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terça-feira, 2 de junho de 2026

Irã danificou 20 instalações militares americanas desde o início da guerra, revelam imagens de satélite

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Desde o fim de fevereiro, o Irã atingiu instalações estratégicas em oito países do Oriente Médio, causando prejuízos de Bilhões de dólares.
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TOPO
Por BBC

Postado em 02 de Junho de 2.026 às 05h00m
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Hangares danificados na base aérea Ali Al Salem, no Kuwait — Foto: BBC
Hangares danificados na base aérea Ali Al Salem, no Kuwait — Foto: BBC

Imagens de satélite e vídeos analisados pelo serviço de verificação da BBC, o BBC Verify, apontam que o Irã danificou 20 instalações militares americanas desde o início da guerra, o que sugere que os ataques foram mais extensos do que o governo americano admitia publicamente.

Desde o fim de fevereiro, o Irã atingiu instalações estratégicas em oito países do Oriente Médio, causando prejuízos de Bilhões de dólares a sistemas avançados de defesa aérea, aviões de reabastecimento e radares.

O Irã atacou tanto bases americanas quanto instalações militares compartilhadas em resposta aos bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e o Líbano nos últimos três meses. O Pentágono afirma ter atingido mais de 13 mil alvos iranianos desde o início da Operação Epic Fury ("Fúria Épica", em tradução livre).

Mojtaba Khamenei, atual líder supremo do Irã, destacou o sucesso dos ataques iranianos contra as instalações americanas. Em comunicado divulgado na semana passada, Khamenei afirmou que o Oriente Médio já não é um "lugar seguro" para as bases dos EUA.

Embora a Casa Branca tenha declarado repetidas vezes que as forças militares iranianas foram praticamente destruídas, analistas afirmam que os danos observados nas instalações americanas sugerem que os contra-ataques do Irã foram mais precisos e abrangentes do que as autoridades americanas admitiam até agora.

Um funcionário do Departamento de Defesa dos EUA se recusou a comentar as conclusões do BBC Verify, citando "razões de segurança operacional".

Ataques contra instalações dos EUA no Oriente Médio. — Foto: Elaboração BBC
Ataques contra instalações dos EUA no Oriente Médio. — Foto: Elaboração BB

Os EUA também tentaram restringir análises por satélite do conflito ao pedir à Planet, uma das principais empresas do setor, que suspendesse por "tempo indeterminado" a divulgação de novas imagens do Irã e de grande parte do Oriente Médio. A empresa justificou a decisão afirmando que queria impedir que o material fosse usado "por atores adversários para atacar militares e civis de países aliados e parceiros da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]".

O BBC Verify usou imagens de satélite de outros provedores internacionais, combinadas com registros mais antigos da Planet, para mapear os danos provocados pelos ataques iranianos. As instalações atingidas ficam na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Catar, Kuwait, Iraque, Jordânia, Bahrain e Omã. O número pode ser ainda maior: alguns analistas estimam que até 28 bases tenham sido alvo dos ataques iranianos.

Entre os equipamentos atingidos estavam três modernos sistemas antimísseis Thaad (Terminal High Altitude Area Defense, sistema de defesa aérea para grandes altitudes), instalados nas bases aéreas de Al Ruwais e Al Sader, nos Emirados Árabes Unidos, e na base aérea Muwaffaq Salti, na Jordânia.

Os EUA possuem apenas oito baterias Thaad conhecidas em operação, distribuídas em bases ao redor do mundo. Cada unidade custa cerca de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,4 bilhões) para ser produzida.

Cada bateria exige uma equipe de cerca de 100 militares para operá-la, enquanto cada míssil interceptor disparado pelo sistema custa em torno de US$ 12,7 milhões (cerca de R$ 68,5 milhões).

Bateria Thaad danificada na base aérea de Al Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos

O vice-almirante Mark Mellett, ex-chefe das Forças de Defesa da Irlanda, afirmou ao BBC Verify que essas baterias fazem parte do núcleo de uma rede regional de defesa "altamente complexa" e que não podem ser "substituídas de forma rápida nem simples".

Segundo análises de especialistas acerca dessas imagens de satélite, ataques iranianos também atingiram aviões americanos de reabastecimento e vigilância na base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita. Nas imagens, é possível ver aeronaves danificadas e crateras ainda com sinais de fumaça.

Um dos aviões foi identificado por um analista da empresa de inteligência Maiar como um E-3 Sentry, aeronave de vigilância. A imprensa americana informou que a substituição do equipamento poderia custar até US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,8 bilhões).

Em outros pontos da região, ataques iranianos também atingiram a base aérea Ali Al Salem e o Campo Arifjan, no Kuwait. Analistas da Maiar identificaram depósitos de combustível destruídos, hangares de aeronaves danificados e alojamentos militares atingidos em imagens de satélite da base, alvo de vários ataques ao longo do conflito.

Já no Campo Arifjan, a empresa de inteligência militar Janes identificou danos extensos em equipamentos de comunicação via satélite.

A dimensão dos danos causados às instalações americanas ainda é difícil de medir. Mas uma estimativa divulgada pelo Pentágono em maio calculou o custo total da Operação Epic Fury em US$ 29 bilhões (cerca de R$ 156 bilhões), valor que, em grande parte, deve ser destinado à "reparação ou substituição de equipamentos" destruídos no conflito. Parlamentares democratas afirmam que o cálculo provavelmente está subestimado.

O relatório também concluiu que ao menos 42 aeronaves, entre elas caças F-15 e F-35, 24 drones MQ-9 Reaper e um avião de ataque A-10, foram destruídas ou danificadas desde fevereiro.

Em comparação com os equipamentos sofisticados e caros usados pelos militares americanos, o Irã teria recorrido a drones baratos e facilmente substituíveis nos ataques contra alvos no Oriente Médio.

Especialistas ouvidos pelo BBC Verify afirmaram que a estratégia iraniana evoluiu ao longo da guerra. O país deixou de lançar grandes ondas de mísseis contra cidades e bases militares da região e passou a realizar ataques mais precisos e direcionados.

"As primeiras ofensivas [do Irã] foram pensadas para ganhar volume, grandes ondas criadas para sobrecarregar os sistemas de defesa aérea e antimísseis pela quantidade", afirmou Kelly Grieco, analista do centro de estudos Stimson Center, nos EUA.

"Poucos dias depois, porém, o Irã passou a usar ataques menores e mais precisos, preservando os mísseis e drones restantes para alvos estratégicos específicos e concentrando ataques em pontos onde até impactos próximos já provocaram danos significativos."

Um analista da Maiar afirmou ao BBC Verify que os militares americanos "parecem ter demonstrado excesso de confiança no início da guerra" ao não retirarem aeronaves do alcance de drones e mísseis iranianos à medida que a estratégia do Irã evoluía.

Segundo ele, a base aérea Prince Sultan já havia sido alvo de ataques antes da destruição das aeronaves.

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que "os povos e os países da região não servirão mais de escudo para bases americanas" e acrescentou: "Os EUA não terão mais um lugar seguro na região para promover a desestabilização e instalar bases militares, e se afastarão cada vez mais da posição que ocupavam no passado."

As declarações ocorreram poucos dias antes de o cessar-fogo entre EUA e Irã voltar a dar sinais de desgaste. Na quinta-feira (28/5), a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado uma base americana na região após novos bombardeios americanos contra o sul do Irã.

Grieco, do Stimson Center, alertou que, caso o frágil cessar-fogo entre os EUA e o Irã colapse e os confrontos sejam retomados, os danos já provocados às bases americanas indicam que instalações em toda a região do Golfo podem continuar vulneráveis.

"O conflito atual consumiu os estoques de defesa aérea dos EUA e de seus aliados em um ritmo significativo", afirmou Grieco.

"Não existe uma forma rápida de repor esses equipamentos. Isso significa que, em caso de uma nova ofensiva iraniana, haverá apenas uma fração dos mísseis interceptadores disponíveis no início da guerra."

Estados Unidos
Irã
Israel

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Argentina, Panamá e Equador entre os '10 piores países do mundo' em direitos trabalhistas

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Relatório da Confederação Sindical Internacional aponta Argentina, Panamá e Equador entre os 10 piores países do mundo para os direitos dos trabalhadores.
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Por France Presse

Postado em 01 de Junho de 2.026 às 15h20m
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Reforma trabalhista de Milei é votada no Senado sob greve e protestos nas ruas — Foto: REUTERS/Agustin
Reforma trabalhista de Milei é votada no Senado sob greve e protestos nas ruas — Foto: REUTERS/Agustin

Argentina e Panamá se juntaram ao Equador entre os "10 piores países do mundo" para os direitos dos trabalhadores, segundo um estudo da Confederação Sindical Internacional (CSI) divulgado nesta segunda-feira (1º, data local).

Esses três países latino-americanos integram o grupo ao lado de Belarus, Egito, Essuatíni, Mianmar, Nigéria, Tunísia e Turquia, de acordo com o mais recente relatório Índice Global dos Direitos.

"A Argentina entra este ano na lista dos 10 piores países para os trabalhadores após cair para a categoria 5, registrando o segundo ano consecutivo de deterioração de sua classificação", apontou a CSI.

"As condições para os trabalhadores e os sindicatos tornaram-se cada vez mais repressivas e hostis sob o governo de extrema direita do presidente Javier Milei", sustenta o estudo.

O relatório lembrou que "a Argentina instituiu um protocolo antibloqueio para manter 'a ordem pública em caso de bloqueios de estradas', pelo qual se autoriza o uso indiscriminado da força policial".

"A classificação da Argentina piorou pelo segundo ano consecutivo, situando-se na categoria 5, o pior nível já alcançado por esse país sul-americano no Índice. Isso representa uma queda brusca e sem precedentes da categoria 3 para a 5 em apenas dois anos", afirma o estudo. O grupo 5 corresponde ao dos países com "direitos não garantidos".

Esse retrocesso se deve à "existência de violações regulares dos direitos para uma situação em que os trabalhadores não têm seus direitos garantidos".

No caso do Panamá, a CSI afirmou que "trabalhadores e sindicatos desse país centro-americano carecem de garantias quanto a seus direitos básicos e enfrentam uma opressão constante por parte dos empregadores e do Estado".

Sobre o Equador, o relatório apontou que "os legisladores equatorianos promulgaram em 2025 uma lei que permite realizar vigilância sem ordem judicial, bem como interceptar comunicações e coletar dados privados".

Os países do grupo 5 "são os piores países do mundo para trabalhar. Embora a legislação possa enumerar certos direitos, os trabalhadores efetivamente não têm acesso a eles", indica o estudo.

Uruguai, uma "exceção"

Brasil, Costa Rica, El Salvador, Peru e Trinidad e Tobago estão no grupo 4, referente aos países com "violações sistemáticas de direitos".

Bahamas, Bolívia, Chile, Jamaica, México e Paraguai aparecem no grupo 3, com "violações regulares" de direitos.

No grupo 2 ("violações repetidas") figuram Espanha, Portugal e República Dominicana.

O único país latino-americano no grupo 1 ("violações esporádicas") é o Uruguai, ao lado de Alemanha, Áustria, Dinamarca, Islândia, Irlanda, Noruega e Suécia.

O estudo destaca que o Uruguai constitui "uma exceção em uma região amplamente caracterizada pela repressão sindical e pela exploração".

De forma geral, a América Latina "continua sendo a região mais letal para os trabalhadores e seus representantes, com execuções extrajudiciais registradas na Colômbia e no México".

"Em cerca de 9 em cada 10 países foi violado o direito de greve e impedido o registro de sindicatos. Em aproximadamente metade dos 25 países da região, trabalhadores foram detidos ou encarcerados", assinala a CSI.

Luc Triangle, secretário-geral da CSI, afirmou que "o Índice 2026 revela que a crise dos direitos dos trabalhadores já não se limita a alguns poucos países: ela agora está no centro das democracias".

"Os governos já não protegem os trabalhadores e, em alguns casos, contribuem para enfraquecer seus direitos", acrescentou.

Esse relatório, elaborado pela CSI desde 2014, classifica 151 países com base em 97 indicadores fundamentados em convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e em sua jurisprudência.

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domingo, 31 de maio de 2026

Irã recupera arsenais subterrâneos e revela limitação de ataques dos EUA

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Durante semanas, bombardeios restringiram o acesso de Teerã aos seus locais subterrâneos de disparo de mísseis, destruindo estradas e soterrando entradas de túneis
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Thomas Bordeaux e Tamara Qiblawi, da CNN
31/05/26 às 15:28 | Atualizado 31/05/26 às 15:28
Postado em 31 de Maio de 2.026 às 16h00m
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A Guarda Revolucionária do Irã divulga imagens de lançamentos de mísseis enquanto Trump pressiona o Irã para que aja rapidamente em relação ao plano de cessar-fogo  • POOL VIA WANA

O Irã está preparado para disparar muito mais mísseis de longo alcance contra Israel e outras nações do Oriente Médio, após retomar rapidamente o acesso a seus arsenais subterrâneos – um esforço que destaca as limitações da estratégia de bombardeio dos EUA, disseram especialistas.

Durante semanas, ataques dos EUA e de Israel restringiram o acesso do Irã aos seus locais subterrâneos de disparo de mísseis, destruindo estradas e soterrando entradas de túneis.



Mas imagens de satélite analisadas pela CNN mostram como o Irã tem usado equipamentos simples, como tratores e caminhões de caçamba, para responder a essas campanhas dispendiosas – sugerindo que as capacidades de mísseis de Teerã não podem ser destruídas apenas atacando as entradas dos túneis, disseram especialistas.

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Embora o Irã e os EUA tenham chegado a um acordo preliminar para reabrir o Estreito de Ormuz, ainda faltam meses de trabalho para definir os detalhes.

Se as hostilidades forem retomadas, o Irã estará em posição de "continuar lançando mísseis desde que tenham lançadores e equipes, mesmo que a produção tenha sido interrompida", afirmou Sam Lair, pesquisador associado do James Martin Center for Nonproliferation Studies, que analisa as capacidades de mísseis do Irã.

"Não há nada que impeça os lançadores de serem armados com o amplo estoque de mísseis que os iranianos ainda possuem."

Durante os combates, o Irã trabalhou para escavar as entradas dos túneis sob grande risco, com os EUA e Israel frequentemente atacando os equipamentos usados ​​para a escavação.

Esse trabalho permitiu que Teerã continuasse disparando mísseis ao longo da guerra, embora em ritmo amplamente reduzido. Desde o cessar-fogo, há mais de sete semanas, os esforços iranianos para escavar as bases aceleraram significativamente.

CNN constatou que o Irã já desbloqueou 50 das 69 entradas de túneis atingidas pelos EUA e Israel em 18 instalações subterrâneas de mísseis.

Fumaça sobe do Centro Médico Soroka após um ataque com míssil do Irã contra Israel • Amir Cohen/Reuters
Fumaça sobe do Centro Médico Soroka após um ataque com míssil do Irã contra Israel • Amir Cohen/Reuters

O Irã também reparou outras partes das bases, incluindo estradas que os EUA e Israel bombardearam para impedir o deslocamento dos lançadores de mísseis. Imagens de satélite mostram que quase todas essas crateras já foram preenchidas e, em dois locais, inclusive recapeadas.

As Forças Armadas dos EUA são boas em alcançar sucessos táticos, e o cerco e a supressão das forças de mísseis iranianas são um ótimo exemplo disso, disse Lair. No entanto, se isso não for acompanhado por um conjunto de objetivos de guerra estratégicos razoáveis ​​e uma teoria de vitória viável, pode acabar sendo um fracasso estratégico.

O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, não respondeu a perguntas específicas sobre as descobertas da CNN, repetindo uma declaração anterior de que "as forças armadas americanas são as mais poderosas do mundo e têm tudo o que precisam para executar suas ordens no momento e local escolhidos pelo presidente".

Um objetivo da guerra

O presidente Donald Trump tem apontado repetidamente o arsenal de mísseis do Irã como um dos motivos da guerra, sendo a sua destruição um dos principais objetivos. Em uma publicação de março na rede Truth Social, Trump listou a "degradação completa da capacidade de mísseis iraniana, de seus lançadores e de tudo mais relacionado a eles" como um dos cinco "objetivos" da guerra.

A rede de bases subterrâneas de mísseis do Irã, que o país começou a construir há mais de 20 anos, oferece uma proteção considerável aos seus mísseis e lançadores. A profundidade das instalações, algumas das quais estão sob centenas de metros de rocha, limita as opções que as forças militares dos EUA e de Israel têm para atacar as bases.

Por isso, nas primeiras semanas do conflito, os militares passaram a atacar as entradas dessas bases, o que, combinado com os esforços para localizar e destruir os lançadores, resultou em uma limitação significativa dos disparos de mísseis iranianos.

Esses ataques danificaram fortemente as bases, soterrando a maioria das entradas dos túneis sob montanhas de escombros e destruindo as estradas que levavam aos locais.

Imagens de satélite analisadas pela CNN na época mostraram instalações como a Base de Mísseis de Isfahan Norte, um local subterrâneo crucial de mísseis, devastada por múltiplos ataques, com escombros cobrindo os túneis e lançadores destruídos do lado de fora.

Forças de segurança israelenses inspecionam casas destruídas em Rishon Lezion, Israel, após um ataque de míssil do Irã. • Ohad Zwigenberg/AP
Forças de segurança israelenses inspecionam casas destruídas em Rishon Lezion, Israel, após um ataque de míssil do Irã. • Ohad Zwigenberg/AP

Os EUA e Israel também realizaram um amplo esforço para destruir a cadeia de suprimentos de mísseis do Irã, desde fábricas onde pequenos componentes eletrônicos são produzidos até locais onde propulsores de foguetes e estruturas de mísseis são fabricados.

Depois que os EUA e o Irã concordaram com um cessar-fogo em 8 de abril, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, mencionou esses esforços, afirmando que o Irã estaria "escavando os lançadores e mísseis restantes, mas sem capacidade de substituí-los. Vocês não têm mais indústria de defesa".

Especialistas acreditam que o Irã ainda possui cerca de 1.000 mísseis armazenados nos locais subterrâneos.

Esse estoque, localizado profundamente abaixo da superfície, dificilmente terá sofrido grandes danos decorrentes de ataques ao nível do solo, de acordo com os especialistas, especialmente considerando que os militares israelenses atacaram as entradas dos túneis da mesma maneira durante a Guerra dos 12 Dias no ano passado.


"Eles vinham se preparando para esse tipo de guerra há 20 anos", disse Timur Kadyshev, pesquisador sênior do Institute for Peace Research and Security Policy da Universidade de Hamburgo, que estuda os mísseis do Irã. "Eles estão muito preparados."

Um esforço furioso de reparo

Para reabrir as bases, o Irã tem utilizado uma variedade de equipamentos de construção e terraplenagem. Nas imagens de satélite, pás carregadeiras são vistas recolhendo escombros, enquanto caminhões de caçamba preenchem as crateras com terra.

Em uma base nos arredores de Isfahan, os EUA e Israel realizaram inúmeros ataques para bloquear quatro entradas de túneis durante a guerra. Pelo menos 18 crateras podiam ser vistas em um par dessas entradas, indicando a quantidade de munições que foram gastas para bloquear os túneis.

No início de maio, uma imagem de satélite mostrou um caminhão de caçamba sendo usado para tapar as crateras. As outras duas entradas, também bloqueadas por crateras e escombros, já haviam sido abertas, e as estradas que levavam a elas, anteriormente destruídas por bombardeios, foram recapeadas.

Prédio residencial em Be'er Sheva, em Israel, atingido por míssil lançado pelo Irã • 24/06/2025 REUTERS/Amir Cohen
Prédio residencial em Be'er Sheva, em Israel, atingido por míssil lançado pelo Irã • 24/06/2025 REUTERS/Amir Cohen

Em uma base nos arredores de Khomeyn, em meados de abril, uma imagem mostrou pelo menos 10 veículos de construção empenhados nos esforços para reabrir uma das entradas.

À medida que o Irã recupera seus mísseis e restaura a funcionalidade de suas bases de mísseis, analistas demonstram preocupação de que a ameaça contínua representada por esse arsenal esteja sendo subestimada, especialmente diante do estoque cada vez menor de interceptadores de mísseis dos EUA.

Os ataques às fábricas de mísseis do Irã também podem não impedir Teerã de reconstituir suas capacidades de produção de mísseis pelo tempo que os EUA e Israel gostariam.



Durante a Guerra dos 12 Dias, algumas dessas mesmas fábricas também foram atacadas. Embora os ataques recentes tenham sido muito mais amplos, imagens de satelite mostraram que o Irã já havia reconstruído algumas das instalações que foram alvos em junho passado.

Avaliações da inteligência dos EUA indicam que o Irã já vem reconstruindo capacidades militares importantes, incluindo o reinício da produção de drones e a substituição de lançadores de mísseis e da capacidade de produção.

"Os iranianos superaram todos os cronogramas que a (comunidade de inteligência) previa para a reconstituição", disse uma autoridade dos EUA à CNN.

Para Kadyshev, essa diferença de tecnologias expõe a dificuldade em buscar opções militares contra o Irã.

"Você precisa usar armas muito sofisticadas e muito caras para causar esse tipo de dano, mas a recuperação é de tecnologia muito baixa: são apenas tratores."


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inglês 

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Análise: A guerra do Irã e a trégua que ninguém assinou

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No meio, ficam os árabes alvejados pelo vizinho que cortejavam, uma Europa que se descobriu exposta e uma China que prefere a estabilidade do petróleo a qualquer alinhamento
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Thiago de Aragão, especial para a CNN Brasil*
30/05/26 às 03:15 | Atualizado 30/05/26 às 03:37
Postado em 31 de Maio de 2.026 às 06h00m
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Pessoas passam por outdoor anti-EUA em Teerã, Irã
Pessoas passam por outdoor anti-EUA em Teerã, Irã  • Majid Asgaripour/WANA via Reuters

Há uma cena que resume o estado da guerra do Irã melhor do que qualquer comunicado oficial. Na quinta-feira (28), negociadores americanos e iranianos fecharam um MoU (memorando de entendimento) para estender por 60 dias o cessar-fogo e reabrir as conversas sobre o programa nuclear.

No mesmo dia, os Estados Unidos bombardearam drones e um sítio de lançamento iraniano perto do Estreito de Ormuz, o Irã disparou contra uma base americana no Kuwait, e o Kuwait interceptou um míssil. O acordo nasceu sendo violado.

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E, detalhe que não é pequeno, Donald Trump ainda não o assinou. Pediu alguns dias para pensar. Teerã, por sua vez, avisou que qualquer narrativa ocidental sobre um acordo finalizado não vale nada enquanto não comunicar oficialmente o mediador paquistanês.



Esse é o retrato fiel de maio de 2026: não há guerra plena nem paz, há um interregno tenso que o mercado de petróleo já precificou como otimismo (o brent caiu abaixo de US$ 91 na sexta, acumulando queda de cerca de 15% no mês) e que os comandantes no terreno tratam como mera pausa para recarregar.

A guerra que começou em 28 de fevereiro não é a Guerra dos Doze Dias de junho de 2025. É outra coisa, de outra magnitude.

EUA e Israel lançaram a Operação Epic Fury (Roaring Lion, no codinome israelense) durante negociações nucleares ainda em curso, no mês do Ramadã, e a salva de abertura matou o próprio líder supremo, Ali Khamenei. O Irã respondeu com a Operação True Promise IV, que sua mídia estatal apelidou deGuerra do Ramadã.

Mojtaba Khamenei foi designado sucessor em 8 de março. Houve um cessar-fogo mediado pelo Paquistão em 8 de abril, que ruiu nas Conversas de Islamabad. Desde 13 de abril vige um duplo bloqueio: a Marinha americana bloqueia o Irã, e o Irã bloqueia o Golfo Pérsico. É esse impasse que o MoU de 60 dias tenta destravar.

O ponto que o noticiário daqui simplifica como Irã fechou o estreito é, na verdade, uma disputa de soberania com implicações de direito do mar.

Teerã não quer apenas reabrir Ormuz. Quer institucionalizar um controle que não tinha antes da guerra, propondo gestão conjunta com Omã, já que o canal navegável passa pelas águas territoriais dos dois países.

Pela Convenção do Mar, não se pode cobrar pedágio pela passagem por um estreito internacional, mas é possível cobrar por serviços prestados às embarcações - e é exatamente nessa brecha que o Irã trabalha.

A ideia tem mais idade do que parece. Da metade do século XV até 1857, a Dinamarca cobrou o chamado Sound Dues de todo navio que cruzasse o estreito de Øresund, na entrada do Báltico, uma taxa que o rei Erico da Pomerânia inventou e que só foi abolida pela Convenção de Copenhague, quando as potências marítimas pagaram à coroa dinamarquesa uma indenização à vista para se livrar dela de vez.

Teerã está reinventando o pedágio dinamarquês com vocabulário do século XXI. Chama de taxa ambiental, não de pedágio, e a diferença é puramente semântica. Os EUA rejeitam qualquer forma de controle iraniano.

O detalhe revelador, pouco comentado fora da região: o secretário do Tesouro, Scott Bessent, ameaçou sancionar Omã, aliado próximo de Washington, caso o sultanato facilite a cobrança. Quando você precisa ameaçar o próprio aliado para sustentar sua posição, o problema deixou de ser militar. Virou arquitetura de ordem regional.

O MoU prevê passagem irrestrita e a remoção das minas iranianas em até 30 dias, mas o próprio texto se contradiz: a CNN aponta divergências sobre se ele inclui a retirada de forças americanas e o fim do bloqueio aos portos iranianos. Teerã afirma que sim. Washington nega.

Enquanto isso, dezenas de milhares de marítimos seguem presos ao longo do canal, os prêmios de seguro de guerra continuam proibitivos, e o jamming de GPS persiste.

Convém lembrar a escala do choque.

No auge, em março, o bloqueio retirou cerca de 20% do comércio global de petróleo e forçou os produtores do Golfo a cortar perto de 10 milhões de barris/dia, com o brent batendo US$ 119,50 em 9 de março, o maior valor desde 2022. Os EUA chegaram ao ponto de suspender temporariamente restrições à compra de petróleo russo para aliviar preços, uma ironia que diz muito sobre a urgência.

A história que quase não circula no Brasil é a das monarquias do Golfo, que vinham normalizando relações com Teerã e foram alvejadas mesmo assim. Bahrein, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Emirados e Jordânia receberam mísseis e drones iranianos. O Catar tornou-se o primeiro país árabe a abater aeronaves iranianas (dois bombardeiros Su-24), e ainda assim Doha negou publicamente ter aderido à campanha contra o Irã, numa diplomacia de equilíbrio difícil de sustentar.

Houve fogo amigo de proporções constrangedoras: um F/A-18 da Força Aérea do Kuwait derrubou três caças americanos F-15E. E, num dado que define a posição árabe, a Resolução 2817 do Conselho de Segurança das ONU (Nações Unidas) condenou as represálias iranianas contra os países do Golfo, e não os ataques americano-israelenses que iniciaram tudo.

Quando os houthis do Iêmen entraram na guerra em 28 de março e ameaçaram fechar também o Bab al-Mandeb, ficou claro o que estava em jogo: não um conflito Irã contra Israel, mas o estilhaçamento de toda a arquitetura de segurança do Golfo.

Para o leitor brasileiro, a guerra é EUA, Israel e Irã. A leitura europeia é outra. O E3 (Reino Unido, França e Alemanha) comprometeu-se com medidas defensivas proporcionais. Formou-se uma coalizão naval em torno do Chipre: Itália, Países Baixos e Espanha enviaram navios; a Grécia, fragatas e F-16; a Irlanda se ofereceu.

A base britânica de Akrotiri, no Chipre, foi atingida por drone. Mísseis iranianos foram interceptados pela defesa integrada da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) sobre território turco em pelo menos três ocasiões (Dörtyol, em Hatay; Gaziantep; e perto de Incirlik, em Adana), com o secretário-geral Mark Rutte reafirmando o compromisso de defender a Turquia.

Bombardeiros americanos B-1 e B-52 se posicionaram em Fairford, no Reino Unido, e em Ramstein, na Alemanha. Um soldado francês morreu num ataque de drone a uma base no Curdistão iraquiano, morte confirmada por Emmanuel Macron.

O episódio mais revelador, porém, foi de recusa: em 16 de março, tanto os aliados europeus da Otan quanto a China rejeitaram o apelo de Donald Trump para ajudar a reabrir Ormuz, levando o presidente a chamar a decisão de erro muito tolo. Foi a primeira vez em muito tempo que Bruxelas e Pequim convergiram contra Washington num teatro de guerra ativo.

Por dentro, o Irã vive sob restrição. Os ciberataques de abertura derrubaram a internet do país por mais de 60 horas, com a conectividade caindo a 1% do normal, e o acesso segue racionado a usuários aprovados pelo governo.

A guerra foi precedida pelo retorno das sanções via mecanismo desnapback em setembro de 2025 e pelo colapso do rial, que Bessent celebrou em dezembro como a culminação grandiosa da pressão máxima, além dos massacres de manifestantes em janeiro de 2026.

No plano nuclear, vale separar o que a Aiea (Agência Internacional de Energia Atômica) de fato diz do que se atribui a ela: a agência classifica o programa iraniano como ambicioso, reclama do bloqueio às inspeções dos sítios bombardeados, mas afirma não haver evidência de armamentização em curso.

A leitura britânica e americana descreve a estratégia de Teerã como hedging nuclear: manter a infraestrutura técnica para montar uma arma em curto prazo sem efetivamente produzi-la.

As avaliações mais incisivas vão além: o estoque de urânio enriquecido seria alavanca de barganha, e o Irã estaria disposto a diluí-lo ou exportá-lo em troca de alívio de sanções e garantias de segurança.

Não por acaso, fontes ligadas à negociação afirmam que Teerã teria conseguido incluir no MoU a liberação de cerca de US$ 12 bilhões, metade de seus ativos congelados no exterior.

Há ainda um custo civilizatório raramente mencionado: a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e a Blue Shield International classificaram como crime de guerra os danos a sítios protegidos, do Palácio Golestan ao pavilhão Chehel Sotoun e a monumentos de Isfahan.

Um aviso metodológico que todo analista honesto precisa fazer. Os números são névoa. EUA, Israel e Irã impuseram censura pesada, e vítimas e eventos específicos são difíceis de verificar de forma independente. O Irã reporta cerca de 3.468 mortos, enquanto organizações de direitos humanos falam em 3.636. EUA e Israel estimam mais de 6.000 militares iranianos mortos. O próprio governo iraniano avalia o prejuízo econômico entre US$ 300 bilhões e US$ 1 trilhão.

Para o Brasil, o efeito imediato é ambíguo, e a eleição de 2026 eleva o que está em jogo. O brent saltou 22,9% nos primeiros 30 dias de guerra e, embora tenha recuado para perto de US$ 90 com o otimismo da trégua, a volatilidade beneficiou Petrobras e PRIO e ajudou a levar o Ibovespa a um recorde de cerca de 194 mil pontos em abril.

Como o Estado é grande acionista da estatal, o brent alto melhora dividendos e a foto fiscal. O problema é o repasse.

O Brasil importa gasolina, diesel e fertilizantes (boa parte do Oriente Médio), e a privatização de refinarias como a RLAM (Refinaria Landulpho Alves) reduziu a capacidade da Petrobras de amortecer preços, como nota Adriano Pires, da CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura).

Em ano eleitoral, ressurge a tentação histórica de segurar combustível artificialmente, deteriorando as contas da estatal, enquanto o choque energético se sobrepõe ao protecionismo tarifário americano e cria terreno para estagflação (a Coface já fala em pressão na cesta básica chegando à safra 2026/27).

O contraponto otimista, lembrado pelo Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis): com 80% do petróleo de Ormuz indo para a Ásia, a queda da oferta do Oriente Médio abre espaço para a Petrobras ampliar exportações à China, que talvez consiga segurar a ausência iraniana por cerca de dois meses.

A pergunta que vale não é se Trump assina o MoU. É se a estrutura de incentivos permite que ele dure. O Irã quer transformar Ormuz em ativo soberano permanente. Os EUA querem o estreito aberto, o urânio enriquecido fora do país e o programa nuclear encerrado, três condições que Teerã trata como negociáveis em fases, não em bloco.


No meio, ficam os árabes alvejados pelo vizinho que cortejavam, uma Europa que se descobriu exposta sem ter escolhido, e uma China que prefere a estabilidade do fluxo de petróleo a qualquer alinhamento.

Enquanto cada incidente isolado, um drone aqui, um míssil no Kuwait ali, reativa o prêmio de risco no brent, a trégua seguirá sendo o que é hoje: real o suficiente para mover mercados, frágil o suficiente para não tirar ninguém do seu posto de combate.

* Thiago de Aragão é CEO da Arko Internacional

CNN Brasil
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