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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Lava Jato e crise derrubam receita das grandes construtoras em 2016

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Safra de balanços das empreiteiras mostra um cenário mais desfavorável que em 2015, agravado por projetos interrompidos e pela própria crise econômica; receita da Camargo Correa encolheu quase 40%.

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Homens trabalham na construção de uma estrutura de metal em Fortaleza (Foto: Reuters/Paulo Whitaker)Homens trabalham na construção de uma estrutura de metal em Fortaleza (Foto: Reuters/Paulo Whitaker)

Os balanços das grandes construtoras em 2016 confirmam um baque já esperado pelo mercado. No segmento de engenharia, as principais empreiteiras do país tiveram uma drástica queda na receita, puxada pela paralisação de projetos de infraestrutura e pela crise no mercado de construção civil.

Para especialistas do setor, os efeitos da operação Lava Jato ficaram mais claros nas demonstrações financeiras este ano, mas este cenário desfavorável foi agravado pela crise econômica, que atingiu em cheio o setor de construção civil no ano passado.

No caso da construtora do grupo Camargo Correa, a receita líquida encolheu 38% em 2016, para R$ 1,867 bilhão. Andrade Gutierrez divulgou uma receita de R$ 2,051 bilhões, 30,8% menor que em 2015. A Engevix Engenharia foi a que sofreu a maior redução percentual no ano passado, de 62%.
 (Foto: Arte/G1)(Foto: Arte/G1)

A Odebrecht não publicou o balanço financeiro no prazo legal. A lei determina que as empresas de capital fechado que compõem sociedades anônimas (SAs) de grande porte têm quatro meses após o fim do ano fiscal para divulgar seus balanços anuais. Ou seja, até o fim de abril.

Sem surpresas
Para o professor Marcos Piellusch, coordenador de cursos da FIA (Fundação Instituto de Administração), a queda expressiva na receita das empreiteiras no ano passado não surpreende.

Sem poder participar de licitações da Petrobras desde 2014, estas empresas perderam contratos de grandes obras e foram obrigadas a paralisar projetos, em meio a dificuldades em obter crédito, após serem citadas por envolvimento nas irregularidades da Lava Jato.

A especialista em infraestrutura da Go Associados, Luciana Nazar, avalia que a receita destas construtoras foi temporariamente afetada pela queda nos investimentos. Estas empresas passam por um período de adaptação a regras mais rígidas de compliance que estão sendo adotadas após os desdobramentos da operação, explica.

A retomada destes projetos, geralmente obras de grande porte e longo prazo, está condicionada ao cumprimento destas regras para recuperar a imagem das empresas, manchada pelas investigações, diz Luciana.

Construção civil em crise
Em 2016, o PIB da construção civil recuou 5,2% sobre o ano anterior, agravando o desempenho já ruim da economia brasileira, que encolheu 3,6% no período, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A atividade das construtoras formais no país recuou 18,2% em 2016, segundo índice medido pelo Sinduscon-SP.

O setor de construção perdeu mais de 1,08 milhão de vagas de trabalho em 27 meses até dezembro de 2016, segundo dados da entidade. O estoque de empregos caiu de 3,57 milhões em outubro de 2014, para 2,48 milhões no fim do ano passado.

Para Luciana, a Go Associados, não é possível atribuir quanto da crise nas grandes construtoras se deve à operação Lava Jato, e quanto tem ligação com a recessão da economia, uma vez que os efeitos estão interligados.

Efeitos da crise imobiliária
Piellusch, da FIA, considera que a crise do setor imobiliário foi outro componente que ajudou a afetar a receita das grandes construtoras. Em 2016, o volume de crédito para a compra e construçção de imóveis recuou quase 40%, segundo a Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Segundo ele, mesmo não sendo o principal ramo de atuação das grandes companhias, todas elas mantêm projetos imobiliários na carteira. O forte aumento nos distratos (devoluções de imóveis na planta) ainda gera reflexos negativos no caixa destas empresas, afirma.
Volume do crédito imobiliário recuou quase 40% em 2016 (Foto: Reprodução/EPTV)Volume do crédito imobiliário recuou quase 40% em 2016 (Foto: Reprodução/EPTV)
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Lamborghini com detalhes em ouro pode custar até R$ 2 milhões

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Apenas 2 modelos Countach saíram de fábrica nos anos 1980 com partes laminadas em ouro 14 quilates; um deles será leiloado no fim de maio.

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Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)

Um Lamborghini Countach, de 1987, será leiloado no final deste mês por até € 575 mil (cerca de R$ 2 milhões), segundo estimativa da RM Sotheby's.

Não bastasse ser um dos modelos mais desejados na década de 80, esta unidade tem diversos detalhes cobertos em ouro 14 quilates. Apenas 2 modelos deste tipo saíram assim de fábrica.

Com exterior e interior totalmente brancos, o dourado reluz na coluna de direção, no câmbio, painel de instrumentos, portas, capô, porta-malas, inscrições e também no escapamento.
Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)

A primeira casa deste raro espécime foi nos Estados Unidos, onde morou por muitos anos, antes de ser importado para o Japão. O atual dono é holandês e mandou o carro para uma restauração completa - inclusive das partes em ouro.

Além do visual que ultrapassa os limites da excêntrica década de 80, este Countach é equipado com motor 5.2 de 426 cavalos de potência, que acelera de 0 a 100 km/h em 4,7 segundos e atinge velocidade máxima de 295 km/h.
Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)

Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)

Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)

Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)Lamborghini Countach 5000 QV by Bertone (Foto: Dirk de Jager/RM Sotheby's)

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Produção da indústria sobe 1,1% em março ante 2016, mas cai 1,8% em relação a fevereiro

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Foi o pior resultado mensal desde a queda de 3,3% em agosto de 2016 e o março mais fraco desde o início da série histórica, em 2002.

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Trabalhadores da Kopenhagen embalam ovos de Páscoa, em Extrema (MG), em fevereiro deste ano (Foto: Fábio Tito/G1)Trabalhadores da Kopenhagen embalam ovos de Páscoa, em Extrema (MG), em fevereiro deste ano (Foto: Fábio Tito/G1)

A produção da indústria brasileira caiu 1,8% em março em comparação com fevereiro. No entanto, frente a março de 2016, a atividade fabril teve expansão de 1,1%, após cair 0,8% em fevereiro e avançar 1,4% em janeiro.
Os números foram divulgados nesta quarta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi o pior resultado mensal desde a queda de 3,3% em agosto de 2016 e o março mais fraco desde o início da série histórica, em 2002.
Nos três primeiros meses, o setor industrial acumula alta de 0,6%. No acumulado do ano, é a primeira alta desde 2014.

No entanto, no acumulado dos últimos 12 meses, houve recuo de 3,8% em março, prosseguindo, segundo o IBGE, com a redução no ritmo de queda iniciada em junho de 2016 (-9,7%).

"O mercado doméstico ainda tem dificuldade com o número elevado de desocupados, com o rendimento desfavorável, com o comprometimento de renda e a inadimplência", afirmou o economista do IBGE André Macedo, segundo a Reuters. "Pelo lado das empresas, há ainda uma ajuste de estoque a ser realizado", acrescentou.
Produção industrial mês a mês, com a revisão do IBGE (Foto: Editoria de Arte/G1)
Produção industrial mês a mês, com a revisão do IBGE (Foto: Editoria de Arte/G1)

Produção industrial nos três primeiros meses do ano (Foto: Reprodução/IBGE)Produção industrial nos três primeiros meses do ano (Foto: Reprodução/IBGE)

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgados nesta quarta mostram queda do emprego industrial e das horas trabalhadas, que é um indicativo do nível de atividade industrial no país.

De acordo com o economista Marcelo Azevedo, da CNI, os indicadores continuam oscilando sem mostrar tendência definida. "No entanto, o cenário segue negativo, pois os índices estão estabilizados em patamar bem abaixo dos registrados no ano passado", destacou ele.

Setores
Em relação a fevereiro, houve recuo da atividade industrial em todas as quatro grandes categorias econômicas e 15 dos 24 ramos pesquisados.

As principais influências negativas foram registradas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-7,5%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-23,8%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-3,3%).

Entre as grandes categorias econômicas, a de bens de consumo duráveis recuou 8,5%, eliminando o avanço de 8% registrado em fevereiro. Foi o recuo mais intenso desde junho de 2015 (-13,2%).

A de bens intermediários caiu 2,5%, interrompendo quatro meses consecutivos de expansão na produção, período em que acumulou ganho de 3,4%. A de bens de capital também caiu 2,5%, após avançar 5,9% em fevereiro. E a de bens de consumo semi e não-duráveis registrou retração de 1,8%, assinalando o segundo mês seguido de redução na produção e acumulando em dois meses perda de 3,2%.

Já na comparação com março de 2016, houve resultados positivos em três das quatro grandes categorias econômicas e 16 dos 26 ramos pesquisados. Entre os ramos, veículos automotores, reboques e carrocerias (10,9%) e indústrias extrativas (7,0%) exerceram as maiores influências positivas.

A categoria de bens de consumo duráveis cresceu 8,5%, e a de bens de capital, 4,5%, assinalando os avanços mais acentuados. O segmento de bens intermediários avançou 0,5%. Por outro lado, o setor produtor de bens de consumo semi e não-duráveis teve redução de 0,5%.

O segmento de bens de consumo duráveis teve o 5º resultado positivo consecutivo nesse tipo de comparação, mas menos intenso do que o registrado no mês anterior (20,1%), impulsionado pelos avanços na fabricação de automóveis (13,2%) e de eletrodomésticos da linha marrom.

A produção de bens de capital teve a 5ª taxa positiva consecutiva na comparação com igual mês do ano anterior, influenciada pelo crescimento no grupamento de bens de capital agrícola (36,2%).

Entenda
Bens de capital
São aqueles usados na produção de outros bens, como máquinas, equipamentos, materiais de construção, instalações industriais.

Bens intermediários
São aqueles adquiridos de outra empresa para o processo de produção, como uma bobina de aço adquirida de uma siderúrgica para a fabricação de um automóvel.

Bens de consumo duráveis
São aqueles que podem ser utilizados durante longos períodos, como automóveis e geladeira.

Bens de consumo semi-duráveis e não-duráveis
Os semi-duráveis podem ser considerados os calçados e as roupas, que vão se desgastando aos poucos. Já os não-duráveis são aqueles feitos para serem consumidos imediatamente, como os alimentos.
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