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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Brasil só deve recuperar estoque de empregos perdidos a partir de 2021

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Desde o início de 2015, país perdeu mais de 2 milhões de vagas formais.
Recuperação deve começar em 2017, mas será lenta, segundo projeções.

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Darlan Alvarenga-Do G1, em São Paulo
05/08/2016 10h27 - Atualizado em 05/08/2016 10h27
Postado às 13h35m
GIPOPE - GARIBA'S Logística for 2012 - 2013
Ainda que alguns indicadores comecem a dar sinais de que a economia brasileira parou de piorar e pode estar saindo do fundo do poço, o mercado de trabalho precisará de alguns anos para se recuperar dos efeitos da prolongada recessão e absorver todos aqueles que foram demitidos ou não conseguiram um emprego com carteira assinada.

EMPREGOS FORMAIS
Estoque por ano, em milhares
Created with @product.name@ @product.version@41.23439.69338.33638.72039.49540.28441.13041.994Ano 2014Ano 2015Ano 2016Ano 2017Ano 2018Ano 2019Ano 2020Ano 20210k20k40k60k
Fonte: GO Associados
* Números a partir de 2016 são projeções

(O G1 publica, esta semana, reportagens especiais sobre o desemprego, que atinge níveis recordes no país. Na quarta-feira, contamos como e por que o desemprego cresce no Brasil

Na quinta, contamos histórias de quem procura trabalho, e revisitamos trabalhadores que já foram personagens de histórias do G1. E nesta sexta, mostramos o que pode acontecer, e damos dicas para quem procura um emprego)

Projeções das consultorias Tendências e GO Associados, com base nas estimativas do mercado para o PIB (Produto Interno Bruto), apontam que só a partir de 2021 o Brasil deverá recuperar o nível de estoque de empregos formais do final de 2014, quando o país vivia uma situação considerada de quase pleno emprego.

Desde janeiro de 2015, o Brasil perdeu 2,07 milhões de vagas com carteira assinada, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

O país terminou o mês de junho com um estoque de 39,1 milhões de empregos formais ante 41,2 milhões no final de 2014. O recorde da série foi registrado em setembro daquele ano, nas vésperas das eleições presidenciais, quando o total de trabalhadores celetistas chegou a 41,8 milhões.


Já são 15 meses seguidos de demissões superando as contratações. No ano passado, o Brasil perdeu 1,54 milhão de empregos formais. Em 2016, no acumulado no ano, até junho, foram eliminados outros 531,7 mil postos de trabalho no regime celetista.

Perda de 1,3 milhão de vagas em 2016
O economista Luiz Castelli, da GO Associado, projeta que o número de vagas perdidas ao longo de 2016 chegará a 1,36 milhão, totalizando cerca de 2,9 milhões de empregos formais eliminados no país em 2 anos.
 
"O país ainda está destruindo empregos. A partir de 2017, paulatinamente, o Brasil deve voltar a apresentar criação líquida positiva de empregos, conforme o PIB do país volte a crescer. Mas o caminho será bastante lento e duro, afirma.

Pelas contas do economista, entre 2017 até o final de 2020, deverão ser criadas 2,79 milhões de vagas formais, se confirmadas as projeções de alta do PIB de 1% em 2017, 2% em 2018, 2% em 2019 e 2,10% em 2020. Ou seja, o número de vagas criadas nos próximos 4 anos ainda deverá ser insuficiente para recuperar os 2,9 milhões de empregos perdidos no ano passado e neste ano.

Apenas no primeiro trimestre de 2021 definitivamente o Brasil deve ultrapassar o estoque de empregos formais apresentado em dezembro de 2014, diz Castelli, ressalvando que quanto maior for a recuperação da economia, mais rápido será a melhora do mercado de trabalho.

Procurado pelo G1, o Ministério do Trabalho não quis fazer análise de cenários, informando que apenas elabora e divulga estatísticas relativas ao emprego formal.

Taxa de desemprego de 13% em 2017
O economista Rafael Bacciotti, da Tendências, avalia que as demissões devem perder força nos próximos meses e que o país voltará a criar vagas a partir de 2017, mas também projeta que só em 2021 será retomado o patamar de estoque de empregos formais pré-crise.

TAXA MÉDIA DE DESEMPREGO
Em %
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Fonte: Tendências Consultoria
* Números a partir de 2016 são projeções

Ainda que os números de ocupação parem de cair, tem o efeito do aumento da força de trabalho", destaca o analista.
Ou seja, há mais gente disputando hoje um número menor de vagas disponíveis, tanto pelo aumento do desemprego quanto pelo ingresso de novos trabalhadores no mercado de trabalho.

A taxa de desemprego ficou em 11,3% no trimestre encerrado em junho e a população desocupada bateu 11,6 milhões, o maior número da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Tendências projeta que a taxa ainda vai crescer mais e baterá os 13% em 2017. Veja gráfico ao lado
"Para o país voltar a contratar, antes é preciso observar uma volta da confiança e da demanda, que ainda está muito fraca", afirma Bacciotti.

Embora o nível de emprego esteja diretamente relacionado com o ritmo da atividade econômica, os índices de ocupação e de desemprego costumam ter uma recuperação mais lenta.

"Num cenário de contração, antes de voltar a contratar, as empresas tendem a usar ao máximo os trabalhadores que já tem, aumentanto o número de horas extras, até sentir que a demanda já é forte o suficiente para valer a pena contratar. Por isso tem esse delay", explica Castelli, da GO Associados.

Retomada
As apostas do mercado são de que a indústria deverá sair na frente na recuperação do estoque de empregos formais, uma vez que também foi o primeiro setor a sentir os sintomas da crise e vem registrando uma melhora nos indicadores de atividade. Em junho, a produção da indústria brasileira cresceu 1,1% em junho, na comparação com o mês anterior.


Segundo os números do Ministério do Trabalho, a indústria foi o setor que mais perdeu vagas no país: foram 752 mil postos eliminados desde o início de 2015. Na sequência, está a construção civil (perda de 531 mil vagas), o comércio (- 467 mil) e o setor de serviços (-393 mil).

Levantamento publicado no G1 no dia 20 de julho mostrou que o só Brasil só tem criado vagas formais de até 1 salário mínimo. De janeiro a maio, a única faixa salarial a apresentar saldo positivo de postos de trabalho foi a de meio a 1 salário mínimo, com a geração de 96,5 mil vagas em 5 meses.
Dados do IBGE apontam que até mesmo o trabalho por conta própria dá sinais de saturação (Foto: Reprodução)Dados do IBGE apontam que até mesmo o trabalho por conta própria dá sinais de saturação (Foto: Reprodução)

Salários em queda e poucas alternativas
Em uma economia em recessão, é inevitável que informalidade cresça. A chamada economia subterrânea aumentou pela primeira vez em pelo menos 11 anos, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e do Ibre/FGV, passando a representar 16,2% do PIB, um crescimento de 0,1 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Os números do IBGE apontam, entretanto, que o emprego sem carteira assinada deixou de ser a válvula de escape para quem fica desempregado. O número de trabalhadores informais passou para 10,083 milhões em junho ante 10,067 milhões 1 ano antes.

Até mesmo o trabalho por conta própria dá sinais de saturação. São quase 23 milhões de brasileiros com esse tipo de ocupação, que reúne os autônomos, os chamados PJs (pessoas jurídicas), microempreendedores individuais (MEIs) e todos aqueles que não pagam salário para funcionário.

Nos 12 meses encerrados em maio, cresceu 3,9% o número de brasileiros se virando por conta própria, um acréscimo de 857 mil pessoas. Na comparação com o trimestre anterior, entretanto, o número caiu 1,1%, com uma saída de 263 mil trabalhadores.

A pior consequência da queda do emprego formal é a perda de qualidade da ocupação e todas as implicações sociais dessa queda da taxa de formalização, afirma Bacciotti.

Segundo o IBGE, o rendimento médio do trabalhador caiu 4,2% no trimestre encerrado em junho, na comparação com o mesmo período de 2015. Já a massa salarial recuou 4,9%. Ou seja, menos oferta de emprego, maior concorrência e queda real dos salários.

"Teremos que remar muito para recuperar o que se perdeu. Primeiro é preciso parar de destruir empregos e voltar a criar vagas em um nível que acompanhe a taxa de crescimento da força de trabalho, só então é que o desemprego poderá começar a se estabilizar", conclui Castelli.
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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Produção de veículos no Brasil recua 15,3% em julho

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De janeiro a julho, produção da indústria automotiva encolheu 20,4%.
Volume do ano continua sendo o menor desde 2004, segundo a Anfavea.

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Rafael Miotto-Do G1, em São Paulo
04/08/2016 11h23 - Atualizado em 04/08/2016 13h22
Postado às 14h10m
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Produção de veículos recua no Brasil  (Foto: Divulgação)Produção de veículos recua no Brasil (Foto: Divulgação)

A produção brasileira de veículos, incluindo automóveis, comerciais leves (picapes e furgões), caminhões e ônibus, recuou 15,3% em julho, na comparação com o mesmo período de 2015, segundo dados divulgados pela associação de fabricantes (Anfavea) nesta quinta-feira (4).
No total, saíram das linhas de montagem instaladas no país 189,9 mil veículos no mês passado, contra 224,1 mil no mesmo mês de 2015.

Houve leve alta de 4,7% sobre o nível de junho, que teve 181,4 mil veículos fabricados. Foi o segundo melhor mês do ano, atrás apenas de março. No entanto, o volume é o pior resultado para o mês de julho desde 2004.

De janeiro a julho, a fabricação de 1,2 milhão de unidades, representa encolhimento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano passado, que teve 1,51 milhão. Também é o pior desempenho do setor nos primeiros 7 meses do ano desde 2004.

As vendas apresentaram uma leve recuperação de 5% sobre junho, mas ainda acumulam recuo de 24% no ano, de acordo com dados da federação de concessionários (Fenabrave).
"Esse foi o melhor mês do ano, mas ainda não conseguimos afirmar que é uma recuperação", afirmou Antonio Megale, presidente da Anfavea.
Anfavea - Agosto (Foto: Arte/G1)
Exportações
Enquanto o mercado nacional não se recupera, as exportações se tornam mais importantes para as montadoras. Em julho, 45.552 unidades foram mandadas ao exterior, o que significa um aumento de 61% em relação ao mesmo mês de 2015, quando 28.296 veículos foram exportados.

Nos primeiros 7 meses do ano, as exportações cresceram 20%, chegando a 272.205 unidades, contra 226.751 de um ano antes.
"A possibilidade de exportação é uma alternativa importantíssima para utilizar a capacidade ociosa da indústria, que está em cerca de 50%", afirma Megale.

Emprego
Em 1 ano, 8,9 mil vagas diretas foram fechadas no setor automotivo, o que representa 6,6% dos 135 mil que trabalhavam no setor em julho do ano passado.


"(Houve) redução de 1.200 postos de trabalho de junho para julho. Todas as empresas estão usando ao máximo a capacidade de flexibilização, como lay-off e PPE, com o objetivo de manter os empregos", afirmou Megale.

No final de julho 26 mil dos 126,8 mil funcionários do setor estavam com alguma restrição na jornada de trabalho, sendo 21 mil no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que reduz também os salários, e 5 mil em lay-off (suspensão temporária dos contratos).
Anfavea pediu ao Ministério do Trabalho que o PPE se torne permanente; por lei, vale até 2017.

O presidente da Anfavea diz que a entidade pediu ao Ministério do Trabalho que o PPE se torne permanente: pela lei que criou o programa, ele termina em 2017.

Em 3 anos, o nível de emprego na indústria encolheu quase 20% e pode diminuir ainda mais. Em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Volkswagen e Ford fizeram recentemente novos acordos para evitar demissões em massa, com renovação do PPE, mays lay-offs e planos de demissão voluntária (PDVs).

A Volkswagen diz ter um excedente de cerca de 3,6 mil funcionários na fábrica Anchieta, que produz Gol, Saveiro e Jetta. Já a Ford considera ter 2 mil empregados além do necessário em São Bernardo.

Previsão para 2016
As fabricantes esperam que a produção se recupere nos próximos meses e feche o ano com variação negativa de apenas 5,5% em relação a 2015, com 2,29 milhões de unidades. As vendas, no entanto, devem ter queda forte de 19%. Já as exportações devem subir 21,5%, segundo estimativas da Anfavea.

 Post.N.\7.219 
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