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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Estados têm grandes desafios para melhorar a competitividade em 2017

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No ranking da competitividade muitos estados brasileiros 
estão abaixo do ideal e há um caminho longo a percorrer.

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César Menezes / Cláudia Gaigher / Amorim Neto-São Paulo, SP / Campo Grande, MS / Maceió, AL
Edição do dia 27/12/2016
28/12/2016 00h42 - Atualizado em 28/12/2016 00h43
Postado em 28 de dezembro de 2016 às 09h45m
Gipope-Marketing
Competitividade é a chave do crescimento nas economias modernas. E em matéria de competitividade vamos mal e temos um enorme desafio para 2017.

O ranking de competitividade coloca na nossa frente 65 indicadores. O custo de energia, a produtividade no trabalho, o tamanho do mercado e por aí vai. Esses itens são separados em dez grandes grupos como potencial de mercado, solidez fiscal e educação. O estado que tem a melhor segurança pública, por exemplo, ganha nota 100. O pior leva zero.

SÃO PAULO
No ranking geral, São Paulo aparece em primeiro lugar. Foi o melhor em quatro dos dez pilares. Inovação, potencial de mercado, infraestrutura, educação. Doce ou salgado, não importa. aparência ajuda a vender. Por isso, as vitrines da loja ganharam sensores.

Imagina todas as tortas derretendo de uma vez porque ninguém percebeu que o motor da vitrine estava para queimar. Evitar isso não é bom só para os amantes do chocolate e para o gerente, que levaria uma baita bronca. Uma inovação como essa significa melhorar os resultados da empresa. Os funcionários faziam a medição de hora em hora. 

O sistema, a cada 30 segundos. As informações de temperatura e umidade vão para o computador da fábrica, que alerta se alguma coisa não estiver bem. Isso evita a perda de produtos. O desperdício na rede de lojas custa R$ 180 mil por mês. 

"Hoje a gente está procurando uma redução de custo e tudo o que puder ajudar a gente é muito bem vindo. E hoje a tecnologia, cada vez mais, está fazendo isso", diz Alexandre Martins, diretor industrial da Ofner.

A startup que criou o sistema nasceu em uma encubadora da USP. A maior parte dos funcionários tem mestrado ou doutorado e a empresa teve acesso a linhas de crédito especiais.

"Para o tipo de solução que nos desenvolvemos, que é uma solução com alto componente tecnológico, uma solução complexa e extremamente inovadora, é melhor instalado aqui em São Paulo. Então para a gente ter nascido em São Paulo e ter se desenvolvido em São Paulo foi também um fator decisivo", explica Antonio Carlos Rossini, fundador da Nexto.

Mas não foi um ano bom para São Paulo. Perdeu ponto no ranking porque a crise afetou as indústrias, que têm um peso importante na economia do estado.

"São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro sao os estados mais endividados do brasil, fica mais dificil eles honrarem o compromisso da divida. entao esse conjunto de crise econiomica com crise fiscal fez com que esses estados tenham sido mais prejudicados e tenham, portanto, perdido competitividade neste ano em relacao aos demais estados", aponta Fábio Klein, analista de finanças públicas da Tendências Consultoria.

Nem todo mundo sofreu tanto com a crise. Os estados onde a agropecuária é forte resistiram mais. Mato Grosso do Sul subiu quatro posições no ranking desde o ano passado.

MATO GROSO DO SUL
O Mato Grosso do Sul é uma das referências nacionais na produção de carne. O agronegócio responde por 36,7% da arrecadação do Mato Grosso do Sul. Ajudou o estado a fechar 2015 com superávit nas contas e a solidez fiscal.
Para os responsáveis pelo estudo, o desafio agora é melhorar em pilares com nota baixa, como segurança, Mato Grosso do Sul é só o 14º estado no ranking por esse quesito.

O ranking de competitividade mostra que o Brasil ainda é divido em dois. Os estados do Norte e do Nordeste na metade de baixo. Alagoas continua na última colocação e, pior, praticamente todas as notas do estado estão abaixo da média nacional.

ALAGOAS
Três lojas de bolos e uma de artigos femininos. Para a empresária Eliana, de Maceió, vencer a crise não é mais difícil do que encontrar funcionários qualificados. E não é por falta de candidatos. Os currículos chegam, são muitos, o difícil é achar a pessoa com o conhecimento básico para preencher a vaga.

"São jovens, 18, 20 anos, que não se qualificam e a exigência não é nem tão grande. É você saber manusear um computador, um sistema de informática", diz a empresária Eliana Custódio de Melo.

Alagoas teve um desempenho fraco no pilar "capital humano". O problema, dizem os especialistas, está na base: crianças e jovens que não conseguem uma boa educação. A competitividade também é prejudicada por questões básicas: só 14,9% dos municípios alagoanos contam com saneamento básico, por exemplo.

Na soma de todos os estados, quem saiu perdendo foi o Brasil. Perdemos tempo, empregos, investimentos e os gargalos da economia continuam no caminho da nossa competitividade.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Com déficit de R$ 38 bilhões, contas do governo voltam ao vermelho em novembro

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No ano, contas do governo acumulam rombo de R$ 94,15 bilhões, o pior de toda a série histórica. Tesouro anunciou revisão da meta fiscal de 2016 para um déficit de R$ 167,7 bilhões.

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Depois de registrar superávit de R$ 40,81 bilhões em outubro, as contas do governo federal voltaram a ficar no vermelho em novembro e registraram déficit (despesas maiores do que receitas) de R$ 38,35 bilhões, informou nesta segunda-feira (26) a Secretaria do Tesouro Nacional.

O resultado é o pior para meses de novembro de toda a série histórica iniciada em 1997, ou seja, em 20 anos. Esse número não inclui as despesas com o pagamento de juros da dívida pública.

No acumulado de janeiro a novembro, o governo federal registrou déficit de R$ 94,15 bilhões, o pior de toda a série histórica para este período.

Revisão
O Tesouro informou, no relatório divulgado nesta segunda, uma revisão da meta fiscal para 2016, que passou para um déficit de R$ 167,7 bilhões. Como o rombo acumulado até novembro é de R$ 94,15 bilhões, isso significa que o governo estima registrar em dezembro um novo déficit de R$ 73,55 bilhões.

No relatório anterior e no relatório de receitas e despesas primárias do 5º bimestre, a estimativa do governo era de déficit de R$ 166,7 bilhões em todo o ano de 2016.

A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, disse que a mudança na meta ocorreu após uma revisão extemporânea das receitas e despesas primárias. Segundo ela, o decreto com a revisão foi assinado nesta segunda pelo presidente Michel Temer e será publicado nesta terça-feira (27) no Diário Oficial da União.

A revisão estima uma queda de R$ 12 bilhões nas despesas obrigatórias em relação ao relatório do 5º bimestre e aumenta em R$ 6,4 bilhões as despesas discricionárias, onde estão incluídos gastos como o pagamento de parcelas atrasadas com organismos internacionais e tarifas bancárias.
Confirmado, o resultado de 2016 das contas públicas será o pior de toda a série histórica.

O forte aumento do rombo fiscal acontece por conta do fraco desempenho da arrecadação do governo com impostos, reflexo da crise econômica. Além disso, o governo tem elevado as despesas públicas em um orçamento com um alto grau de vinculações.

Previdência
A Secretaria do Tesouro Nacional informou que o rombo da Previdência Social (sistema público que atende aos trabalhadores do setor privado) avançou de R$ 88,85 bilhões nos onze primeiros meses do ano passado para R$ 142,86 bilhões em igual período de 2016. O aumento real, ou seja, já descontado o efeito da inflação, é de 48,2%.

Recentemente, o governo estimou que o déficit da Previdência Social vai somar R$ 148,78 bilhões em todo este ano. Em 2015, a Previdência registrou resultado negativo de R$ 86,81 bilhões.

O governo do presidente Michel Temer encaminhou ao Congresso, no dia 5 de dezembro, uma proposta de reforma da Previdência. A Proposta de Emenda à Constituição sugerida pelo Executivo foi protocolada na Câmara como PEC 287.

Além de fixar uma idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de homens e mulheres, as novas regras, se aprovadas, irão atingir trabalhadores dos setores público e privado. De acordo com o governo, a única categoria que não será afetada pelas novas normas previdenciárias é a dos militares.

Pelas regras propostas pela gestão Temer, o trabalhador que desejar se aposentar recebendo a aposentadoria integral deverá contribuir por 49 anos.

Meta fiscal
O governo terá em 2016 o terceiro ano seguido com as contas no vermelho. Em 2014, houve um déficit de R$ 17,24 bilhões e, em 2015, um rombo recorde de R$ 114,98 bilhões. Para 2017, a estimativa é de um novo déficit fiscal, da ordem de R$ 139 bilhões.

A consequência de déficits fiscais seguidos é a piora da dívida pública e o aumento das pressões inflacionárias.

Por conta do fraco desempenho da economia e da piora do endividamento, o Brasil já perdeu o chamado "grau de investimento" – uma recomendação para investir no país –, retirado pelas três maiores agências de classificação de risco (Standard & Poors, Fitch e Moody´s).

A principal ação do governo para conter os gastos públicos e reverter a trajetória de déficit foi a aprovação da emenda constitucional que institui um teto para os gastos públicos.

A emenda foi promulgada no dia 15 de dezembro pelo Congresso Nacional. Com a promulgação, a proposta passou a existir como lei e deve ser executada. Com isso, o aumento dos gastos públicos, a partir de 2017, ficará limitado à inflação do ano anterior. A regra vale por 20 anos, mas a partir do décimo ano o presidente da República poderá propor um projeto de lei alterando a emenda.
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Desemprego ainda deve subir mais em 2017, antes de começar a cair

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Segundo projeções, país deve voltar a contratar mais do que a demitir em 2017, mas desemprego só deve ceder a partir de meados do ano que vem.

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O número de desempregados aumentou em mais de 2 milhões em 2016 e chegou a 12 milhões de brasileiros. Para 2017, a expectativa é de que o mercado de trabalho possa melhorar a partir de meados do ano. Analistas ouvidos pelo G1 destacam, entretanto, que a taxa de desemprego ainda tende a subir mais antes de começar a cair.

A expectativa do governo e da maior parte do mercado é de que o país saia da recessão no ano que vem e que o número de contratações volte a superar o de demissões. O ano de 2017, entretanto, deverá ser mais de estabilização do que de recuperação, com uma geração de empregos ainda insuficiente para derrubar a taxa de desemprego.

A taxa de desemprego passou de 9,5% no trimestre encerrado em janeiro para 11,8%. Veja gráfico abaixo:
 (Foto: Arte G1)
(Foto: Arte G1)

"No final do ano as empresas costumam contratar mais. Então não dá para dizer que o desemprego está estável. Se considerarmos o ajuste sazonal, continua subindo", diz o economista Luiz Castelli, da GO Associados. Para ele, o desemprego ainda pode continuar subindo até o 3º trimestre do ano que vem.

Perspectivas para recuperação
Projeções das consultorias Tendências e GO Associados, com base nas estimativas do mercado para o PIB (Produto Interno Bruto), apontam que só a partir de 2020 ou 2021 o Brasil deverá recuperar o nível de estoque de empregos formais que tinha no final de 2014, quando o país vivia uma situação considerada de quase pleno emprego.

"Para o mercado de trabalho, 2017 ainda será um pouco pior. Vai ter gente ainda entrando na força de trabalho e a criação de vagas ainda vai ser insuficiente para absorver todo o contingente que está sem trabalho", explica Castelli.

Entre os setores, ainda há divergências sobre qual setor sairá na frente na criação de novas vagas. Em tese, a indústria tenderia a voltar a contratar primeiro, uma vez que foi a primeira a começar a demitir, mas o alto nível de ociosidade e a produção vacilante colocam em dúvida uma reversão do quadro nos próximos meses.

O comércio foi o que mais demitiu no ano. Das 751 mil vagas formais eliminadas no acumulado até outubro, 247 mil foram no comércio. Na sequência, estão construção civil (-225 mil vagas), indústria (-142,5 mil) e serviços (-199 mil). A agricultura e a administração pública foram os únicos setores que criaram novos postos em 2016, com um saldo de 61 mil e 15 mil, respectivamente. Veja gráfico abaixo.
Emprego por setor (Foto: G1 )
Emprego por setor (Foto: G1 )

Há uma relativo consenso, entretanto, sobre as áreas que ainda irão levar mais tempo para voltar a contratar. "As atividade ligadas ao consumo das famílias, como o comércio, ainda devem demorar um pouco mais a reagir", diz Castelli, lembrando que a recuperação do mercado de trabalho costuma ser mais lenta que a da produção ou do consumo.

Ironicamente, a perspectiva de retomada da economia e volta das contratações pode contribuir para a alta da taxa de desemprego num primeiro momento, pois um contingente de pessoas que hoje está no desalento - pessoas que pararam de procurar emprego e, por isso, não entram na conta de desempregados - pode ser estimulada a voltar a procurar emprego.

"2017 será mais um ano de estabilização do que de recuperação. O crescimento do PIB em 2017 será baixo e ainda não será suficiente para alavancar a geração de novas vagas de emprego. Mas pelo menos as demissões darão uma estancada", conclui Bacciotti.

Pessoas desistiram de procurar trabalho
A taxa de desemprego no Brasil só não é maior porque também aumentou o número de pessoas que desistiram de procurar emprego dada a dificuldade de encontrar uma vaga e estão no chamado desalento. Para ser considerado desempregado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é preciso procurar emprego nos últimos 30 dias.

Segundo o IBGE, considerando o desalento e os trabalhadores subutilizados, falta trabalho atualmente para cerca de 23 milhões de brasileiros.

"A taxa de desemprego é tão alta , a queda de renda é tão pronunciada e a perspectiva de encontrar uma vaga é tão reduzida que a pessoa acaba desistindo de procurar, afirma o analista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria.

Este é o caso da publicitária Juliane Penin Morganti, de 24 anos. Desempregada desde junho, ela conta que desistiu de procurar emprego e voltar a estudar para mudar de área e tentar a sorte como fotógrafa. "Nesse período fiz uma única entrevista, só que a remuneração era muito baixa", conta. "Minha sorte é que moro com minha mãe, não tenho filho, não sou casada e não tenho dependentes ainda", completa.
Publicitária Juliane Penin Morganti, de 24 anos, desistiu de procurar emprego e entrou nas estatísticas do desalento. (Foto: Arquivo pessoal)
Publicitária Juliane Penin Morganti, de 24 anos, desistiu de procurar emprego e entrou nas estatísticas do desalento. (Foto: Arquivo pessoal)

Para Bacciotti, a taxa de desemprego deve ultrapassar os 13% no ano que vem, mas pode inverter de trajetória a partir de maio. Ele projeta, porém, que o índice deverá fechar 2017 acima de 12%, portanto maior que o patamar atual.

País perdeu mais de 750 mil empregos formais
No ano, até outubro, foram eliminados mais de 751 mil postos de trabalho com carteira assinada, segundo os dados do Ministério do Trabalho. Somado aos 1,54 milhão de empregos perdidos formais em 2015, chega-se a uma baixa de cerca de 2,3 milhões de postos de trabalho em 2 anos.

O país fechou o mês de outubro com um estoque de 38,9 milhões de empregos formais ante 41,2 milhões no final de 2014. Já são 19 meses seguidos em que demissões superaram as contratações no país. A última vez em que houve mais contratações foi em março de 2015.
Segundo os analistas, há chances do país voltar a registrar saldo positivo de empregos já nos próximos meses, mas o ritmo de criação de novas vagas será fraco.

"Estou projetando uma alta de 360 mil vagas líquidas no ano que vem, o que ainda é muito pouco perto do que se espera e para estabilizar a taxa de desemprego", afirma Castelli.
Empregos com carteira assinada perdidos (Foto: G1 )
Empregos com carteira assinada perdidos (Foto: G1 )

Trabalho por conta própria deixa de ser opção
Em tempos de recessão prolongada, até mesmo o trabalho por conta própria deu sinais de saturação em 2016. Em 7 meses, o Brasil perdeu mais de 1,4 milhão de autônomos – categoria que reúne os chamados PJs (pessoas jurídicas), microempreendedores individuais (MEIs) e todos aqueles que não pagam salário para funcionário.

Ou seja, muitos dos desempregados que tentaram abrir um negócio próprio quebraram ou desistiram da empreitada, aumentando o contingente dos sem trabalho.

"Até meados do ano, as pessoas que estavam fora do mercado formal de alguma maneira conseguiam recolocação na informalidade. Buscavam uma alternativa com algum trabalho de menos qualidade ou negócio próprio, o que impedia uma queda mais pronunciada do emprego como um todo", explica Bacciotti.

Segundo os números do IBGE, o país tinha 21,7 milhões de autônomos no trimestre encerrado em outubro, ante 23,2 milhões no trimestre encerrado em março. Já o número de empregados sem registro em carteira aumentou em mais de 640 mil, passando de 9,7 milhões para 10,4 milhões.

Com menos trabalhadores empregados e recontratações por valores de salários mais baixos, a massa de rendimentos recuou 3,2% em 12 meses, segundo o IBGE.
Desempregados no Brasil (Foto: Arte G1)
Desempregados no Brasil (Foto: Arte G1) 

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