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sexta-feira, 27 de março de 2015

Alta média do PIB no governo Dilma é a menor desde mandato de Collor

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Avanço médio de 2011 a 2014 foi de 2,1% ao ano.
Maior PIB médio anual foi do governo de Itamar Franco, de 1993 a 1995.

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Do G1, em São Paulo
27/03/2015 13h57 - Atualizado em 27/03/2015 15h48
Postado às 16h50m
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MÉDIA DO PIB NO ANO
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Fonte: José Dutra de Oliveira Sobrinho
O crescimento médio da economia brasileira no primeiro mandato de Dilma Rousseff, de 2011 a 2014, foi de 2,2% ao ano. Apesar de o resultado ter sido positivo, foi o menor avanço desde o governo de Fernando Collor de Mello, de 1990 a 1992, que apresentou queda de 1,29% ao ano. 

"Dilma pegou um ambiente exterior desfavorável. Aqui dentro, o que mudou foi a matriz macroecômica, com controle de preços, aumento das despesas e estimulo ao crédito. A partior do final de 2012, todo mundo começou a por o pé no breque, percebendo que a gestão era temerária", disse o professor da Universidade de São Paulo (USP) Davi Simão Silber.

Entre os presidentes que governaram o país desde 1985, a maior média anual foi do mandato de Itamar Franco, de 1993 a 1995, quando o PIB cresceu 5,4% ao ano.
"O que puxa o PIB no governo do Itamar foi o desempenho da economia nos últimos seis meses de mandato dele, quando o país vivia aquela euforia do plano real. O PIB cresceu muito por isso", afirmou Silber.

Na sequência, entre as maiores altas, aparecem as registradas no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (de 2006 a 2010), quando atingiu 4,56%. Na sequência, aparecem os PIBs do primeiro mandato de Lula (de 2001 2005) e de Sarney – ambos ficaram em 3,49%.  

No governo de Fernando Henrique Cardoso, o crescimento ficou perto de 2,5%. No primeiro mandato, de 1995 a 1998, a alta média foi de 2,5% e no segundo, de 2,3%, segundo cálculos do matemático José Dutra de Oliveira Sobrinho.

Nesta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira cresceu 0,1% em 2014. Em valores correntes (em reais), a soma das riquezas produzidas no ano passado chegou a R$ 5,52 trilhões, e o PIB per capita (por pessoa) caiu a R$ 27.229.

Esse é o pior resultado desde 2009, ano da crise internacional, quando a economia recuou 0,2%. Em 2013, de acordo com dados revisados, a economia havia crescido 2,7%.

Os números apresentados pelo IBGE já foram calculados com base na nova metodologia, que incluiu dados que não existiam e mudou a classificação de alguns itens. 

“O que contribuiu para o crescimento foram os serviços e, negativamente, foi a indústria”, afirmou Rebeca de La Rocque Palais, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

PIB do Brasil foi o 4º pior em lista de 34 países
Com o crescimento econômico de 0,1% em 2014, o Brasil ficou na 31ª posição num ranking do PIB de 34 países.


Segundo a lista elaborada pela Austin Rating,  o PIB do país no ano passado só não foi pior do que o do Japão (0%), da Finlândia (-0,1%) e da Itália (-0,4%).

A China se manteve na liderança o ranking, com um crescimento de 7,4%, seguida por Índia (7,2%) e Malásia (6%).
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Consumo das famílias tem a menor taxa desde 2003, aponta IBGE


Inflação, aumento da taxa de juros e estagnação do crédito impactaram.
Consumo em 2014 subiu 0,9%; economia brasileira cresceu 0,1%.

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Cristiane Cardoso Do G1, no Rio
27/03/2015 12h23 - Atualizado em 27/03/2015 13h42
Postado às 16h50m
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Taxa de consumo das famílias
Variação anual, em %
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Fonte: IBGE
O consumo das famílias brasileiras, despesa que compõe e impulsiona a economia brasileira, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,9% no ano passado, em comparação com 2013, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (27).
Esta é a menor taxa desde 2003, quando ficou em -0,7%. Em 2014, o país cresceu 0,1%.

Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do órgão, Rebeca de La Rocque Palais, a taxa teve este resultado em 2014, apesar da variação positiva de 4,1% da massa salarial real dos brasileiros, em razão do aumento da taxa de juros, inflação e estagnação do crédito à pessoa física.

“A gente continuou tendo crescimento do emprego e do rendimento real das famílias, mas, por outro lado, teve crescimento da taxa média de juros no ano, em relação a 2013", analisou a especialista do IBGE.

“Além disso, o crédito, que antes vinha crescendo bastante, especialmente o focado para as pessoas físicas, a gente já viu uma estagnação em termos reais. Então tudo isso afetou o consumo das famílias e a indústria de transformação também. 

A gente vê que além dos bens de capital [como máquinas e equipamentos], os bens de consumo duráveis, no caso da indústria, foram bastante afetados”, completou Rebeca Palais.
Despesas pessoais x preço
Ainda segundo a coordenadora de Contas Nacionais, o aumento do custo das despesas pessoais acima da média dos preços da economia influenciou diretamente a desaceleração do consumo.


“A gente pode citar especificamente a parte das despesas pessoais, inclui arte, recreação e outros serviços. O setor teve queda em 2014, e claro que é influenciado pelo aumento dos preços, e aí afetou negativamente o consumo das famílias também. As despesas pessoais tiveram crescimento acima da média dos preços da economia", disse Rebeca.

Economia cresce 0,1%
A economia brasileira cresceu 0,1% em 2014, segundo o IBGE. Em valores correntes (em reais), a soma das riquezas produzidas no ano passado chegou a R$ 5,52 trilhões, e o PIB per capita (por pessoa) caiu a R$ 27.229.


Esse é o pior resultado desde 2009, ano da crise internacional, quando a economia recuou 0,2%. Em 2013, de acordo com dados revisados, a economia havia crescido 2,7%.
“O que contribuiu para o crescimento foram os serviços e, negativamente, foi a indústria”, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Os números apresentados pelo IBGE já foram calculados com base na nova metodologia, que incluiu dados que não existiam e mudou a classificação de alguns itens. 

A previsão mais recente do Banco Central era que o PIB tivesse recuado 0,1%, próxima à do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), chamado de "prévia do PIB", que estimava uma contração de 0,15% no ano passado. 

Já a expectativa dos analistas do mercado financeiro era positiva, porque indicava uma alta de 0,15%, segundo o boletim Focus, do Banco Central.
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Ajustes tendem a construir bases mais sólidas para retomada, diz BC

Presidente da instituição, Alexandre Tombini, comentou o resultado do PIB.
Segundo ele, dados do IBGE confirmam pausa no crescimento econômico.

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Do G1, em Brasília
27/03/2015 13h40 - Atualizado em 27/03/2015 13h54
Postado às 16h50m
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PIB anual 2014 (Foto: Editoria de Arte/G1)
Apesar da alta de apenas 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, os ajustes na economia "tendem a construir bases mais sólidas para a retomada da confiança e do crescimento econômico", avaliou o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, nesta sexta-feira (27), por meio de nota à imprensa.

"O resultado do PIB em 2014, conforme dados das Contas Nacionais divulgados hoje, confirmou a pausa no crescimento econômico no ano. 

Por outro lado, a revisão das estatísticas decorrente de aprimoramentos metodológicos incorporados pelo IBGE revelou um quadro de maior expansão da atividade econômica desde 2012, como já evidenciado para 2011, de participação mais elevada do investimento na economia e de melhores indicadores de solvência do país", disse o presidente do BC.
Mais cedo, Rebeca de La Rocque Palais, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, informou que "o que contribuiu para o crescimento foram os serviços e, negativamente, foi a indústria”. Os números apresentados pelo IBGE já foram calculados com base na nova metodologia, que incluiu dados que não existiam e mudou a classificação de alguns itens.

O crescimento de 0,1% para o PIB de 2014 é o pior resultado desde 2009, ano da crise internacional, quando a economia encolheu 0,2%. Em 2013, de acordo com dados revisados, a economia havia crescido 2,7%.

Medidas de ajuste
Para tentar atingir as metas fiscais, a nova equipe econômica já anunciou uma série de medidas nos últimos meses. Entre elas, estão mudanças nos benefícios sociais, como seguro-desemprego, auxílio-doença, abono salarial e pensão por morte, que ainda têm de passar pelo crivo do Congresso Nacional.


Além disso, o Banco Central tem subido a taxa básica de juros da economia desde outubro do ano passado. Foram quatro aumentos seguidos na taxa Selic, que, em 12,75% ao ano, está no maior patamar em seis anos. O objetivo do BC é conter a pressões inflacionárias e trazer a inflação para a meta central de 4,5% até o fim de 2016.

Outra medida adotada pelo governo nos últimos meses foi a alta do IPI para automóveis, além do aumento de tributos sobre a gasolina, operações de crédito e cosméticos. O Ministério do Planejamento, por sua vez, anunciou a redução dos limites temporários de empenho para gastos no orçamento de 2015 e, mais recentemente, o bloqueio de restos a pagar.

Além disso, também subiram os juros do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o setor produtivo, como forma de diminuir o pagamento de subsídios pelo governo. Recentemente, o governo enviou projeto de lei ao Congresso Nacional para aumentar os tributos sobre a folha de pagamentos – reduzindo, na prática, a desoneração implementada anteriormente.

No início deste ano, o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, havia confirmado que não haverá mais repasses do governo ao setor elétrico, antes estimados em R$ 9 bilhões para este ano, o que deverá elevar ainda mais a conta de luz, que pode ter aumento superior a 40% em 2015.
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Oposição critica 'baixo' crescimento; governistas preveem retomada

Economia brasileira cresceu 0,1% no ano passado, segundo o IBGE.
Oposição culpa governo; governistas defendem 'ajuste' para equilibrar contas.

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Filipe Matoso, Nathalia Passarinho e Lucas Salomão Do G1, em Brasília
27/03/2015 12h26 - Atualizado em 27/03/2015 13h44
Postado às 16h50m
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PIB anual 2014 (Foto: Editoria de Arte/G1)
Após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar que a economia brasileira cresceu 0,1% em 2014, parlamentares da base do governo e da oposição reagiram ao resultado. 

Os oposicionistas criticaram o atual modelo de gestão econômica do governo e apontaram que "erros" do Planalto diante da crise financeira mundial desde 2008 são causas do "baixo" crescimento. Já a base governista defende que resultado é reflexo do "cenário atual" e fala em retomada do crescimento.

Além do crescimento de 0,1%, o IBGE divulgou que a soma das riquezas produzidas no ano passado chegou a R$ 5,52 trilhões em valores correntes (em reais), e o PIB per capita (por pessoa) caiu a R$ 27.229. Esse é o pior resultado desde 2009, ano da crise internacional, quando a economia recuou 0,2%. Em 2013, de acordo com dados revisados, a economia havia crescido 2,7%.
Para o senador Aécio Neves (PSDB-MG),  as perspectivas para este e os próximos três anos são “ainda piores” que o primeiro mandato da presidente Dilma. Em nota, ele disse que se as expectativas de analistas se confirmarem, o país terá mais quatro anos de “estagnação da renda”.

“Ou o governo do PT corrige rapidamente a situação que ele mesmo criou ou teremos mais um ciclo de baixo crescimento, inflação alta, juros altos, desequilíbrio externo e ainda o risco de mais aumento de carga tributária. O pior é que agora o único bastião de notícias positivas, a baixa taxa de desemprego e a formalização, também vai pior”, disse o senador.

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), disse ao G1 que a oposição deve estar "muito chateada" com a previsão "catastrófica" de que o Brasil teria retração econômica em 2014.

Para ele, o país não vive uma "crise econômica" como, segundo ele, os partidos de oposição pregam. O líder do governo, porém, defendeu a necessidade de ajuste nas contas do governo para evitar o recuo da economia em 2015.

"A oposição ficou dizendo aos quatro cantos que nós teríamos tido retração econômica em 2014. Ele deve estar muita chateada com essa previsão catastrófica porque, no cenário de especulação completa, o PIB de 2014 não ter crescimento negativo e ainda dar esse respiro, eu penso que é um sinal de que a economia dá claros sinais das grandes possibilidades de crescimento no segundo semestre", afirmou Guimarães.


O pior é que agora o único bastião de notícias positivas, a baixa taxa de desemprego e a formalização, também vai pior"
senador Aécio Neves (PSDB-MG)
"Esses dados são sinais positivos que o ajuste é fundamental. Não há crise, existe uma dificuldade econômica contornável. Precisamos fazer ajustes, arranjos, para o crescimento não refratar", concluiu o deputado.

O líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), reconheceu o “esforço” do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em trabalhar para que 2015 e 2016 sejam anos melhores para a economia. Ele, porém, ressaltou que quem paga a “conta” do crescimento “baixo” é a população.

“O Brasil foi jogado na estagnação. Isso quer dizer que o quadro mostra um cenário descendente do ponto de vista do PIB e a tendência é que este ano seja de crescimento negativo. Então, o Brasil está em recessão e isso é fruto da incompetência do atual governo”, afirmou.

Vice-líder do PT na Câmara, o deputado Afonso Florence (BA) disse ao G1 que o resultado da economia do país em 2014 está "dentro do universo imaginado diante do cenário atual de crise internacional". Para o parlamentar baiano, o fato de o país passar por um período de "ajuste fiscal" traz impacto no cenário econômico.


O PIB de 2014 não ter crescimento negativo e ainda dar esse respiro, eu penso que é um sinal de que a economia dá claros sinais das grandes possibilidades de crescimento no segundo semestre"
líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE).

"Não é um quadro de deterioração. Não é o que pretendíamos mas está dentro do universo que podemos administrar e preservamos a expectativa de que é necessário aprovar o ajuste. É possível alguma margem de negociação nas medidas provisórias para aprovar no Congresso e a nossa expectativa é que vamos conseguir retomar a nossa atividade econômica. Acho que esse resultado é parte do cenário geral", disse Florence.

Na avaliação do líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), o governo tem feito “mexias tão graves” sob o ponto de vista macroeconômico que o Brasil foi levado ao atual cenário econômico em razão da “falta de boas decisões” do Executivo.

“É um dado que todos nós já compreendemos que já não é mais o prenúncio, é o anúncio do que se desenhou ao longo de todo o ano passado, com os indicadores econômicos cada vez piores. E é o anúncio daquilo que já vinha sendo anunciado nos últimos e que nós achamos que será 2015 e 2016, acrescentou.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou que o resultado do PIB de 2014 mostra que o país está "saindo do pior momento da crise."
Para o parlamentar, a situação ainda não é a ideal mas o cenário "está melhorando". Ele também defendeu que o Congresso aprove as medidas de ajuste propostas pelo governo.

Em nota, o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), disse que o Brasil “puxa o PIB do mundo para baixo”. Em sua avaliação, o governo transformou o país no “freio de mão da economia global”. Para o parlamentar, o Brasil enfrentará situação “ainda pior” neste ano.

O líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso (DF), afirmou à reportagem que a presidente Dilma Rousseff fez um “golaço” ao escolher a equipe econômica do segundo mandato e disse acreditar que os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, serão capazes de adotar as medidas necessárias para retomar o crescimento econômico.

“Acho que Levy, Nelson Barbosa  e Tombini [presidente do Banco Central] estão fazendo um excelente trabalho e já colocaram o remédio do curto prazo, que são os ajustes. Eu acho que a presidente Dilma fez um golaço quando escolheu a equipe econômica”, afirmou ao G1.

O parlamentar defendeu que Dilma dê “total autonomia” aos ministros para que atuem para reequilibrar as contas públicas e estimular a econômica. “A autonomia é importantíssima. É necessário dar autonomia de voo. Acho que é urgente a necessidade de o governo ter um ajuste e lançar pacotes de incentivo à produção industrial  e à competitividade.”

Apesar de integrar a base aliada, o líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE), disse estar “descrente” de que o governo Dilma consiga reverter neste ano a perspectiva de baixo crescimento econômico.

“Acho que essa equipe econômica, com a liderança de Joaquim Levy, tende a piorar e muito a situação. O que vejo são juros sendo elevados e previsão de inflação ainda maior. A capacidade produtiva do Brasil está sendo comprometida com essa taxa Selic. Quem ganha é o capital especulativo.”

O parlamentar também criticou medidas adotadas no primeiro mandato de Dilma, como retenção dos preços dos combustíveis e da energia elétrica, que, segundo ele, contribuíram para os resultados econômicos do ano passado.

“Nós criticamos algumas medidas, como segurar aumentos que deveriam ter sido feitos no decorrer dos últimos quatro anos, sobretudo do petróleo e energia. Investimentos estruturantes também não foram feitos. Temos uma certeza de que o Brasil precisa retomar os investimentos, não podemos ficar só contingenciando”, disse.

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Economia brasileira cresce 0,1% em 2014, diz IBGE

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PIB per capita (por pessoa) caiu a R$ 27.229.
Taxas positivas partiram de agropecuária e serviços; investimentos caíram.

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Anay Cury e Cristiane Cardoso Do G1, em São Paulo e no Rio
27/03/2015 09h00 - Atualizado em 27/03/2015 10h36
Postado às 10h50m
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PIB anual 2014 (Foto: Editoria de Arte/G1)
A economia brasileira cresceu 0,1% em 2014, segundo informou nesta sexta-feira (27) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes (em reais), a soma das riquezas produzidas no ano passado chegou a R$ 5,52 trilhões, e o PIB per capita (por pessoa) caiu a R$ 27.229.

Esse é o pior resultado desde 2009, ano da crise internacional, quando a economia recuou 0,2%. Em 2013, de acordo com dados revisados, a economia havia crescido 2,7%.

Os números apresentados pelo IBGE já foram calculados com base na nova metodologia, que incluiu dados que não existiam e mudou a classificação de alguns itens.  
“O que contribuiu para o crescimento foram os serviços e, negativamente, foi a indústria”, afirmou Rebeca de La Rocque Palais, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

A previsão mais recente do Banco Central era de que o PIB tivesse recuado 0,1%, próxima à do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), chamado de "prévia do PIB", que estimava uma contração de 0,15% no ano passado. Já a expectativa dos analistas do mercado financeiro era positiva, porque indicava uma alta de 0,15%, segundo o boletim Focus, do Banco Central.

Em relação ao terceiro trimestre de 2014, o PIB de outubro a dezembro avançou 0,3%. O resultado foi puxado pela agropecuária, que cresceu 1,8% e pelo setor de serviços, que teve expansão de 0,3%. Por outro lado, a indústria mostrou leve queda de 0,1%.

Frente ao 4º trimestre do ano anterior, o PIB mostrou retração de 0,2%, de acordo com o IBGE.

PIB por setores (Foto: Editoria de Arte/G1)
Setores
No ano de 2014, a agropecuária cresceu 0,4%, puxada pelas taxas positivas de soja (5,8%) e de mandioca (8,8%), ainda que a produção tenha desacelerado. Na contramão, caiu a produtivida da cana-de-açúcar (-6,7%), do milho (-2,2%), do café (-7,3%) e da laranja (-8,8%).


"A grande diferença de 2013 para 2014 foi o desempenho da cultura da soja”, diz Rebecca. “Houve queda de produtividade, então a renda gerada no setor é afetada negativamente.”
A indústria mostrou queda de 1,2%, influenciada pela retração de 2,6% em construção civil e eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana.

"O desempenho foi influenciado pelo maior uso das termelétricas, sobretudo a partir do segundo trimestre do ano", diz o IBGE, em nota. Apesar da taxa negativa da atividade fabril, houve avanço de 8,7% da indústria extrativa mineral. Segundo Rebeca Palais, o bom resultado da extrativa mineral ajudou a conter parte da queda significava da indústria de transformação (-3,8%).

No caso de serviços, que teve a maior alta entre os setores, de 0,7%, o resultado foi influenciado pelos serviços de informação, atividades imobiliárias e transporte, entre outras. O aumento não foi maior porque o comércio, que costumava mostrar taxas positivas, recuou 1,8% em 2014.

“Outros Serviços é bastante ligado ao consumo das famílias. No quarto trimestre, ele ajudou, mas no ano, ele ficou baixo. Dentro dele tem toda a parte de despesa pessoal. Isso caiu no ano e se você for olhar por outro lado, a inflação foi um dos grupos afetados. 

Alguns serviços sofreram mais do que outros, por outro lado educação e serviço mercantil cresceu ao longo do ano. O comercio foi puxado para baixo principalmente pelo mercado atacadista, que está ligado ao desempenho da indústria. Claro que os serviços mais relacionados com o desempenho da indústria tiveram desempenhos piores.”
PIB composição  (Foto: Editoria de Arte/G1)
Investimentos e despesas
Com a queda da produção interna e da importação de bens de capital (máquinas e equipamentos), os investimentos caíram 4,4% em 2014 - desempenho muito diferente do verificado em 2013.


"A contribuição negativa ficou por conta dos investimentos, que tinham crescido 6,1% em 2013", afirmou a coordenadora do IBGE.
A despesa de consumo das famílias, que durante anos sustentou o crescimento da economia, avançou menos do que em 2013: de 2,9% para 0,9%. 

A masssa salarial dos trabalhadores, descontando a inflação, aumentou 4,1%. A despesa do consumo do governo também cresceu menos no ano passado. Enquanto em 2013 a alta havia sido de 2,2% (frente a 2012), em 2014 (em relação a 2013), foi de 1,3%.

“A massa salarial continua crescendo, teve variação de 4,1% da massa salarial, mas por outro lado, o crédito não está mais crescendo em termos reais. Além disso, a gente teve a Selic [taxa básica de juros] que aumentou e passou de 8,2% ao ano para 10,9%. E o IPCA [inflação oficial] que cresceu de 6,3% na média de 2014 contra média de 2013”, afirma a coordenadora.
PIB trimestral (Foto: Editoria de Arte/G1)
No setor externo, caíram as exportações (-1,1%) e as importações (-1,0%) de bens e serviços, com influência negativa para a indústria automotiva.
A queda as importações ocorrem por causa do câmbio e da economia, segundo Rebecca. “Quando está desaquecida, afeta as importações também.”

De acordo com o IBGE, a "estabilidade do PIB" resultou ainda da variação de 0,2% do valor adicionado a preços básicos e do recuo (-0,3%) nos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

Impostos
“Os impostos já vinham há um tempo crescendo mais do que o valor adicionado. Em 2014, foi o contrário. Ele teve variação negativa de 0,3 e isso principalmente por causa do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados], que está ligado à indústria de transformação e por causa da importação, que a gente viu que o volume de bens e serviços caiu no ano.


” De acordo com Rebeca, a última vez que o Brasil viu o valor adicionado crescer mais do que os impostos foi em 2009. “Tinha valor de -0,2% e impostos, -0,3%.”

Rebecca explicou que um dos principais motivos é o desempenho da indústria. “Industria teve desempenho ruim e a indústria paga bastante imposto em alguns setores e aí afeta. A importação em 2009 também caiu”.

De acordo com ela, a queda as importações ocorrem por causa do câmbio e da economia “quando está desaquecida, afeta as importações também”.
PIB série antiga série nova (Foto: Editoria de Arte/G1)
Novo cálculo
O cálculo que mede as riquezas do país ficou diferente a partir deste ano. A nova metodologia incluiu dados que não existiam, deslocou informações e mudou a classificação de alguns itens, deixando a medição mais precisa. Novos dados foram incorporados a partir de 2010, gerando uma revisão de toda a série, até 1995.


O novo cálculo do PIB foi aperfeiçoado para seguir padrões internacionais recomendados por órgãos como a ONU, OCDE e Banco Mundial e que devem ser adotados pelos países até 2016. A mudança serve para garantir uma comparação e calibragem mais apurada entre as economias. A última mudança na metodologia havia ocorrido em 2007.

"Essa divulgação foi atrasada um mês em função da divulgação da série nova. E a partir de agora, volta à rotina normal. Hoje, além de ser uma divulgação normal do quarto trimestre, é a divulgação na nova série trimestral de acordo com o ano de referência 2010. 

Significa que as alterações feitas também se refletem na série trimestral de forma mais diferenciada durante o ano”, declarou Roberto Olinto, diretor de pesquisas do IBGE, que ressaltou que houve “transparência” na comunicação das mudanças.

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