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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Grupo desafia a lei para produzir remédio extraído da maconha

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Canabidiol é o único remédio que funciona para tratar algumas pessoas doentes. Substância não é vendida legalmente no Brasil.

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Edição do dia 09/11/2014 - FANTÁSTICO
09/11/2014 22h41 - Atualizado em 09/11/2014 22h41
Postado em 10 de novembro de 2.014 às 09h15m
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Plantar maconha é ilegal no Brasil. Mas uma substância extraída da folha da maconha, chamada Canabidiol, serve como remédio. E esse remédio é o único que funciona para tratar algumas pessoas doentes. Produzir Canabidiol também é proibido. 

Mas um grupo secreto está agindo fora da lei, e está plantando maconha, fazendo o remédio e distribuindo de graça a mães que já não sabem mais o que fazer para ajudar os filhos doentes.

A reunião é clandestina. Todos no grupo escondem o rosto, não revelam o nome, porque sabem os riscos de agir na ilegalidade. O motivo são estufas caseiras: cada um deles tem seu cultivo próprio de maconha.
Os encontros rotineiros já serviram só para trocar ideias sobre o plantio, mas, há pouco mais de oito meses, o assunto ficou sério. Os amigos decidiram que a plantação de maconha podia virar uma fonte de remédios artesanais.
“A gente sabe do risco que corre, mas a gente tem que enfrentar”, diz um dos jovens do grupo.

Era o começo de uma rede clandestina de produção e distribuição de substâncias proibidas no Brasil, mas que podem mudar histórias de muita gente.
Clárian, em São Paulo, está na outra ponta da rede clandestina. 

A filha caçula do Fábio e da Aparecida nasceu com Síndrome de Dravet, uma doença rara que provoca crises graves de epilepsia e afeta o desenvolvimento do cérebro.

“Ela não tinha ânimo nenhum para brincar. E fora isso quando tentávamos levar ela em um parque alguma coisa, ela tinha crises convulsivas porque ela não podia se expor ao sol, ela não podia fazer esforço físico”, conta Maria Aparecida de Carvalho, mãe da Clárian.

Desde os primeiros anos de vida, convulsões quase diárias e 17 internações na UTI. “A Clárian já teve algumas paradas respiratórias, cardiorrespiratórias. Já vimos, assim, a morte perto da minha filha várias vezes”, lembra a mãe da menina.

Os médicos tentaram vários remédios, mas nenhum trouxe qualidade de vida.
A mudança começou com gotinhas diárias. O remédio é o Canabidiol, ou CBD, uma das substâncias presentes na maconha. E, diferente da droga fumada, o extrato de CBD não altera os sentidos, ou seja, não dá barato e não provoca dependência.

O Canabidiol não é vendido legalmente no Brasil. Precisa ser importado, e só com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Em São Paulo, Fábio e Cida chegaram a importar CBD ilegalmente dos Estados Unidos. Pagaram US$ 500, mais de R$ 1,2 mil, por um frasco do remédio. A importação com autorização da Anvisa ficaria ainda mais cara, por causa dos impostos e gastos com despachantes.

“Isso ia alavancar o custo para R$ 8 mil. Foi aí que nós começamos a usar o óleo, o derivado do CBD artesanal”, conta Fábio Carvalho, pai de Clárian.

O óleo que Clárian está tomando atualmente vem da rede clandestina de cultivadores cariocas e não custa nem R$ 1. “Não existe nenhum fim comercial relacionado a esse tipo de prática, a questão é mesmo de solidariedade, de auxílio a outras pessoas”, afirma um dos jovens do grupo.

A produção é caseira. As flores colhidas são trituradas com gelo seco em um pote ou em um saco de lona. Esses dois processos artesanais dão origem a uma quantidade de extrato da cannabis, que é matéria prima para a confecção do medicamento. Essa base é suficiente para produzir 20 vidrinhos de 25 ml, que garante um ano de tratamento a um paciente.

Quem ajuda a preparar é um médico, estudioso do uso medicinal da maconha. “Minha assessoria é principalmente na transmissão de informação, de conhecimento, sobre as melhores práticas, a melhor forma de se fazer o produto a um grau medicinal, com o menor nível de contaminação possível, e mais eficiente possível para os pacientes”, afirma.

Ele reconhece que ainda não existem pesquisas que expliquem os mecanismos de ação ou a dosagem apropriada de cada remédio. “É uma medicina diferente da medicina tradicional, é uma medicina de observação. Tem que encontrar a dosagem certa para ele, principalmente a dosagem que não cause efeitos adversos pra ele, como perturbação do sono, aceleração e ao mesmo tempo consiga se beneficiar em relação a patologia dele”, explica.

“Estamos buscando sozinhos, nós mães, observacionalmente, por isso que é necessária a regulamentação”, afirma a mãe de Clárian.
O desespero e a esperança de controle dos sintomas da doença também podem levar a situações bem perigosas, como por exemplo, o preparo do Canabidiol em casa, sem nenhuma orientação médica. Essas pessoas aprendem, na prática, que o uso do CBD artesanal, preparado de forma inadequada, pode provocar efeitos colaterais.

Os ataques de epilepsia tornaram a vida de Miguel, de 5 anos, um risco constante. O menino de Curitiba é autista e tem uma doença no sistema de defesa do organismo que já chegou a provocar 30 convulsões por dia. 

Depois de tentar 20 medicamentos diferentes, sem resultado, a mãe pesquisou na internet como produzir o óleo de Canabidiol em casa.
“Eu descobri num site americano, em um artigo americano, um médico falando que existiam várias formas e que a forma menos tóxica, no caso para quem não tinha muito conhecimento de fazer, seria no azeite de oliva. 

Plantar dentro do azeite de oliva, em banho-Maria”, afirma Priscila Dumas Inocente, mãe de Miguel.
Ela ficou assustada com os efeitos. “Eu senti que ele relaxou. Ele começou a assistir o desenho dele e os olhos ficaram levemente avermelhados. 

Foi o efeito colateral que eu senti. A gente deu por mais dois dias, mas eu fiquei com medo. Falei: ‘Será que estou fazendo certo?’”, lembra.
O psiquiatra José Alexandre Crippa, da Universidade de São Paulo, é um dos maiores estudiosos do Brasil de canabinóides, ou seja, as substâncias encontradas na maconha. 

E faz um alerta: a produção caseira de medicamentos à base de CBD, como a da rede do Rio, não é segura. “Se fosse meu filho, eu não daria, eu buscaria certamente um Canabidiol com máximo de pureza, e existe no exterior, e existem mecanismos de buscar isso, mesmo dentro do nosso país. 

E a gente acredita que o Canabidiol é uma medicação. Ele não é maconha. Ele não é um droga. Saber sua dose, saber sua quantidade, isso é fundamental para que haja uma segurança e o paciente possa se beneficiar dos canabinóides como medicamento”, afirma o psiquiatra da USP.

Crippa explica que o CBD nunca vem puro, contém sempre alguma quantidade de THC, o composto que provoca as alterações dos sentidos, o barato. E aí está o perigo.
Toda cepa, ou tipo diferente de maconha, contém em maior ou menor grau CBD e THC. 

Por isso, dependendo da planta usada, e do modo de preparo, o óleo medicinal pode ser mais rico em Canabidiol ou em THC. As duas substâncias têm propriedades muito diferentes, e podem ser usadas no tratamento de doenças distintas.

“Dependendo da dose de THC, o THC pode permanecer por até três meses no cérebro dessa criança. Além disso, sabe-se que o uso regular nessa fase da vida, especialmente, pode aumentar em até 400% o desenvolvimento de alguns transtornos psiquiátricos”, afirma o psiquiatra José Alexandre Crippa.

Apesar dessas ressalvas importantes, alguns remédios à base de THC, produzidos em laboratórios fora do Brasil, têm funcionado para aliviar dores crônicas e náuseas decorrentes da quimioterapia.

É com THC que Gilberto tenta diminuir os sintomas da esclerose múltipla, outra doença para a qual a substância pode trazer algum benefício. Há três meses, Gilberto passou a usar um óleo artesanal rico em THC, fornecido pela rede clandestina de cultivadores do Rio.

“Ela me ajuda com as sensações da esclerose múltipla, das dores que eu tenho o tempo todo”, conta Gilberto Elias Castro, designer.
Mais de 20 países já autorizam o comércio de remédios à base de maconha, incluindo alguns estados americanos, Inglaterra, Israel e o Uruguai. O Brasil está fora desta lista.

Por aqui, importar já é possível, mas a Anvisa impõe várias exigências ao laudo médico, entre elas a comprovação de que o paciente pode morrer sem o medicamento. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo autoriza a prescrição de Canabidiol apenas para crianças com algumas doenças específicas.

No fim do mês passado, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou uma proposta de lei que pode facilitar a importação de derivados da maconha para uso medicinal. O texto ainda não tem data para votação.

Por enquanto, para a legislação brasileira, a atividade da rede de cultivadores é crime, assim como a importação ilegal do medicamento feita por muitos pais.
“Quem planta, quem importa substancia entorpecente, mesmo para criar um medicamento, em tese estaria em curso nas penas do crime de tráfico, em uma conduta equiparada ao tráfico.

Mas há ainda um outro crime punido com pena muito mais grave, que é o crime de vender, ceder, ainda que gratuitamente, ter em depósito, fabricar produto medicamentoso sem registro na Anvisa, punido com a pena mínima de 10 anos, que é o dobro da pena mínima do tráfico”, afirma Paulo Freitas, advogado criminalista.

“O que é crime maior? Você traficar por amor ou você deixar alguém morrer, ter 20 ou 30 crises em um dia?”, pergunta um dos jovens do grupo.

Mas o criminalista diz que a lei também prevê recursos para casos como os das pessoas que participam da rede de CBD. “Existe uma figura no direito penal chamada 'estado de necessidade'. 

Então, por exemplo, uma mãe que importa para o filho esse medicamento, porque não tem outra forma de trazer esse medicamento, que efetivamente traz benefícios à saúde dessa criança, evidentemente que ela não pode ser punida. 

Se esse medicamento, feito à base do que for, é efetivamente benéfico à saúde dos que sofrem gravemente, severamente, o Estado tem que tomar uma atitude. O Estado tem que regulamentar isso. Esse produto é bom ou não é bom? É lícito ou não é lícito?”, destaca Paulo Freitas.

“Ilegal, na minha opinião, do jeito que está, é me privar de eu dar uma condição de vida melhor para a minha filha. Isso eu acho ilegal”, lamenta o pai de Clárian.
“As pessoas têm que olhar e perguntar, tentar viver um pouco daquilo antes de julgar. Antes de condenar. 

Se ela está dando o artesanal, se ela está dando o comprado. Está fazendo bem? Amém”, ressalta a mãe de Miguel.
No universo de quem descobriu um caminho para superar o pesadelo da doença, enfrentar todos os riscos pode significar, simplesmente, levar uma vida normal. 

“Os espasmos diminuíram significativamente. Ela melhorou no equilíbrio, ela melhorou no cognitivo. Ela está mais ativa, mais espontânea. Eu fui na reunião de escola, da escola dela e a professora falou: ‘Mãe, de três meses para cá, a Clárian é outra criança’. Isso me encheu de alegria”, comemora a mãe da Clárian.

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domingo, 9 de novembro de 2014

Impostos pagos pelos brasileiros este ano chegam a R$ 1,4 trilhão

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Marca foi registrada pelo Impostômetro neste domingo (9).
Em 2013, marca foi alcançada somente no dia 16 de novembro.

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Do G1, em São Paulo
09/11/2014 08h27 - Atualizado em 09/11/2014 08h27
Postado às 14h15m
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Impostômetro atingiu R$ 1,4 trilhão neste domingo (9) (Foto: Reprodução/ACSP)Impostômetro atingiu R$ 1,4 trilhão neste domingo (9) (Foto: Reprodução/ACSP)

O valor pago pelos brasileiros em impostos federais, estaduais e municipais desde o início do ano alcançou R$ 1,4 trilhão neste domingo (9), por volta das 7h, segundo o “Impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Em 2013, essa marca foi alcançada somente no dia 16 de novembro.

O painel eletrônico que calcula a arrecadação em tempo real está instalado na sede da associação, na Rua Boa Vista, região central da capital paulista.

"A arrecadação de impostos vem crescendo num ritmo mais lento neste ano devido ao baixo nível da atividade econômica, que afeta, inclusive, a rentabilidade das empresas e o movimento das vendas. 

Mesmo assim, a arrecadação cresce mais do que a própria economia", observa o presidente da ACSP, Rogério Amato, em nota.

O total de impostos pagos pelos brasileiros também pode ser acompanhado pela internet, na página do Impostômetro. Na ferramenta, criada em parceria com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), é possível acompanhar quanto o país, os estados e os municípios estão arrecadando em impostos.

Também se pode fazer comparações do que os governos poderiam fazer com o dinheiro arrecadado, como quantas cestas básicas se poderia fornecer e quantos postos de saúde poderiam ser construídos.

O Impostômetro encerrou o ano de 2013 com a marca recorde de R$ 1,7 trilhão.

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Veja 25 fatos sobre o Muro de Berlim

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Símbolo da Guerra Fria dividiu maior cidade alemã por décadas.
Neste domingo, derrubada completa 25 anos.

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Do G1, em São Paulo
09/11/2014 05h00 - Atualizado em 09/11/2014 08h49
Postado às 12h55m
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Queda do muro que dividia Alemanha completa 25 anos neste ano (Foto: Gerard Malie/AFP)Queda do muro que dividia Alemanha completa 25 anos neste domingo (Foto: Gerard Malie/AFP)

A Alemanha celebra neste domingo (9) os 25 anos da queda do Muro de Berlim, barreira construída no meio da maior cidade alemã para separar o lado oriental, comunista, do ocidental, capitalista. 


Veja abaixo 25 fatos ligados a esse símbolo da Guerra Fria:


1 - Fechamento da noite para o dia
Na madrugada de 13 de agosto de 1961, o governo comunista da Alemanha Oriental fez uma operação para fechar a fronteira de Berlim Oriental para Berlim Ocidental em poucas horas. 
Soldados passaram arame farpado ao redor do lado ocidental, que permanecia como um enclave capitalista no meio da Alemanha Oriental. 

Isso ocorreu porque, depois da 2ª Guerra Mundial, o lado ocidental da capital alemã havia ficado sob controle de potências ocidentais (Estados Unidos, Reino Unido e França), enquanto a outra parte, assim como a porção leste de toda a Alemanha, haviam caído sob o controle da União Soviética. 

Para evitar que mais e mais cidadãos fugissem para o lado ocidental, o governo oriental fechou a fronteira em poucas horas. Nos meses seguintes, o arame farpado deu lugar a uma estrutura caríssima de muros, torres de guarda e sistemas de vigilância diversos.
Bloso de concreto são colocados para formar o muro, em 1961 (Foto: Helmut Wolf/Deutsches Bundesarchiv)Bloso de concreto são colocados para formar o muro, em 1961 (Foto: Helmut Wolf/Deutsches Bundesarchiv)

2 - Muro sem fim
Os números são impressionantes: eram 43 km de fronteira fechada entre Berlim Ocidental e Oriental, no meio da cidade, com muro, cercas, torres e todo o aparato de segurança. Outros 112 km cercavam Berlim Ocidental pela parte externa, para impedir o acesso por outros lados. 

A instalação tinha 302 torres, 20 bunkers e 259 recintos para cães de guarda. 127 km de cercas com detectores ajudavam a transformar Berlim Ocidental numa ilha à qual ninguém em volta podia ter acesso.


3 - Real propósito
Embora o governo da Alemanha Oriental chamasse a estrutura de “Muro de Proteção  Antifascista”, o próprio posicionamento das cercas e dos guardas já deixava claro que seu objetivo não era impedir “agressores” de entrarem na Alemanha Oriental, mas sim impedir que fugitivos deixassem esse país (veja foto abaixo)
Imagem feita desde o lado Ocidental mostra o muro e, atrás dele, uma faixa de areia, cercas e barreiras para carros, deixando claro que o objetivo era impedir a aproximação pelo lado oriental  (Foto: AP)Imagem feita desde o lado Ocidental mostra o muro e, atrás dele, uma faixa de areia, cercas e barreiras para carros, deixando claro que o objetivo era impedir a aproximação pelo lado oriental (Foto: AP)

4 - Decisão súbita
Muitas pessoas tiveram de escolher rapidamente de que lado ficar
O fechamento repentino, em 1961, pegou muita gente de surpresa. Inúmeras pessoas tiveram de escolher, em questão de horas, se ficariam do lado comunista ou capitalista, muitas vezes ficando separados de famílias e amigos separados por décadas.



5 - Plano ultrassecreto
A decisão de fechar a fronteira, acertada pela Alemanha Oriental com a União Soviética, foi mantida em sigilo absoluto. O serviço secreto alemão ocidental só ficou sabendo que isso ocorreria três dias antes da onstrução do muro.


6 - Fugas permanentes
Mais de cem mil alemães orientais tentaram fugir para o lado capitalista pelo Muro de Berlim ou pela fronteira entre as duas Alemanhas (outra divisa vigiada com centenas de quilômetros de extensão) entre 1961 e 1988.

Mais de  600 deles foram mortos a tiros por soldados ou morriam afogados tentando atravessar algum rio ou nos mais diversos tipos de acidentes. Alguns também se suicidaram ao serem flagrados na tentativa de fuga.


7 - Desistência ou bala
“Alto! Parado! Posto de Fronteira!” eram os comandos que a guarda do Muro de Berlim usava para mandar que os fugitivos parassem. Um tiro de advertência também poderia ser dado. Caso as ordens não fossem respeitadas, os guardas tinham autorização para usar a arma para “impedir” violações da fronteira.
Soldado oriental vigia a construção do Muro de Berlim  (Foto: Stöhr/Deutsches Bundesarchiv)Soldado oriental vigia a construção do Muro de Berlim (Foto: Stöhr/Deutsches Bundesarchiv)

8 - Soldados sob suspeita
Perto do muro de concreto que dava para o lado ocidental, que podia ter até 3,6 metros de altura, havia uma faixa de areia com postes de iluminação que deixavam a fronteira clara como o dia, mesmo durante a noite. 

Os próprios soldados que vigiavam a fronteira não podia passar dos postes de iluminação, do contrário seriam considerados fugitivos também. A areia servia para que pegadas de eventuais infratores ficassem registradas.


9 - A primeira morte
Ida Siekmann, de 58 anos, vivia no 3º andar de um edifício no centro de Berlim, no lado oriental. Exatamente em sua rua passava a divisa.
Ida Siekmann (Foto: Brewer Bob / Wikimedia Commons)
Ida Siekmann (Foto: Brewer Bob /
Wikimedia Commons)

Quando viu que a porta de seu prédio, que era acessível pelo lado Ocidental, fora fechado pela polícia oriental, ela decidiu pular pela janela. Logo após o fechamento, era comum moradores do lado oriental pularem das janelas de casas que ficavam exatamente no limite, como a de Ida.

Muitos tinham a queda amortecida por bombeiros do lado ocidental. Ela jogou alguns de seus objetos da janela e pulou em seguida, mas, como o fez rapidamente, caiu no chão, morrendo em decorrência dos ferimentos.
Ela tinha uma irmã do lado ocidental, para o qual tentava fugir. Foi a primeira pessoa a morrer tentando pular o muro.
 
10 - A última morte
Em março de 1989, poucos meses antes da queda do Muro, Winfried Freudenberg e sua esposa tentaram fugir de balão para o lado ocidental. Eles passaram meses planejando a operação e construindo a aeronave, sem que ninguém percebesse. No dia em que inflaram o balão, a polícia foi avisada e somente ele decolou, pois tiveram medo de que não estivesse cheio o bastante.

Com menos peso do que o previsto, o balão subiu demais, chegando possivelmente a 2 mil metros de altitude. Winfred ficou vagando por horas sobre Berlim, até que, por algum motivo, caiu dele no jardim de uma casa, quebrando praticamente todos os seus ossos e danificando a maioria de seus órgãos internos, o que o levou à morte. Foi a última pessoa a morrer atravessando a fronteira.


11 - Soldados também morreram
Não só cidadãos fugitivos morreram por causa do Muro de Berlim. Pelo menos oito soldados de fronteira orientais também caíram na cidade tentando defender o limite.
Ulrich Steinhauer, morto por um colega que queria fugir (Foto: Christian Gering /Wikimedia Commons)
Ulrich Steinhauer, morto por um
colega (Foto: Christian Gering /
Wikimedia Commons)

A maioria morreu pouco depois da construção do muro, na década de 1960. O último a morrer foi Ulrich Steinhauer, morto por um colega soldado quando patrulhavam a zona proibida.
Egon Bunge matou Steinhauer para em seguida fugir para o lado ocidental, onde se entregou às autoridades.
  
12 - Inúmeros apelidos
Além de simplesmente “o Muro”, a construção foi chamada de inúmeros nomes e apelidos pelos alemães e berlinenses em especial: “Muro da Vergonha”, “Muro do Ulbricht” (por causa de Walter Ulbricht, líder comunista responsável pela construção do muro), “Muro de prisão”, “Muro de campo de concentração”, “Muralha de Gulag” (campo de prisioneiros soviético), “Muro da SED” (partido comunista que governava a Alemanha Oriental), “Muro das Lamentações”.
13 - Mão de ferro
Erich Honeker (Foto: Deutsches Bundesarchiv)
Erich Honeker (Foto: Deutsches Bundesarchiv)

O governo alemão oriental, liderado por Erich Honecker até pouco antes da queda, não queria seguir as medidas de abertura implantadas na União Soviética, que nos anos 1980 fazia a Glasnost e a Perestroika, sob liderança de Mikhail Gorbachev.

Honecker insistia em manter seu estado altamente vigiado e com pouquíssima liberdade política.A situação foi ficando insustentável até que Honecker foi forçado a renunciar pelos seus colegas de partido. Foi sucedido por Egon Krenz, que realizou a abertura. Honecker morreria exilado no Chile.


14 - Até tu, URSS?
O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev e seu ministro das Relações Exteriores na época, Eduard Shevardnadze, pediram ao líder a Erich Honecker, que derrubasse o muro de Berlim em 1987, dois anos antes da queda. 

O pedido não foi atendido e ficou escondido nas anotações de um dos funcionários mais próximos a Shevardnadze. Foi encontrado pelo historiador da London School of Economics Wladislaw Subok.


15 - Abertura repentina
No dia 9 de novembro de 1989, Egon Krenz, sucessor de Honecker e secretário-geral da SED e mandatário da Alemanha Oriental na época, depois que ficou definido que o Muro iria mesmo cair,  passou a um funcionário chamado Günter Schabowski as informações sobre como seria a abertura de fronteira.
  
Schabowski seria o porta-voz que anunciaria a medida à imprensa. 
Em meio à tensão, Krenz esqueceu de avisar que a passagem seria liberada apenas no dia seguinte. 

Quando estava ao vivo na TV falando que a fronteira seria aberta, Schabowski foi perguntado por um jornalista a partir de quando valeria a medida ele, sem saber o que dizer, respondeu: “ Isso vale, pelo que sei...a partir de agora, impreterivelmente”. Minutos depois já havia gente na fronteira querendo passar.
Em entrevista coletiva no dia 9 de novembro, autoridades anunciaram que fronteira seria aberta (Foto: Thomas Lehmann/Deutsches Bundesarchiv)
Em entrevista coletiva no dia 9 de novembro, autoridades anunciaram que fronteira seria aberta (Foto: Thomas Lehmann/Deutsches Bundesarchiv)

16 - A primeira passagem
Às 23h29 do dia 9 de novembro foi aberta a primeira passagem entre os dois lados. O tenente-coronel Harald Jäger, a cargo de um bloqueio na Rua Bornholmer, ao norte da cidade, entra para a história ao deixar os primeiros cidadãos passarem, sem opor resistência. Àquela altura, ele só antecipou o inevitável.


17 - Enquanto isso, na TV
No dia 9 de novembro, o telejornal da TV estatal oriental ainda tentou refrear as massas que iam para o lado ocidental, divulgando que era possível passar pelo muro, mas que era necessária uma autorização, o que não era verdade. Milhares e milhares já estavam cruzando a fronteira e a cidade estava em festa.


18 - Presente para os visitantes
Os cidadãos orientais que obtinham a rara autorização para ir para o lado ocidental só podiam levar pouquíssimo dinheiro. Por isso, a Alemanha Ocidental decidiu que todo visitante oriental teria direito a um dinheiro de “boas-vindas”. 

Quando o muro estava fechado, eram poucos os pedidos, já que quase ninguém podia cruzar a fronteira. Quando ele caiu, no entanto, milhões de alemães orientais queriam receber os 100 marcos, em valor da época, oferecidos pelos vizinhos capitalistas, o que levou a enormes filas nos primeiros dias de abertura.
Fila de alemães orientais para receber o dinehrio de boas-vindas em 11 de novembro de 1989 (Foto: Roehrensee/Wikimedia Commons)Fila de alemães orientais para receber o dinehrio de boas-vindas em 11 de novembro de 1989 (Foto: Roehrensee/Wikimedia Commons)

19 - Unificação ou incorporação?
A Queda do Muro é chamada de reunificação, mas na verdade foi mais uma incorporação da parte oriental, comunista, pelo lado ocidental, capitalista. 

O sistema de governo, a economia, as instituições, a bandeira, o hino, toda a estrutura da Alemanha Oriental deixou de existir, prevalecendo o que já existia na Alemanha Ocidental. Claro que isso deixou parte da população oriental ressentida, já que o mundo em que viviam desmoronou.


20 - Líder preso
Egon Krenz, o último líder oriental, foi condenado em 1997 a seis anos de prisão por causa da morte de quatro pessoas que tentaram fugir para o lado ocidental. Cumpriu quatro anos de cadeia, depois foi libertado sob condicional.


21 - Diferenças prosseguem
Até hoje as partes Ocidental e Oriental da Alemanha têm muitos indicadores diferentes, que mostram que a integração ainda não foi total. Os alemães ocidentais têm cerca de 6% de desemprego, enquanto os orientais enfrentam 10% (dado de 2013).  Os orientais empregados, por sua vez, atualmente ganham 25% a menos de salário, em média.


22 - Divisão que se vê do espaço
Até do espaço é possível ainda ver que Berlim já foi dividida. Uma foto publicada em abril do ano passado pelo astronauta Chris Hadfield, tirada a bordo da Estação Espacial Internacional, revela a iluminação branca do lado ocidental, em contraste com a luz amarelada da iluminação de rua oriental.
Imagem do astronauta Chris Hadfield mostra luz branca na parte ocidental e amarelada na oriental (Foto: Reprodução/Twitter/Chris Hadfield)Imagem do astronauta Chris Hadfield mostra luz branca na parte ocidental e amarelada na oriental (Foto: Reprodução/Twitter/Chris Hadfield)

Souvenir
Pedaço do Muro de Berlim com 'certificado de autenticidade' (Foto: Brocken Inaglory/Wikimedia Commons)
Pedaço do Muro de Berlim com 'certificado de
autenticidade' (Foto: Brocken Inaglory/
Wikimedia Commons)

Depois da derrubada, pedaços do Muro de Berlim ainda estão à venda em lojas para turistas, assim como na internet, para colecionadores interessados em um "pedaço" da Guerra Fria.

Há no entanto, muitos rumores sobre a autenticidade desses restos de concreto.
Corre entre os berlinenses a piada de que seria possível erguer vários muros com o que já se vendeu desse tipo de lembrancinha.
 
24 - Processo gradual
Embora o dia 9 de novembro de 1989 seja comemorado como o dia da Queda do Muro, a reunificação só ocorreu formalmente quase um ano depois, em 3 de outubro de 1990, quando a República Democrática Alemã (RDA) foi dissolvida e todo seu território passou a fazer parte da República Federal da Alemanha, conhecida como Alemanha Ocidental.
Bandeira da Alemanha Oriental (Foto: Jwnabd/Wikimedia Commons)Bandeira da Alemanha Oriental (Foto: Jwnabd/Wikimedia Commons)

25 - Demolição
Quando a fronteira foi aberta, a população animada começou a quebrar o muro, derrubando as placas de concreto de que era formado. Isso, no entanto não foi suficiente para dar um fim à extensa instalação. 

Foi necessário um ano inteiro de obras para remover os 45 mil elementos de concreto e demais sistemas de proteção, permitindo a reabertura de mais de cem ruas que haviam sido bloqueadas.
Festa após anúncio da derrubada do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989 (Foto: Herbert Knosowki/Reuters/Arquivo)Festa após anúncio da derrubada do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989 (Foto: Herbert Knosowki/Reuters/Arquivo)

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