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domingo, 17 de abril de 2022

Como o próximo supercontinente da Terra vai se formar

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Longe de serem fixos, os continentes não estiveram sempre organizados da forma como vemos hoje — será que é possível saber onde estarão localizados daqui a milhões de anos?
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TOPO
Por BBC

Postado em 17 de abril de 2022 às 11h35m

Post.- N.\ 10.295

Mapa de Mercator do século 16 — Foto: Getty Image
Mapa de Mercator do século 16 — Foto: Getty Image

Há quase 500 anos, o cartógrafo flamengo Gerardus Mercator produziu um dos mapas mais importantes do mundo.

Certamente não foi a primeira tentativa de se criar um atlas mundial, e tampouco era particularmente preciso: a Austrália está ausente, e as Américas estão apenas esboçadas.

Desde então, os cartógrafos produziram versões cada vez mais precisas desse nosso arranjo continental, corrigindo os erros de Mercator, assim como os vieses entre hemisférios e latitudes criados por sua projeção.

Mas o mapa de Mercator, junto a outros produzidos por seus contemporâneos do século 16, revelou uma imagem verdadeiramente global das massas terrestres do nosso planeta — uma perspectiva que, desde então, povoa a mente das pessoas.

O que Mercator não sabia é que os continentes nem sempre foram organizados desta maneira. Ele viveu cerca de 400 anos antes de a teoria das placas tectônicas ser confirmada.

Ao olhar para a posição dos sete continentes em um mapa, é fácil supor que são fixas. Durante séculos, os seres humanos têm travado guerras e selado acordos de paz para conquistar esses territórios, supondo que a terra deles — e de seus vizinhos — sempre esteve e sempre estará lá.

Da perspectiva da Terra, no entanto, os continentes são folhas à deriva em um lago. E as preocupações humanas são uma gota de chuva na superfície da folha.

Os sete continentes já estiveram reunidos em uma única massa, um supercontinente chamado Pangeia. E, antes disso, há evidências de outros que remontam a mais de três bilhões de anos: Panótia, Rodinia, Columbia/Nuna, Kenorland e Ur.

Os sete continentes já foram uma única massa de terra, um supercontinente chamado Pangeia — Foto: Getty Image
Os sete continentes já foram uma única massa de terra, um supercontinente chamado Pangeia — Foto: Getty Image

Os geólogos sabem que os supercontinentes se dispersam e se juntam em ciclos: estamos na metade de um agora.

Então, que tipo de supercontinente poderia existir no futuro na Terra? Como as massas terrestres que conhecemos hoje vão se reorganizar no longo prazo?

Há pelo menos quatro trajetórias diferentes possíveis pela frente. E elas mostram que os seres vivos da Terra um dia residirão em um planeta muito diferente, que mais parece um mundo alienígena.

Para o geólogo João Duarte, da Universidade de Lisboa, em Portugal, o caminho para explorar os futuros supercontinentes da Terra começou com um evento incomum no passado: um terremoto que sacudiu Portugal numa manhã de sábado em novembro de 1755.

Foi um dos terremotos mais poderosos registrados nos últimos 250 anos, com um total de 60 mil mortos e provocando um tsunami no Oceano Atlântico. Mas o que fez dele particularmente estranho foi sua localização.

"Não deveria haver grandes terremotos no Atlântico", diz Duarte. "Foi estranho."

Ilustração do terramoto de Lisboa de 1755 — Foto: Getty Image
Ilustração do terramoto de Lisboa de 1755 — Foto: Getty Image

Terremotos dessa magnitude geralmente acontecem em (ou perto de) grandes zonas de subducção, em que as placas oceânicas mergulham sob os continentes, sendo derretidas e consumidas no manto quente. Envolvem colisão e destruição.

O terremoto de 1755, no entanto, aconteceu ao longo de uma borda "passiva", em que a placa oceânica subjacente ao Atlântico se transforma suavemente nos continentes da Europa e da África.

Em 2016, Duarte e seus colegas propuseram uma teoria para o que poderia estar acontecendo: as "costuras" entre estas placas podem estar se desfazendo e uma grande ruptura pode estar se aproximando.

"Pode ser uma espécie de mecanismo infeccioso", explica. Ou como o vidro se fragmentando entre dois pequenos orifícios no para-brisa de um carro.

Se for isso mesmo, uma zona de subducção poderia estar prestes a se espalhar do Mediterrâneo ao longo da África Ocidental e talvez até a Irlanda e o Reino Unido, gerando vulcões, formação de montanhas e terremotos nessas regiões.

Duarte percebeu que, se isso acontecer, pode levar, num futuro distante, ao fechamento do Atlântico. E se o Pacífico continuar a encolher também — o que já está acontecendo ao longo do "Anel de Fogo" que o rodeia —, um novo supercontinente acabaria se formando.

Ele o chamou de Aurica, porque as antigas massas de terra da Austrália e das Américas ficariam em seu centro.

Seria algo assim:

Aurica, o supercontinente que poderia se formar se o Atlântico e o Pacífico fechassem — Foto: Davies et al
Aurica, o supercontinente que poderia se formar se o Atlântico e o Pacífico fechassem — Foto: Davies et al

Depois que Duarte publicou sua proposta sobre a Aurica, ele se perguntou sobre outros cenários futuros. Afinal, a sua não era a única trajetória de supercontinente que os geólogos haviam proposto.

Ele começou então a conversar com o oceanógrafo Matthias Green, da Universidade de Bangor, no País de Gales. Os dois perceberam que precisavam de alguém com habilidades computacionais para criar modelos digitais.

"Essa pessoa tinha que ser alguém um pouco especial, que não se importasse de estudar algo que nunca aconteceria em escalas de tempo humanas", explica.

Acabou sendo sua colega Hannah Davies, outra geóloga da Universidade de Lisboa.

"Meu trabalho consistia em transformar desenhos e ilustrações de geólogos do passado em algo quantitativo, georreferenciado e em formato digitalizado", diz Davies.

A ideia era criar modelos que outros cientistas pudessem desenvolver e aperfeiçoar.

Mas não foi simples. "O que nos deixava nervosos é que é um tema incrivelmente blue sky (em que as aplicações do "mundo real" não são imediatamente aparentes). Não é o mesmo que um artigo científico comum", afirma Davies.

"Queríamos dizer: 'Ok, entendemos muito sobre as placas tectônicas depois de 40 ou 50 anos (de pesquisas científicas). E entendemos muito sobre a dinâmica do manto e todos os outros componentes do sistema. Até onde podemos levar esse conhecimento para o futuro?'"

Isso levou a quatro cenários. Além de delinear uma imagem mais detalhada da Aurica, eles exploraram três outras possibilidades, cada uma delas projetando o futuro cerca de 200 a 250 milhões de anos a partir de agora.

A primeira foi o que poderia acontecer se o status quo continuar: o Atlântico permanece aberto, e o Pacífico fecha. Nesse cenário, o supercontinente que se formará vai se chamar Novopangeia.

"É o mais simples e mais plausível com base no que entendemos agora", diz Davies.

A Novopangeia se formará se a atividade tectônica conhecida hoje continuar sem surpresas — Foto: Davies et al
A Novopangeia se formará se a atividade tectônica conhecida hoje continuar sem surpresas — Foto: Davies et al

No entanto, também pode haver eventos geológicos no futuro que levem a arranjos diferentes.

Um exemplo é um processo chamado "ortoversão", em que o Oceano Ártico se fecha, e o Atlântico e o Pacífico permanecem abertos.

Isso muda as orientações dominantes da expansão tectônica, e os continentes se movem para o norte, todos dispostos ao redor do Polo Norte, exceto a Antártida.

Neste cenário, um supercontinente chamado Amásia se forma:

Se a Amásia se formar, é porque os continentes se deslocaram para o norte  — Foto: Davies et al
Se a Amásia se formar, é porque os continentes se deslocaram para o norte — Foto: Davies et al

Finalmente, também é possível que a expansão do fundo do mar no Oceano Atlântico possa desacelerar. No meio do oceano, há uma crista gigante que divide duas placas, atravessando a Islândia até o Oceano Antártico. Aqui, uma nova litosfera está se formando, como uma esteira rolante.

Se essa expansão diminuir ou parar, e se uma nova borda de placas de subducção se formar ao longo da costa leste das Américas, teremos um supercontinente chamado Pangeia Ultima, que parece um enorme atol:

A Pangeia Ultima seria cercada por um grande oceano, mas teria um mar no seu interior — Foto: Davies et al
A Pangeia Ultima seria cercada por um grande oceano, mas teria um mar no seu interior — Foto: Davies et al

Estes quatro modelos digitais agora significam que os geólogos têm uma base para testar outras teorias.

Por exemplo, os cenários podem ajudar os cientistas a entender os efeitos de diferentes arranjos supercontinentais nas marés, assim como no clima num futuro distante — como seria o clima em um mundo com um enorme oceano e uma massa terrestre gigante?

Para simular o clima de um supercontinente, "não dá para usar os modelos do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas], porque não foram feitos para isso", diz Duarte.

"Você não consegue mudar as variáveis ​​que precisa mudar (para uma simulação do tipo)."

As simulações dos futuros supercontinentes da Terra também podem servir como um indicador para compreender o clima dos exoplanetas.

"A Terra do futuro é completamente alienígena", diz Davies. "Se você estivesse em órbita sobre a Aurica, ou a Novopangeia, provavelmente não reconheceria como sendo a Terra, mas sim outro planeta com cores semelhantes."

Essa ideia levou o trio a colaborar com Michael Way, físico do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, a agência espacial americana. Ele e seus colegas se dedicam a estudar climas em mundos alienígenas por meio de simulações das variações do nosso ao longo do tempo.

"Não temos tantos exemplos de como pode ser um clima temperado. Bem, temos um exemplo para ser honesto: a Terra, mas temos a Terra ao longo do tempo", diz Way.

"Temos os cenários do passado, mas ao avançar para o futuro e usar estes maravilhosos modelos tectônicos para o futuro, isso nos dá outra combinação para adicionar à nossa coleção."

Você precisa desses modelos porque pode ser difícil saber o que procurar ao analisar de longe exoplanetas potencialmente habitáveis​.

Que tipo de configuração continental os mundos alienígenas podem ter? — Foto: Getty Images
Que tipo de configuração continental os mundos alienígenas podem ter? — Foto: Getty Images

Idealmente, você quer saber se um planeta tem um ciclo de supercontinente, porque a presença de vida e placas tectônicas ativas podem estar entrelaçadas. O arranjo continental também poderia afetar a probabilidade de haver água em estado líquido.

Através das lentes dos telescópios, não dá para ver os continentes, e a composição atmosférica só pode ser inferida. Assim, modelos de variações climáticas poderiam revelar algum sinal indireto que os astrônomos poderiam detectar.

A simulação de Way dos climas dos supercontinentes — que levou meses usando um supercomputador — revelou algumas variações impressionantes entre os quatro cenários.

A Amásia, por exemplo, levaria a um planeta muito mais frio do que o resto. Com a terra concentrada em torno do Polo Norte, e os oceanos menos propensos a transportar correntes quentes para latitudes mais frias, as camadas de gelo se acumulariam.

O clima na Aurica, em contrapartida, seria mais ameno, com o interior seco, mas costas parecidas com as do Brasil de hoje, com mais água em estado líquido.

Um planeta com uma configuração continental diferente teria um outro tipo de clima — Foto: Getty Images
Um planeta com uma configuração continental diferente teria um outro tipo de clima — Foto: Getty Images

É útil saber tudo isso porque se um exoplaneta semelhante à Terra tem placas tectônicas, não saberemos em que etapa do ciclo do supercontinente se encontra atualmente e, por isso, precisaremos saber o que procurar para inferir sua habitabilidade.

Não devemos supor que as massas terrestres vão se dispersar, no meio do ciclo, como as nossas.

Quanto ao futuro do nosso próprio planeta, Davies reconhece que os quatro cenários de supercontinentes que eles simularam são especulativos, e pode haver surpresas geológicas imprevistas que mudem o resultado.

"Se eu tivesse uma máquina do tempo para ver, não ficaria surpresa se, em 250 milhões de anos, o supercontinente não se parecesse em nada com nenhum desses cenários. Há muitos fatores envolvidos", diz ela.

No entanto, o que se pode dizer com certeza é que as massas terrestres que damos hoje como certas um dia vão se reorganizar em uma configuração inteiramente nova.

Países que outrora estiveram isolados uns dos outros, serão vizinhos próximos. E se a Terra ainda abrigar seres inteligentes, eles poderão viajar entre as antigas ruínas de Nova York, Pequim, Sydney e Londres sem nunca ver um oceano.

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sábado, 16 de abril de 2022

Registro mais antigo do Calendário Maia é descoberto dentro de pirâmide na Guatemala

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Um glifo – espécie de desenho ou gravura – representando o dia chamado "7 Veado", desenhado em um fragmento de mural do século 3 a.C., foi encontrado dentro em ruínas de um famoso sítio arqueológico.
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TOPO
Por Will Dunham, Reuters

Postado em 16 de abril de 2022 às 09h45m

Post.- N.\ 10.294

Pedaços de mural com ilustração do Calendário Maia descobertos dentro de pirâmide na Guatemala — Foto: Karl Taube/Courtesy of the Proyecto Regional Arqueologico San Bartolo/Reuters
Pedaços de mural com ilustração do Calendário Maia descobertos dentro de pirâmide na Guatemala — Foto: Karl Taube/Courtesy of the Proyecto Regional Arqueologico San Bartolo/Reuters

Um glifo – espécie de desenho ou gravura – representando um dia chamado "7 Veado" do Calendário Maia, desenhado em um fragmento de mural datado do século 3 a.C., foi encontrado dentro das ruínas de uma pirâmide na Guatemala. Essa é a mais antiga referência deste calendário já encontrada, informaram os arqueólogos responsáveis pela descoberta na quarta-feira (13).

Os fragmentos foram encontrados no sítio arqueológico de San Bartolo, nas selvas do norte da Guatemala, que ficou famoso com a descoberta, em 2001, de uma câmara enterrada com murais coloridos datados de 100 a.C., representando cenas cerimoniais e mitológicas dos Maias.

As peças com o glifo "7 Veado" foram desenterradas dentro da mesma pirâmide de Las Pinturas, onde os murais ainda intactos foram localizados.

Como era o caso dessa estrutura, os Maias geralmente construíam o que inicialmente eram templos de tamanho modesto, depois construíam versões cada vez maiores sobre os anteriores. Esta pirâmide atingiu cerca de 30 metros de altura.

Ilustração mostra como seria a construção religiosa sobreposta por uma pirâmide na Guatemala — Foto: Heather Hurst/Reuters
Ilustração mostra como seria a construção religiosa sobreposta por uma pirâmide na Guatemala — Foto: Heather Hurst/Reuters

O glifo encontrado nos fragmentos do mural para "7 Veado", um dos 260 dias nomeados do calendário, consistia na antiga escrita maia para o número sete sobre o contorno da cabeça de um cervo.

David Stuart, principal autor da descoberta publicada na revista Science Advances e professor da Universidade do Texas, descreveu os fragmentos encontrados como "dois pequenos pedaços de gesso branco que já foram presos a uma parede de pedra".

"A parede foi intencionalmente destruída pelos antigos Maias quando eles estavam reconstruindo seus espaços cerimoniais – e acabou se transformando em uma pirâmide. As duas peças se encaixam e têm caligrafia pintada de preto, abrindo com a data '7 Veado'. O resto é difícil de ler", disse Stuart.

"As pinturas desta fase estão todas muito fragmentadas, ao contrário de qualquer uma das câmaras posteriores e mais famosas", afirmou o pesquisador do Texas. Até agora, a notação mais antiga do Calendário Maia datava do 1º século a.C.

O calendário, enraizado nas observações dos movimentos do Sol, da Lua e dos planetas, baseava-se em um ciclo ritual de 260 dias cada um com um nome próprio.

O calendário de 260 dias, chamado de tzolk'in, foi um dos vários sistemas maias de contagem de tempo, que funcionavam em conjunto e incluía também um ano solar de 365 dias, além de um sistema maior chamado "Larga Contagem" e um sistema lunar.

O calendário foi uma das conquistas de uma cultura que também desenvolveu um sistema de escrita com 800 glifos, com os primeiros exemplos também de San Bartolo. Os Maias construíram templos, pirâmides, palácios e observatórios e se dedicaram à agricultura sofisticada sem usar ferramentas de metal ou a roda.

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sexta-feira, 15 de abril de 2022

Mundo registra mais de 500 milhões de casos de Covid-19, aponta universidade

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Levantamento da Universidade Johns Hopkins também contabiliza 6,1 milhões de mortes pela doença em todo o mundo.
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Por g1

Postado em 15 de abril de 2022 às 11h00m

Post.- N.\ 10.293

Levantamento da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, até a manhã desta quinta-feira (14) — Foto: Reprodução/ Un. Johns Hopkins
Levantamento da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, até a manhã desta quinta-feira (14) — Foto: Reprodução/ Un. Johns Hopkins

O mundo ultrapassou os 500 milhões de casos registrados de Covid-19, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins, que monitora os números desde o início da pandemia.

Até às 8h (horário de Brasília) desta quinta-feira (14), a universidade contabilizava 501.970.999 casos da doença, com mais de 6,1 milhões de mortes.

O número de casos considera apenas os que foram registrados – a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o número real de infectados seja muito maior, por causa da subnotificação. Na quarta-feira (13), a entidade havia anunciado que continua considerando a pandemia uma emergência de saúde pública internacional.

EUA lideram casos e mortes

Os Estados Unidos lideram o número de infectados e de mortes pela Covid-19 até agora. Segundo o balanço da universidade, são mais de 80,5 milhões de casos no país, que tem quase 1 milhão de mortes registradas. Nos últimos 28 dias, foram mais de 880 mil novos casos.

Já a Coreia do Sul lidera no número de novos casos vistos nos últimos 28 dias, com 7,7 milhões de novos registros. Em seguida vêm Alemanha (quase 5 milhões), França (3,6 milhões) e Vietnã (3,5 milhões).

Embora os casos sigam crescendo, o ritmo de novos registros vem caindo desde o fim de janeiro – quando a variante ômicron levou a um recorde de infectados em vários países, inclusive no Brasil.

Já as doses de vacina contra a Covid-19 aplicadas no mundo inteiro estão na casa dos bilhões, mas a distribuição é desigual: enquanto 64 países já ultrapassaram a meta da OMS de vacinar mais de 70% de suas populações até julho deste ano – o Brasil está entre eles –, outros 68 ainda não chegaram a 40%, que era a meta estabelecida para o final do ano passado. Desse total, 21 ainda não vacinaram nem sequer 10% de seus habitantes.

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quinta-feira, 14 de abril de 2022

Nasa confirma que cometa descoberto por brasileiro é o de maior núcleo já encontrado

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C/2014 UN271 tem um núcleo de 130 km de diâmetro e uma massa de 500 trilhões de toneladas. Astrônomo brasileiro descobriu o astro em 2021.
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Por g1

Postado em 14 de abril de 2022 às 10h30m

Post.- N.\ 10.292

Comparação do tamanho do C/2014 UN271 com outros cometas já detectados  — Foto: NASA, ESA, Zena Levy (STScI)
Comparação do tamanho do C/2014 UN271 com outros cometas já detectados — Foto: NASA, ESA, Zena Levy (STScI)

O telescópio Hubble, da agência espacial americana (Nasa), confirmou que um cometa descoberto pelo astrônomo brasileiro Pedro Bernardinelli é o astro com o maior núcleo avistado até hoje.

O C/2014 UN271 tem um diâmetro de aproximadamente 130 km, cerca de 50 vezes maior do que a maioria dos cometas conhecidos, e foi descoberto por Bernardinelli, astrônomo da universidade de Washington, em maio de 2021, durante uma pesquisa para um projeto de doutorado.

A gente encontrou esse objeto meio que por acaso porque a gente não estava buscando explicitamente um cometa. Estávamos buscando outras coisas, mas desenvolvemos uma metodologia para identificar vários tipos de astros e trombamos com esse, conta o pesquisador.

Bernardinelli explica que, à época, ele nem imaginava que a estrutura era de um cometa e que os cálculos mais precisos só foram feitos por volta de setembro. Foi a partir daí que, juntamente com seu orientador, o astrônomo da Universidade da Pensilvânia, Gary Bernstein, os pesquisadores se depararam diante de uma descoberta surpreendente: estavam diante do cometa com o maior núcleo já encontrado.

Chegar a essa conclusão não é uma tarefa fácil. Os cientistas precisam entender como se comporta a camada de poeira e gás ao redor de um cometa, chamada de coma pelos astrônomos.

Isso é fundamental porque a luz do Sol, ao incidir sobre um determinado cometa, é refletida e então possível de ser observada pelos nossos telescópios. Contudo, a distância que o C/2014 UN271 está não é possível observarmos exatamente o seu núcleo, somente a camada de poeira.

O que os cientistas da Nasa fizeram então foi desenvolver um modelo computacional para remover brilho da como e revelar em detalhes o núcleo do cometa descoberto pelo brasileiro.

A imagem abaixo mostra como foi feito o processo.

Sequência de fotos mostra como o núcleo do Cometa foi calculado. — Foto: NASA, ESA, Man-To Hui (Macau University of Science and Technology), David Jewitt (UCLA)/Alyssa Pagan (STScI)
Sequência de fotos mostra como o núcleo do Cometa foi calculado. — Foto: NASA, ESA, Man-To Hui (Macau University of Science and Technology), David Jewitt (UCLA)/Alyssa Pagan (STScI)

Isso é uma medida bem difícil de ser feita porque precisamos de um modelo muito bom para explica essa nuvem de gás sublimado ao redor do cometa. Essa foi a grande diferença do estudo da Nasa, ressalta Bernardinelli.

O cometa, também chamado de Bernardinelli-Bernstein em homenagem aos seus descobridores, está se movimentando a uma velocidade de 35 mil km/h na borda do sistema solar. Além disso, segundo a Nasa informou, sua massa é de 500 trilhões de toneladas, cem mil vezes maior do que a encontrado geralmente para esses objetos espaciais.

Em 2031, o C/2014 UN271 estará a 1,6 bilhão de quilômetros de proximidade do Sol. Essa será a menor distância que a trajetória do cometa chegará da estrela do sistema solar.

Bernardinelli explica que, por isso, ele não oferece nenhum risco para nós terráqueos, mas que entender a dinâmica do seu funcionamento e de sua aproximação com a nossa estrela é fundamental para a ciência.

O astrônomo brasileiro Pedro Bernardinelli em imagem de arquivo pessoal. — Foto: Arquivo Pessoal
O astrônomo brasileiro Pedro Bernardinelli em imagem de arquivo pessoal. — Foto: Arquivo Pessoal

O mais interessante disso, conta ele, é que estamos vendo um cometa ligando. Isso quer dizer que, embora ele ainda esteja numa região muito fria e congelante a cerca de 3 milhões de km do Sol, onde não deveria ocorrer a sublimação de seus materiais, essa sua proximidade cada vez mais perto da estrela, está aumentando a atividade do Bernardinelli-Bernstein, mas os cientistas ainda não sabem explicar o porquê isso ocorre.

E entender isso é importante por diversos motivos. O primeiro é que, desse modo, a gente consegue ver quais são os tipos de material que existem na superfície desses objetos. Isso é interessante porque cometas são relíquias do sistema solar, explica o pesquisador.

Ou seja, olhar para esses astros significa olhar para os primórdios de formação do nosso sistema solar, a cerca de 4 bilhões de anos. E o C/2014 UN271 está fazendo justamente sua primeira aparição por aqui desde então.

Hoje estamos conseguindo ver um material muito fresco do começo do Sistema Solar, um material que não tinha sido evaporado antes e isso é muito interessante, completa Bernardinelli.

Contudo, isso tudo não é algo muito rápido. O cometa está vindo de um ninho congelante de trilhões de outros cometas chamado Nuvem de Oort há mais de 1 milhão de anos. Segundo a Nasa, entender melhor como esses astros funcionam e como chegam aqui também será fundamental para compreendermos o papel dessa concha esférica de gelo na evolução do sistema solar.

Robô Philae é localizado em cometa depois de quase dois anos perdido
Robô Philae é localizado em cometa depois de quase dois anos perdido

"Este cometa é a ponta de um iceberg de muitos milhares de outros cometas que são muito fracos para serem vistos em partes mais distantes do nosso sistema solar", disse David Jewitt, professor de ciência planetária e astronomia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

"Nós sempre suspeitamos que ele era grande, já que é tão brilhante e está a uma distância tão grande. Agora, nós confirmamos que é mesmo", completou.

O Hubble é considerado o telescópio mais famoso da Nasa e está há 31 anos em órbita. Os resultados da descoberta foram publicados pela revista "The Astrophysical Journal Letters".

Recordista anterior

Antes do C/2014 UN271, o cometa com o maior núcleo já detectado era o C/2002 VQ94 — diâmetro de 96 km. Ele foi descoberto em 2002 pelo projeto Lincoln Near-Earth Asteroid Research (LINEAR) uma parceria entre a Força Aérea dos Estados Unidos, a NASA e o Lincoln Laboratory do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

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