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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

'Tarântula cósmica': James Webb flagra milhares de estrelas nunca antes vistas em 'berçário' celeste

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As fotos foram capturadas pelo supertelescópio espacial e destacam as características da 'Nebulosa de Tarântula', uma região de formação de estrelas a 161 mil anos-luz de distância da Terra.
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Por g1

Postado em 07 de setembro de 2022 às 06h25m

 #.*Post. - N.\ 10.462*.#

Superzoom na Nebulosa da TarântulaSuperzoom na Nebulosa da Tarântula

A 161 mil anos-luz de distância da Terra está a "Nebulosa de Tarântula", uma região de formação de estrelas repleta de gás e poeira e "vizinha" da nossa Via Láctea.

Considerada uma "queridinha" dos astrônomos que estudam estes "berçários estelares", essa foi a estrutura cósmica escolhida para o mais recente flagra do supertelescópio James Webb, o maior e mais poderoso telescópio espacial já construído.

A Nebulosa da Tarântula, uma região de formação de estrelas a 161.000 anos-luz de distância da Terra. No centro, em azul-claro, um aglomerado de estrelas é visível. — Foto: NASA, ESA, CSA, and STScI/Divulgação
A Nebulosa da Tarântula, uma região de formação de estrelas a 161.000 anos-luz de distância da Terra. No centro, em azul-claro, um aglomerado de estrelas é visível. — Foto: NASA, ESA, CSA, and STScI/Divulgação

As fotos (veja acima e mais abaixo), um mosaico de imagens super detalhadas, revelam não apenas as caracterísitcas dessa região empoeirada e carregada de ventos quentes e poderosos, como também mostram algumas galáxias ao fundo e dezenas de milhares de estrelas jovens nunca antes vistas (a poeira da Tarântula "escondia" essas estruturas de outros telescópios).

As duas imagens foram divulgadas pela Nasa e pela ESA, as agências espaciais dos EUA e Europa, na manhã desta quinta-feira (1º).

A Nasa explica que a Nebulosa tem esse apelido curioso por causa de seus filamentos, que se estendem pela imagem como pernas de uma aranha.

A estrutura cósmica é a maior e mais brilhante região de formação estelar do Grupo Local, que são as galáxias mais próximas da nossa Via Láctea.

Ainda segundo a agência espacial, esse berçario cósmico é o lar das estrelas mais quentes e massivas conhecidas pela ciência.

"Um dos motivos pelo qual a Nebulosa da Tarântula é interessante para os astrônomos é que ela tem um tipo de composição química semelhante às regiões gigantes de formação de estrelas vistas ao 'meio-dia cósmico' do Universo, quando o cosmos tinha apenas algumas estrelas, bilhões de anos e a formação estelar estava no seu auge", explica a Nasa.

Uma outra visão da Nebulosa de Tarântula pelo supertelescópio James Webb. — Foto: NASA, ESA, CSA, and STScI
Uma outra visão da Nebulosa de Tarântula pelo supertelescópio James Webb. — Foto: NASA, ESA, CSA, and STScI

Segundo a ESA, esses mesmos "berçários estelares" da nossa Via Láctea não produzem estrelas na mesma velocidade frenética que a Nebulosa da Tarântula e têm uma composição química diferente. Por isso, essa tarântula espacial é o exemplo mais próximo (ou seja, o mais fácil de ver em detalhes) do que estava acontecendo quando o nosso universo se aproximava desse brilhante "meio-dia cósmico".

Apesar dos milhares de anos de observação de estrelas da humanidade, o processo de formação de estrelas ainda guarda muitos mistérios – muitos deles devido à nossa incapacidade anterior de obter imagens nítidas do que estava acontecendo por trás das espessas nuvens de berçários estelares", afirmou a agência europeia.

Os cientistas têm alguns objetivos ambiciosos para o James Webb. Segundo a Nasa, o supertelescópio de US$ 10 bilhões ajudará a resolver mistérios em nosso sistema solar, irá olhar para mundos extremamente distantes, investigará as origens do nosso universo e poderá até mesmo explorar o potencial de vida em sistemas planetários remotos.

"[O James Webb] já começou a revelar um universo nunca antes visto e está apenas começando a reescrever a história da criação estelar", complementou a agência.

(VÍDEO: Veja as primeiras fotos divulgadas pelo supertelescópio James Webb.)

Veja as primeiras fotos divulgadas pelo supertelescópio James Webb.Veja as primeiras fotos divulgadas pelo supertelescópio James Webb.
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terça-feira, 6 de setembro de 2022

Os mistérios da maior cidade subterrânea já descoberta no mundo

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A antiga cidade de Elengubu, hoje conhecida como Derinkuyu, foi habitada de forma quase constante por milhares de anos, trocando de mãos, dos frígios para os persas e depois para os cristãos, na Era Bizantina. Até que foi finalmente abandonada nos anos 1920 pelos gregos capadócios, que fugiram em massa para a Grécia após a derrota na Guerra Greco-Turca de 1919-1922.
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TOPO
Por Geena Truman, BBC

Postado em 06 de setembro de 2022 às 07h35m

 #.*Post. - N.\ 10.461*.#

Os mistérios da maior cidade subterrânea já descoberta no mundo — Foto: DANM/GETTY IMAGES
Os mistérios da maior cidade subterrânea já descoberta no mundo — Foto: DANM/GETTY IMAGES

Uma enorme cidade subterrânea, que permaneceu ativa por milhares de anos quase sem interrupções, repousa a mais de 85 metros de profundidade, abaixo das famosas "chaminés de fadas" da Capadócia, na Turquia.

Rajadas de vento violentas erguem o solo no ar enquanto passeio pelo Vale do Amor da Capadócia. Colinas com tons de amarelo e rosa tingem o panorama marcado por profundos cânions vermelhos e formações rochosas que parecem grandes chaminés e surgem à distância.

O local é seco, quente e o vento é forte. Mas a beleza é avassaladora.

Milênios atrás, este volátil ambiente vulcânico esculpiu naturalmente os pináculos à minha volta, até que eles atingissem seus formatos cônicos parecidos com cogumelos, que agora atraem milhões de visitantes para caminhar ou andar de balão nesta região central da Anatólia.

Mas, abaixo da frágil superfície da Capadócia, encontra-se outra maravilha, também de proporções gigantescas, que passou séculos escondida: uma cidade subterrânea que podia abrigar por meses até 20 mil habitantes de cada vez.

A antiga cidade de Elengubu, hoje conhecida como Derinkuyu, fica a mais de 85 metros abaixo da superfície e inclui 18 níveis de túneis. É a maior cidade subterrânea escavada do mundo.

Ela foi habitada de forma quase constante por milhares de anos, trocando de mãos, dos frígios para os persas e depois para os cristãos, na Era Bizantina. Até que foi finalmente abandonada nos anos 1920 pelos gregos capadócios, que fugiram em massa para a Grécia após a derrota na Guerra Greco-Turca de 1919-1922.

Os salões da cidade espalham-se por centenas de quilômetros embaixo da terra, mas acredita-se que mais de 200 pequenas cidades subterrâneas separadas, que também foram descobertas na região, possam estar conectadas a esses túneis, criando uma enorme rede subterrânea.

Aves arqueólogas

Segundo Suleman, meu guia, Derinkuyu foi "redescoberta" apenas em 1963 por um morador local anônimo que estava perdendo suas galinhas. Enquanto ele reformava sua casa, as aves desapareciam em uma pequena fenda criada durante a reforma e nunca mais eram vistas.

O cidadão turco decidiu investigar o que estava acontecendo e, depois de cavar um pouco, ele desenterrou uma passagem escura. Foi a primeira de mais de 600 entradas para a cidade subterrânea de Derinkuyu que foram encontradas em casas particulares.

As escavações então começaram imediatamente. Elas revelaram uma emaranhada rede de moradias subterrâneas, espaços de armazenagem de alimentos secos, estábulos, escolas, vinícolas e até uma capela. Uma civilização inteira se escondia com segurança embaixo da terra.

A cidade das cavernas logo atraiu milhares de turistas turcos menos claustrofóbicos, até que, em 1985, a região foi declarada Patrimônio Mundial da Unesco.

Os responsáveis pela construção

A data exata da construção da cidade segue indefinida. Mas a referência mais antiga a Derinkuyu parece estar no livro Anábase, do historiador grego Xenofonte de Atenas, escrito em cerca de 370 a.C.

Derinkuyu é composta por 18 níveis de túneis que descem a mais de 85 metros abaixo da superfície — Foto: RALUCAHOTUPAN/GETTY IMAGES
Derinkuyu é composta por 18 níveis de túneis que descem a mais de 85 metros abaixo da superfície — Foto: RALUCAHOTUPAN/GETTY IMAGES

Nele, Xenofonte menciona o povo anatólio, que morava em casas escavadas no subterrâneo da Capadócia ou perto dela, e não nas cavernas mais populares ao longo dos rochedos, bem conhecidas na região.

Segundo Andrea De Giorgi, professor de estudos clássicos da Universidade do Estado da Flórida, nos Estados Unidos, a Capadócia é excepcionalmente adequada para este tipo de construção subterrânea, devido à falta de água no solo e às suas rochas maleáveis, que podem ser facilmente moldadas.

"A geomorfologia da região convida para escavar espaços subterrâneos", afirma ele. O professor explica que o tufo - a rocha do local - teria sido escavado com relativa facilidade, usando ferramentas simples, como pás e picaretas.

O mesmo material piroclástico foi moldado naturalmente nas chaminés de fadas e nos pináculos que brotam da terra acima do solo.

Mas definir quem construiu Derinkuyu permanece um mistério, ao menos parcialmente.

As bases da extensa rede de cavernas subterrâneas costumam ser atribuídas aos hititas, "que podem ter escavado os primeiros níveis na rocha quando foram atacados pelos frígios, perto do ano 1200 a.C.", segundo A. Bertini, especialista em moradias em cavernas no Mediterrâneo, no seu estudo sobre a arquitetura regional em cavernas.

Fortalecendo esta hipótese, foram encontrados artefatos hititas no interior de Derinkuyu.

Mas a maior parte da cidade provavelmente foi construída pelos frígios, que eram arquitetos muito habilidosos na Idade do Ferro e tinham os meios para construir instalações subterrâneas.

"Os frígios formaram um dos impérios mais importantes da antiga Anatólia", ensina De Giorgi. "Eles se desenvolveram ao longo da Anatólia ocidental por volta do final do primeiro milênio a.C. e costumavam transformar formações rochosas em monumentos e criar notáveis fachadas cortadas na rocha. Seu misterioso reino incluía a maior parte da Anatólia ocidental e central, incluindo a região de Derinkuyu."

No início, Derinkuyu provavelmente era usada para armazenar mercadorias, mas seu propósito principal era servir de abrigo temporário contra invasores estrangeiros. A Capadócia sofreu um fluxo constante de impérios dominadores ao longo dos séculos.

Definir quem construiu Derinkuyu permanece um mistério, ao menos parcialmente. — Foto: RICHARD BECK/GETTY IMAGES
Definir quem construiu Derinkuyu permanece um mistério, ao menos parcialmente. — Foto: RICHARD BECK/GETTY IMAGES

"A sucessão de impérios e seu impacto sobre o panorama da Anatólia explicam o motivo de recorrer a abrigos subterrâneos como Derinkuyu", segundo De Giorgi. "Mas foi na época dos ataques islâmicos [ao Império Bizantino, predominantemente cristão, no século 7°] que essas moradias foram mais utilizadas."

Cidade planejada

Embora os frígios, persas e seljúcidas, entre outros povos, tenham habitado a região e se expandido pela cidade subterrânea nos séculos seguintes, a população de Derinkuyu atingiu seu maior nível durante a Era Bizantina, com cerca de 20 mil pessoas morando embaixo da terra.

Hoje, você pode sentir a realidade angustiante da vida subterrânea por apenas 60 liras turcas (cerca de US$ 3,30 ou R$ 17). Enquanto descia pelos túneis estreitos e mofados, com suas paredes escurecidas pela fuligem acumulada por séculos de iluminação com tochas, comecei a perceber a estranha sensação de claustrofobia.

Mas a engenhosidade dos diversos impérios que se expandiram em Derinkuyu logo se tornou evidente. Corredores curtos e intencionalmente estreitos forçam os visitantes a caminhar inclinados e em fila indiana - claramente, uma posição incômoda para os intrusos - pelo labirinto de corredores e moradias.

Levemente iluminadas pelas lâmpadas, rochas circulares de meia tonelada bloqueavam as portas entre cada um dos 18 níveis e somente podiam ser movidas pelo lado de dentro. Pequenos orifícios perfeitamente redondos no centro dessas portas imensas permitiam que os moradores atacassem os invasores com lanças, mantendo a segurança do perímetro.

"A vida no subterrâneo provavelmente era muito difícil", afirma Suleman, meu guia. "Os moradores descansavam em jarros de argila vedados, viviam à luz de tochas e descartavam os cadáveres em áreas [designadas]."

Cada nível da cidade era cuidadosamente projetado para fins específicos. Os animais de criação viviam em estábulos mais perto da superfície, para reduzir o cheiro e os gases tóxicos, oferecendo ainda uma camada viva de isolamento térmico para os meses frios.

As camadas mais internas da cidade continham moradias, adegas, escolas e espaços para reuniões. Uma escola missionária bizantina tradicional, completa com cômodos adjacentes para estudo, foi identificada pelos seus tetos característicos em forma de abóbada e encontra-se no segundo piso.

Segundo De Giorgi, "as evidências da produção de vinho baseiam-se na existência de adegas, tanques de pressão e ânforas [jarras altas, com duas alças e gargalo estreito]." Esses cômodos especializados indicam que os moradores de Derinkuyu estavam preparados para passar meses abaixo da superfície.

Mas o mais impressionante sobre Derinkuyu é o complexo sistema de ventilação e o poço protegido, que teriam fornecido ar fresco e água limpa para toda a cidade. De fato, acredita-se que a cidade tenha sido construída inicialmente em volta destes dois elementos essenciais.

Derinkuyu tinha muitas entradas e mais de 600 delas foram encontradas em casas particulares — Foto: SVPHILON/GETTY IMAGES
Derinkuyu tinha muitas entradas e mais de 600 delas foram encontradas em casas particulares — Foto: SVPHILON/GETTY IMAGES

Mais de 50 colunas de ventilação permitiam o fluxo de ar natural entre as muitas moradias e corredores de Derinkuyu. Elas eram distribuídas por toda a cidade, para evitar um ataque ao fornecimento de ar, que poderia ser fatal.

Já o poço tinha mais de 55 metros de profundidade e podia ser facilmente isolado de baixo pelos moradores da cidade.

A construção de Derinkuyu realmente foi genial, mas ela não é a única cidade subterrânea da Capadócia. Com 445 km², ela é apenas a maior das pelo menos 200 cidades subterrâneas encontradas abaixo das planícies da Anatólia.

Mais de 40 dessas cidades menores têm três ou mais níveis abaixo da superfície. Muitas são conectadas a Derinkuyu por túneis cuidadosamente escavados, alguns com até 9 km de extensão. Todos eles são equipados com saídas de emergência, que oferecem retorno imediato à superfície em caso de necessidade.

Mas nem todos os segredos subterrâneos da Capadócia foram escavados. Em 2014, uma nova cidade subterrânea, talvez ainda maior, foi descoberta na região de Nevsehir, também na Anatólia central.

A fuga dos gregos capadócios em 1923 pôs fim à história viva de Derinkuyu. Mais de 2 mil anos depois da provável criação da cidade, ela foi abandonada pela última vez e sua existência foi esquecida pelo mundo moderno - até que as galinhas errantes da Capadócia fizeram a cidade subterrânea brilhar mais uma vez.

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segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Endividamento cresce e atinge 79% das famílias; número de inadimplentes bate recorde, aponta CNC

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Atraso no pagamento de contas de consumo ou de dívidas alcançou 29,6% do total de famílias no país; indicador registra maior percentual da série histórica iniciada em 2010.
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Por André Catto, g1

Postado em 05 de setembro de 2022 às 13h50m

 #.*Post. - N.\ 10.460*.#

Endividamento cresce e atinge 79% das famílias — Foto: JN
Endividamento cresce e atinge 79% das famílias — Foto: JN

O número de famílias endividadas atingiu, em agosto, 79% do total de lares no país, informou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta segunda-feira (5). A alta de devedores foi de 1 ponto percentual em agosto ante julho, enquanto, em um ano, o avanço foi de 6,1 pontos.

Para esse indicador, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, considera dívidas a vencer no cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa.

A aceleração do endividamento em agosto foi semelhante nas duas faixas de renda pesquisadas. Para as famílias com rendimentos de até 10 salários mínimos, a alta da contratação de dívidas foi mais expressiva do que entre as famílias de maior renda – de 1,1 ponto percentual e 0,9 ponto, respectivamente.

A melhora no mercado de trabalho e as políticas de transferência de renda mais robustas têm favorecido os rendimentos das famílias nas faixas mais baixas, mas a inflação em nível ainda elevado desafia o poder de compra desses consumidores. O crédito tem sido uma forma importante para eles sustentarem o consumo, analisa a economista da CNC responsável pela pesquisa, Izis Ferreira. 
Alta na inadimplência

O número de pessoas que atrasaram o pagamento de contas de consumo ou de dívidas também cresceu em agosto, alcançando 29,6% do total de famílias no país.

A segunda alta consecutiva levou o indicador ao maior percentual da série histórica iniciada em 2010. A CNC aponta, entre as principais causas para o aumento, a injeção extra de renda às famílias, como os saques do FGTS e antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS.

Segundo a Confederação, a proporção de famílias com atraso em contas ou dívidas avançou 0,6 ponto percentual no mês e 4 pontos em um ano. Do total de inadimplentes, 10,8% afirmaram que não terão condições de pagar contas já atrasadas – permanecendo na inadimplência.

A alta do volume de famílias com contas atrasadas deu-se nas duas faixas de renda pesquisadas, mas foi maior entre as famílias de menor renda. Isso mostra os desafios que esses consumidores seguem enfrentando na gestão mensal de seus orçamentos, afirma Izis Ferreira.

  • Total de endividados acelera e alcança 79% dos lares brasileiros.
  • Inadimplência avança em agosto e atinge 29,6% das famílias no país; percentual é o maior desde o início da série histórica.
  • 10,8% do total de devedores afirmam não ter condições de pagar contas atrasadas.
  • 19% das famílias têm dívidas com lojas do varejo; índice é puxado pelas pessoas de menor renda.
  • Público masculino está mais endividado no varejo: são 19,5% entre os homens e 18,8% entre as mulheres.
  • Endividamento por carnês no varejo avança em meio à redução de 3,2 pontos percentuais no número de devedores por cartão de crédito.
Dívidas no varejo

O número de famílias brasileiras com dívidas em lojas do varejo avançou e atingiu 19,4% em agosto. A alta foi de 0,5 ponto percentual em relação a julho e de 1,2 ponto frente a agosto do ano passado.

Segundo o indicador da CNC – que considera dívidas feitas diretamente com o comércio, via carnês e cartões de loja –, a alta é explicada pela procura por esse tipo de crédito pelas famílias de menor renda.

Nos últimos quatro meses, o endividamento nos carnês subiu 1,8 ponto percentual dentro desse público, alcançando 19,8%. O endividamento entre os homens supera o das mulheres: 19,5%, contra 18,8%, respectivamente.

A alta na proporção de endividados via carnês do varejo nos últimos quatro meses ocorre na esteira da redução do endividamento no cartão de crédito, que caiu 3,2 pontos percentuais, diz relatório da CNC.

As famílias estão buscando alternativas de crédito mais baratas por conta da elevação dos juros, e o cartão de crédito foi o tipo de dívida com a segunda maior alta dos juros médios em um ano até junho, 17 pontos percentuais, segundo dados do Banco Central, explica o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

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domingo, 4 de setembro de 2022

Os fascinantes segredos das plantas para resistir ao fogo

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Quando os incêndios devastam as florestas, como algumas plantas conseguem sobreviver?
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TOPO
Por BBC

Postado em 04 de setembro de 2022 às 17h10m

 #.*Post. - N.\ 10.459*.#

Todos os anos, o fogo devasta grandes áreas em cada vez mais países.

Parece que esta situação não vai melhorar nos próximos anos — e o aumento das temperaturas e dos períodos de seca, como consequência das mudanças climáticas, não vai melhorar a situação.

Mas se o fogo destrói tudo, como as plantas conseguem sobreviver e começar a formar de novo as florestas que se perderam?

Um estudo publicado na revista Oikos por um pesquisador espanhol do Centro de Investigação da Desertificação, em Valência, na Espanha, revela várias estratégias que as plantas adotam para renascer após um incêndio.

Plantas à prova de fogo

A primeira estratégia (e mais eficaz) é evitar ter que enfrentar o fogo.

Como elas conseguem isso? Muito fácil: crescem em lugares onde o fogo nunca será capaz de chegar. Por exemplo, nas paredes de um barranco, em áreas continuamente alagadas ou até mesmo debaixo d'água.

Os manguezais têm suas raízes sempre debaixo d'água — Foto: Getty Images via BBC
Os manguezais têm suas raízes sempre debaixo d'água — Foto: Getty Images via BBC

Se precisam viver em um habitat propenso a incêndios, as plantas podem adotar outras estratégias.

Alguns arbustos e árvores criam cascas muito grossas que tentam proteger ao máximo o interior da planta.

Em todos os casos, os órgãos mais indefesos diante do fogo são sempre as folhas.

Diante desta fragilidade, muitas árvores (como alguns pinheiros) se autopodam, fazendo com que seus galhos mais baixos caiam. Desta forma, só chamas muito altas vão conseguir atingir suas folhas.

Outras plantas podem manter brotos embaixo da terra (e até protegidos com outros tecidos vegetais) para renascer se o fogo acabar com as plantas adultas.

Sementes que nascem no calor das chamas

Mas o fogo não é algo negativo para todas as plantas.

Há espécies que realmente precisam dele para germinar e se desenvolver. É o caso, por exemplo, das estevas. Não é por acaso que as estevas estão entre as primeiras plantas a colonizar a terra após um incêndio.

As sementes de esteva caem no solo e permanecem enterradas por vários anos, em um estado de inatividade chamado dormência.

Quando um incêndio destrói a floresta, o fogo faz com que estas sementes atinjam temperaturas elevadas, fazendo com que despertem.

Desta forma, elas germinam rapidamente e podem se estabelecer num novo habitat rico em nutrientes (todas as cinzas do incêndio) e na ausência de plantas concorrentes.

As sementes da esteva (Cistus ladanifer) caem no solo e permanecem enterradas por vários anos, em estado de dormência — Foto: Science Photo Library via BBC
As sementes da esteva (Cistus ladanifer) caem no solo e permanecem enterradas por vários anos, em estado de dormência — Foto: Science Photo Library via BBC

Apesar das estratégias mencionadas, muitas espécies vegetais resistem muito pouco ao fogo e são eliminadas totalmente das florestas após o incêndio.

Se são espécies vegetais com facilidade para dispersar suas sementes, elas podem reaparecer em pouco tempo no mesmo local, vindas de outras florestas próximas.

No entanto, se são pouco resistentes ao fogo e não dispersam suas sementes com facilidade, um incêndio pode acabar por completo com estas plantas. Isso provoca o desaparecimento de espécies vegetais na área por vários anos ou até mesmo para sempre.

Aprendendo a sobreviver a incêndios

Todas as estratégias para sobreviver ao fogo são resultado de processos evolutivos que buscam, sobretudo, a sobrevivência da espécie.

Para serem capazes, as plantas precisam aprender a fazer isso. Um artigo publicado na Proceedings of the Royal Society B por pesquisadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, explica justamente como as plantas podem aprender a enfrentar o fogo.

O estudo foi realizado com quatro espécies diferentes de gramíneas. Foram utilizados dois tipos de lotes: um lote que não havia sido queimado em 35 anos, e outro lote que foi queimado anualmente durante dois anos.

Em ambos os lotes, as quatro espécies de gramíneas analisadas cresciam naturalmente. O que estes pesquisadores fizeram foi colher essas gramíneas e transplantá-las para vasos em uma estufa, no intuito de estudar sua evolução sob condições controladas.

Depois de um ano, eles descobriram que as plantas submetidas a incêndios anuais produziam mais sementes e mais biomassa subterrânea.

Portanto, estas plantas concentram seus esforços em dispersar sua progênie o máximo possível e crescer onde o fogo menos afeta (embaixo da terra).

Na sequência, todas as plantas foram queimadas e brotaram novamente por conta própria. Dessa forma, os pesquisadores descobriram que as plantas que foram submetidas a incêndios contínuos cresceram muito mais rápido após serem queimadas (a partir dos brotos enterrados).

As plantas haviam aprendido que crescer no subsolo era essencial para sobreviver em um lugar sujeito a tantos incêndios. Habilidade que suas companheiras, inexperientes em relação ao fogo, não haviam adquirido.

Embora existam plantas que aprenderam a sobreviver aos incêndios, muitas outras não aprenderam.

O fogo representa um inimigo insaciável para os seres humanos e todos os seres vivos da floresta. Por isso, devemos fazer todo o possível para impedir sua propagação nas florestas.

Jorge Poveda Arias é professor assistente, doutor em biotecnologia e agricultura, na Universidade Pública de Navarra, na Espanha.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em espanhol).

- Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/geral-62673066

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