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sábado, 4 de abril de 2020

Pico da pandemia: entenda os cenários no Brasil e como o isolamento afeta projeções sobre o coronavírus

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Veja perguntas e respostas sobre o pico da pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus que já teve mais de 1 milhão de casos ao redor do mundo.
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 Por Lara Pinheiro, G1  

 Postado em 04 de abril de 2020 às 09h00m  
      Post.N.\9.205  
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3 de abril: agente de saúde em equipamento protetor tira amostra de paciente possivelmente infectado com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em Turku, na Finlândia. — Foto: Roni Lehti / Lehtikuva / AFP
3 de abril: agente de saúde em equipamento protetor tira amostra de paciente possivelmente infectado com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em Turku, na Finlândia. — Foto: Roni Lehti / Lehtikuva / AFP

Com mais de 1 milhão de casos de Covid-19 ao redor do mundo, as perguntas sobre quando a doença atingirá seu pico no Brasil se tornam cada vez mais comuns. Com mais de 9 mil casos confirmados da infecção até sexta-feira (3), o que os especialistas dizem sobre o cenário futurno no país? Além disso, é possível dizer que alguns países já passaram pelo pior? Pode haver uma nova onda de casos na China? O isolamento pode influenciar o ritmo e o pico da pandemia?
Entenda, abaixo, o que se sabe até agora sobre essas e outras perguntas:

Quando a doença atingirá o pico no Brasil?
Segundo previsão feita pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a infecção pela doença deve disparar neste mês e continuar crescendo até junho, quando essa curva deve começar a desacelerar. O secretário-executivo da pasta, João Gabbardo, também previu que o país terá "dias difíceis" em abril.

Mas determinar de forma exata quando a pandemia atingirá o ápice no país não é tão fácil, afirmam especialistas ouvidos pelo G1. Isso ocorre por vários fatores.

Um deles é a demora para os resultados dos testes. Só o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, tem 16 mil amostras na fila de análise para Covid.

"Na hora que o exame é colocado na linha do tempo, ele precisa ser colocado na data que foi coletado", explica o epidemiologista Paulo Lotufo, da Faculdade de Medicina da USP. Caso contrário, explica o professor, pode se ter a falsa impressão de que um grande número de casos novos ocorreu em um dia quando, na verdade, os resultados se referem a exames que estavam aguardando há mais tempo, 10 ou 15 dias, na fila.

Essa demora nos testes faz com que a "decolagem" dos números ainda não tenha sido percebida, explica o físico Vitor Sudbrack, do Instituto de Física Teórica da Unesp, apesar de o Brasil viver, hoje, a fase de crescimento exponencial da Covid-19, representado pelo crescimento vertiginoso do número de novos casos de infecção. (Entenda mais aqui).

E os testes não são os únicos que demoram: as notificações de óbitos por Covid-19 e de internações também estão levando tempo para serem computadas. Dados da Fiocruz divulgados na quarta (1º) apontaram uma queda no ritmo de crescimento de internações por problemas respiratórios no Brasil. Mas o cientista Marcelo Gomes, que coordena a pesquisa da fundação, explica que, pela demora em colocar essas informações nos bancos de dados ao redor do país, só se poderá ter uma melhor noção dessa queda na semana que vem.

Existe, ainda, um terceiro ponto: as regiões brasileiras enfrentarão os picos da doença em momentos diferentes. Primeiro, explica Paulo Lotufo, serão São Paulo e Rio de Janeiro, que registraram os primeiros casos e têm maior número de infecções.

Depois, segundo relatório divulgado pela Fiocruz em de março, correm risco os centros urbanos de Brasília, Recife, Salvador, e, então, a região litorânea entre Porto Alegre e Salvador e várias microrregiões de Paraíba, Ceará e Pernambuco. Outras áreas com risco alto são as microrregiões no entorno de Cuiabá, Goiânia e Foz do Iguaçu, no Paraná, de acordo com o relatório.

"Isso se não acontecer uma imensa bobagem, que é: São Paulo se resolve, por exemplo, e aí você abre as fronteiras [para outros estados] – todo mundo pode vir para cá", ressalva Lotufo. "Isso aconteceu na China, Hong Kong, outros lugares. Aí você volta com os infectados", diz o epidemiologista, que prefere não fazer previsões para um pico da pandemia no Brasil.
"Tem um monte de gente que fala com muita certeza quando vai ser o pico. Eu não ouso falar, até porque não é um experimento natural, observacional – muito pelo contrário: está sendo feita uma baita intervenção, com o isolamento. Há um paradoxo: quanto mais efetiva for a nossa ação, nós vamos tender a prolongar um pouco mais – esse pico vai demorar mais", explica Lotufo.
Mas, alerta Lotufo, se as medidas tiverem efeito, esse pico pode nem chegar a existir. "Talvez não tenha um pico, tenha um platô – aquela coisa que vai achatando e depois caindo, não vai ter uma espícula", pondera o epidemiologista.

As medidas de isolamento vão atrasar o pico da pandemia no Brasil?
Os especialistas ouvidos pelo G1 foram unânimes em dizer que as medidas de isolamento social podem interferir na disseminação do vírus no país. E esse efeito pode significar duas coisas:
  • que o pico da pandemia no país pode ser adiado, dando mais tempo ao sistema de saúde para se preparar e atender mais pessoas;
  • que esse pico pode não ser tão alto quanto seria se as medidas de isolamento fossem suspensas e as atividades no país fossem retomadas normalmente.
"Acho que [o isolamento] já é consenso de toda a comunidade científica – acho que quem está discordando disso é quem não está enxergando e olhando para todas as variáveis", pondera Diógenes Justo, matemático e mestre em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professor na Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), em São Paulo.
SÃO PAULO - Um homem caminha por uma rua comercial vazia no centro de São Paulo nesta terça-feira (24) depois que o governo da cidade decretou o fechamento de lojas como medida de precaução contra a disseminação do novo coronavírus  — Foto: Nelson Almeida/AFP
SÃO PAULO - Um homem caminha por uma rua comercial vazia no centro de São Paulo nesta terça-feira (24) depois que o governo da cidade decretou o fechamento de lojas como medida de precaução contra a disseminação do novo coronavírus — Foto: Nelson Almeida/AFP

O professor é parte de uma equipe de pesquisadores voluntários, de várias universidades e empresas no Brasil e no exterior, que criou um monitoramento para tentar prever quando será o colapso do sistema de saúde de São Paulo, levando em conta as medidas de isolamento e os leitos de UTI disponíveis na cidade.

Eles montaram quatro possíveis cenários:
  • no primeiro, com nenhuma intervenção para isolamento, o sistema de saúde entraria em colapso no dia 23 de abril;
  • no segundo, com redução de 25% do contato social, o colapso seria em 1º de maio;
  • no terceiro, com redução do contato social à metade, o colapso seria adiado para 17 de maio;
  • no quarto, com redução de 65% do contato social, o colapso só ocorreria em 17 de junho.
Os especialistas escolheram estudar a capital paulista por ser a que tem maior número de casos e a maior quantidade de dados, mas também pretendem estender o monitoramento para outras capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Fortaleza.
24 de março: Avenida vazia em São Paulo, que está em quarentena — Foto: REUTERS/Amanda Perobelli
24 de março: Avenida vazia em São Paulo, que está em quarentena — Foto: REUTERS/Amanda Perobelli
"Se a gente empurrar [o pico da pandemia] para a frente, não estamos dizendo que vão ser os mesmos infectados, só que ao longo do tempo. A gente está falando, também, que, [se as medidas de isolamento forem suspensas], vai ter um número maior de infectados", explica Justo.
Coronavírus: países europeus prolongam medidas de distanciamento social
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Nos cenários avaliados pelos pesquisadores, mesmo com o número maior de leitos anunciados pelo governo, o sistema de saúde em São Paulo não conseguiria acompanhar a velocidade de novas infecções. Os especialistas destacam que as previsões vão mudando conforme as novas medidas adotadas e elas não indicam que o isolamento deve ser suspenso.
"Não é um argumento para a imunidade de rebanho – primeiro, porque a gente vai ter um colapso muito mais cedo. Tendo um colapso muito mais cedo, não teve nem a chance de acionar mais mil, 2 mil leitos que sejam. A gente está falando de mil, duas mil vidas", lembra Justo.
O Hospital de Campanha H.M Camp, no Pacaembu, será uma unidade de portas fechadas para pacientes transferidos da rede municipal da saúde — Foto: TV Globo/Divulgação
O Hospital de Campanha H.M Camp, no Pacaembu, será uma unidade de portas fechadas para pacientes transferidos da rede municipal da saúde — Foto: TV Globo/Divulgação
A chamada "imunidade de rebanho" é a proteção indireta de uma doença infectocontagiosa que ocorre quando uma população se torna imune a uma doença ou por vacinação ou por já ter sido contaminada com ela. Uma vez que ela tenha sido estabelecida por um tempo, a capacidade da doença de se espalhar é diminuída.
"Se a gente deixa tudo liberado, deixa infectar e fazemos essa imunidade de rebanho, o colapso vai ser muito maior e o sistema vai demorar muito mais tempo para se reerguer. A questão do colapso é qual o grau desse colapso", explica João Vissoci, que também integra a equipe do monitoramento e é Ph.D. em Psicologia Social pela PUC-SP e professor na Universidade Duke, nos Estados Unidos.
"O nosso cenário tenta chegar a 65% de controle da transmissão – mas pode haver um cenário maior, com mais restrição, e que potencialmente diminua isso. Se a gente achata isso, dá fôlego pro sistema, o tamanho desse colapso e o tamanho do problema podem ser muito menores, e [podemos] dar mais habilidade para o sistema de se reaver", avalia Vissoci.
Ele também lembra que outras partes do Brasil podem ter cenários completamente diferentes dos de São Paulo.
"Existe uma chance de o Brasil não colapsar tanto assim se aprender com o que está acontecendo fora do país, se levar em consideração esses monitoramentos e tentar diminuir o impacto que isso vai ter a longo prazo. Daqui a pouco, outras partes do país podem tentar absorver o impacto do que está acontecendo em São Paulo – mas só se tiver um certo movimento do país enquanto entidade, e não simplesmente ações individuais", pondera Vissoci.
Sem isolamento e ações contra a Covid-19, Brasil pode ter até 1 milhão de mortes na pandemia, diz estudo
Mas, lembra Paulo Lotufo, da USP, ainda há um outro fator em jogo: a proporção de leitos de UTI nos setores público e privado e a quantidade de pessoas que têm ou não planos de saúde variam ao redor do país.
"A proporção de leitos do SUS é maior em São Paulo, a população com plano de saúde é maior. Em outros lugares, é uma desproporção muito grande. Vai ser mais uma briga", prevê Lotufo.
Mostrando essa disparidade regional, levantamento feito pelo G1 constatou que, em 861 cidades brasileiras, há apenas um ventilador mecânico disponível. Cinco capitais – São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Recife – concentram 26% dos respiradores do Brasil. Já em outros lugares, como o Amapá, a quantidade de habitantes por respirador passa dos 9 mil. 
China se preocupa com segunda onda de contágios por doentes assintomáticos
China se preocupa com segunda onda de contágios por doentes assintomáticos

Em Hubei, província onde fica Wuhan, parte do comércio e dos transportes já está funcionando, mas, na província vizinha, Henan, os 600 mil habitantes do município de Jia foram isolados pela segunda vez. Só lá, o governo investiga pelo menos dez casos de doentes assintomáticos.

Outra preocupação é com a chegada de pessoas infectadas de fora do país. Na quinta-feira (2), a China confirmou 35 novos casos da doença, todos de pessoas que chegaram de fora. Esse receio, como mostrou a reportagem do JN, afeta cidades como Xangai, centro financeiro chinês onde vivem mais de 160 mil estrangeiros. Para evitar os casos importados, atrações turísticas fecharam de novo. Elas tinham sido abertas no meio de março.

Na semana passada, a China já havia proibido a entrada de estrangeiros na tentativa de evitar uma segunda onda de 
contaminação.

CORONAVÍRUS


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sexta-feira, 3 de abril de 2020

Desaceleração global por coronavírus será 'muito pior' do que crise financeira, diz FMI

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Diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, solicitou às economias avançadas que intensifiquem seus esforços para ajudar os países em desenvolvimento a sobreviverem ao impacto econômico decorrente da pandemia de coronavírus.
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 Por Reuters  

 Postado em 03 de abril de 2020 às 21h05m  



      Post.N.\9.204  
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A pandemia de coronavírus tem levado a economia global à estagnação e mergulhado o mundo em uma recessão que será "muito pior" do que a crise financeira global de uma década atrás, disse a chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta sexta-feira (3).

Durante uma rara coletiva de imprensa conjunta com a líder da Organização Mundial da Saúde (OMS), a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, solicitou às economias avançadas que intensifiquem seus esforços para ajudar os mercados emergentes e os países em desenvolvimento a sobreviverem ao impacto econômico e de saúde decorrente da pandemia.
Diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva — Foto: ReutersDiretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva — Foto: Reuters

"Esta é uma crise como nenhuma outra", disse ela a cerca de 400 repórteres em uma teleconferência. "Testemunhamos a economia mundial parada. Estamos agora em recessão. É muito pior do que a crise financeira global" de 2008-2009.

Mais de 1 milhão de pessoas foram infectadas com o novo coronavírus e mais de 53 mil morreram, de acordo com uma contagem da Reuters nesta sexta-feira.

Georgieva disse que o FMI está trabalhando com o Banco Mundial e com a OMS para adiantar seus pedidos à China e a outros credores bilaterais oficiais para que suspendam a cobrança de dívidas dos países mais pobres por pelo menos um ano até a pandemia amainar.

Ela disse que a China tinha se engajado "construtivamente" no assunto, e o FMI elaborará uma proposta específica nas próximas semanas com o Clube de Paris das nações credoras, o Grupo das 20 principais economias do mundo e o Banco Mundial para revisão nas Reuniões Anuais da Primavera, que serão realizadas online em cerca de duas semanas.

Os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento foram duramente atingidos pela crise, disse Georgieva, observando que quase US$ 90 bilhões em investimentos já haviam saído de mercados emergentes, valor muito maior do que durante a crise financeira. Alguns países também estavam sofrendo quedas acentuadas nos preços das commodities.

Mais de 90 países, quase metade dos 189 membros do FMI, solicitaram um financiamento de emergência ao Fundo para responderem à pandemia, afirmou ela.

O FMI e a OMS têm solicitado que a ajuda de emergência seja utilizada principalmente para aperfeiçoar os sistemas de saúde, pagar médicos e enfermeiros e comprar equipamentos de proteção.

Georgieva disse que o Fundo está pronto para usar o máximo de seu "baú de guerra", de US$ 1 trilhão, em capacidade financeira, conforme necessário.

O FMI começou a desembolsar fundos para os países solicitantes, incluindo Ruanda, com pedidos de mais dois países africanos para serem analisados ​​nesta sexta, disse ela.

"Esta é, no curso da minha vida, a hora mais sombria da humanidade --uma grande ameaça para o mundo inteiro-- e exige que permaneçamos elevados, unidos e protegendo os mais vulneráveis ​​de nossos companheiros cidadãos", disse ela.

Ela disse que os bancos centrais e os ministros das Finanças já tomaram medidas sem precedentes para mitigar os efeitos da pandemia e estabilizar os mercados, mas é necessário mais trabalho para manter a liquidez fluindo, especialmente para os mercados emergentes.

Para esse fim, a diretoria do Fundo irá analisar, nos próximos dias, uma proposta para criar uma nova linha de liquidez de curto prazo para ajudar a fornecer fundos para os países que enfrentam problemas. Ela também instou os bancos centrais, e particularmente o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), a continuarem oferecendo linhas de swap para as economias emergentes. 

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Transmissões do coronavírus por pessoas sem sintomas podem responder por até 60% do total, avaliam estudos

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Especialistas citam esses dados para justificar recomendação de que toda a população use máscaras.
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 Por Thais Matos, G1  

 Postado em 03 de abril de 2020 às 14h45m  


      Post.N.\9.203  
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Estudos apontam que até 60% das transmissões do novo coronavírus (Sars-CoV-2) ocorrem por meio pessoas sem sintomas da doença Covid-19 – trata-se dos chamados casos assintomáticos. Esses dados têm sido obtidos em pesquisas científicas recentes e são endossados por especialistas ouvidos pelo G1.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem o registro de 19 pesquisas sobre transmissões de pessoas assintomáticas e pré-sintomáticas (que não manifestaram sintomas na hora da transmissão, mas desenvolveram posteriormente).

Os resultados apontam que:
  • 6,4% das 157 pessoas monitoradas em pesquisa do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos em 16 de março haviam sido infectadas por pacientes pré-sintomáticos. Nesse caso, a transmissão ocorreu em um intervalo entre um e três dias antes da manifestação dos sintomas pelo paciente-fonte;
  • na China, os assintomáticos foram responsáveis por transmissões de 46% a 62% dos casos, segundo pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, em um estudo publicado em 16 de março com base em dados coletados e um modelo de metapopulação;
  • 48% das transmissões em Singapura e 62% na cidade de Tiajin, na China, tiveram origem em pessoas assintomáticas, segundo estudo desenvolvido por pesquisadores holandeses e belgas, publicado em 18 de março.
A OMS diz que o "risco de contrair Covid-19 de alguém sem sintomas é muito baixo", mas que está "avaliando pesquisas em andamento sobre o período de transmissão do Covid-19 e continuará a compartilhar descobertas atualizadas".

Outros materiais estão sendo produzidos, mas ainda estão nas fases de pré-print (quando o artigo ainda não passou pela revisão por pares).
China começa a divulgar número de casos de assintomáticos do novo coronavírus
China começa a divulgar número de casos de assintomáticos do novo coronavírus

As evidências apresentadas mudaram as orientações de prevenção do vírus.
A transmissão assintomática reforça o isolamento social como maneira mais eficaz de barrar a transmissão e faz especialistas revisarem as orientações sobre o uso de máscaras, que está recomendado, segundo a OMS, apenas para pessoas com sintomas ou profissionais da saúde.
"O infectado que não tem sintomas não toma os cuidados necessários com secreções e em momentos de tosse e espirro, porque ele não sabe que está doente e isso aumenta o risco potencial de infecção", diz professor Gonzalo Vecina Neto, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse na quarta-feira () que máscaras de proteção podem servir como barreira eficiente para a população em geral contra o coronavírus. A sugestão de Mandetta tem como foco o uso de máscaras alternativas, preservando as cirúrgicas e as N95 para os profissionais de saúde.

Por que ocorre transmissão antes dos sintomas?
De acordo com o epidemiologista André Ribas, o vírus consegue se replicar na mucosa nasal e bucal (fora da mucosa respiratória) e por isso está presente na saliva e nas secreções antes que o infectado passe a manifestar os sintomas. "A mucosa da via respiratória alta [nariz] expressa o gene do vírus, por isso ele se replica bastante nessa região", disse.
Um estudo de pesquisadores alemães publicado na revista "Nature" nesta quarta analisou nove casos, provou a replicação do vírus nos canais respiratórios superiores e constatou uma alta dispersão do vírus nas primeiras semanas.

O professor Vecina Neto explica que isso se deve à concentração do vírus na orofaringe (região da garganta).
"Conforme o paciente avança para estágios mais graves, o vírus entra na árvore brônquica e fica mais distante dos canais de saída", diz Vecina Neto.
O comportamento é diferente do registrado pela Síndrome Respiratória Aguda Grave, causada pelo coronavírus Sars-CoV-1, que causou um surto na China entre 2002 e 2003. Segundo Vecina Neto, esse vírus (da mesma família do novo coronavírus) se replicava no pulmão.

"A transmissão do Sars antigo só começava depois que o pulmão estava afetado. Portanto só transmitia em período sintomático. Por isso, foi mais fácil ser controlado", explica.

O epidemiologista André Ribas afirma que não é apenas o novo coronavírus que tem uma característica diferente, já que o mesmo ocorre com os vírus da dengue e da Influenza.
"Mas, com a dengue a Influenza, a transmissão pré-sintomática é muito baixa – seu pico ocorre no período sintomático. O problema é que a parte pré-sintomática de transmissão do novo coronavírus é muito alta, como têm apontado as pesquisas, afirma.
Segundo o médico, como é impossível precisar a proporção de assintomáticos em toda a população, a porcentagem nas transmissões pode ser ainda maior. "A transmissão assintomática só é rastreável quando tem um contexto para que se saiba sua origem."
Infectologista afirma de 80% dos casos de Coronavírus serão assintomáticos
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China aumenta controle de pacientes assintomáticos ao coronavírus
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Gente com o vírus, mas sem os sintomas, pode transmitir a doença?
Gente com o vírus, mas sem os sintomas, pode transmitir a doença?

CORONAVÍRUS


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A esperança nos coronapositivos

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Aqueles que já adquiriram imunidade contra a Covid-19 serão decisivos para resgatar a atividade econômica, para tratar os doentes e para fazer avançar as pesquisas científicas
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Por Helio Gurovitz
Diretor de redação da revista Época por 9 anos, 
tem um olhar único sobre o noticiário. 
Vai ajudar você a entender melhor o Brasil e o mundo. 
Sem provincianismo

 Postado em 03 de abril de 2020 às 10h20m  
Gipope-Marketing
      Post.N.\9.202  
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Paciente que se recuperou da Covid-19 doa plasma em Zouping, na província de Shandong, no leste da China, para ajudar a tratar pacientes com casos graves ou críticos da doença — Foto: STR / AFPPaciente que se recuperou da Covid-19 doa plasma em Zouping, na província de Shandong, no leste da China, para ajudar a tratar pacientes com casos graves ou críticos da doença — Foto: STR / AFP

O impacto da Covid-19 tem sido comparado ao da aids, doença provocada por um vírus que pegou o mundo de surpresa e transformou a sociedade nos anos 1980. Há, contudo, uma diferença essencial entre as duas. No início, ser diagnosticado como soropositivo para o HIV equivalia a uma sentença de morte. Para 80% dos que contraem o novo coronavírus, porém, a doença é leve.

Ao contrário dos HIV-positivos, os coronapositivos, uma vez curados, adquirem um nível de imunidade que os transforma automaticamente na nossa maior esperança no combate à Covid-19. Isso acontece de três maneiras: econômica, médica e científica.

Do ponto de vista econômico, nada impede um coronapositivo que se curou de sair do isolamento, voltar a trabalhar e a circular normalmente. Para todos os efeitos, ele não pega não transmite mais a doença. Embora o coronavírus seja um organismo mutante e haja registro de pessoas infectadas duas vezes, tal probabilidade é pequena. As infecções seguidas são raras. Foram registradas apenas em profissionais de saúde expostos a cargas elevadas do vírus nos pacientes.

O governo britânico considera até mesmo emitir documentos aos coronapositivos, uma espécie de passaporte para que eles tenham a liberdade de circular mesmo durante a atual quarentena. Para isso, é necessário ter a capacidade de aplicar testes em massa, com a garantia de que os resultados sejam confiáveis.

O trabalho dos coronapositivos será essencial não apenas para resgatar a atividade econômica, mas sobretudo no combate à doença. Queremos ser capazes de identificar aqueles que se recuperaram da infecção, tornaram-se imunes e não são mais contagiosos, escreve na New Yorker o médico, pesquisador e autor científico Siddharta Mukherjee. Tais pessoas devem satisfazer a dois critérios: ausência de efusão viral e sinais de imunidade persistente no sangue.

Embora haja duas diferentes variantes do vírus em circulação, uma delas é predominanante . Testar a presença de imunidade no sangue permitirá ter, quando não garantia, ao menos certa tranquilidade. No caso dos profissionais de saúde, será necessário naturalmente um cuidado especial. Mukherjee afirma que, a não ser que haja queda na imunidade, eles podem cuidar dos pacientes sem ficar doentes.

A terceira esperança trazida pelos coronapositivos é científica. Estão em curso estudos para tratar casos graves da Covid-19 com o plasma dos pacientes infectados e já curados. Os anticorpos presentes no sangue deles podem ajudar a reduzir a carga do vírus naqueles pacientes cujo sistema imune se revela incapaz de detê-lo.

Um dos mistérios investigados pelos cientistas é a grande variedade de quadros clínicos apresentados pelos infectados. Uma das suspeitas, relatada em artigo na revista médica The Lancet, é que a carga viral a que são expostos no momento da infecção tenha relação com isso. Uma quantidade alta, segundo essa teoria, sobrecarregaria o sistema imune e levaria ao quadro grave.

De acordo com Mukherjee, um estudo feito em Hong Kong com o coronavírus causador da Sars constatou em 2004 que uma alta carga inicial do vírus influía na gravidade da doença. É como se houvesse uma corrida entre as células do sistema imune e as partículas do vírus pelo controle do organismo. A ajuda de anticorpos extraídos dos coronapositivos poderia virar tal batalha em favor da vida.

Se a aids criou um estigma para portadores de anticorpos para o HIV, a Covid-19 promete trazer outro sentido à palavra soropositivo. Não há motivo para lamentar um resultado positivo no exame para o novo coronavírus, desde que a doença seja leve – e que a cura venha logo.

Os coronapositivos serão em número cada vez maior. Com o tempo, garantirão o patamar de imunidade coletiva que dificultará a transmissão da Covid-19. Ainda que seja provável o surgimento de mutações do coronavírus capazes de infectá-los novamente, é provável que até lá a humanidade esteja mais preparada para enfrentá-lo com testes, tratamentos e vacinas.

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