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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Polícia apreende na Alemanha fósseis do Ceará que eram vendidos por 100 mil euros

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Operação da polícia alemã foi solicitada pelo Ministério Público Federal no Ceará, que contou com colaboração internacional.  
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Por Lucas Falconery, G1 CE  
18/11/2020 13h00 Atualizado há uma hora
Postado em 17 de novembro de 2020 às 14h00m



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Fósseis achados no Ceará e contrabandeados na Europa são vendidos por até 100 mil euros — Foto: MPCE/Divulgação
Fósseis achados no Ceará e contrabandeados na Europa são vendidos por até 100 mil euros — Foto: MPCE/Divulgação

Material com 60 fósseis originários da Chapada do Araripe, na região do Cariri, foi apreendido nesta segunda-feira (16) na Alemanha, após um pedido do Ministério Público Federal no Ceará. Os exemplares eram comercializados ilegalmente em um site de leilões por 100 mil euros, cerca de R$ 630 mil, e devem retornar ao país após a conclusão da investigação.

Entre os animais fossilizados estavam um pterossauro, uma raia, insetos e aracnídeos que foram levados do Ceará. Conforme a Constituição brasileira, os fósseis pertencem à União. Conforme o Ministério Público, o responsável pelas vendas em site hospedado na Holanda já foi identificado.

Para verificar a procedência do material, a Universidade Regional do Cariri (Urca) fez análise nos exemplares e atestou que os animais viveram no estado há mais de 120 milhões de anos.

Cariri é uma das regiões mais ricas em fósseis do Brasil — Foto: EPTV/Reprodução
Cariri é uma das regiões mais ricas em fósseis do Brasil — Foto: EPTV/Reprodução

Ao observar as placas de calcário em que os insetos detalhados aqui estão preservados, é clara a identificação da pedra Cariri, variando de tonalidade acinzentada a creme e amarelada, com pequenos fragmentos de algas e por vezes, dendritos de manganês, configurando a característica típica desta rocha da Formação Crato e fartamente explorada nos municípios de Santana do Cariri e Nova Olinda, ambas no Estado do Ceará, detalha o laudo técnico.

Foi realizada parceria com o Ministério Público de Kariserslautern, na Alemanha, pela Secretaria de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral da República (SCI/PGR), para a apreensão preventiva do material após a conclusão dos especialistas.

A região do Cariri cearense é uma das mais ricas em fósseis no país. Crimes de contrabando desse tipo de material são comuns, e o Ministério Público tem reforçado a fiscalização na área. Em 2015, alemães descobriram uma espécie inédita de cobra com patas por meio de um fóssil extraído no Ceará.

Sítio arqueológico do Cariri preserva fósseis da região que ajudam a entender o passado
Sítio arqueológico do Cariri preserva fósseis da região que ajudam a entender o passado

Investigação

O processo de investigação iniciou quando dois biólogos reportaram ao Ministério Público Federal que um site de leilões de fósseis anunciava a venda do material de origem brasileira. O procurador Rafael Rayol, responsável pelo caso, solicitou análise dos exemplares e cooperação das autoridades alemãs.

Os sites foram retirados do ar, mas, antes disso, conseguimos preservar todas as provas e formalizamos o pedido de repatriação do material, que tem grande valor científico para o Brasil, destaca.

Foi solicitado à Urca, então, laudo técnico com detalhamento material e para confirmar a origem cearense. Os especialistas indicaram as características de todos os animais encontrados na operação.

A solicitação referente a data em que estas peças teriam sido extraídas é incerta, mas se sabe que a exploração do calcário Laminado de Nova Olinda-CE (Pedra Cariri, de onde a maioria dos fósseis deste processo são provenientes), só se iniciou comercialmente na década de 80, afirmam.

Com a constatação, o responsável pelo site de leilões alemão foi identificado e a apreensão preventiva do material foi solicitada pelas autoridades brasileiras. Também foi feito pedido de cooperação internacional dirigido à Alemanha para conclusão da investigação e devolução de todos os fósseis brasileiros.

Fósseis apreendidos pela PF em operação contra o tráfico na Chapada do Araripe, Sul do Ceará — Foto: Reprodução/PF
Fósseis apreendidos pela PF em operação contra o tráfico na Chapada do Araripe, Sul do Ceará — Foto: Reprodução/PF

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terça-feira, 17 de novembro de 2020

Pandemia aumenta desigualdade racial no mercado de trabalho brasileiro, apontam dados oficiais

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Os principais indicadores mostram que pretos e pardos foram os mais prejudicados pela crise provocada pela pandemia do coronavírus.  
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Por Daniel Silveira e Marta Cavallini, G1 — Rio de Janeiro e São Paulo  
17/11/2020 07h16 Atualizado há 8 horas
Postado em 17 de novembro de 2020 às 15h20m


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Racismo estrutural no mercado de trabalho brasileiro
Racismo estrutural no mercado de trabalho brasileiro

A desigualdade racial no mercado de trabalho brasileiro é histórica e se acentuou diante da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. É o que apontam dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Economia.

Os principais indicadores mostram que os pretos e pardos, que representam mais da metade da população do país (56,8%) foram os mais prejudicados pelos efeitos da crise no mercado de trabalho, sobretudo os pretos. Os dados apontam que:

  • O desemprego aumentou mais entre os pretos
  • A taxa de desemprego entre os pretos foi mais expressiva que entre os demais
  • O nível da ocupação entre os pretos ficou ainda menor que o dos brancos
  • A queda da taxa de ocupação entre os pretos foi mais intensa que entre os demais
  • Pretos têm menor proporção entre os trabalhadores com carteira assinada
  • A remuneração dos pretos é menor que a dos demais em todos os segmentos

"Sempre que saem os relatórios, os indicadores sociais relacionados à população negra dão conta de uma condição pior. A crise não traz uma nova causa, um novo motivo em si mesmo. Mas ela escancara mais essa precarização a qual está submetida, historicamente, a população negra", afirma o diretor do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, Daniel Teixeira.

Trabalhadores pretos foram os mais afetados no mercado de trabalho diante da crise provocada pela pandemia — Foto: Economia/G1
Trabalhadores pretos foram os mais afetados no mercado de trabalho diante da crise provocada pela pandemia — Foto: Economia/G1

O desemprego avançou entre todos os segmentos da população brasileira, mas foi entre os pretos que houve o maior salto.

De acordo com o IBGE, na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2020, que correspondem aos três primeiros meses de pandemia, a taxa de desemprego entre os pretos aumentou em 2,6 pontos percentuais (p.p.) e a dos pardos, 1,4 p.p. Já entre os brancos a alta foi de apenas 0,6 p.p..

A taxa de desemprego entre os pretos ficou em 17,8%, e entre os pardos, em 15,4%. A dos brancos, por sua vez, ficou em 10,4%, 2,9 p.p. abaixo da taxa geral do país, que ficou em 13,3%.

Assim, a diferença da taxa dos pretos em relação à dos brancos foi de 7,4 p.p., à dos pardos de 2.4 p.p., e de 4,5 p.p. em relação à média geral do país.

Além do avanço mais expressivo do desemprego entre pretos e pardos, o nível de ocupação destes grupos ficou abaixo do de brancos no 2º trimestre.

Na comparação com o 1º trimestre, o nível de ocupação dos pretos teve queda de 6.9 p.p. e o dos pardos de 6.1 p.p.. Já entre os brancos a queda foi de 4.9 p.p..

Apesar de os pretos terem o maior percentual de participação dentro da força de trabalho (que inclui pessoas em idade de trabalhar, ocupadas ou não), a queda na taxa de ocupação deles foi mais intensa que entre os pardos e brancos, tanto na comparação com o 1º trimestre deste ano quanto com o 2º trimestre do ano passado.

Na comparação com o 1º trimestre, a queda da taxa de ocupação entre os pretos foi de 2.9 p.p. e entre os pardos, de 1,7 p.p.. Já entre os brancos, o recuo foi de 1,1 p.p..

Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas Marcelo Neri, que é diretor do FGV Social, o maior aumento do desemprego e a maior queda da ocupação de pretos e pardos durante a pandemia podem ser explicados pelos efeitos do isolamento social sobre os setores de comércio e serviços, que foram os mais impactados.

"São setores heterogêneos, principalmente o de serviços. Esses setores tendem a ser mais intensivos para pretos e pardos que outros setores como a indústria, que é mais branca. Isso pode ter relação com a escolaridade também, mas são várias dimensões que se sobrepõem", apontou o pesquisador.

Neri enfatizou que a informalidade no mercado de trabalho também pode explicar os efeitos mais negativos para pretos e pardos no que se refere ao desemprego e à ocupação. Ele destacou que estes grupos formam a maioria entre os trabalhadores informais no Brasil.

Dados consolidados pelo IBGE em 2019 mostram que enquanto a taxa de informalidade entre os brancos foi de 30,1%, chegou a 39,9% para pretos, e a 43,5% para os pardos.

Já os dados mais recentes do IBGE, que avaliou os efeitos da pandemia no mercado de trabalho, mostraram que o número de trabalhadores informais no país teve queda de 9,4% em cinco meses de pandemia.

"Essa é uma recessão atípica em termos de informalidade, que geralmente funciona como colchão que amortece as quedas trabalhistas. Mas, desta vez a informalidade caiu porque o isolamento social foi mais impactante para esse setor, que emprega mais pretos e pardos", enfatizou Neri. 
Mercado formal

No mercado de trabalho com carteira assinada, os pretos e pardos têm menor participação em relação aos brancos.

De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2019, enquanto os brancos representavam 38,92% do total de trabalhadores formais, pretos e pardos somavam 32,22%.

O restante fica entre os amarelos, indígenas, não identificados e servidores estatutários. Por setores, os negros têm maior participação na agropecuária e construção.

Pretos e pardos têm menor proporção de carteiras assinadas nos principais setores econômicos do Brasil — Foto: Economia/G1
Pretos e pardos têm menor proporção de carteiras assinadas nos principais setores econômicos do Brasil — Foto: Economia/G1

Remunerações mais baixas

Pretos e pardos também ganham menos em relação aos demais. Eles têm remuneração média real quase R$ 1 mil menor que a média geral do país. Em relação aos brancos, a diferença também fica em torno de R$ 1 mil a menos. Já em comparação com os amarelos, é cerca de R$ 2 mil menor.

A remuneração média das mulheres pardas e pretas é ainda menor que a dos homens pretos – a diferença entre os gêneros fica em torno de R$ 500.

No entanto, na comparação entre homens e mulheres, a diferença na remuneração dos pretos e pardos para brancos e amarelos é maior entre o sexo masculino - passa de R$ 1,2 mil em relação aos brancos e chega a R$ 2.100 em relação aos amarelos. Já as mulheres pretas e pardas chegam a ganhar R$ 860 a menos em relação às brancas e R$ 1,6 mil em relação às amarelas.

Pretos e pardos têm remureração de trabalho menor que brancos e amarelos — Foto: Economia/G1
Pretos e pardos têm remureração de trabalho menor que brancos e amarelos — Foto: Economia/G1

Em todos os setores analisados pela Rais, os pretos e pardos recebem remuneração menor que brancos e amarelos. A menor diferença no valor está justamente nos setores que mais empregam os negros: agropecuária e construção.

Em relação a 2018, os pretos e pardos só ficaram atrás dos indígenas (-5,61%) na queda da remuneração média. Pretos tiveram queda de 1,61% e pardos, de 1,68%, enquanto que entre os brancos o recuo foi menor, de 0,76%.

A única alta de rendimentos foi registrada entre os amarelos, de 0,49%. A redução entre os pardos e pretos foi maior que a queda média da remuneração no país, de 1,31%.

Os pretos e pardos também ganham menos em todos os níveis de escolaridade. No nível superior completo, a diferença fica em torno de R$ 4 mil em relação aos amarelos e de R$ 2 mil em relação aos brancos.

Entre os analfabetos, a diferença de salários para brancos e amarelos fica entre R$ 300 e R$ 400. No nível fundamental e médio, a diferença varia entre R$ 100 e R$ 400.

Educação X preconceito

Segundo o economista diretor da FGV Social, Marcelo Neri, há dois fatores preponderantes que explicam a desigualdade de renda no Brasil: a educação e o possível preconceito por parte das empresas empregadoras.

Os dados mais recentes sobre educação divulgados pelo IBGE, por exemplo, apontam que na faixa de 18 a 24 anos os brancos têm duas vezes mais chance de estar na universidade ou de já ter concluído o ensino superior do que os pretos e pardos. Os dados da Rais evidenciam que quanto maior o nível de instrução, maior a remuneração.

"A educação explica 30% da desigualdade de renda, mas o chamado efeito empresa no mercado formal tem um poder explicativo duas vezes maior ,segundo a literatura recente. Isso está ligado à política de diversidade das empresas. Se pegar um dado como a Rais, por exemplo, você vê que tem empresas mais favoráveis a pretos e pardos, que têm uma política de igualdade racial, uma área de diversidade e compliance mais desenvolvidos, então eu diria que o efeito firma pode explicar mais essa desigualdade", disse o pesquisador.

Questionado, Neri sugeriu que, além da criação de políticas públicas e privadas que possam favorecer a população negra no mercado de trabalho, faz-se necessário investir mais na qualidade da educação no país.

"É importante pensar em políticas que possam melhorar a qualidade escolar. Acho que é importante não premiar notas altas, mas a melhora de notas. Isso tenderia a ser mais pró-negros, porque os brancos [que têm mais acesso ao ensino de qualidade] têm mais facilidade de tirar melhores notas", sugeriu o pesquisador.

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Governo vê inflação maior neste ano; salário mínimo deve subir mais em 2021, para R$ 1.087,84

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Em agosto, governo divulgou proposta de orçamento de 2021 com salário mínimo no valor de R$ 1.067. Porém, com nova estimativa de inflação, valor deve ser maior.  
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Por Alexandro Martello, G1 — Brasília  
17/11/2020 12h28 Atualizado há uma hora
Postado em 17 de novembro de 2020 às 13h35m


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A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia informou nesta terça-feira (17) que elevou de 2,35% para 4,10% a estimativa de inflação de 2020 medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

O INPC baseia a correção anual do salário mínimo pelo governo. Se esse aumento previsto pelo governo se confirmar e não houver mudança no cálculo, o reajuste do salário mínimo de 2021 também será maior que o estimado anteriormente.

Atualmente, o salário mínimo está em R$ 1.045. Com a nova previsão para o INPC no acumulado de 2020, o valor subiria para R$ 1.087,84 no ano que vem. Esse valor está R$ 20,84 acima da última proposta oficial do governo para o salário mínimo em 2021, divulgada em agosto, de R$ 1.067.

De acordo com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 49 milhões de trabalhadores no Brasil.

O valor para o salário mínimo de 2021 pode sofrer novas alterações no decorrer deste ano, com base nas projeções de inflação para o ano de 2020 (utilizadas como parâmetro para correção).

A Constituição determina que o salário mínimo tem de ser corrigido, ao menos, pela variação do INPC do ano anterior.

Em setembro, a área econômica do governo informou apoiar que benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões, fossem desvinculados do reajuste do salário mínimo e congelados nos próximos dois anos. Porém, o estudo foi desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Puxada pelo preço dos alimentos, inflação avança em outubro e registra maior taxa de 2020
Puxada pelo preço dos alimentos, inflação avança em outubro e registra maior taxa de 2020

Sem aumento real

No projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado pelo governo ao Congresso este ano, está prevista a correção do salário mínimo apenas pela inflação, com base na estimativa do INPC. Se isso for cumprido, não haverá "ganho real", ou seja, o poder de compra de quem recebe salário mínimo permanecerá inalterado.

Esse formato já foi adotado neste ano, quando a área econômica reajustou o salário mínimo somente com base na inflação de 2019.

Com isso, o governo mudou a política de aumentos reais (acima da inflação) implementada nos últimos anos e que foi proposta pela presidente Dilma Rousseff e aprovada pelo Congresso.

A política de reajustes pela inflação e variação do Produto Interno Bruto (PIB) vigorou de 2011 a 2019, mas nem sempre o salário mínimo subiu acima da inflação.

Em 2017 e 2018, por exemplo, foi concedido o reajuste somente com base na inflação porque o PIB dos anos anteriores (2015 e 2016) teve retração. Por isso, para cumprir a fórmula proposta, somente a inflação serviu de base para o aumento.

Impacto nas contas públicas

Ao conceder um reajuste maior para o salário mínimo, o governo federal também gasta mais. Isso porque os benefícios previdenciários não podem ser menores que o valor do mínimo.

De acordo com cálculos do governo, a cada R$ 1 de aumento do salário mínimo cria-se uma despesa em 2020 de aproximadamente R$ 355 milhões.

Assim, um reajuste R$ 20,84 maior para o salário mínimo em 2021 representaria uma queda de cerca de R$ 7,4 bilhões nas despesas criadas para o governo federal.

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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Coronavírus: o misterioso 'gene dentro do gene' descoberto no vírus causador da Covid-19

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Os genes sobrepostos, como também são conhecidos, podem conter informações vitais para uma melhor compreensão dos vírus. 
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TOPO
Por BBC  
16/11/2020 10h17 Atualizado há 2 horas
Postado em 16 de novembro de 2020 às 12h20m


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Cientistas não descartam que o gene misterioso encontrado contribua para a biologia única do vírus — Foto: Getty Images via BBC
Cientistas não descartam que o gene misterioso encontrado contribua para a biologia única do vírus — Foto: Getty Images via BBC

Ele sempre esteve lá, mas "escondido" e até recentemente ninguém o havia descoberto.

Trata-se de um gene misterioso chamado ORF3d, encontrado dentro de outro gene no coronavírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19.

A descoberta foi feita por um grupo de cientistas liderado pelo pesquisador Chase Nelson, do Instituto de Genômica Comparativa do Museu de História Natural de Nova York, nos Estados Unidos.

Embora a função específica desse gene sobreposto, como também é conhecido, ainda deva ser investigada, os pesquisadores acreditam que a descoberta desses tipos de genes "pode ​​revelar novas vias de controle para o vírus, como medicamentos antivirais".

Eles também não descartam que esse gene possa contribuir para a biologia única do vírus e seu potencial pandêmico.

Os resultados foram publicados na revista científica eLife.

Veja o coronavírus ampliado 200 mil vezes
Veja o coronavírus ampliado 200 mil vezes

Por que essa descoberta é importante

Desde o início da pandemia, cientistas de todo o mundo têm trabalhado para entender melhor o vírus e, assim, ter sucesso no esforço de contenção.

De acordo com o estudo liderado por Nelson, para responder a todas as questões colocadas pelo coronavírus, é necessário compreender os genomas virais com precisão e amplitude.

"A sobreposição de genes é talvez uma das maneiras pelas quais os coronavírus evoluíram para se replicar de maneira eficiente, atrapalhar a imunidade dos infectados e se transmitir", disse Nelson.

Um gene sobreposto permanece oculto em uma cadeia de nucleotídeos devido à maneira como ele se sobrepõe às sequências codificadas de outros genes.

Esses genes são difíceis de identificar, de acordo com o estudo, já que a maioria dos programas informatizados científicos não são projetados para encontrá-los. No entanto, eles são comuns dentro dos vírus.

"Devido ao tamanho de seu genoma, o SARS-CoV-2 e seus semelhantes estão entre os vírus de RNA mais longos que existem. Talvez sejam mais propensos a conter essa 'farsa genômica'", acrescenta Nelson.

O que se sabe sobre a função desse gene

Como esse gene oculto foi descoberto recentemente, mais pesquisas são necessárias para descobrir todas as suas implicações.

"Ainda não sabemos seu significado clínico e função, mas prevemos que é relativamente improvável que esse gene seja detectado pela resposta das células T, ao contrário de uma resposta de anticorpos", disse Nelson.

As células T são uma espécie de células do sistema imunológico cujo objetivo principal é identificar e matar patógenos invasores ou células infectadas.

Elas fazem isso usando proteínas em sua superfície, que por sua vez podem aderir a proteínas na superfície desses impostores.

Os pesquisadores também descobriram esse gene em um coronavírus presente em um pangolim, que pode refletir perdas e ganhos desse gene durante a evolução do SARS-Cov-2 e outros vírus semelhantes.

O estudo concluiu a necessidade de aprofundar a descoberta, já que "genes sobrepostos são uma parte importante da biologia viral e merecem mais atenção".

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sábado, 14 de novembro de 2020

Neurocientista Miguel Nicolelis questiona em livro a inteligência artificial e seus efeitos sobre o cérebro humano

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Em "O verdadeiro criador de tudo", o pesquisador diz que máquinas digitais não têm como igualar o potencial da mente do homo sapiens, mas afirma que o uso da tecnologia poderá diminuir a capacidade cognitiva.  
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Por Shin Suzuki, G1  
14/11/2020 07h00 Atualizado agora mesmo
Postado em 14 de novembro de 2020 às 11h00m


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O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis — Foto: Divulgação
O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis — Foto: Divulgação

Desde que o ser humano se entusiasmou com a ideia de um futuro dominado pela tecnologia, uma pergunta vem sendo feita: quando o cérebro humano vai ser superado pela máquina?

O neurocientista Miguel Nicolelis defende em seu livro "O verdadeiro criador de tudo - Como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos" (editora Crítica) que o digital não reúne condições para reproduzir fielmente os processos mentais - nem de emular o poder humano de criação e inventividade. A inteligência, no entanto, corre o risco de ser moldada pelos algoritmos e se empobrecer.

Nicolelis explica que o sucesso dos sistemas digitais nos últimos 70 anos fez com que o analógico do funcionamento cerebral pareça algo inferior.

"Quando o cérebro realiza alguma coisa, ele realiza usando matéria orgânica. E esse é um conceito que desapareceu da nossa convivência diária. Nem tudo pode ser reduzido a um algoritmo digital. Ao contrário: a vasta maioria dos fenômenos naturais não pode. Por isso que previsão do tempo é tão incerta", diz ao G1 o neurocientista, que leciona e lidera estudos na Universidade Duke, nos Estados Unidos.

Apesar da eficiência do digital em transmitir informação por meios de sequências de 0 e 1, o sistema analógico do cérebro dispõe de uma complexidade de processos que o eletrônico, segundo Nicolelis, é incapaz de emular.

"O digital é uma aproximação. Ele filtra impurezas. O nosso cérebro, por sua vez, está habituado a perceber as impurezas."

No livro, o neurocientista critica duramente o que chama de adoração ao poderio tecnológico encampada pelos gigantes do Vale do Silício.

"Se criou quase um fetiche de que devemos criar máquinas que substituam seres humanos. E isso tem uma conotação muito mais econômica: é a ideia de reduzir o custo que representa o trabalho humano para elevar o lucro ao infinito."'

O pesquisador argumenta em "O verdadeiro criador de tudo" que abstrações mentais - ideias e concepções que se espalham e moldam a sociedade humana, de religiões a sistemas econômicos - não necessariamente servem para nos beneficiar.

"A razão pela qual nós estamos nessa crise existencial tremenda é porque certas abstrações mentais como lucro e dinheiro se tornaram mais importantes do que instinto de sobrevivência. Estamos dispostos a destruir o planeta, a escravizar as pessoas, a obrigar as pessoas a terem vidas miseráveis sem o mínimo para o sustento ou para sua felicidade."

"O cérebro é um criador de universos, ele cria bolhas como religião, mitos, ideologias políticas... times de futebol. Ele é muito propenso a acreditar nessas abstrações humanas e sincronizar sua própria mente com as de outras pessoas que pensam como ele."

Cérebro poderá ser moldado pelo uso de tecnologia digital, diz Nicolelis — Foto: Fonds de Dotatio Clinatec
Cérebro poderá ser moldado pelo uso de tecnologia digital, diz Nicolelis — Foto: Fonds de Dotatio Clinatec

Ele afirma que essa sincronização entre pensamentos semelhantes vem ocorrendo em um ambiente de declínio da visão crítica do mundo:

"Por exemplo, a pessoa se junta a um culto porque de repente ela se sincroniza com aquela visão de mundo. E a mente dela se fecha para qualquer pensamento racional e crítico. Ou uma pessoa vota em alguém porque o cara grita ou porque o cara é truculento. As pessoas começam a usar valores completamente periféricos para tomar suas decisões", diz.

Esses agrupamentos de cabeças que pensam de forma parecida são chamados por Nicolelis de "brainets" (redes de cérebro). Ele enfatiza que há dois lados: muito da evolução humana se deve a essas redes que transmitiram conhecimento e informação através de gerações. Daí saíram movimentos artísticos e métodos científicos.

"As brainets podem servir para coisas boas. É nossa missão identificar quais são as ruins. Foi por isso que eu escrevi esse livro, para tirar a neurociência do laboratório e mostrar por que a mente humana é o centro do nosso universo. É a responsável por todos os processos: tanto os que foram bem-sucedidos quanto os que acabaram em tragédias."

Miguel Nicolelis durante participação na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty — Foto: Walter Craveiro/Flip
Miguel Nicolelis durante participação na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty — Foto: Walter Craveiro/Flip

Preocupação com o cérebro futuro

É uma grande ironia do destino que o poder dessas "brainets", com abstrações mentais sedutoras, possa rebaixar as capacidades mentais do ser humano. A imersão digital profunda, com muitas telas e internet, está mudando o cérebro dos mais jovens e levando a distúrbios cognitivos e emotivos, diz o pesquisador.

Nicolelis se junta a um grupo de pensadores que cada vez mais expressa receios sobre arquiteturas digitais que ativam circuitos do prazer e da recompensa no cérebro - e do vício, o que levaria a deterioração da saúde mental (pesquisas sobre o tema apresentam conclusões divergentes).

Além disso, decisões tomadas cada vez mais por algoritmos e outros processos facilitados por computadores levam o neurocientista a temer uma espécie de distrofia das capacidades potenciais do cérebro humano.

"Pela primeira vez na história uma geração aparentemente tem um QI abaixo de seus pais. A neurociência está mostrando que isso está afetando o cérebro, que é um grande camaleão. Se o cérebro vê que a lógica do mundo ao redor está mudando, se as contingências estão mudando, ele se adapta."

A geração alfa - nascida a partir de 2010 e formada pelos filhos dos millennials - é considerada a primeira geração para a qual muitos aspectos do mundo analógico parecem bem distantes de realidade.

O neurocientista opina que "tecnologia virou religião" e que foi conferida a ela um poder divino, de resolver todos os nossos problemas. Mas afirma que não tem nada de fobia em relação aos avanços trazidos pelas máquinas.

"Trabalho com tecnologia há 38 anos, passei a minha carreira inteira usando tecnologias de ponta para estudar o cérebro ou sistemas digitais. Mas isso não quer dizer que possamos ir completamente às cegas rumo a algo que pode alterar a própria essência de como funcionamos."

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