Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
Obras de Duhigó representam tradições indígenas da etnia Tukano com lembranças da própria vivência da artista. O intuito é de representar e preservar a cultura indígena através da arte. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por Patrick Marques, G1 AM Postado em 06 de setembro de 2021 às 10h25m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.962. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
Artista amazonense Duhigó se tornou primeira indígena do estado a ter
uma obra em exposição no Museu de Arte de São Paulo. — Foto: Patrick
Marques/G1 AM
A artista visual Duhigó se tornou a primeira indígena amazonense a ter
uma obra em exposição no Museu de Arte de São Paulo (MASP). Formada em
artes visuais desde 2005, ela produz quadros que representam tradições
indígenas da etnia Tukano com lembranças da própria vivência da artista.
O intuito é de representar e preservar a cultura através da arte.
Duhigó contou ao G1
que viveu uma parte da vida em uma aldeia e se mudou para Manaus após
morar em São Gabriel da Cachoeira com o marido. O relacionamento não deu
certo e ela lembrou que precisou buscar meios para sobreviver e cuidar
dos filhos na cidade.
“Fiquei passando dificuldades com meus filhos. Fomos morar com minha
tia, quando surgiu o Instituto Dirson Costa. Chegou um conhecido
avisando que surgiu uma escola de artes para as pessoas indígenas que
moravam aqui em Manaus. Eu falei para ele que queria participar. Eu fiz
esse curso, mas nunca imaginei que chegaríamos a esse sucesso que
estamos fazendo”, contou.
Enquanto ainda aprendia as técnicas das artes visuais, Duhigó lembrou
que leu livros em uma biblioteca sobre arte que mostravam pinturas de
outros artistas. Foi quando ela soube sobre o que iria representar em
suas obras. A cultura de seu povo através das próprias lembranças.
Artes de Duhigó representam tradições de seu povo através de lembranças da artista. — Foto: João Floriano/Rede Amazônica
Com os quadros que representam momentos e tradições indígenas que ela
viveu quando jovem, a artista explicou que o intuito é de mostrar para
as outras pessoas e eternizar os momentos e tradições através da arte.
“Hoje
em dia as pessoas falam tanto, mas não sabem o que pode acontecer no
futuro. Vai ser esquecido. Eu quero deixar essas coisas para as pessoas
terem ideia para a continuação dos novos trabalhos indígenas".
"Rede Macaco"
Um dos últimos quadros feitos por Duhigó se chama “Rede Macaco”. A obra
representa o parto de uma irmã da artista, que ela presenciou em uma
aldeia quando ainda era criança.
A obra foi feita para participar de uma exposição itinerante que
percorreu quatro estados do país e chamou a atenção do Museu de Arte de
São Paulo (MASP). O museu entrou em contato com a Manaus Amazônia
Galeria, que representa as obras da artista.
“A diretoria do Masp tomou conhecimento da obra da Duhigó e achou que
seria uma obra relevante para compor o acervo do museu. A partir daí,
todo um caminhar foi feito para que pudéssemos sensibilizar
colecionadores e mecenas de arte para doar essa obra ao MASP", explicou o
diretor da Manaus Amazônia Galeria, Carlysson Sena.
Quadro de Duhigó "Rede Macaco" representa lembrança de como foi parto
de sua irmã, quando ainda era criança. — Foto: Divulgação
Segundo Sena, o MASP não compra obras, mas aceita doações. Para que o
quadro de Duhigó não fosse doado sem um retorno para a artista, a
galeria encontrou um casal que se interessou em adquirir o quadro para
doação ao museu.
"Felizmente encontramos o casal Mônica e Fábio Ulhoa que tiveram a
sensibilidade não só de adquirir a obra para doação ao museu, mas por
entender que a obra de Duhigó, que conta uma história da Amazônia, era
relevante de estar no maior museu do país“, explicou o diretor.
O quadro já está em exposição no MASP desde o dia 28 de agosto.
Quadro da artista indígena amazonense está em exposição no Museu de
Arte de São Paulo desde o dia 28 de agosto. — Foto: Divulgação
Representação da cultura
Duhigó se tornou a primeira mulher indígena a ter uma obra em exposição
no MASP. Para ela, ter o quadro exposto no museu traz a oportunidade de
levar a memória do povo indígena e da geração vivida por ela para o
mundo.
Ela lembrou dos tempos antes de conhecer a arte, quando não sabia o que
faria para sobreviver, e da trajetória que a levou a se tornar a
primeira mulher indígena a ter um quadro em exposição no MASP.
"Fiquei dentro do Instituto Dirson Costa 13 anos. Nunca imaginei que
poderia ter chegado nesse sucesso que está acontecendo pelas minhas
obras de arte e sendo colocada em São Paulo para todo mundo ver. Para
que o mundo conheça as minhas obras de arte da região amazônica, do meu
grupo Tukano, do Alto Rio Negro, expondo minhas obras para as pessoas
conhecerem como o grupo Tukano vivia", finalizou Duhigó.
Para Duhigó, ter um quadro exposto no MASP trás uma oportunidade de
levar a memória do povo indígena e a geração vivida por ela para o
mundo. — Foto: João Floriano/Rede Amazônica
Possibilidade de que governo não cumpra teto de gastos ou não quite dívidas e tensão entre Bolsonaro e demais poderes explicam retirada de recursos do Brasil ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por BBC 06/09/2021 07h37 Atualizado há 2 horas Postado em 06 de setembro de 2021 às 09h40m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.961. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes: risco fiscal e crise entre poderes afugentam investidor — Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
"Se depois dessa semana você não entendeu o benefício de ter parte dos
seus investimentos no exterior, eu desisto de você", postou, no último
dia 21, o perfil de twitter Faria Lima Elevator, que se autodenomina
"mercado financeiro raiz" e distribui sinceridades ácidas sobre
motivações e decisões de investidores no Brasil aos mais de 150 mil
seguidores da conta.
Os dados da economia brasileira e as avaliações de analistas ouvidos
pela BBC News Brasil, no entanto, indicam que o perfil não precisará
"desistir" de muitos. Isso porque a atual tendência é de que o
brasileiro dono de reservas envie ao menos parte de seu dinheiro ao
exterior.
"Os
brasileiros estão incrivelmente negativos sobre seu próprio país. A
última vez que os brasileiros trouxeram dinheiro de volta para o Brasil
foi em dezembro de 2019! Desde então - com a pandemia de covid-19 - tem
sido uma debandada para fora do Brasil", apontou, em 25 de agosto, o
economista Robin Brooks, chefe do Institute of International Finance
(IIF).
E o pessimismo não aparece só entre os brasileiros. Brooks também notou
que, na última década, o Brasil foi o único país da América Latina que
não viu crescerem os investimentos estrangeiros em nenhum momento.
Recursos de fora foram responsáveis por apenas 17% do Produto Interno
Bruto (PIB) no período, o patamar mais baixo em 50 anos.
E não há tendência de reversão do fenômeno. De acordo com dados do
IBRE, da Fundação Getúlio Vargas, entre julho de 2020 e o mesmo mês de
2021, o investimento estrangeiro recuou de US$ 67,2 bilhões para US$
23,8 bilhões.
"A
imagem do Brasil no exterior piorou estruturalmente nos últimos dois
anos. E, num ambiente já ruim, houve uma piora de expectativa nesse
último mês ou 45 dias", afirmou à BBC News Brasil Christopher Garman,
direto para Américas da consultoria Eurasia Group.
Avanço das queimadas afasta investidores estrangeiros, alertam especialistas
'É o fiscal, estúpido'
Foi mais ou menos nesse período em que ficou claro para o mercado que o
governo abriria uma nova "caixa de pandora" no Orçamento. Em 29 de
julho, o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que estava diante de
um "meteoro": R$89 bilhões de precatórios que a União terá que pagar em
2022 e que Guedes, até então, não incluíra em sua conta para o orçamento
do ano que vem.
O valor praticamente inviabilizaria o cumprimento de um plano que, há
pouco mais de um ano das eleições, o presidente Jair Bolsonaro quer
colocar em prática: criar um novo benefício social pelo menos 50% maior
que o atual Bolsa Família, cujo valor médio é de R$192. A proposta já
foi inclusive enviada ao Congresso.
Diante do impasse, Guedes sugeriu um parcelamento dos precatórios em
até dez anos, e ameaçou com a paralisação do governo caso tivesse que
quitar integralmente os papéis. "Devo, não nego, pagarei assim que
puder", disse o ministro, apelando ao dito popular para tentar
descaracterizar o calote.
"O mercado entende esse tipo de fala como uma moratória porque é uma moratória.
O Guedes deveria fechar a boca, em vez de falar de empregada, de filho
de porteiro, de precatório", afirma Otaviano Canuto, ex-vice-presidente
do Banco Mundial e economista da Brookings Institution.
Para Christopher Garman, da Eurasia, o destino do pagamento dos
precatórios servirá como uma espécie de teste final para a regra do teto
de gastos. Instituída na gestão Michel Temer como um anteparo no avanço
da dívida pública brasileira, a regra criou um limite de crescimento
para o orçamento da União, já que o total a ser gasto pelo governo a
cada ano só pode aumentar o equivalente à inflação do ano anterior.
A regra já foi contornada em 2020 e 2021. A possibilidade de que ela
seja burlada em 2022 também é um fator central para a redução da
confiança e para a falta de disposição do investidor com o Brasil.
Sem solução provisória, na última semana, o Ministério da Economia
mandou ao Congresso um orçamento para o ano que vem tido como ficcional
pelo mercado, já que nele há previsão de pagamento dos R$ 89 bilhões e
zero reservado para custear o novo Bolsa Família.
"Nos próximos quatro meses vamos ver muito vai e vem no orçamento. É
muito complicado conseguir encontrar espaço para aumentar o Bolsa
Família e cumprir a regra do teto ao mesmo tempo. Então veremos
discussões infinitas sobre como cortar. É claro que vai haver muita
preocupação no mercado sobre como o país vai manter estabilidade social e
responsabilidade fiscal e acreditamos que no fim haverá novamente algum
gasto excepcional ao teto de gastos, mas menor do que o desse ano ou o
de 2020. Esperamos que até dezembro haja uma solução que seja vista como
razoável pelos investidores", afirmou à BBC Serji Lanau,
vice-economista chefe do IFF.
O 'ruído' do presidente
Enquanto isso, Guedes tem tentado costurar uma solução com o Supremo
Tribunal Federal (STF) que permita custear os gastos sociais sem deixar
de pagar dívidas e sem extrapolar o teto.
O presidente do STF, Ministro Luiz Fux, sinalizou que seria possível
obter uma mediação junto ao Conselho Nacional de Justiça que reduzisse o
montante a ser pago a cerca de R$ 50 bilhões. Guedes já afirmou ser
essa a melhor solução, mas as tratativas têm andado de modo lento por
conta da dificuldade de relacionamento entre os três poderes.
Depois de pedir ao Senado o impeachment do ministro Alexandre de Moraes
e ameaçar Luís Roberto Barroso com medida semelhante, Bolsonaro
convocou uma manifestação popular em defesa de seu governo para o
próximo dia 7.
Uma das principais pautas de seus apoiadores é o ataque ao Supremo
Tribunal Federal. Bolsonaro já disse que membros da Corte agem "fora das
quatro linhas da Constituição". Nesta sexta, 3/9, em discurso a
apoiadores, ele repetiu que os protestos farão "um ou dois que nos
desafiam a voltar para o seu lugar". O Tribunal está preparado até mesmo
para uma tentativa de invasão no dia 7.
"O importante pra gente é a política econômica, e esses ruídos acabam
tendo impacto forte na economia. Para o investidor, interessa saber se o
país respeita as regras institucionais, se tem perspectiva estável. Com
esse cenário político, fica difícil pensar que reformas importantes vão
passar no Congresso, até porque sabemos que esse tipo de coisa não
acontece durante o ciclo eleitoral. E o ciclo eleitoral do Brasil foi
antecipado", disse à BBC News Brasil, chefe da S&P Global para a
América Latina.
Todos os analistas consultados afirmam que seus cenários – que preveem
entre 1,5% e 2,5% de crescimento do Brasil em 2022 – tomam como
cenário-base a democracia. Uma ruptura institucional certamente forçaria
a uma revisão – para pior – das expectativas. Mas a mera cogitação
dessa ruptura já atrapalha, dizem os analistas.
"A
questão fiscal está sendo exacerbada pelo ambiente de tensão
institucional tão forte. As pessoas não sabem se no 7 de setembro vai
ter violência ou não, se tem risco de ruptura. Se não tivesse o risco
institucional, o estresse fiscal seria bem menor. Então, um alimenta o
outro", afirma Garman.
Oportunidades e perdas
Para os analistas, o baixo volume de investimentos ajuda a explicar,
por exemplo, porque o dólar segue caro, apesar de um mercado de
commodities aquecido, que normalmente aumentaria o valor do real frente à
moeda americana.
Como há baixa circulação de dólar no mercado nacional, no entanto, o
câmbio brasileiro segue depreciado, o que empurra ainda mais a inflação
para cima. Inflação alta força aumento dos juros, que, se por um lado
atraem o investidor, por outro aumentam o endividamento do país, e
impulsionam o problema fiscal, em um ciclo difícil de quebrar.
No horizonte, há ainda a possibilidade de que a crise hidro-energética
achate ainda mais o PIB, que os especialistas notam que acumula anos de
crescimento fraco. Esse cenário não está precificado pelos investidores,
o que implicaria em mais um abalo nas expectativas para a economia
brasileira.
Os analistas, no entanto, ressaltam que nem sempre as previsões
negativas se confirmam e que o Brasil tem mostrado desempenho
relativamente bom, se comparado com o restante da América Latina.
Além disso, notam a tendência de continuidade dos princípios de
política econômica desde os anos 1990. "Com diferenças em matizes,
jamais vimos cavalos de pau, então há uma política econômica sólida, o
que atrai o investidor", afirma Garman.
Briozzo concorda: "se por um lado as reformas emperram pela necessidade
de consenso político grande pra mudar a constituição, por outro o país
tem uma democracia consolidada, histórico de respeito às regras e não
achamos que isso virá a mudar tão rapidamente".
Demais alertas apontam para perda de parte dos recursos hídricos do bioma, risco de extinção de algumas de suas espécies e aumento das secas provocadas pelas queimadas, entre outros. ===+===.=.=.= =---____--------- ---------____------------____::_____ _____= =..= = =..= =..= = =____ _____::____-------------______--------- ----------____---.=.=.=.= +==== Por Laís Modelli, G1 05/09/2021 05h01 Atualizado há 5 horas Postado em 05 de setembro de 2021 às 10h05m |||==---____ ____-------___ ___ _____ ___-- ________ ____::__||| .| .Post.- N.\ 9.960. |. |||.__-_____ _____ ____ ______ ____- _||
Levantamento inédito mostra quanto de madeira a Amazônia perdeu em um ano. — Foto: Vicente Sampaio/Imaflora
A Amazôniaperdeu, em 12 meses, 4,64 mil km² de madeira,
o equivalente a quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo, a
maior capital do Brasil. Os dados publicados, neste domingo (5), são de
um levantamento inédito feito pela Rede Simex, formada pelas
organizações ambientais Imazon, Idesam, Imaflora e ICV, e se somam a
outros alertas feitos no último ano sobre o bioma.
Por meio de imagens de satélites, os pesquisadores monitoraram a
exploração madeireira na Amazônia no período entre julho de 2020 a julho
de 2021. Eles também pesquisaram a legalidade dessa madeira, mas não
conseguiram ter acesso aos dados em 7 dos 9 estados que compõe a
Amazônia Legal.
Pesquisas mostram que cresce a extração de madeira em áreas proibidas
Apesar disso, eles identificaram que 6% do total explorado ocorreu em
unidades de conservação e 5% em terras indígenas, locais onda a
atividade é ilegal. (veja mais abaixo)
Além do alerta publicado neste domingo, o G1 reuniu abaixo outros 7 alertas já feitos no último ano sobre a Amazônia:
Exploração madeireira:área é 3 vezes maior que a cidade de São Paulo
Emissões:pela primeira vez na História, floresta passou a emitir mais CO2 do que absorver, acelerando o aquecimento global
Fogo, seca e aumento da temperatura:área maior que a da Inglaterra é queimada por ano na Amazônia
Perda de recursos hídricos e desmatamento: fenômeno dos "rios voadores" começam a perder força
Perda de biodiversidade:pelo menos 95% das espécies da Amazônia foram afetadas pelas queimadas nos últimos 20 anos
Garimpo:93% de todo o garimpo realizado no Brasil está concentrado na Amazônia
Contaminação do solo, rios e pessoas:mercúrio contaminou 6 em cada 10 indígenas munduruku e todas as espécies de peixes em rios da terra indígena
Mineração: desmatamento pela atividade já bateu recorde em 2021 no bioma
Imagem aérea do Rio Juruá, na Amazônia. Biodiversidade brasileira
precisa receber ao menos o dobro de investimentos para manter
preservação — Foto: Bruno Kelly/Reuters
A Amazônia abriga mais da metade da área de todas as florestas
tropicais remanescentes do planeta, além de ser berço de 10% da
biodiversidade do mundo. Ela também é importante na regulação do clima
global, retirando e armazenando parte do gás carbônico da atmosfera -
gás causador do efeito estufa.
É o maior bioma do país e corresponde a 59% do território brasileiro. O
termo Amazônia Legal é usado para se referir a área de 8 estados do
Norte e parte do Centro-Oeste: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará,
Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do Maranhão.
1- Exploração madeireira
Segundo o levantamento da Rede Simex, mais da metade dos 4,64 mil km²
de madeira explorados na Amazônia entre julho de 2020 e julho de 2021
ocorreu no Mato Grosso (50,8%), com 2,36 mil km² de madeira explorada. A
segunda maior área explorada foi no Amazonas (15,3%), e a terceira, em
Rondônia (15%).
Em relação à categoria fundiária, 78% da madeira explorada ocorreu em
imóveis rurais cadastrados, onde a exploração madeireira ocorreu em 3,62
mil km².
Nas áreas protegidas, onde a atividade madeireira pode ser autorizada
dependendo de sua categoria, a exploração da madeira somou mais de 5,2
mil km², o que corresponde a 11% do total mapeado.
Outros 6% da madeira explorada na Amazônia durante o período ocorreram
dentro de unidades de conservação, uma área equivalente a 2,8 mil km². A
unidade que teve a maior área explorada foi o Parna dos Campos
Amazônicos (AM), unidade de conservação de proteção integral, onde a
exploração da madeira é proibida.
"A alta ocorrência de exploração madeireira no Parna dos Campos
Amazônicos e na TI Tenharim Marmelos chama atenção pela sua localização,
na tríplice divisa entre Amazonas, Mato Grosso e Rondônia. Uma região
que vem sofrendo grande pressão por desmatamento nos últimos anos e,
como esses dados mostram, também por exploração madeireira", afirma
Vinicius Silgueiro, coordenador de inteligência territorial do ICV.
VÍDEO: PF apreende toneladas de madeira extraída ilegalmente da Amazônia
Vale destacar que os pesquisadores não puderam diferenciar a exploração
madeireira autorizada da não autorizada para toda a região amazônica.
"A falta de acesso aos dados sobre as autorizações para o manejo
florestal impede a checagem da legalidade dessa exploração na maioria
dos estados — só é possível em Mato Grosso e no Pará", diz em nota a
Rede Simex.
A retirada da madeira representa apenas uma das várias formas de desmatamento da Amazônia.
Segundo uma pesquisa brasileira publicada em julho na revista
científica "Nature": desde 2010, apenas 18% das emissões por queimada
estão sendo absorvidas pelo bioma. Com isso, Amazônia deixou de retirar
da atmosfera 0,19 bilhões de toneladas de CO2 por ano.
Estudo do INPE aponta que áreas da floresta amazonia estão emitindo mais gás carbônico
A pesquisa também revelou que as emissões de CO2 foram dez vezes
maiores nas áreas da Amazônia nos estados do Pará e Mato Grosso, onde a
taxa média de desmatamento é superior a 30%. Com isso, segundo Gatti, a
área se tornou uma fonte significativa de carbono.
De acordo com a revista e com os envolvidos no estudo, essa é a
primeira vez que um estudo aponta a diminuição no potencial de absorção
da floresta.
Um levantamento do MapBiomas publicado em julho mostra que uma área
maior que a da Inglaterra é queimada todos os anos no Brasil desde 1985.
Isso equivale a quase 151 mil km² consumidos anualmente pelo fogo no
período, ou cerca de 16 mil campos de futebol por ano somente na
Amazônia.
Além disso, mais secas, as árvores ficam mais inflamáveis, precisando de menos intervenção para incendiar.
4- Perda de recursos hídricos
A Amazônia é um dos maiores reservatórios de água doce do mundo,
essencial para a vida na Terra: o bioma se estende ao longo da Bacia
Amazônica, a maior bacia hidrográfica do mundo, com cerca de 6 milhões
de km² e mais de 1 mil afluentes.
Porém, o desmatamento e o fogo estão comprometendo a água na região. O
Rio Negro, por exemplo, perdeu 22% da sua superfície desde os anos 90,
segundo o MapBiomas.
O desmatamento também já compromete o fenômeno conhecido como"rios voadores", uma massa de ar úmido que viaja da Amazônia para todo o Brasil,
responsável pela formação das chuvas em todo o país e por amenizar a
sensação de calor. Porém, com a quantidade de floresta devastada nos
últimos anos, pesquisadores alertam que este fenômeno vem perdendo
força.
Os "rios voadores" estão acelerando devido ao aquecimento global e causando chuvas mais intensas — Foto: Gerard Moss
“Os rios voadores começam a perder quantidade de água e,
consequentemente, afetam as chuvas. Como parte das mudanças climáticas
envolvem o desmatamento, é um efeito cascata. Sem árvore para ajudar na
transpiração, menos água na atmosfera. Menos chuva, mais seca”, explicou
o meteorologista e mestre em Clima e Ambiente pelo Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Bruno Takeshi Tanaka Portela, em uma
reportagem do G1 em 2020.
5- Perda de biodiversidade
Foto mostra tamanduá morto depois de incêndio na Amazônia perto de
Mirante do Norte, Rondônia, no dia 20 de agosto. — Foto: Ueslei
Marcelino/Reuters
Um estudo internacional com a participação de cientistas brasileiros
publicado em 1º de setembro na revista científica "Nature" revela que os
incêndios que atingiram a Amazônia desde 2001 podem ter afetado 95,5% das espécies de plantas e animais vertebrados conhecidas em todo o bioma. Além disso, a cada novos 10 mil km² de área queimada, até 40 espécies a mais podem ser prejudicadas.
A publicação destacou que o fogo neste período afetou 53 das 55
espécies de mamíferos ameaçadas de extinção; 5 das 9 espécies de répteis
ameaçadas de extinção; 95 das 107 espécies de anfíbios ameaçadas de
extinção; e 236 das 264 espécies de plantas ameaçadas de extinção.
"A
biodiversidade funciona como um cinto de segurança da Amazônia. Ou
seja, quanto mais biodiversa, maior a capacidade da floresta de se
adaptar a crises e resistir aos distúrbios climáticos. Porém, conforme
vamos retirando diversidade das suas espécies, vamos enfraquecendo a
resiliência da Amazônia", explica um dos autores do estudo, Paulo
Brando, pesquisador do Ipam.
6- Garimpo
A Amazônia concentra 93,7% dos garimpos no Brasil,
segundo o MapBiomas, que monitora as transformações na cobertura e no
uso da terra no país. A expansão da atividade ilegal na região tem se
dado principalmente em território indígena e em unidades de conservação.
De acordo com o órgão, entre 2010 e 2020, a área ocupada pelo garimpo
dentro de terras destinadas aos índios cresceu 495%. Os territórios mais
afetados são as terras indígenas Kayapó (7.602 ha) e Munduruku (1.592
ha), no Pará, e os Yanomami (414 ha), no Amazonas e Roraima.
No que diz respeito às unidades de conservação, quase metade da área
garimpada no Brasil em 2020 está nessas unidades de preservação (40,7%).
As mais afetadas são: a Área de Proteção Ambiental do Tapajós (34.740
ha), a Flona do Amaná (4.150 ha) e o Parna do Rio Novo (1.752 ha).
O garimpo é a extração de minérios predatória e ilegal, geralmente relacionada ao ouro e não à indústria.
7- Contaminação por metais pesados
Por falar nas terras indígenas do Pará, uma pesquisa da Fiocruz e a
organização ambiental WWF-Brasi de 2020 mostrou que 6 em cada 10
indígenas das aldeias da Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku,
estão contaminados com níveis acima do limite considerado seguro por
agências internacionais.
Entre as crianças menores de cinco anos, a contaminação por mercúrio já
deixou sequelas em 16% delas, que apresentaram problemas de coordenação
motora e na fala. Um bebê de 11 meses apresentou níveis de mercúrio
três vezes acima do tolerável.
A pesquisa constatou a presença de mercúrio em todos os 88 peixes
coletados, de cinco espécies. Por isso, os cientistas estimaram que os
indígenas estão ingerindo uma quantidade de mercúrio até 18 vezes maior
que o limite seguro. E que também coloca em risco pessoas que ficam a
quilômetros de distância.
Estudo da Fiocruz em aldeias indígenas no Pará mostra contaminação alarmante por mercúrio
"O garimpo amazônico gera uma grande quantidade de sedimento, que é
enviado aos rio. E, em geral, a forma de fazer a recuperação do ouro é
pelo uso de metilmercúrio, que é um absolutamente nocivo para os
garimpeiros e também para a fauna, que está associada ao curso hídrico.
Ou seja, o garimpo causa um problema para quem garimpa, para quem vive
dos rios e até para quem nem próximo do garimpo esteve, porque a
contaminação do mercúrio pode afetar os peixes vendido em mercados",
explicou Diniz.
A intoxicação por mercúrio pode provocar problemas respiratórios, renais e atacar principalmente o sistema nervoso.
8- Mineração
Um estudo do MapBiomaas divulgado em agosto revelou que três de cada quatro hectares minerados no Brasil estão na Amazônia, o equivalente a 72,5% da área minerada em 2020.
A mineração está relacionada à atividade industrial e a produção de
ferro e alumínio, podendo ser legal (quando tem autorização da Agencia
Nacional de Mineração) ou ilegal.