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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Stellantis erra na estratégia de carros elétricos e tem prejuízo de R$ 153,9 bilhões

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Grupo registrou perdas ao rever as expectativas para o mercado de carros eletrificados. Mesmo assim, a Stellantis conseguiu aumentar as entregas de veículos em 11% no mesmo período.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 26 de Fevereiro de 2.026 às 18h30m
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Novo Jeep Compass na linha de produção em Melfi, Itália — Foto: Divulgação
Novo Jeep Compass na linha de produção em Melfi, Itália — Foto: Divulgaçã

A Stellantis, grupo dono de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Ram, Chrysler e Leapmotor, informou que teve prejuízo líquido de 25,4 bilhões de euros em 2025 (R$ 153,9 bilhões na cotação atual).

O resultado negativo se concentrou no segundo semestre, principalmente porque a empresa registrou despesas elevadas para rever suas projeções para carros elétricos, já que o crescimento desse mercado está mais lento do que o esperado.

O prejuízo já era esperado, pois a empresa havia divulgado estimativas preliminares três semanas antes.

O caso da Stellantis mostra como montadoras no mundo todo enfrentam dificuldades na transição dos carros a combustão para os elétricos, especialmente após Estados Unidos e Europa reduzirem metas para esse tipo de veículo.

Nossos resultados completos de 2025 refletem o custo de superestimar o ritmo da transição energética e a necessidade de reorientar o negócio, garantindo aos clientes a liberdade de escolher entre tecnologias elétricas, híbridas e a combustão, afirma em nota Antonio Filosa, CEO da Stellantis.

Segundo o executivo, na segunda metade do ano a empresa viu sinais iniciais de progresso, com os primeiros resultados dos esforços para melhorar a qualidade, fortalecer lançamentos e retomar o crescimento da receita.

Em 2026, nosso foco será corrigir falhas na execução e acelerar o retorno ao crescimento com lucro, declara Filosa.

Ano marcado por perdas

Ao longo de 2025, a Stellantis registrou 25,4 bilhões de euros (R$ 154 bilhões) em baixas contábeis, que representam perdas no valor de ativos. Só no segundo semestre foram 22,2 bilhões de euros (R$ 134,5 bilhões), o que pressionou as ações da montadora.

No mesmo período, a empresa registrou prejuízo operacional ajustado de 1,38 bilhão de euros (R$ 8,4 bilhões), resultado que também já havia sido antecipado. Esse indicador mostra o desempenho das operações, sem considerar eventos extraordinários, como o fechamento de uma fábrica.

Fábrica de modelos eletrificados a Leapmotor em Zhejiang, China — Foto: Divulgação
Fábrica de modelos eletrificados a Leapmotor em Zhejiang, China — Foto: Divulgação

Apesar disso, a receita da companhia cresceu 10% e somou 79,25 bilhões de euros (R$ 480,3 bilhões) entre julho e dezembro, com alta de 11% nas entregas de veículos.

Segundo analistas do Citi, esse conjunto de resultados representa um ponto baixo evidente para a Stellantis. Eles avaliam que pode haver recuperação à frente, mas consideram que outras montadoras da Europa e dos Estados Unidos oferecem menos riscos no momento.

As ações da Stellantis em Milão caíam 0,3% e, desde o anúncio das perdas com carros elétricos, acumulam queda de cerca de 20%. O papel atingiu seu nível mais baixo em 6 de fevereiro e recua 30% no ano.

A empresa manteve as projeções para 2026: espera crescimento moderado da receita e margem operacional baixa, mas positiva. No entanto, prevê que o fluxo de caixa livre — o dinheiro que sobra após os investimentos — só voltará a ficar positivo em 2027.

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'Crise da memória' deve fazer venda de celulares ter maior queda da história em 2026, diz consultoria

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Projeção da IDC afirma que fabricantes venderão 12,9% menos celulares este ano devido à escassez de chips para produzir os aparelhos.
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Por Redação g1

Postado em 26 de Fevereiro de 2.026 às 17h00m
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Crise da memória RAM pode deixar celulares, notebooks e até carros mais caros no Brasil
Crise da memória RAM pode deixar celulares, notebooks e até carros mais caros no Brasil

O mercado de smartphones deverá registrar a maior queda de sua história, afirmou nesta quinta-feira (26) a consultoria IDC. A projeção leva em conta a crise da memória RAM, que envolve a escassez de chips de memória para produzir os aparelhos.

A expectativa é de que as fabricantes venderão juntas 1,1 bilhão de smartphones este ano, 12,9% menos do que em 2025, disse a IDC.

A consultoria disse que a situação não deverá melhorar até meados de 2027 e projetou que, no próximo ano, as vendas crescerão apenas 2%. Para 2028, a expectativa é de uma recuperação, com crescimento de 5,2%.

Ainda segundo a IDC, a crise afetará principalmente as vendas de celulares Android de baixo custo. Por outro lado, Apple e Samsung não deverão ser tão afetadas por terem um posicionamento forte entre aparelhos topo de linha, afirmou o relatório.

🤔 Os chips de RAM (sigla em inglês para "memória de acesso aleatório") guardam temporariamente os dados usados por um dispositivo. Quando um aplicativo é aberto no celular, é a RAM que mantém as informações necessárias para o programa rodar corretamente.

Embora seja mais associada a celulares e computadores, os chips de memória também estão presentes em smart TVs, tablets, consoles de videogames, relógios inteligentes, aspiradores robô, carros, impressoras, entre outros.

A oferta de chips de memória tradicionais tem diminuído à medida que fabricantes têm direcionado os seus investimentos para a produção de chips mais avançados, voltados para data centers de inteligência artificial.

A crise dos chips de memória não causará apenas uma queda temporária nas vendas, mas forçará uma reestruturação do mercado, avaliou Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da IDC, à Reuters.

"As tarifas e a crise da pandemia parecem uma piada em comparação a isso", disse Popal à Bloomberg. "O mercado de smartphones testemunhará uma mudança sísmica até o fim desta crise".

Com a oferta menor, os preços para chips de processamento e de armazenamento subiram, o que impacta as margens de lucro de fabricantes de celulares.

A IDC afirmou que a média de preço de smartphones deverá subir 14% em 2026 por conta de uma mudança de estratégia das fabricantes em busca de aparelhos que garantam uma margem de lucro maior.


Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas
Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Comitê: 129 jornalistas e profissionais de mídia foram mortos em 2025

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Segundo entidade de proteção a jornalistas, a maior parte das mortes foram causadas por Israel
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David Brunnstrom, da Reuters
25/02/26 às 17:32 | Atualizado 25/02/26 às 17:32
Postado em 25 de Fevereiro de 2.026 às 18h00m
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Família, amigos, incluindo o repórter da Al Jazeera Wael Al-Dahdouh, em 7 de janeiro de 2024, durante o funeral dos jornalistas Hamza Al-Dahdouh e Mustafa Thuraya, mortos em um bombardeio em Gaza.
Família, amigos, incluindo o repórter da Al Jazeera Wael Al-Dahdouh, em 7 de janeiro de 2024, durante o funeral dos jornalistas Hamza Al-Dahdouh e Mustafa Thuraya, mortos em um bombardeio em Gaza.  • Ahmad Hasaballah/Getty Images

Um recorde de 129 jornalistas e profissionais da mídia foram mortos no exercício de seu trabalho no ano passado, dois terços deles mortos por Israel, informou na quarta-feira o CPJ (Comitê de Proteção a Jornalistas).

Foi o segundo ano consecutivo em que os assassinatos de profissionais da imprensa bateram recorde e o segundo ano seguido em que Israel foi responsável por dois terços dessas mortes, afirmou o CPJ, organização independente com sede em Nova York que documenta ataques contra a imprensa, em seu relatório anual.

O fogo israelense matou 86 jornalistas em 2025, a maioria palestinos em Gaza, mas incluindo também 31 trabalhadores em um ataque a um centro de mídia houthis no Iêmen, o segundo ataque mais letal já registrado pelo CPJ, segundo a entidade.

Israel também foi responsável por 81% das 47 mortes que o CPJ classificou como intencionalmente direcionadas, ou assassinato. A organização afirmou que o número real provavelmente é maior devido às restrições de acesso que dificultaram a verificação em Gaza.

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O Exército de Israel afirma que suas tropas em Gaza têm como alvo apenas combatentes, mas que operar em zonas de combate envolve riscos inerentes. Israel reconheceu ter atingido o centro de mídia no Iêmen em setembro, descrevendo-o na época como um braço de propaganda dos houthis.

Em vários casos, Israel reconheceu ter como alvo jornalistas em Gaza que, segundo o governo, tinham ligações com o Hamas, sem apresentar provas verificáveis.

Organizações internacionais de notícias negaram veementemente que os repórteres mortos tivessem vínculos com militantes. O CPJ classificou tais alegações feitas por Israel como acusações letais.

Em nota, as IDF (Forças de Defesa de Israel) afirmaram que rejeitam veementemente as alegações apresentadas no relatório do CPJ.

As IDF não prejudicam intencionalmente jornalistas ou seus familiares, diz o comunicado. O relatório baseia-se em alegações gerais, dados de origem desconhecida e conclusões pré-determinadas, sem considerar a complexidade do combate ou os esforços das IDF para mitigar danos a não combatentes.

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Tópicos

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Aquecimento dos oceanos provoca queda de 20% na quantidade de peixes, mostra estudo

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Pesquisa analisou mais de 700 mil estimativas de mudança de biomassa de quase 34 mil populações de peixes registradas entre 1993 e 2021 no Hemisfério Norte.
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Por Júlia Carvalho, g1

Postado em 25 de Fevereiro de 2.026 às 08h00m
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Aquecimento dos oceanos afeta a biomassa dos peixes. — Foto: Freepik
Aquecimento dos oceanos afeta a biomassa dos peixes. — Foto: Freepik

O aquecimento constante dos oceanos está provocando uma queda anual de quase 20% na biomassa de peixes. Isso é o que aponta um novo estudo publicado na revista científica "Nature Ecology & Evolution".

➡️A biomassa de peixes é a quantidade total de peixes em um determinado ambiente aquático ou sistema de cultivo multiplicada pelo peso médio dos animais.

A análise foi realizada por pesquisadores do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha e da Universidade Nacional da Colômbia nas águas do Mediterrâneo, Atlântico Norte e Pacífico Nordeste.

🐟O estudo analisou mais de 700 mil estimativas de mudança de biomassa de quase 34 mil populações de peixes registradas entre 1993 e 2021 no Hemisfério Norte.

VEJA TAMBÉM:

Preocupação com o aquecimento dos oceanos afeta a vida marinha do Sri Lanka
Preocupação com o aquecimento dos oceanos afeta a vida marinha do Sri Lanka

Os  pesquisadores perceberam que o calor crônico nos mares tem consequência direta na diminuição da população marinha – mesmo que eventos de onda de calor possam eventualmente aumentar a biomassa dos peixes. (entenda mais abaixo)

"Quando removemos o ruído de eventos climáticos extremos de curto prazo, os dados mostram que esse aquecimento está associado a um declínio anual sustentado de até 19,8% na biomassa", explica o pesquisador Shahar Chaikin.

O aumento da temperatura média dos oceanos é uma das principais consequências das mudanças climáticas. Além de impactar a vida da fauna marinha, ele também pode levar a transformações nos ecossistemas.

Ondas de calor e a biomassa de peixes

Assim como as ondas de calor terrestres, o aumento repentino da temperatura nos oceanos também está se tornando cada vez mais frequente. E esse fenômeno não afeta todos os peixes da mesma maneira.

Enquanto algumas populações podem perder integrantes, outras podem passar a se reproduzir em uma velocidade muito acima do normal. Tudo depende da faixa ideal de temperatura na qual cada espécie cresce e se desenvolve melhor.

"Quando uma onda de calor empurra peixes de águas já quentes para além dessa zona de conforto térmico, a biomassa pode despencar até 43,4%. Em contraste, populações em áreas mais frias tendem a prosperar temporariamente com a elevação das temperaturas, aumentando sua biomassa em até 176%", descreve o estudo.

Chaikin explica que, embora esse aumento na quantidade de peixes em águas frias possa parecer uma boa notícia para a pesca, o movimento é transitório.

Assim, o aumento da captura nesses períodos pode levar ao colapso das populações quando as temperaturas voltarem ao normal.

Apesar desses aumentos momentâneos, o pesquisador ressalta que a queda contínua da biomassa oceânica causada pela elevação persistente da temperatura é o principal fator de estresse enfrentado pelas espécies marinhas.

"Diferentemente das flutuações climáticas extremas de curto prazo, que podem variar drasticamente, esse aquecimento crônico exerce uma pressão negativa constante sobre as populações de peixes", complementa o pesquisador da Universidade Nacional da Colômbia, Juan David González Trujillo. 
Impacto do aquecimento dos oceanos

Os recordes históricos de emissões e aquecimento dos últimos anos têm feito com que a temperatura dos oceanos também atinja patamares nunca antes observados – e as consequências desse processo podem ser irreversíveis.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), os impactos para os oceanos podem durar milênios.

Isso porque projeções climáticas indicam que o aquecimento dos mares continuará por pelo menos o resto do século XXI, mesmo em cenários de baixas emissões de carbono.

➡️Em 2024, por exemplo, ano mais quente já registrado, as temperaturas das superfícies dos mares também bateram recordes. Ainda de acordo com a OMM, cerca de 10% da superfície marítima global foi afetada por ondas de calor.

Além de afetar a população de peixes, o aquecimento gera impactos em todo o ecossistema marinho. Um exemplo claro e alarmante é o branqueamento de corais.

🪸 ENTENDA: O branqueamento acontece quando o aumento da temperatura do mar rompe a relação entre os corais e as microalgas que vivem em seus tecidos e fornecem energia.

Segundo números recentes, o terceiro evento global de branqueamento de corais já atingiu 80% dos recifes em todo o planeta, de forma moderada ou severa.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Dólar cai e fecha em R$ 5,15 pela 1ª vez desde 2024, com tarifas no foco; Ibovespa tem novo recorde

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A moeda americana caiu 0,26%, cotada a R$ 5,1553. Já o principal índice da bolsa brasileira encerrou com um avanço de 1,40%, aos 191.490 pontos, uma nova máxima histórica.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 24 de Fevereiro de 2.026 às 11h00m
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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar inverteu o sinal positivo visto na primeira metade do pregão e fechou em queda de 0,26% nesta terça-feira (24), cotado a R$ 5,1553 — renovando o menor patamar desde 28 de maio de 2024, quando fechou em R$ 5,1534. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,1424.

Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou com um avanço de 1,40% e bateu os 191.490 pontos, em um novo recorde de fechamento.

▶️ Nos Estados Unidos, as incertezas sobre o tarifaço continuam a trazer cautela para os mercados. Nesta terça-feira, a tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções entrou em vigor, conforme aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras. A taxa corresponde ao percentual anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (20) — e não aos 15% indicados pelo republicano no último sábado.

  • Segundo o jornal britânico Financial Times, a expectativa é que o aumento de 15% venha posteriormente, com um decreto formal. No Brasil, apesar de vários itens constarem na lista de isenção, outros seguem bastante taxados — no caso do aço e do alumínio, por exemplo, a alíquota de 50% continua e se soma aos 10% recentemente anunciados.
  • Ainda assim, segundo o estudo da Global Trade Alert, o Brasil está entre os países mais beneficiados pelas mudanças nas tarifas, com uma redução de 13,6 pontos percentuais das tarifas médias.

▶️ O noticiário americano ainda contou com discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). As falas foram acompanhadas de perto pelos investidores, que seguem atentos a eventuais sinais sobre os próximos passos da instituição na condução dos juros dos EUA.

  • De acordo com a ferramenta Fedwatch, do CME Group, a maior parte do mercado (98%) espera uma manutenção das taxas pelo Fed na reunião de março. Em geral, juros mais altos nos EUA costumam atrair o capital de investidores para o país e fortalecer o dólar. Para o Brasil, isso pode se traduzir em um real mais fraco e uma inflação mais alta, o que tende a fazer com que o Banco Central também aumente os juros por aqui.

▶️ No Brasil, a representação brasileira no Parlamento do Mercosul aprovou, nesta terça-feira, o acordo de livre comércio entre o bloco sul-americano e a União Europeia (UE). Na prática, o tratado pode criar a maior zona de livre comércio do mundo. Agora, o texto segue para o Plenário da Câmara.

  • No último sábado, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou que a proposta deve ser votada pelos deputados nesta semana. A expectativa é que o acordo dê condições melhores ao Brasil para defender e desenvolver setores produtivos.
  • O acordo já é negociado há mais de 25 anos e prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

▶️ Na agenda econômica, as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões no mesmo mês de 2025. Nos 12 meses até janeiro, o déficit caiu para US$ 67,6 bilhões (2,92% do PIB).

▶️ No campo político, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado ouve o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, em reunião do grupo de trabalho que acompanha as investigações sobre o Banco Master.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,40%;
  • Acumulado do mês: -1,76%;
  • Acumulado do ano: -6,07%.
📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +0,50%;
  • Acumulado do mês: +5,58%;
  • Acumulado do ano: +18,85%.
Tarifas dos EUA entram em vigor

Os EUA passaram a aplicar, a partir de hoje, uma tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos que não estejam cobertos por isenções.

A medida foi informada em um aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) e corresponde à taxa inicialmente anunciada pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (20) — e não aos 15% mencionados por ele no dia seguinte.

Após a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas anteriores, justificadas por motivos de emergência, Trump anunciou uma nova taxa global temporária de 10%. No sábado (21), afirmou que elevaria esse percentual para 15%.

Em comunicado destinado a fornecer orientações sobre a Proclamação Presidencial de 20 de fevereiro de 2026, a CBP informou que, exceto os produtos listados como isentos, as importações estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%.

A decisão ampliou a incerteza em torno da política comercial dos EUA, sem esclarecer por que foi adotado o percentual mais baixo.

Em meio às incertezas geradas pela entrada em vigor das tarifas comerciais, Trump fará o discurso anual do Estado da União no Capitólio, às 23h (horário de Brasília). A cerimônia é uma tradição da política americana. Nela, o presidente apresenta ao Congresso um balanço do governo e as prioridades para o ano.

  • Estatísticas do setor externo

Agenda Econômica

As transações correntes do balanço de pagamentos — que resumem quanto o país recebe e paga ao exterior com comércio, serviços, rendas e transferências — registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026. As informações foram divulgadas nesta terça-feira pelo Banco Central.

O resultado veio pior do que o esperado por economistas ouvidos pela Reuters, que projetavam um déficit de US$ 6,4 bilhões, mas ainda assim menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões registrado em janeiro de 2025.

Na comparação anual, a melhora foi explicada principalmente pelo aumento do superávit na balança comercial de bens, que cresceu US$ 2,1 bilhões, e pela redução do déficit na conta de serviços, em US$ 581 milhões.

Segundo o BC, esses avanços foram parcialmente compensados por um aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária, que inclui pagamentos de juros e lucros ao exterior.

No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o déficit em transações correntes recuou para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB. Em dezembro de 2025, o déficit era de US$ 69,0 bilhões (3,03% do PIB), e em janeiro de 2025, de US$ 72,4 bilhões (3,35% do PIB).

A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 1,4 bilhão de janeiro de 2025.

As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 21,8 bilhões. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, as exportações caíram 1,2%, e as importações recuaram 10,0%.

  • De olho no Federal Reserve

Os investidores também avaliam novos discursos de dirigentes do banco central americano, conforme seguem na expectativa por novos sinais a respeito da condução dos juros por parte da instituição.

Nesta terça-feira, a diretora do Fed Lisa Cook, afirmou que a inteligência artificial tem provocado uma mudança geracional no mercado de trabalho dos EUA e pode levar a um possível aumento na taxa de desemprego.

"Parece que estamos nos aproximando da reorganização mais significativa do trabalho em gerações", afirmou a diretora em comentários preparados para uma conferência da Associação Nacional de Economia Empresarial.

"Em um boom de produtividade como este, um aumento no desemprego pode não indicar um aumento na folga. Assim, nossa política monetária normal do lado da demanda pode não ser capaz de amenizar um período de desemprego causado pela IA sem também aumentar a pressão inflacionária", disse Cook.

Além da diretora, o presidente da distrital do Fed em Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que o Fed pode voltar a cortar os juros se a inflação começar a cair, mas reiterou que seria arriscado usar o crescimento esperado da produtividade para flexibilizar a condução das taxas.

"Estou otimista de que, até o final de 206, seria apropriado que [a taxa básica de juros] sofresse mais alguns cortes", afirmou durante o mesmo evento da Associação Nacional de Economia Empresarial.

Goolsbee afirmou, no entanto, que está preocupado de que o Fed acabe antecipando demais o momento de corte de juros sem ter evidências suficientes de que a inflação está voltando para a meta do Fed, de 2%.

Mercados globais

Em Wall Street, os três principais índices americanos fecharam em alta, conforme investidores avaliavam o anúncio da Anthropic sobre novas ferramentas de inteligência artificial. A nova política de tarifas de Trump também continuava no radar.

O Dow Jones avançou 0,76%, o S&P 500 subiu 0,78% e a Nasdaq ganhou 1,05%.

A maior busca por ativos de risco vista em Wall Street também se refletiu na Europa, embora os investidores continuassem aguardando uma maior clareza sobre a política comercial dos EUA.

O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,23%, a 629,14 pontos. Entre os demais índices da região, o FTSE 100, de Londres, caiu 0,04%; o DAX, de Frankfurt, recuou 0,02%; e o CAC 40, de Paris, ganhou 0,26%.

Na Ásia, o clima foi mais positivo, especialmente após o retorno dos investidores chineses de um feriado prolongado.

A expectativa de que uma revisão das tarifas dos EUA beneficie a economia chinesa impulsionou os mercados, fortalecendo o iuan e estimulando compras em várias bolsas da região.

Na China, o índice de Xangai subiu 0,9% e o CSI300 avançou 1%. Em Tóquio, o Nikkei cresceu 0,9%, para 57.321 pontos. O Kospi, na Coreia do Sul, subiu 2,11%, e o Taiex, em Taiwan, ganhou 2,75%.

Cédulas de dólar — Foto: John Guccione/Pexels
Cédulas de dólar — Foto: John Guccione/Pexels

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