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domingo, 12 de abril de 2020

Ignacio López-Goñi, o cientista que ousou dar 10 boas notícias sobre o coronavírus (e continua otimista)

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O pesquisador espanhol nunca pensou que seu artigo seria traduzido para vários idiomas e compartilhado no mundo todo.
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 Por Margarita Rodríguez, BBC  

 Postado em 12 de abril de 2020 às 11h00m  

      Post.N.\9.213  
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Ignacio López-Goñi é professor de microbiologia da Universidade de Navarra, na Espanha — Foto: Digulgação via BBC
Ignacio López-Goñi é professor de microbiologia da Universidade de Navarra, na Espanha — Foto: Digulgação via BBC


Em 29 de fevereiro, um sábado, o microbiologista espanhol Ignacio López-Goñi assumiu três desafios, embora só fosse ter conhecimento do terceiro dias depois.
O primeiro era conseguir informações "animadoras" sobre um vírus emergente que estava causando dor e morte na China.
O segundo era escrever um texto que, com evidências científicas, convidasse as pessoas a não sentir medo desse coronavírus altamente contagioso, que já estava chegando a vários continentes.

E o terceiro, do qual ainda não tinha conhecimento, era conseguir que um artigo com boas notícias viralizasse.
É que vários estudos mostram que, como leitores, tendemos a escolher e nos lembrar mais das más notícias.

O professor da Universidade de Navarra intitulou seu artigo "Dez boas notícias sobre o coronavírus". O texto foi publicado na plataforma The Conversation em 1º de março.
Segundo o espanhol, seu artigo foi lido por mais de 21 milhões de pessoas e foi traduzido para idiomas como inglês, francês, português, espanhol, italiano, coreano e indonésio.

"A primeira coisa que isso causa é um pouco de vertigem (...) nunca pensei que algo que eu fosse escrever fosse dar a volta ao mundo", diz ele.

'Meu defeito é ser otimista'
A princípio, López-Goñi não tinha muita clareza sobre o conteúdo de seu artigo. Mas sabia que seria uma lista e que teria o número 10.
O artigo foi lido por mais de 21 milhões de pessoas e foi traduzido a diferentes idiomas — Foto: Getty images via BBC
O artigo foi lido por mais de 21 milhões de pessoas e foi traduzido a diferentes idiomas — Foto: Getty images via BBC

Naquele sábado, ele estava em casa quando escreveu o título com uma caneta.
Assim, começou o processo de eliminar uma a uma as razões pelas quais o panorama contra o coronavírus não era tão sombrio quanto muitos o percebiam.

"Eu estava preocupado com todas as notícias que estavam chegando sobre o coronavírus. Eram todas ruins, e talvez por causa do meu defeito de ser otimista, naquele fim de semana eu disse para mim mesmo: 'Vou ver se sou capaz de colocar no papel dez notícias animadoras sobre esse problema do coronavírus."

"É que você pode ver o copo meio cheio ou meio vazio. Tratava-se de vê-lo meio cheio. Houve pessoas que me disseram que isso era banalizar o assunto, mas não era a intenção, longe disso", diz ele.

Sua motivação, ele insiste, é que em tempos de crise "todos nós precisamos ver a luz no fim do túnel".

"Precisamos de um motivo para ter esperança e pensar: 'daqui conseguimos sair.' É por isso que o artigo foi tão bem-sucedido e é por isso que tantas pessoas o leram."
"As boas notícias às vezes podem se tornar virais."

Nuances
Refletindo sobre outras pandemias, o pesquisador garante que a comunidade científica reagiu a esta com "uma velocidade extremamente alta" e que só isso segue sendo "uma boa notícia".

"Tudo isso está mudando tão rapidamente que a leitura desse artigo dois meses depois de ter sido escrito pode ter nuances diferentes."
"É verdade que, quando escrevi, a situação na Espanha não era como a de agora e praticamente 98% dos casos estavam ocorrendo na China."

E embora tenha apontado no texto que os casos no país asiático estavam desacelerando, ele reconhece que mais tarde a doença se espalhou "por todo o planeta com uma força inusitada".
"É muito mais sério do que pensávamos quando escrevi o artigo", reflete.

O coronavírus está deixando dor em muitos dos lugares por onde passou. Mais de 95 mil pessoas morreram e já existem mais de 1,5 milhão de infectados.

O primeiro texto que López-Goñi escreveu sobre esse assunto foi em 10 de janeiro. O artigo foi publicado na revista científica Investigación y Ciencia, a versão espanhola da Scientific American.

"Naquela época, eu não sabia de tudo que nos aconteceria", diz ele.
A maioria das informações que a comunidade internacional tinha, naquele momento, vinha da China.

"A China adotou medidas draconianas, e pensávamos que o vírus nunca chegaria a nossos países. Eu realmente pensei que seria um problema contido na China, como havia acontecido com outros vírus, como do SARS e MERS no Oriente Médio."
"Acho que todos, eu em primeiro lugar, éramos um pouco incrédulos e pecamos sendo incrédulos, admito."
No entanto, "as boas notícias seguem sendo tão necessárias ou inclusive até mais do que eram há um mês, quando eu as escrevi".

O segredo: a perspectiva
"Não foi difícil de escrever", diz. "O número de artigos científicos que tinham sido escritos [até 29 de fevereiro] sobre o assunto era 164, e isso já tinha me impressionado. Hoje existem mais de 2.800."
O cientista diz que 'as boas notícias também podem viralizar' e, em épocas de crises, são muito necessárias — Foto: Getty Images via BBC
O cientista diz que 'as boas notícias também podem viralizar' e, em épocas de crises, são muito necessárias — Foto: Getty Images via BBC

Um dos primeiros aspectos que o pesquisador esclarecia no texto é que uma pandemia "não é sinônimo de morte" e que, independente da classificação atribuída ao novo vírus, o assunto era sério e tinha que ser contemplado com importância.

Poucos dias depois, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia da covid-19, a doença causada pelo coronavírus.

"Poderíamos dizer: 'Quão pouco sabemos sobre o coronavírus!'. Mas se colocarmos em perspectiva, temos que pensar que, sim, é um vírus que não conhecíamos, mas aprendemos muitíssimo mais sobre ele em dois, três meses do que sabíamos sobre a AIDS em não sei quantos anos."

Por exemplo, já temos o genoma do vírus e métodos de diagnóstico.

'Vamos vencer esta partida'
O acadêmico escreveu outros textos nos quais se aprofundou em três das boas notícias sobre o coronavírus: o aumento substancial de artigos científicos sobre o assunto, o desenvolvimento de protótipos de vacinas e ensaios clínicos com antivirais e outras combinações de terapias que estão sendo empregadas para tratar os casos mais graves.

"A ciência nunca esteve tão bem preparada quanto agora para combater um problema como este", opina.

López-Goñi tem muita clareza sobre em que se deve ter fé: "A ciência vai nos tirar disso".

De todos os esforços internacionais em andamento, algo que é histórico, o professor está convencido de que "algo positivo virá", não apenas em termos de tratamento, mas também de prevenção.
"Vamos vencer esta partida", diz ele com entusiasmo.

Consertar o avião em pleno voo
A emergência internacional desencadeada pelo coronavírus mostrou que muitas vezes "a sociedade pede à ciência certezas, e a ciência não as possui", reflete López-Goñi.
"A ciência avança com as incertezas, com as perguntas."

Algumas das perguntas que "a sociedade fez à ciência durante esses meses não fomos capazes de responder simplesmente porque não sabíamos [as respostas]".
Com todos os esforços internacionais, algo histórico, o professor está convencido de que 'algo positivo sairá', não só em relação a tratamento, mas também a prevenção — Foto: Getty Images via BBC
Com todos os esforços internacionais, algo histórico, o professor está convencido de que 'algo positivo sairá', não só em relação a tratamento, mas também a prevenção — Foto: Getty Images via BBC

Para ilustrar esse ponto, o professor dá um exemplo: imagine que você está no comando de um avião e lhe dizem: o avião quebrou e você deve consertá-lo enquanto voa, porque não pode pousar.

"Estamos em uma situação muito semelhante."
Os cientistas não podem "parar", diz ele, e precisam continuar processando os dados que chegam de diferentes partes do mundo.
O que estamos fazendo é uma "ciência express."

E é importante lembrar, segundo o pesquisador, que a ciência exige "um pouco de descanso, a ciência tem seu tempo, ela precisa que cientistas avaliem o trabalho de cientistas, repita os experimentos e os confirme".

O medo paralisa
López-Goñi reflete sobre quanto dano as informações falsas que circularam sobre o coronavírus nas redes sociais e na internet causaram.

Soma-se a isso uma superexposição de informações que está gerando uma "enorme ansiedade" em muitas pessoas.
"A única coisa que o medo faz é nos paralisar", diz ele.

"É importante que se preste atenção nas boas notícias" e nas expressões de solidariedade que estão ocorrendo em todo o mundo.
"Isso está trazendo o melhor de muita gente", ele reflete.

"Tudo isso vai gerar uma mudança de paradigma no nosso modelo global."
E, na opinião dele, será para "melhor".
"O medo só nos paralisa", diz López-Goñi, que faz um alerta sobre as informações falsas que circulam na internet — Foto: Getty Images via BBC
"O medo só nos paralisa", diz López-Goñi, que faz um alerta sobre as informações falsas que circulam na internet — Foto: Getty Images via BBC

'A vacina é você'
O cientista espanhol insiste que "a solução está nas mãos de todos" e que "a vacina é você".

Ele explica que em nosso confronto contra esse novo vírus — para o qual as pessoas não são imunizadas e, portanto, somos todos suscetíveis —, a única maneira de reduzir a transmissão é através de medidas de distanciamento social e de higiene.

Isso ajudará a proteger as pessoas mais vulneráveis: os idosos e aqueles que sofrem de certas patologias.

Segundo o especialista, é essencial evitar o colapso dos sistemas de saúde, mas "é isso que está acontecendo em muitos países".

O que vem por aí
Segundo o especialista, "as epidemias se expandem, diminuem e terminam". "Não é como uma guerra que não sabemos quando começará ou quando terminará".

No entanto, o impacto da pandemia nos níveis social e econômico é o que lhe causa "a maior vertigem".

As consequências já começaram a ser sentidas em muitos setores da economia mundial.
Apesar disso, ele quer continuar apelando para o otimismo e para a importância de se pensar na ciência não como um gasto, mas como um investimento.

"Aqui na Espanha nós sofremos com isso. Agora olhamos para a ciência, mas há mais de uma década nós a estamos estrangulando economicamente."
E volta a usar um exemplo muito ilustrativo:
"Imagine que há quatro meses perguntassem aos cidadãos: 'Você deseja que com o dinheiro de seus impostos se pague, subsidie, uma pesquisa de umas pessoas que estão buscando vírus em morcegos?'. Pois as pessoas teriam dito que não, que não havia interesse em direcionar dinheiro a buscar vírus em morcegos. Mas não nos damos conta da importância desse tipo de pesquisa, muitas vezes básica."
A origem do SARS Cov-2 foi associada a vírus encontrado em morcegos.
Essa mudança de paradigma sobre a qual López-Goñi fala também deve incluir investimentos em saúde e educação, diz ele.

"Não podemos baixar a guarda."
E, se tivermos sucesso, certamente haverá mais boas notícias para contar.

Vídeos
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Aposentada faz máscaras de tecido para doação
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CORONAVÍRUS


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sábado, 11 de abril de 2020

Manuscrito de 'Hey Jude', pele de bateria e cinzeiro dos Beatles batem recorde em leilão

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Manuscrito do clássico da banda britânica foi arrematado por US$ 910 mil.
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 Por RFI  

 Postado em 11 de abril de 2020 às 17h00m  
      Post.N.\9.212  
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manuscrito do clássico dos Beatles 'Hey Jude' foi arrematado por US$ 910 mil. — Foto: Reprodução / www.juliensauctions.commanuscrito do clássico dos Beatles 'Hey Jude' foi arrematado por US$ 910 mil. — Foto: Reprodução / www.juliensauctions.com
O manuscrito do clássico dos Beatles "Hey Jude", uma composição de Paul McCartney de 1968, foi vendido por US$ 910 mil em leilão on-line nesta sexta-feira (10). A venda foi organizada em comemoração ao 50º aniversário de separação da lendária banda britânica.

A folha com a canção rabiscada à mão por McCartney, usada durante a gravação nos estúdios Trident de Londres, alcançou quantia cinco vezes maior que a estimada pela empresa de leilões californiana Julien's Auctions, sediada em Los Angeles.

O leilão reuniu cerca de 250 objetos dos Beatles e teve de ser realizado pela internet devido à pandemia do coronavírus. Fãs de todo o mundo fizeram lances na expectativa de arrematar guitarras, vinis e itens autografados pelos Beatles.

A entrevista em que McCartney anunciou o fim do grupo, considerado uma dos mais influentes da história da música, completou meio século na sexta-feira.

Em 1968, ele escreveu a letra de "Hey Jude" para consolar o filho de Jonh Lennon, Julian, que atravessava um momento doloroso com o divórcio dos pais, provocado pela relação que Lennon tinha iniciado com a artista japonesa Yoko Ono. O casamento de Lennon com sua primeira mulher, Cynthia, não resistiu à paixão de Lennon por Yoko.

Inicialmente, McCartney pensou em chamar a canção de "Hey Jules".

O manuscrito vendido contém uma letra parcial juntamente com anotações que incluem a palavra "break" ("pausa", em inglês), usada para ajudar na gravação da música.

Outros itens arrematados no leilão foram a pele de uma caixa de bateria com o logotipo dos Beatles, usada na primeira turnê internacional da banda, nos Estados Unidos, em 1964, arrematada por US$ 200 mil.

Uma página manuscrita do roteiro do clipe da canção "Hello, Goodbye", de 1967, foi leiloada por US$ 83,2 mil, e um cinzeiro utilizado pelo baterista Ringo Starr nos studios Abbey Road, nos anos 1960, foi comprado por US$ 32,5 mil.
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Estudo aponta 3 tipos do novo coronavírus

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Os casos de Covid-19 iniciais que surgiram no Brasil são muito mais ligados ao vírus que circulou na Europa do que aquele que apareceu na China em dezembro passado.
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 Por BBC  

 Postado em 11 de abril de 2020 às 12h35m  

      Post.N.\9.211  
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Site NextStrain apresenta mapeamento das variações genéticas do vírus e as conexões entre os casos ao redor do mundo — Foto: Reprodução/NextStrain
Site NextStrain apresenta mapeamento das variações genéticas do vírus e as conexões entre os casos ao redor do mundo — Foto: Reprodução/NextStrain

Como o coronavírus se espalhou pelo mundo a partir de Wuhan, cidade chinesa que registrou os primeiros casos da doença, em dezembro de 2019? Há três grandes percursos traçados pelo vírus até que infectasse 1,5 milhão de pessoas, afirma um novo estudo da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e da Universidade de Kiel, na Alemanha.
Os casos que surgiram no Brasil são muito mais ligados ao vírus que circulou na Europa do que aquele que apareceu na China. A rede algorítmica (que analisou a proximidade das variações do vírus em cidadãos de diversos países) reflete uma ligação mutante entre o genoma viral da Itália e do Brasil, escrevem os autores da pesquisa.
Para chegar a essa e a outras conclusões, eles analisaram as mutações do vírus nos primeiros 160 sequenciamentos genéticos desses invasores encontrados em pacientes humanos. É importante deixar claro que as mutações são comuns e raramente significam que o vírus ficará mais letal, contagioso ou com sintomas mais graves, por exemplo.

O grupo de cientistas usou um mapeamento de linhagens de códigos genéticos parecido com o modelo usado para identificar quais foram os movimentos migratórios das populações humanas pré-históricas.

Mas por que isso é importante? No caso da pandemia, a estratégia busca traçar as rotas de infecção conectando os pontos entre os casos conhecidos. Ao entender como o vírus se espalha, é possível pensar em que medidas podem ser adotadas para conter a transmissão da doença de uma região do país para outra, por exemplo.

Esses dados também pode apontar o ritmo e o tamanho da variação genética do vírus. Em geral, se isso se der de forma lenta e suave (como tem acontecido até agora), uma eventual vacina teria uma eficácia bastante ampla.

Há mais de 1.000 sequenciamentos genéticos do novo coronavírus já realizados, basicamente divididos em três grandes grupos, segundo os pesquisadores: A, B e C, sendo B derivado de A, e C derivado de B.
Estudo da Universidade de Cambridge dividiu os primeiros casos da doença em 3 grandes grupos A, B e C — Foto: Divulgação/Universidade de Cambridge
Estudo da Universidade de Cambridge dividiu os primeiros casos da doença em 3 grandes grupos A, B e C — Foto: Divulgação/Universidade de Cambridge

O tipo A é considerado o original, que está mais próximo do vírus encontrado em morcegos e pangolins, dois animais que têm sido associados ao início da pandemia. Não se sabe até agora, porém, como o vírus chegou até o primeiro paciente humano.

O tipo B tem maior incidência no Leste da Ásia, mas não se espalhou muito a partir dali, afirmam os pesquisadores. Isso pode ter acontecido, segundo eles, porque o vírus pode ter encontrado resistência imunológica ou ambiental para se espalhar entre pessoas de outras localidades do mundo.

O tipo C é considerado o majoritário na Europa, e foi encontrado nos primeiros pacientes de países como França, Itália e Suécia. Essa categoria de sequenciamentos genéticos também inclui o Brasil.

Itália ‘exportou’ metade dos primeiros casos brasileiros
A relação entre os casos do Brasil e a Europa já havia sido detalhada em um estudo com pesquisadores brasileiros publicado no fim de março. Segundo os dez especialistas que assinam o artigo, metade dos casos identificados em território brasileiro eram ligados à Itália.

Ester Sabino, uma das autoras desse segundo estudo e diretora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), afirmou à época que o espalhamento do vírus no Brasil se deu de modo peculiar.
Ao contrário da China e de outros países, onde o surto de Covid-19 começou devagar, com um número pequeno de casos inicialmente, no Brasil mais de 300 pessoas começaram a epidemia, em sua maioria vindas da Itália. Isso resultou em uma disseminação muito rápida do vírus (em dez capitais), disse, em entrevista à Agência Fapesp.
Quando o vírus se instalou no Brasil, ou seja, passou a ser transmitido localmente em larga escala, ele também sofreu novas mutações que permitem identificar o percurso dele dentro do país.
Site NextStrain apresenta mutações genéticas ao longo do tempo — Foto: Reprodução/NextStrain
Site NextStrain apresenta mutações genéticas ao longo do tempo — Foto: Reprodução/NextStrain

Até 10 de abril, o Brasil havia registrado 19.638 casos da doença e 1.056 mortes. Há notificações em todos os Estados e no Distrito Federal.

Mutações genéticas oferecem riscos?
Para chegar até os humanos, o novo coronavírus (Sars-CoV-2) precisou mutar no animal onde estava antes. Desde o início da pandemia, nenhum estudo identificou que alguma mutação tenha tornado o coronavírus mais letal ou contagioso.

Segundo especialistas, o termo mutação ganhou uma conotação de perigoso no imaginário popular por meio de obras de ficção com super-heróis mutantes ou vírus mortais que sofreram mutações para dizimar a humanidade.

No início de março, três pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, escreveram um artigo na revista científica Nature Microbiology com o título Por que não devemos nos preocupar quando um vírus muta durante epidemias.

Segundo eles, a mutação faz parte da natureza de um vírus (que é uma coleção de material genético envolvido por uma capa proteica), é uma “consequência natural de ser um vírus, porque ele utiliza a enzima RNA polimerase para se replicar no corpo humano, e esse processo é suscetível ao erro, e portanto mutações, a cada ciclo de cópia.

Nathan Grubaugh, Mary Petrone e Edward Holmes afirmam que essa capacidade de mutar é o que alimenta o sistema evolucionário, mas uma mutação só vai se espalhar com força numa população de vírus se ela for vantajosa do ponto de vista da seleção natural.

Ou seja, se tornar mais letal pode não ser vantajoso para um vírus porque ele tenderia a se espalhar menos, por exemplo.

O senso comum é que a virulência só vai mudar, para mais ou para menos, se ela ampliar a taxa de transmissão do vírus, o que significa aumentar a prole. No entanto, uma alta virulência (nem sempre) reduz a transmissibilidade se o hospedeiro está doente demais para expor os outros.

Com 1,5 milhão de infectados, as mudanças no código genético não devem parar tão cedo para o novo coronavírus. E é possível acompanhar o mapeamento dessa evolução pelo site NextStrain, que oferece um mapa dos trajetos percorridos por cada variação ao redor do mundo ao longo do tempo.
O novo epicentro do coronavírus no mundo e a preocupação com a África
O novo epicentro do coronavírus no mundo e a preocupação com a África

CORONAVÍRUS


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