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sábado, 21 de maio de 2016

Entenda a atual situação das contas públicas e possíveis medidas

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Governo Temer calcula rombo fiscal de até R$ 170,5 bilhões.
Renovação da DRU e reforma da Previdência estão entre prioridades.

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Taís Laporta-Do G1, em São Paulo
21/05/2016 07h30 - Atualizado em 21/05/2016 07h30
Postado às 10h55m
Mudança da meta - v.2 (Foto: Editoria de Arte/G1)
O rombo nas contas públicas em 2016 poderá ficar em R$ 170,5 bilhões, segundo cálculos da nova equipe econômica do presidente em exercício, Michel Temer. 

Esse "buraco" – gastos acima das receitas (déficit), anunciado nesta sexta-feira (20) pelos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Romero Jucá, será, se confirmado, o maior na história do país até agora.

Segundo Meirelles, esse valor é um "teto", e o governo vai trabalhar para reduzir esse rombo. Uma das prioridades será tentar estancar a "sangria" que pode ter levado as contas públicas a esse patamar.
Para isso, os ministros de Temer armam um arsenal de medidas para os próximos dias. Elas envolvem reformas nas esferas trabalhista e previdenciária, dentre outras ações para cortar gastos e elevar a arrecadação.

Ao assumir o cargo, Henrique Meirelles, disse que a primeira grande ação do governo Temer na área econômica seria "controlar" o aumento de despesas públicas. Nesta sexta, ele informou que as primeiras medidas serão apresentadas na próxima semana.

Outra prioridade é enviar um projeto de lei ao Legislativo para mudar a meta fiscal deste ano a um patamar mais ajustado à previsão de rombo – e assim fechar o ano sem descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que exige que essa meta seja cumprida.

O novo governo precisará de apoio político para aprovar medidas consideradas impopulares em seu esforço fiscal. Foi o que faltou ao ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy no ano passado, que fracassou ao tentar fazer cortes mais profundos no Orçamento e alcançar uma meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida) considerada ousada, e que depois foi revisada para baixo.

Para mostrar que está disposto a cortar na "própria carne", Temer extinguiu nove ministérios no dia de sua posse, restando 24, com a exclusão e fusão de pastas. O ministro do Planejamento, Romero Jucá, anunciou a intenção de cortar até 4 mil cargos de confiança e funções gratificadas, o que representa 18,4% do quadro. O governo federal tem hoje 21,7 mil cargos comissionados. Esses cortes, porém, só têm efeito simbólico nos gastos do orçamento.

O governo do presidente em exercício também indicou que pretende fazer uma reforma na Previdência e não descartou o retorno de um imposto semelhante à CPMF (que ficou conhecido como 'imposto do cheque') para aumentar a arrecadação – medidas que enfrentam resistência de setores da população e do Congresso.

Entenda a atual situação do Orçamento e as possíveis medidas do novo governo para equilibrar as contas públicas:
rombo (Foto: Arte/G1)
Ele existe para controlar as despesas e receitas do governo para cumprir as leis previstas pela Constituição. Para isso, o governo é obrigado a criar metas para garantir a saúde das contas públicas (evitando o chamado déficit, quando se arrecada menos do que se gasta).

Ele precisa explicar como os recursos arrecadados vão ajudar a cumprir esses objetivos. Ao prever as despesas, o ministério do Planejamento deve garantir que haja dinheiro para as áreas consideradas mais importantes. Para isso, ele cria prioridades que estão previstas no Orçamento.

rombo (Foto: Arte/G1)
A maior parte dos recursos públicos vem da cobrança de tributos (impostos, taxas e contribuições) que são arrecadados nas esferas federal, estadual e municipal. Este dinheiro é administrado pela Receita Federal, que também controla as contribuições da Previdência que pagam os benefícios de aposentados e de outros segurados.

Outra parte dos recursos, a menor, vem de fontes que não passam pela Receita. Entre elas, as concessões de projetos em infraestrutura e dividendos pagos pela distribuição de lucro dos bancos públicos, além do salário-educação, que é uma contribuição paga pelas empresas para custear programas educacionais.

rombo (Foto: Arte/G1)
Em 2014, as contas do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) registraram o primeiro déficit primário (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida pública) em 18 anos, de R$ 17,24 bilhões.

Em 2015, um ano marcado pela recessão na economia e pelo pagamento das chamadas "pedaladas fiscais", as contas do governo tiveram forte deterioração e registraram um rombo recorde de R$ 114,98 bilhões, ou 1,94% do Produto Interno Bruto (PIB).

rombo (Foto: Arte/G1)
O déficit fiscal (despesas maiores que receita nas contas públicas – a diferença entre o que o governo arrecada e o que ele gasta) pode piorar a relação da dívida bruta (que é o total do que o governo deve) em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) – um indicador acompanhado pelas agências de classificação de risco.

Hoje, ela está em 66,2% do PIB. Em 2010, ela estava em 51,7%. Quando o governo não faz economia para pagar os juros da dívida (superávit primário), ela fica maior.

rombo (Foto: Arte/G1)
A lei estabelece dois tipos de despesas públicas: as chamadas “discricionárias”, que não são obrigatórias dentro do Orçamento, sobre as quais o governo tem controle e liberdade para cortar. 

Já as despesas obrigatórias – como o pagamento de pessoal, benefícios da Previdência e desonerações de tributos –, são "engessadas" e só podem ser cortadas com modificação de leis, e para isso precisam da aprovação do Congresso. 

Os gastos obrigatórios representam a maior parte do total previsto no Orçamento. Ou seja, o governo tem uma margem relativamente pequena para cortar despesas.

rombo (Foto: Arte/G1)
O chamado "contingenciamento" é o mecanismo que o governo tem para mudar a previsão de gastos ao longo do ano. No início de cada ano, o governo costuma emitir um decreto que limita as despesas que foram autorizadas na Lei Orçamentária Anual (LOA).

Só é possível cortar as despesas discricionárias ou as não obrigatórias por lei (como investimentos e custeio).

rombo (Foto: Arte/G1)
O ministério do Planejamento, ainda no governo Dilma, autorizou em março um bloqueio de gastos no orçamento de 2016 de R$ 21,2 bilhões. O corte foi anunciado no relatório de receitas e despesas do Orçamento. Esse valor se soma ao bloqueio anterior de R$ 23,4 bilhões anunciado em fevereiro. Com isso, o corte total o orçamento de 2016 chegou a R$ 44,65 bilhões em relação à previsão original.

No corte de fevereiro, os ministérios de Minas e Energia, Saúde e da Educação tiveram os maiores bloqueios dos gastos sobre os quais o governo tem controle no Orçamento. 

Nos cortes de março, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) teve seus gastos limitados de R$ 26,49 bilhões para R$ 23,28 bilhões. Também sofreram cortes os ministérios da Educação, Saúde, Minas e Energia e Ciência e Tecnologia.

Nesta sexta, no entanto, Meirelles informou que R$ 21,2 bilhões desses cortes serão revertidos – ou seja, esse dinheiro voltará a ser liberado.

rombo (Foto: Arte/G1)
Os bloqueios de despesas foram feito na tentativa de evitar um déficit maior e de atingir a meta fiscal (economia para pagar os juros da dívida) fixada pelo Congresso para 2016.

No entanto, segundo projeções do mercado e analistas ouvidos pelo G1, independentemente do seu tamanho, o corte não seria suficiente para atingir a meta fiscal neste ano, nem para impedir um novo rombo nas contas públicas.

rombo (Foto: Arte/G1)
Em março, o governo Dilma pediu aval para um rombo de R$ 96 bilhões (gastar mais do que arrecadou) – o equivalente a 1,5% do PIB nacional. O governo justificou o rombo dizendo que um corte maior nos gastos pode frear ainda mais a economia.

Nesta sexta, a equipe do governo Temer informou que prevê um rombo bem maior – de R$ 170,5 bilhões até o fim do ano – o pior resultado fiscal da história do país e o terceiro ano seguido de déficit nas contas públicas.

selo - por que o governo temer aumentou a previsão de déficit (Foto: G1)
Além dos R$ 96,7 bilhões estimados antes, os ministros revisaram para baixo a estimativa de receita (o dinheiro que o governo vai arrecadar). A previsão caiu 4%, para R$ 1,0778 trilhão, por conta, entre outros motivos, da previsão de queda do Produto Interno Bruto (PIB) do país este ano. Segundo Meirelles, a previsão de receita estava superestimada.

O governo também prevê agora mais despesas: além de liberar R$ 21,2 bilhões em gastos que estavam bloqueados, existe ainda a previsão de gastos de R$ 9 bilhões com pagamento de despesas atrasadas dentro do PAC; de despesas de investimento do Ministério da Defesa e outras (R$ 3,5 bilhões), e gastos necessários para o setor da saúde de cerca de R$ 3 bilhões.

Há previsão ainda de efeitos da renegociação das dívidas dos estados, pagamentos atrasados a fornecedores e de dívidas com organismos internacionais, que serão, em parte, compensados com recursos arrecadados a partir da repatriação de ativos mantidos por brasileiros no exterior e não declarados à Receita Federal. O efeito líquido desses itens, segundo Meirelles, será de R$ 19,9 bilhões negativo.

rombo (Foto: Arte/G1)
O governo Dilma já havia piorado a previsão do rombo algumas vezes. Em fevereiro, o então ministro da Fazenda de Dilma, Nelson Barbosa, anunciou um projeto de lei para abater até R$ 84,2 bilhões na meta fiscal neste ano e, desta forma, permitir um déficit primário (receitas menores que as despesas, sem contar juros da dívida) de até R$ 60,2 bilhões em 2016.

Em agosto do ano passado, o governo tentou enviar um projeto de Orçamento de 2016 ao Congresso com déficit de R$ 30,5 bilhões, mas, diante da reação negativa de parlamentares e agências de classificação de risco, voltou atrás. 

Depois, tentou abater da meta fiscal gastos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da ordem de R$ 30,5 bilhões, o que permitiria entregar um resultado fiscal zero (sem déficit nem superávit), mas também não conseguiu.

rombo (Foto: Arte/G1)
A última versão do texto do Orçamento de 2016, aprovada pelo Congresso, estabelece uma meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida) de 0,5% do PIB, o equivalente a R$ 30,5 bilhões para todo o setor público (governo, estados, municípios e estatais). A parte somente do governo é de um superávit de R$ 24 bilhões, ou 0,4% do PIB, enquanto R$ 6,5 bilhões são a meta de estados e municípios (0,1% do PIB).

Um projeto de lei foi enviado em março para o Congresso, alterando a meta fiscal para um déficit de R$ 96 bilhões, que estava previsto para ser analisado no próximo dia 24 de maio, segundo o presidente do Senado, Renan Calheiros.

O novo governo deve enviar agora ao Congresso um novo projeto de lei, alterando essa meta fiscal para R$ 170,5 bilhões. Mas, enquanto uma nova meta não é aprovada pelo Legislativo, o governo deve, por lei, buscar a meta que ainda vale, de R$ 24 bilhões de superávit.

POSSÍVEIS MEDIDAS
Veja quais são as eventuais ações sinalizadas pelo governo em exercício para reduzir o déficit fiscal:
Renovação da Desvinculação das Receitas da União (DRU)
Para aumentar a margem de manobra nos gastos, uma das opções é aprovar a renovação da Desvinculação das Receitas da União (DRU) pelo Congresso. O mecanismo permite que parte das receitas de impostos e contribuições obrigatoriamente destinadas a um órgão ou fundo sejam destinadas para cobrir as finanças públicas. 

Na prática, transforma uma despesa obrigatória em despesa discricionária, o que dá mais liberdade para que o governo use os recursos do Orçamento. Por exemplo, parte das contribuições da Previdência que seriam destinadas aos gastos do órgão poderia ser usada como receita no resultado fiscal.

A renovação da DRU, que foi válida até o fim do ano passado, foi proposta pelo governo anterior e aguarda aprovação do Congresso. Ela foi considerada uma das prioridades do governo para o ajuste fiscal. O governo Dilma queria que a DRU seguisse valendo até 2023 e propôs aumentar, de 20% para 30%, o percentual das receitas que pode ser remanejado.

Sem a renovação, o governo continua obrigado a destinar a maior parte dos recursos do Orçamento a áreas específicas, como saúde, educação e Previdência. O governo anterior alegou que a manutenção da desvinculação não vai levar à redução dos investimentos nesses setores. Segundo a proposta, se aprovada em 2016, a DRU daria ao governo mais liberdade para gastar R$ 121 bilhões, de um total de R$ 408 bilhões (30%) em receitas previstas para o Orçamento.

“Na minha avaliação, [essa economia] é de pouca relevância para o ajuste fiscal e para o resultado primário, já que não necessariamente ela se transforma em economia (poupança) primária”, avalia Fábio Klein, da consultoria Tendências. 

Para o economista, para gerar um impacto fiscal relevante, os recursos da DRU não poderiam ficar parados no caixa do Tesouro. “‘Eles teriam que ser gastos ou alocados para uma despesa não obrigatória que pode sofrer um corte (contingenciamento) para cumprir a meta fiscal”, afirma.

O analista da Tendências avalia que a DRU apenas flexibiliza a alocação dos recursos em diversas atividades e funções públicas. “Aparentemente, não é legalmente possível desvincular recursos para fazer poupança primária ou abater dívida. Meu receio é que possa sempre haver a tendência de se usar a DRU simplesmente para escolher onde gastar, não necessariamente para gerar [resultado] primário”, diz.

Elevação de tributos e volta da CPMF
No Orçamento deste ano, o governo estimava uma receita "extra" de R$ 13,4 bilhões com o retorno da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras), imposto criado no governo de Fernando Henrique Cardoso para financiar gastos de saúde e extinto em 2007.

Inicialmente, o governo previa arrecadar R$ 32 bilhões com a medida, mas reduziu a expectativa nas últimas revisões do Orçamento.
Essa receita não é garantida: a CPMF ainda não foi aprovada eministros de Temer já indicaram que sua receita não está prevista para este ano. 

No fim do ano passado, o governo Dilma enviou ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para recriar o imposto. A proposta era cobrar uma alíquota de 0,2% sobre todas as transações bancárias de pessoas físicas e empresas para cobrir as despesas da Previdência Social. A proposta para recriar o imposto não foi bem recebida por parlamentares, inclusive da base aliada ao governo Dilma. (Entenda o que é a CPMF)

A volta do imposto, defendida por Dilma, não foi votada pelo Congresso até seu afastamento da presidência. Logo após assumir a Fazenda, Meirelles não descartou o aumento de impostos entre as medidas para equilibrar as contas públicas, mas disse que, se isso acontecer, será "temporário".

Para o economista Leite, o aumento de tributos pode ser a única alternativa viável para elevar as receitas este ano, mas a recriação da CPMF é, em sua opinião, improvável. “Acho muito difícil politicamente aprovarem esse tributo, porque os principais setores que apoiaram o impeachment são contra sua volta”, afirma. Ele acredita, contudo, que aumentos em outros tributos, como a Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), podem substituir a CPMF.

Reforma da Previdência
Há décadas, discute-se uma possível reforma da Previdência para corrigir o crescente desequilíbrio entre o que ela gasta e o que arrecada. A cada ano, as despesas com benefícios ficam maiores em relação ao total de contribuições. 

O chamado déficit da Previdência (que não leva em conta as receitas da Seguridade Social, da qual a Previdência faz parte) mais que dobrou na última década: passou de R$ 37,5 bilhões em 2005 para R$ 85,8 bilhões em 2015.

Vários entraves adiaram a discussão sobre uma reforma com efeitos para as décadas futuras, mas o debate foi ressuscitado com a necessidade de se fazer um ajuste fiscal nas contas públicas, na tentativa de amenizar o rombo que chegou a R$ 111 bilhões em 2015, o maior da série histórica iniciada em 2001.

Como parte desse ajuste, o governo anunciou no início de 2015 uma minirreforma que dificultou o acesso a alguns benefícios previdenciários e reduziu o tempo de direito a outros.Também mudou o cálculo do tempo mínimo para receber a aposentadoria, com a fórmula 85/95, criada para desestimular os pedidos precoces do benefício, que cresceram com o fator previdenciário. 

Esse mecanismo permite aposentar-se antes do tempo mínimo exigido, com um valor menor da aposentadoria.
Meirelles também defendeu que se estabeleça uma idade mínima para a aposentadoria pelo INSS – aos moldes do que vinha sendo discutido pelo governo anterior. Ele disse que a medida é fundamental para garantir o financiamento da Previdência.

Mas do ponto de vista fiscal, o analista em Tendências Fábio Klein diz que uma eventual reforma da Previdência não teria qualquer impacto na meta fiscal deste ano. Seria um efeito apenas de longo prazo para as contas públicas, diz.
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Google planeja lançar smartphone 'para montar' em 2017

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Desenvolvedores terão acesso ao celular 'modular' a partir de setembro.
Aparelho pode ser montado com diversos componentes pelo usuário.

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Da France Presse
21/05/2016 09h46 - Atualizado em 21/05/2016 09h46
Postado às 10h25m
Smartphone 'para montar' do Google, batizado de 'projeto Ara'. (Foto: Reprodução/Google)Smartphone 'para montar' do Google, batizado de 'projeto Ara'. (Foto: Reprodução/Google)

O Google planeja lançar em 2017 o smartphone "modular", batizado de "projeto Ara", que havia anunciado no início de 2015.

"No ano que vem, 'Ara' estará disponível para os consumidores", informou o Google nesta sexta-feira (20), último dia do Google I/O, sua conferência anual de programadores.

Os desenvolvedores terão acesso a uma versão específica do Ara, a partir de setembro, para que criem aplicativos.

O Ara apresenta uma estrutura básica, um "esqueleto", sobre a qual o usuário pode acrescentar blocos com diferentes funções, como câmera, sensores, alto-falantes. "O Ara estará para os smartphones como os aplicativos estiveram para o software", destacou o Google.

Quando foi apresentado o protótipo, no início de março de 2015, durante o congresso mundial de telefonia móvel em Barcelona, o Google disse que esperava criar uma verdadeira indústria em torno deste novo modelo, que oferecerá um acesso mais fácil à Internet aos habitantes dos países emergentes.
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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Superlaboratório: 'Sirius está no limite do que a física permite', afirma diretor

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Quando inaugurado, projeto brasileiro será liderança mundial de síncrotrons.
Na 4ª reportagem, especial mostra que tecnologia estará no 'estado da arte'.

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Roberta Steganha-Do G1 Campinas e Região
20/05/2016 06h00 - Atualizado em 20/05/2016 06h00
Postado às 23h30m

Projeto Sirius (Foto: Divulgação/ LNLS)Maquete digital do Projeto Sirius que está sendo construído em Campinas (Foto: Divulgação/ LNLS).

"O Sirius está sendo desenhado para ter uma sobrevida de décadas, principalmente porque em algumas questões, características, ele está no limite do que a física permite [...] a vida útil dele é de pelo menos uns 30 anos", afirma Antônio José Roque da Silva, diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), sobre o superlaboratório que está sendo construído em Campinas (SP).

O projeto ganhou o nome de Sirius em referência a uma estrela de grande brilho localizada na constelação de Canis Major. Quando ficar pronto em 2018, ele vai ser liderança mundial em síncrotrons, superando o que será inaugurado em junho deste ano na Suécia.
Sirius ficará pronto em 2018 (Foto: Divulgação/ LNLS)Sirius ficará pronto em 2018 e abrirá ao público em 2019 (Foto: Divulgação/ LNLS).

O Sirius será um superlaboratório de 68 mil m² em um terreno de 150 mil m² junto ao campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem), onde está instalado o Polo II de Alta Tecnologia [veja as maquetes acima]. A área total equivale a 21 campos de futebol.

O custo estimado é de, aproximadamente, R$ 1,3 bilhão. A obra e os equipamentos são financiados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, já o terreno foi comprado pelo governo estadual. Não há verba privada neste momento do projeto.


Na última reportagem da série especial sobre o superlaboratório, o G1 vai falar sobre o impacto que o Sirius trará para ciência brasileira e mundial, e como ele colocará a tecnologia em "estado da arte", que é o ponto mais alto do conhecimento científico.

Na primeira reportagem, o especial abordou os usos da luz síncrotron. Na segunda, o assunto foi o nascimento do LNLS, o "embrião" do projeto Sirius . Já na terceira, foi a vez de mostrar pesquisadores e estudos desenvolvidos.

Mapa síncrotrons pelo mundo (Foto: Henrique Maruyama/ Arte G1)Mapa das fontes de luz síncrotron pelo mundo (Foto: Henrique Maruyama/ Arte G1).

Luz-sincrotron - arte vale (Foto: Taiane Moretti/ Arte G1)
Segundo Antônio José Roque da Silva, os primeiros estudos do projeto Sirius começaram em 2009, quando nascia a terceira geração de síncrotrons, que é a usada pela comunidade científica atualmente.

"O projeto foi feito entre 2009 e 2012 e foi sendo estruturado, protótipos foram sendo fabricados, ou seja, o projeto evoluiu até que nós decidimos que estávamos prontos para uma apresentação [...] Então, em 2012 formamos esse comitê, com representantes dos Estados Unidos, Europa e da China", afirma.


Reprojetamos o Sirius inteiro para o desenho atual dele e que passa, então, nesse momento a ser pioneiro, inclusive aproveitando o que tinha sido aprendido com o síncrotron sueco"
Antônio José Roque da Silva, diretor
No entanto, o diretor destaca que durante a avaliação, o comitê deu uma recomendação, que mudou todo o rumo do projeto.

"Eles analisaram e disseram o projeto estava excelente pelos padrões de hoje e o hoje era 2012. Só que eles falaram que o mundo estava iniciando, através de um projeto na Suécia, uma nova geração síncrotrons [...] era um avanço tecnológico que ia aumentar o brilho. 

Aí, eles recomendaram uma análise para construir algo parecido", explica.
Então, os pesquisadores concluíram que era necessário seguir a nova tendência de síncrotrons para não nascer numa tecnologia abaixo. 

"Reprojetamos o Sirius inteiro para o desenho atual dele e que passa, então, nesse momento a ser pioneiro, inclusive aproveitando o que tinha sido aprendido com o síncrotron sueco [..] nós fizemos avanços, melhorias em relação a esse projeto, com soluções nossas", conta.
feixe de luz arte (Foto: Taiane Moretti/ Arte G1)
Quando inaugurado, o Sirius assumirá a liderança mundial de síncrotrons e o país será uma referência entre os laboratórios mundiais.

"Quando ele ficar pronto, seguindo o cronograma que é ter o primeiro feixe de luz em 2018, e aí abrir para usuário em 2019, ele será um dos dois únicos de quarta geração e inclusive, sendo projetado para ter um brilho maior do que o sueco, porque ele veio um pouco depois", pontua Silva.

Além disso, a vida útil do laboratório será longa porque vai ser possível ir atualizando o equipamento, o que deve fazer com que o Brasil permanece na liderança mundial da categoria.

"Em 30 anos você sai da estaca zero e passa a ter um projeto que é liderança mundial. 

Que coloca o Brasil na fronteira, então tem impactos tecnológicos significativos. [..] Vamos prover para comunidade brasileira e internacional, uma ferramenta que vai permitir trabalhos na fronteira, no estado da arte", salienta. 
investimento - arte (Foto: Henrique Maruyama/ Arte G1)
As obras começaram logo após o lançamento da pedra fundamental e assinatura do contrato em dezembro de 2014 e, segundo Silva, estão dentro do planejado. "A parte civil evoluiu, está com pouco mais de 20% executado. 

Alguns itens finais já foram até recebidos [...] o acelerador linear, ele foi um contrato internacional, quem ganhou essa concorrência foi um laboratório chinês, e ele tá pronto. Do ponto de vista de linhas de luz, vários protótipos já estão encaminhados. O projeto hoje está dentro do cronograma", destaca.
O projeto, que foi orçado em R$ 1,3 bilhão, vai abrigar uma das construções civis mais complexas do país.

"O prédio em si talvez seja, em alguns aspectos, a construção mais sofisticada que o Brasil já fez, do ponto de vista de vibração, de piso, de estabilidade, de ar condicionado. A parte civil compõe metade desse custo", explica.

O restante do investimento será dividido entre pagamento de recursos humanos, aceleradores e as estações experimentais, que serão 13 no início da operação, mas que serão ampliadas posteriormente.

Além disso, o diretor salienta que o projeto, assim como o anterior, é 100% nacional. No entanto, dessa vez há itens importados e outros feitos no país. "Tem uma meta de execução nacional de 70%, mas há itens que precisam ser importados e mesmo a fabricação nacional envolve a importação de itens para fabricar aqui", salienta.
futuro - arte (Foto: Henrique Maruyama/ Arte G1)
O superlaboratório deve emitir o primeiro feixe de luz em 2018 e abrir para usuário em 2019. O funcionamento do Sirius irá impactar nas áreas de biociência, medicina, saúde, meio ambiente e agricultura, que são estratégicas.

"Por exemplo, se você pegar o zika, que é um problema que hoje todo mundo sente ou uma doença como dengue. O Sirius irá permitir que você faça estudos desde a estrutura desse vírus em si quanto estudos como esse que você enxerga o efeito nos tecidos. Você não tem hoje no mundo uma ferramenta que vai na escala que o Sirius vai permitir enxergar", afirma.
Sirius terá superacelerador de elétrons (Foto: Divulgação/ LNLS)
Sirius terá superacelerador de elétrons em seu
'coração'(Foto: Divulgação/ LNLS).

Questionado pelo G1 se a crise econômica e a mudança no cenário político brasileiro poderiam gerar reflexos no projeto, Silva afirmou que não foi necessário fazer nenhum tipo de replanejamento até o momento.

"Do ponto de vista das dificuldades econômicas, obviamente, isso é uma preocupação, você não pode dizer que você não tem. Entretanto, até o momento, nós não tivemos que diminuir o ritmo, ou fazer nenhum planejamento [...] nós temos que acompanhar a evolução da situação do país como qualquer outro brasileiro", revela.

O diretor destacou também que em momentos de crise investir em ciência e tecnologia é mais que fundamental, já que elas podem apresentar soluções para resolver o problema.

"Os Estados Unidos, no momento em que teve uma crise brutal, comparada a crise de 29, o Obama anunciou programa de investimento de ciência e tecnologia no auge da crise, entendendo que através de ciência e tecnologia que você tem a chance de gerar inovação, novas ideias para ajudar a sair da crise", finaliza.

créditos Projeto Sirius (Foto: Henrique Murayama/ Arte G1)
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