, abaixo das famosas "chaminés de fadas" da Capadócia, na Turquia.
Rajadas de vento violentas erguem o solo no ar enquanto passeio pelo
Vale do Amor da Capadócia. Colinas com tons de amarelo e rosa tingem o
panorama marcado por profundos cânions vermelhos e formações rochosas
que parecem grandes chaminés e surgem à distância.
O local é seco, quente e o vento é forte. Mas a beleza é avassaladora.
Milênios atrás, este volátil ambiente vulcânico esculpiu naturalmente
os pináculos à minha volta, até que eles atingissem seus formatos
cônicos parecidos com cogumelos, que agora atraem milhões de visitantes
para caminhar ou andar de balão nesta região central da Anatólia.
Mas, abaixo da frágil superfície da Capadócia, encontra-se outra
maravilha, também de proporções gigantescas, que passou séculos
escondida: uma cidade subterrânea que podia abrigar por meses até 20 mil
habitantes de cada vez.
A antiga cidade de Elengubu, hoje conhecida como Derinkuyu, fica a mais
de 85 metros abaixo da superfície e inclui 18 níveis de túneis. É a
maior cidade subterrânea escavada do mundo.
Ela foi habitada de forma quase constante por milhares de anos,
trocando de mãos, dos frígios para os persas e depois para os cristãos,
na Era Bizantina. Até que foi finalmente abandonada nos anos 1920 pelos
gregos capadócios, que fugiram em massa para a Grécia após a derrota na
Guerra Greco-Turca de 1919-1922.
Os salões da cidade espalham-se por centenas de quilômetros embaixo da
terra, mas acredita-se que mais de 200 pequenas cidades subterrâneas
separadas, que também foram descobertas na região, possam estar
conectadas a esses túneis, criando uma enorme rede subterrânea.
Aves arqueólogas
Segundo Suleman, meu guia, Derinkuyu foi "redescoberta" apenas em 1963
por um morador local anônimo que estava perdendo suas galinhas. Enquanto
ele reformava sua casa, as aves desapareciam em uma pequena fenda
criada durante a reforma e nunca mais eram vistas.
O cidadão turco decidiu investigar o que estava acontecendo e, depois
de cavar um pouco, ele desenterrou uma passagem escura. Foi a primeira
de mais de 600 entradas para a cidade subterrânea de Derinkuyu que foram
encontradas em casas particulares.
As escavações então começaram imediatamente. Elas revelaram uma
emaranhada rede de moradias subterrâneas, espaços de armazenagem de
alimentos secos, estábulos, escolas, vinícolas e até uma capela. Uma
civilização inteira se escondia com segurança embaixo da terra.
A cidade das cavernas logo atraiu milhares de turistas turcos menos
claustrofóbicos, até que, em 1985, a região foi declarada Patrimônio
Mundial da Unesco.
Os responsáveis pela construção
A data exata da construção da cidade segue indefinida. Mas a referência
mais antiga a Derinkuyu parece estar no livro Anábase, do historiador
grego Xenofonte deAtenas, escrito em cerca de 370 a.C.
Derinkuyu é composta por 18 níveis de túneis que descem a mais de 85
metros abaixo da superfície — Foto: RALUCAHOTUPAN/GETTY IMAGES
Nele, Xenofonte menciona o povo anatólio, que morava em casas escavadas
no subterrâneo da Capadócia ou perto dela, e não nas cavernas mais
populares ao longo dos rochedos, bem conhecidas na região.
Segundo Andrea De Giorgi, professor de estudos clássicos da Universidade do Estado da Flórida, nos Estados Unidos,
a Capadócia é excepcionalmente adequada para este tipo de construção
subterrânea, devido à falta de água no solo e às suas rochas maleáveis,
que podem ser facilmente moldadas.
"A geomorfologia da região convida para escavar espaços subterrâneos",
afirma ele. O professor explica que o tufo - a rocha do local - teria
sido escavado com relativa facilidade, usando ferramentas simples, como
pás e picaretas.
O mesmo material piroclástico foi moldado naturalmente nas chaminés de
fadas e nos pináculos que brotam da terra acima do solo.
Mas definir quem construiu Derinkuyu permanece um mistério, ao menos parcialmente.
As bases da extensa rede de cavernas subterrâneas costumam ser
atribuídas aos hititas, "que podem ter escavado os primeiros níveis na
rocha quando foram atacados pelos frígios, perto do ano 1200 a.C.",
segundo A. Bertini, especialista em moradias em cavernas no
Mediterrâneo, no seu estudo sobre a arquitetura regional em cavernas.
Fortalecendo esta hipótese, foram encontrados artefatos hititas no interior de Derinkuyu.
Mas a maior parte da cidade provavelmente foi construída pelos frígios,
que eram arquitetos muito habilidosos na Idade do Ferro e tinham os
meios para construir instalações subterrâneas.
"Os frígios formaram um dos impérios mais importantes da antiga
Anatólia", ensina De Giorgi. "Eles se desenvolveram ao longo da Anatólia
ocidental por volta do final do primeiro milênio a.C. e costumavam
transformar formações rochosas em monumentos e criar notáveis fachadas
cortadas na rocha. Seu misterioso reino incluía a maior parte da
Anatólia ocidental e central, incluindo a região de Derinkuyu."
No início, Derinkuyu provavelmente era usada para armazenar
mercadorias, mas seu propósito principal era servir de abrigo temporário
contra invasores estrangeiros. A Capadócia sofreu um fluxo constante de
impérios dominadores ao longo dos séculos.
Definir quem construiu Derinkuyu permanece um mistério, ao menos parcialmente. — Foto: RICHARD BECK/GETTY IMAGES
"A sucessão de impérios e seu impacto sobre o panorama da Anatólia
explicam o motivo de recorrer a abrigos subterrâneos como Derinkuyu",
segundo De Giorgi. "Mas foi na época dos ataques islâmicos [ao Império
Bizantino, predominantemente cristão, no século 7°] que essas moradias
foram mais utilizadas."
Cidade planejada
Embora os frígios, persas e seljúcidas, entre outros povos, tenham
habitado a região e se expandido pela cidade subterrânea nos séculos
seguintes, a população de Derinkuyu atingiu seu maior nível durante a
Era Bizantina, com cerca de 20 mil pessoas morando embaixo da terra.
Hoje, você pode sentir a realidade angustiante da vida subterrânea por
apenas 60 liras turcas (cerca de US$ 3,30 ou R$ 17). Enquanto descia
pelos túneis estreitos e mofados, com suas paredes escurecidas pela
fuligem acumulada por séculos de iluminação com tochas, comecei a
perceber a estranha sensação de claustrofobia.
Mas a engenhosidade dos diversos impérios que se expandiram em
Derinkuyu logo se tornou evidente. Corredores curtos e intencionalmente
estreitos forçam os visitantes a caminhar inclinados e em fila indiana -
claramente, uma posição incômoda para os intrusos - pelo labirinto de
corredores e moradias.
Levemente iluminadas pelas lâmpadas, rochas circulares de meia tonelada
bloqueavam as portas entre cada um dos 18 níveis e somente podiam ser
movidas pelo lado de dentro. Pequenos orifícios perfeitamente redondos
no centro dessas portas imensas permitiam que os moradores atacassem os
invasores com lanças, mantendo a segurança do perímetro.
"A vida no subterrâneo provavelmente era muito difícil", afirma
Suleman, meu guia. "Os moradores descansavam em jarros de argila
vedados, viviam à luz de tochas e descartavam os cadáveres em áreas
[designadas]."
Cada nível da cidade era cuidadosamente projetado para fins
específicos. Os animais de criação viviam em estábulos mais perto da
superfície, para reduzir o cheiro e os gases tóxicos, oferecendo ainda
uma camada viva de isolamento térmico para os meses frios.
As camadas mais internas da cidade continham moradias, adegas, escolas e
espaços para reuniões. Uma escola missionária bizantina tradicional,
completa com cômodos adjacentes para estudo, foi identificada pelos seus
tetos característicos em forma de abóbada e encontra-se no segundo
piso.
Segundo De Giorgi, "as evidências da produção de vinho baseiam-se na
existência de adegas, tanques de pressão e ânforas [jarras altas, com
duas alças e gargalo estreito]." Esses cômodos especializados indicam
que os moradores de Derinkuyu estavam preparados para passar meses
abaixo da superfície.
Mas o mais impressionante sobre Derinkuyu é o complexo sistema de
ventilação e o poço protegido, que teriam fornecido ar fresco e água
limpa para toda a cidade. De fato, acredita-se que a cidade tenha sido
construída inicialmente em volta destes dois elementos essenciais.
Derinkuyu tinha muitas entradas e mais de 600 delas foram encontradas em casas particulares — Foto: SVPHILON/GETTY IMAGES
Mais de 50 colunas de ventilação permitiam o fluxo de ar natural entre
as muitas moradias e corredores de Derinkuyu. Elas eram distribuídas por
toda a cidade, para evitar um ataque ao fornecimento de ar, que poderia
ser fatal.
Já o poço tinha mais de 55 metros de profundidade e podia ser facilmente isolado de baixo pelos moradores da cidade.
A construção de Derinkuyu realmente foi genial, mas ela não é a única
cidade subterrânea da Capadócia. Com 445 km², ela é apenas a maior das
pelo menos 200 cidades subterrâneas encontradas abaixo das planícies da
Anatólia.
Mais de 40 dessas cidades menores têm três ou mais níveis abaixo da
superfície. Muitas são conectadas a Derinkuyu por túneis cuidadosamente
escavados, alguns com até 9 km de extensão. Todos eles são equipados com
saídas de emergência, que oferecem retorno imediato à superfície em
caso de necessidade.
Mas nem todos os segredos subterrâneos da Capadócia foram escavados. Em
2014, uma nova cidade subterrânea, talvez ainda maior, foi descoberta
na região de Nevsehir, também na Anatólia central.
A fuga dos gregos capadócios em 1923 pôs fim à história viva de
Derinkuyu. Mais de 2 mil anos depois da provável criação da cidade, ela
foi abandonada pela última vez e sua existência foi esquecida pelo mundo
moderno - até que as galinhas errantes da Capadócia fizeram a cidade
subterrânea brilhar mais uma vez.