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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Cientistas refazem experimento que detectou neutrinos mais rápidos que a luz e desafiou Einstein

Física

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O Globo 

Simulação da colisão de íons de chumbo no LHC. Foto: Divulgação / Cern
||*\-\-\*|| RIO - Cientistas do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) estão refazendo a experiência que detectou neutrinos, um tipo de partícula subatômica, viajando mais rápido que a luz. O anúncio dos resultados do experimento - que contrariam a Teoria da Relatividade de Albert Einstein, que a estabelece a velocidade da luz como limite no Universo - causou polêmica na comunidade científica e já foi objeto de mais de 80 artigos no serviço de divulgação científica online "arXiv".


Sergio Bertolucci, diretor de Pesquisas a instituição, disse à "BBC" que nos últimos dias novos feixes de neutrinos foram gerados pelo Grande Colisor de Hádrons (LHC), acelerador de partículas do Cern na fronteira entre França e Suíça, direcionados ao laboratório subterrâneo de Gran Sasso, na Itália e a cerca de 730 quilômetros de distância. Segundo ele, o experimento foi alterado para tentar descartar possíveis erros sistêmicos.


Na experiência original, o LHC disparou seus feixes de prótons, que produzem os neutrinos, em pulsos longos com duração de 10 microsegundos (10 milionésimos de segundo) e os detectores do projeto Opera, em Gran Sasso, registraram sua chegada até 60 nanosegundos (60 bilionésimos de segundo) antes do que se estivessem viajando à velocidade da luz. Agora, os feixes serão muito mais curtos, durando um ou dois nanosegundos, e terão um grande intervalo, de cerca de 500 nanosegundos, entre cada. De acordo com Bertolucci, este sistema será mais eficiente.


- Para cada evento de neutrino em Gran Sasso, poderemos associar sem dúvidas com um feixe de prótons no Cern - disse ele à BBC.


Os grupos de pesquisa Minos, nos EUA, e T2K, no Japão, também se preparam para tentar replicar os resultados do Opera, mas ainda deverá levar alguns meses até que qualquer um dos três divulgue suas novas observações.
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Vitória de partido islâmico é confirmada na Tunísia em meio a confrontos no berço da Primavera Árabe

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O Globo
Com agências internacionais
Rachid Ghannouchi, líder do Ennahda, celebra vitória - Reuters


||//*::*\\|| TÚNIS - O anúncio dos resultados das eleições parlamentares na Tunísia - vencidas, como se esperava, pelo partido islâmico Ennahda - provocou uma explosão de violência na cidade de Sidi Bouzid, onde começaram as manifestações que culminaram na Primavera Árabe. A ira após a primeira votação em um país envolvido nas revoltas populares no Norte da África e no Oriente Médio foi causada pela eliminação do partido que ficaria em quarto lugar. O governo impôs um toque de recolher na cidade, que estará em vigor das 19h às 5h, a partir desta sexta-feira, segundo uma fonte do Ministério do Interior.


VENCEDOR: 'A Tunísia é para todos', diz líder do Ennahda
Manifestantes revoltados atearam fogo à prefeitura e à sede do Ennahda em Sidi Bouzid, onde em dezembro do ano passado um verdureiro se imolou em protesto contra o governo. Seu gesto deu início à revolta popular que terminou derrubando em janeiro o ditador tunisiano Zine el-Abidine Ben Ali e inspirou movimentos em países como Egito, Líbia, Iêmen e Síria.


Autoridades eleitorais anularam a conquista do partido Lista Popular, liderado pelo empresário Hachmi Hamdi, alegando violações no financiamento de sua campanha. A decisão revoltou os moradores de Sidi Bouzid, onde a legenda é popular. A polícia usou bombas de gás para tentar dispersar a multidão e militares dispararam tiros para o ar.


O líder do Ennahda, Rachid Ghannouchi, elogiou o papel da cidade na revolução tunisiana. Mas as promessas de dar continuidade ao movimento por liberdade não impediram os protestos após o anúncio do resultado da eleição para a Assembleia nacional, que vai elaborar uma nova constituição, formar um governo interino e agendar novas eleições, provavelmente para 2013.


Quatro dias depois do pleito de domingo, a Comissão Eleitoral finalmente informou que o Ennahda - banido antes da revolução - ganhou 90 dos 217 assentos do Parlamento provisório. O partido secularista Congresso para a República ficou em segundo, com 30 cadeiras. Uma coalizão de governo deve ser formada.


Segundo resultados preliminares, a Lista Popular ficaria em quarto lugar, se as vagas que conquistou não tivessem sido anuladas. O líder partido já foi partidário do ex-ditador Ben Ali e fez uma campanha populista, ancorada na rede de televisão da qual é dono.


Embora a violência seja motivo de preocupação para o futuro governo da Tunísia, os episódios parecem restritos a aliados do empresário. Os três principais partidos secularistas já aceitaram a derrota e não há informações sobre confrontos em outras cidades. 
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Brasileiros da 'geração bilhão' falam do mundo de antes e de hoje

GIPOPE - LOGÍSTICA.

NOTÍCIAS & INFORMAÇÃO.
BRASIL -- COTIDIANO

G1 ouviu nascidos nos anos em que o mundo deu 'saltos' dos bilhões.
Veja entrevistas de brasileiros de 1927, 1959, 1974, 1987 e 1999.

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Do G1, em MG, PE, SP, no DF

|#.-.=.-.#| Às vésperas do nascimento do bebê que representará a chegada da população mundial à marca de 7 bilhões de pessoas, o que acontecerá na próxima segunda-feira (31), de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o G1 entrevistou brasileiros que fazem parte de outras gerações marcadas pelos saltos dos bilhões.


O novo número será alcançado 12 anos depois de um bebê de Sarajevo ter sido nomeado pela ONU como a 6ª bilionésima pessoa a nascer, em 12 de outubro de 1999, e 24 anos após a 5ª bilionésima ter nascido, na Bósnia, em 11 de julho de 1987. Nos vídeos abaixo, brasileiros nascidos nessas datas e também em 1974 (marca dos 4 bilhões), 1959 (3 bilhões) e 1927 (2 bilhões) falam sobre como viam o mundo no passado e como se sentem hoje, convivendo com mais gente no planeta. O 1º bilhão foi alcançado em 1804.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

'País entrou com dados econômicos falsos, não estava preparado', disse o presidente da França

GIPOPE - OPINIÃO.

NOTÍCIAS & INFORMAÇÃO.
INTERNACIONAL -- ECONOMIA

Foi um ‘erro’ admitir a Grécia no euro em 2001, diz Sarkozy


Ricardo Gozzi, da Agência Estado

[*||=-=||*] PARIS - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, declarou nesta quinta-feira, 27, que foi um "erro" a Grécia ter sido admitida no euro dez anos atrás. "Foi um erro porque a Grécia entrou com dados econômicos falsos. Ela não estava preparada", disse Sarkozy em uma aparição na televisão francesa menos de 24 horas depois de um acordo de líderes da zona do euro para solucionar a crise da dívida que afeta a região há um ano e meio e também para ancorar o sistema bancário.


    "Nós temos de fazer frente a tudo isso", declarou o líder francês, citado pelo jornal britânico The Guardian. "Se o euro tivesse explodido ontem à noite, toda a Europa teria explodido junto. Se a Grécia tivesse dado calote, haveria um efeito dominó que arrastaria todo mundo junho. Nós tomamos decisões importantes que evitaram uma catástrofe", declarou Sarkozy, segundo a reportagem do Guardian.


    Apesar de ter considerado um erro a entrada da Grécia para o euro em 2001, Sarkozy declarou-se otimista com relação à capacidade do país de solucionar agora sua crise da dívida. "Nem eu nem (a chanceler alemã Angela) Merkel estávamos no poder quando foi decidida a admissão da Grécia no euro", comentou ele à TV francesa. "Mas a Grécia pode se salvar" graças às decisões tomadas ontem na cúpula de Bruxelas, concluiu.


    China
    Sarkozy afirmou ainda que a ajuda da China não é necessária para salvar o euro, mas renovou seu pedido de integração do país asiático aos mercados mundiais, dizendo ser "essencial" que o yuan participasse do sistema global de câmbio.


    "Se os chineses, que controlam 60% das reservas mundiais de câmbio, decidem comprar euro em vez de dólar, por que deveríamos nos recusar", questionou Sarkozy. "Nossa independência não será colocada em risco."


    A Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, em inglês) anunciou mais cedo que seu executivo-chefe, Klaus Regling, viajará à Pequim amanhã para discutir como a China pode contribuir com o fundo.


    Bancos
    O presidente da França também disse que o governo do país vai monitorar atentamente os bancos para garantir que eles retenham dividendos e cortem bônus pagos a executivos com o objetivo de fortalecer os níveis de capital.


    Os quatro principais bancos da França precisarão levantar € 8,8 bilhões para possuir 9% de capital Tier 1, conforme foi determinado pela União Europeia. Essas instituições financeiras disseram que conseguiriam gerar rapidamente essa quantia por meio de lucros futuros e de vendas de ativos.


    Sarkozy disse também que o banco central da França vai se reunir com os bancos do país nos próximos dias. As informações são da Dow Jones.


    *||* (com Gustavo Nicoletta, da Agência Estado)
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    Faxineira cai do 10º andar de prédio e sobrevive em SC

    COTIDIANO

    GIPOPE - MÉDIA.

    NOTÍCIAS & INFORMAÇÃO.
    BRASIL -- SANTA CATARINA

    Mulher caiu sobre uma árvore, que teria amortecido a queda, diz Samu.
    Ela foi levada para hospital, onde está internada com ferimentos leves.


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    Do G1, em São Paulo

    !!#-=-#!! Uma mulher caiu do 10º andar de um prédio comercial, na região central de Florianópolis, na tarde desta quinta-feira (27) e sobreviveu. Ela foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que a levou consciente para o Hospital Governador Celso Ramos, onde está internada em observação.


    Segundo o Samu, a mulher estaria trabalhando na limpeza do prédio, quando teria se desequilibrado e caído sobre uma árvore, que teria amortecido a queda.


    De acordo com informações do hospital, a mulher sofreu ferimentos leves e o estado de saúde dela é bom e estável, mas ela deve permanecer em observação por algumas horas.
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    MMX tem maior alta na Bolsa em dois anos e Eike Batista fica R$ 2,3 bilhões mais rico

    Mercado financeiro

    GIPOPE - INTELLIGENCE.

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    BRASIL -- ECONOMIA


    Plantão | Publicada em 27/10/2011 às 20h15m
    Bruno Villas Bôas 
    Eike Batista foi novamente eleito homem mais rico do Brasil pela revista Forbes (Reuters/Fred Prouser)

    /|*=$.$=*|\ RIO - Oitavo homem mais rico do mundo pela revista "Forbes", o empresário Eike Batista viu sua fortuna pessoal crescer mais R$ 2,35 bilhões nesta quinta-feira, quando as ações de MMX Mineração, uma de suas empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), avançaram 11,05%, maior ganho diário do papel desde 29 de outubro de 2009. Num dia marcado por otimismo após o acordo entre líderes europeus contra a crise na região, as empresas "X" - letra com a qual Eike Batista batiza suas companhias - subiram fortemente e ficaram entre as maiores altas do mercado: OGX Petróleo (6,58%), LLX Logística (3,78%), MPX Energia (2,58%), Portx (5,59%) e OSX (3,53%). O Ibovespa, índice de referência da Bolsa, avançou 3,72% nesta quinta-feira, aos 59 mil pontos.

    A fortuna de Eike em ações cresceu assim de R$ 37,605 bilhões do fechamento de ontem para R$ 39,958 bilhões no fim desta quinta-feira, considerando as seis empresas listadas. No ano, contudo, o empresário ainda acumula uma "perda" de R$ 11,6 bilhões. Em dezembro do ano passado, os papéis valiam somados R$ 51,57 bilhões.

    Mas essas perdas não tiram o sono do empresário, como ele afirmou em algumas entrevistas. Por não ter vendido as ações, Eike ainda tem a chance de ver os papéis subirem e recuperarem seu patrimônio. Recentemente, inclusive, o empresário divulgou ter aumentado sua participação na petroleira OGX de 61% para 62,5%, aproveitando a queda dos preços das ações.

    No ranking da "Forbes", Eike aparece com um patrimônio estimado em US$ 30 bilhões. No primeiro lugar da revista está o mexicano Carlos Slim Helu, presidente da Telmex, com uma fortuna de US$ 63 bilhões. A publicação destacou, na semana passada, que o patrimônio de Slim caiu US$ 11 bilhões, em relação aos U$ 74 bilhões estimados em fevereiro deste ano, quando a lista foi elaborada.

    Com a queda do patrimônio de Slim, motivada pela baixa de 17% das ações de uma de suas principais empresas, a America Movil, na Bolsa de Nova York , sua liderança passou a ser ameaçada pelo segundo colocado na lista, Bill Gates. De acordo com a "Forbes", o patrimônio do fundador da Microsoft escalou de US$ 56 bilhões em fevereiro para US$ 60 bilhões na última avaliação, baseada no valor das ações da empresa.
    Gipope-.._____________________________2.011__.__2.012________________________________..-s'abiraG

    Entenda como ocorrem fraudes nos convênios entre ONGs e governos

    GIPOPE - INFORMATIONS.

    NOTÍCIAS & INFORMAÇÃO.
    BRASIL -- POLÍTICA & PODER

    Ex-ministro do Esporte é investigado por suposto esquema de desvio.
    Falta de lei e fiscalização falha facilitam fraudes, dizem especialistas.

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    Rosanne D'Agostino Do G1, em São Paulo

    [||*-*-*||] Convênios de governos com organizações não governamentais, as chamadas ONGs, estão na mira de investigações em todo o país. Fraudes nesse tipo de contrato têm se tornado comuns e, nesta semana, mais um ministro do governo Dilma deixou sua pasta sob suspeita de envolvimento em desvio de verba pública. O agora ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, é investigado por suposto desvio de dinheiro público em convênios do programa Segundo Tempo, que visa incentivar a prática esportiva entre crianças e adolescentes.



    No caso do Ministério do Esporte, os repasses para as ONGs viraram alvo de questionamento após reportagem da revista "Veja" publicada há duas semanas. O suposto esquema teria desviado cerca de R$ 40 milhões da pasta nos últimos oito anos, beneficiando também o partido do ministro, o PC do B.


    Como ocorre uma fraude envolvendo uma ONG
    Se a União, um município ou um estado quer, por exemplo, oferecer um serviço como o de aulas de artes marciais, tem hoje duas alternativas: pode abrir uma licitação para escolher uma empresa -- um processo demorado e cheio de exigências legais -- ou contratar uma ONG para prestar o serviço por meio de um convênio, como os do programa Segundo Tempo.



    A entidade e a administração, então, assinam um contrato, e o dinheiro público é recebido pela ONG, que deverá providenciar que o combinado seja posto em prática. Segundo a Controladoria Geral da União, entre 2004 e 2010, ONGs receberam R$ 23,3 bilhões dos cofres públicos federais.
      No caso do Ministério do Esporte, a suposta fraude começava na escolha da ONG, segundo reportagem da revista "Veja". Seriam entidades "amigas". Isso porque, hoje, não existe norma com exigências específicas para que determinada ONG seja escolhida, ou seja, elas podem ser contratadas pelo ministério sem  justificativa.


      A ONG Pra Frente Brasil, gerenciada pela ex-jogadora de basquete Karina Valéria Rodrigues, é suspeita de desviar dinheiro do programa, segundo denúncia do programa "Fantástico", da TV Globo. Para fazer 180 núcleos de esporte educacional no estado de São Paulo e incentivar 180 mil crianças, adolescentes e jovens à prática de esportes, a entidade teria direcionado licitações para beneficiar empresas de parentes e pessoas ligadas à ex-atleta, vereadora em Jaguariúna pelo PC do B.

      Onde ocorrem fraudes em convênios com ONGs:
      Escolha da entidade
      Os critérios para escolher qual ONG receberá a verba não são objetivos, e não há exigência para que seja feita licitação. Assim, municípios, estados e União podem contratar entidades sob justificativas genéricas.

      Fraude: Pode acontecer de o órgão público escolher a ONG com interesse próprio ou a entidade acabar escolhida com documentos falsos e embolsar o dinheiro do contribuinte.

      Formalização de convênios
      Há falha na análise técnica das propostas apresentadas pelas ONGs, ou seja, o que a entidade propõe no contrato é genérico e não necessariamente será executado.
      Fraude: A ONG pode apresentar um programa de trabalho que nunca vai cumprir, e depois pedir mais dinheiro porque não conseguiu fazer o serviço inicial.
      Prestações de contas e nos objetivos dos convênios
      Não há fiscalização suficiente por parte dos municípios, estados e União, acompanhando o andamento do serviço.

      Fraude: A ONG pode apresentar notas fiscais falsas, desviar a verba para fornecedores que podem ser parentes e amigos, ou ainda, não entregar a obra ou serviço.

      Impugnação total de despesas
      Ocorre quando a verba é aplicada em desacordo com as normas do governo.

      Fraude: Quando o governo não fiscaliza o convênio, a entidade pode simplesmente descumprir a lei. Nesse caso, toda a despesa gasta pode ser impugnada.

      Alcance dos objetivos firmados
      Os objetos do contrato não foram cumpridos pela ONG.
      Fraude: Se a ONG não cumpre todos os termos do contrato, o convênio falhou, e o dinheiro público foi mal aplicado. Isso ocorre por causa de contratos mal redigidos, mal analisados e mal fiscalizados pelo governo. Ainda que a entidade haja de má-fé, a responsabilidade sobre qualquer tipo de fraude contra o contribuinte é da administração pública.


      *Problemas mais encontrados em fiscalizações pela Controladoria Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União
      No ministério, essas entidades seriam "escolhidas" mediante um pagamento: mais ou menos 20% do valor do contrato, uma espécie de pedágio, conforme a "Veja". Quem cuidaria disso seria o PC do B, que também indicaria quem seriam os fornecedores. A ONG então "comprava" um tipo de material, bolas de futebol, por exemplo, desses fornecedores. O comprovante eram notas fiscais frias. E as bolas de futebol existiriam apenas no papel.


      O dinheiro que não foi gasto em bolas, então, voltaria justamente para quem autorizou a liberação da verba, o órgão público, ou seja, o ministro. Segundo a revista, Orlando Silva teria recebido notas de R$ 50 e R$ 100 na garagem do ministério. A denúncia é de um policial que foi preso durante investigações da polícia de Brasília, o PM João Dias Ferreira, um militante do PC do B. As suspeitas são objeto de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), que deve ser remetido para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) porque Orlando Silba perdeu o foro privilegiado no Supremo. Orlando Silva nega as acusações.


      Fraude no Turismo
      Os desvios envolvendo contratos com ONGs podem ocorrer de diferentes maneiras. Na pasta deixada pelo ministro Pedro Novais em 14 de setembro, de acordo com investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, o contrato firmado era com uma ONG chamada Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), que deveria, em troca de receber o dinheiro público, qualificar 1,9 mil profissionais de turismo no Amapá.



      Envolvidos no suposto esquema foram denunciados pelo Ministério Público por crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, peculato (desvio de dinheiro por servidor público) e falsificação de documentos.
      O valor total pago à ONG com o dinheiro do contribuinte foi de R$ 4,445 milhões. Desse total, R$ 3 milhões foram parar nas mãos de empresas de fachada, que só existiam no papel. A Ibrasi foi criada em 2006, mas só começou a funcionar em 2009, quando foi indicada para trabalhar com o governo por meio de uma emenda parlamentar.


      Ainda segundo as investigações, a ONG apresentou atestados falsos para comprovar que já tinha prestado serviço público, mas o Congresso Nacional não verifica a veracidade dessas informações. O ministério aprovou a contratação.


      A ONG, por sua vez, contratava outras empresas prestadoras de serviço, de acordo com a PF. Na concorrência, que deveria escolher o preço mais barato, só entravam empresas da própria entidade. O resultado era direcionado. Uma das cooperativas foi contratada para fazer um diagnóstico do setor de turismo no Amapá, é apontada como empresa de fachada para desviar a verba. Depois, a entidade apresentava essa despesa ao governo também com notas fiscais falsas. O esquema, nesse caso, contaria com conivência de outros funcionários públicos, que faziam vista grossa para os documentos fraudulentos.


      A fraude envolvendo a ONG, desse modo, contava não apenas com a falta de fiscalização do governo, que tem o papel de coibir a tentativa de entidades de receber indevidamente o dinheiro público, como também da participação de membros da pasta. Mais de 30 pessoas ligadas a essas empresas foram presas, além de Frederico Silva da Costa, secretário-executivo do Ministério do Turismo.


      Segundo um dos depoimentos feitos à Polícia Federal, depois de percorrer todo esse caminho, a verba pública voltaria para a deputada que apresentou a emenda para contratar a ONG, Fátima Pelaes (PMDB-AP), para uso em sua campanha eleitoral do ano passado. Ela nega as acusações. A Procuradoria Geral da República analisa os indícios de envolvimento da deputada.


      Brecha na lei
      Segundo especialistas, esse tipo de fraude ocorre principalmente por conta da falta de uma lei específica. A falha na fiscalização pelo estado dos convênios com as ONGs também contribui para que irregularidades nos repasses para essas entidades tornem-se cada dia mais comuns.

      “Quando se fala em ONG, tem aquelas que são sérias e outras que não são, que podem servir a quaisquer propósitos. Isso no Brasil inteiro”, afirma Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira, advogado especialista em direito público. "Há uma ausência de critérios para que elas sejam escolhidas. É uma ausência total de controle, desde a escolha até a fiscalização das obras."


      Os convênios com as ONGs existem porque deveriam trazer mais agilidade para a realização de obras em diversos setores, mas esbarram, primeiramente, na impossibilidade de saber a origem dessa entidade.
      "É preciso de um processo de competição", afirma o advogado Rodrigo Pagani de Souza, doutor em direito do Estado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo com uma tese sobre o repasse às ONGs. "Não temos uma legislação firme. Houve avanço por meio de decretos, mas é preciso que não haja essa liberdade para selecionar uma ONG específica sem justificativa", considera.


      Fiscalização falha
      Além da falha na legislação, os especialistas avaliam que a administração pública, ou seja, os governos que repassam a verba pública, não fiscalizam os contratos feitos com essas entidades da forma como deveriam.

      "É uma ausência total de fiscalização dos recursos repassados, e isso é responsabilidade da administração pública. Não há TCU que resolva isso. É uma omissão do Estado de um modo geral. Se ele repassa recurso, é obrigação fiscalizar. Se você faz um contrato de obra, precisa fiscalizar o contrato", diz Ferreira.


      "Mesmo que seja feita uma lei, é preciso haver uma fiscalização. Hoje o que vemos é que esses contratos não são fiscalizados, sequer no cumprimento das exigências já existentes. Por exemplo, o poder público não tem fiscalizado suficientemente se os repasses são feitos a ONGs ligadas aos órgãos que repassam os recursos, o que já é proibido", complementa Pagani.


      'Clientelismo'
      Ainda de acordo com os advogados, os problemas envolvendo convênios com as ONGs não são exclusivos da administração pública. Isso porque esses repasses podem ser decididos por parlamentares por meio de emendas.



      "O problema é a farra que acontece por conta das ONGs, é uma forma de fugir das leis do Estado. Aí tem alguns absurdos. O parlamentar escolhe uma ONG, aprova uma emenda, e o recurso aprovado é no Orçamento. O deputado escolheu o destino. Isso é um absurdo. Não se sabe os interesses", diz Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira. "Isso é absolutamente inconstitucional", completa.


      Pagani compartilha da mesma opinião. "Há um clientelismo na elaboração da lei orçamentária. O parlamento não tem condições de fiscalizar os requisitos para que uma ONG receba recursos. Embora seja uma prática comum, há uma usurpação da competência da administração. O Legislativo não pode escolher uma ONG", conclui.


      "O problema disso está na origem. Temos uma lei muito pesada de licitações e contratos. O ideal é que a legislação fosse modificada, deixasse de ser um processo dificultoso, para passar a ser um processo eficiente. Pode até contratar, mas o contratado vai demonstrar eficiência. Fazer um processo difícil, dá ensejo a contratações de ONGs, que são um 'limbo'", finaliza Ferreira.
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