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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Os desafios do voo mais longo sem escalas do mundo

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Singapore Airlines (SIA) diz que vai disponibilizar, a partir de outubro, voo sem escalas entre Cingapura e Newark, em Nova Jersey (EUA), que será o mais longo em operação do mundo, mas exclusividade tem seu preço.
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BBC
Por BBC 
Avião A350-900 ULR da Singapore Airlines decola em seu primeiro voo teste (Foto: Airbus) 

Antes se tratava de uma exclusividade de duas companhias aéreas: a Qatar Airways e a Qantas, mas agora a Singapore Airlines (SIA) quer uma fatia do seleto mercado de voos transatlânticos de longa distância


O voo sem escalas mais longo atualmente disponível é oferecido pela Qatar Airways.
Trata-se de uma jornada de 17 horas e 30 minutos de Auckland, na Nova Zelândia, para Doha, a capital do Catar.
Já a australiana Qantas disponibiliza o segundo voo mais longo.

Essa é a rota de Perth (Austrália) a Londres, percorrida em 17 horas e que passou a ser oferecida no início deste ano.

Mas ostentar o título de voo mais longo sem escalas não foi tarefa fácil para a SIA.
De 2004 a 2013, a empresa ofereceu o mesmo serviço do Aeroporto de Changi, em Singapura, ao Aeroporto Internacional de Newark, em Nova Jersey.

Mas um aumento nos preços do petróleo, entre outros fatores, tornou o Airbus A345-500 muito caro para pilotar. 
A rota foi cancelada e, felizmente para a companhia aérea, as aeronaves foram devolvidas ao fabricante, a Airbus. 
Airbus está considerando construir cápsulas para dormir na área de carga do avião (Foto: Airbus)

 O que mudou?
A SIA está prestes a adquirir um novo modelo da Airbus, que tornará a rota entre Singapura e Newark comercialmente viável de novo.
O A350-900 ULR (ultra long range ou alcance ultra longo) pertence à família de Airbus de longo alcance. 

É uma aeronave bimotora projetada para substituir o antigo Boeing 777. 
A Airbus reconhece que o novo avião usa cerca de 25% menos combustível do que o modelo antigo. 

A Cathay Pacific (de Hong Kong) e a Singapore Airlines já operam várias dessas aeronaves. 
Mas as aeronaves A350-900 ULR foram modificadas para atender aos requisitos da rota sem escalas entre Singapura e Newark. 
De acordo com Sean Lee, porta-voz da Airbus em Singapura, esses aviões são os que agora podem fazer rotas longas. 

"Eles podem voar até 9,7 mil milhas náuticas sem paradas, que são mais de 20 horas de vôo, e podem fazê-lo porque modificamos o sistema de combustível existente para que possam transportar mais 24 mil litros de combustível."

Haverá classe econômica?
Não, não haverá classe econômica. Há apenas classe executiva e classe econômica premium. 
A nova aeronave SIA terá 161 assentos: 67 para passageiros da classe executiva e 94 para aqueles que voarem na classe econômica premium. 

Nos aviões A350-900 da SIA, há 253 assentos para quatro classes. 
"Se houvesse classe econômica, isso significaria mais pessoas e, portanto, mais peso a bordo", explica Ellis Taylor, da Flightglobal, publicação dedicada ao setor de aviação. 

"A Singapore Airlines também está deixando claro que esse é um serviço exclusivo e que as tarifas serão mais altas do que o normal", acrescenta. 

Mas Taylor acredita que a SIA não vai ter trabalho em atrair viajantes. 
"Agora há uma demanda real dos consumidores, particularmente entre os viajantes executivos", diz ele. 

"A última vez que a SIA operou esses voos, embora tenha feito isso por temporada, parece que ficou claro que havia demanda por pessoas que queriam voar sem escalas dos Estados Unidos para Singapura, e com relações comerciais crescentes, esse mercado cresceu." 




Conceito da cabine do Airbus A350 XWB (Foto: Airbus) 

O que os passageiros podem esperar?
Em comparação com os jatos mais antigos, as aeronaves A350-900 ULR têm tetos mais altos, janelas maiores e iluminação projetada para reduzir o jetlag.

Mas se você não entende muito de aviões, pode não notar muita diferença, diz Geoffrey Thomas, editor-chefe do site Airlineratings.com.

"O peso com que o avião decola aumentou para permitir que ele carregue mais combustível em seu tanque, essa é a maior diferença", diz Thomas.

A nova tecnologia também permite "ajustes de umidade e ajustes de altitude da cabine", acrescenta.

No entanto, esses benefícios têm um preço considerável, que varia de cerca de US$ 1.646 (R$ 6,1 mil) para a classe econômica premium e mais do que o dobro para a classe executiva.

Enquanto alguns passageiros resistiriam à ideia de estar nos céus a maior parte do dia, é claro que há aqueles que preferem evitar escalas, mesmo que isso signifique viajar na classe econômica.

A maioria dos passageiros a bordo do voo inaugural da Qantas entre Perth e Londres disse à BBC que aproveitaram a viagem imensamente.

Em comunicado, a Qantas informou que sua rota Perth-Londres "está funcionando muito bem em todas as classes, incluindo as econômicas".

Qual vai ser o futuro?
O recorde de distância de voo de passageiros foi batido em 2005, quando uma aeronave Boeing completou, em 22 horas e 22 minutos, 21.602 km de Hong Kong a Londres pela rota mais longa - atravessando o Oceano Pacífico, os Estados Unidos e o Oceano Atlântico.

Thomas, da Airlineratings.com, estava a bordo, com outros 35 passageiros.
"Foi muito agradável", diz ele. "Como outros viajantes executivos, eu odeio ter que fazer paradas."

"Há evidências que mostram que quando uma companhia aérea oferece um voo sem escalas, o tráfego nessa rota triplica."

A Airbus e a Boeing estão atualmente trabalhando em um projeto chamado Qantas Sunrise, que permitiria que a companhia aérea australiana transportasse 300 passageiros de Sydney para Londres ou Nova York sem escalas.
A rota foi descrita como a última fronteira da aviação.

Além disso, a Airbus está considerando construir cápsulas para dormir na área de carga do avião, semelhante às cabines de dormir que são permitidas aos membros da tripulação em alguns voos de longa distância. 
Outras áreas do avião podem até se tornar salas de conferências ou áreas de lazer para crianças.

Há rumores de que a Air New Zealand quer comprar um avião para fazer a rota, sem paradas, entre Auckland e Nova York.
Mas qual é o limite para esses voos ultra-longos?

"Eu não acho que eles vão passar de 21 horas, porque se trata de voos que cobrem dois pontos importantes do globo", diz Thomas.

"Quanto mais longos forem os voos, mais vão ser destinados às classes executivas ou econômicas premium, devido aos níveis de conforto que essas categorias exigem", acrescenta.

Segundo Thomas, é impossível prever o futuro.
"A Qantas está recebendo excelentes comentários sobre seu voo Perth-Londres para passageiros da classe econômica, então quem realmente sabe o que vai acontecer?" 
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terça-feira, 12 de junho de 2018

Por que o tempo parece passar mais rápido a cada ano

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Um médico alemão do século 19 encontrou uma resposta para esse fenômeno e o traduziu em uma equação.
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BBC
Por BBC 
Postado em 12 de junho de 2018 às 23h00m 



















Nossa percepção muda em função dos estímulos a que estamos expostos (Foto: Getty Images/BBC) 

O que acontece quando você entra em um quarto escuro onde há uma vela acesa? Você logo nota a chama, certo?

E se o local estiver completamente iluminado? Provavelmente, você levará mais tempo para se dar conta de que a vela está acesa.

O mesmo ocorre com peso. Uma pessoa pode distinguir perfeitamente a diferença entre um peso de 100 gramas e outro de 120 gramas, mas não é tão fácil diferenciar um de 200 gramas de outro de 220 gramas.

São os mesmos 20 gramas de diferença no dois casos, mas nossa percepção é alterada - e a ciência explica isso, por meio da Lei de Weber.

Um algoritmo
Ernst Heinrich Weber (1795-1878) foi um renomado médico alemão que, no século 19, desenvolveu um importante trabalho nos campos da fisiologia e da psicologia.

Ele foi o primeiro a se dar conta desse fenômeno e a traduzí-lo em uma equação. A fórmula foi melhorada por um psicólogo da mesma época, o também alemão Gustav Theodor Fechner (1801-1887).

A lei diz que, quando são comparados dois estímulos pequenos, basta uma diferença mínima para distinguí-los perfeitamente. Agora, se sua dimensão é maior, os dois elementos devem ser muito diferentes entre si para nos darmos conta.

Por isso, com os pesos, ainda que sejam 20 gramas de diferença em ambos os casos, é mais fácil distinguir a diferença de peso das peças menores. O mesmo se dá com a vela em um quarto escuro.

Essa lei também se aplica à passagem do tempo e explica por que isso parece se acelerar à medida que ficamos mais velhos.

"Ainda que um ano tenha a mesma duração, a relação entre a duração de um ano e o tempo total que você já viveu fica cada vez menor", explica a matemática Hannah Fry em um vídeo do Numberphile, um canal do YouTube especializado na ciência dos números.

Isso significa que não se trata de uma evolução linear e cada ano que passa acrescenta perceptivelmente menos ao total da nossa vida do que a passagem de um ano quando somos pequenos, e é por isso que, quando ficamos mais velhos, temos a sensação de que o tempo passa mais rápido.

Fry usa como exemplo as penas de prisão. "Você sente menos um período de três meses atrás das grades do que um de seis meses. Mas o mesmo não se aplica a uma pena de 20 anos e uma de 20 anos e três meses", explica.

A conclusão é que, ao aumentar a quantidade e o tamanho, cada vez menos percebemos as diferenças de tempo ou peso.
Ao aumentar a quantidade e o tamanho, cada vez menos percebemos as diferenças de tempo ou peso. (Foto: Getty Images/ BBC) 





A Lei de Weber no comércio
De acordo com Fry, essa técnica é aplicada pelas empresas em seus negócios.

Por exemplo, argumenta a especialista, é mais difícil notar um aumento substancial do preço de produtos muito caros como eletrodomésticos ou imóveis do que de produtos bem baratos, como um litro de leite ou um pacote de pão.

Da mesma forma, a Lei de Weber seria usada, garante Fry para reduzir gradualmente o tamanho de produtos, como uma barra de chocolate, e manter o mesmo preço.

O consumidor não perceberia, assim, a alteração, nem que está pagando o mesmo valor por algo menor. 
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