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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

A decisão do presidente da China que pode afetar todo o planeta

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Mais de 70% das usinas a carvão do mundo dependem de fundos chineses, mas Xi Jinping anunciou na ONU que país deixará de participar da construção de usinas a carvão no exterior.
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TOPO
Por BBC

Postado em 23 de setembro de 2021 às 14h15m


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O presidente da China, Xi Jinping, disse na Assembleia Geral do ONU que vai parar de financiar a construção de usinas a carvão fora do país — Foto: Getty Images via BBC
O presidente da China, Xi Jinping, disse na Assembleia Geral do ONU que vai parar de financiar a construção de usinas a carvão fora do país — Foto: Getty Images via BBC

É uma decisão que pode causar impacto em todo o planeta.

O presidente da China, Xi Jinping, anunciou nesta semana, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, que seu país deixará de participar da construção de usinas a carvão no exterior.

"A China aumentará o apoio a outros países no desenvolvimento de energia verde e [de baixa emissão] de carbono e não construirá novos projetos de energia movidas a carvão no exterior", disse o presidente em um vídeo pré-gravado.

A mudança pode prejudicar o desenvolvimento futuro do carvão no mundo: mais de 70% das usinas a carvão do mundo atualmente construídas dependem de fundos chineses, de acordo com dados do International Green Finance Institute, com sede em Pequim, divulgados pela Bloomberg.

Em 2020, o presidente chinês já havia anunciado que planejava tornar a China um país neutro em carbono até 2060. Em seu discurso na ONU na quarta-feira (22), prometeu acelerar os esforços nesse sentido.

"Isso requer um trabalho muito árduo e faremos todos os esforços para atingir esses objetivos", enfatizou.

O compromisso da China surge a poucas semanas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), que será realizada em novembro em Glasgow e que buscará ampliar os objetivos do Acordo de Paris sobre o Clima.

As declarações de Xi foram celebradas por diferentes organizações ambientalistas, embora eles insistam na necessidade de medidas no próprio país asiático, principal poluidor do mundo. 
Reações

O anúncio da China ocorre após outras promessas semelhantes da Coreia do Sul e do Japão e depois de pressão da comunidade internacional.

A organização ambiental internacional 350.org disse, de acordo com a agência de notícias France Presse, que o anúncio de Xi foi "enorme" e que poderia significar uma "mudança radical".

Este ano já havia sinais dessa virada: a China, que costumava financiar usinas movidas a carvão em outros países por meio de sua iniciativa Nova Rota da Seda, não financiou nenhuma nos primeiros seis meses do ano. Essa foi a primeira vez que isso aconteceu, segundo a agência Bloomberg.

Helen Mountford, vice-presidente de clima e economia do World Resources Institute, chamou isso de "um ponto de inflexão histórico para acabar com o combustível fóssil, o mais sujo do mundo", de acordo com a France Presse.

"A promessa da China mostra que está sendo fechada a irrigação do financiamento público internacional para o carvão", disse ela.

Manish Bapna, presidente do grupo de defesa ambiental Conselho de Defesa de Recursos Naturais (NRDC, na sigla em inglês), disse em um comunicado que este "é um grande passo à frente na longa marcha global em direção a um mundo mais saudável, seguro e próspero".

"Ao cancelar planos de construir dezenas de usinas termelétricas a carvão, a China está tomando uma decisão forte em direção a um futuro mais limpo no exterior. Isso abre a porta para ambições climáticas mais ousadas da China e de outros países importantes, internamente e no exterior".

Dúvidas

Apesar da boa recepção da mensagem de Xi, não está claro o que acontecerá com os projetos já em andamento ou já acordados.

Xi também não se referiu às usinas a carvão do país asiático, outra grande preocupação com a saúde do planeta. O carvão é a principal fonte de energia do país há décadas e seu uso está aumentando.

Na verdade, em agosto, o governo chinês estava construindo novas usinas em mais de 60 locais em todo o país. Muitas regiões têm até mais de uma.

O enviado especial dos EUA sobre o clima, John Kerry, disse durante uma recente visita à China que construir mais usinas a carvão "representa um desafio significativo aos esforços mundiais para lidar com a crise climática".

A China argumentou que tem o direito de fazer o que os países ocidentais fizeram no passado: liberar CO2 para desenvolver sua economia e reduzir a pobreza.

Como resultado desse consumo, as emissões de carbono do gigante asiático não são apenas enormes e crescentes, mas superam as de outros países.

As emissões por pessoa no país asiático são cerca de metade das dos Estados Unidos, mas sua enorme população de 1,4 bilhão e seu crescimento econômico explosivo colocaram a China à frente de qualquer outro país.

A China se tornou o maior emissor de CO2 do mundo em 2006 e agora é responsável por mais de um quarto da produção global de gases de efeito estufa do planeta.

Os especialistas concordam que, se a China não fizer grandes reduções na liberação de poluentes no meio ambiente, o mundo não poderá vencer a luta contra as mudanças climáticas.

Outros anúncios

Enquanto isso, Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, prometeu dobrar o financiamento do país para os estados mais afetados pelas mudanças climáticas.

"Isso tornará os Estados Unidos um líder no financiamento público para o clima", disse Biden em seu primeiro discurso como presidente dos EUA na Assembleia da ONU.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que estava "animado" por "importantes" anúncios da China e dos EUA, mas que muito mais é necessário para combater as mudanças climáticas.

De acordo com um relatório da ONU sobre as mudanças climáticas divulgado em agosto, as emissões contínuas de gases do efeito estufa podem romper um importante limite de temperatura em pouco mais de uma década.

Os autores também mostram que um aumento do nível do mar de cerca de dois metros até o final deste século "não pode ser descartado".

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quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Gente do campo: Johanna Döbereiner descobriu que plantas podem gerar seu próprio adubo interagindo com bactérias

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Técnica sustentável fez o Brasil reduzir o uso de fertilizantes químicos nas lavouras de soja, o que provocou economia US$ 2 bi por ano na cultura e ajudou a impulsionar o país como um dos maiores produtores do grão.
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Por Paula Salati, G1

Postado em 22 de setembro de 2021 às 09h00m


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Johanna Döbereiner no laboratório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner no laboratório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). — Foto: Divulgação

Muito reconhecida pela comunidade acadêmica dentro e fora do país, Johanna Döbereiner é uma das cientistas que ajudaram o Brasil a se tornar um dos maiores produtores do agro.

Nascida em 1924 na antiga Tchecoslováquia (hoje República Tcheca e a Eslováquia), imigrou para o Brasil em 1950, em meio à instabilidade e perdas deixadas pelo fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

Por aqui, dedicou toda a sua vida à ciência, liderando pesquisas de microbiologia do solo a partir a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), até o final de sua vida, em 2000.

Sempre com foco em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido, Johanna demonstrou que é possível eliminar o uso de adubos químicos poluentes e caros em culturas como a soja, aproveitando-se somente do que já existe na natureza.

Mais especificamente das Bactérias Fixadoras de Nitrogênio, que são capazes de capturar o nitrogênio do ar, um adubo natural para as plantas. Esses seres vivos, que vivem no solo, nas folhas, nos caules, foram descobertos em 1901 pelo microbiologista Martinus Beijerinck.

Johanna Döbereiner sempre focou em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner sempre focou em sustentabilidade, em uma época em que o tema era pouco debatido. — Foto: Divulgação

Mas foram os estudos de Johanna, a partir da década de 1950, que mostraram como usar as bactérias a serviço da agricultura, já que nem todas têm capacidade de transferir o nitrogênio para as plantas, explica a agrônoma Vera Baldani, aluna, colega de trabalho e amiga muito próxima da cientista.

"A Johanna e os pesquisadores que embarcaram na ideia dela descobriram que as bactérias Rizóbio fazem uma simbiose perfeita com a soja: elas se alimentam da seiva da planta e, em troca, fornecem o nitrogênio para a soja. Uma tecnologia limpa", conta Vera.

A técnica consiste em introduzir as bactérias nas sementes de soja, que, quando começam a germinar, produzem nódulos nas raízes da planta que funcionam como usinas para a extração de nitrogênio do ar.

A fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gera uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, diz Embrapa. — Foto: Divulgação/Ascom Seagri
A fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gera uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, diz Embrapa. — Foto: Divulgação/Ascom Seagri

Os estudos derrubaram a crença da época de que os fertilizantes químicos eram insubstituíveis. A descoberta, ao reduzir os custos de produção, ajudou a transformar a soja nacional em um dos principais produtos de exportação do Brasil.

Estima-se, inclusive, que a fixação biológica de nitrogênio no plantio da soja gere uma economia de US$ 2 bilhões por ano com adubos químicos, segundo a Embrapa. 
Uma vida dedicada às bactérias

Além da soja, Johanna liderou pesquisas sobre a fixação biológica de nitrogênio por palmáceas, como o dendezeiro. E descreveu a bactéria Beijerinckia fluminensis, que interage com a cana-de-açúcar, o que foi um de seus grandes feitos, conta a jornalista Kristina Michahelles, em seu livro "Johanna Döbereiner: uma vida dedicada à ciência".

A cientista dizia que seu "insightse deu a partir da observação de que a planta da cana-de-açúcar estava sempre verde, mantendo certa produção constante há séculos no país, mesmo em períodos secos, sem o uso de adubação especial.

Johanna Döbereiner fala, em campo, sobre as pesquisas com a planta da cana-de-açúcar. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner fala, em campo, sobre as pesquisas com a planta da cana-de-açúcar. — Foto: Divulgação

Além disso, Johanna coordenou estudos sobre as limitações da fixação de nitrogênio em leguminosas, como o feijão, nos quais Vera trabalhou.

Ela foi também professora e orientadora de vários cientistas que hoje ocupam posição de destaque na pesquisa no Brasil. Tem mais de 500 títulos publicados, mais de 20 prêmios, além de uma indicação ao Prêmio Nobel de Química em 1997. 
Anos de turbulência na guerra

Antes de fazer história na ciência, Johanna passou por duras perdas na Europa. Uma das principais foi a de sua mãe, Margarethe Kubelka, que morreu em um campo de concentração após o fim da Segunda Guerra, em 1945, como muitos sudetos, povos de origem alemã.

Nascido austríaco, o pai de Johanna, Paul Kubelka, recebeu a cidadania tcheca em 1918, que foi anulada com a ocupação nazista no país, em 1939. A família se tornou alemã, mas "não tinham a menor simpatia pelos invasores", conta a jornalista Kristina.

Paul, que era químico, foi constantemente espionado pela Gestapo, teve seus cursos proibidos da Universidade de Praga e ajudou amigos judeus a fugirem da perseguição nazista.

Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação

Com o fim da guerra, os pais de Johanna foram internados em um campo de trabalho forçado, enquanto ela conseguiu fugir para a Alemanha com seus avós paternos. Seu pai teve um destino diferente do sua mãe, e conseguiu escapar do campo de concentração para as terras alemãs.

Da sua mãe, ficaram lembranças de uma mulher com ideias à frente de seu tempo: Não devemos falar para a nossa filha que o seu destino será encontrar um marido. Devemos dizer à nossa filha que a sua vitória terá sido alcançada quando se orgulhar daquilo que realizou, anotou Margarethe, em seu diário.

Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner — Foto: Divulgação

Com a Europa em escombros, o pai de Johanna imigrou em 1948 para o Brasil.

A cientista, entretanto, só chegaria dois anos depois, após ter se formado em agronomia na Escola Superior Técnica de Munique, onde conheceu o seu esposo, o médico veterinário Jürgen Döbereiner, que a acompanhou na mudança de país.

Nova pátria

"A minha mãe viu o Brasil como o início de uma nova vida. Não tinha como voltar para Praga, que estava sob o comunismo, e a Alemanha não era o lar dela. Então ela abraçou o Brasil com tudo e aprendeu logo a língua", conta a filha mais velha de Johanna, Marlis Arkcoll.

Johanna não perdeu mesmo tempo. Assim que chegou, fez contatos para conseguir trabalhar com pesquisa e, em menos de seis meses, já estava empregada no Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícola (IEEA), precursor do que atualmente é a Embrapa Agrobiologia, em Seropédica, interior do Rio de Janeiro.

Ela e seu esposo se naturalizaram brasileiros em 1956.

Johanna Döbereiner em sua casa em em Seropédica, interior do Rio de Janeiro. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner em sua casa em em Seropédica, interior do Rio de Janeiro. — Foto: Divulgação

Quem abriu as portas para ela foi o pesquisador Álvaro Barcellos Fagundes, diretor do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, que tinha enorme interesse pelas aplicações práticas da fixação biológica de nitrogênio no solo por meio das bactérias.

Foi em Seropédica também que Johanna e seu marido Jürgen fizeram morada e criaram seus três filhos: Marlis, Christian e Lorenz.

Johanna Döbereiner com seu marido e filhos. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner com seu marido e filhos. — Foto: Divulgação

Olhares de filha e amiga

Desde que entrou na pesquisa, Johanna não parou mais. Eram constantes as suas viagens para congressos e seminários, rememora Marlis.

"Ela fez com que nós, filhos, nos tornássemos responsáveis bem cedo na vida. Ela viajava muito, em uma época que era difícil ver mulher viajando sozinha. Ela adora viajar, voltava com os olhos brilhando e com a mala cheia de presentinhos exóticos, sementes", conta Marlis,.

Em casa, Johanna e Jürgen também faziam com que os que filhos só lessem em alemão e em inglês para que eles pudessem aprender outras línguas além do português na escola.

Johanna Döbereiner no laboratório da Embrapa. — Foto: Divulgação
Johanna Döbereiner no laboratório da Embrapa. — Foto: Divulgação

No laboratório, ela também era dinâmica, além de uma incansável questionadora, conta a pesquisadora Vera Baldani, amiga de toda uma vida de Johanna, que entrou na Embrapa em 1976.

"Com ela não tinha meio termo, ela era bem direta. A gente discutia muito por causa de experimento, pesquisa, porque ela ensinava a gente a ser crítica. Era bastante exigente e enérgica. Mas também de um coração fantástico [...] Sabia quando tinha algo errado com a gente apenas com o olhar", conta Vera.

Fora do laboratório, era comum que Vera e Johanna se reunissem para fazer tricô e ouvir música clássica. "A gente conversava de tudo, ciência, música, marido, filho. Nós tínhamos uma ligação muito forte, de mãe e filha", diz Vera.

Últimos anos de vida

Vera acompanhou ainda os primeiros sinais do Alzheimer que acometeu Johanna no início dos anos 90.

"Mesmo com a doença, ela nunca deixou de ir para a Embrapa. Foi duro porque, naquela época, não se acreditava que as pessoas que trabalhavam tanto a mente teriam Alzheimer", conta Vera.

A doença piorou com a trágica morte de seu filho mais novo, Lorenz, assinado em março de 1996, com um tiro disparado por um motoqueiro, em um sinal de trânsito em São Paulo, em circunstâncias que não foram esclarecidas até hoje.

Johanna morreu quatro anos depois, com 75 anos, em 5 de outubro de 2000, por uma broncopneumonia causada por aspiração.

Seu nome ressoa até hoje nas pesquisas de microbiologia do solo. E foi até imortalizado em suas companheiras de toda uma vida: as bactérias fixadoras de nitrogênio Cluconacetobacter johannae sp. e Azospirillum doebereinerae sp.

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terça-feira, 21 de setembro de 2021

Pantanal, 1 ano depois: fotógrafo retrata resiliência após queimada histórica e impacto da seca

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Ricardo Martins é especializado em fotografia de natureza e foi premiado pelo prêmio Jabuti em 2012. Em agosto deste ano, fez uma travessia pelo bioma para registrar a falta de água.
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Por G1

Postado em 21 de setembro de 2021 às 09h05m


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Tanque de água seco com jacaré morto após grande seca em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins
Tanque de água seco com jacaré morto após grande seca em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins

Um jacaré morto, seco e com a pele se confundindo com as crateras do chão do Pantanal. Uma anta no meio de uma reserva que já teve água com os urubus à espreita, só esperando a morte. Ricardo Martins, ganhador do Jabuti de fotografia em 2012, fez uma expedição pelo bioma em agosto e retratou, 1 ano após o fogo histórico, como está o ecossistema da região.

"O Pantanal é um ciclo, ele enche, ele seca, só que eu nunca tinha visto uma seca desse jeito. E conversando com as pessoas de lá todo mundo me falava: muito seco, muito tempo sem chover, e eu vi cenas bem dramáticas, principalmente de jacarés na busca pela água", contou ao g1.

O fotógrafo contou que seu pai "é do bioma" e que, por isso, sempre esteve lá. "Por esse motivo, quis fazer um livro e homenagear a região, que aliás me inspirou a ser fotógrafo de natureza". Ele está lançando o livro "Pantanal, um patrimônio natural e sua cultura".

Ricardo Martins andou pela região e chegou a achar que todos os jacarés estavam mortos, mas, em alguns momentos, se surpreendeu.

"Nem passava pela minha cabeça que aquele bicho pudesse estar vivo, para mim ele era pele e osso. Tanto é que nem imaginei, mas, na hora que você chega perto, ele começa a se mexer. Então, pareciam zumbis andando", contou.

Outra cena marcante, segundo o fotógrafo, foi a de uma anta tentando aproveitar o resto de água em uma reserva que já foi alagada: "Era um tanque de água, e hoje você encontra já totalmente seco. Ela estava se enfiando naquele barro até onde dava, com os olhos fechados de desespero, ali como se fosse um oásis, no meio do nada, e é o que ela tinha. E eu andei no meio dela e ela nem se preocupou de sair de tão exausta. Tinham urubus em volta verificando se ela estava morta".

Em 2020, o Pantanal registrou o maior número de focos de fogo desde o início do monitoramento do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Pesquisadores estimaram que mais de 17 milhões de vertebrados morreram devido às queimadas.

Veja imagens de Ricardo Martins em sua expedição pelo Pantanal:

Tanque de água seco com jacarés mortos por resultado da grande seca no Pantanal em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins
Tanque de água seco com jacarés mortos por resultado da grande seca no Pantanal em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins


Salinas do Pantanal e a seca na região da Nhecolândia, no Mato Grosso do Sul, em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins
Salinas do Pantanal e a seca na região da Nhecolândia, no Mato Grosso do Sul, em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins


Comitiva com mais de 1000 cabeças de gado em Nhecolândia, no Mato Grosso do Sul, em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins
Comitiva com mais de 1000 cabeças de gado em Nhecolândia, no Mato Grosso do Sul, em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins


Anta em busca de um pouco de água e urubus ao seu redor conferindo se ainda estava viva em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins
Anta em busca de um pouco de água e urubus ao seu redor conferindo se ainda estava viva em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins


Casa do poeta Manoel de Barros na região da Nhecolândia, no Mato Grosso do Sul — Foto: Ricardo Martins
Casa do poeta Manoel de Barros na região da Nhecolândia, no Mato Grosso do Sul — Foto: Ricardo Martins


Pescador no Rio Paraguai, no Mato Grosso do Sul, em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins
Pescador no Rio Paraguai, no Mato Grosso do Sul, em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins


Catadores de isca conhecida como tuvira, que serve para a pesca do peixe pintado, no Pantanal em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins
Catadores de isca conhecida como tuvira, que serve para a pesca do peixe pintado, no Pantanal em agosto de 2021 — Foto: Ricardo Martins


Onça- Pintada no Rio Cuiabá, na região de Porto Jofre, em Mato Grosso — Foto: Ricardo Martins
Onça- Pintada no Rio Cuiabá, na região de Porto Jofre, em Mato Grosso — Foto: Ricardo Martins


O peixe que virou o símbolo da proteção da fauna no Pantanal
O peixe que virou o símbolo da proteção da fauna no Pantanal

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