Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Atraso no pagamento de contas de consumo ou de dívidas alcançou 29,6% do total de famílias no país; indicador registra maior percentual da série histórica iniciada em 2010. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por André Catto, g1 Postado em 05 de setembro de 2022 às 13h50m #.*Post. - N.\ 10.460*.#
Endividamento cresce e atinge 79% das famílias — Foto: JN
O número de famílias endividadas atingiu, em agosto, 79% do total de lares no país, informou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta segunda-feira (5).A alta de devedores foi de 1 ponto percentual em agosto ante julho, enquanto, em um ano, o avanço foi de 6,1 pontos.
Para esse indicador, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, considera dívidas
a vencer no cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial,
carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de
carro e de casa.
A aceleração do endividamento em agosto foi semelhante nas duas faixas de renda pesquisadas.
Para as famílias com rendimentos de até 10 salários mínimos, a alta da
contratação de dívidas foi mais expressiva do que entre as famílias de
maior renda – de 1,1 ponto percentual e 0,9 ponto, respectivamente.
“A
melhora no mercado de trabalho e as políticas de transferência de renda
mais robustas têm favorecido os rendimentos das famílias nas faixas
mais baixas, mas a inflação em nível ainda elevado desafia o poder de
compra desses consumidores. O crédito tem sido uma forma importante para
eles sustentarem o consumo”, analisa a economista da CNC responsável
pela pesquisa, Izis Ferreira.
Alta na inadimplência
O número de pessoas que atrasaram o pagamento de contas de consumo ou de dívidas também cresceu em agosto, alcançando 29,6% do total de famílias no país.
A segunda alta consecutiva levou o indicador ao maior percentual da série histórica iniciada em 2010. A CNC aponta, entre as principais causas para o aumento, a injeção extra de renda às famílias, como os saques do FGTS e antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo a Confederação, a proporção de famílias com atraso em contas ou
dívidas avançou 0,6 ponto percentual no mês e 4 pontos em um ano. Do
total de inadimplentes, 10,8% afirmaram que não terão condições de pagar
contas já atrasadas – permanecendo na inadimplência.
“A
alta do volume de famílias com contas atrasadas deu-se nas duas faixas
de renda pesquisadas, mas foi maior entre as famílias de menor renda.
Isso mostra os desafios que esses consumidores seguem enfrentando na
gestão mensal de seus orçamentos”, afirma Izis Ferreira.
Total de endividados acelera e alcança 79% dos lares brasileiros.
Inadimplência avança em agosto e atinge 29,6% das famílias no país; percentual é o maior desde o início da série histórica.
10,8% do total de devedores afirmam não ter condições de pagar contas atrasadas.
19% das famílias têm dívidas com lojas do varejo; índice é puxado pelas pessoas de menor renda.
Público masculino está mais endividado no varejo: são 19,5% entre os homens e 18,8% entre as mulheres.
Endividamento
por carnês no varejo avança em meio à redução de 3,2 pontos percentuais
no número de devedores por cartão de crédito.
Dívidas no varejo
O número de famílias brasileiras com dívidas em lojas do varejo avançou e atingiu 19,4% em agosto.A alta foi de 0,5 ponto percentual em relação a julho e de 1,2 ponto frente a agosto do ano passado.
Segundo o indicador da CNC – que considera dívidas feitas diretamente
com o comércio, via carnês e cartões de loja –, a alta é explicada pela
procura por esse tipo de crédito pelas famílias de menor renda.
Nos últimos quatro meses, o endividamento nos carnês subiu 1,8 ponto percentual dentro desse público, alcançando 19,8%. O endividamento entre os homens supera o das mulheres: 19,5%, contra 18,8%, respectivamente.
A
alta na proporção de endividados via carnês do varejo nos últimos
quatro meses ocorre na esteira da redução do endividamento no cartão de
crédito, que caiu 3,2 pontos percentuais, diz relatório da CNC.
“As famílias estão buscando alternativas de crédito mais baratas por
conta da elevação dos juros, e o cartão de crédito foi o tipo de dívida
com a segunda maior alta dos juros médios em um ano até junho, 17 pontos
percentuais, segundo dados do Banco Central”, explica o presidente da
CNC, José Roberto Tadros.
Quando os incêndios devastam as florestas, como algumas plantas conseguem sobreviver? <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 04/09/2022 16h07 Atualizado há 1 hora Postado em 04 de setembro de 2022 às 17h10m #.*Post. - N.\ 10.459*.#
Todos os anos, o fogo devasta grandes áreas em cada vez mais países.
Parece que esta situação não vai melhorar nos próximos anos — e o
aumento das temperaturas e dos períodos de seca, como consequência das
mudanças climáticas, não vai melhorar a situação.
Mas se o fogo destrói tudo, como as plantas conseguem sobreviver e começar a formar de novo as florestas que se perderam?
Um estudo publicado na revista Oikos por um pesquisador espanhol do
Centro de Investigação da Desertificação, em Valência, na Espanha,
revela várias estratégias que as plantas adotam para renascer após um
incêndio.
Plantas à prova de fogo
A primeira estratégia (e mais eficaz) é evitar ter que enfrentar o fogo.
Como elas conseguem isso? Muito fácil: crescem em lugares onde o fogo
nunca será capaz de chegar. Por exemplo, nas paredes de um barranco, em
áreas continuamente alagadas ou até mesmo debaixo d'água.
Os manguezais têm suas raízes sempre debaixo d'água — Foto: Getty Images via BBC
Se precisam viver em um habitat propenso a incêndios, as plantas podem adotar outras estratégias.
Alguns arbustos e árvores criam cascas muito grossas que tentam proteger ao máximo o interior da planta.
Em todos os casos, os órgãos mais indefesos diante do fogo são sempre as folhas.
Diante desta fragilidade, muitas árvores (como alguns pinheiros) se
autopodam, fazendo com que seus galhos mais baixos caiam. Desta forma,
só chamas muito altas vão conseguir atingir suas folhas.
Outras plantas podem manter brotos embaixo da terra (e até protegidos
com outros tecidos vegetais) para renascer se o fogo acabar com as
plantas adultas.
Sementes que nascem no calor das chamas
Mas o fogo não é algo negativo para todas as plantas.
Há espécies que realmente precisam dele para germinar e se desenvolver.
É o caso, por exemplo, das estevas. Não é por acaso que as estevas
estão entre as primeiras plantas a colonizar a terra após um incêndio.
As sementes de esteva caem no solo e permanecem enterradas por vários anos, em um estado de inatividade chamado dormência.
Quando um incêndio destrói a floresta, o fogo faz com que estas
sementes atinjam temperaturas elevadas, fazendo com que despertem.
Desta forma, elas germinam rapidamente e podem se estabelecer num novo
habitat rico em nutrientes (todas as cinzas do incêndio) e na ausência
de plantas concorrentes.
As sementes da esteva (Cistus ladanifer) caem no solo e permanecem
enterradas por vários anos, em estado de dormência — Foto: Science Photo
Library via BBC
Apesar das estratégias mencionadas, muitas espécies vegetais resistem
muito pouco ao fogo e são eliminadas totalmente das florestas após o
incêndio.
Se são espécies vegetais com facilidade para dispersar suas sementes,
elas podem reaparecer em pouco tempo no mesmo local, vindas de outras
florestas próximas.
No entanto, se são pouco resistentes ao fogo e não dispersam suas
sementes com facilidade, um incêndio pode acabar por completo com estas
plantas. Isso provoca o desaparecimento de espécies vegetais na área por
vários anos ou até mesmo para sempre.
Aprendendo a sobreviver a incêndios
Todas as estratégias para sobreviver ao fogo são resultado de processos
evolutivos que buscam, sobretudo, a sobrevivência da espécie.
Para serem capazes, as plantas precisam aprender a fazer isso. Um
artigo publicado na Proceedings of the Royal Society B por pesquisadores
da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, explica justamente como
as plantas podem aprender a enfrentar o fogo.
O estudo foi realizado com quatro espécies diferentes de gramíneas.
Foram utilizados dois tipos de lotes: um lote que não havia sido
queimado em 35 anos, e outro lote que foi queimado anualmente durante
dois anos.
Em ambos os lotes, as quatro espécies de gramíneas analisadas cresciam
naturalmente. O que estes pesquisadores fizeram foi colher essas
gramíneas e transplantá-las para vasos em uma estufa, no intuito de
estudar sua evolução sob condições controladas.
Depois de um ano, eles descobriram que as plantas submetidas a
incêndios anuais produziam mais sementes e mais biomassa subterrânea.
Portanto, estas plantas concentram seus esforços em dispersar sua
progênie o máximo possível e crescer onde o fogo menos afeta (embaixo da
terra).
Na sequência, todas as plantas foram queimadas e brotaram novamente por
conta própria. Dessa forma, os pesquisadores descobriram que as plantas
que foram submetidas a incêndios contínuos cresceram muito mais rápido
após serem queimadas (a partir dos brotos enterrados).
As plantas haviam aprendido que crescer no subsolo era essencial para
sobreviver em um lugar sujeito a tantos incêndios. Habilidade que suas
companheiras, inexperientes em relação ao fogo, não haviam adquirido.
Embora existam plantas que aprenderam a sobreviver aos incêndios, muitas outras não aprenderam.
O fogo representa um inimigo insaciável para os seres humanos e todos
os seres vivos da floresta. Por isso, devemos fazer todo o possível para
impedir sua propagação nas florestas.
Jorge Poveda Arias é professor assistente, doutor em biotecnologia e
agricultura, na Universidade Pública de Navarra, na Espanha.
Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas
The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons.
Leia aqui a versão original (em espanhol).
- Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/geral-62673066
Em entrevista à BBC News Brasil, o biólogo Reuber Brandão falou sobre como o alto consumo da água do Cerrado pelo agronegócio está afetando as nascentes de grandes rios, como o São Francisco e o Paraná. Ele também comentou como o segundo maior bioma do Brasil poderia contribuir para a produção de conhecimento e biotecnologia para a economia do país. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 03/09/2022 07h43 Atualizado há 04 horas Postado em 03 de setembro de 2022 às 11h45m #.*Post. - N.\ 10.458*.#
Brasil é o maior exportador de soja do mundo — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Para o biólogo e pesquisador Reuber Brandão, o Cerrado brasileiro vive
um momento dramático: o desmatamento e o avanço descontrolado do
agronegócio sobre o território estão matando nascentes de água e
pequenas lagoas extremamente importantes para o abastecimento da
população e a geração de energia elétrica.
Oito das 12 principais bacias hidrográficas brasileiras, como as dos
rios São Francisco e Paraná, nascem nesse que é o segundo maior bioma do
país, perdendo só para a Amazônia.
ABC do Globo Rural: Soja
Segundo Brandão, o uso da água do Cerrado para irrigação de produtos
agrícolas, principalmente a soja, está diminuindo o volume do recurso
nessas bacias, além de destruir boa parte da fauna e da flora que fazem
do bioma a savana mais biodiversa do planeta.
Pesquisador Reuber Brandão, professor da UnB, estuda a biodiversidade do Cerrado — Foto: Arquivo pessoal/Via BBC
"Quando você exporta uma commodity como a soja, o valor da água e da
biodiversidade perdidas não está embutido no preço da semente. Por isso,
o Brasil é competitivo", disse o pesquisador em entrevista à BBC News
Brasil.
Brandão aponta que boa parte do bioma já está perdido para sempre.
Conservar o restante do Cerrado, diz, seria um movimento estratégico
mais importante do que manter o país na posição de maior exportador de
soja do mundo.
Segundo o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Cerrado perdeu
4.091,6 km² para o desmatamento entre janeiro e julho deste ano, uma
alta de 28,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os dados mostram que os Estados que mais desmataram estão na região
conhecida como Matopiba — principal fronteira de expansão agrícola no
país: Maranhão, Bahia, Tocantins e Piauí.
De acordo com o MapBiomas, plataforma que monitora o uso do solo no
Brasil, 45,4% do Cerrado já foi destruído para dar lugar à agropecuária.
Reuber Brandão, de 50 anos, conhece o Cerrado desde a infância, quando
brincava e consumia as frutas típicas. Depois, estudou a biodiversidade
da região até virar professor de manejo de fauna e de áreas silvestres
da Universidade de Brasília (UnB), cidade onde nasceu. Ele também é
membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN).
Áreas de plantação de soja perto do rio Formoso, no oeste da Bahia. Os
círculos são pontos com pivôs centrais de irrigação — Foto: Google/Via
BBC
Neste ano, o biólogo liderou uma equipe de pesquisadores em uma
expedição na reserva particular Serra do Tombador, em Goiás, área que
pertence à Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza desde 2007.
Na área de 9 mil hectares, os cientistas encontraram 34 espécies de
anfíbios e 55 répteis, boa parte desconhecida naquela região.
Reservas particulares, diz Brandão, podem ser uma das soluções para
conservar a parte do Cerrado que ainda resta. "Empresários que preservam
a natureza devem ser valorizados e remunerados", diz.
Na entrevista a seguir, ele também fala sobre o consumo da água do
Cerrado pelo agronegócio, o histórico da ocupação do território e como o
bioma deveria ser conservado e utilizado para gerar riquezas ao Brasil.
BBC News Brasil - Por que o Cerrado é importante?
Reuber Brandão
- O Cerrado é a savana mais diversa e úmida do planeta, com paisagens
belíssimas como a Chapada dos Veadeiros. Quando a gente pensa em savana,
pensa na África com elefantes ou na Austrália com os cangurus. Mas
nenhuma dessas savanas tem a diversidade do Cerrado. Ele tem mais de 12
mil espécies de árvores.
Há uma pluviosidade (volume de chuvas) comparada à de regiões da
Amazônia, mas a chuva é concentrada em poucos meses do ano. Oito das 12
bacias hidrográficas do Brasil nascem no Cerrado. E, em algumas delas,
70% de suas águas vêm do bioma, como a bacia do rio São Francisco.
Pensando em grandes projetos para o país, sem a conservação do Cerrado
você inviabiliza inclusive a transposição do São Francisco.
Pequenas lagoas e nascentes de água estão sendo afetadas pela destruição do Cerrado — Foto: Divulgação/Via BBC
As usinas hidrelétricas dependem da água do Cerrado para gerar energia.
Os processos hidrológicos do Pantanal também, porque uma parte das
águas que correm por ele nasce no Cerrado. Essa combinação de
biodiversidade com a quantidade de nascentes coloca o bioma em uma
posição estratégica para o Brasil.
BBC News Brasil - O abastecimento de água de outras partes do país pode ser afetado pela destruição do Cerrado?
Brandão -
Sim, afeta do abastecimento de água nas cidades à geração de energia.
Afeta a própria água necessária para a agricultura. Não faz muito
sentido a agricultura brasileira tratar a água como um insumo infinito,
quando todo mundo sabe que ela pode acabar.
O próprio agronegócio tem preocupação com isso, porque já sabe que mais
de 80% das bacias hidrográficas do Cerrado diminuíram sua quantidade de
água.
BBC News Brasil - Como essa água está sendo afetada?
Brandão -
O maior reservatório de água do planeta é o solo, onde ela permanece
por muito tempo. Isso permite o crescimento da vegetação e uma grande
quantidade de água nas nascentes.
Nas chapadas, as áreas mais altas cobertas pelo Cerrado, essa água é
aparente em veredas, lagoas rasas e nascentes. Mas esse volume vem do
afloramento do lençol freático. E esse lençol depende da água da chuva
que entra no solo e da quantidade usada para outros fins.
Quando
há um rebaixamento desse lençol, esses ambientes deixam de crescer. Os
pequenos riachos de montanha, as veredas e lagoas de alto chapadas são
fortemente afetadas pela irrigação da agricultura.
Segundo o MapBiomas, mais de 45% do Cerrado já foi destruído para dar lugar à agropecuária — Foto: Agência Brasil/Via BBC
BBC News Brasil - Onde isso está acontecendo?
Brandão -
No oeste da Bahia, por exemplo, o aumento da demanda por água para
irrigação no sistema de pivôs centrais ocasionou o desparecimento de
lagoas e veredas dos rios das Éguas, Arrojado e Formoso. Conheço veredas
cuja nascente recuou mais de 10 quilômetros em relação à original.
Essas áreas, que tinham a presença de corpos aquáticos na paisagem,
passaram a ser muito mais secas.
E isso tem um impacto muito grande sobre fauna e flora, porque as
plantas que precisam ter contato com a água do solo sofrem um estresse
hídrico e começam a morrer. Há um grande mortalidade de árvores. Já a
fauna foge para procurar áreas com água.
BBC News Brasil - Estamos retirando a água do Cerrado para irrigar o quê?
Brandão -
Principalmente soja. O único destino de ocupação do território do
Cerrado é o agronegócio. E ele tem uma demanda muito grande por água. Um
único pivô central, aqueles círculos de irrigação com uma lança de 150
metros, gasta por ano a mesma quantidade de água que 4 mil famílias.
Cada pivô central é uma pequena cidade — e há 1 milhão deles no Brasil.
Essa água é retirada do solo com autorização do Estado, por meio de
outorgas previstas na lei. Mas é bem possível que existam irrigações
ilegais também. A expectativa é que o número áreas irrigadas aumente
muito nos próximos anos.
Quando você exporta uma commodity como a soja, o valor da água e da
biodiversidade perdidas não está embutido no preço da semente. Por isso,
o Brasil é competitivo. É uma visão reducionista e míope do país,
porque a commodity não tem valor agregado e depende da oscilação do
mercado. De repente, o preço cai e vira uma quebradeira geral. É
diferente do produto industrial.
BBC News Brasil - O que poderia ser feito de diferente?
Brandão -
O Cerrado tem um potencial de biodiversidade gigantesco. Seja para
bioprodutos tecnológicos, como colas, ou para alimentícios, cosméticos e
medicamentosos, como analgésicos. Há proteínas do veneno da jararaca,
por exemplo, com valor econômico enorme. Ou a grande quantidade de
palmeiras que nunca foram estudadas. A mesma coisa com as castanhas do
Cerrado, que poderiam ter um impacto de uso global.
Veja o caso do açaí, que não é do Cerrado, mas é um produto brasileiro
que em pouco tempo se tornou uma commodity. Hoje, há áreas na Amazônia
que estão deixando de criar búfalos para plantar açaí, o que ajuda na
recomposição da floresta.
O Cerrado é único, e o Brasil ainda não acordou para o fato de que
tratá-lo como mero campo de expansão da pecuária e da agricultura sem
proteção garantida pela lei é colocar fogo no nosso futuro. Estamos
apostando em um modelo de produção sem valor agregado que depende da
ocupação de grandes territórios para ser viável. Ninguém consegue ter
uma produção de soja economicamente viável com menos de 800 hectares de
terra.
BBC
News Brasil - Os programas de conservação do Cerrado ficaram para trás
em relação a outros biomas, como a Amazônia e a Mata Atlântica?
Brandão -
Por muito tempo, o Cerrado se manteve conservado por causa de seu solo
ácido. Poucas culturas agrícolas efetivamente davam certo. Outro ponto
foi o isolamento geográfico. A maior parte da ocupação do Brasil estava
no litoral e ao longo de grandes rios, como o Amazonas e o São
Francisco.
Mas isso mudou bastante com a inauguração de Brasília, em 1960, e com o
avanço tecnológico da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária) no campo da calagem do solo (técnica de preparação que
diminui a acidez do solo). Ele se tornou viável para ser ocupado pela
agricultura, e isso aconteceu de maneira acelerada.
Quando o Brasil acordou, boa parte do Cerrado já estava destruída. Não
houve a criação de grandes áreas de conservação. No próprio imaginário
do brasileiro, ele fica atrás de outros biomas, como Amazônia, a Mata
Atlântica, o Pantanal. As pessoas se perguntam: 'para que serve o
Cerrado?'
BBC News Brasil - Quais áreas já foram destruídas?
Brandão -
Existem Cerrados diferentes. Em cada lugar, há um ecossistema e uma
biodiversidade diferentes, pois o Cerrado tem quase o tamanho da
Argentina.
A parte sul do Cerrado, no Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas e São
Paulo, praticamente não existe mais. Há apenas minúsculos fragmentos,
muito alterados. As maiores áreas maiores ainda estão no norte, em
Tocantins, Maranhão e Piauí. Elas são muito valiosas. E conservá-las é
uma questão urgente para o Brasil. É preciso criar grandes áreas de
conservação.
BBC News Brasil - É possível recuperar algumas áreas?
Brandão -
Quando ela está degradada, ainda é possível recompor grande parte do
que foi perdido. Mas, se o solo é removido completamente, demoraria
milhões de anos para recuperar a biodiversidade. As pessoas precisam
entender que, quando você destrói uma área dessas, não tem mais volta,
ela está permanentemente perdida.
BBC
News Brasil - As chamadas Reservas Particulares do Patrimônio Natural
(RPPN), que estão em expansão, podem ser uma solução para o bioma?
Brandão -
O grande problema das reservas privadas é que muitos proprietários não
têm condição de contribuir com uma grande quantidade de terra para
conservação. Para eles, é muito caro ceder o território.
Do ponto de vista da conservação, não faz grande diferença, porque
pequenos fragmentos não vão ajudar muito na preservação de mamíferos e
predadores de grande porte, como onças e crocodilos, que precisam de
enormes áreas e muitas presas para sobreviver.
Mas esse modelo é muito importante porque, com as reservas
particulares, dá para proteger áreas singulares ou pequenos
remanescentes que sobraram. Dá para unir reservas e aumentar
conectividade, principalmente se a propriedade for no entorno de uma
área pública protegida.
Já existem 1,5 mil reservas particulares no Brasil, então o modelo deu
certo. Isso mostra que o proprietário de terra não é uma pessoa
insensível à conservação da biodiversidade, ele tem a percepção do valor
do recurso natural. Dono de terra que conserva a natureza precisa ser
valorizado.
BBC
News Brasil - O senhor acredita há no agronegócio a preocupação de que a
destruição de biomas como Cerrado e Amazônia pode ser prejudicial aos
negócios, como haver dificuldade de exportar produtos oriundos de áreas
desmatadas?
Brandão -
Os empresários da agricultura não tem um modo único de pensar. Existem
grandes empresários que são instruídos, que sabem o impacto da perda de
água e das mudanças climáticas. Eles não são negacionistas e estão
acompanhando o mercado internacional, que está cada vez mais preocupado
com a questão ambiental.
Veja o caso da Europa... Você não acha que um alemão, ao ver um rio do
país secar, não está pensando no efeito estufa e no desmatamento da
Amazônia? Com certeza está.
A tendência é esses mercados colocarem cada vez mais barreiras para
produtos vindos do desmatamento. Então existe sim uma preocupação real
dos proprietários com o futuro da atividade agrícola, porque eles são
pessoas que tem um vínculo com uma produção, e eles querem deixar a
terra para os filhos.
BBC News Brasil - Quais são as principais questões do Cerrado que o próximo presidente precisará enfrentar?
Brandão -
A primeira coisa é aumentar a rede de áreas protegidas em pontos
remanescentes importante. Outra é agilizar um projeto de lei de
pagamentos aos proprietários que mantêm conservação em suas áreas. Eles
precisam ser remunerados por isso. É necessário que, do ponto de vista
econômico, seja interessante para o proprietário manter áreas naturais
em vez de desmatar.
Um terceiro ponto é se aproximar de proprietários na região do sul do
Cerrado para incrementar projetos importantes de recomposição do bioma.
Também seria muito importante valorizar e empoderar as universidades e
instituições de pesquisa, para que seja possível desenvolver projetos de
biotecnologia a partir do Cerrado.
Você pode criar startups do Cerrado. Por exemplo, uma empresa que
desenvolva um novo produto a partir do baru (espécie de árvore), ou de
uma castanha, um novo tipo de adesivo a partir do extrato de uma
proteína de alguma planta ou animal do Cerrado. Há um potencial imenso a
ser explorado.
O levantamento revelou que 44,5 milhões de hectares foram convertidos para agropecuária. Pará foi o estado mais devastado. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Júlia Putini, g1 03/09/2022 05h01 Atualizado há 03 horas Postado em 03 de setembro de 2022 às 08h05m #.*Post. - N.\ 10.457*.#
Desmatamento na Amazônia Legal — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
A Amazônia perdeu o equivalente a 12% de florestas nos últimos 37 anos,
de acordo com o levantamento do MapBiomas, divulgado nesta sexta-feira
(02). A atualização dos dados sobre uso e cobertura da terra de 1985 a
2021 demonstrou que 44 milhões de hectares foram perdidos. O
desmatamento é o equivalente a dez vezes a área de todo o estado do Rio
de Janeiro.
Durante esses anos, 44,5 milhões de hectares foram convertidos para
agropecuária, atividade que representa o principal vetor de desmatamento
da região. Em 2021, a agropecuária ocupava 15% do bioma.
“O
atual modelo de desenvolvimento econômico, baseado na conversão
descontrolada de áreas de vegetação natural, coloca o Brasil frente a
graves problemas no atual cenário de mudanças do clima”, explica Tasso
Azevedo, coordenador do MapBiomas.
Dentre todos os estados que compõem a Amazônia Legal, o Pará foi o mais
desmatado, com 35,2% das florestas convertidas em áreas de agricultura
ou pastagem. O estado também tem uma estrada ilegal que atravessa áreas protegidas.
Perda de água e avanço do garimpo
Ainda de acordo com o levantamento, a Amazônia perdeu 14,5% de água,
sendo Roraima o estado mais afetado. Em 25 anos houve uma redução de
53%.
Outro ponto de atenção é o avanço do garimpo. Em 2021, a atividade
respondeu por três em cada quatro hectares (74%) mapeados como mineração
na Amazônia. Dos pouco mais de 217 mil ha de área minerada no bioma,
64% foram mapeados no estado do Pará. Esse estado é também o que
registrou maior expansão urbana nos últimos 37 anos.
Pouco mais da metade (54,3%) das áreas florestais remanescentes estão
em áreas legalmente protegidas, como Terras Indígenas e Unidades de
Conservação (exceto APA) – percentual semelhante ao das formações
campestres que estão dentro de áreas protegidas (58,7%).
"Os recentes recordes de desmatamento e de queimadas comprovam que a
Amazônia não está protegida. É importante ressaltar que não se trata
apenas de desmatamento: parte da floresta remanescente está degradada.
Esse processo coloca a floresta mais perto do ponto de inflexão a partir
do qual ela entra em colapso", alerta Luis Oliveira Jr., que integra a
equipe Amazônia do MapBiomas
Em julho deste ano, a divulgação do segundo o Relatório Anual de Desmatamento no Brasil(RAD),
do MapBiomas demonstrou que só nos últimos três anos (2019-2021) o
Brasil perdeu quase um Estado do Rio de Janeiro de vegetação nativa.