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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Por que visão de investidores estrangeiros sobre o Brasil piorou no último mês

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Possibilidade de que governo não cumpra teto de gastos ou não quite dívidas e tensão entre Bolsonaro e demais poderes explicam retirada de recursos do Brasil
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TOPO
Por BBC

Postado em 06 de setembro de 2021 às 09h40m


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Jair Bolsonaro e Paulo Guedes: risco fiscal e crise entre poderes afugentam investidor — Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes: risco fiscal e crise entre poderes afugentam investidor — Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

"Se depois dessa semana você não entendeu o benefício de ter parte dos seus investimentos no exterior, eu desisto de você", postou, no último dia 21, o perfil de twitter Faria Lima Elevator, que se autodenomina "mercado financeiro raiz" e distribui sinceridades ácidas sobre motivações e decisões de investidores no Brasil aos mais de 150 mil seguidores da conta.

Os dados da economia brasileira e as avaliações de analistas ouvidos pela BBC News Brasil, no entanto, indicam que o perfil não precisará "desistir" de muitos. Isso porque a atual tendência é de que o brasileiro dono de reservas envie ao menos parte de seu dinheiro ao exterior. 

"Os brasileiros estão incrivelmente negativos sobre seu próprio país. A última vez que os brasileiros trouxeram dinheiro de volta para o Brasil foi em dezembro de 2019! Desde então - com a pandemia de covid-19 - tem sido uma debandada para fora do Brasil", apontou, em 25 de agosto, o economista Robin Brooks, chefe do Institute of International Finance (IIF).

E o pessimismo não aparece só entre os brasileiros. Brooks também notou que, na última década, o Brasil foi o único país da América Latina que não viu crescerem os investimentos estrangeiros em nenhum momento. Recursos de fora foram responsáveis por apenas 17% do Produto Interno Bruto (PIB) no período, o patamar mais baixo em 50 anos.

E não há tendência de reversão do fenômeno. De acordo com dados do IBRE, da Fundação Getúlio Vargas, entre julho de 2020 e o mesmo mês de 2021, o investimento estrangeiro recuou de US$ 67,2 bilhões para US$ 23,8 bilhões.

"A imagem do Brasil no exterior piorou estruturalmente nos últimos dois anos. E, num ambiente já ruim, houve uma piora de expectativa nesse último mês ou 45 dias", afirmou à BBC News Brasil Christopher Garman, direto para Américas da consultoria Eurasia Group.

Avanço das queimadas afasta investidores estrangeiros, alertam especialistas
Avanço das queimadas afasta investidores estrangeiros, alertam especialistas

'É o fiscal, estúpido'

Foi mais ou menos nesse período em que ficou claro para o mercado que o governo abriria uma nova "caixa de pandora" no Orçamento. Em 29 de julho, o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que estava diante de um "meteoro": R$89 bilhões de precatórios que a União terá que pagar em 2022 e que Guedes, até então, não incluíra em sua conta para o orçamento do ano que vem.

O valor praticamente inviabilizaria o cumprimento de um plano que, há pouco mais de um ano das eleições, o presidente Jair Bolsonaro quer colocar em prática: criar um novo benefício social pelo menos 50% maior que o atual Bolsa Família, cujo valor médio é de R$192. A proposta já foi inclusive enviada ao Congresso.

Diante do impasse, Guedes sugeriu um parcelamento dos precatórios em até dez anos, e ameaçou com a paralisação do governo caso tivesse que quitar integralmente os papéis. "Devo, não nego, pagarei assim que puder", disse o ministro, apelando ao dito popular para tentar descaracterizar o calote.

"O mercado entende esse tipo de fala como uma moratória porque é uma moratória. O Guedes deveria fechar a boca, em vez de falar de empregada, de filho de porteiro, de precatório", afirma Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial e economista da Brookings Institution.

Para Christopher Garman, da Eurasia, o destino do pagamento dos precatórios servirá como uma espécie de teste final para a regra do teto de gastos. Instituída na gestão Michel Temer como um anteparo no avanço da dívida pública brasileira, a regra criou um limite de crescimento para o orçamento da União, já que o total a ser gasto pelo governo a cada ano só pode aumentar o equivalente à inflação do ano anterior.

A regra já foi contornada em 2020 e 2021. A possibilidade de que ela seja burlada em 2022 também é um fator central para a redução da confiança e para a falta de disposição do investidor com o Brasil.

Sem solução provisória, na última semana, o Ministério da Economia mandou ao Congresso um orçamento para o ano que vem tido como ficcional pelo mercado, já que nele há previsão de pagamento dos R$ 89 bilhões e zero reservado para custear o novo Bolsa Família.

"Nos próximos quatro meses vamos ver muito vai e vem no orçamento. É muito complicado conseguir encontrar espaço para aumentar o Bolsa Família e cumprir a regra do teto ao mesmo tempo. Então veremos discussões infinitas sobre como cortar. É claro que vai haver muita preocupação no mercado sobre como o país vai manter estabilidade social e responsabilidade fiscal e acreditamos que no fim haverá novamente algum gasto excepcional ao teto de gastos, mas menor do que o desse ano ou o de 2020. Esperamos que até dezembro haja uma solução que seja vista como razoável pelos investidores", afirmou à BBC Serji Lanau, vice-economista chefe do IFF.

O 'ruído' do presidente

Enquanto isso, Guedes tem tentado costurar uma solução com o Supremo Tribunal Federal (STF) que permita custear os gastos sociais sem deixar de pagar dívidas e sem extrapolar o teto.

O presidente do STF, Ministro Luiz Fux, sinalizou que seria possível obter uma mediação junto ao Conselho Nacional de Justiça que reduzisse o montante a ser pago a cerca de R$ 50 bilhões. Guedes já afirmou ser essa a melhor solução, mas as tratativas têm andado de modo lento por conta da dificuldade de relacionamento entre os três poderes.

Depois de pedir ao Senado o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e ameaçar Luís Roberto Barroso com medida semelhante, Bolsonaro convocou uma manifestação popular em defesa de seu governo para o próximo dia 7.

Uma das principais pautas de seus apoiadores é o ataque ao Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro já disse que membros da Corte agem "fora das quatro linhas da Constituição". Nesta sexta, 3/9, em discurso a apoiadores, ele repetiu que os protestos farão "um ou dois que nos desafiam a voltar para o seu lugar". O Tribunal está preparado até mesmo para uma tentativa de invasão no dia 7.

"O importante pra gente é a política econômica, e esses ruídos acabam tendo impacto forte na economia. Para o investidor, interessa saber se o país respeita as regras institucionais, se tem perspectiva estável. Com esse cenário político, fica difícil pensar que reformas importantes vão passar no Congresso, até porque sabemos que esse tipo de coisa não acontece durante o ciclo eleitoral. E o ciclo eleitoral do Brasil foi antecipado", disse à BBC News Brasil, chefe da S&P Global para a América Latina.

Todos os analistas consultados afirmam que seus cenários – que preveem entre 1,5% e 2,5% de crescimento do Brasil em 2022 – tomam como cenário-base a democracia. Uma ruptura institucional certamente forçaria a uma revisão – para pior – das expectativas. Mas a mera cogitação dessa ruptura já atrapalha, dizem os analistas.

"A questão fiscal está sendo exacerbada pelo ambiente de tensão institucional tão forte. As pessoas não sabem se no 7 de setembro vai ter violência ou não, se tem risco de ruptura. Se não tivesse o risco institucional, o estresse fiscal seria bem menor. Então, um alimenta o outro", afirma Garman. 
Oportunidades e perdas

Para os analistas, o baixo volume de investimentos ajuda a explicar, por exemplo, porque o dólar segue caro, apesar de um mercado de commodities aquecido, que normalmente aumentaria o valor do real frente à moeda americana.

Como há baixa circulação de dólar no mercado nacional, no entanto, o câmbio brasileiro segue depreciado, o que empurra ainda mais a inflação para cima. Inflação alta força aumento dos juros, que, se por um lado atraem o investidor, por outro aumentam o endividamento do país, e impulsionam o problema fiscal, em um ciclo difícil de quebrar.

No horizonte, há ainda a possibilidade de que a crise hidro-energética achate ainda mais o PIB, que os especialistas notam que acumula anos de crescimento fraco. Esse cenário não está precificado pelos investidores, o que implicaria em mais um abalo nas expectativas para a economia brasileira.

Os analistas, no entanto, ressaltam que nem sempre as previsões negativas se confirmam e que o Brasil tem mostrado desempenho relativamente bom, se comparado com o restante da América Latina.

Além disso, notam a tendência de continuidade dos princípios de política econômica desde os anos 1990. "Com diferenças em matizes, jamais vimos cavalos de pau, então há uma política econômica sólida, o que atrai o investidor", afirma Garman.

Briozzo concorda: "se por um lado as reformas emperram pela necessidade de consenso político grande pra mudar a constituição, por outro o país tem uma democracia consolidada, histórico de respeito às regras e não achamos que isso virá a mudar tão rapidamente".

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domingo, 5 de setembro de 2021

Dia da Amazônia: entenda quanto de madeira a floresta perdeu e outros 7 alertas recentes sobre a urgência da preservação

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Demais alertas apontam para perda de parte dos recursos hídricos do bioma, risco de extinção de algumas de suas espécies e aumento das secas provocadas pelas queimadas, entre outros.
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Por Laís Modelli, G1

Postado em 05 de setembro de 2021 às 10h05m


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Levantamento inédito mostra quanto de madeira a Amazônia perdeu em um ano. — Foto: Vicente Sampaio/Imaflora
Levantamento inédito mostra quanto de madeira a Amazônia perdeu em um ano. — Foto: Vicente Sampaio/Imaflora

A Amazônia perdeu, em 12 meses, 4,64 mil km² de madeira, o equivalente a quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo, a maior capital do Brasil. Os dados publicados, neste domingo (5), são de um levantamento inédito feito pela Rede Simex, formada pelas organizações ambientais Imazon, Idesam, Imaflora e ICV, e se somam a outros alertas feitos no último ano sobre o bioma.

Por meio de imagens de satélites, os pesquisadores monitoraram a exploração madeireira na Amazônia no período entre julho de 2020 a julho de 2021. Eles também pesquisaram a legalidade dessa madeira, mas não conseguiram ter acesso aos dados em 7 dos 9 estados que compõe a Amazônia Legal.

Pesquisas mostram que cresce a extração de madeira em áreas proibidas
Pesquisas mostram que cresce a extração de madeira em áreas proibidas

Apesar disso, eles identificaram que 6% do total explorado ocorreu em unidades de conservação e 5% em terras indígenas, locais onda a atividade é ilegal. (veja mais abaixo)

Além do alerta publicado neste domingo, o G1 reuniu abaixo outros 7 alertas já feitos no último ano sobre a Amazônia:

  1. Exploração madeireira: área é 3 vezes maior que a cidade de São Paulo
  2. Emissões: pela primeira vez na História, floresta passou a emitir mais CO2 do que absorver, acelerando o aquecimento global
  3. Fogo, seca e aumento da temperatura: área maior que a da Inglaterra é queimada por ano na Amazônia
  4. Perda de recursos hídricos e desmatamento: fenômeno dos "rios voadores" começam a perder força
  5. Perda de biodiversidade: pelo menos 95% das espécies da Amazônia foram afetadas pelas queimadas nos últimos 20 anos
  6. Garimpo: 93% de todo o garimpo realizado no Brasil está concentrado na Amazônia
  7. Contaminação do solo, rios e pessoas: mercúrio contaminou 6 em cada 10 indígenas munduruku e todas as espécies de peixes em rios da terra indígena
  8. Mineração: desmatamento pela atividade já bateu recorde em 2021 no bioma
Imagem aérea do Rio Juruá, na Amazônia. Biodiversidade brasileira precisa receber ao menos o dobro de investimentos para manter preservação — Foto: Bruno Kelly/Reuters
Imagem aérea do Rio Juruá, na Amazônia. Biodiversidade brasileira precisa receber ao menos o dobro de investimentos para manter preservação — Foto: Bruno Kelly/Reuters

A Amazônia abriga mais da metade da área de todas as florestas tropicais remanescentes do planeta, além de ser berço de 10% da biodiversidade do mundo. Ela também é importante na regulação do clima global, retirando e armazenando parte do gás carbônico da atmosfera - gás causador do efeito estufa.

É o maior bioma do país e corresponde a 59% do território brasileiro. O termo Amazônia Legal é usado para se referir a área de 8 estados do Norte e parte do Centro-Oeste: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do Maranhão.

1- Exploração madeireira

Segundo o levantamento da Rede Simex, mais da metade dos 4,64 mil km² de madeira explorados na Amazônia entre julho de 2020 e julho de 2021 ocorreu no Mato Grosso (50,8%), com 2,36 mil km² de madeira explorada. A segunda maior área explorada foi no Amazonas (15,3%), e a terceira, em Rondônia (15%).

Em relação à categoria fundiária, 78% da madeira explorada ocorreu em imóveis rurais cadastrados, onde a exploração madeireira ocorreu em 3,62 mil km².

Nas áreas protegidas, onde a atividade madeireira pode ser autorizada dependendo de sua categoria, a exploração da madeira somou mais de 5,2 mil km², o que corresponde a 11% do total mapeado.

Outros 6% da madeira explorada na Amazônia durante o período ocorreram dentro de unidades de conservação, uma área equivalente a 2,8 mil km². A unidade que teve a maior área explorada foi o Parna dos Campos Amazônicos (AM), unidade de conservação de proteção integral, onde a exploração da madeira é proibida.

"A alta ocorrência de exploração madeireira no Parna dos Campos Amazônicos e na TI Tenharim Marmelos chama atenção pela sua localização, na tríplice divisa entre Amazonas, Mato Grosso e Rondônia. Uma região que vem sofrendo grande pressão por desmatamento nos últimos anos e, como esses dados mostram, também por exploração madeireira", afirma Vinicius Silgueiro, coordenador de inteligência territorial do ICV.

VÍDEO: PF apreende toneladas de madeira extraída ilegalmente da Amazônia
VÍDEO: PF apreende toneladas de madeira extraída ilegalmente da Amazônia

Vale destacar que os pesquisadores não puderam diferenciar a exploração madeireira autorizada da não autorizada para toda a região amazônica.

"A falta de acesso aos dados sobre as autorizações para o manejo florestal impede a checagem da legalidade dessa exploração na maioria dos estados — só é possível em Mato Grosso e no Pará", diz em nota a Rede Simex.

A retirada da madeira representa apenas uma das várias formas de desmatamento da Amazônia.

2-Emissões de gases do efeito estufa

Outro alerta publicado este ano mostra que o desmatamento e as mudanças climáticas estão alterando a capacidade da floresta amazônica de absorver carbono.

Segundo uma pesquisa brasileira publicada em julho na revista científica "Nature": desde 2010, apenas 18% das emissões por queimada estão sendo absorvidas pelo bioma. Com isso, Amazônia deixou de retirar da atmosfera 0,19 bilhões de toneladas de CO2 por ano.

Estudo do INPE aponta que áreas da floresta amazonia estão emitindo mais gás carbônico
Estudo do INPE aponta que áreas da floresta amazonia estão emitindo mais gás carbônico

A pesquisa também revelou que as emissões de CO2 foram dez vezes maiores nas áreas da Amazônia nos estados do Pará e Mato Grosso, onde a taxa média de desmatamento é superior a 30%. Com isso, segundo Gatti, a área se tornou uma fonte significativa de carbono.

De acordo com a revista e com os envolvidos no estudo, essa é a primeira vez que um estudo aponta a diminuição no potencial de absorção da floresta.

Apesar dos dados alarmantes, o desmatamento tem crescido na Amazônia nos últimos anos. O primeiro semestre de 2021, por exemplo, teve o maior número de alertas de desmatamento do Inpe em seis anos.

3- Fogo, seca e aumento da temperatura

Um levantamento do MapBiomas publicado em julho mostra que uma área maior que a da Inglaterra é queimada todos os anos no Brasil desde 1985. Isso equivale a quase 151 mil km² consumidos anualmente pelo fogo no período, ou cerca de 16 mil campos de futebol por ano somente na Amazônia.

Um estudo da Nature de julho também mostra que as queimadas estão deixando a deixam a floresta amazônica, que tem característica úmida, mais seca e mais quente. A publicação dá como exemplo os meses da "temporada do fogo", que vai de agosto a outubro: nesse período, a temperatura subiu 2°C e a chuva teve queda de 35% no volume.

Além disso, mais secas, as árvores ficam mais inflamáveis, precisando de menos intervenção para incendiar.

4- Perda de recursos hídricos

A Amazônia é um dos maiores reservatórios de água doce do mundo, essencial para a vida na Terra: o bioma se estende ao longo da Bacia Amazônica, a maior bacia hidrográfica do mundo, com cerca de 6 milhões de km² e mais de 1 mil afluentes.

Porém, o desmatamento e o fogo estão comprometendo a água na região. O Rio Negro, por exemplo, perdeu 22% da sua superfície desde os anos 90, segundo o MapBiomas.

O desmatamento também já compromete o fenômeno conhecido como "rios voadores", uma massa de ar úmido que viaja da Amazônia para todo o Brasil, responsável pela formação das chuvas em todo o país e por amenizar a sensação de calor. Porém, com a quantidade de floresta devastada nos últimos anos, pesquisadores alertam que este fenômeno vem perdendo força.

Os "rios voadores" estão acelerando devido ao aquecimento global e causando chuvas mais intensas — Foto: Gerard Moss
Os "rios voadores" estão acelerando devido ao aquecimento global e causando chuvas mais intensas — Foto: Gerard Moss

Os rios voadores começam a perder quantidade de água e, consequentemente, afetam as chuvas. Como parte das mudanças climáticas envolvem o desmatamento, é um efeito cascata. Sem árvore para ajudar na transpiração, menos água na atmosfera. Menos chuva, mais seca, explicou o meteorologista e mestre em Clima e Ambiente pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Bruno Takeshi Tanaka Portela, em uma reportagem do G1 em 2020.

5- Perda de biodiversidade

Foto mostra tamanduá morto depois de incêndio na Amazônia perto de Mirante do Norte, Rondônia, no dia 20 de agosto. — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Foto mostra tamanduá morto depois de incêndio na Amazônia perto de Mirante do Norte, Rondônia, no dia 20 de agosto. — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Um estudo internacional com a participação de cientistas brasileiros publicado em 1º de setembro na revista científica "Nature" revela que os incêndios que atingiram a Amazônia desde 2001 podem ter afetado 95,5% das espécies de plantas e animais vertebrados conhecidas em todo o bioma. Além disso, a cada novos 10 mil km² de área queimada, até 40 espécies a mais podem ser prejudicadas.

A publicação destacou que o fogo neste período afetou 53 das 55 espécies de mamíferos ameaçadas de extinção; 5 das 9 espécies de répteis ameaçadas de extinção; 95 das 107 espécies de anfíbios ameaçadas de extinção; e 236 das 264 espécies de plantas ameaçadas de extinção.

"A biodiversidade funciona como um cinto de segurança da Amazônia. Ou seja, quanto mais biodiversa, maior a capacidade da floresta de se adaptar a crises e resistir aos distúrbios climáticos. Porém, conforme vamos retirando diversidade das suas espécies, vamos enfraquecendo a resiliência da Amazônia", explica um dos autores do estudo, Paulo Brando, pesquisador do Ipam. 
6- Garimpo

A Amazônia concentra 93,7% dos garimpos no Brasil, segundo o MapBiomas, que monitora as transformações na cobertura e no uso da terra no país. A expansão da atividade ilegal na região tem se dado principalmente em território indígena e em unidades de conservação.

De acordo com o órgão, entre 2010 e 2020, a área ocupada pelo garimpo dentro de terras destinadas aos índios cresceu 495%. Os territórios mais afetados são as terras indígenas Kayapó (7.602 ha) e Munduruku (1.592 ha), no Pará, e os Yanomami (414 ha), no Amazonas e Roraima.

No que diz respeito às unidades de conservação, quase metade da área garimpada no Brasil em 2020 está nessas unidades de preservação (40,7%). As mais afetadas são: a Área de Proteção Ambiental do Tapajós (34.740 ha), a Flona do Amaná (4.150 ha) e o Parna do Rio Novo (1.752 ha).

O garimpo é a extração de minérios predatória e ilegal, geralmente relacionada ao ouro e não à indústria.

7- Contaminação por metais pesados

Por falar nas terras indígenas do Pará, uma pesquisa da Fiocruz e a organização ambiental WWF-Brasi de 2020 mostrou que 6 em cada 10 indígenas das aldeias da Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, estão contaminados com níveis acima do limite considerado seguro por agências internacionais.

Entre as crianças menores de cinco anos, a contaminação por mercúrio já deixou sequelas em 16% delas, que apresentaram problemas de coordenação motora e na fala. Um bebê de 11 meses apresentou níveis de mercúrio três vezes acima do tolerável.

A pesquisa constatou a presença de mercúrio em todos os 88 peixes coletados, de cinco espécies. Por isso, os cientistas estimaram que os indígenas estão ingerindo uma quantidade de mercúrio até 18 vezes maior que o limite seguro. E que também coloca em risco pessoas que ficam a quilômetros de distância.

Estudo da Fiocruz em aldeias indígenas no Pará mostra contaminação alarmante por mercúrio
Estudo da Fiocruz em aldeias indígenas no Pará mostra contaminação alarmante por mercúrio

O coordenador da equipe de zona costeira e mineração da MapBiomar, César Diniz, também explicou ao G1 em agosto que a contaminação por metais pesados gerado pelo garimpo vai além da Amazônia e pode chegar em quem nem mesmo vive perto da região.

"O garimpo amazônico gera uma grande quantidade de sedimento, que é enviado aos rio. E, em geral, a forma de fazer a recuperação do ouro é pelo uso de metilmercúrio, que é um absolutamente nocivo para os garimpeiros e também para a fauna, que está associada ao curso hídrico. Ou seja, o garimpo causa um problema para quem garimpa, para quem vive dos rios e até para quem nem próximo do garimpo esteve, porque a contaminação do mercúrio pode afetar os peixes vendido em mercados", explicou Diniz.

A intoxicação por mercúrio pode provocar problemas respiratórios, renais e atacar principalmente o sistema nervoso.

8- Mineração

Um estudo do MapBiomaas divulgado em agosto revelou que três de cada quatro hectares minerados no Brasil estão na Amazônia, o equivalente a 72,5% da área minerada em 2020.

Já um levantamento do G1 com dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrou que o desmatamento por mineração na Amazônia entre janeiro e 13 de agosto de 2021 foi de 102,42 km² de floresta, o equivalente a mais de 10,2 mil campos de futebol. O número é o recorde registrado pelo Inpe para o período e a área já supera o registrado nos 12 meses de 2020.

A mineração está relacionada à atividade industrial e a produção de ferro e alumínio, podendo ser legal (quando tem autorização da Agencia Nacional de Mineração) ou ilegal.

G1 no YouTube

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sábado, 4 de setembro de 2021

Quase 30% das espécies conhecidas no planeta correm risco de extinção, diz órgão internacional

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Dentre os destaques, documento alerta que 37% dos tubarões e raias estão ameaçados, assim como os dragões de Komodo. Publicação chamada de "Lista Vermelha", da IUCN, foi atualizada neste sábado (4).
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Por Laís Modelli, G1

Postado em 04 de setembro de 2021 às 13h10m


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Andrey-Gudkov registrou briga de dragões-de-komodo no Parque Nacional de Komodo, na Indonésia.  — Foto: Andrey-Gudkov/ Wild Photographer of the Year
Andrey-Gudkov registrou briga de dragões-de-komodo no Parque Nacional de Komodo, na Indonésia. — Foto: Andrey-Gudkov/ Wild Photographer of the Year

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês) alertou neste sábado (4), em sua Lista Vermelha, que 28% das 138.374 espécies já classificadas no mundo estão ameaçadas de extinção, o equivalente a 38.543 espécies.

Em resumo, segundo a publicação, estão ameaçadas de extinção:

  • 41% de espécies de anfíbios;
  • 33% dos corais de recifes;
  • 34% das coníferas, espécies em sua maioria de árvores;
  • 26% das espécies de mamíferos;
  • 37% das espécies de tubarões e de raias
  • 14% das espécies de aves
Organização alerta para proteção da vida marinha
Organização alerta para proteção da vida marinha

Um dos destaques é para os dragões de Komodo, o maior lagarto vivo do mundo e considerado Patrimônio Mundial. A classificação do lagarto passou de "vulnerável" a "ameaçado". A espécie é endêmica da Indonésia e ocorre apenas no Parque Nacional de Komodo. Por causa das mudanças climáticas, o aumento do nível do mar deverá reduzir o habitat adequado do dragão de Komodo em pelo menos 30% nos próximos 45 anos.

A Lista Vermelha também destaca as espécies marinhas, alertando que 37% dos tubarões e raias catalogados no mundo estão ameaçados de extinção. Além disso, a pesca excessiva ameaça quase dois em cada cinco tubarões de extinção. As mudanças climáticas também são apontadas como um agravo para a perda e degradação do habitat marinho.

Por outro lado, o documento reavaliou as sete espécies de atum mais pescadas comercialmente e concluiu que quatro delas mostraram sinais de recuperação graças aos países que aplicam cotas de pesca mais sustentáveis e combatem com sucesso a pesca ilegal. Uma delas é o atum albacora, que passou de "ameaçado" para "menos preocupante".

A atualização da Lista Vermelha da IUCN de hoje é um poderoso sinal de que, apesar das crescentes pressões sobre nossos oceanos, as espécies podem se recuperar se os países realmente se comprometerem com práticas sustentáveis, disse Bruno Oberle, Diretor Geral da IUCN.

Dezenas de raias ameaçadas de extinção são encontradas mortas em praia de Santos
Dezenas de raias ameaçadas de extinção são encontradas mortas em praia de Santos

Entre as espécies de atum que não conseguiram se recuperar, contudo, está o atum-rabilho do Sul, que passou de "criticamente em perigo" para "ameaçado".
Raia-viola, espécie ameaçada de extinção, foi encontrada no porão de uma embarcação brasileira este ano.  — Foto: Divulgação/ Polícia Ambiental
Raia-viola, espécie ameaçada de extinção, foi encontrada no porão de uma embarcação brasileira este ano. — Foto: Divulgação/ Polícia Ambiental

30% das árvores estão ameaçadas

O relatório Estado das Árvores do Mundo, publicado em agosto, descobriu que pelo menos 30% das 60 mil espécies de árvores conhecidas estão em risco de extinção. O alerta diz respeito a um total de 17,5 mil espécies de árvores, o dobro do número somado de mamíferos, pássaros, anfíbios e répteis sob ameaça, e também se baseia em dados da IUCN.

O Brasil é citado no documento como o país "que possui algumas das florestas de maior biodiversidade do mundo, possui o maior número de espécies de árvores (8.847) e também as espécies de árvores mais ameaçadas (1.788)".

Jequitibá é árvore ameaçada de extinção, clicada no Parque Estadual Vassununga — Foto: Tiago Lima/Olhos da Mata Atlântica
Jequitibá é árvore ameaçada de extinção, clicada no Parque Estadual Vassununga — Foto: Tiago Lima/Olhos da Mata Atlântica

O levantamento também alertou que cerca de 142 espécies já desapareceram da natureza e 442 estão perto da extinção — nestes casos, há menos de 50 árvores individuais de cada espécie restantes.

As espécies de árvores ameaçadas são variadas, segundo o estudo, e vão desde carvalhos e magnólias bem conhecidos, a árvores de madeira tropical, encontradas em nossa floresta amazônica.

Amazônia: fogo já afetou 95% das espécies

Foto mostra tamanduá morto depois de incêndio na Amazônia perto de Mirante do Norte, Rondônia, no dia 20 de agosto. — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Foto mostra tamanduá morto depois de incêndio na Amazônia perto de Mirante do Norte, Rondônia, no dia 20 de agosto. — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Um estudo publicado em 1º de setembro na revista científica "Nature", com a participação de cientistas brasileiros, revelou que os incêndios que atingiram a Amazônia desde 2001 podem ter afetado 95,5% das espécies de plantas e animais vertebrados já catalogados em todo o bioma. Os cientistas utilizaram dados da IUCN.

De acordo com a publicação da Nature, o fogo na Amazônia causado pela ação humana nos últimos 20 anos já afetou o habitat de 85,2% das espécies de plantas e animais ameaçados de extinção, sendo 53 das 55 espécies de mamíferos ameaçadas de extinção; 5 das 9 espécies de répteis ameaçadas de extinção; 95 das 107 espécies de anfíbios ameaçadas de extinção; e 236 das 264 espécies de plantas ameaçadas de extinção.

Entre os mamíferos ameaçados de extinção e que foram afetados diretamente pelo fogo na Amazônia, o estudo dá como exemplo algumas espécies de sagui e e de macacos-aranha, além de alguns exemplos de aves, como o murici.

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