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terça-feira, 12 de junho de 2018

Protestos dos '20 centavos' revelaram descrença com o avanço da economia; veja o que mudou até agora

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Cinco anos após a revolta de junho, a recuperação econômica ainda vacila. Os números mostram um país bem mais desaquecido que no cenário que antecedeu a crise e levou o povo às ruas.

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Por Taís Laporta, G1 


Em junho de 2013, ninguém imaginava que o Brasil atravessaria nos anos seguintes uma de suas piores crises. Não havia sinais dela até então. O país gerava mais empregos com carteira assinada e as contas públicas estavam em ordem. Mas, para muitos brasileiros, as coisas não iam tão bem.

O paulistano Diego Soares Thiago estava entre eles. Morador da Zona Leste de São Paulo, ele levava duas horas para chegar ao trabalho de ônibus, no centro da capital. Quando soube que a passagem ia aumentar de R$ 3 para R$ 3,20, decidiu ir para as ruas. Ele já reprovava a qualidade do transporte e, por isso, tinha ingressado no Movimento Passe Livre (MPL), grupo que protagonizou o início das manifestações em 2013.

Os primeiros protestos foram reprimidos pela polícia, mas ganharam ainda mais força. Em poucos dias, multidões estavam ocupando ruas de várias partes do país criticando os principais serviços públicos e pedindo o fim da corrupção. O aumento da passagem havia sido apenas o estopim de uma insatisfação maior que ofuscou o avanço da economia.
A crise ainda não havia chegado, mas uma parte da população estava na universidade pela primeira vez, comprou seu primeiro carro e começou a sentir o peso dessa conta, diz Diego.
A retratista e designer France Oliveira havia se mudado para Natal em 2013 e ficou impressionada com a mobilização contra o repasse da alta dos preços. "Se tudo fosse caro, mas a saúde funcionasse, tudo bem, mas não dava para aceitar isso."
Ônibus lotado em Taguatinga: aumento das passagens em 2013 despertou insatisfação com serviços públicos. (Foto: Larissa Batista/G1 )Ônibus lotado em Taguatinga: aumento das passagens em 2013 despertou insatisfação com serviços públicos. (Foto: Larissa Batista/G1 )

Do crescimento ao pós-crise
Economistas ouvidos pelo G1 avaliam que, em 2013, o sentimento popular estava descolado dos números bons da economia. Nem a melhora do mercado de trabalho evitou o clima de insatisfação popular (veja mais abaixo a evolução de 7 dados econômicos entre 2013 e agora).
O Brasil passava por uma situação econômica confortável e dava sinais de robustez, mas a população não via a contrapartida na qualidade dos serviços como saúde e educação, explica o economista do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), Manuel Thedim.
Para o pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV IBRE, Marcel Balassiano, era a inflação persistente que incomodava o brasileiro e ameaçava seu poder de compra naquela época. A inflação é o único indicador que está melhor agora no pós-crise", observa.
Cinco anos depois da onda de protestos, a recuperação da economia ainda vacila, e os indicadores mostram um país bem mais desaquecido.
O ano de 2013 foi o último da fase positiva da economia. A partir de 2014, foi ladeira abaixo, diz Balassiano.
Veja a evolução de 7 dados econômicos desde os protestos de 2013:

1. Atividade econômica
  • Há 5 anos: PIB cresceu 3% em 2013, apesar de menos que em anos anteriores.
  • Hoje: no pós-crise, país vê recuperação tímida após recessão mais longa da história.
Apesar da descrença popular que prevaleceu em 2013, a economia progrediu em torno de 3% (dados revisados) naquele ano, e o Brasil foi o terceiro país que mais cresceu, atrás apenas da China e da Coreia do Sul, segundo o IBGE. Foi o último ano de atividade aquecida antes da mais longa crise econômica que o país atravessou, com início em 2014.

Cinco anos após os protestos, a economia brasileira ainda patina para voltar ao cenário de crescimento visto no início da década. O PIB voltou a crescer em 2017 (alta de 1%), ainda que de forma modesta, e para 2018 o mercado tem apostado em um avanço em torno de 2,2%.
Evolução do PIB até 2017. (Foto: Arte/G1)Evolução do PIB até 2017. (Foto: Arte/G1)

2. Quadro fiscal
  • Há 5 anos: superávit bateu recorde e governo quitou os juros da dívida.
  • Hoje: dívida pública disparou e chegou a R$ 5 trilhões.
2013 foi o último ano em que as contas públicas fecharam no campo positivo. O quadro fiscal ia tão bem que o superávit de janeiro daquele ano, de R$ 30,25 bilhões, foi recorde para todos os meses e ainda sobrou dinheiro para pagar todos os juros da dívida. O resultado foi favorecido pela forte arrecadação de impostos e contribuições.

Nesse período, cresciam também os gastos públicos, que seriam cortados severamente nos anos seguintes para conter o rombo. Em 2013, o governo revisou seu orçamento para aumentar os gastos em 15%, para R$ 68,4 bilhões. Previu gastar 20% a mais em educação e 17,7% a mais em saúde.

Ao mesmo tempo, a estimativa de desonerações tributárias (reduções de tributos) subiu de R$ 45 bilhões em 2012 para R$ 72,1 bilhões em 2013, pressionando a receita para baixo. Por um lado, os investimentos do governo incentivavam a atividade econômica, mas também pressionavam os gastos e a inflação.

Em 2014, a conta chegou. As despesas superaram a arrecadação em R$ 17,2 bilhões, no maior déficit público da história até ali. Depois, o que se viu foi uma curva crescente de déficits, que só aumentaram e obrigaram o governo a cortar gastos e rever sua meta fiscal, em meio a incertezas sobre se cumpriria a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Em 2017, as contas do governo registraram déficit primário de R$ 124,4 bilhões, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Em abril deste ano, a dívida bruta subiu e rompeu o patamar inédito de R$ 5 trilhões. Não há previsão de quando o rombo vai encolher, e o cenário depende de uma agenda de reformas como a da Previdência, que podem não sair do papel diante de um cenário eleitoral incerto.
Evolução das contas públicas entre 2010 e parcial de 2018 (Foto: Juliane Monteiro/G1)Evolução das contas públicas entre 2010 e parcial de 2018 (Foto: Juliane Monteiro/G1)

3. Inflação
  • Há cinco anos: consumo em alta e oferta reprimida pressionou os preços.
  • Hoje: inflação fica abaixo da meta com economia fraca.
Quando os protestos despontaram em 2013, a inflação acendia um alerta entre os economistas, sugerindo o início de um ciclo de alta e de desequilíbrio entre oferta e demanda. Enquanto o consumo cresceu, a produtividade caía e o nível de investimentos também apontava para baixo.

Com mais pessoas consumindo e menos produtos disponíveis, o desequilíbrio se refletiu nos preços. A pressão por maiores reajustes nos salários também pressionou um repasse maior nos custos.

Em 2013, a inflação subiu e fechou em 5,91% – acima da taxa de 5,84% de 2012. Apesar da aceleração, o índice ficou abaixo do teto da meta do Banco Central, de 6,5%. As preocupações com a inflação começaram a chamar a atenção em março, quando o preço do tomate dobrou de preço em 12 meses e subiu 122,13%.

Mas o ápice da alta dos preços seria visto dois anos depois, quando a inflação bateu 10,67% em 2015, já durante a crise econômica.

Foi a própria recessão a responsável por desacelerar os preços dos alimentos e dos serviços, com o desaquecimento do consumo e o desemprego maior, levando a inflação do ano passado a fechar abaixo do piso da meta do BC, em 2,95%. Para este ano, o mercado prevê uma inflação ainda controlada, em torno de 3,45%.
Inflação entre 2010 e 2017 (Foto: Juliane Monteiro/G1)Inflação entre 2010 e 2017 (Foto: Juliane Monteiro/G1)

4. Emprego
  • Há cinco anos: país gerou 1 milhão de vagas, menos que nos anos anteriores.
  • Hoje: país volta a criar vagas de forma modesta.
A criação de empregos com carteira assinada em 2013 superou 1 milhão de postos, mas teve o pior resultado em 10 anos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. A geração de vagas naquele ano também ficou distante do recorde histórico de 2,62 milhões apurado em 2010.

A queda veio apesar de o governo ter tomado medidas para estimular a economia e criar vagas formais nos anos anteriores, como as desonerações da folha de pagamentos, a redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para empréstimos de pessoas físicas e as desonerações da linha branca e de automóveis.

Já era sentido o efeito do corte dos estímulos, em 2012, quando o BC começou a subir os juros para conter a inflação em alta.

Mas só em 2015 o país teria uma perda de 1,53 milhão de postos de trabalho, desempenho que se repetiu no ano seguinte. A recuperação deu sinais de melhora em 2017, e entre janeiro e março deste ano o país já havia criado mais de 200 mil vagas, uma retomada ainda distante do desempenho de cinco anos atrás.
Saldo de vagas de emprego entre 2010 e parcial de 2018. (Foto: Juliane Monteiro/G1)Saldo de vagas de emprego entre 2010 e parcial de 2018. (Foto: Juliane Monteiro/G1)

5. Impostos
  • Há cinco anos: carga tributária estava em 32,67% do PIB.
  • Hoje: principal fonte de tributos ainda incide sobre o consumo.
O patamar de impostos pagos em relação à riqueza do país somou 32,38% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, o maior patamar em três anos. Em 2015, a carga tributária havia somado 32,66% do PIB. Em 2013 e 2014, respectivamente, a carga tributária somou 32,56% do PIB e 31,87% do PIB, de acordo com dados revisados pelo Fisco. Veja o especial quanto pagamos de impostos

A principal forma de tributação do país continuou sendo sobre o consumo de bens e serviços, ou seja, os tributos indiretos que são embutidos nos preços pelos comerciantes. Quando elevados, estes impostos tendem a penalizar as camadas mais pobres da população, já que ela paga o mesmo valor que pessoas de renda mais alta, mesmo recebendo menos.

A carga tributária do Brasil tem se aproximado do patamar de países ricos como Suécia (42,8%), Finlândia (44%), Bélgica (44%), França (45%) e Dinamarca (48,6%). Por outro lado, o Brasil estava na última colocação no ranking que mede o retorno oferecido em termos de serviços públicos de qualidade à população em relação ao que o contribuinte paga em impostos.
Carga tributária entre 2010 e 2017. (Foto: Juliane Monteiro/G1)Carga tributária entre 2010 e 2017. (Foto: Juliane Monteiro/G1)

6. Câmbio
  • Há cinco anos: dólar operava em torno de R$ 2.
  • Hoje: moeda chegou a bater R$ 3,90 com incerteza externa e eleitoral.
Entre 2012 e 2013, o consumidor brasileiro estava acostumado a comprar dólares por uma cotação aproximada de R$ 2, e custava a aceitar que a moeda dos Estados Unidos vinha ganhando força. O momento era propício para turistas, a indústria que importava peças e matérias-primas, e também para as empresas com dívida em dólar. Por outro lado, as empresas exportadoras eram prejudicadas por uma receita reduzida e a inflação estava pressionada pela entrada de produtos importados competindo com os nacionais a preços altamente competitivos.

Em 2011, o dólar fechou abaixo de R$ 1,55 pela primeira vez desde 1999. Mas após 2013, o noticiário de um real forte ficou cada vez mais distante. No segundo semestre de 2015, o dólar chegou a alcançar o recorde de R$ 4,19 em meio à instabilidade política e incertezas quanto ao impeachment de Dilma Rousseff. Desde o início de 2018, a moeda voltou a subir e mostrar forte volatilidade, chegando a passar de R$ 3,90, diante de um ambiente eleitoral indefinido e um cenário externo conturbado.
Dólar frente ao real entre 2013 e 2018. (Foto: Juliane Monteiro/G1)Dólar frente ao real entre 2013 e 2018. (Foto: Juliane Monteiro/G1)

7. Mercado de ações
  • Há cinco anos: pior desempenho da bolsa entre 48 países.
  • Hoje: Bovespa bateu recordes, mas sofre com forte volatilidade.
O principal índice de ações do Brasil, o Ibovespa, fechou 2013 com o pior desempenho entre bolsas de 48 países, segundo um levantamento feito pela MoneYou. O indicador cedeu 16,1% no acumulado do ano, em meio a juros altos, temores de risco regulatório e um PIB que crescia abaixo do esperado.

Já em 2018, a Bovespa bateu seguidos recordes e se aproximou dos 90 mil pontos pela primeira vez na história, mas logo perdeu o fôlego e sofreu uma fuga recorde de recursos estrangeiros em maio, somando R$ 8,4 bilhões.
Índice Bovespa entre 2013 e 2018. (Foto: Juliane Monteiro/G1)Índice Bovespa entre 2013 e 2018. (Foto: Juliane Monteiro/G1)

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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Após greve dos caminhoneiros, mercado projeta inflação maior e vê alta do PIB abaixo de 2% em 2018

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Pesquisa do BC aponta que previsão do mercado financeiro para a inflação deste ano passou de 3,65% para 3,82%, e a de alta do PIB recuou de 2,18% para 1,94% em 2018.

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Por Alexandro Martello, G1, Brasília 

Os economistas do mercado financeiro elevaram sua estimativa de inflação para 2018 e passaram a prever uma alta menor do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, que ficou, pela primeira vez, abaixo de 2%.

O movimento aconteceu após a greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias. A paralisação da categoria gerou uma crise no abastecimento em todo o país e falta de diversos produtos como, por exemplo, gás de cozinha, combustível nos postos, alimentos nos supermercados e querosene nos aeroportos.

As expectativas dos analistas estão no mais recente relatório de mercado, também conhecido como relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central. O relatório é resultado de levantamento feito na semana passada com mais de 100 instituições financeiras.

A previsão do mercado financeiro para a inflação em 2018 avançou de 3,65%, na semana retrasada, para 3,82% na última semana.

O percentual esperado pelos analistas continua abaixo da meta de inflação que o Banco Central precisa perseguir neste ano, que é de 4,5% e dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema – a meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar entre 3% e 6%.

Para 2019, o mercado financeiro elevou sua expectativa de inflação de 4,01% para 4,07%. A meta central do próximo ano é de 4,25%, e o intervalo de tolerência do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75%.

Produto Interno Bruto
Para o resultado do PIB em 2018, os economistas dos bancos baixaram a previsão de crescimento de 2,18% para 1,94%. Foi a sexta queda seguida do indicador. Há um mês, a estimativa de crescimento da economia, para este ano, estava em 2,51%.

Para 2019, a expectativa do mercado para expansão da economia recuou de 3% para 2,80%.
O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Em 2016, o PIB teve uma retração de 3,5%. Em 2017, cresceu 1% e encerrou a recessão no país.

Segundo analistas ouvidos pelo G1, a greve dos caminhoneiros deve prejudicar o crescimento do país no segundo trimestre. Alguns, inclusive, já reduziram a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e também do ano por causa da paralisação.

Taxa de juros
Os analistas do mercado financeiro também mantiveram em 6,50% ao ano sua previsão para a taxa básica de juros da economia, a Selic, ao final de 2018.

Com isso, o mercado estima que a taxa de juros fique estável no atual patamar de 6,50% ao ano até o fechamento deste ano.

Para o fim de 2019, a estimativa do mercado financeiro para a Selic continuou em 8% ao ano. Deste modo, os analistas seguem prevendo alta dos juros no ano que vem.

Câmbio, balança e investimentos
Na edição desta semana do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 permaneceu em R$ 3,50 por dólar. Para o fechamento de 2019, ficou estável também em R$ 3,50 por dólar.

A projeção do boletim Focus para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), em 2018, subiu de US$ 57 bilhões para US$ 57,15 bilhões de resultado positivo.

Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado para o superávit avançou de US$ 49,3 bilhões para US$ 49,6 bilhões.

A previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2018, recuou de US$ 75 bilhões para US$ 71 bilhões. Para 2019, a estimativa dos analistas caiu de US$ 80 bilhões para US$ 77 bilhões. 
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Nasa encontra material orgânico em Marte que pode ser evidência de vida no passado

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Moléculas preservadas foram achadas entre rochas sedimentares com três bilhões de anos em cratera do planeta vermelho. 

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Por G1 


Rover Curiosity, da Nasa, está em missão desde novembro de 2011 no planeta Vermelho (Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS)Rover Curiosity, da Nasa, está em missão desde novembro de 2011 no planeta Vermelho (Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS)

A agência espacial americana (Nasa) publicou nesta quinta-feira (7) na revista "Science" um novo achado: material orgânico preservado entre rochas (argilitos) com cerca de três bilhões de anos em cratera do planeta Marte. Os cientistas acreditam que pode ser uma evidência de vida no passado.

Os dados e amostras foram coletados pelo robô Curiosity, em missão do planeta vermelho desde 2012. Novas informações sobre a atmosfera de Marte e suas variações nos níveis de metano foram apresentadas em outro artigo publicado também pela "Science".
"Material orgânico antigo e metano misterioso! O robô Curiosity encontrou uma nova evidência preservada nas rochas que sugere que o planeta pode ter suportado vida no passado + uma nova evidência na atmosfera que se relaciona com a busca da vida atual em Marte", escreveu a Nasa em sua conta no Twitter.

Apesar de a origem das moléculas ainda não estar clara, a Nasa destacou que esse tipo de partícula pode ter sido a fonte de alimento de uma hipotética vida microbiana em Marte.
"Sabemos que na Terra os micro-organismos comem todo tipo de produtos orgânicos. É uma fonte de alimento valioso para eles", afirmou Jennifer Eigenbrode, do Centro Espacial Goddard da Nasa, e principal autora do estudo.
Nasa comprova existência de moléculas orgânicas em Marte
Nasa comprova existência de moléculas orgânicas em Marte

A descoberta não confirma a existência de vida no planeta, disse a especialista, mas mostra que os organismos podem ter sobrevivido no planeta vermelho graças à presença dessas moléculas.

Eigenbrode explicou que apesar de a superfície de Marte ser inóspita atualmente, os indícios apontam que, no passado, o clima marciano tinha condições propícias para a existência de água líquida, um fator essencial para a vida como conhecemos.

Outros dados recolhidos pelo Curiosity revelaram que há bilhões de anos um lago dentro da cratera Gale – mesmo local onde estavam as rochas com materiais orgânicos encontrados desta vez – continha ingredientes necessários para a vida, como componentes químicos e energia.

"Encontrar moléculas orgânicas antigas nos primeiros cinco centímetros de rocha que se depositaram na superfície quando Marte pode ter sido habitável é um bom presságio para que aprendamos a história das moléculas orgânicas no planeta vermelho com futuras missões que aprofundarão mais nosso conhecimento", afirmou.
Robô Curiosity aterrissa em Marte
Robô Curiosity aterrissa em Marte

Variação do metano
Os cientistas da agência espacial também fizeram medições detalhadas do metano na atmosfera de Marte – há uma variação dos níveis de acordo com as estações. Pequenas concentrações foram detectadas previamente, mas as origens são um debate e "um mistério".

No nosso planenta, a maior parte do metano é produzido por fontes biológicas. Inúmeros processos do meio ambiente de Marte têm sido estudados como uma possibilidade de origem do metano.

Os pesquisadores do rover Curiosity analisaram três anos marcianos dos níveis coletados da substância – 55 meses na Terra. Eles descobriram as mudanças sazonais: o índice varia entre 0,24 e 0,65 partes por bilhão, com um pico perto do final do verão no hemisfério norte do planeta vermelho.

Matéria em Ceres
Em fevereiro do ano passado, material orgânico também foi anunciado em Ceres, planeta-anão do Sistema Solar, localizado no cinturão de asteroides, região entre as órbitas de Marte e Júpiter.

A sonda Dawn usou espectros de luz para analisar a superfície do planeta-anão e descobriu uma grande quantidade de compostos de carbono. Os cientistas acreditam que esse material se desenvolveu no núcleo de Ceres.

A descoberta acrescentou mais um ingrediente ao mega-asteroide que, como já se sabia, tem água, água congelada, sal, amônia e outros compostos que tornaram possível o desenvolvimento da vida.
 Nave Dawn orbitou o asteroide Ceres  (Foto: NASA)Nave Dawn orbitou o asteroide Ceres (Foto: NASA)

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