Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
O astronauta canadense Chris Hadfield, que está na Estação Espacial
Internacional (ISS) desde dezembro do ano passado, registrou imagens
impressionantes da Terra, três semanas após clicar a Lua sobre um "cobertor de nuvens".
Uma das fotos, publicada no Twitter de Hadfield na noite de segunda-feira (25), mostra a
Estrutura de Richat, ou "Olho da África", que tem 50 km de diâmetro e foi
descoberta em 1965 na Mauritânia. O local ainda é considerado um enigma para a
ciência, e poderia ser resultado de uma erupção vulcânica há cerca de 100
milhões de anos, afundando depois em decorrência de um processo de erosão.
'Olho da África' foi clicado do espaço pelo
astronauta canadense Chris Hadfield (Foto: Chris Hadfield/Nasa)
Outra imagem publicada na segunda-feira por Hadfield, que é engenheiro de
voo, revela o Monte Etna, na Itália, coberto de neve e exalando uma fumaça
preta.
Monte Etna, na Itália, foi visto da ISS coberto de
neve e entrando em erupção (Foto: Chris Hadfield/Nasa)
Uma terceira imagem clicada pelo astronauta canadense é de uma tempestade
"furiosa" em formação.
Formação de tempestade 'furiosa' também foi
registrada pelo astronauta na ISS (Foto: Chris Hadfield/Nasa)
Em ocasiões anteriores, Hadfield já postou um vídeo em que ensina a cortar
as unhas em um ambiente de gravidade zero, e outro em que canta uma música composta e gravada na ISS especialmente para o Natal,
chamada "Jewel in the night" (Joia na noite). Segundo o astronauta, essa foi
a primeira canção feita e executada no espaço. Hadfield desembarcou na estação no dia 19 de dezembro, após decolar do
Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, a bordo de um foguete russo Soyuz. Além dele, fazem parte da atual expedição da ISS o americano Tom Marshburn e
o russo Roman Romanenko. Nesta quinta-feira (28), devem se juntar a eles o
comandante russo Pavel Vinogradov e os engenheiros de voo Chris Cassidy
(americano) e Alexander Misurkin (russo), que vão viajar a bordo do foguete
Soyuz TMA-08M.
Mais de 200 drones – veículos aéreos não tripulados (vant, na sigla em
português) – estão em operação no Brasil sem que exista regulamentação para o
uso civil e comercial destas aeronaves. O número foi obtido a partir de
levantamento realizado pelo G1 com fabricantes, importadores,
empresas e órgãos de governos estaduais. Os drones – zangão ou zumbido, em inglês – desempenham funções que antes
dependiam de aviões e helicópteros tripulados, buscando maior eficiência e
alcance, redução de custo e mais segurança (veja nos vídeos ao lado drones em
ação no Brasil e voos dos dois tipos mais comuns). A nova tecnologia virou polêmica nos Estados Unidos e em todo o mundo depois
que o país desenvolveu avançados modelos armados e passou a usar regularmente os
"aviões-robôs" para destruir alvos no Oriente Médio. Milhares de pessoas já foram mortas em ataques de drones, muitas delas
inocentes, todas sem julgamento ou chance de defesa. A revista "Time", na edição
da última semana de março de 2013, publicou a reportagem intitulada "Então, quem
nós podemos matar?" (So, Who Can We Kill?), com um debate sobre a moralidade do
uso bélico dos drones. O tema é recorrente nas principais revistas e jornais
americanos. Entre membros da Organização das Nações Unidas (ONU), a preocupação
é de que mais países passem a utilizar os drones como arma, numa escalada das
mortes à distância. Apesar de popularizado pela controversa utilização militar, é o uso civil dos
drones que pode transformar inúmeros serviços. Com formatos e tamanhos variados,
o número de máquinas voadoras controladas remotamente deve crescer em ritmo
acelerado nos próximos anos no país e no mundo, devido à facilidade de voo, ao
baixo custo e às inovações tecnológicas preparadas para cada modelo, como uso de
câmeras, filmadores, sensores de raio-x, dentre outros.
Entusiastas falam em "revolução dos drones" e projetam milhares de aparelhos
nos céus, em breve, seja a serviço do governo e de empresas ou para realizar
tarefas cotidianas como entregar produtos, regar o gramado, acompanhar crianças
até a escola ou guiar turistas pela cidade. Hoje, distantes das indústrias, estudantes e apaixonados por tecnologia
desenvolvem drones artesanais, aproveitando processadores, baterias e
componentes retirados de smartphones e outros equipamentos eletrônicos. Em alguns países, vants são usados para inspeção de linhas de transmissão, de
rodovias ou grandes obras por transmitirem imagens em tempo real. Neste caso,
são utilizados modelos pequenos, de até 2 kg, que sobrevoam centenas de
quilômetros diariamente, bem próximos aos cabos da rede, identificando fios
rompidos, ocupações irregulares e outros problemas. As informações enviadas para a central são precisas, e o serviço de
manutenção é acelerado. No Brasil, algumas empresas já estão começando a
testá-lo no lugar de helicópteros. Outro trabalho realizado por drones é o levantamento aéreo de terrenos, para
cartografia, geografia e topografia, bem como serviços de filmagem para
engenharia, mineração e indústria cinematográfica. Governos fazem uso da
novidade principalmente nas áreas de segurança e de prevenção de desastres. Só a AGX Tecnologia, uma das 15 indústrias que produzem esse tipo de aeronave
no Brasil, diz ter vendido mais de 100 vants desde 2005, de acordo com o diretor
Adriano Kancelkis. Entre os clientes estão órgãos públicos, consultorias ligadas
ao ramo ambiental e fazendeiros que usam os drones para monitorar
lavouras.
Outra empresa, a BRVant, já vendeu ao menos 35 para militares,
agricultores e órgãos públicos, e também exportou outros para a América Latina.
Segundo o proprietário, o engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico da
Aeronáutica (ITA) Rodrigo Kuntz, a falta de entendimento entre Aeronáutica e
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre as regras necessárias para que
esses aviões possam operar e serem certificados impede que as vendas sejam
maiores. 'Assassinato sem julgamento' Os Estados Unidos perceberam
o potencial militar e passaram a usar drones para atacar alvos suspeitos de
terrorismo no Afeganistão, Paquistão, Iêmen, Somália, além de monitorar outros
países. A eficácia das missões é contestada por organizações de direitos
humanos, que apontam um grande número de inocentes entre as vítimas e contestam
a legalidade do recurso. Críticos falam em "assassinatos sem julgamento",
"guerra suja" e "violação das leis internacionais".
Predator é um drone de guerra desenvolvido para
a Força Aérea dos Estados Unidos(Foto: Reuters)
O aumento exponencial do uso da tecnologia dos drones em
diversas situações representa um verdadeiro desafio para o direito internacional
atual"
Ben Emmerson, relator de investigação das Nações Unidas (ONU)
sobre uso de drones.
A Fundação Nova América, baseada em Washington, contabiliza 350 ataques desde
2004, a maioria durante o governo de Barack Obama, com número de mortos entre
1.963 e 3.293, incluindo entre 261 e 305 civis. Segundo o Escritório de
Jornalismo Investigativo, em Londres, o número de vítimas fatais em ataques
americanos com drones é maior, entre 2.627 e 3.457, sendo entre 475 e 900 civis.
No dia 20 de fevereiro, o senador republicano Lindsey Graham, defensor do uso de
drones em ataques militares, disse que o número
de mortos soma cerca de 4.700 pessoas, incluindo inocentes. A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou em janeiro uma investigação
sobre as vítimas civis de disparos de drones e pretende identificar
possíveis casos de "execuções extrajudiciais". Segundo o relator especial Ben
Emmerson, "o aumento exponencial do uso da tecnologia dos drones em diversas
situações representa um verdadeiro desafio para o direito internacional
atual". Na sociedade americana, houve manifestações
por maior transparência nas regras usadas para os ataques. Segundo a ONU, 51
países já possuem essa tecnologia e há preocupação de que outros países resolvam
usar o drone como arma além das fronteiras, como fazem os EUA, sem um inimigo
claro. Em meio à pressão, Obama
reconheceu que os americanos "merecem saber mais sobre os ataques" e
prometeu trabalhar junto ao Congresso. Os Estados Unidos possuem mais de 7.800 drones ao redor do mundo. Um terço do
total de aeronaves da força aérea do país não é tripulado, e quase metade dos
pilotos em formação vai comandar esse tipo de equipamento futuramente.
Avião-robô é realidade no Brasil O uso militar e
principalmente as aplicações civis dos veículos aéreos não tripulados fizeram o
Brasil investir na nova tecnologia, transformando-se em um centro emergente de
pesquisa, fabricação e utilização de drones. O Brasil conta com 15 das 44 indústrias de drones na América Latina e reúne
ao menos outras 5 empresas desenvolvendo sistemas, segundo a Associação
Internacional de Veículos Não Tripulados (AUVSI) e a Associação Brasileira das
Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde). Apesar de pouco conhecidos e discutidos, os drones são realidade em vários
setores do país, sendo usados nas áreas de energia, mineração, agricultura,
rodovias e construção civil, além de ajudar no trabalho de órgãos policiais,
ambientais e de defesa civil. Centros de pesquisa e desenvolvimento de projetos,
montados em universidades com financiamentos do governo e da iniciativa privada,
trabalham na construção de vants dos mais variados tamanhos, formas e
serventias. Outros modelos são importados de países que já usam drones há mais
tempo. PF usa para fazer prisão no Paraná No final de 2012, a
Polícia Federal utilizou um vant israelense para seguir uma embarcação suspeita
na tríplice fronteira com o Paraguai e a Argentina, em uma operação sigilosa
contra o tráfico de drogas e o contrabando de armas.
A aeronave
transmitiu em tempo real imagens de boa qualidade, feitas à noite, a
investigadores do Núcleo Especial de Polícia Marítima da Polícia Federal
(Nepom), que puderam realizar a prisão em flagrante dos criminosos. Outra ação
usando o equipamento também teve êxito, e suspeitos de tráfico em região próxima
à Usina de Itaipu foram presos. A PF não deu maiores detalhes das operações, mas disse que o drone israelense
tem custo operacional até 10 vezes inferior ao de um helicóptero tripulado. As
duas unidades do modelo Heron, fabricados pela Israel Aerospace Industries Ltd
(IAI), chegaram ao Brasil em 2010 ao custo de aproximadamente R$ 80 milhões
cada. Os vants ficam alojados na Base Aérea de São Miguel do Iguaçu (PR) e são
os únicos de uso civil certificados pela Agência Nacional de Aviação Civil
(Anac) no país.
Bope receberá em 2013 O Batalhão de
Operações Policiais Especiais (Bope) e a Defesa Civil do Rio de Janeiro vão
contar ainda em 2013 com cinco unidades de um drone produzido pelo governo em
parceria com o Instituto Militar de Engenharia (IME), do Exército. A aeronave
foi utilizada durante as chuvas na Região Serrana e no distrito de Xerém, em
Duque de Caxias, no início do ano.
A aeronave não tripulada irá revolucionar o trabalho de
prevenção a desastres"
Coronel Douglas Paulich Júnior, da Defesa Civil do Rio de
Janeiro
É uma ferramenta maravilhosa, tanto para o patrulhamento de
rodovias, acompanhamento de queimadas, quanto para inteligência, para monitorar
ações de traficantes"
Capitão Arlindo Bastos de Miranda Neto, da Polícia Militar
da Bahia
Com o vant, ganha-se muito em relação a corte de despesas e
segurança, quando se compara com o uso de um helicóptero.
O vant pode obter
imagens de alta qualidade com um custo operacional por hora de R$ 10"
Adriano Kancelkis, diretor da fabricante AGX
"As imagens captadas por ela nos deram um conjunto rico de informações sobre
onde era prioritário atuar, onde havia entulhos a serem retirados e para mapear
o terreno e entender o que havia ocorrido", afirma o coronel Douglas Paulich
Júnior. "A aeronave não tripulada irá revolucionar o trabalho de prevenção a
desastres". A Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que o projeto de operação dos
vants ainda está em estudo e que ainda não há conclusão sobre como os aparelhos
serão empregados. O modelo tem dois metros de envergadura e é elétrico, com alcance de 10
quilômetros e uma hora de autonomia de voo. Cada equipamento custa R$ 180 mil e
transmite imagens em tempo real para uma espécie de óculos usado pelo operador
em terra. "Pretendemos fazer um vant brasileiríssimo, 100% nacional, inclusive com os
sistemas e os sensores. Além da produção, vamos treinar os pilotos da polícia e
dos bombeiros. O Bope separou até um grupo para um curso de três meses. Nosso
objetivo é que saibam operar com segurança", diz o major Jacy Montenegro
Magalhães Neto, gerente do projeto no IME.
PM usa na área
ambiental em SP A Polícia Militar de São Paulo comprou dois modelos
da empresa AGX em 2012 e aguarda certificação dos equipamentos junto à Anac para
usar na área ambiental.
Como teste, os drones foram usados para monitorar
uma embarcação em área de exploração proibida e registrar em imagens os
trabalhos ilegais realizados nas margens de um rio. A PM também estuda o uso
para policiamento e no apoio a bombeiros em operações de salvamento no mar. O comando da PM da Bahia está criando, dentro do seu grupamento aéreo, uma
subunidade encarregada de planejar como os vants poderão ajudar no combate ao
crime na divisa com Pernambuco, em uma região conhecida como Polígono da
Maconha. "Já empregamos em testes e vamos adquirir alguns aviões ainda em 2013.
É uma ferramenta maravilhosa, tanto para o patrulhamento de rodovias,
acompanhamento de queimadas, quanto para inteligência, para monitorar ações de
traficantes", diz o capitão Arlindo Bastos de Miranda Neto. Drone para inspeção de energia A Companhia Energética de
Minas Gerais (Cemig) já investiu R$ 4 milhões para construir um drone, em
parceria com a Fundação para Inovações Tecnológicas (Fitec), visando à redução
de custos na inspeção de redes de transmissão de energia, hoje feita com
helicópteros. Com possibilidade de viajar até 100 quilômetros, voando a 150
metros do solo para obter imagens detalhadas nas missões de inspeção, o
protótipo ainda passa por testes e aguarda licença da Anac para operar. "Já é possível, com ele, identificar casos de invasão de faixa de servidão
(área abaixo e próxima da linha de transmissão que não pode ter ocupação), de
realizações de obras, com movimentação de terras, próximos às estruturas, de
ocorrências de erosões no pé da torre e de vegetações abaixo da linha, coisas
que podem colocar em risco o sistema elétrico", afirma Jaelton Avelar
Fernandino, gerente de Gestão Tecnológica da Cemig.
O emprego do vant no Brasil é muito promissor, principalmente
para fotos aéreas, planejamento urbano, controle de tráfego de rodovias,
identificação de pontos críticos em estradas ou em grandes obras, controle de
plantações ou na pecuária"
Luiz Munaretto, diretor da Organização Brasileira para o
Desenvolvimento da Certificação Aeronáutica (DCABR)
A Petrobras firmou uma parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR)
para criar um drone apto a fiscalizar mais de 14 mil quilômetros de faixas de
oleodutos, trabalho hoje realizado a pé pelos técnicos da empresa. O objetivo é
desenvolver um aparelho capaz de verificar possíveis invasões e irregularidades,
avaliar danos que possam colocar em risco a distribuição de óleo e agilizar os
trabalhos de manutenção. Testes preliminares foram feitos em uma área do
Exército no Rio de Janeiro, mas a decisão sobre adotar ou não os drones ainda
não foi tomada. "Ainda não temos a dimensão de quanto um vant pode reduzir custos e nos
garantir rapidez na identificação de problemas. Isso só será possível quando
levarmos para o uso real em um processo sistemático. Espero que até 2014 consiga
ter uma avaliação, para que a empresa decida ou não como empregar a aeronave",
diz Heitor Araujo, do departamento de tecnologia da Petrobras. A Energia Sustentável do Brasil, consórcio que administra a construção da
Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, usou drones para monitorar a retirada da
vegetação do reservatório da usina. As imagens localizaram áreas de desmatamento
ilegal na floresta amazônica e foram entregues ao Ibama para avaliação. Na agricultura, drones são usados por empresas que atuam com levantamentos
topográficos, mapeamento aéreo, consultoria ambiental, controle de pragas,
correção de problemas, entre outros serviços. Diversas empresas investem no
desenvolvimento de sistemas sofisticados de sensores e de gravação e transmissão
de dados. A AGX, empresa que desde 2002 foca no uso agrícola dos drones, já vendeu
modelos para vigilância de usinas de cana de açúcar e para agricultura de
precisão. Os vants tem preços que variam entre R$ 60 mil e R$ 800 mil,
dependendo das configurações e do tipo de sistema instalado, e podem voar até
quatro horas seguidas. Entre os clientes, além de empresas e de cooperativas,
estão fazendeiros que fazem uso particular dos dispositivos. Um novo modelo, construído em parceria com a Universidade de São Paulo (USP),
o Centro Tecnológico do Exército (CTex) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica
(ITA) foi lançado há poucos dias com uma novidade: um airbag capaz de proteger a
aeronave em pouso vertical. "Com o vant, ganha-se muito em relação a corte de despesas e segurança,
quando se compara com o uso de um helicóptero. O vant pode obter imagens de alta
qualidade com um custo operacional por hora de R$ 10. Enquanto que a hora de um
voo de helicóptero fica em R$ 1.500 ou mais", afirma Adriano Kancelkis, diretor
da AGX. "O emprego do vant no Brasil é muito promissor, principalmente para fotos
aéreas, planejamento urbano, controle de tráfego de rodovias, identificação de
pontos críticos em estradas ou em grandes obras, controle de plantações ou na
pecuária", diz Luiz Munaretto, diretor da Organização Brasileira para o
Desenvolvimento da Certificação Aeronáutica (DCABR), que trabalha em parceria
com a Anac para regulamentar o uso de drones no país.
FAB usará vant israelense em ações de
segurança na Copa (Foto: Ministério da Defesa/divulgação)
O drone é a evolução do poder de combate, ele sintetiza tudo
[...] É uma arma completa"
General Alvaro Pinheiro, especialista em
terrorismo
Copa do Mundo e Olimpíada Em 18 de fevereiro, a Força
Aérea Brasileira (FAB) recebeu dois aviões não tripulados feitos pela
empresa israelense Elbit, que custaram R$ 48,174 milhões e serão montados em
Santa Maria (RS), de onde devem operar a partir de março. Sem serem equipados
com armas, os modelos vão reforçar a segurança nas sedes da Copa do Mundo de
2014 e na Olimpíada de 2016. Em junho deste ano, o sistema será testado durante
a Copa das Confederações. Até 2014 deve ficar pronto o Falcão, drone de mais de 800 kg que está sendo
produzido pela brasileira Avibras com investimento do Ministério da Defesa e que
será vendido pela Harpia (parceria da Embraer, Avibras e a israelense
Elbit).
O modelo está entre os favoritos para ser adquirido pelos
militares brasileiros. Um dos projetos, inclusive, é equipar o vant com mísseis
e bombas para fins de combate. "O drone é a evolução do poder de combate, ele sintetiza tudo. Ele tem
sensores capazes de localizar qualquer coisa, consegue transmitir a informação
em tempo real para qualquer lugar – o que só o drone é capaz – e pode
neutralizar e eliminar a ameaça naquele exato momento. É uma arma completa", diz
o general Alvaro Pinheiro, especialista em terrorismo e defensor da capacidade
brasileira em operar drones com armas. "O projeto existe, mas vai ficar para o futuro. Por enquanto, o foco
prioritário é vigilância e monitoramento. O assunto é ainda bastante delicado.
Precisamos primeiro avançar na atuação de vants de reconhecimento", afirma
Renato Tovar, diretor da Avibras. Entre as ações militares que as Forças Armadas planejam fazer empregando
drones também estão o monitoramento de fronteiras, a segurança de instalações
estratégicas como usinas e plataformas, a proteção da Amazônia, e a defesa da
costa brasileira. Fim da privacidade e riscos à aviação A capacidade de
circular sem serem percebidas, guiadas remotamente a partir de informação
recebida por sensores e câmeras, faz com que os drones sejam motivo de
desconfiança. Em vários países há debate sobre ética e moral no emprego de
drones, principalmente no que se refere a questões de privacidade. Há temor de que a falta de transparência no uso dos veículos encubra
possíveis abusos no monitoramento de áreas e pessoas, com interceptação de
conversas telefônicas, fotografias e filmagens feitas de maneira irregular.
Países e indústrias já estão sujeitos à espionagem, por exemplo.
Produzido pela Avibras, o drone Falção é uma
das opções para o Exército (Foto: Avibras/Divulgação)
Devido aos novos desafios e características associadas ao voo
remoto, são necessárias adequações na regulamentação deste tipo de aeronave para
garantir níveis de segurança"
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)
Companhia de energia de Minas Gerais usa
vant para inspecionar linhas (Foto: Cemig/Divulgação)
O maior desafio, no mundo todo, é tentar integrar a aeronave
remotamente pilotada às aeronaves pilotadas"
capitão José Augusto de Almeida, do Instituto Tecnológico da
Aeronáutica (ITA)
A verdade é que a tecnologia dos drones avança mais rapidamente do que o
mundo é capaz de refletir sobre o seu uso e seus benefícios, abrindo espaço para
projeções paranóicas de um futuro em que não será possível escapar do raio de
ação dos drones. Com os céus repletos de pequenas aeronaves equipadas com alta
tecnologia, como saber quem está operando o aparelho, quais informações estão
sendo recolhidas e que usos serão feitos desses dados? As autoridades temem ainda o risco de colisão com aviões e obstáculos aéreos,
bem como a possibilidade de que o equipamento caia sobre áreas habitadas,
colocando em risco a vida de pessoas em solo. Controlados de uma cabine, os
drones circulam sem garantia de que os operadores tenham total conhecimento da
situação no ar. "Vant é como um avião. Não se pode impor as mesmas regras para um ultraleve e
para um Airbus voarem. São tipos e tamanhos diferentes, com funções diferentes.
Há vants pequenos e grandes, usados para coisas diferentes", explica o
engenheiro Flávio Araripe, referência no tema no Brasil desde 1980, quando
começou a estudar drones dentro da Aeronáutica. O caminho seguro para que vants consolidem-se como ferramentas benéficas à
sociedade é a regulamentação e a fiscalização das aeronaves e de seus
operadores. O responsável pelo controle da aviação civil nos Estados Unidos deve
divulgar ainda em 2013 normas referentes aos voos domésticos de drones. Vários
países aguardam o documento para servir de base na criação de suas próprias
leis. Atualmente, a operação civil ainda é bem controlada nos Estados Unidos,
restrita a liberação de licenças individuais e proibida em regiões
habitadas. No Brasil, a Anac reconhece a importância do uso civil dos drones, tanto para
indústria como para a sociedade, mas afirma que, "devido aos novos desafios e
características associadas ao voo remoto, são necessárias adequações na
regulamentação deste tipo de aeronave para garantir níveis de segurança". Na prática, apesar da pressão de empresas do setor, apenas os dois vants da
Polícia Federal estão aptos a voar após terem recebido um Certificado de
Autorização de Voo Experimental (Cave), expedido para casos especiais, garantia
de que a agência fez a avaliação do projeto técnico e de aeronavegabilidade,
atestando as condições de segurança da aeronave. A agência esclarece que, mesmo nos países em que existe a regulamentação
sobre o tema, ainda há limitações na legislação devido à inexistência de
especificações de aparelhos e de seus operadores, "que vão desde os critérios
técnicos que um projeto deve atender até o treinamento necessário para as
pessoas envolvidas", garantindo "que os vants possam ser integrados com
segurança no espaço aéreo". Tanto as normas da Anac quanto as regras do Departamento de Controle do
Espaço Aéreo (Decea), da Aeronáutica, proíbem totalmente o voo de drones sobre
cidades brasileiras. As demais operações precisam ser comunicadas à Aeronáutica
com antecedência de 15 a 30 dias, para evitar que os veículos dividam o espaço
aéreo com aviões comerciais. "Nenhum país atualmente permite voo livre de vant. Sempre é um processo de
autorização especial, concedido caso a caso. O maior desafio, no mundo todo, é
tentar integrar a aeronave remotamente pilotada às aeronaves pilotadas", afirma
o capitão José Augusto de Almeida, do Instituto Tecnológico da Aeronáutica
(ITA), um dos especialistas do tema no país. Em outubro de 2012, a Anac publicou no Diário Oficial a Instrução Suplementar
(IS) 21-002, que prevê requisitos básicos para certificar os veículos. Drones
totalmente autônomos são proibidos. Interessados em obter a licença devem enviar
para a agência informações sobre o modelo e o propósito da operação.
O Brasil lidera na América do Sul, e também desponta no mundo,
com iniciativas que envolvem o acesso de aeronaves remotamente controladas ao
espaço aéreo"
John Scull Walker, que integra um grupo que propõe regras para
o uso de drones nos EUA.
O governo brasileiro está sendo o mais ativo na América Latina
na abertura de seus céus para as vantagens e benefícios de aeronaves remotamente
controladas"
Gretchen West, vice-presidente da Associação Internacional de
Veículos Não Tripulados (AUVSI)
"O Brasil lidera na América do Sul, e também desponta no mundo, com
iniciativas que envolvem o acesso de aeronaves remotamente controladas ao espaço
aéreo. É um tema que envolve várias preocupações com a segurança", diz John
Scull Walker, que integra um grupo que propõe regras para o uso de drones dentro
dos Estados Unidos e outro que discute e regula internacionalmente o tema. "O governo brasileiro está sendo o mais ativo na América Latina na abertura
de seus céus para as vantagens e benefícios de aeronaves remotamente controladas
e também no crescimento da indústria. No mundo todo, a regulação é restritiva em
relação a áreas urbanas e a aplicação, apesar de crescente, é ainda muito
limitada", diz Gretchen West, vice-presidente da Associação Internacional de
Veículos Não Tripulados (AUVSI). A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não informa o número de vants no
país porque o cadastro de aviões experimentais, usado para as aeronaves
remotamente pilotadas, também engloba outros tipos de modelos, não sendo
possível separar só os drones. Em 2012, a Anac tinha registrado 4.750 aeronaves
experimentais. Apenas as duas unidades usadas pela PF, no entanto, estão
autorizadas a voar. Com o "boom" dos drones, a Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados
Unidos expediu, desde 2007, mais de 1.400 licenças de operação para veículos de
uso doméstico, sendo que 327 seguem listados como "ativos". Boa parte dos
pedidos foi feito por unidades policiais, universidades, agências federais e
departamentos de transporte. Só a agência responsável pela proteção das
fronteiras conta com dez aeronaves para monitoramento dos limites com o México e
o Canadá. Estados Unidos, Israel, Irã, Rússia, China, Inglaterra, Itália e Paquistão
lideram a produção e a utilização militar de drones, segundo a Federação Global
UVS International, enquanto que Austrália, Canadá, França, Inglaterra e Espanha
figuram entre os países mais avançados no uso civil e comercial das
aeronaves.