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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Pela primeira vez na história, sonda chinesa pousa no lado oculto da Lua

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China conquista um feito histórico e se coloca em destaque na corrida espacial.
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Por G1 

Postado em 02 de janeiro de 2019 às 23h55m 
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Imagem mostra pouso da sonda lunar Chang'e-4 — Foto: Reprodução/TwitterImagem mostra pouso da sonda lunar Chang'e-4 — Foto: Reprodução/Twitter

A nave, que tem um módulo e um 'rover' — veículo de exploração espacial — deve estudar a composição mineral, o terreno, relevo e a manta da superfície lunar, a camada abaixo da superfície. Também deve realizar observações astronômicas por meio de baixas frequências de rádio, a chamada radioastronomia.

"O lado oculto da Lua é um raro lugar calmo, que está livre da interferência de sinais de rádio vindos da Terra", afirmou o porta-voz da missão, Yu Gobin, segundo a agência de notícias estatal Xinhua News. "Essa sonda pode preencher o vazio de observação de baixa frequência na radioastronomia, e irá fornecer informações importantes para estudar a origem das estrelas e da evolução da nébula [solar]".
Primeira imagem do lado oculto da Lua feita pela sonda. — Foto: Administração Nacional Espacial da China/Xinhua News Agency via APPrimeira imagem do lado oculto da Lua feita pela sonda. — Foto: Administração Nacional Espacial da China/Xinhua News Agency via AP

A alunagem [aterrissagem na superfície lunar], realizada às 0h26 (horário de Brasília), "abriu um novo capítulo na exploração humana da Lua", afirmou a agência espacial chinesa. O local exato do pouso foi a cratera Von Karman, no polo sul lunar, que tem 186 quilômetros de diâmetro e 13 quilômetros de profundidade.

Segundo a AP, cientistas chineses acreditam que pousar nessa cratera possibilitaria coletar novas informações sobre a manta da Lua.
Simulação do pouso da Chang'e 4, visto pelo monitor do Centro de Controle do Espaço em Pequim. — Foto: Jin Liwang/Xinhua News via APSimulação do pouso da Chang'e 4, visto pelo monitor do Centro de Controle do Espaço em Pequim. — Foto: Jin Liwang/Xinhua News via AP

O lado oculto da Lua é relativamente pouco explorado e tem uma composição diferente daquela do lado "próximo", que pode ser visto da Terra, e onde outras naves já pousaram.

Países como a antiga União Soviética, os Estados Unidos e até mesmo a própria China já haviam realizado missões desse tipo.
Imagem feita pela Chang'e 4 durante a chegada à Lua. — Foto: China National Space Administration/Xinhua News Agency via APImagem feita pela Chang'e 4 durante a chegada à Lua. — Foto: China National Space Administration/Xinhua News Agency via AP

De acordo com a Nasa, a agência espacial americana, essa parte do satélite foi observada pela primeira vez em 1959, quando a nave soviética Luna 3 enviou as primeiras imagens. Em 1962, os Estados Unidos tentaram enviar uma missão não tripulada ao lado oculto da Lua, que não deu certo, segundo a EFE.

China no espaço

Foguete Long March-3B, que carrega a sonda lunar Chang'e 4, decola do Centro de Lançamento de Satélites Xichang em dezembro de 2018 — Foto: ReutersFoguete Long March-3B, que carrega a sonda lunar Chang'e 4, decola do Centro de Lançamento de Satélites Xichang em dezembro de 2018 — Foto: Reuters

Uma sonda espacial chinesa pousou, nesta quinta-feira (3), no lado oculto da Lua, de acordo com a Agência Estatal de Notícias Chinesa. É a primeira vez na história que este pouso é realizado, segundo a Administração Espacial Nacional da China (ANEC).

A ANEC, citada pela agência oficial de notícias Xinhua, detalhou que o pouso da Chang’e 4 na lua aconteceu às 10h26 (horário da China, 0h26 de Brasília) na área planejada: a bacia de Aitken, no polo sul do satélite da Terra.

Objetivo
A missão realizará tarefas de observação astronômica de rádio de baixa frequência, análise de terreno e relevo, detecção de composição mineral e estrutura da superfície lunar pouca profunda e medição da radiação de nêutrons e átomos neutros para estudar o meio ambiente no lado oculto da Lua, segundo a EFE.

O objetivo final do programa Chang'e, que começou com o lançamento de uma primeira sonda orbital em 2007, é uma missão tripulada à Lua a longo prazo, mas sem uma data ainda definida de término.

A sonda, que inclui um módulo e um rover, foi lançada no dia 8 de dezembro do ano passado pelo foguete Longa Marcha 3B, a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, na província de Sichuan.

Quatro dias mais tarde, a Chang'e 4 entrou na órbita lunar. As comunicações entre a sonda e a Terra são possíveis graças a um satélite, Queqiao, posto em órbita em maio do ano passado e que funciona como um transmissor "espelho" de informações entre os centros de controle na Terra e Chang'e 4.
Sonda chinesa pousa com sucesso no lado oculto da lua
Sonda chinesa pousa com sucesso no lado oculto da lua

Marco na história
O jornal estatal Global Times chamou a chegada da Chang'e 4 ao lado oculto da Lua de "grande marco na exploração espacial".

Programas espaciais pioneiros como o soviético ou o americano já conseguiram fotografar o lado oculto da Lua há mais de meio século, mas nunca chegaram até lá, embora em 1962, uma missão não tripulada dos Estados Unidos tentou, mas sem sucesso, informou a EFE.
Foguete Long March-3B, que carrega a sonda lunar Chang'e 4, decola do Centro de Lançamento de Satélites Xichang em dezembro de 2018 — Foto: Reuters
A Chang'e 4 foi lançada no dia 8 de dezembro do ano passado pelo foguete Long March 3B, do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, na província de Sichuan. Quatro dias mais tarde, a sonda entrou na órbita lunar. As comunicações entre a sonda e a Terra são possíveis graças a um satélite, Queqiao, posto em órbita em maio de 2017 e que funciona como um transmissor "espelho" de informações entre os centros de controle na Terra e Chang'e 4.

O objetivo do programa Chang'e, que começou com o lançamento de uma primeira sonda orbital em 2007, é uma missão tripulada à Lua a longo prazo, ainda sem data definida. A primeira missão espacial tripulada da China foi em 2003 — o terceiro país a realizar uma depois de Rússia e Estados Unidos. O país também colocou duas estações espaciais em órbita e planeja lançar um 'rover' em Marte no meio da década de 2020.

Em 2013, a Chang'e 3, a nave predecessora da missão atual, fez o primeiro pouso na Lua desde a Luna 24, lançada pela União Soviética em 1976. Os Estados Unidos são o único país que conseguiu mandar uma pessoa à Lua.

O programa espacial chinês sofreu um revés no ano passado, quando o lançamento do foguete Long March 5 falhou. Por enquanto, a China planeja enviar a sonda Chang'e 5 à Lua no ano que vem e trazê-la de volta à Terra com amostras — algo que não foi feito desde a missão soviética de 1976.

A chegada da Chang'e 4 marca as ambições chinesas de rivalizar com os EUA, a Rússia e a Europa no espaço — e, mais amplamente, de solidifcar a posição da China como um poder regional e global.

"O sonho do espaço é parte do sonho de tornar a China mais forte", afirmou o presidente Xi Jinping já em 2013, pouco depois de chegar ao poder.
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    terça-feira, 1 de janeiro de 2019

    Ultima Thule: sonda da Nasa sobrevoa objeto celeste mais distante já explorado

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    Expectativa é que a New Horizons tenha passado pela Ultima Thule durante a madrugada. Brian May, guitarrista do Queen, participou da transmissão de uma simulação e lançou música especialmente composta para o corpo celeste.
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    Por G1 

    Postado em 01 de janeiro de 2019 às 19h45m 
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    Ilustração mostra como deve se parecer a Ultima Thule — Foto: Nasa/JHAPL/SwRIIlustração mostra como deve se parecer a Ultima Thule — Foto: Nasa/JHAPL/SwRI

    Após passar por Plutão em 2015, a sonda New Horizons, da Nasa, se aproximou na madrugada desta terça (1º) do objeto mais distante já explorado no espaço: a Ultima Thule, uma rocha coberta de gelo que tem 30 quilômetros de diâmetro e está a cerca de 6,5 ​​bilhões de quilômetros da Terra, no cinturão de Kuiper – onde, acredita-se, estejam os corpos celestes remanescentes da formação do Sistema Solar. Teve até música inédita de Brian May, guitarrista do Queen, para comemorar o feito (leia mais abaixo).

    A previsão era de que a New Horizons sobrevoasse o ponto mais próximo da Ultima Thule às 3h33 (de Brasília). No entanto, pela distância do objeto até a Terra, as informações ainda não chegaram à Nasa. A expectativa é de que os primeiros dados sejam recebidos ainda na manhã desta terça.

    Hal Weaver, cientista da missão e pesquisador do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, disse que o corpo celeste diminuto é "provavelmente o objeto mais primitivo já encontrado por uma espaçonave, a melhor relíquia possível do antigo Sistema Solar".

    Réveillon, corpos celestes e 'Queen'
    Durante a noite de réveillon, a equipe responsável pela New Horizons comemorou a possível passagem da sonda pelo corpo celeste. Nas redes sociais, houve transmissão de uma simulação do sobrevoo e fotos de celebração.
    O guitarrista do Queen e astrofísico Brian May participou do evento e lançou uma música especialmente composta para a Ultima Thule.
    A música está disponível no canal oficial do Queen, no YouTube (assista abaixo).

    “Esta missão é sobre a curiosidade humana. A necessidade da humanidade de explorar e ver o que faz o universo funcionar. Minha música é um hino para o esforço humano", escreveu Brian May, guitarrista do Queen e astrofísico, em sua conta no Instagram.
    Por que explorar a Ultima Thule?
    Após a sonda passar por Plutão, a equipe da Nasa queria "aproveitar a viagem" e explorar mais algum objeto que estivesse ao alcance da sonda New Horizons. A Ultima Thule foi o objeto celeste escolhido.

    O objeto despertou interesse nos cientistas da Nasa porque está no cinturão de Kiuper, na "borda" do nosso Sistema Solar, onde se encontram os corpos celestes remanescentes do início da nossa formação. Este cinturão foi descoberto nos anos 1990.

    Para os cientistas, explorar este objeto é como dar uma olhada de volta no tempo. Os cientistas querem saber como esses mundos longínquos surgiram. Uma teoria é que eles foram criados a partir da acumulação de massa de um grande número de grãos do tamanho de uma pedra.

    Catalogado inicialmente como (486958) 2014 MU69, o corpo celeste recebeu o nome de Ultima Thule com base em uma consulta pública promovida pela Nasa. É um termo em latim que significa algo como "um lugar além do mundo conhecido".

    Simulação do sobrevoo

    Simulação do sobrevoo da New Horizons em Ultima Thule
    Simulação do sobrevoo da New Horizons em Ultima Thule

    Ultima Thule: concepção artística mostra o que, por enquanto, os cientistas podem apenas especular sobre a aparência do corpo celeste — Foto: NASA/JHU-APL/SWRIUltima Thule: concepção artística mostra o que, por enquanto, os cientistas podem apenas especular sobre a aparência do corpo celeste — Foto: NASA/JHU-APL/SWRI
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    segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

    Sonda New Horizons, da Nasa: por que o 1º dia do ano promete ser histórico para a exploração espacial

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    Sonda sobrevoará objeto celeste mais distante já explorado – a cerca de 6,5 ​​bilhões de quilômetros da Terra.
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    Por BBC 

    Postado em 31 de dezembro de 2018 às 21h00m 
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    Ultima Thule: concepção artística mostra o que, por enquanto, os cientistas podem apenas especular sobre a aparência do corpo celeste — Foto: NASA/JHU-APL/SWRIUltima Thule: concepção artística mostra o que, por enquanto, os cientistas podem apenas especular sobre a aparência do corpo celeste — Foto: NASA/JHU-APL/SWRI

    O primeiro dia de 2019 promete ser um marco para a exploração espacial. A sonda New Horizons, da Nasa, agência espacial americana, vai passar pelo corpo celeste conhecido como Ultima Thule, nos confins do Sistema Solar.

    O sobrevoo estabelecerá um novo recorde para o objeto celeste mais distante já explorado – a cerca de 6,5 ​​bilhões de quilômetros da Terra.

    A New Horizons deve chegar a cerca de 3,5 mil quilômetros da superfície de Ultima Thule, sendo o momento de maior aproximação previsto para as 3h33 (horário de Brasília) da madrugada desta terça-feira (1º).

    A sonda está programada para capturar fotografias e fazer análises científicas nas horas que antecedem e logo após o esperado "encontro".

    A Ultima Thule tem cerca de 30 quilômetros de diâmetro e está localizada no chamado cinturão de Kuiper – composto principalmente por corpos celestes de gelo, supostamente remanescentes da formação do Sistema Solar –, além da órbita de Netuno. E fica ainda mais longe do que o planeta anão Plutão, por onde a New Horizons passou em julho de 2015.

    Hal Weaver, cientista da missão e pesquisador do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, disse que o corpo celeste diminuto é "provavelmente o objeto mais primitivo já encontrado por uma espaçonave, a melhor relíquia possível do antigo Sistema Solar".

    Por que a New Horizons vai passar por Ultima Thule?
    A Nasa queria explorar algo além de Plutão e esse objeto era alcançável. Curiosamente, só foi descoberto há quatro anos pelo telescópio Hubble.
    Trajetória da New Horizons — Foto: Infográfico: BBCTrajetória da New Horizons — Foto: Infográfico: BBC

    Catalogado inicialmente como (486958) 2014 MU69, o corpo celeste recebeu o nome de Ultima Thule com base em uma consulta pública promovida pela Nasa. É um termo em latim que significa algo como "um lugar além do mundo conhecido".

    Como muitos objetos do cinturão de Kuiper que têm seu tamanho, é provável que seja composto por muito gelo, poeira e talvez alguns fragmentos de rochas maiores, que se juntaram nos primórdios do Sistema Solar.

    Uma teoria sugere que esses corpos têm uma forma alongada ou semelhante a um lóbulo. Imagine uma batata ou amendoim.

    Observações telescópicas distantes sugerem que sua superfície é muito escura, com uma coloração levemente avermelhada. Essa escuridão (que reflete apenas cerca de 10% da luz que bate em sua superfície) se deve ao fato de ter sido "queimada" durante eras por radiação de alta energia – como raios cósmicos e raios-X.

    A New Horizons estudará a forma, a rotação, a composição e o ambiente de Ultima Thule.
    Os cientistas querem saber como esses mundos longínquos surgiram. Uma teoria é que eles foram criados a partir da acumulação de massa de um grande número de grãos do tamanho de uma pedra.

    O que podemos esperar do sobrevoo?
    Se você piscar, pode perder. Ao contrário do encontro com Plutão em julho de 2015, não haverá imagens progressivas da aproximação para serem admiradas. Ultima Thule permanecerá um borrão no visor praticamente até as últimas horas do sobrevoo.

    No entanto, a proximidade entre a sonda e Ultima Thule (3,5 mil km versus 12,5 mil km do planeta anão) significa que detalhes mais refinados da sua superfície poderão ser observados.

    Como a New Horizons precisa girar para apontar sua câmera, ela não consegue manter a antena na mira da Terra enquanto está coletando dados.

    Por isso, os controladores vão precisar esperar até mais tarde para dar o sinal de que a missão foi bem-sucedida e começar a transmissão das imagens – o que deve acontecer por volta de 13h28 (horário de Brasília).
    New Horizon capta imagem de Plutão: expectativa é de que os detalhes em alta resolução da Ultimate Thule sejam ainda melhores porque a sonda estará mais perto do corpo celeste. — Foto: NASA/JHU-APL/SWRINew Horizon capta imagem de Plutão: expectativa é de que os detalhes em alta resolução da Ultimate Thule sejam ainda melhores porque a sonda estará mais perto do corpo celeste. — Foto: NASA/JHU-APL/SWRI

    Qual o tamanho do desafio?
    De certa maneira, esse evento é mais difícil do que a passagem por Plutão.

    O objeto no visor é quase cem vezes menor.
    A New Horizons vai chegar mais perto de Ultima Thule do que de Plutão, o que é bom para o nível de detalhamento das imagens; mas isso significa que se estiver apontando para fora, a sonda pode enviar fotos do espaço vazio.

    E isso é realmente uma grande preocupação. 
    Como a Ultima Thule só foi descoberta há quatro anos, sua posição e movimentação no espaço são muito mais incertas que as coordenadas de Plutão.

    E, lembre-se, tudo isso está sendo realizado a uma distância de 6,5 bilhões de quilômetros da Terra.

    Devido à distância, os sinais de rádio levam seis horas e oito minutos para chegar ao nosso planeta.

    Além disso, as taxas de transferência de dados são de cerca de 1 mil bits por segundo.

    Por isso, na tarde desta terça-feira deverão ser enviadas apenas algumas poucas imagens selecionadas – e apenas em setembro de 2020 será finalizada a transmissão de todos os dados coletados pela New Horizons.

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