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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Bancos europeus terão 'caminhão de dinheiro' para evitar colapso

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Banco Central Europeu prepara novo tiro de 'bazuca' para resgatar bancos



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Foto de arquivo de escultura do Euro em frente à sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt, Alemanha
Foto: Michael Probst / AP
Foto de arquivo de escultura do Euro em frente à sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt, Alemanha Michael Probst / AP

][||*.*||][ SÃO PAULO — O Banco Central Europeu (BCE) prepara novamente sua 'bazuca' para resgatar os bancos europeus da crise. Com problemas de liquidez e ameaçados de ter seu rating rebaixado pela agência de classificação de risco Moody's, o BCE deve emprestar a essas instituições um verdadeiro 'caminhão de dinheiro' até o fim deste mês. 


Calcula-se que a oferta deve girar entre € 600 bilhões e € 1,2 trilhão nesta segunda etapa do plano de refinanciamento, um dos maiores que já se tem notícia. A medida emergencial tem como objetivo evitar que os bancos fiquem sem dinheiro para conceder crédito às pessoas e às empresas, ou mesmo honrar suas dívidas, aprofundando ainda mais a crise do euro.


De acordo com analistas, o BCE pode duplicar o valor que foi ofertado aos bancos em dezembro do ano passado - € 489 bilhões de euros, na primeira etapa do plano. Como o BCE vai oferecer o valor que os bancos requisitarem, aparentemente sem limite, desde que se ofereçam garantias, várias instituições indicaram que vão duplicar ou mesmo triplicar os seus pedidos de recursos. Nesse caso, preveem analistas, o montante pode chegar a € 1,2 trilhão ou mesmo € 1,5 trilhão. 


Com menos depósitos sendo feitos pelos cidadãos europeus, assustados com o futuro da moeda única, é o dinheiro do BCE que vai capitalizar as instituições financeiras e evitar a secura de crédito.


— Em dezembro passado, o BCE já havia desarmado 'a bomba-relógio' da falta de liquidez oferecendo € 489 bilhões a mais de 500 bancos. Foi esse dinheiro também que aliviou a pressão sobre os títulos da dívida de muitos países, que estavam vencendo e tinham que oferecer juro elevado para serem rolados. Sem esse dinheiro, haveria muito mais pressão sobre a dívida soberana neste início de ano — diz o economista Raphael Martello, da Consultoria Tendências.


Isso porque um cálculo feito pelo banco alemão Deutsche Bank mostrou que, em 2012, haverá vencimento de € 1,3 trilhão em dívidas soberanas dos países da zona do euro. Desse total, € 486 bilhões vencem no primeiro semestre. Calcula-se que os bancos tenham outros € 600 bilhões de suas próprias dívidas vencendo este ano. Sem dinheiro circulando em caixa, tornam-se fortes candidatos à insolvência.


— O BCE ajudou os bancos e acalmou o mercado. Tanto que países com problemas para refinanciar suas dívidas, no fim do ano passado, voltaram a fazer leilões de títulos de dívida com taxa de juro mais baixa - lembra o vice-presidente de Tesouraria do banco alemão WestLB, Ures Folchini.


Para o economista Raphael Martello, da Tendências, a ação de capitalização do BCE é necessária, mas traz embutida um problema. É que uma parte desse dinheiro não chega à economia real em forma de empréstimos. O BCE lança linhas de financiamento com juro de 1% aos bancos, e estes por sua vez investem nos títulos da dívida soberana da zona euro. 


Depois, utilizam esses títulos como colateral (uma espécie de garantia) junto do BCE para voltarem a se financiar.
Na prática, as instituições ganham o diferencial entre o juro de 1% cobrado pelo BCE e a taxa de remuneração que recebem de países emissores de dívida. A taxa é de 4% no caso espanhol, 7% para a Itália e 13% para Portugal.


— A diferença entre a taxa de juro do país emissor e o 1% cobrado pelo BCE fica com o banco — explica Martello.
Para o economista, a ação do BCE é uma solução temporária porque 'compra-se tempo' até que ocorra uma solução para a crise do euro.


— Mas os recursos ajudam a derrubar o juro cobrado pelos títulos, reduzindo o custo da dívida, o que é importante — alerta o economista.
Para o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, o dinheiro injetado nos bancos em dezembro já está circulando na economia. A queda brutal do juro de alguns títulos soberanos, como os da Espanha e Itália, que chegaram a 7% e 6% respectivamente, em dezembro passado, é uma prova disso. Hoje, esses papéis estão sendo rolados por juro de menos de 3%.


Draghi rebateu as críticas de que os recursos do BCE não chegam a economia real.
— Esse dinheiro capitaliza os bancos, e parte acaba sendo usada para empréstimos evitando o colapso do crédito — disse Draghi.
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Brasil financiará programa de compra de alimentos em cinco países da África

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País vai doar US$2,37 milhões para projeto, o 1º do brasileiro José Graziano à frente do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO); acquisição fica a cargo da entidade.



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22 de fevereiro de 2012 | 19h 29
atualizdo 23 de fervereiro de 2012 10h 45
Lisandra Paraguassu, de O Estado de S.Paulo

*!||\0/||!* BRASÍLIA - O Brasil vai financiar um novo programa criado pelo Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), dirigido pelo brasileiro José Graziano. O acordo, assinado na terça-feira em Roma, prevê uma doação de US$2,37 milhões para uma ação local de compra de alimentos em cinco países africanos a ser administrada pela FAO e pelo Programa Alimentar Mundial (PAM), órgão da ONU responsável pela resposta emergencial a crises de fome.
 
O novo programa, a primeira proposta da gestão de Graziano, iniciada em janeiro, tem como base o programa brasileiro de compra de alimentos, parte da estratégia Fome Zero, criada quando Graziano era ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Quando assumiu a FAO, depois de uma intensa campanha do governo brasileiro para emplacar seu nome, Graziano afirmou que queria levar para o órgão as políticas brasileiras. Conseguiu também o financiamento.


A intenção do novo programa é financiar a produção local de pequenos agricultores na Etiópia, no Malaui, em Moçambique, Níger e Senegal por pelo menos 18 meses. A FAO, no entanto, pretende obter mais recursos além do dinheiro brasileiro para manter o programa.


Do total a ser doado pelo Brasil, o órgão receberá US$ 1,55 milhões para ajudar os pequenos agricultores a melhorar sua produção, oferecendo sementes e fertilizante e tentando organizá-los em cooperativas para processar e vender suas colheitas. Já a PAM receberá outros US$ 800 mil para preparar a compra dos produtos e fazer sua distribuição para escolas e os famílias de baixa renda.


Além dos recursos, o Brasil também oferece a expertise para a montagem do programa, todo ele baseado no Programa Nacional de Aquisição de Alimentos, que garante a compra a preços de mercado para os pequenos agricultores - hoje cerca de 100 mil são fornecedores do PAA, especialmente de grãos, carnes, pescados e sementes. No Brasil, a aquisição é feita pelo governo, que então repassa os produtos para restaurantes populares, cozinhas comunitárias ou para distribuição de cestas básicas.


Os cinco países selecionados para começar o programa já haviam demonstrado interesse em copiar o modelo brasileiro. A intenção da FAO é que, passado esse primeiro momento, os governos locais assumam a compra dos alimentos como faz o Brasil.


Graziano, ministro no primeiro ano do governo Lula, assumiu a FAO como o homem que criou o Fome Zero brasileiro, a estratégia brasileira conhecida internacionalmente. 


Interessado em finalmente ter um nome em um dos grandes órgãos das Nações Unidas, o governo brasileiro investiu pesado na conquista de votos e acabou conseguindo derrotar o espanhol Miguel Angél Moratinos com uma diferença de apenas quatro votos.


O ex-ministro, no entanto, não é exatamente o responsável pelo sucesso da estratégia de combate à fome do governo brasileiro. Seu ministério, de Segurança Alimentar, foi extinto no segundo ano do governo, assim como o seu Cartão Alimentação - um restrito programa que permitia apenas a compra de comida e ainda exigia recibos das famílias - trocado pelo Bolsa Família, esse sim o maior sucesso do governo Lula.

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Analista projeta valor de mercado de US$ 1 tri para Petrobrás

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23 de fevereiro de 2012 | 7h 00
atualizado 10h 05

Sílvio Guedes Crespo

[*||-=-||*] A Petrobrás está entre as empresas que podem atingir um valor de mercado de US$ 1 trilhão, na opinião de um analista americano, Ryan Fuhrmann, ligado ao CFA Institute, uma respeitada associação global de profissionais da área financeira.


Para chegar lá, a companhia precisa continuar crescendo no mesmo ritmo dos últimos dez anos, diz o economista. A análise foi publicada no site especializado em finanças Street Authority.
Entre as companhias que podem alcançar esse valor, diz Fuhrmann, a Apple é a que tem mais chance. A julgar pelo preço das ações, a empresa fundada por Steve Jobs está avaliada em US$ 468 bilhões. A Petrobrás está bem atrás, com menos da metade desse valor (US$ 191 bilhões).


Pelos argumentos usados, nota-se que o analista está mais preocupado com movimentos de longo prazo do que com as oscilações momentâneas das ações.


Nos últimos dez anos, as vendas da Petrobrás aumentaram 17% ano, e o lucro, 23%. Fuhrmann diz que analistas estão projetando para este ano um lucro de US$ 3,30 por ação, o que representaria um avanço de 560% em comparação com o US$ 0,50 registrado uma década atrás.


Para o economista, é possível que a Petrobrás atinja o valor de US$ 1 trilhão porque tem um plano de investimentos de US$ 224 bilhões para ser implementado em cinco anos na exploração das reservas do pré-sal.


Vale lembrar que, antes das recentes descobertas de petróleo, a Petrobrás contou com a ajuda do mercado internacional. Em 2002, o preço médio da commodity ficou em pouco mais de US$ 20 o barril, tanto a mercadoria vendida em Londres quanto a de Nova York. No ano passado, a média estava em US$ 111 e US$ 95 em cada uma dessas cidades, respectivamente.

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