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domingo, 3 de maio de 2015

'É um trator melhorado', diz dono de calhambeque fabricado em 1929

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Com 86 anos, modelo Ford A Roadster encara estradas e pistas de corrida.
Pelo 3º ano, exemplar 'pré-guerra' participa de disputa em Franca (SP).

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Amanda Pioli Do G1 Ribeirão e Franca
03/05/2015 08h00 - Atualizado em 03/05/2015 08h00
Postado às 09h50m
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Johnny Walker exibe com orgulho seu carro original fabricado em 1929 (Foto: Érico Andrade/G1)Johnny Walker, 53, exibe com orgulho seu carro original fabricado em 1929 (Foto: Érico Andrade/G1)

Pouco antes de entrar na pista, o construtor Johnny Walker, de 53 anos, checa o motor, o óleo, e o nível de água do carro. A revisão seria considerada de praxe, não fosse o veículo em questão um Ford de 1929, preparado para encarar pelo terceiro ano consecutivo uma corrida de automóveis. “Ele aguenta tudo e anda muito bem. É um trator melhorado”, afirma o dono.

O carro é um dos 45 competidores que participam da 5ª edição da corrida Pé na Tábua, que ocorre neste domingo (3), em Franca (SP), e conta apenas com automóveis “pré-guerra” – fabricados antes de 1936 e conhecidos popularmente como “calhambeques”.


“É sair da rua e entrar na pista. Eu pelo menos não mexo em nada no meu carro. Só checo gasolina, óleo, água, pneu e se não tem nada solto. É a mesma preparação que entrar numa estrada, o que faço com frequência. Não é porque ele tem 86 anos que o deixo parado. É para andar, é para usar”, diz Walker.

Para ele, que também participa de exposições e encontros de carros antigos, deixar o veículo parado representa o verdadeiro perigo, uma vez que os fluídos do motor podem envelhecer e prejudicar o desempenho do carro. 

“Ele foi feito para aguentar o tranco. E já esteve várias vezes em Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador. Além de todo o interior de São Paulo. Não tenho ideia de quantos quilômetros ele rodou, só sei que foi muito”, ressalta orgulhoso o construtor.

Walker, que mora em Campinas (SP) e sofreu um pequeno atraso em sua viagem até Franca devido a um pneu furado, afirma que confia cegamente no calhambeque, mas confessa que tem uma “carta na manga”: “Como último recurso, a gente sempre tem o número de um guincho”, admite.

Paixão
Apaixonado por carros antigos desde criança, Walker lembra que passou muitos anos querendo comprar um modelo Ford A Roadster até achar exatamente o que queria, durante um encontro de automóveis antigos. Mesmo assim, mais quatro anos se passaram até que pudesse chamar o carro de “seu”. 


“Sabia que era o que queria quando o vi. Mas fui conseguir o carro só mais tarde, depois do proprietário original morrer. Quando saiu o inventário, negociei com a viúva. Foi meu presente de natal”, lembrou.
Walker conta, em detalhes, como conseguiu o veículo, há 4 anos (Foto: Érico Andrade/G1)
Walker conta, em detalhes, como conseguiu o carro
há 4 anos (Foto: Érico Andrade/G1)

O “fordinho”, como é carinhosamente chamado, ganhou novo dono no dia 23 de dezembro de 2010 e foi o primeiro carro antigo de Walker, que, atualmente, constrói um novo veículo, do mesmo modelo, peça por peça. Desde então, o carro é um hobby encarado com seriedade.

Raridade de R$ 100 mil
Para não descaracterizar o modelo, Walker mantém todas as partes e peças originais. O exemplar possuiu, inclusive, uma placa preta, que funciona como certificado de originalidade. 


Apenas o sistema de freio foi substituído, por de um Ford 1938, e o motor passou de 6v para 12v. “Mas o resto é inteirinho original, inclusive a pintura e os pneus”, afirma. O veículo é avaliado em cerca de R$ 100 mil.

Entre as particularidades do carro, o construtor destaca a ignição que é feita por meio de um pedal, ao lado do freio e do acelerador, e não de um botão, como nos modelos atuais. “A gente coloca a chave, liga a torneirinha de gasolina, geralmente puxa o afogador se precisar, e pisamos no pedal de ignição”.

O veículo possui ainda duas alavancadas atrás da direção, para regulagem do motor conforme a necessidade do trajeto. O Ford também não tem bomba de gasolina e o combustível é distribuído por gravidade. 

O cinto de segurança ainda é de três pontos. “Não teria como colocar cinto num carro desses. Só se mudasse as características dele. Mas a placa preta garante que a gente não seja multado por isso”, explicou.
Detalhes e conservação chamam atenção no modelo Ford A (Foto: Érico Andrade/G1)
Detalhes e conservação chamam atenção no Ford
(Foto: Érico Andrade/G1)

Para manter um veículo em tais condições, Walker afirma que o dono precisa ter disposição e interesse, uma vez que conseguir peças originais não é uma tarefa fácil.

“Um bom lugar para trocar informações e encontrar até peças são os encontros de carros antigos que promovemos. Mas também já precisei ir a feiras de antiguidades ou recorrer ao comércio exterior. Os Estados Unidos são a principal fonte”. Segundo ele, muitos países ainda produzem as peças, embora a distribuição fique mais centralizada.

Competição
Pelo terceiro ano consecutivo, Walker dirigiu até Franca para participar da corrida “Pé na Tábua”, neste domingo. Em sua quinta edição, o evento, criado para “fazer com que as pessoas voltassem a ter prazer com um evento de carros antigos”, segundo o organizador, Tiago Songa, reuniu dezenas de veículos fabricados até 1936, vindos de várias regiões do Brasil, para competirem e mostrar que ainda estão em forma.

Nelson Piquet estará presente na 5ª edição do Pé na Tábua, em Franca, neste fim de semana (Foto: Tiago Brandão)
Nelson Piquet estará presente na 5ª edição do
Pé na Tábua, em Franca (Foto: Tiago Brandão)

“Quis criar um novo desafio totalmente diferente dos eventos que acontecem pelo Brasil, onde os carros ficam parados e as pessoas andam. Na competição não. Quem fica estático é o público e os carros rodam. 

E para dar uma cerejinha no bolo eu defini um limite de data para os competidores”, ressaltou Songa. Segundo ele, é muito raro um evento em que os veículos sejam tão antigos – a média de idade dos competidores é 85 anos. O mais “velho” a participar da competição foi um Ford, fabricado em 1909.

A disputa, que acontece todo ano no Speed Park, é dividida em quatro categorias, conforme o modelo do veículo: “Ford A”, “Miscelânea”, para todos os modelos que não sejam Ford A, “Speed”, para automóveis de corrida de época, e “Transplantados”, em que veículos antigos apresentam uma mecânica nova. Desde 2012, o tricampeão de Formula 1, Nelson Piquet, também é presença confirmada no evento.

“Os veículos atingem na reta uma média de 80km/h. Pode parecer pouco. Mas numa ‘chimbiquinha’ com pneus finos, sem sinto de segurança, sem freio hidráulico, o perigo acaba sendo igual a de uma corrida normal. Assim como a diversão”, ressalta o organizador. A entrada de visitantes no evento é gratuita.

'Brincadeira'
Mais do que competir para ver quem chega em primeiro lugar, Walker afirma que a importância do evento está em reunir os apaixonados por carros antigos em uma brincadeira. 


“Todos dividem a mesma paixão e muitas vezes a gente já se conhece. Mesmo assim, é um jeito novo de se encontrar”, afirma. Além de participar sempre que pode, o construtor ainda faz questão de ir vestido a caráter, com as roupas de época (macacão e boina) para motoristas de tais veículos.

Para Walker, preservar os veículos e promover eventos como esse é uma forma de conservar o passado. “Nem todo mundo encara carros antigos da mesma forma. Mas é o nosso jeito de preservar o passado e manter a tradição”, ressalta.
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Totalmente equipado, Walker compete pelo terceiro ano consecutivo em Franca, SP (Foto: Érico Andrade/G1)Totalmente equipado, Walker compete pelo terceiro ano consecutivo em Franca, SP (Foto: Larissa Costa/G1)

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sábado, 2 de maio de 2015

Cientistas monitoram erupção de vulcão submarino na costa dos EUA

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Topo do vulcão fica a 1.500 metros abaixo da superfície do oceano.
Cientistas monitoram local em tempo real com um cabo submarino.

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Da Reuters
02/05/2015 07h00 - Atualizado em 02/05/2015 07h00
Postado às 09h25m
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Um vulcão submarino a cerca de 480 quilômetros de distância da costa de Oregon, nos Estados Unidos, tem soltado lava durante os últimos sete dias, confirmando previsões feitas no segundo semestre de 2014, e dando aos pesquisadores uma visão única de dentro de um ponto quente do oceano, segundo o geólogo Bill Chadwick afirmou, nesta sexta-feira (1º), à agência de notícias Reuters.


Os pesquisadores sabem de duas erupções anteriores do vulcão, chamado de "Axial Seamount" (algo como monte marítimo axial, na tradução livre do inglês para o português), por estar situado no eixo de um monte submarino), disse Chadwick, da Universidade do Estado de Oregon. Mas, acrescentou ele, as erupções de 1998 e de 2011 só foram detectadas meses ou anos após o evento.

No ano passado, pesquisadores conectaram um mecanismo de monitoramento a um cabo submarino que, pela primeira vez, lhes permitiu colher dados em tempo real do vulcão, cujo pico está a cerca de 1.500 metros abaixo da superfície do oceano.

"O cabo nos permite ter mais sensores e instrumentos de monitoramento do que nunca, e isso está acontecendo em tempo real", disse Chadwick, que também é membro da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.

No passado, pesquisadores deixaram estações de monitoramento operadas por bateria no local durante anos, mas só puderam analisar os dados depois de recuperarem os aparelhos.
Foto sem data mostra efeitos de erupção de 2011 de vulcão submarino na costa do estado de Oregon, nos EUA; no dia 23, cientistas dizem que ele voltou a entrar em erupção e tem expelido magma há uma semana (Foto: Divulgação/Reuters/Oregon State University)
Foto sem data mostra efeitos de erupção de 2011
de vulcão submarino na costa do estado de
Oregon, nos EUA; no dia 23, cientistas dizem que
ele voltou a entrar em erupção e tem expelido
magma há uma semana (Foto: Divulgação/
Reuters/Oregon State University)

Detecção de terremoto
No dia 23 de abril, sensores de pressão detectaram uma erupção em andamento. Depois de monitorarem centenas, depois milhares de pequenos terremotos por dia próximos do vulcão, eles detectaram mais de 8 mil pequenos tremores em um período de 24 horas no dia 23, explicou o geólogo.


Por volta da meia-noite, os sensores de pressão detectaram uma queda no piso marítimo – um sinal de que o magma estava em erupção – e que o vulcão inchado estava se desinflando como um balão. No total, o piso marítimo baixou 2,4 metros na última semana.

Erupção mais lenta
Apesar de a erupção ter ficado mais lenta, o vulcão ainda parecia estar expelindo magma nesta sexta-feira, disse ele, deixando os cientistas intrigados sobre para onde a lava estava indo.


"Sabemos que ele não entrou em erupção na caldeira, ou na cratera, porque é lá que a maior parte dos nossos sensores estão, e todos eles sobreviveram", explicou ele.

As flutuações de temperatura e as leituras sísmicas são consistentes com uma erupção no lado norte da cratera do vulcão, disse Chadwick. "Mas provavelmente não saberemos até este verão, quando formos até lá com um navio para poder observar o local."

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sexta-feira, 1 de maio de 2015

É hora de dar tchau!

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Postado às 23h30
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Na quinta-feira (30), logo no comecinho da noite, chegou ao fim uma missão espacial muito bem sucedida, a Messenger. Destinada a estudar Mercúrio em detalhes, ela foi lançada em agosto de 2004 e, após seis anos e meio de viagem que incluíram três sobrevoos ao planeta, ela foi colocada em órbita elíptica em março de 2011. 

Na verdade, a Messenger foi a primeira sonda a orbitar o menor e menos conhecido planeta do Sistema Solar. Antes dela, a Mariner 10 passou por lá em março de 1974, efetuando 3 sobrevoos antes de seu combustível acabar e entrar em órbita do Sol.

Até 2011, o que tínhamos de informações sobre Mercúrio era fruto dos sobrevoos da Mariner 10 e, claro, das observações em Terra. Só que por causa da sincronia dos sobrevoos da Mariner, ela sempre fotografou a mesma face do planeta.

Como resultado, menos de 45% da superfície do planeta foi mapeada, ou seja, muita coisa ainda precisava ser feita, mas o pouco que foi mapeado mostrou que, no geral, a aparência de Mercúrio é a mesma da Lua.

Foi preciso esperar três décadas para que a NASA enviasse nova sonda para Mercúrio. Uma missão como essa não é das mais fáceis, tanto por causa da intensa força gravitacional do Sol, que perturba a estabilidade da órbita da sonda, quanto por causa das difíceis condições nessa região do espaço.

Os instrumentos da sonda precisam ser blindados termicamente para evitar as grandes variações de temperatura experimentadas todas as vezes que ela mergulha na sombra do planeta. Isso sem falar na intensa radiação solar que pode arruinar toda a eletrônica embarcada.

Mas enfim, a espera terminou em 2004.
A Messenger tinha como missão, além de mapear Mercúrio por completo com uma resolução muito melhor, analisar o tipo de material que compõe o terreno, estudar a interação da radiação solar e determinar o tamanho do núcleo do planeta, entre outros.

O plano inicial era que a missão durasse um ano, mas com o Sol chegando ao seu máximo de atividade em 2012, a missão foi estendida mais um ano. Só que nessa extensão, as descobertas feitas pela Messenger foram tão fascinantes que outra extensão foi conseguida, que durou até quando acabou o propelente que faz a sonda manobrar. 

Sem capacidade de manobra, a órbita da sonda vai decaindo irremediavelmente, até que ela se choque contra a superfície do planeta a mais de 14 mil km/h, abrindo uma cratera de 16 metros de diâmetro.


E quais são essas descobertas?
A mais fantástica foi a de que existe água em Mercúrio! Esse resultado era totalmente inesperado por causa das condições do planeta, cuja superfície pode atingir mais de 400°C! Mas os mapas da Messenger, combinado com os instrumentos de análise geológica, mostraram a presença de gelo em crateras que não são iluminadas pelo Sol nas regiões polares, como ocorre na Lua também.

Outra descoberta fascinante foi que Mercúrio guarda em sua superfície amostras de material que formou o Sistema Solar. A Messenger mostrou uma camada de material carbonáceo também sobre os polos, muito provavelmente trazido por cometas vindos da Nuvem de Oort, junto com o gelo. 

As regiões polares de Mercúrio mostraram-se um depósito de material pré biótico oriundo do bombardeio sofrido pelos planetas interiores, ocorrido nos primórdios do Sistema Solar!
Outras descobertas foram que Mercúrio tem um núcleo líquido, comparativamente até maior que o da Terra, tem campo magnético muito fraco, teve episódios de vulcanismo e possui “atmosfera”. 

Bom, atmosfera numas. Com a alta temperatura e a baixa gravidade do planeta, não há condições dele reter atmosfera de verdade, densa. O que a Messenger descobriu foram traços de hidrogênio, hélio, oxigênio, sódio, cálcio e potássio, cuja origem é tanto o vento solar, quanto o decaimento radioativo de rochas, formando uma exosfera.

As descobertas da Messenger foram tão surpreendentes que para mantê-la em órbita foi usado hélio quando o gás propelente das manobras acabou – ou seja, a NASA já fez tudo o que pode.

Literalmente, a sonda está com tanque vazio e a gravidade é implacável. O último suspiro de hélio foi usado agora, dia 28, para elevar mais um pouco sua órbita final de modo que o momento do impacto coincidisse com o horário em que as antenas da rede Deep Space estivessem em posição favorável para “ouvir” as últimas transmissões. 

Essa rede de antenas é usada pela NASA para monitorar e se comunicar com todas as suas missões espaciais e tem antenas espalhadas pelo globo – de modo que sempre há pelo menos uma delas rastreando as sondas no espaço.

O impacto da Messenger ocorreu como planejado na quinta, às 18h26 no horário de Brasília, e só vamos saber se de fato aconteceu quando suas transmissões cessarem. 

Em 2016, a missão BepiColombo, parceria entre as agências espaciais europeias e japonesa, deve ser lançada em direção a Mercúrio. Só lá pelo ano de 2020 é que poderemos ver a cratera deixada pelo mergulho final da Messenger.

Será que vai cair?
Um assunto que está bombando nos noticiários é a questão do módulo russo Progress, em órbita da Terra. Afinal, o que está acontecendo?

A agência espacial russa Roskosmos lançou nesta última terça-feira (28) um módulo de carga não tripulado levando suprimentos para a Estação Espacial Internacional. 

Ocorre que minutos após o lançamento, o controle da missão conseguiu estabelecer um contato precário com o módulo. A telemetria captada indicava que apenas 2 das 5 antenas de comunicação haviam aberto como previsto. Pior, o download das imagens da câmera que faz a guiagem final das manobras de acoplamento mostrou que o módulo estava girando a uma taxa de uma volta a cada 4,5 segundos.

Sem conseguir estabelecer comunicação com a Progress, os técnicos desistiram de tentar corrigir seu movimento de rotação e com isso abandonaram a ideia original de tentar acoplá-la como previsto. A missão passou a ser estabelecer contato para ao menos controlar a queda do módulo.

Isso mesmo, a Progress está caindo.
O módulo foi colocado em uma órbita baixa, onde a atmosfera é rarefeita, mas ainda assim exerce algum arrasto. Com isso ele desacelera, diminui a altura, vai para uma região de densidade maior, sofre mais arrasto e desacelera mais ainda. 

Este ciclo vai se repetindo até que o módulo atinja uma altura em que o arrasto atmosférico seja tão forte que o despedace. Sem poder recuperar a missão original, a meta era conseguir ao menos direcionar a queda de modo que a Progress se desintegre sobre o Oceano Pacífico. Só que nem isso foi possível até agora!

Sem estabelecer contato contínuo com a Progress ela fica mesmo sem controle. Isso significa que, até que os técnicos estabeleçam um link com o módulo, eles não vão poder fazer com que ela caia aonde queiram, mas certamente ela não vai cair em qualquer lugar.

A órbita da Progress evita lugares densamente povoados, o que minimiza as chances de uma tragédia e, mais ainda, ela cruza o Oceano Pacífico, que não é pequeno – aliás, 75% da superfície da Terra é coberta por água. Com o que se sabe até agora espera-se que o módulo reentre na atmosfera entre 5 e 7 de maio, mas sem estimativa do local, por enquanto.

Mas o que teria causado esse problemão?
Ninguém sabe até agora e uma investigação está em curso com resultados prometidos para no máximo dia 13. A pressa se justifica porque dia 16 já há outro lançamento previsto, dessa vez de um satélite militar secreto da Rússia, mas logo, logo uma missão tripulada deve ocorrer.

Uma hipótese é que o terceiro estágio do foguete Soyuz-2-1a tenha falhado. Pode ser que ele não tenha se desligado no momento da separação do módulo, ocasionando um choque violento entre as duas partes. 

Apesar dessa hipótese explicar a nuvem de destroços detectada ao redor do módulo, bem como sua rotação, uma explosão em algum tanque, que tenha causado uma rápida despressurização do módulo, também poderia fazer a mesma coisa.
Só nos resta aguardar.

Pedaços do Halley
Para finalizar, no próximo dia 5, é o dia do máximo da chuva de meteoros Eta Aquarídeas. Essa chuva está associada com a trilha de poeira largada pelo mais famoso dos cometas, o Halley.


Sem dúvida, se eu tivesse que eleger uma chuva preferida, das tantas que ocorrem durante o ano, esta seria a Eta Aquarídeas. Ela foi a primeira que eu observei seriamente, contando e anotando cada meteoro avistado.

Infelizmente, dessa vez os prognósticos são ruins. Para se observar uma chuva de meteoros é necessário apenas um local com céu escuro, mas neste ano a Lua chega à fase de cheia justo dia 4, deixando o céu muito claro. Isso dificulta a observação, “apagando” os meteoros mais fracos (a maioria), deixando apenas os mais brilhantes.

A constelação de Aquário, de onde parece partir todos os meteoros, estará no céu a partir das 2h15 da manhã, favorecendo as observações, mas não é essencial esperar até esse horário. Só que considerando a fase da Lua e que essa chuva tem um período “largo” de atividade – entre 19 de abril e 28 de maio – pode ser mais jogo observar agora nesse feriado, ou esperar até o dia 15 de maio. 

A dica é olhar para a direção leste, de onde os meteoros vão surgir, mas fixando a vista para o alto. Um conselho precioso é fazer isso sentado em uma cadeira de praia para evitar o torcicolo no dia seguinte.

A carta abaixo mostra o céu às 2h15 do dia 05 de maio. Ele não se altera muito ao longo dos dias, se você olhar nesse horário, só a posição da Lua se altera perceptivelmente. Nesse caso, ela estará bem no alto, no zênite. No dia 15, também às 2h da manhã, ela nem terá nascido ainda.

Imagens: Impacto da Messenger em Mercúrio (NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington)Mapa do céu às 2h15 em 5 de maio de 2015 (Cássio Barbosa)

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