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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Trabalho informal avança para 41,3% da população ocupada e atinge nível recorde, diz IBGE

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Taxa de desemprego cai para 11,8%, mas número de empregados sem carteira assinada, de trabalhadores por conta própria e de subocupados batem novo recorde.
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 Por Daniel Silveira e Darlan Alvarenga, G1  

 Postado em 30 de agosto de 2019 às 14h10m  

GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013
Informalidade bate recorde e puxa queda do desemprego, aponta IBGE
Informalidade bate recorde e puxa queda do desemprego, aponta IBGE

A queda do desemprego no país, que recuou para 11,8%, vem sendo acompanhada do avanço do trabalho informal, que atingiu nível recorde no trimestre encerrado em julho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o gerente da PNAD Contínua do IBGE, Cimar Azeredo, o percentual de trabalhadores informais na população ocupada chegou a 41,3%, patamar recorde da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012, atingindo 38,683 milhões de brasileiros.

No trimestre encerrado em abril, os informais representavam 40,9% da população ocupada. Há 1 ano, esse percentual era de 40,5%.

"No trimestre passado, tinha-se observado aumento significativo da carteira de trabalho, o que não ocorreu agora neste período, mostrando que o mercado volta a gerar postos sem carteira, postos de trabalhadores por conta própria, empregados domésticos, fazendo com que o nível da informalidade fosse o maior da série desde o início da série comparável de 2012, diz Azeredo.

Esse contingente de informais é composto por pessoas empregadas no setor privado sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, trabalhadores por “conta própria” sem CNPJ e empregadores sem CNPJ, além de pessoas que ajudam parentes.

Trabalho informal no Brasil
Em milhões, por categoria
Created with Highcharts 5.0.9Empregado no setor privado sem carteira assinada: 11,658Trabalhador doméstico sem carteira assinada: 4,525Conta própria sem CNPJ: 19,42Empregador sem CNPJ: 0,85Trabalhador familiar auxiliar: 2,23
Fonte: IBGE
Nas crises de 2003 e de 2008, o mercado de trabalho começou a se recuperar a partir da informalidade, que permitiu reaquecer o mercado e, gradativamente, aquelas vagas informais foram tendo a carteira assinada. Mas essa crise de agora, além de já durar mais tempo que as anteriores, ela devastou muitos mais postos de trabalho", afirmou o pesquisador.
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 11,8% no trimestre encerrado em julho, atingindo 12,6 milhões de pessoas. Por outro lado, o número de empregados sem carteira assinada, de trabalhadores por conta própria e de subocupados bateram novo recorde no país.

O número de empregados no setor privado sem carteira assinada subiu 5,6% em 1 ano, atingindo 11,7 milhões (mais 619 mil pessoas), maior valor já registrado pela pesquisa. Na mesma direção, o número de trabalhadores por conta própria aumentou 5,2% frente ao mesmo período de 2018, atingindo o recorde de 24,2 milhões (mais 1,2 milhão de pessoas).
Apesar da queda da desocupação, da redução da taxa de desocupação e do aumento expressivo de pessoas ocupadas, o mercado insiste em gerar postos de trabalho voltados para a informalidade", diz Azeredo.
Segundo o o pesquisador, atividades voltadas aos serviços são as que mais contribuíram para o aumento da ocupação, o que dá força a esse processo de informalidade que se instala no mercado atualmente. Cerca de 41% da população ocupada está voltada para a informalidade, enfatizou.

Já o número de pessoas subocupadas, trabalhando menos horas do que gostariam, chegou a 7,3 milhões, o que segundo o IBGE representa um recorde da série histórica comparável. Em relação ao mesmo trimestre de 2018, houve uma alta de 12,4% (mais 810 mil pessoas).
Dos 2,2 milhões de postos de trabalho gerados no país em 1 ano, 1.192 corresponderam a trabalhadores por conta própria, sendo apenas 327 mil com CNPJ. Outros 619 mil referem-se a empregos sem carteira e 107 mil a ocupações de auxílio familiar. Ou seja, cerca de 75% das vagas criadas estão relacionadas ao trabalho informal.
Geração de postos de trabalho em 1 ano
Na comparação com o trimestre de maio a julho de 2018, população ocupada aumentou em cerca de 2,2 milhões
Created with Highcharts 5.0.9Com carteira assinada: 233Sem carteira assinada: 619No trabalho doméstico: 22No setor público: 103No trabalho por conta própria: 1.192Trabalhador familiar auxiliar: 107
Fonte: IBGE

Falta trabalho para 28,1 milhões
A taxa de subutilização da força de trabalho recuou para 24,6% em julho, ante 24,8% no trimestre encerrado em junho. Isso significa que ainda falta trabalho atualmente para 28,1 milhões de brasileiros, número 2,6% superior (mais 703 mil pessoas) ao registrado há 1 ano.

São considerados subutilizados os trabalhadores que estão desempregados, os que trabalham menos de 40 horas semanais, mas gostariam de trabalhar mais, os que não estão desempregados, mas não poderiam aceitar uma vaga no mercado, e aqueles que desistiram de procurar por emprego, chamados de desalentados.

O número de desalentados ficou estável em 4,8 milhões no trimestre encerrado em julho. O percentual de pessoas desalentadas em relação à população na força de trabalho foi de 4,4%, repetindo o recorde da série.

Já o número de empregados com carteira assinada ficou praticamente estável em julho, segundo o IBGE, reunindo 33,1 milhões de pessoas.

Ocupação no Brasil por posição
Em milhões de pessoas
Created with Highcharts 5.0.9Empregado com carteira setor privado: 33,146Empregado sem carteira setor privado: 11,658Conta própria: 24,227Empregado setor público: 11,714Trabalhador doméstico: 6,28Empregador: 4,331Trabalhador familiar auxiliar: 2,23
Fonte: IBGE

Diferenças salariais
Os números do IBGE revelam também que a renda média dos trabalhadores informais é bem inferior à dos empregados com carteira assinada.

No trimestre encerrado em julho, o rendimento médio real do empregado com carteira assinada foi de R$ 2.169, ao que a do trabalhador sem carteira foi de R$ 1.427 e a do conta própria sem CNPJ foi de R$ 1.312.

O rendimento médio real de todos os ocupados ficou em R$ 2.311, o que corresponde a uma queda de 1% na comparação com o trimestre encerrado em abril. Frente ao mesmo trimestre do ano passado, ficou estável.

Rendimento médio por tipo de ocupação
Em R$
Created with Highcharts 5.0.92.1692.1691.4271.4271.2891.2897527523.6493.6496.0856.0853.9483.9483.1043.1041.3121.312Setor privadocom carteira assinadaSetor privadosem carteira assinadaTrabalhador domés…Trabalhador doméstico com carteiraTrabalhador domés…Trabalhador doméstico sem carteiraSetor púbicoEmpregador com C…Empregador com CNPJEmpregador sem CN…Empregador sem CNPJConta própria com …Conta própria com CNPJConta própria sem C…Conta própria sem CNPJ02k4k6k8k
Fonte: IBGE

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    quinta-feira, 29 de agosto de 2019

    PIB do Brasil cresce 0,4% no 2º trimestre e afasta risco de recessão técnica

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    Resultado foi puxado, principalmente, pelos ganhos da indústria (0,7%) e dos serviços (0,3%); já a agropecuária caiu 0,4%. Queda no 1º trimestre foi revisada para um recuo de 0,1%.
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     Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1  

     Postado em 29 de agosto de 2019 às 15h00m  
    GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013
    Indústria cresceu 0,7% no 2º trimestre e ajudou na alta do PIB; na foto, fábrica de papelão ondulado para embalagens no interior de São Paulo  — Foto: Fabio Tito/G1
    Indústria cresceu 0,7% no 2º trimestre e ajudou na alta do PIB; na foto, fábrica de papelão ondulado para embalagens no interior de São Paulo — Foto: Fabio Tito/G1


    O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,4% no 2º trimestre, na comparação com os 3 primeiros meses do ano, segundo divulgou nesta quinta-feira (29) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
    Em valores correntes, o PIB no segundo trimestre de 2019 totalizou R$ 1,780 trilhão.

    O resultado, embora reforce a leitura de maior fraqueza da economia em 2019, veio um pouco acima do esperado pelo mercado e afastou o risco de entrada do país em uma recessão técnica, caracterizada por dois trimestres seguidos de retração do PIB.

    O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

    A alta no 2º trimestre foi puxada, principalmente, pelos ganhos da indústria (0,7%) e dos serviços (0,3%). Já a agropecuária caiu 0,4%. Pela ótica da despesa, a taxa de investimento avançou 3,2% e o consumo das famílias cresceu 0,3%, enquanto que o consumo do governo recuou 1%.

    A alta de 0,4% foi o melhor resultado para segundos trimestres desde 2013 (2,3%).
    PIB cresce 0,4% no segundo trimestre e surpreende mercado
    PIB cresce 0,4% no segundo trimestre e surpreende mercado

    O IBGE revisou a queda do primeiro trimestre de 2019. Em vez da queda de 0,2%, o recuo foi de 0,1%. Também foram revisados os resultados de trimestres anteriores, revelando que o país já havia registrado retração no 2º trimestre de 2018. Veja gráfico abaixo:
    Variação trimestral do PIB — Foto: Rodrigo Sanches/G1
    Variação trimestral do PIB — Foto: Rodrigo Sanches/G1

    Na comparação com igual período de 2018, o PIB subiu 1% no 2º trimestre, ante avanço de 0,5% nos 3 primeiros meses do ano. O ritmo de recuperação, entretanto, segue abaixo do registrado no final de 2018.

    Não dá para afirmar que há recuperação, precisamos de um período maior de análise, afirmou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio, ao ser questionada por jornalistas se o resultado indica uma retomada.
    PIB do 2º trimestre cresceu 0,4%. E eu com isso?
    PIB do 2º trimestre cresceu 0,4%. E eu com isso?

    Veja os destaques do PIB do 2º trimestre:
    • indústria cresceu 0,7% e saiu da recessão técnica, após ter caído nos 2 trimestres anteriores;
    • reação da indústria foi puxada pela alta de 2% nas indústrias de transformação e de 1,9% na construção civil;
    • setor de serviços teve alta de 0,3%, com destaque para atividades imobiliárias (0,7%), comércio (0,7%) e informação e comunicação (0,5%);
    • agropecuária caiu 0,4%, afetada pela queda na safra de soja e café;
    • taxa de investimento avançou 3,2% após duas quedas seguidas;
    • consumo das famílias cresceu 0,3% e mantém trajetória de recuperação;
    • indústria extrativa caiu 3,8%, após tombo de 7,5% no trimestre anterior, ainda sob impacto da tragédia de Brumadinho;
    • exportações de bens e serviços caíram 1,6%, enquanto as importações cresceram 1%.
    Variação trimestral do PIB da indústria, comércio e serviços — Foto: Juliane Souza/G1
    Variação trimestral do PIB da indústria, comércio e serviços — Foto: Juliane Souza/G1

    PIB está no nível de 7 anos atrás
    No acumulado no 1º semestre, a alta do PIB é de 0,7% frente a igual período de 2018, o que representa uma desaceleração em relação à expansão de 1,2% no semestre encerrado em dezembro de 2018.

    A demanda doméstica é que está segurando esse resultado de 1% de crescimento do PIB na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, já que as importações tiveram alta de 4,7% ante um crescimento de 1,8% das exportações, avaliou Dionísio.
    Com o resultado, a economia do país ainda permanece em patamar igual ao do segundo trimestre de 2012, e 4,8% abaixo do ponto mais alto, alcançado no 1º trimestre de 2014, segundo o IBGE.
    O país ainda carrega os efeitos da última recessão, entre 2015 e 2016, quando foram registrados oito trimestres consecutivos de recuo do PIB, com taxas de crescimento fracas nos anos seguintes.

    Segundo a gerente de contas nacionais do IBGE, com a retomada lenta, a economia recuperou até o momento apenas 3,7% das perdas registradas durante a recessão até o 4º trimestre de 2016.
    PIB pela ótica da demanda — Foto: Rodrigo Sanches/G1
    PIB pela ótica da demanda — Foto: Rodrigo Sanches/G1

    Construção civil reage e investimentos voltam a crescer
    A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que inclui o que se investe em máquinas e equipamentos, construção civil e inovação, avançou 3,2% no 2º trimestre, após queda de 1,6% no 4º trimestre de 2018 e recuo de 1,2% no 1º trimestre.

    A taxa de investimento no segundo trimestre de 2019 ficou em 15,9% do PIB, acima do observado no mesmo período do ano anterior (15,3%), mas ainda em patamar muito baixo. No final de 2013, antes do início da recessão, estava em 20,9%. Já a taxa de poupança foi de 15,2%, ante 15,8% no mesmo período de 2018.

    "No caso dos investimentos, o mais importante foi a virada da construção, que tem um peso muito importante, afirmou a gerente de Contas Nacionais, Rebeca de La Rocque, destacando que essa atividade responde por em torno de 50% da FBCF.
    A construção civil avançou 1,9% na comparação com o 1º trimestre. Frente ao mesmo trimestre do ano anterior, subiu 2% – primeira alta após 20 trimestres consecutivos de queda nessa comparação. Segundo o IBGE, o que contribui para a melhora do setor foi foi alta de 0,9% na ocupação e o crescimento nominal de 10,7% de financiamento imobiliário.
    O IBGE observou, no entanto, que não houve retomada de obras de infraestrutura.
    Economia apresenta lenta recuperação e segue em patamar de 2012, diz IBGE
    Economia apresenta lenta recuperação e segue em patamar de 2012, diz IBGE

    Mais uma vez, vemos o consumo das famílias influenciando a demanda, além de ter puxado o aumento do comércio varejista. Já o comércio por atacado cresceu graças às indústrias de transformação, principalmente a metalurgia e produção de máquinas e equipamentos. Junto com a importação, a produção doméstica de bens de capital e a construção explicam a aceleração da Formação Bruta de Capital Fixo, disse Claudia Dionísio.

    Os números do IBGE mostraram ainda que a necessidade de financiamento do país saltou de R$ 1,8 bilhão no 2º trimestre de 2018 para R$ 11 bilhões no 2º trimestre de 2019. Isso porque houve redução de R$ 1,5 bilhão do saldo externo de bens e serviços ante um aumento de R$ 8,8 bilhões na renda líquida de propriedade enviada ao exterior.
    Variação do PIB dos países — Foto: Rodrigo Sanches/G1
    Variação do PIB dos países — Foto: Rodrigo Sanches/G1

    Perspectivas para o ano
    Segundo economistas ouvidos pelo G1, o crescimento de 0,4% da economia brasileira no segundo trimestre coloca o PIB esperado para 2019 mais perto de 1%. Mas a recuperação é lenta e ainda depende da agenda de reformas.

    De acordo com a última pesquisa Focus do Banco Central, a expectativa dos analistas do mercado financeiro é de uma alta do PIB de 0,80%, ante um avanço que no início do ano era estimado em 1,3%. Para 2020, a previsão de crescimento passou de 2,2% para 2,1%.
    Em 2018, a economia brasileira cresceu 1,1%, após alta de 1,1% em 2017, e retrações de 3,5% em 2015, e 3,3% em 2016.

    Na visão dos analistas, o impacto de medidas como liberação do FGTS e PIS, e a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência podem contribuir para alguma melhora do consumo e da confiança no 2º semestre. Por outro lado, a piora no cenário externo trouxe ainda mais incertezas para os próximos meses, em meio ao acirramento da guerra comercial entre China e Estados Unidos, piora da situação da Argentina e temores de uma nova recessão global.
    O que o PIB tem a ver com o nosso dia a dia?
    O que o PIB tem a ver com o nosso dia a dia?
    IBGE

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