Objetivo:
“Projetando o futuro e o desenvolvimento autossustentável da sua empresa, preparando-a para uma competitividade e lucratividade dinâmica em logística e visão de mercado, visando sempre e em primeiro lugar, a satisfação e o bem estar do consumidor-cliente."
O Boieng 737-200 foi comprado pela internet em um leilão e chegou a Urutaí em 2014. O gigante tem 32 metros e visitação aberta ao público. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Letícia Fiuza, g1 Goiás Postado em 12 de Janeiro de 2.026 às 09h05m #.* -- Post. - Nº.\ 12.037 -- *.#
Médico mostra avião de 35 toneladas da família estacionado em fazenda de Goiás
Caixa preta, diário de bordo e até sacolinha original da Vasp. Esses são alguns dos detalhes do avião de 35 toneladas mostrados pelo médico Benjamim Neto em suas redes sociais (veja o vídeo acima). A aeronave fica estacionada na fazenda do odontólogo Ailton Martins de Oliveira, pai de Benjamim, em Urutaí, região sudoeste de Goiás, e éatração turística na cidade.
O Boieng 737-200 tem 32 metros e capacidade para mais de 100
passageiros. O gigante foi comprado pela família em um leilão pela
internet e chegou na fazenda em 2014.
Em vídeos postados por Benjamim, que é piloto assim como o pai, é
possível conhecer alguns detalhes do avião, que hoje não voa mais.
Veja detalhes do avião de 35 toneladas estacionado em fazenda, em Goiás — Foto: Reprodução/Instagram de Dr. Benjamim Neto
Segundo ele, o Boieng pertencia à antiga companhia aérea Vasp e veio com sacolinhas originais da empresa, caixa preta, que na verdade é laranja, e até mesmo querosene.
Em um pequeno tour pela aeronave, o médico mostra os bancos dos
passageiros, cabine do piloto e outras relíquias que vieram junto com o
avião como o diário de bordo, checklist, carrinho de serviço de bordo e cartas de navegação.
Em entrevista ao g1,
Benjamim também contou outra curiosidade: antes de pertencer à Vasp, a
aeronave já havia voado por companhias aéreas de países como Canadá, Alemanha, Dinamarca e Nauru, uma ilha na Oceania.
Piloto mostra também o prefixo do avião e circula pelo interior com o
carrinho de serviço de bordo — Foto: Reprodução/Instagram de Dr.
Benjamim Neto
Avião na fazenda
A ideia de comprar o avião partiu de Ailton, que passou para o filho a
paixão pela aviação. De acordo com Benjamim, a ideia parecia
"maluquice", mas depois entendeu que aquela seria uma oportunidade
única.
Boeing 737-200 foi arrematado pela família em um leilão na internet — Foto: Reprodução/Instagram de Dr. Benjamim Neto
Em entrevista à repórter Jordana Rafaela, do jornal O Popular, o
odontólogo conta que escolheu o Boieng 737-200 pela proximidade, já que
haviam aviões sendo leiloados em diferentes estados do Brasil, mas este
estava em Brasília, a cerca de 270 km de Urutaí.
"Para
trazer esse avião para cá, nós desmontamos ele e trouxemos em duas
carretas. Em uma delas a gente trouxe as asas e na outra o charuto da
fuselagem (o"corpo" do avião). Quando o avião chegou na fazenda, nós
tivemos que remontar ele", explica Benjamim sobre a logística.
O avião levou quatro meses para ser desmontado e três meses para ser
remontado quando chegou à cidade, em 2014. Desde então, ele "enfeita" a
fazenda e encanta quem passa por aquele trecho da GO-330.
Visitação e restaurante
Hoje, a visitação no avião acontece gratuitamente por turistas e
moradores, mas a sede da fazenda é fechada. O plano da família é
construir um restaurante para colocar o avião e, assim a atender melhor
os curiosos e amantes da aviação.
Visitantes têm a chance de tirar fotos de dentro da cabine, Goiás — Foto: Arquivo pessoal/Ailton Martins
Segundo Ailton, a fazenda fica a cerca de 1,2 mil metros do asfalto,
atraindo visitantes que avistam o Boieng da estrada. A previsão é que o
restaurante seja inaugurado ainda este ano para "ser um local turístico para receber bem os turistas e consolidar como um ponto turístico em Goiás", disse o piloto.
Esta é a primeira vez na história que o Brasil venceu dois prêmios em uma mesma edição do Globo de Ouro. Longa brasileiro levou melhor filme em língua não-inglesa e melhor ator, com Wagner Moura. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Redação g1 12/01/2026 01h17 Atualizado há 04 horas Postado em 12 de Janeiro de 2.026 às 05h20m #.* -- Post. - Nº.\ 12.036 -- *.#
‘O Agente Secreto’ vence melhor filme em língua não-inglesa no Globo de Ouro 2026
"O Agente Secreto" levou dois dos três prêmios a que foi indicado na cerimônia do Globo de Ouro 2026, deste domingo (11). Esta é a primeira vez na história que o Brasil vence dois prêmios em uma mesma edição do Globo de Ouro.
"É uma emoção retada", disse Wagner Mouraem entrevista à TV Globo.
Em 1999, quando "Central do Brasil" foi indicado às categorias de
melhor filme em língua não-inglesa e melhor atriz em filme dramático
(Fernanda Montenegro), levou somente a primeira.
Já em 2025, "Ainda Estou Aqui" foi indicado a duas categorias, mas
venceu só em melhor atriz em filme dramático (Fernanda Torres).
Neste ano, "O Agente Secreto" chegou ao Globo de Ouro com três
indicações e venceu melhor ator (Wagner Moura) e melhor filme em língua
não-inglesa. Já na categoria de melhor filme dramático, perdeu para
"Hamnet: A vida antes de Hamlet".
🎥 Ambientado nos anos 1970, "O Agente Secreto" conta a história de um
professor universitário, interpretado por Wagner Moura, que volta para o
Recife para reencontrar o filho caçula, apesar do risco que corre em
plena ditadura militar.
Wagner concorria com Joel Edgerton ("Sonhos de trem"), Oscar Isaac
("Frankenstein"), Dwayne Johnson ("Coração de lutador: The Smashing
Machine"), Michael B. Jordan ("Pecadores") e Jeremy Allen White
("Springsteen: Salve-me do desconhecido").
"É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Eu acho
que se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também
podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos
difíceis", disse.
"E para todo mundo no Brasil que está assistindo isso agora, viva o Brasil e a cultura brasileira", completou em português.
Wagner Moura no Globo de Ouro — Foto: Etienne Laurent / AFP
Melhor filme em língua não-inglesa
"O Agente Secreto" também levou o Globo de Ouro de melhor filme em língua não-inglesa. Foi a primeira vez em 27 anos que o Brasil ganhou nesta categoria, após a vitória de "Central do Brasil".
Ao receber o prêmio, o diretor Kleber Mendonça Filho mandou um "alô,
Brasil", agradeceu o elenco e elogiou Wagner Moura, dizendo que "as
melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande
amigo".
"Dedico
esse filme aos jovens cineastas. Esse é um momento da história muito
importante para fazer filmes, aqui nos Estados Unidos e no Brasil. Vamos
continuar fazendo filmes", disse o cineasta.
Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho, Gabriel Leone, Alice Carvalho e
Emilie Lesclaux recebendo o prêmio de melhor filme em língua não inglesa
por "O Agente Secreto" durante a 83ª edição do Globo de Ouro — Foto:
Kevork Djansezian/CBS Broadcasting via AP
Trechos aéreos que mais 'chocalham' em 2025 passam por áreas montanhosas, como a Cordilheira dos Andes ou o Himalaia. <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por Lara Castelo 11/01/2026 05h01 Atualizado há 02 horas Postado em 11 de Janeiro de 2.026 às 07h00m #.* -- Post. - Nº.\ 12.035 -- *.#
Rota de voo mais turbulenta do mundo fica na América do Sul; confira to
p 10
Antes de cruzar a cordilheira dos Andes de avião, é bom se preparar: a chance de enfrentar turbulência é grande. Quatro das dez rotas aéreas que mais“chacoalharam” em 2025 passam pela região, segundo o ranking anual do Turbli, site que monitora a intensidade desse fenômeno em voos comerciais.
Pelo segundo ano consecutivo, a rota considerada mais turbulenta do mundo liga o Aeroporto Internacional El Plumerillo (MDZ), em Mendoza, na Argentina, ao Aeroporto Internacional Arturo Merino Benítez(SCL), em Santiago, no Chile.
Outros trajetos da América do Sul também aparecem no levantamento, ocupando a 4ª, 5ª e 7ª posições. Nenhuma rota que passa pelo Brasil entrou na lista das dez mais turbulentas(veja o ranking abaixo).
Assim como a América do Sul, a China também se destaca no ranking e não é por acaso. Regiões montanhosas, como a Cordilheira dos Andes e o Himalaia favorecem correntes de vento, aumentando a probabilidade de turbulência durante o voo, segundo o Turbli.
Nas redes sociais, circulam vários vídeos que compartilham os "perrengues" com a turbulência. Confira alguns desses vídeo sobre os Andes.
➡️Como o ranking é feito
O ranking é elaborado desde 2022 com base em dados da Administração
Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) e do Met Office, serviço
meteorológico oficial do Reino Unido.
A análise considera 10 mil rotas entre os 550 maiores aeroportos do mundo. A cada mês, são monitorados 20 voos por trecho, e o resultado anual é a média dos dados coletados.
O Turbli mede a intensidade da turbulência em edr, índice que considera a velocidade dos ventos e a energia envolvida. Quanto maior o edr, mais forte é a turbulência.
De zero a 20 ela é considerada leve; de 20 a 40, moderada; de 40 a 60, forte; de 60 a 80, severa e de 80 a 100, extrema. No ranking, mesmo as rotas mais turbulentas não ultrapassaram o nível moderado.
Viagem de avião; passageira durante voo — Foto: Tim Gouw/Pexels
Mercúrio, um planeta pequeno e extremamente próximo do Sol, desafia os astrônomos há décadas; e uma nova missão prevista para 2026 pode finalmente ajudar a explicar sua origem <<<===+===.=.=.= =---____-------- ----------____---------____::____ ____= =..= = =..= =..= = =____ ____::____-----------_ ___---------- ----------____---.=.=.=.= +====>>> Por BBC 05/01/2026 06h27 Atualizado há 5 dias Postado em 10 de Janeiro de 2.025 às 07h00m #.* -- Post. - Nº.\ 12.034 -- *.#
Missão europeia e japonesa divulga primeiras imagens do planeta Mercúrio
À primeira vista, Mercúrio poderia ser classificado como o planeta mais
entediante do Sistema Solar. Sua superfície árida tem poucas
características notáveis, não há evidências de água em seu passado e a
atmosfera do planeta é, na melhor das hipóteses, extremamente rarefeita.
A probabilidade de encontrar vida entre suas crateras escavadas é
inexistente.
No entanto, observado mais de perto, Mercúrio se mostra um mundo fascinante e improvável, envolto em mistério.
Os cientistas planetários continuam intrigados pela simples existência
do planeta mais próximo do nosso Sol. Ele é minúsculo, com 20 vezes
menos massa do que a Terra e apenas um pouco maior que a Austrália.
Ainda assim, Mercúrio é o segundo planeta mais denso do nosso Sistema
Solar, atrás apenas da Terra, devido a um grande núcleo metálico que
representa a maior parte de sua massa.
— Foto: Nasa
A órbita de Mercúrio, que passa tão perto do Sol, também ocupa uma
posição incomum, que os astrônomos não conseguem explicar completamente.
Isso nos leva a uma questão central: não sabemos como Mercúrio se
formou. Pelo que se entende hoje, o planeta simplesmente não deveria
existir.
O mistério sobre a origem de Mercúrio, como ele se formou e por que ele
tem o aspecto atual faz parte de um dos maiores enigmas do Sistema
Solar.
No entanto, algumas dessas respostas podem estar a caminho.
Uma missão conjunta da Europa e do Japão, chamada BepiColombo, lançada em 2018, está atualmente a caminho de Mercúrio.
A sonda fará a primeira visita ao planeta em mais de uma década. Quando
entrar em órbita em novembro de 2026, depois de um problema em um dos
propulsores atrasar sua viagem, ele tentará entender de onde veio
Mercúrio como um de seus principais objetivos.
Resolver como Mercúrio se formou não é importante apenas para
compreender melhor as origens do nosso próprio Sistema Solar, mas também
para estudar planetas em torno de outras estrelas, os exoplanetas.
"Mercúrio é provavelmente o mais próximo que temos de um exoplaneta",
afirmou Saverio Cambioni, cientista planetário do Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT, nos EUA), ao se referir à formação
incomum do planeta. "É um mundo fascinante."
Os astrônomos perceberam pela primeira vez que algo estava errado com
Mercúrio depois que a sonda Mariner 10, da Nasa, sobrevoou o planeta
três vezes, em 1974 e 1975, durante as primeiras visitas da humanidade
às regiões mais internas do Sistema Solar.
A superfície de Mercúrio é marcada por crateras e derrames de lava,
mas, sob ela, esconde um enorme núcleo metálico — Foto: Nasa
Esses sobrevoos permitiram as medições iniciais da gravidade do
planeta, oferecendo pela primeira vez uma visão de seu interior e
revelando seu estranho funcionamento interno.
Terra, Vênus e Marte têm núcleos ricos em ferro que correspondem a
cerca de metade de seus raios. No caso da Terra, o núcleo é dividido
entre um núcleo interno sólido e um núcleo externo líquido, cujo
movimento gera o campo magnético que protege o planeta. Acima dele estão
o manto e, depois, a crosta, onde vivemos.
Mercúrio é completamente diferente. Seu núcleo representa quase 85% do
raio do planeta, com apenas um manto rochoso muito fino e a crosta
acima. Essa estrutura explica a densidade extraordinária de Mercúrio,
mas as razões pelas quais o planeta acabou adquirindo essa configuração
ainda não são totalmente claras.
"A formação de Mercúrio é um grande problema", afirma Nicola Tosi,
cientista planetário do Centro Aeroespacial Alemão, em Berlim. "Ainda
não está claro por que Mercúrio é assim."
Uma missão posterior ao planeta, a missão Messenger, da Nasa, que
orbitou Mercúrio entre 2011 e 2015, levantou ainda mais questionamentos.
Girando em torno do Sol a apenas 60 milhões de quilômetros, as
temperaturas diurnas em Mercúrio podem chegar a 430 °C, enquanto à noite
podem cair para –180 °C.
Mas, apesar dessas condições extremas, a sonda Messenger constatou a
presença de elementos voláteis, como potássio e o elemento radioativo
tório, na superfície do planeta, substâncias que deveriam ter evaporado
há muito tempo sob a intensa radiação solar. Moléculas complexas, como
cloro, e até gelo aprisionado em crateras polares sob as sombras do
planeta também foram identificados.
Esse conjunto de descobertas fortaleceu a ideia de que Mercúrio talvez
não pertença à sua posição atual ao redor do Sol. Há décadas, astrônomos
tentam explicar a localização do planeta no Sistema Solar, em uma
região onde se acredita que um corpo com essas características
dificilmente poderia ter se formado.
Mercúrio é 'uma dor de cabeça'
Sabemos que os sistemas solares como o nosso começam com um disco de
poeira e gás ao redor das estrelas. Aos poucos, os planetas criam
lacunas nesse disco e crescem à medida que incorporam mais material.
Mas Mercúrio está distante demais de Vênus para que esse processo faça
sentido com base nos modelos de formação planetária. Não importa quais
parâmetros os cientistas que estudam a dinâmica dos planetas ajustem:
eles simplesmente não conseguem explicar Mercúrio tal como o vemos hoje.
"É uma dor de cabeça", reconhece Raymond. "Você acaba com nenhum Mercúrio."
Os astrônomos passaram anos refinando modelos e testando hipóteses
sobre como Mercúrio poderia ter se formado, e existem alguns cenários
possíveis. Um dos mais debatidos é a ideia de que Mercúrio já foi muito
maior, talvez o dobro do volume atual, e quase do tamanho de Marte. Ele
também poderia ter orbitado o Sol a uma distância maior.
Essa hipótese é sustentada pelos níveis de potássio e tório detectados
em Mercúrio, muito mais semelhantes aos de Marte, um planeta que se
formou muito mais longe do Sol.
A teoria sugere que, em algum momento nos primeiros 10 milhões de anos
de sua existência, esse proto-Mercúrio foi atingido por um objeto
enorme, possivelmente outro planeta do tamanho de Marte.
A colisão teria arrancado as camadas externas do planeta, a crosta e o
manto, deixando apenas o núcleo denso e rico em ferro que constitui a
maior parte de Mercúrio como o conhecemos hoje.
A missão BepiColombo é composta por duas naves espaciais acopladas,
operadas pela Agência Espacial Europeia e pela Agência Espacial Japonesa
— Foto: Getty Images/BBC
Essa explicação é talvez a que conta hoje com maior apoio entre os
astrônomos, afirma Alessandro Morbidelli, cientista de dinâmica
planetária do Observatório Côte d'Azur, em Nice (França).
"A interpretação geral é que Mercúrio sofreu um impacto gigante que removeu a maior parte do manto", diz.
Deve ter sido um impacto de forma oblíqua (tangencial), para que o planeta não fosse completamente destruído.
Ainda assim, embora colisões fossem comuns no início do Sistema Solar,
remover tanta quantidade de material de Mercúrio exigiria um impacto a
velocidades superiores a 100 quilômetros por segundo, explica Cambioni,
do MIT, um cenário considerado pouco provável, já que a maioria dos
objetos orbitava o Sol na mesma direção e a velocidades semelhantes
entre si, como carros circulando em uma rotatória.
Um impacto desse tipo também teria eliminado os elementos voláteis de
Mercúrio, incluindo o tório, o que torna ainda mais enigmática a
detecção dessas substâncias pela sonda Messenger.
Como esses elementos poderiam ter sobrevivido a um evento tão explosivo?
Mesmo sem um impacto, não está claro como esses elementos ainda poderiam permanecer em Mercúrio.
"Algo tão próximo do Sol não deveria ser rico em substâncias voláteis",
afirma David Rothery, geocientista planetário da Open University (Reino
Unido), que é codiretor do Mercury Imaging X-ray Spectrometer (MIXS, na
sigla em inglês), a bordo da missão BepiColombo, instrumento que irá
estudar os elementos voláteis do planeta.
Mercúrio apresenta sinais de atividade vulcânica em um passado distante — Foto: Nasa
"Então, Mercúrio teria começado muito mais longe ou foram os materiais
que se agregaram a ele que se formaram mais distantes?", questiona.
Talvez Mercúrio não tenha sido atingido, mas tenha sido ele próprio o
corpo impactante, colidindo com outro planeta, como Vênus, antes de
alcançar sua posição atual.
É uma ideia promissora, porque pode ser mais fácil remover o manto de
Mercúrio nesse tipo de colisão. "É mais simples explicar Mercúrio como o
objeto que impactou, e não como o que foi impactado", diz Olivier
Namur, geólogo planetário da Universidade Católica de Lovaina (Bélgica).
Mercúrio não teria sido o único projétil do tamanho de um planeta a
cruzar o Sistema Solar em seus primórdios. Acredita-se que a própria Lua
tenha se formado quando um objeto do tamanho de Marte, chamado Téia,
colidiu com a Terra em seus estágios iniciais, arrancando um grande
pedaço do planeta.
Outras teorias
Em qualquer um dos cenários de impacto envolvendo Mercúrio, não está
claro por que os detritos rochosos lançados ao espaço não voltaram a se
depositar sobre o planeta nem formaram suas próprias luas (Mercúrio não
tem nenhuma).
Uma possibilidade é um processo chamado pulverização por colisão, no
qual o material expelido por Mercúrio teria sido triturado em partículas
cada vez menores, até virar pó, e depois levado pelo vento solar.
"A pulverização por colisão ocorre quando os próprios detritos vão se
fragmentando em pedaços cada vez menores", explica Jennifer Scora,
especialista em formação planetária da Universidade de Toronto (Canadá).
"O resultado é um Mercúrio menor e mais denso." No entanto, segundo
Scora, a taxa de pulverização necessária para que isso funcione é muito
alta, possivelmente maior do que se espera que ocorra na prática.
Outro cenário possível é que não tenha havido um impacto gigantesco e
que Mercúrio tenha, de fato, se formado a partir de material mais
próximo do Sol, mais rico em ferro.
Nesse cenário, defendido por Anders Johansen, especialista em formação
planetária da Universidade de Lund (Suécia), Mercúrio teria se formado
em uma região do Sistema Solar muito mais quente do que aquela onde
surgiram os outros planetas. Explosões do Sol primitivo teriam evaporado
a maior parte da poeira leve na região de Mercúrio, deixando apenas
material mais pesado e rico em ferro para se fundir.
"É assim que seria possível formar um planeta rico em ferro", argumenta Johansen.
Essa teoria também apresenta problemas. Se fosse verdade, porque é que
Mercúrio teria parado de crescer no estágio atual, em vez de continuar
acumulando material rico em ferro?
"Havia muito material disponível ao redor", diz Johansen. "Portanto,
não sabemos porque acabamos com o pequeno planeta que vemos hoje."
Super Mercúrios
Ao redor de outras estrelas, há evidências de versões maiores de
Mercúrio, conhecidas como "super Mercúrios", planetas densos e ricos em
ferro, muito mais massivos e maiores do que a Terra, mas ainda com um
grande núcleo de ferro.
A razão pela qual ainda não descobrimos planetas do tamanho de Mercúrio
é simples: eles são pequenos demais para serem detectados diante do
brilho e da influência gravitacional de suas estrelas hospedeiras.
Observações de outras estrelas indicam que os "super Mercúrios" podem
ser bastante comuns na nossa galáxia, afirma Cambioni, do MIT,
representando talvez entre 10% e 20% de todos os planetas.
Isso também cria alguns problemas, porque, assim como Mercúrio, não
sabemos como eles se formam. "Eles são desconfortavelmente comuns",
ressalta Cambioni.
Há ainda uma outra teoria para a formação de Mercúrio: a de que os
planetas internos não se formaram exatamente nas posições que ocupam
hoje, mas passaram por um processo de deslocamento.
Nesse modelo do Sistema Solar, os planetas internos — Mercúrio, Vênus,
Terra e Marte — poderiam ter se formado em dois anéis distintos de
material ao redor do Sol. A Terra e Vênus teriam se formado junto com
Mercúrio no anel interno, antes de "migrar e deixar Mercúrio para trás",
diz Raymond, devido à menor massa do planeta
Um modelo de Matt Clement, cientista de dinâmica planetária da
Universidade de Oxford (Reino Unido), sugere que os planetas rochosos
podem ter se formado muito mais perto do Sol, dentro da órbita atual de
Mercúrio, antes de migrarem para o exterior.
"Mercúrio fica fora da ação e acaba sem material", afirma Clement. A
ideia não explica completamente por que é que Mercúrio teria um núcleo
tão grande, a menos que o planeta tenha se deslocado para uma região do
Sistema Solar mais rica em ferro, mas ajuda a explicar seu tamanho e a
distância em relação a Vênus. "Acho que a migração é necessária", diz.
Uma das tarefas da missão BepiColombo, lançada em 2018, será estudar a
gravidade e o fraco campo magnético do planeta mais próximo do Sol —
Foto: JODY AMIET/AFP vía Getty Images
Existem também hipóteses mais incomuns. E se Mercúrio não fosse
propriamente um planeta rochoso, mas o núcleo exposto de um planeta
gigante gasoso, como Júpiter, cuja atmosfera teria sido arrancada?
Embora essa possibilidade já tenha sido levantada, Cambioni a considera
improvável. "É muito difícil remover a atmosfera de um planeta do
tamanho de Júpiter", afirma, por causa de sua imensa gravidade.
Tudo isso fornece aos astrônomos muitas pistas, mas ainda não há
consenso sobre como Mercúrio se formou. A missão BepiColombo pode trazer
algumas respostas.
Quando a missão, que, na prática, consiste em duas naves espaciais
operadas em conjunto pela Agência Espacial Europeia (ESA) e pela Agência
Espacial Japonesa (JAXA), entrar na órbita em torno de Mercúrio, as
duas naves espaciais se separarão.
Elas usarão seus instrumentos para mapear a composição da superfície do
planeta e, ao mesmo tempo, estudar sua gravidade e o fraco campo
magnético de Mercúrio, entre outras observações.
"A BepiColombo fará medições adicionais que poderão nos informar sobre a
origem de Mercúrio", afirma Tosi. De especial interesse será descobrir
do que são feitas a superfície e subsolo do planeta. "Conhecer essa
composição impõe limites às hipóteses de formação do planeta",
acrescenta.
Se Mercúrio já foi maior e depois perdeu material, isso teria criado um
manto temporariamente fundido, um vasto oceano de magma do qual
poderíamos ver evidências hoje. "Esse material se solidifica de uma
maneira específica", observa Tosi.
As primeiras imagens enviadas pela espaçonave em seu primeiro sobrevoo,
no início deste ano, ainda não revelaram sinais desse oceano de magma
primordial. Elas mostram, porém, a superfície de um planeta marcada por
crateras de impacto e cortada por antigos fluxos de lava.
Também foram identificados vestígios de um fluxo de lava de cerca de
3,7 bilhões de anos, que se solidificou formando extensas áreas de
superfície lisa e preenchendo crateras mais antigas.
Embora muito mais recente do que o possível oceano de magma inicial, as
rugas características nessas superfícies lisas indicam que o planeta
vem se contraindo drasticamente desde então, à medida que esfriou ao
longo de bilhões de anos.
As medições de gravidade da sonda, que registram o quanto o planeta se
deforma em resposta à gravidade do Sol por meio do reflexo de um laser
em sua superfície, também devem oferecer aos cientistas uma compreensão
mais precisa da estrutura do núcleo, outra peça fundamental da história
de Mercúrio.
"Conhecer a composição do núcleo também ajudará a reconstruir a origem de Mercúrio", afirma Tosi.
A missão BepiColombo também deve revelar mais informações sobre os
elementos voláteis do planeta, que continuam sendo um enigma. "Sabemos
que Mercúrio é rico em voláteis, mas não sabemos exatamente quais são
todos eles", diz Rothery, da Open University.
Mercúrio é realmente muito pequeno em comparação com outros planetas.
Aqui, ele aparece como um pontinho à esquerda, ao atravessar a frente do
disco do Sol — Foto: Getty Images/BBC
BepiColombo pode ainda ajudar a esclarecer outros mistérios do planeta,
como o motivo de sua superfície, salpicada de crateras, ser tão escura.
Mercúrio reflete apenas cerca de dois terços da luz refletida pela Lua,
o que sugere a existência de uma camada de material escuro, como
grafite, recobrindo sua superfície.
Para compreender de fato a origem de Mercúrio, porém, cientistas sonham
em pousar no planeta algum dia, algo que chegou a integrar a proposta
original da missão BepiColombo, mas foi descartado por custo e
complexidade, e talvez até trazer amostras de volta à Terra.
"O que realmente queremos é uma amostra de Mercúrio", afirma Rothery, o
que permitiria decifrar exatamente do que o planeta é feito.
Não há uma missão desse tipo planejada para o futuro próximo, embora algumas propostas tenham sido apresentadas.
Em vez de um pouso, "nossa maior esperança é encontrar um meteorito
originário de Mercúrio", diz Rothery. Isso pode ser possível. Centenas
de meteoritos de Marte já foram encontrados na Terra, mas nenhum que
seja definitivamente de Mercúrio (ou Vênus).
Já se sugeriu que uma classe rara de meteoritos encontrados na Terra,
conhecida como aubritos (um tipo de acondrito), poderia ser composta por
fragmentos de um suposto proto-Mercúrio, um planeta primordial maior
que teria sido atingido por outro corpo.
A missão BepiColombo já vem enviando imagens da superfície de Mercúrio,
após um breve sobrevoo realizado no início de 2025 — Foto: ESA/
BepiColombo/ MTM
A ideia é considerada uma "mera especulação", avalia Morbidelli, mas
ainda assim é atraente, porque esses meteoritos apresentam química e
mineralogia semelhantes ao que se imagina que teria um proto-Mercúrio.
Camille Cartier, petróloga da Universidade de Lorraine (França),
coordena um estudo sobre aubritos (um tipo de meteorito) para investigar
essa possibilidade nos próximos anos. "Temos uma supercoleção" de
meteoritos aubritos, afirma, com cerca de 20 amostras diferentes
reunidas por sua equipe. Agora, elas serão analisadas para verificar se
são, de fato, fragmentos de Mercúrio.
"Precisamos de evidências sólidas a favor ou contra essa hipótese", diz Cartier.
O que está em jogo na compreensão da formação de Mercúrio é entender
como os planetas se formam. O planeta teria sido uma mera casualidade,
resultado de uma colisão aleatória em alta velocidade no nosso Sistema
Solar, ou algo mais comum? "Talvez Mercúrio não seja um objeto tão raro e
seja um resultado natural da formação planetária", sugere Tosi.
Por ora, o enigma sobre as origens de Mercúrio permanece. Por que temos
esse planeta estranhamente pequeno e supermetálico no nosso Sistema
Solar? E será que outras estrelas também têm seus próprios Mercúrios?
À primeira vista, Mercúrio pode parecer um mundo cinzento, sem grande
interesse aparente. Mas, em essência, esse planeta enigmático pode ser
um dos lugares mais fascinantes do Sistema Solar.
"É possível que Mercúrio seja simplesmente um planeta improvável", diz
Scora. Um planeta que na maioria das linhas temporais simplesmente não
deveria existir, mas que, na nossa, existe.