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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Após greve dos caminhoneiros, mercado projeta inflação maior e vê alta do PIB abaixo de 2% em 2018

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Pesquisa do BC aponta que previsão do mercado financeiro para a inflação deste ano passou de 3,65% para 3,82%, e a de alta do PIB recuou de 2,18% para 1,94% em 2018.

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Por Alexandro Martello, G1, Brasília 

Os economistas do mercado financeiro elevaram sua estimativa de inflação para 2018 e passaram a prever uma alta menor do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, que ficou, pela primeira vez, abaixo de 2%.

O movimento aconteceu após a greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias. A paralisação da categoria gerou uma crise no abastecimento em todo o país e falta de diversos produtos como, por exemplo, gás de cozinha, combustível nos postos, alimentos nos supermercados e querosene nos aeroportos.

As expectativas dos analistas estão no mais recente relatório de mercado, também conhecido como relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central. O relatório é resultado de levantamento feito na semana passada com mais de 100 instituições financeiras.

A previsão do mercado financeiro para a inflação em 2018 avançou de 3,65%, na semana retrasada, para 3,82% na última semana.

O percentual esperado pelos analistas continua abaixo da meta de inflação que o Banco Central precisa perseguir neste ano, que é de 4,5% e dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema – a meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar entre 3% e 6%.

Para 2019, o mercado financeiro elevou sua expectativa de inflação de 4,01% para 4,07%. A meta central do próximo ano é de 4,25%, e o intervalo de tolerência do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75%.

Produto Interno Bruto
Para o resultado do PIB em 2018, os economistas dos bancos baixaram a previsão de crescimento de 2,18% para 1,94%. Foi a sexta queda seguida do indicador. Há um mês, a estimativa de crescimento da economia, para este ano, estava em 2,51%.

Para 2019, a expectativa do mercado para expansão da economia recuou de 3% para 2,80%.
O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Em 2016, o PIB teve uma retração de 3,5%. Em 2017, cresceu 1% e encerrou a recessão no país.

Segundo analistas ouvidos pelo G1, a greve dos caminhoneiros deve prejudicar o crescimento do país no segundo trimestre. Alguns, inclusive, já reduziram a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e também do ano por causa da paralisação.

Taxa de juros
Os analistas do mercado financeiro também mantiveram em 6,50% ao ano sua previsão para a taxa básica de juros da economia, a Selic, ao final de 2018.

Com isso, o mercado estima que a taxa de juros fique estável no atual patamar de 6,50% ao ano até o fechamento deste ano.

Para o fim de 2019, a estimativa do mercado financeiro para a Selic continuou em 8% ao ano. Deste modo, os analistas seguem prevendo alta dos juros no ano que vem.

Câmbio, balança e investimentos
Na edição desta semana do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 permaneceu em R$ 3,50 por dólar. Para o fechamento de 2019, ficou estável também em R$ 3,50 por dólar.

A projeção do boletim Focus para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), em 2018, subiu de US$ 57 bilhões para US$ 57,15 bilhões de resultado positivo.

Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado para o superávit avançou de US$ 49,3 bilhões para US$ 49,6 bilhões.

A previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2018, recuou de US$ 75 bilhões para US$ 71 bilhões. Para 2019, a estimativa dos analistas caiu de US$ 80 bilhões para US$ 77 bilhões. 
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Nasa encontra material orgânico em Marte que pode ser evidência de vida no passado

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Moléculas preservadas foram achadas entre rochas sedimentares com três bilhões de anos em cratera do planeta vermelho. 

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Por G1 


Rover Curiosity, da Nasa, está em missão desde novembro de 2011 no planeta Vermelho (Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS)Rover Curiosity, da Nasa, está em missão desde novembro de 2011 no planeta Vermelho (Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSS)

A agência espacial americana (Nasa) publicou nesta quinta-feira (7) na revista "Science" um novo achado: material orgânico preservado entre rochas (argilitos) com cerca de três bilhões de anos em cratera do planeta Marte. Os cientistas acreditam que pode ser uma evidência de vida no passado.

Os dados e amostras foram coletados pelo robô Curiosity, em missão do planeta vermelho desde 2012. Novas informações sobre a atmosfera de Marte e suas variações nos níveis de metano foram apresentadas em outro artigo publicado também pela "Science".
"Material orgânico antigo e metano misterioso! O robô Curiosity encontrou uma nova evidência preservada nas rochas que sugere que o planeta pode ter suportado vida no passado + uma nova evidência na atmosfera que se relaciona com a busca da vida atual em Marte", escreveu a Nasa em sua conta no Twitter.

Apesar de a origem das moléculas ainda não estar clara, a Nasa destacou que esse tipo de partícula pode ter sido a fonte de alimento de uma hipotética vida microbiana em Marte.
"Sabemos que na Terra os micro-organismos comem todo tipo de produtos orgânicos. É uma fonte de alimento valioso para eles", afirmou Jennifer Eigenbrode, do Centro Espacial Goddard da Nasa, e principal autora do estudo.
Nasa comprova existência de moléculas orgânicas em Marte
Nasa comprova existência de moléculas orgânicas em Marte

A descoberta não confirma a existência de vida no planeta, disse a especialista, mas mostra que os organismos podem ter sobrevivido no planeta vermelho graças à presença dessas moléculas.

Eigenbrode explicou que apesar de a superfície de Marte ser inóspita atualmente, os indícios apontam que, no passado, o clima marciano tinha condições propícias para a existência de água líquida, um fator essencial para a vida como conhecemos.

Outros dados recolhidos pelo Curiosity revelaram que há bilhões de anos um lago dentro da cratera Gale – mesmo local onde estavam as rochas com materiais orgânicos encontrados desta vez – continha ingredientes necessários para a vida, como componentes químicos e energia.

"Encontrar moléculas orgânicas antigas nos primeiros cinco centímetros de rocha que se depositaram na superfície quando Marte pode ter sido habitável é um bom presságio para que aprendamos a história das moléculas orgânicas no planeta vermelho com futuras missões que aprofundarão mais nosso conhecimento", afirmou.
Robô Curiosity aterrissa em Marte
Robô Curiosity aterrissa em Marte

Variação do metano
Os cientistas da agência espacial também fizeram medições detalhadas do metano na atmosfera de Marte – há uma variação dos níveis de acordo com as estações. Pequenas concentrações foram detectadas previamente, mas as origens são um debate e "um mistério".

No nosso planenta, a maior parte do metano é produzido por fontes biológicas. Inúmeros processos do meio ambiente de Marte têm sido estudados como uma possibilidade de origem do metano.

Os pesquisadores do rover Curiosity analisaram três anos marcianos dos níveis coletados da substância – 55 meses na Terra. Eles descobriram as mudanças sazonais: o índice varia entre 0,24 e 0,65 partes por bilhão, com um pico perto do final do verão no hemisfério norte do planeta vermelho.

Matéria em Ceres
Em fevereiro do ano passado, material orgânico também foi anunciado em Ceres, planeta-anão do Sistema Solar, localizado no cinturão de asteroides, região entre as órbitas de Marte e Júpiter.

A sonda Dawn usou espectros de luz para analisar a superfície do planeta-anão e descobriu uma grande quantidade de compostos de carbono. Os cientistas acreditam que esse material se desenvolveu no núcleo de Ceres.

A descoberta acrescentou mais um ingrediente ao mega-asteroide que, como já se sabia, tem água, água congelada, sal, amônia e outros compostos que tornaram possível o desenvolvimento da vida.
 Nave Dawn orbitou o asteroide Ceres  (Foto: NASA)Nave Dawn orbitou o asteroide Ceres (Foto: NASA)

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domingo, 10 de junho de 2018

Os microssapinhos menores que uma moeda e típicos do Brasil - e que ainda estão sendo descobertos

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Pesquisador da Unicamp acaba de descrever a 22ª espécie do tipo, e estima-se que haja mais uma dezena de novos tipos a serem identificados; eles vivem em grandes bandos e, pelo menos aparentemente, não são excessivamente afetados pelo desmatamento.

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BBC
Por BBC 


Pseudopaludicola florencei, recém-descoberta na Chapada Diamantina, cabe dentro de uma moeda de R$ 1 (Foto: Divulgação)Pseudopaludicola florencei, recém-descoberta na Chapada Diamantina, cabe dentro de uma moeda de R$ 1 (Foto: Divulgação)

De sua mais recente expedição a campo, em Andaraí (BA), na Chapada Diamantina, em novembro de 2016, o pesquisador Felipe Andrade regressou a seu laboratório na Unicamp (SP) com a 23ª espécie documentada de microssapinhos tipicamente sul-americanos - que proliferam sobretudo no Brasil e que ainda não são plenamente conhecidos dos cientistas.

A nova espécie é descrita pela primeira vez em artigo prestes a ser publicado no periódico científico Zootaxa, e Andrade descobriu que ela se difere das demais de seu gênero por ter pernas mais curtas, uma quantidade diferente de pares de cromossomos, um canto de notas mais rápidas e um tamanho ainda mais diminuto do que muitas de suas "colegas": os machos têm entre 12,8 mm e 14,8 mm, ou seja, são menores do que uma moeda de R$ 1.

Algumas espécies chegam a ter tamanho inferior a uma unha do dedo mindinho humano.
As pseudopaludicolas - como é chamado esse gênero de sapos minúsculos - despertaram nos últimos anos a atenção de pequenos grupos de cientistas por serem uma fauna tipicamente brasileira parcialmente inexplorada: é possível que existam pelo menos dez espécies ainda não documentadas, esperando para serem descobertas.

"Só nos últimos oito anos, foram encontradas 12 novas espécies, o que é muito surpreendente", diz Andrade, que já prepara, em sua tese de doutorado, a descrição de mais duas espécies e analisa os dados de uma terceira, para confirmar se ela é, de fato, nova.

Isso se deve tanto ao maior interesse dos cientistas quanto aos avanços tecnológicos na análise.

"A princípio, conseguia-se fazer só a análise da morfologia (aparência e tamanho) desses animais", explica Ariovaldo Giaretta, professor-associado da Faculdade de Ciências da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

"Hoje, conseguimos também gravar os cantos (dos sapos para estudo acústico) com equipamentos digitais, fazer uma análise molecular cada vez mais rápida e barata e integrar essas três bases de dados para identificar novas espécies. A maior limitação atualmente é tempo e dinheiro para viagens. Mas não será surpresa se chegarmos a um número de 30 ou 35 espécies identificadas de pseudopaludicolas."
As pseudopaludicolas, que é o nome desses sapos minúsculos, despertaram a atenção de pequenos grupos de cientistas por serem uma fauna tipicamente brasileira parcialmente inexplorada. (Foto: Divulgação)As pseudopaludicolas, que é o nome desses sapos minúsculos, despertaram a atenção de pequenos grupos de cientistas por serem uma fauna tipicamente brasileira parcialmente inexplorada. (Foto: Divulgação)

Áreas abertas
As pseudopaludicolas costumam habitar áreas abertas, como pastos, em vez de florestas fechadas. É um gênero que surgiu e se diversificou exclusivamente na América do Sul, principalmente no Brasil, por causa do tamanho do país e da diversidade de biomas adequados para esses bichinhos - particularmente a Caatinga, o Cerrado, os Pampas sulistas e algumas áreas do Pantanal.

Os sapinhos provavelmente preferem essas áreas porque a ausência de coberturas florestais densa permite que o sol bata diretamente sobre as poças de águas rasas que eles habitam - as quais, mais quentes, acabam tendo mais algas para alimentar os girinos das espécies.
Curiosamente, essa preferência de habitat talvez esteja ajudando a preservar as espécies de pseudopaludicolas.
Pseudopaludicola murundu encontrada em Poços de Caldas (MG) (Foto: Divulgação)Pseudopaludicola murundu encontrada em Poços de Caldas (MG) (Foto: Divulgação)

"Por serem animais de áreas abertas, eles ficam menos suscetíveis (ao desmatamento)", explica Luis Felipe Toledo, professor do Departamento de Biologia Animal da Unicamp, especialista em extinções de anfíbios no Brasil e orientador de Andrade.

Mas, como o estudo aprofundado dessas espécies é relativamente recente, serão necessárias mais pesquisas para ter certeza disso.

"Até recentemente, (muitos biólogos) preferiam mais de estudar animais maiores, mais coloridos e carismáticos, em vez desses sapinhos marrons parecidos entre si. Agora, com mais tecnologia e gente interessada, é que estamos descobrindo sua variedade e encontrando-os em serras, pastos, litorais", prossegue Toledo. 

"Mas a gente ainda mal conhece a distribuição desses bichinhos. Não temos ideia se as populações estão declinando ou se estão estáveis, então é difícil bater o martelo sobre seu status de conservação."

Importância ecológica
Microssapinhos ajudam a controlar populações de insetos e servem de alimento para muitos animais maiores. (Foto: Divulgação)Microssapinhos ajudam a controlar populações de insetos e servem de alimento para muitos animais maiores. (Foto: Divulgação)

O que os cientistas já sabem é que esses minissapinhos têm papéis relevantes em seus ecossistemas, a começar pela cadeia alimentar.
"Eles comem besouros, aranhas e insetos, fazendo um controle populacional de mosquitos, por exemplo", explica Andrade.

No sentido contrário da cadeia, eles servem de alimento para uma gama de animais vertebrados maiores - até mesmo outros sapos.
"E são importantes conversores de nutrientes: como vivem na água, incorporam nutritentes aquáticos e os devolvem à terra ao morrerem", diz Giaretta.

Sua predileção pela água também tem ajudado em projetos de preservação, explica André Pansonato, pesquisador na Universidade Federal do Mato Grosso, que também é autor de tese de doutorado sobre as pseudopaludicolas. "Uma espécie pseudopaludicola em particular, a ameghini, é presente em áreas de nascentes de água. Ao identificarmos locais de incidência da espécie, também identificamos áreas de nascentes a serem protegidas", explica.

O próprio Pansonato já participou da identificação de mais de cinco novas espécies desse gênero, e, ainda que advogue cautela no meio científico para que não haja banalização na atribuição de novas espécies, vê potencial tanto científico quanto turístico nas pseudopaludícolas.

"Acho que muitas pessoas bloqueiam seu interesse por sapos por os associarem a algo asqueroso, de bruxaria. Mas isso é desconhecimento. Há espécies com um canto espetacular, muito distinto. Daria para fazer expedições noturnas de turismo para escutá-los."

É o caso da nova espécie, a recém-identificada por Andrade e seus colegas - Isabelle Haga, da UFU, Mariana Lyra e Célio Haddad, da Unesp Rio Claro, Felipe Leite da UFV Campus Florestal, e o alemão Axel Kwet, com financiamento da Fapesp - e que tem um canto bem particular: uma espécie de "pocotó", semelhante ao andar do cavalo, mas em ritmo rápido.

Outra curiosidade sobre as pseudopaludicolas é que algumas espécies desses sapinhos, por serem tão pequeninas, não andam sozinhas.
"Quando você acha um, acha uma centena em uma área de 10 m²", diz Toledo.

Giaretta confirma que já foi surpreendido, em pesquisas de campo, por "nuvens de sapinhos, como se fossem gafanhotos".

"Nem todas as espécies vivem em bandos tão grandes, mas no Pantanal, às vezes você pisa em uma poça e dezenas de sapinhos saem pulando", agrega Pansonato. 
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