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segunda-feira, 27 de maio de 2019

Incertezas e anos de PIB decepcionante deixam Brasil menos atrativo para empresas estrangeiras

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Além do menor fluxo de capital estrangeiro, multinacionais têm decidido encerrar operações no país ou a produção local. Relembre empresas que deixaram o Brasil recentemente ou que estão indo embora.
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Por Darlan Alvarenga, G1 

Postado em 27 de maio de 2019 às 14h05m 
GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013

Em meio às dificuldades de reação da economia brasileira e problemas estruturais de produtividade, o país também tem perdido a atratividade para investidores estrangeiros. Além do menor nível de fluxo de recursos para investimentos no Brasil e persistentes incertezas sobre o ambiente de negócios, também tem chamado a atenção a frequência de anúncios de empresas internacionais indo embora ou decidindo encerrar operações por aqui.
Entre essas companhias, estão a Ford Caminhões, os laboratórios Roche e Eli Lilly, a gráfica RR Donnelley, o aplicativo Glovo, a Nikon, a cervejaria Brasil Kirin, e redes de varejo como Lush e Kiehl's. Relembre mais abaixo empresas que deixaram ou estão deixando o país nos últimos anos.

Embora as razões apresentadas por elas não sejam necessariamente as mesmas, e também estejam relacionadas a novas estratégias globais das companhias, em comum está a dificuldade de conseguir os resultados esperados, a decepção com o ritmo de crescimento da economia brasileira e a elevada imprevisibilidade em relação ao médio e longo prazos.

Diante das dificuldades de gerar a receita esperada e de expandir os negócios, a saída encontrada por essas empresas foi vender a operação para concorrentes já estabelecidos ou simplesmente fechar as portas. Outras recusaram-se a desistir, mas decidiram encerrar a produção local, passando a atuar somente com distribuição de importados. Consequentemente, fecharam postos de trabalho e colocaram mais pessoas na fila do desemprego.

E se alguns estão indo embora, outros estão desistindo ou adiando a vinda. Segundo dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil caiu 12% em 2018, para US$ 59 bilhões. Com a queda, o Brasil passou da 4ª para a 9ª colocação entre os principais destinos no mundo. Em 2011, o montante chegou a US$ 96 bilhões. Veja gráfico abaixo

Investimento estrangeiro direto no Brasil
Em US$ bilhões

83,783,796,196,176,176,153,553,573,373,364,264,2585868685959201020112012201320142015201620172018020406080100120

2011
96,1

Fonte: Unctad

O indicador é considerado como o melhor termômetro de "bom investimento", uma vez que os recursos vão para o capital produtivo (construção de fábricas, infraestrutura, empréstimos e fusões e aquisições).

Levantamento divulgado neste mês consultoria A.T.Kearney mostrou que o Brasil deixou o ranking dos 25 mais confiáveis para investimento estrangeiro. Foi a primeira vez que o país ficou fora da lista desde que o ranking foi desenvolvido, em 1998.
"Embora o Brasil seja uma economia emergente, a taxa de crescimento nos últimos 10 anos foi muito menor em relação ao que era projetado. Hoje, o foco no mundo inteiro está no retorno ao investidor. Então, a empresa acaba eventualmente preferindo absorver um prejuízo e encerrar suas atividades no país a correr o risco de uma perda ainda maior", afirma o economista Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV.
O ano de 2019 começou com a expectativa de maior fluxo de capital estrangeiro para o país, impulsionados pela mudança de governo e reforço da agenda de concessões e privatizações, mas a percepção dos analistas e economistas é que os investidores permanecem bem cautelosos em relação ao Brasil, à espera da aprovação de reformas e de uma sinalização mais clara de uma melhora das perspectivas para a economia brasileira.

Pelos dados do Banco Central, que utiliza uma metodologia diferente da ONU para mensurar esse fluxo de aportes, os investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 21,1 bilhões no 1º trimestre, praticamente o mesmo volume do mesmo período de 2018 (US$ 20,9 bilhões).

O professor de economia do Insper Otto Nogami afirma que, no Brasil, "o longo prazo é sempre difícil de ser avaliado", e que nos últimos meses houve uma piora das expectativas em relação ao ritmo de recuperação da economia diante das preocupações com a articulação política do governo Bolsonaro para a aprovação de reformas estruturais como a da Previdência no Congresso.
"Está tudo nebuloso. À medida em que se tem um cenário econômico complexo, com piora das expectativas, o investidor começa a ver que a recuperação da economia tende a vir só daqui 2, 3, 4 anos, o que pode comprometer toda uma estratégia que ele tinha em mente", avalia Nogami.
Participação de estrangeiros em compras de empresas no Brasil
Investidores nacionais estão a frente dos investidores estrangeiros nas aquisições no Brasil — Foto: Divulgação/PWCInvestidores nacionais estão a frente dos investidores estrangeiros nas aquisições no Brasil — Foto: Divulgação/PWC

Levantamento da consultoria PWC sobre fusões e aquisições de empresas no Brasil mostra que o apetite dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil permanece bem abaixo do registrado no período pré-recessão.

De um total de 228 operações de compras de controle ou de participação em empresas realizadas de janeiro a abril, apenas cerca de 30% (68 transações) foram lideradas por estrangeiros. Nos 4 primeiros meses de 2015, o número de aquisições feita por estrangeiros foi praticamente o dobro (126), com o capital internacional à frente de 53% dos negócios anunciados (veja gráfico acima).

O indicador é um bom termômetro para o fluxo de investimento estrangeiro no país uma vez que a compra do controle ou participação de empresas já estabelecidas costuma ser a principal estratégia de entrada de grandes grupos em um outro país.
"Temos conversado com muitos fundos de investimento estrangeiros, e o que eles dizem é que têm planos de investimento no Brasil, mas aguardam algumas mudanças estruturais importantes, em particular, muito comentada, a reforma da Previdência", diz Leonardo Dell'Oso, sócio da PwC Brasil.
"A partir do momento em que o governo demonstrar um ajuste fiscal nas suas contas que possa trazer uma estabilidade econômica maior e também a criação de um marco regulatório mais robusto, o investimento certamente vai voltar a chover no Brasil", acrescenta.

Para Viktor Andrade, sócio da consultoria EY, afastadas as incertezas, o país tende a voltar a atrair um fluxo maior de investimentos. "O Brasil continua sendo opção na mesa dos investidores e tem se mantido um destino consistente dos fluxos globais, o que é surpreendente diante de todas dificuldades e da perda do grau de investimento do país. É um país grande, com instituições sólidas, e isso faz com que acaba se destacando frente a pares como Rússia e índia", afirma.
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes — Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes — Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Entraves e desvantagens competitivas
Além do baixo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) nos últimos anos e das conhecidas desvantagens competitivas do Brasil (complexidade tributária, baixa produtividade e infraestrutura precária), há outros entraves que fazem com que o país seja considerado mais difícil e menos atrativo para o investidor estrangeiro.
"A complexidade da operação, com custo de produção muito alto e qualidade de mão de obra muito ruim comparativamente, acaba tirando a atratividade do mercado brasileiro apesar do contingente de consumidores. Por isso, quando se trata de alta tecnologia, muitas empresas preferem produzir lá fora e só distribuir aqui", afirma Nogami.
Os analistas destacam, entretanto, que em alguns casos o fracasso da operação decorre mais do erro de avaliação do investidor e da falta de um estudo mais aprofundado sobre o mercado brasileiro e diferenças regionais.

"O mercado brasileiro do ponto de vista de PIB é grande, mas sob a ótica do PIB per capita não é tão expressivo quanto parece. Quem olha de fora, se não fizer um estado detalhado, pode pensar que para o seu produto existe um gap de consumo que não necessariamente existe", afirma Teixeira.

"A empresa traça uma estratégia para vir para cá, acreditando em alguns casos ter uma proposta que é imbatível, mas não tem conhecimento de como a renda é distribuída dentro do país, não consegue entender a cultura e as diferenças entre as regiões", acrescenta.

Relembre empresas que anunciaram saída do Brasil
Veja abaixo companhias que deixaram o país ou que anunciaram o encerramento de operações no Brasil de 2017 para cá.

Roche
Sede da farmacêutica Roche na Suiça — Foto: ReutersSede da farmacêutica Roche na Suiça — Foto: Reuters

O grupo farmacêutico suíço Roche anunciou em março que decidiu encerrar a produção de medicamentos no Brasil em até 5 anos, citando nova estratégia global de "concentrar os esforços em produtos inovadores de alta complexidade e baixo volume de produção".

Eli Lilly
A farmacêutica americana Eli Lilly anunciou em dezembro do ano passado a decisão de fechar sua única fábrica no Brasil e concentrar a produção de medicamentos sólidos em Porto Rico.

Ford Caminhões
Fábrica da Ford em São Bernardo — Foto: DivulgaçãoFábrica da Ford em São Bernardo — Foto: Divulgação

A Ford anunciou em fevereiro que fechará sua fábrica de São Bernardo do Campo (SP) e a saída da marca do mercado de caminhões na América do Sul, argumentando que a continuidade das operações no continente demandaria um grande volume de investimentos que não resultariam em "um negócio lucrativo e sustentável".

Glovo
A startup espanhola de entregas de encomendas Glovo anunciou em março o encerramento das operações no Brasil, após 12 meses no país. Ao justificar a decisão, a empresa informou ter percebido que o Brasil é um mercado extremamente competitivo e que, para obter o sucesso planejado originalmente, precisaria de mais investimento e tempo para penetrar, liderar e alcançar rentabilidade.

RR Donnelley
Fábrica da RR Donnelley em Tamboré, no Barueri (SP) — Foto: RR Donnelley/DivulgaçãoFábrica da RR Donnelley em Tamboré, no Barueri (SP) — Foto: RR Donnelley/Divulgação

A gráfica multinacional RR Donnelley, que era desde 2009 responsável pela impressão das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), entrou em processo de falência e anunciou em abril o encerramento da operação no Brasil, culpando "atuais condições de mercado na indústria gráfica e editorial tradicional, que estão difíceis em toda parte, mas especialmente no Brasil".

Kiehl's
A marca americana de cosméticos Kiehl's, que desembarcou por aqui em 2008, anunciou no final do ano passado a decisão de fechar suas lojas e, em março, encerrou suas atividades do Brasil.

Lush Cosmetics
Lush - Shopping Morumbi — Foto: Celso Tavares/G1Lush - Shopping Morumbi — Foto: Celso Tavares/G1

A marca britânica de cosméticos feitos à mão Lush anunciou em meados do ano passado o fechamento de suas lojas e fábrica no Brasil, dizendo não ter conseguido obter lucro nos últimos quatro anos em que operou no país.

Nikon
Em setembro de 2018, a fabricante japonesa de câmeras fotográficas Nikon encerrou todas as suas atividades no Brasil. A filial brasileira tinha sido aberta em 2011 como a primeira unidade da multinacional na América do Sul, de olho em oportunidades de expansão dos negócios após a escolha do Brasil como sede de eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Häagen-Dazs
Foto de divulgação da marca de sorvetes Häagen-Dazs — Foto: Reprodução/InstagramFoto de divulgação da marca de sorvetes Häagen-Dazs — Foto: Reprodução/Instagram

A marca de sorvetes premium controlada pela americana General Mills encerrou em junho de 2018 as operações dos 8 pontos de venda próprios que mantinha no Brasil, informando que decidiu focar seus investimentos na distribuição dos sorvetes por meio dos canais de varejo e foodservice.

Walmart
Em junho de 2018, o Walmart vendeu participação de 80% nas operações brasileiras para a empresa de private equity Advent Internacional, citando buscar garantir "melhor oportunidade de crescimento de longo prazo" no negócio.

Fnac
Loja da Fnac em São Paulo — Foto: Google Street ViewLoja da Fnac em São Paulo — Foto: Google Street View

Em julho de 2017, a francesa Fnac vendeu as 12 lojas que tinha no Brasil para a Livraria Cultura, após a recessão brasileira agravar ainda mais os resultados da operação, cujo modelo de negócio já enfrentava uma crise estrutural em razão dos novos hábitos de consumo de livros, música e filmes, em meio ao avanço tecnológico e do comércio eletrônico.

Brasil Kirin
Em fevereiro de 2017, o grupo japonês Kirin Holdings anunciou a venda da operação para a Heineken e a saída do país, após menos de 6 anos da sua chegada e entrada no mercado brasileiro através da aquisição da Schincariol. Em meio a prejuízos e dificuldades de logística e distribuição, a Brasil Kirin avaliou que os riscos associados com a economia brasileira e a competitiva indústria cervejeira do país limitavam a possibilidade de transformar a operação em um negócio "rentável e sustentável no longo prazo".

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domingo, 26 de maio de 2019

Alguma coisa acertou a Via Láctea e não sabemos o que foi

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Blog do Cássio Barbosa - G1.com 

Postado em 26 de maio de 2019 às 19h00m 
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Satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) que está mapeando a Via Láctea — Foto: Divulgação/ESASatélite da Agência Espacial Europeia (ESA) que está mapeando a Via Láctea — Foto: Divulgação/ESA

Lembra do projeto Gaia? Aquele satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) que está mapeando a Via Láctea inteira? O satélite, além de medir a posição de mais de 1 bilhão de estrelas, ainda está determinando a velocidade de quase 100 mil delas. Com a combinação das duas informações é possível estabelecer a distância até elas com extrema precisão. No fim das contas, o Gaia está produzindo o mais preciso e completo mapa da Via Láctea.

Com isso, as estruturas já conhecidas, como o espalhamento de estrelas nas proximidades do Sol, estão revelando detalhes importantes que ajudam a explicar a morfologia da nossa galáxia. Mas o mapeamento está revelando também novas estruturas, como a deformação nas regiões exteriores. Essas novas estruturas só fazem aumentar a lista de perguntas ainda não respondidas. A última descoberta é ainda mais intrigante.

A nossa galáxia possui alguns conjuntos de estrelas enfileiradas formando longas linhas. Essas filas de estrelas são originárias da destruição de aglomerados globulares que atravessam a nossa galáxia. Fazendo esses mergulhos perigosos, a gravidade da Via Láctea vai produzindo forças de marés, fazendo com que as estrelas sejam arrancadas do aglomerado e, como resultado da combinação das forças envolvidas, elas se alinham.

Recentemente, Ana Bonaca, uma astrônoma envolvida com a missão Gaia, mostrou em uma conferência que a maior dessas fileiras de estrelas, chamada GD-1, tem uma interrupção. Sim, tem um buraco, como se alguma coisa a tivesse atravessado!

Para ser mais preciso, o esperado era que a linha tivesse de fato uma interrupção, exatamente no local onde o aglomerado se rompeu. Nesse ponto, forma-se uma linha para cada lado e as estrelas seguem em fila, uma na direção oposta da outra. O que Bonaca apresentou nessa conferência foi que além desse buraco progenitor, a linha de GD-1 tem um outro, formando um vazio bem no meio da linha.
Imagem de linha GD-1 — Foto: Ana Bonaca/GaiaImagem de linha GD-1 — Foto: Ana Bonaca/Gaia

Mais ainda, o furo nessa linha tem em suas bordas muitas estrelas espalhadas ("spur" na figura), fruto da interação com o objeto que a atravessou. Mas, o que pode ter sido?

Para causar o estrago que Bonaca e seus colaboradores encontraram, o objeto precisaria ter muita massa. Mas, em princípio, massa está associada a luminosidade, mesmo que seja em comprimentos de onda que não enxergamos como rádio, raios-X ou infravermelho. Então, deveria ser um bicho grande e brilhante, mas cadê? Nada foi encontrado.

Pior, a massa estimada para gerar o estrago observado gira em torno de alguns milhões de massas solares. Nenhuma estrela tem tudo isso. Na verdade, essa é a escala de massa de buracos negros supermassivos, daqueles que habitam o centro das galáxias. No centro da Via Láctea tem um de cerca de 4 milhões de massas solares e o buraco negro no centro de M87, que teve imagem e tudo, tem da ordem de bilhões de massas solares.
Pela primeira vez, telescópios conseguiram captar a imagem de um buraco negro, no centro da galáxia M87 — Foto: ReproduçãoPela primeira vez, telescópios conseguiram captar a imagem de um buraco negro, no centro da galáxia M87 — Foto: Reprodução

Mas o problema é outro, a ideia corrente é que uma galáxia possua apenas um buraco negro supermassivo. Colegas meus na USP até encontraram casos em que poderia haver dois buracos negros supermassivos na mesma galáxia, mas ambos estariam no centro dela, como resultado da colisão entre duas galáxias muito tempo atrás.

Teria, então, um outro buraco negro atravessando nossa galáxia? Difícil dizer.
Bonaca e colaboradores ainda admitem a hipótese de que o agente do impacto esteja dentro da Via Láctea, mas escondido por trás de nuvens de poeira, ou confundido com estrelas da nossa galáxia. A equipe já observou GD-1 com outros telescópios para medir a velocidade das estrelas para, de fato, identificar aquelas que fazem parte da fila, separando aquelas que parecem estar nela, mas, na verdade, é apenas um efeito de projeção.

Outra possibilidade, ainda mais esquisita, é que a nossa galáxia teria sido atravessada por um, digamos, pedaço de matéria escura. Isso seria muito estranho no sentido que não se espera que a matéria escura se aglomere e se concentre em regiões do espaço, como uma nuvem, por exemplo. Pelo contrário, imagina-se que ela esteja dispersa, formando verdadeiros halos ao redor das galáxias.

Dentre as soluções menos especulativas estão galáxias anãs e aglomerados globulares. São categorias de objetos diferentes, com escalas de massa e tamanho diferentes, mas que poderiam produzir estragos semelhantes a depender da sua velocidade. Objetos menos massivos, como os aglomerados, mas viajando a alta velocidade, produzem o mesmo efeito dinâmico que galáxias anãs, com mais massa, mas que tenham velocidades mais baixas.

O trabalho da Ana ainda não foi publicado em uma revista arbitrada, ou seja, ainda não passou pela revisão de seus pares, mas a palestra dela teve boa aceitação e ela sobreviveu. Agora é juntar mais evidências para saber onde procurar o agente do impacto.

Ela especula que o evento foi recente, na casa de dezenas de milhões de anos, mas como ainda não dá para dizer se ele vinha rápido ou devagar, não dá para dizer até onde ele deve ter entrado na Via Láctea.

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