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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Queijo Parmigiano Reggiano: Conheça o alimento 'perfeito' produzido há séculos na Itália

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O Parmigiano Reggiano compete em pé de igualdade com quase qualquer alimento em cálcio, aminoácidos, proteínas e vitamina A e é prescrito por médicos para curar doenças.

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Por BBC 

Postado em 23 de fevereiro de 2019 às 19h00m  


giano Reggiano é considerado por muitos cozinheiros e nutricionistas como o alimento praticamente perfeito — Foto: Amanda Rugger/BBCParmigiano Reggiano é considerado por muitos cozinheiros e nutricionistas como o alimento praticamente perfeito — Foto: Amanda Rugger/BBC

É um enigma culinário: qual é o alimento feito de apenas três ingredientes e processado por "trabalhadores invisíveis", que pode ser ingerido como aperitivo, condimento ou sobremesa e que é prescrito pelos médicos para curar doenças?

Precisa de uma dica? É também um produto lácteo... que pode ser ingerido por quem sofre de intolerância à lactose.

A resposta: o Parmigiano Reggiano.
Muito mais do que uma maneira extravagante de dizer "parmesão", o Parmigiano Reggiano é um queijo que só pode ser feito com ingredientes extremamente precisos, em um processo extraordinariamente particular, em uma área geográfica de 10 mil km² tão cuidadosamente definida que você pode fazer Parmigiano de um lado da pequena cidade de Bolonha, mas não do outro.

O resultado de todo esse trabalho e dessas regras é - como muitos cozinheiros, nutricionistas e italianos dirão - uma comida praticamente perfeita.

O gosto do Parmigiano é salgado, mas doce, herbal, mas amendoado, intenso, mas rico. Sua textura é dura, mas granulada, com cristais brancos.

Ele ainda evolui conforme "envelhece": um queijo de dois anos cheira a frutas frescas e tem um gosto muito doce, enquanto um de três anos lembra passas e noz-moscada, tem um sabor mais salgado e complexo e desmorona mais facilmente na palma da mão.

E há a questão nutricional, resultado não apenas de seus ingredientes, mas também do processo de envelhecimento. O Parmigiano pode competir com quase qualquer alimento em níveis de cálcio, aminoácidos, proteínas e vitamina A.

"Ele tem mil benefícios, até mesmo para a saúde", garante a chef Anna Maria Barbieri. "É, digamos, uma panaceia. Algo que dá saúde a tudo o que toca."
Devido à natureza precisa do processo de fabricação, o autêntico Parmigiano Reggiano tem um alto preço — Foto: Amanda Rugger/BBCDevido à natureza precisa do processo de fabricação, o autêntico Parmigiano Reggiano tem um alto preço — Foto: Amanda Rugger/BBC

E assim espero, porque me farto de queijo até sentir que vou explodir no restaurante Antica Moka, de Barbieri, estrelado pelo Guia Michelin, no coração da região de Parmigiano, em Modena.

Eu me delicio com uma pequena xícara de sopa de farro regada a crema di parmigiana (creme de parmesão) acompanhada de pão Parmigiano. E depois há Parmigiano mais duas vezes como primo (prato principal): tortellini com molho Parmigiano, regado com vinagre balsâmico de Modena, e uma tigela de Parmigiano frito.

"Às vezes as pessoas me dizem: 'Mas Parmigiano, você coloca em tudo!'", disse Barbieri com uma risada. "É minha fraqueza. Eu realmente coloco em tudo."

Como tantos outros na área de produção, Barbieri cresceu com o Parmigiano. Ela lembra de fazendeiros trazendo leite para a fábrica de queijos da família. Quando menina, ela acompanhava seu avô, um dos primeiros membros do Consórcio Parmigiano Reggiano, uma associação de produtores fundada em 1934, em suas idas às fábricas para verificar a qualidade de cada roda de queijo e dar-lhes (ou não) o selo de aprovação.

"Para nós da Emilia-Romagna, o Parmigiano é o nosso 'pão de cada dia'", afirma. "Isso nos acompanha ao longo de nossas vidas".
Na Itália, particularmente nesta parte, o Parmigiano não é mero luxo. É um direito adquirido no nascimento. É ralado sobre inúmeras tigelas de sopa e pratos de massa. No aperitivo com os amigos, é tão crucial quanto um copo de vinho. Nos casamentos, é tão abundante quanto os desejos de felicidade.

Uma amiga de Turim me contou que, quando veio ao Reino Unido estudar, trouxe três itens de primeira necessidade na mala: azeite de oliva, tomate passata e Parmigiano Reggiano. Quando encontrei uma amiga romana em visita a Londres, sorri ao ver uma fatia de Parmigiano no balcão da cozinha de seu apartamento alugado. Na minha casa com meu marido italiano, nossa geladeira está sempre cheia de leite, ovos - e Parmigiano.

Os devotos de Parmigiano vêm de longa data.
O poeta do século 14, Boccaccio, serviu a seus convidados a massa maccheroni em uma montanha de queijo. O pintor Cristoforo Munari, do século 17, colocou Parmigiano no centro de suas cenas de cozinha. O papa enviou cem rodas de presente ao rei Henrique 8º, da Inglaterra.
O dramaturgo francês Molière pediu Parmigiano em seu leito de morte. Quando o Grande Incêndio de Londres chegou à casa de Samuel Pepys em 1666, o escritor enterrou uma roda de queijo para protegê-la.

Poucos desses fãs reconheceriam o que é vendido hoje. Os flocos brancos em latas verdes com os quais muitos europeus cresceram não são de parmesão, nem de perto. Dentro da União Europeia, tanto o Parmigiano Reggiano quanto sua versão de "parmesão" são termos protegidos pela denominação de origem protegida (DOP) desde 1996.

Nos EUA, a lei protege apenas o nome "Parmigiano Reggiano". Pior, muito do que se aplica ao queijo ralado nos EUA não é queijo. Testes da Bloomberg News descobriram que algumas versões incluíam até 9% de celulose de madeira. O Parmigiano Reggiano obviamente não tem esse ingrediente - ou quaisquer aditivos ou conservantes.

A União Europeia tem reivindicado em países do Mercosul, entre eles o Brasil, o registro do termo "parmesão". Com isso, o queijo equivalente brasileiro precisaria mudar de nome. Mas o governo brasileiro vem resistindo à mudança. No final de 2018, o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) publicou uma instrução normativa (095/2018) favorecendo a indústria brasileira.

Tradição familiar
Na sede do Consórcio Parmigiano Reggiano, na cidade de Reggio Emilia, o presidente Nicola Bertinelli, cuja família faz o queijo em sua fazenda desde 1895, pediu que eu adivinhasse: a cada dez rodas de queijo Parmigiano-Reggiano vendidas no mundo, quantas são reais?
"Uma?", disse, imaginando que tivesse exagerado.

"Exatamente. Uma", concordou.
Afinal, há muito dinheiro envolvido no Parmigiano. Quando a rede de supermercado norte-americana Costco vendeu rodas por US$ 900, isso virou manchete - até porque era uma barganha.

A razão pela qual o Parmigiano é tão caro está em sua precisão.
Existem apenas três ingredientes: leite, sal e renina - uma mistura de enzimas que coalha o leite. O leite vem de quatro raças de vacas - as mais famosas são a vacche rosse, uma raça rara de vacas vermelhas que somam apenas três mil no total, ou 0,01% de todas as vacas leiteiras só da UE.

Mas é mais que isso. "O segredo deste queijo não é apenas o tipo de vaca que produz o leite, mas sim o que os animais comem", disse Luca Caramaschi, dono da Caseificio San Bernardino, fábrica que produz o queijo.

Bertinelli descreve as regras. A área de produção é exclusivamente a das províncias de Parma, Modena, Reggio Emilia, Mântua (a leste do rio Pó) e Bolonha (a oeste do rio Reno).

Pelo menos 50% do alimento seco das vacas deve ser de feno, pelo menos 75% do feno deve ser proveniente da área de produção do Parmigiano e pelo menos 50% desse feno deve ser produzido na fazenda em que a vaca nasceu e foi criada.

"Por que essa zona é tão precisa? Porque só aqui - natural, histórica e geograficamente - o feno do gado tem três variedades específicas de bactérias: os 'três amigos'", justificou Bertinelli. "Se essas três bactérias estão presentes na produção, elas desencadeiam processos que levam o leite a desenvolver aromas e sabores - e a níveis específicos de acidez, e é por isso que (o queijo) pode ser preservado por tanto tempo".

Sem esses "amigos", nem os melhores queijeiros e vacches rosse seriam capazes de produzir o Parmigiano.

Eu acompanho os "operários invisíveis" em ação na Caseificio Sociale Cooperativo Pongennaro.
Como 85% das fábricas da Parmigiano, esta é uma cooperativa pertencente e administrada por grupos de pequenos agricultores locais. Às 8h, a produção já está em pleno vapor. Metade do leite foi ordenhado das vacas na noite anterior. Durante a noite, a gordura subiu à superfície. E foi desnatado para se produzir manteiga.

O resto do leite foi trazido esta manhã, integral. Ambos são combinados em um caldeirão de cobre. Por isso que o Parmigiano é chamado de semi-grasso - "semi-integral". São necessários 14 litros de leite para fazer 1 kg de Parmigiano - 550 litros para fazer uma roda.

Um dos fabricantes de queijos aquece um caldeirão e acrescenta soro de leite concentrado - cultura rica em boas bactérias que dá início ao processo de fermentação - da produção do dia anterior.

"Agora, uma espécie de batalha acontece: as boas bactérias vão derrotar as bactérias ruins comendo tudo", disse Cristiana Capelli, do consórcio, que me apresenta o local.
"As boas bactérias começam a procurar mais comida e por isso ingerem a lactose do leite. O queijo é limpo e estocado para uma longa fermentação."

Isso explica por que o único conservante usado ou necessário no Parmigiano é o sal. Também explica por que o Parmigiano é seguro mesmo para quem tem intolerância à lactose.
Enquanto observamos, um dos trabalhadores acrescenta ranina para coalhar o leite.

Depois de dois minutos, o queijo começa a se separar. Em nove minutos, está completamente coalhado. O próximo passo é mexê-lo, primeiro devagar e com cuidado, depois mais e mais rápido.

A temperatura sobe para cerca de 45°C. Um queijeiro mergulha a mão no caldeirão. "Observar a temperatura não é suficiente", disse Capelli. "Eles mantêm as mãos dentro porque precisam descobrir como o leite está se comportando. O leite é diferente a cada dia, dependendo do ar, da temperatura, de tudo."

A mistura passou de branco cremoso para amarelo manteiga; os grânulos parecem pudim de arroz. O produtor de queijo os aperta para testar se ele está pronto. Está na hora. O calor é desligado e a mistura é deixada em repouso por uma hora. O líquido, que pesa dez vezes mais que os grânulos, expele tanto o ar quanto as bactérias ruins.

Então vem o momento que estamos esperando. No fundo de cada caldeirão, a 2,1 metros de profundidade, um bloco de 100kg se forma. Os homens o empurram com uma pá e o cortam ao meio: duas rodas de 50kg do que se parece a um arroz "papado".

Os próximos passos são como se o queijo fosse a um spa. Na sala di riposo (ou "sala de repouso"), ele perde peso: colocado em um molde, a roda repousa sob um peso para liberar o excesso de água. Ele recebe o selo de origem, com a data, a fábrica e o rótulo DOP.

Em seguida, vai para a piscina: cada queijo é mergulhado em um banho de água composto de 33% de sal. Pela osmose, o queijo perde gordura e soro. Após 20 dias de salga, quando o sal penetra a 3 cm ou 4 cm de profundidade, ele é colocado para secar ao sol.
Só então, finalmente, o queijo entra na sala de envelhecimento.

Aqui, nos próximos dois ou três anos, ou até 20, como no caso de uma roda que Caramaschi me mostra no Caseificio San Bernardino, a mágica acontece. O sal penetra no núcleo do queijo. As bactérias continuam trabalhando. O queijo se transforma de um bloco de leite, gordura e sal para outra coisa completamente diferente: o Parmigiano.

"Com o tempo, todos os aromas e sabores que existem no território são concentrados", disse Caramaschi. "É muito parecido com o que acontece com o vinho".

Em um ano, provadores profissionais do consórcio verificam cada roda, batendo nela com uma ferramenta semelhante a um martelo e analisando possíveis inconsistências, como rachaduras ou buracos.

Se aprovada, receberá uma marca final de qualidade. Caso contrário, é considerado um queijo de segunda qualidade, que deve ser rotulado como mezzano - qualidade média - e não pode ser mais envelhecido. Ou, se não tiver mais esperança, a casca e seus selos são raspados completamente, apagando para sempre qualquer associação com o Parmigiano.

Cerca de 8% de todas as rodas produzidas na região atendem a um desses destinos "menores". O restante é exportado para toda a Itália e ao redor do mundo.

'Suplemento nutricional'
Um pouco mais tarde, me vejo em uma capela de 800 anos de na propriedade de Caramaschi. Uma pintura acima de mim mostra o arcanjo Gabriel carregando uma bandeira - nada fora do comum, exceto pelo que está representado nela: San Lucio, o santo padroeiro dos queijeiros, mexendo uma leiteira de cobre sobre o fogo para fazer Parmigiano.

"Foi aqui que me casei há 30 anos, onde meus filhos se casaram, onde meu sobrinho e meus filhos foram batizados e onde meu pai descansa", disse Caramaschi. "Tornou-se a igreja da família."

Antes que o tataravô de Caramaschi começasse a fazer Parmigiano aqui em 1700, essa era uma pequena aldeia onde havia uma fazenda de gado leiteiro. A igreja não é coincidência. O Parmigiano foi feito pela primeira vez sob a orientação de monges beneditinos, cerca de um milênio atrás.

Sem saber o que eram bactérias na época, a fabricação de queijos deve ter parecido mística, até mesmo milagrosa, aos primeiros praticantes. Assim também os benefícios para a saúde da comida.

Tradicionalmente, as mães davam casca de Parmigiano aos seus bebês no período de dentição. Ainda hoje, ele é prescrito na Itália para os velhos, os jovens, os doentes. 

Como as boas bactérias devoram a lactose do queijo, o parmigiano de 26 meses é seguro para quem tem intolerância à lactose. Graças a essa quebra de ligações, também é mais fácil de digerir, suas proteínas e nutrientes são mais fáceis de absorver.

"As proteínas da carne precisam ser divididas em aminoácidos, o que leva quatro horas no caso da carne bovina", explicou Bertinelli.
"Mas graças ao processo natural do Parmigiano, eles já estão quebrados, então isso leva apenas 45 minutos."

Isso significa que o Parmigiano é ideal para aqueles que precisam de uma infusão imediata de proteínas, como atletas. Parmigiano também tem nove aminoácidos livres, o tipo facilmente absorvido pelo corpo - um deles, a tirosina, aparece nos cristais brancos que desenvolvem o sabor umami.

Depois, existem os nutrientes. Uma onça (28 g) de Parmigiano tem 9 g de proteína, 2 g a mais que a carne bovina; e 321 mg de cálcio, quase dez vezes mais que o leite. Tem ainda 12 mg de magnésio (mais que salmão), 28 mg de potássio (cerca de um terço da banana) e 0,12 mg de vitamina A (quase a mesma quantidade da cenoura crua). Há também zinco e ferro, cobre e manganês, biotina e vitamina B6.

"O Parmigiano é um verdadeiro suplemento nutricional, capaz de fornecer uma grande quantidade de vitaminas e proteínas em poucos gramas", explicou a nutricionista Valentina Fratoni, de Florença. Ela o recomenda a crianças, levantadores de peso e gestantes.

"Até mesmo as mulheres grávidas deveriam comer Parmigiano como uma importante fonte de cálcio para a saúde de seus ossos e para a formação do esqueleto do feto", disse Fratoni. "Embora o Parmigiano seja feito com leite cru, portanto não pasteurizado, seu longo período de maturação, pelo menos 12 meses, evita qualquer perigo".

Termino minha exploração do Parmigiano onde comecei: comendo. Estou de volta a Londres, longe das vacas de pelo vermelho brilhante, caldeirões de cobre e igrejas de 800 anos do país do Parmigiano. Quando pego uma cunha, lembro o que Barbieri disse.

"Aos 24 meses, gosto de comê-lo como ele é", ela me disse. "Com pão quente saindo do forno. Ou mesmo sem nada - então você pode realmente sentir seu sabor, é tão delicioso que você vai querer saboreá-lo de olhos fechados."

O Parmigiano é um alimento perfeito? Não tenho certeza. Mas agora, descalça em uma fria noite de Londres, sinto o gosto das coisas que eu amo na Itália: sua bela paisagem rural e paixões culinárias, antigas tradições e pequenos milagres. E para mim, isso é o suficiente.

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O que pode provocar o fim do mundo como conhecemos?

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Engana-se quem pensa que asteroides e vulcões são as principais ameaças à vida na Terra.

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Por BBC 

Postado em 22 de fevereiro de 2019 às 23h00m 


A extinção da raça humana pode ser um tipo de pesadelo, mas há muitas maneiras pelas quais isso pode acontecer.

A cultura popular tende a se concentrar apenas nas hipóteses mais espetaculares: basta lembrar do asteroide no filme Armageddon ou da invasão alienígena em Independence Day.

Embora seja possível que a humanidade tenha um fim dramático, focar em tais cenários pode significar ignorar ameaças mais sérias que enfrentamos no mundo de hoje.
E pode ser que a gente consiga fazer algo a respeito.

Ameaças vulcânicas
Em 1815, uma erupção do Monte Tambora, na Indonésia, matou mais de 70 mil pessoas, enquanto lançava cinzas vulcânicas na estratosfera.

Isso reduziu a quantidade de luz solar que chegava à superfície da Terra, desencadeando o que ficou conhecido como o "ano sem verão".
Vulcão Etna em atividade na região da Sicília — Foto: Giovanni Isolino/AFPVulcão Etna em atividade na região da Sicília — Foto: Giovanni Isolino/AFP

O Lago Toba, no outro extremo de Sumatra, conta uma história ainda mais sinistra. Ele foi formado pela erupção de grandes proporções de um supervulcão há 75 mil anos, cujo impacto foi sentido em todo o mundo.

Chegou-se a cogitar que o evento tivesse provocado um dramático declínio da população de seres humanos primitivos, mas essa tese foi questionada recentemente.

Mas embora a perspectiva de erupção de um supervulcão seja aterrorizante, não devemos nos preocupar muito. Os supervulcões e outros desastres naturais, como um asteroide atingindo a Terra ou uma estrela explodindo na nossa vizinhança cósmica, tem a mesma probabilidade de acontecer ​​em 2019 do que em qualquer outro ano - e as chances não são altas.

Ameaças crescentes
O mesmo não pode ser dito a respeito de muitas ameaças globais induzidas pela atividade humana.

Por exemplo, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Fórum Econômico Mundial listaram as mudanças climáticas e seus efeitos como um dos principais riscos para o planeta em 2019.

Em conferências conduzidas recentemente pela ONU, pesquisadores chegaram a dizer que a mudança climática já era "uma questão de vida ou morte" para muitas regiões. Enquanto muitos especialistas, incluindo David Attenborough, acreditam que isso poderia levar ao colapso das civilizações e à extinção de "grande parte do mundo natural".

As ameaças são complexas e diversificadas - de ondas mortíferas de calor e aumento do nível do mar até fome generalizada e migrações em grande escala.

Também estão aumentando os riscos potenciais provenientes de novas tecnologias, como a inteligência artificial (IA).

Os cenários vão desde armas cibernéticas cada vez mais sofisticadas que poderiam reter dados de uma nação inteira exigindo pagamento de resgate até algoritmos autônomos que poderiam, inconscientemente, causar uma quebra no mercado de ações.
Outra ameaça é a possibilidade de uma guerra nuclear.
Campanhas de vacinação e outras medidas de prevenção ajudam a reduzir risco de doenças, como a gripe — Foto: DivulgaçãoCampanhas de vacinação e outras medidas de prevenção ajudam a reduzir risco de doenças, como a gripe — Foto: Divulgação

Embora muitos se concentrem nas tensões crescentes entre potências globais, as novas tecnologias também podem colocar em risco nossa segurança.

Isso se deve tanto às linhas cada vez mais tênues entre armas nucleares e convencionais quanto ao risco de que a IA possa ajudar a desencadear uma guerra nuclear.

Outro risco que pode estar aumentando é o das pandemias globais. Acredita-se que o vírus influenza (causador da gripe), por exemplo, mate uma média de 700 mil pessoas e custe à economia global US$ 500 bilhões por ano.

O aumento da densidade demográfica e da mobilidade populacional faz com que novas cepas de influenza se espalhem facilmente. E isso levanta preocupações em relação a um futuro surto como o da Gripe Espanhola de 1918, que matou até 50 milhões de pessoas.
No entanto, campanhas de vacinação e outras medidas de prevenção de doenças ajudam a reduzir esse risco.

Como calcular o risco real
- Analise registros históricos e geológicos. Podemos acompanhar algumas ocorrências, como supervulcões e impactos de asteroides.

- Encontre um precedente natural. Quando os cientistas avaliaram o risco que o reator da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern) poderia representar, eles observaram situações semelhantes que ocorrem nas estrelas.

- Construa um modelo. Os cientistas usam modelos atmosféricos sofisticados para explorar o futuro do nosso clima.

- Para ameaças que não podem ser modeladas, os cientistas geram insights a partir de jogos de estratégia e outros exercícios.

- O governo do Reino Unido também mantém um registro de riscos nacionais, incluindo enchentes, meteorologia espacial e doenças.

Um futuro perturbador
Embora essas ameaças sejam reais, o maior perigo que enfrentamos em 2019, quando analisamos sob uma perspectiva global, provavelmente está em outro lugar.

Com quase oito bilhões de pessoas vivendo na Terra, somos cada vez mais dependentes de sistemas globais para nos sustentar. Eles incluem desde o meio ambiente, que nos fornece alimentos, água, ar limpo e energia, até a economia global, que transforma tudo isso em bens e serviços.

Todavia, a redução nos níveis de biodiversidade e as sobrecarregadas redes de infraestrutura e cadeias de suprimentos mostram que muitos desses sistemas já estão estressados a ponto de romper. E a acelerada mudança climática só está piorando as coisas.

Diante disso, pode ser que os riscos globais não devam ser determinados pelo tamanho do desastre que os causou, mas pelo potencial de afetar esses sistemas vitais.
Exemplos recentes sugerem o potencial dos efeitos em cascata.

A erupção de 2010 do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia, não matou ninguém, mas fechou o tráfego aéreo na Europa durante seis dias. E, em 2017, o ataque cibernético mundial WannaCry - relativamente pouco sofisticado - bloqueou a operação de parte do sistema de saúde público britânico (NHS, na sigla em inglês) e de outras instituições em todo o mundo.

Como quase tudo de que dependemos também deriva de um sistema elétrico, computacional e de internet operante, qualquer coisa que possa danificá-lo - de uma erupção solar a uma explosão nuclear na atmosfera - pode causar estragos generalizados.

Prevenção de desastres
Pode haver, no entanto, novas maneiras de reduzir esse risco.
Há uma história antiga que conta como o rei Canuto, da Dinamarca, ordenou o mar a recuar. Ele sabia que seria incapaz de conter a maré e uma sensação semelhante de impotência pode facilmente tomar conta de nós quando consideramos possíveis catástrofes no futuro.

Mas a verdade é que os dinamarqueses têm contido seu litoral por gerações: construindo diques e drenando pântanos para se protegerem da maré que se aproxima.

Às vezes é melhor nos protegermos pensando em maneiras de tornar a humanidade mais resiliente aos desastres que estão por vir.
E esse poderia ser o melhor caminho de garantir que 2019 - e os anos seguintes - sejam seguros para a humanidade.

Sobre este artigo
Esta análise foi encomendada pela BBC a especialistas que trabalham para uma organização externa.

Simon Beard e Lauren Holt são pesquisadores associados do Centro de Estudos de Risco Existencial (CSER, na sigla em inglês).

O CSER, baseado na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, estuda a mitigação de riscos que poderiam levar à extinção humana ou ao colapso da civilização.
Editado por Duncan Walker.

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    Exploradores encontram maior abelha viva do mundo:

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    Espécie gigante, que estava há décadas desaparecida, foi redescoberta em ilha da Indonésia.

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    Por BBC 

    Postado em 22 de fevereiro de 2019 às 18h30m 



    Expedição em ilha da Indonésia encontrou um único exemplar da abelha gigante de Wallace — Foto: Clay BoltExpedição em ilha da Indonésia encontrou um único exemplar da abelha gigante de Wallace — Foto: Clay Bolt

    A maior abelha do mundo foi redescoberta por um grupo de cientistas após décadas desaparecida.

    O inseto gigante - que chega a medir 6 cm, o tamanho do polegar de um adulto - foi encontrado em uma ilha pouco explorada da Indonésia, no arquipélago das Molucas do Norte.

    Após dias de busca, especialistas em vida selvagem acharam uma única fêmea viva da espécie, que foi fotografada e filmada.
    Conhecida como a abelha-gigante-de-wallace (Megachile pluto), a espécie recebeu o nome do naturalista e explorador britânico Alfred Russel Wallace, que descobriu a espécie em 1858.

    Wallace, que desenvolveu a teoria da evolução em parceria com Charles Darwin, descreveu a abelha como "um inseto grande parecido com uma vespa preta, com mandíbulas imensas como um escaravelho".
    Eli Wyman com uma das poucas amostras da abelha gigante de Wallace conhecidas — Foto: Clay BoltEli Wyman com uma das poucas amostras da abelha gigante de Wallace conhecidas — Foto: Clay Bolt

    A espécie tinha sido vista pela última vez na natureza em 1981.
    Em janeiro deste ano, a equipe seguiu os passos de Wallace em uma expedição pela Indonésia, na tentativa de encontrar e fotografar a espécie.

    "Foi de tirar o fôlego ver esse 'buldogue voador', um inseto que não tínhamos mais certeza que existia, ter a prova real bem ali na nossa frente", contou Clay Bolt, fotógrafo especializado em história natural que fez os registros da espécie.

    "Ver de fato o quão bonita e grande a espécie é na natureza, ouvir o som das suas asas gigantes batendo ao passar pela minha cabeça, foi simplesmente incrível."

    Como vive a abelha gigante
    A fêmea faz seu ninho em cupinzeiros, usando a enorme mandíbula para coletar resina das árvores e forrar o ninho, protegendo assim da invasão dos cupins.

    A espécie depende de florestas de mata virgem de baixa altitude para encontrar resina e ninhos de cupins nas árvores.

    A descoberta reacende a esperança de que as florestas da região ainda abriguem um dos insetos mais raros e mais procurados do mundo.

    Integrante da expedição, o especialista em abelhas Eli Wyman, entomologista da Universidade de Princeton, nos EUA, espera que a descoberta estimule a realização de pesquisas sobre o ciclo de vida da espécie e sirva de base para futuros esforços para protegê-la da extinção.

    A organização ambiental Global Wildlife Conservation (GWC), que lançou uma caçada mundial por "espécies desaparecidas", apoiou a expedição.

    "Ao transformar a abelha em um símbolo mundialmente conhecido para a conservação, estamos confiantes de que a espécie tenha um futuro melhor do que se simplesmente a deixássemos cair no esquecimento", afirmou Robin Moore, que atua na GWC.

    No mês passado, o grupo anunciou que havia encontrado, na Bolívia, os primeiros sapos-aquáticos-de-sehuencas (Telmatobius yuracare) vistos na natureza em uma década.
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