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domingo, 13 de novembro de 2016

Trump traz perspectivas negativas ao comércio, avaliam especialistas

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Presidente eleito dos Estados Unidos tem defendido maior protecionismo.
Consequência pode ser queda maior do comércio global, impactando Brasil.

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Alexandro Martello-Do G1, em Brasília
13/11/2016 09h21 - Atualizado em 13/11/2016 09h21
Postado às 10h35m
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FOTO HOME - Eleições EUA - Donald Trump durante campanha em 19/02/2016 (Foto: Jim Watson/AFP/Arquivo)
A eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos gerou incertezas e insegurança na economia mundial (Foto: Jim Watson/AFP/Arquivo)

A ascensão de Donald Trump ao comando dos Estados Unidos em janeiro de 2017, com uma visão mais protecionista do comércio exterior e um possível embate econômico com a China, pode gerar uma desaceleração do comércio internacional e afetar, por tabela, o Brasil. A conclusão é de especialistas ouvidos pelo G1.

O magnata norte-americano venceu a democrata Hillary Clinton na última terça-feira (8), em uma disputadíssima e agressiva campanha de quase dois anos, marcada por ofensas e ataques pessoais.. A vitória do republicano contrariou a maioria das projeções eleitorais, que previam uma vitória da ex-secretária de Estado, vista pelo mercado como uma alternativa mais segura e menos intempestiva.
Nos dias que se seguiram ao desfecho surpreendente da eleição dos Estados Unidos, houve intensa volatilidade nos mercados mundiais. As principais bolsas de valores do planeta oscilaram como uma montanha russa diante da escolha dos eleitores norte-americanos. O dólar também disparou nos últimos dias no Brasil, registrando, inclusive, maior alta diária em oito anos.

Economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Rafael Cagnin avalia que o avanço planetário da direita – marcado pela eleição de Trump e pela vitória de outros partidos conservadores na Europa – tende a gerar "efeitos negativos" para a globalização e, por consequência, para as vendas externas brasileiras.

"A perspectiva não é favorável. O comércio internacional cresce muito pouco, um nível historicamente baixo. Metade do que crescia antes da crise. Deve crescer abaixo do PIB mundial, o que não é muito favorável. E a eleição do Trump, assim como o ganho de poder de governos de direita, um pouco mais protecionistas, não trazem bom ventos a essa frente", diagnosticou o economista.

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o triunfo de Donald Trump na corrida pela Casa Branca não é positivo para o comércio exterior, mas também não se pode dizer que é totalmente negativo, como sinaliza inicialmente.

"Vamos ser afetados indiretamente. A expectativa do que ele [Trump] vai fazer gerar incerteza, contração do mercado", ponderou Castro.

O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Thomaz Zanotto, ressalta que um discurso mais protecionista, vindo de um país como os Estados Unidos, não é "construtivo".

"Não é construtivo ser muito agressivo no comércio exterior quando o mundo não está avançando muito, com o comércio exterior crescendo menos do que o PIB, algo que não acontece há dez anos", enfatizou.

Vendas do Brasil para os EUA
Os economistas ouvidos pelo G1 também avaliaram que as compras que os Estados Unidos fazem no Brasil podem não ser diretamente afetadas, até mesmo porque representam muito pouco (menos de 2%) das importações totais da economia norte-americana.


"Primeiro, o Brasil tem com os Estados Unidos um déficit comercial, e não um superávit, de cerca de US$ 2 bilhões [registrado em 2015]. Grande parte do comércio entre os países é feito por multinacionais americanas que operam no Brasil. Não se pode dizer que o Brasil está tirando emprego americano. E há enormes investimentos do Brasil nos Estados Unidos, como a Embraer, que usa componentes americanos", destacou Thomaz Zanotto.

Fazendo coro ao dirigente da Fiesp, o presidente da AEB observa que o comércio brasileiro com os Estados Unidos não é tão expressivo. "Importamos US$ 26 bilhões, uma participação de 13,8%. O que eles importam do Brasil [US$ 24 bilhões em 2015] representa apenas 1,6% [das compras totais dos EUA]. E eles têm superávit comercial com o Brasil desde 2009", observou.
EUA x China
Se as vendas diretas do Brasil para os EUA tendem a não ser muito afetadas com a eleição de Donald Trump como preveem os especialistas, as exportações brasileiras para a China podem sofrer um pouco mais por conta de um eventual embate da administração do republicano com o país asiático.


"Trump é mais direto [do que Obama]. Sabemos que ele elegeu a China como a grande culpada pela perda de empregos nos EUA e irá jogar pesado com o gigante asiático. Se ele de fato fizer isso, a China cresce menos. Crescendo menos, demanda menos commodities. E com commodities em queda, o Real despenca junto. Claro, os EUA pode entrar demandando o que a China não comprar, mas não necessariamente esse novo mix será favorável ao Brasil", avaliou André Perfeito, da Gradual Investimentos.

José Augusto de Castro, da AEB, concorda que a prioridade de Donald Trump é de fato a China, na medida em que o déficit comercial dos Estados Unidos com o país asiático – a diferença entre o que os EUA importam e exportam para a China – é de mais de US$ 800 bilhões por ano.

"O que ele [Trump] quer é reduzir as importações da China. Teoricamente, vai tentar produzir no mercado interno [dos EUA] e gerar mais empregos. Mas isso pega a gente indiretamente [pois o Brasil exporta muitas commodities para a China, como minério de ferro e alimentos]. Não só pela diminuição da quantidade exportada, mas pela queda dos preços [das commodities]. Aí seríamos atingidos", analisou Castro.
Donald Trump visita o Gettysburg National Military Park, palco de uma importante batalha na Guerra Civil, em julho de 1863, após discursar na cidade, na Pensilvânia, no sábado (22) (Foto: Reuters/Jonathan Ernst)Especialistas ponderam que é possível que o presidente eleito dos Estados Unidos desista de implementar algumas das suas promessas de campanha, como restrições no comércio exterior  (Foto: Reuters/Jonathan Ernst)

Retórica de campanha
Os analistas consultados pelo G1 ponderam, entretanto, que nem tudo o que é dito em uma campanha eleitoral costuma ser implementado quando o novo governante assume o cargo. Por isso, argumentam, não dá para saber exatamente o que vai ser adotado por Donald hipTrump no comando dos Estados Unidos e suas consequências para o Brasil e para o resto do mundo.


"As questões de campanha nunca são muito efetivas. A economia americana tem institucionalidades fortes, os lobbies são fortes. A gente tem que ver como isso vai se desenrolar", destacou Rafael Cagnin.
O economista do IEDI observou, por exemplo, que há muitas empresas americanas produzindo na China, e que essas companhias seriam afetadas por um corte de compras do país asiático.´

"Há grupos de pressão com interesses muito consolidados nesse grupo de comércio. É muito barulho por enquanto e a gente ainda não consegue avaliar quanto vai ser levado para frente. Tem de analisar quais serão as proximas medidas."
Na visão de Thomaz Zanotto, da Fiesp, muito da "retórica" de campanha do bilionário norte-americano pode não ir para frente.

"O discurso não é construtivo de ser muito agressivo no comércio exterior quando o mundo não está avançando muito", observou.
José Augusto de Castro, da AEB, afirma que se Trump adotar duras medidas antiglobalização enquanto estiver à frente da maior economia do mundo "vai criar uma recessão mundial", prejudicando, principalmente, países que dependem mais do comércio exterior, como Coreia do Sul, Japão, China e até mesmo Alemanha.

Na análise de André Perfeito, da Gradual Investimentos, "no fundo ninguém sabe o que Trump fará porque na verdade nem ele não sabe o quer fazer".
"Quem falar que sabe de algo agora só pode estar muito mal informado", ironizou o economista.
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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Relatório da OMC condena incentivos fiscais à indústria no governo Dilma

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Governo diz que decisão é preliminar e está sujeita à apelação.
Meirelles classificou programas como 'problemas' feitos no governo anterior.

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do G1, em São Paulo e no Rio
11/11/2016 17h51 - Atualizado em 11/11/2016 18h06
Postado às 18h25m
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A Organização Mundial do Comércio (OMC) considerou ilegais os programas de incentivo fiscal brasileiro executados durante o governo Dilma Rousseff em relatório preliminar enviado ao governo brasileiro, de acordo com informações dos jornais O Estado de S. Paulo e Valor Econômico. 

Em comunicado, o governo confirma que recebeu o documento, mas disse que seu conteúdo é sigiloso. O governo ressaltou que vai avaliar a decisão e que há possibilidade de apelação.

Questionado em entrevista coletiva nesta sexta-feira (11) se a decisão da OMC poderá ter algum impacto no Brasil e na indústria nacional, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o governo vai analisar a decisão e tomar as medidas necessárias. 

Isso ainda foi uma decisão de ontem (quinta-feira, 10). Eu acho prematuro especularmos o que faríamos se essa medida de fato for confirmada e os efeitos (dela), principalmente, afirmou.

Ele ainda lembrou que as políticas de incentivos fiscais foram problemas feitos pelo governo anterior. Se esses programas tiverem de ser revistos, serão, concluiu.
Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Marcos Pereira, afirmou que o governo poderá recorrer. Eu ainda não vi o parecer da OMC, mas evidentemente tem possibilidade de recurso (...) e o governo vai fazer uso disso.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores disse que o Governo brasileiro analisará o relatório preliminar e apresentará os comentários que julgar pertinentes para consideração dos membros do painel antes de sua decisão final, que estará sujeita a apelação.

O governo ainda ressaltou que “os programas brasileiros questionados dão importante contribuição ao desenvolvimento econômico e tecnológico do País”.

Disputa
A União Europeia e o Japão questionaram na OMC os regimes tributários criados para estimular a indústria nacional. Boa parte deles foi criada durante a gestão de Dilma Rousseff. Um dos alvos da acusação é o programa Inova-Auto, que reduz o imposto para carros produzidos com mais peças nacionais.


A acusação é de que seria anticompetitivo estabelecer regimes tributários diferenciados para produtos produzidos no Brasil. Isso dificultaria as importações desses itens no país.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Cientistas desenvolvem novo tipo de teste de HIV em pendrive

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Dispositivo usa uma gota de sangue para detectar o HIV.
Pacientes podem monitorar regularmente seus níveis de vírus.

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Da Reuters
10/11/2016 13h36 - Atualizado em 10/11/2016 13h53
Postado às 17h25m
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Pendrive é capaz de detectar HIV (Foto: Imperial College London / DNA Electronics)Pendrive é capaz de detectar HIV (Foto: Imperial College London / DNA Electronics)

Cientistas do Reino Unido desenvolveram um tipo de teste de HIV usando um pendrive que pode fazer uma leitura rápida e altamente precisa de quanto vírus se encontra no sangue do paciente.

O dispositivo, criado por cientistas do Imperial College de Londres e pela empresa privada norte-americana DNA Electronics, usa uma gota de sangue para detectar o HIV, e depois cria um sinal elétrico que pode ser lido por computadores, laptops e aparelhos portáteis.
Os pesquisadores dizem que a tecnologia, embora ainda em seu estágio inicial, poderia permitir que os pacientes monitorem regularmente seus níveis de vírus, mais ou menos como os portadores de diabete verificam os níveis de açúcar no sangue.
        
A tecnologia poderia ser particularmente útil para ajudar pacientes com HIV que vivem em locais remotos a administrar seu tratamento de maneira mais eficaz, já que os testes atuais de detecção dos níveis de vírus demoram ao menos três dias e exigem o envio de uma amostra de sangue a um laboratório.

"Monitorar a carga viral é crucial para o sucesso do tratamento de HIV. No momento, os exames muitas vezes exigem um equipamento caro e complexo que pode demorar alguns dias para produzir um resultado", disse Graham Cooke, que co-liderou a pesquisa do departamento de medicina do Imperial College.
"Pegamos o trabalho que é feito neste equipamento, que tem o tamanho de uma fotocopiadora grande, e o encolhemos até caber em um pendrive."

O exame, que usa um chip de celular, analisa uma gota de sangue colocada em um local do pendrive. Qualquer HIV presente na amostra desencadeia uma mudança de acidez, que o chip transforma em um sinal elétrico. Este é enviado ao pendrive, que mostra o resultado em um computador ou aparelho portátil.

Publicados no periódico científico "Scientific Reports", os resultados revelaram que o teste com o pendrive teve 95 por cento de eficiência com mais de 991 amostras de sangue, e que o tempo médio de leitura foi de 20,8 minutos.
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Vendas do comércio caem pelo terceiro mês seguido, diz IBGE

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Varejo recuou 1% de agosto para setembro.
Diminuição das vendas de supermercados e eletrodomésticos puxou queda.

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Do G1, em São Paulo
10/11/2016 09h00 - Atualizado em 10/11/2016 09h39
Postado às 09h55m
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Supermercados vão abrir no domingo de Carnaval no Espírito Santo (Foto: Edson Chagas/ Arquivo A Gazeta)Vendas de supermercados caíram e influenciaram o varejo. (Foto: Edson Chagas/ Arquivo A Gazeta)

As vendas do comércio varejista brasileiro registraram a terceira queda seguida em setembro. Em relação ao mês anterior, o recuo foi de 1%, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (10).

Na comparação com setembro do ano passado, o comércio sofreu tombo de 5,9%. Com isso, no ano, o varejo acumula queda de 6,5% no ano e, em 12 meses, de de 6,6%.

De agosto para setembro, a queda do varejo foi puxada pela diminuição das vendas dos segmentos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,4%) e de móveis e eletrodomésticos (-2,1%).

Também foram registradas baixas nas vendas de livros, jornais, revistas e papelaria (-2%); tecidos, vestuário e calçados (-0,7%); combustíveis e lubrificantes (-0,5%); e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,3%).

Na contramão, cresceu o setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,0%) em relação a agosto.

Na análise frente a um ano antes, o comportamento foi semelhante ao da comparação mensal. As maiores retrações partiram de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,6%) e móveis e eletrodomésticos (-13,4%).

"O desempenho desta atividade vem sendo pressionado pela contínua queda na massa de rendimento real habitualmente recebida, além da elevação dos preços dos alimentos em domicílio acima do índice geral", diz o IBGE, em nota.

Na sequência, estão combustíveis e lubrificantes e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-9%, nos dois segmentos); tecidos, vestuário e calçados (-10,3%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-3,7%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-11,9%); e, por fim, livros, jornais, revistas e papelaria (-18%).

Veículos e material de construção
O comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, recuou 8,6% em relação a setembro de 2015.


No ano, a atividade acumula queda de 9,2% e, em 12 meses, de 10%. De acordo com o IBGE, esse desempenho reflete o comportamento de veículos, motos, partes e peças, com recuo de 14,4% para o volume de vendas sobre setembro de 2015.

"O menor ritmo da atividade econômica vem influenciando o desempenho destes setores, além da renda das famílias em queda."
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