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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Desemprego fica em 11,2% em janeiro, e atinge 11,9 milhões, diz IBGE

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Informalidade cai, mas ainda atinge 40,7% da população ocupada. Já o número de pessoas que não estão procurando emprego e nem trabalhando bate recorde: 65,7 milhões.
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 Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1 — São Paulo e Rio de Janeiro  

 Postado em 28 de fevereiro de 2020 às 10h00m  
GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013
Desemprego fica em 11,2% em janeiro, e atinge 11,9 milhões, diz IBGE
Desemprego fica em 11,2% em janeiro, e atinge 11,9 milhões, diz IBGE


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (28) os primeiros números do ano sobre o mercado de trabalho. A taxa de desemprego no Brasil ficou em 11,2% no trimestre encerrado em janeiro, atingindo 11,9 milhões de pessoas, segundo a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua).

Em relação trimestre encerrado em janeiro de 2019, quando a taxa foi de 12%, houve queda de 0,8 ponto percentual. Já em relação ao trimestre encerrado em outubro, o recuo foi de 0,4 ponto percentual.

Na comparação com o trimestre encerrado em dezembro, entretanto, quando a taxa foi de 11%, houve alta de 0,2 ponto percentual – o primeiro avanço desde o trimestre encerrado em março do ano passado. O IBGE, no entanto, só considera comparáveis os resultados de um mesmo trimestre e de 3 meses de intervalo.
Evolução da taxa de desemprego — Foto: Economia G1
Evolução da taxa de desemprego — Foto: Economia G1

O resultado ficou ligeiramente abaixo da mediana das projeções de 32 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de alta para 11,3%. As projeções colhidas iam de 10,8% a 11,9% para o período.

Tanto na comparação com o trimestre anterior, terminado em outubro, quanto com o mesmo trimestre do ano passado, houve queda da população desocupada. Eram 12,625 milhões em janeiro e 12,367 milhões em outubro.

Agora, o número de desempregados foi estimado em 11,913 milhões. No 4º trimestre de 2019, o número de desempregados, no entanto, foi de 11,6 milhões.

O país tem hoje 2 milhões a menos de desempregados do que tinha em abril de 2017, quando foi registrado o maior nível de desocupação da história (13,6%). Entretanto, ainda são 5,6 milhões de desocupados a mais do que em janeiro de 2014, quando foi registrada a menor taxa de desocupação (6,4%).

Menos pessoas procuraram emprego e inatividade bate recorde
De acordo com a gerente da pesquisa, Adriana Beringuy, a queda do desemprego em relação ao trimestre anterior se deu em função do aumento da população fora da força de trabalho, ou seja, pessoas que não estão procurando emprego e nem trabalhando. Na comparação com o trimestre terminado em outubro, houve alta de 1,3%, o que equivale a um contingente de 873 mil pessoas.
O aumento da inatividade é comum em meses de janeiro, em função das férias escolares, mas foi a maior expansão já registrada para trimestres encerrados em janeiro, segundo o IBGE. Com isso, o total de pessoas fora da força de trabalho chegou a 65,733 milhões – patamar recorde desde o início da pesquisa, no primeiro trimestre de 2012. Há 1 ano, eram 65,277 milhões.
Taxa de desemprego fica em 11,2% entre novembro e janeiro, segundo IBGE
Taxa de desemprego fica em 11,2% entre novembro e janeiro, segundo IBGE

Segundo Adriana, as pessoas fora da força de trabalho são aquelas que não procuram trabalho, mas que não se enquadram no desalento. "Ela não desistiu depois de procurar, ela simplesmente não quer tomar uma providência efetiva para se ocupar, seja por motivo de férias ou qualquer outro motivo, não está disponível para trabalhar", observou.

"É muito cedo ainda pra gente afirmar que as pessoas vão se retirar do mercado de trabalho. Temos um efeito sazional muito forte interferindo nesses dados", ponderou.

O contingente de pessoas ocupadas (94,2 milhões), apresentou estabilidade em relação ao trimestre anterior. Porém, comparado ao mesmo período de 1 ano atrás, houve crescimento, um adicional de 1,9 milhão de pessoas.

Já o número de desalentados (pessoas que desistiram de procurar emprego) se manteve em 4,7 milhões, estatisticamente estável em ambas as comparações.

"O emprego foi mantido. Tivemos de um lado a manutenção do emprego e, de outro lado, um contingente grande de pessoas que pararam de procurar emprego. Ou seja, tirou uma pressão muito grande sobre o mercado de trabalho", explicou a pesquisadora.

Informalidade cai, mas ainda atinge 40,7% da população ocupada
A taxa de informalidade recuou de 41,2% no trimestre de agosto a outubro de 2019 para 40,7% no trimestre encerrado em janeiro, representando um total de 38,3 milhões de trabalhadores informais.

Há 1 ano atrás, no entanto, a taxa era menor, de 41%.
Evolução da taxa de informalidade — Foto: Economia G1
Evolução da taxa de informalidade — Foto: Economia G1

Esse recuo está associado à redução de aproximadamente 479 mil trabalhadores informais em relação ao trimestre móvel anterior, destacou a analista da PNAD Contínua, Adriana Beringuy.

No ano passado, a taxa média de desemprego no Brasil ficou em 11,9%, em um ano marcado pelo avanço da informalidade, que atingiu o maior nível desde 2016 e foi recorde em 19 estados e no Distrito Federal.
Desemprego e saúde são principais problemas para brasileiros, diz pesquisa
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Carteira assinada tem alta
O número de empregados com carteira de trabalho assinada cresceu 1,5% em relação ao trimestre móvel anterior e chegou a 33,7 milhões. Já contra o mesmo trimestre do ano anterior o avanço foi de 2,6% (mais 845 mil pessoas)

Já a categoria dos empregados sem carteira assinada ficou estatisticamente estável em relação ao trimestre móvel anterior (11,7 milhões de pessoas). Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, cresceu 3,7% (mais 419 mil pessoas).

38,3 milhões de brasileiros na informalidade
Ocupação por categoria, no trimestre encerrado em janeiro
Created with Highcharts 5.0.9Empregado no setor privado sem carteira assinada: 11,673Trabalhador doméstico sem carteira assinada: 4,519Conta própria sem CNPJ: 19,338Empregador sem CNPJ: 0,802Trabalhador familiar auxiliar: 1,98
Fonte: IBGE

O número de trabalhadores por conta própria chegou também ficou estável (24,6 milhões) em relação ao trimestre encerrado em outubro. Já em relação ao mesmo período do ano anterior, houve alta de 3,1% (mais 745 mil pessoas).

A pesquisadora do IBGE ponderou que ainda é cedo para avaliar se houve um aumento da carteira assinada em 2020. Isso porque os dados dessa pesquisa incluem os meses de novembro e dezembro, quando houve expansão da ocupação em função das contratações de fim de ano.

Os setores de comércio e transportes lideraram as contratações no trimestre móvel até janeiro, ao passo que a administração pública e agricultura foram os que mais dispensaram.

O comércio contratou 179 mil pessoas no trimestre móvel de novembro de 2019 a janeiro de 2020, frente aos três meses anteriores, elevando em 1% seu quadro de pessoal. Já o setor transporte, armazenagem e correio absorveu mais 110 mil trabalhadores, incremento de 2,3% na comparação ao trimestre móvel encerrado em outubro de 2019. Já a administração pública cortou 134 mil postos, reduzindo o seu quadro em 0,8%.

26,4 milhões de subutilizados
Apesar do aumento do número de brasileiros ocupados, a população subutilizada no país ainda soma um total de 26,4 milhões de pessoas. O número no entanto também caiu no trimestre encerrado em janeiro. Houve queda de 2,7% (menos 744 mil pessoas) frente ao trimestre móvel anterior e recuo de 3,4% (menos 919 mil pessoas) frente ao mesmo período do ano passado.

O número de subocupados por insuficiência de horas trabalhadas ficou em 6,6 milhões, com queda de 5,7% (menos 403 mil pessoas)frente ao trimestre móvel anterior, mas praticamente o mesmo de 1 ano atrás. Com isso, a taca de subutilização recuou para 23,2%.

A categoria dos empregadores (4,4 milhões de pessoas) ficou estável frente ao trimestre móvel anterior e, também, em relação ao mesmo trimestre de 2019.

Nas categorias dos trabalhadores domésticos (6,3 milhões) e dos empregados no setor público (11,5 milhões), também não houve variações estatisticamente significativas.

Renda estagnada
O IBGE apontou que o rendimento médio real habitual do brasileiro se manteve estagnado no trimestre encerrado em janeiro, em ambas bases de comparação, ficando em R$ 2.361.

A massa de rendimento real habitual (R$ 217,4 bilhões) também ficou estatisticamente estável frente ao trimestre anterior, mas cresceu 2,2% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Você comeria um 'filé' fabricado por uma impressora 3D?

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Quase 20 anos depois de ela ter surgido, tecnologia tem sido usada em cada vez mais diferentes setores, incluindo o da construção e o de alimentos.
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 Por BBC  

 Postado em 27 de fevereiro de 2020 às 09h00m  
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Empresa em Barcelona 'imprime' carne feita à base de vegetais — Foto: Nova MeatEmpresa em Barcelona 'imprime' carne feita à base de vegetais — Foto: Nova Meat

Com o uso em larga escala de impressoras 3D por diversas indústrias, alguns setores vêm se aventurando com a tecnologia na expectativa de também incorporá-la a seu processo produtivo no futuro.

Isso está acontecendo, por exemplo, na indústria de alimentos.
A empresa Nova Meat, baseada em Barcelona, na Espanha, lançou recentemente uma "carne vegetariana" feita com ervilhas, arroz e alga marinha.
O uso da impressora 3D permite que os ingredientes sejam dispostos em filamentos, à semelhança das proteínas presentes no músculo dos animais.
"Isso nos permite modular a textura do produto e mimetizar o sabor e as propriedades nutricionais de uma variedade de carnes e frutos do mar, assim como a aparência", afirma Guiseppe Scionti, fundador da startup.

Ele espera que, a partir do próximo ano, restaurantes na Espanha também possam "imprimir" a própria carne.
Hoje, maioria dos aparelhos auditivos já é fabricada por impressoras 3D — Foto: SonovaHoje, maioria dos aparelhos auditivos já é fabricada por impressoras 3D — Foto: Sonova

Um milhão de novas impressoras por ano
Quando a impressão 3D surgiu, cerca de 20 anos atrás, seus entusiastas prenunciaram que a tecnologia revolucionaria muitas indústrias.
E, em muitos aspectos, ela tem sido um sucesso. Em 2018, 1,4 milhões de impressoras 3D foram vendidas no mundo — número que deve subir para 8 milhões em 2027, de acordo com a empresa de pesquisa Grand View Research.
"Novas possibilidades de aplicação da tecnologia são descobertas a todo momento, com o lançamento de materiais e máquinas todo ano", diz Galina Spasova, pesquisadora sênior do IDC Europe, especializada no mercado de TI.
A chamada "revolução da impressão 3D" já dominou, por exemplo, o mercado de aparelhos auditivos.

As impressoras hoje são capazes de fabricar praticamente todas as peças do produto, das partes de plástico e de metal às de resina.

"Antigamente, a fabricação era feita um a um, em um processo demorado e custoso", afirma Stefan Launer, vice-presidente na Sonova, fabricante de aparelhos auditivos.

"Agora, quando recebemos um pedido, são necessários apenas alguns dias para que o produto acabado, customizado para o corpo do cliente, seja entregue", acrescenta.
Com a ajuda da nova tecnologia, fabricantes de aparelhos auditivos conseguem produzir peças com maior precisão — Foto: SonovaCom a ajuda da nova tecnologia, fabricantes de aparelhos auditivos conseguem produzir peças com maior precisão — Foto: Sonova

A técnica também "revolucionou" a indústria da odontologia, destaca Spasova, da IDC Europa, ao reduzir sensivelmente o tempo necessário para se fabricar coroas e pontes para próteses dentárias e aumentar a precisão na fabricação dos produtos.

Em uma escala maior, o equipamento tem sido usado pela Boeing para imprimir partes de aeronaves para uso comercial e militar e pela britânica BAE Systems para fabricar componentes para o caça Typhoon.
A Estação Espacial Internacional conta inclusive com sua própria impressora 3D, usada para gerar peças sobressalentes que possam ser úteis quando houver necessidade de substituição.
Fundador da Nova Meat diz que consegue controlar textura da 'carne vegetal' usando impressora 3D — Foto: NOVAFundador da Nova Meat diz que consegue controlar textura da 'carne vegetal' usando impressora 3D — Foto: NOVA

Um dos campos em que o uso das impressoras 3D tem se mostrado mais promissor é o da medicina. Já há algum tempo médicos têm conseguido imprimir próteses que saem por um valor muito mais barato do que o preço usual e podem ser facilmente personalizadas para cada paciente.
No começo deste ano, aliás, um gato na Rússia recebeu uma prótese de titânio feita em uma impressora após perder a perna por causa do frio.
Até medicamentos têm sido fabricados em impressoras 3D — algo que pode ser útil no tratamento de crianças, que geralmente necessitam de doses menores.
"A maioria dos medicamentos para crianças não foi feita pensando nelas, muitas vezes nem foi submetida a testes clínicos com crianças", pontua Matthew Peak, codiretor da unidade de pesquisa clínica da NIHR Alder Hey.

No ano passado, a equipe do cientista tornou-se a primeira do mundo a produzir uma pílula com impressora 3D especificamente para uma criança.

Um dos feitos que provavelmente mais chamam atenção nessa área é a impressão de órgãos do corpo humano. Pesquisadores do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, anunciaram recentemente haver desenvolvido um processo de fabricação de pele e vasos sanguíneos que poderá ser usada para pacientes vítimas de queimaduras.

A tecnologia foi testada apenas em ratos, mas com resultados promissores. Segundo o professor Pankaj Karande, os enxertos colocados em algumas das cobaias conseguiram se conectar com os vasos sanguíneos dos animais, fazendo com que o tecido se mantivesse "vivo".

"Isso é extremamente importante, porque nós sabemos que há de fato transferência de sangue e nutrientes do corpo para o enxerto."
Empresa americana SQ4D tem usado robôs para construir casas — Foto: SQ4DEmpresa americana SQ4D tem usado robôs para construir casas — Foto: SQ4D

Alguns torcem para que a tecnologia possa ser usada em escala ainda maior.

"Acreditamos que a impressão 3D será usada no futuro para levantar casas e prédios, mudando a forma como o mundo constrói", comenta Kirk Anderson, engenheiro chefe da americana SQ4D, que trabalha com esse tipo de projeto.
No início deste ano, a empresa ergueu uma casa de 175 m² em apenas oito dias usando um robô para construir as paredes em camadas.
Apesar de o telhado ainda ser feito da maneira convencional, o processo reduz "drasticamente" o volume de material e o custo do trabalho, diz Anderson.

Segundo ele, o custo total chega a ser 70% inferior ao de uma casa construída pelos métodos "tradicionais".

A tecnologia está sendo aperfeiçoada. Ainda assim, prédios em várias partes do mundo foram erguidos com a ajuda de impressoras 3D.
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