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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Tempestades e enchentes deixam mais de mil mortos na Ásia

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Centenas estão desaparecidas e milhões foram afetados na Malásia, Indonésia, Tailândia e Sri Lanka
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Laura Sharman, da CNN
01/12/25 às 09:50 | Atualizado 01/12/25 às 09:50
Postado em 01 de Dezembro de 2.025 às 10h30
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Fortes chuvas provocaram inundações e deslizamentos de terra em toda a Ásia. Mais de mil pessoas morreram e operações de busca e resgate procuram por centenas de desaparecidos.

Milhões de pessoas enfrentam inundações intensas após as fortes chuvas provocadas por ciclones atingirem partes da Indonésia, Tailândia e Malásia.

O Sri Lanka foi atingido por uma tempestade separada, deixando algumas áreas submersas e criando a operação de resgate mais difícil já vista no país, segundo o presidente Anura Kumara Dissanayake.

"Esta é a primeira vez que todo o país é atingido por um desastre dessa magnitude", declarou o presidente em um pronunciamento à nação. O líder do país sugeriu que a extensão da devastação superou a causada pelo tsunami asiático de 2004.

Em toda a Ásia, o mau tempo já causou a morte de pelo menos 502 pessoas na Indonésia, 355 no Sri Lanka, 176 na Tailândia e duas na Malásia, segundo autoridades, elevando o total para 1.035.

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Equipes de resgate indonésias estão com dificuldades para chegar às áreas mais atingidas de Sumatra, onde um ciclone causou deslizamentos de terra e inundações catastróficas.

O presidente Prabowo Subianto visitou as pessoas retiradas no norte da ilha nesta segunda-feira (1º), destacando os desafios com o abastecimento de combustível e as estradas, segundo a Antara, agência de notícias estatal da Indonésia.

Pelo menos 502 pessoas morreram, segundo dados do governo divulgados no domingo (30), e mais de 500 continuam desaparecidas.

Militares e policiais foram mobilizados para ajudar as vítimas, informou a mídia.

Imagens de vídeo mostram helicópteros entregando suprimentos em Sumatra, conhecida por suas exuberantes florestas tropicais, vulcões ativos e uma população de orangotangos criticamente ameaçada de extinção.

Durante a enchente, tudo desapareceu, disse à Reuters um morador de Bireuen, na província de Aceh, no extremo norte de Sumatra.

Eu queria salvar minhas roupas, mas minha casa desabou", acrescentou.

Maulidin, uma moradora de 41 anos do norte de Aceh, fugiu de casa com a família ao acordar com o barulho da enchente.

Minha casa já está destruída, todos os meus pertences foram arruinados e há lama por dentro, relatou ela à agência de notícias AFP.

Equipes de resgate tentam chegar aos moradores ilhados pelas enchentes desde terça-feira (25), quando as chuvas de monção causaram o transbordamento dos rios.

Algumas pessoas recorreram ao roubo de comida e água para sobreviver, segundo autoridades.

Os saques aconteceram antes da chegada da ajuda humanitária, falou o porta-voz da polícia, Ferry Walintukan, segundo a agência de notícias AP.

Os moradores não sabiam que a ajuda chegaria e estavam com medo de morrer de fome", acrescentou.

Enchente em Padang, na Indonésia — 28/11/2025 • Stringer/Reuters
Enchente em Padang, na Indonésia — 28/11/2025 • Stringer/Reuters

Caos na Tailândia

Pelo menos 176 pessoas morreram devido às condições climáticas extremas no sul da Tailândia, informou a agência de desastres do país à CNN.

Quase 2,8 milhões de pessoas foram afetadas, e as autoridades estão transportando pacientes por via aérea e enviando suprimentos essenciais, incluindo cilindros de oxigênio, para as comunidades submersas, informou a Reuters.

Amphorn Kaeophengkro e sua família de oito pessoas correram para o segundo andar de casa quando as águas da enchente invadiram no último sábado. Eles passaram 48 horas em cima de uma mesa, da máquina de lavar e do parapeito de uma janela.

"Não pensávamos em nada além de sobreviver", falou a mulher de 44 anos à Reuters à luz de velas, enquanto sua família começava a limpar a casa após a água baixar.

"Às vezes, sentávamos na beira da janela e tínhamos que levantar as pernas para não as afundar demais", acrescentou.

A cidade de Hat Yai, no sul do país, foi a região mais atingida na Tailândia, registrando chuvas torrenciais que ocorrem apenas uma vez a cada 300 anos.

O nível da água foi elevado a mais de 2,4 metros na terça-feira (25) e uma maternidade foi isolada com 30 recém-nascidos, segundo funcionários e autoridades.

A cidade faz parte da região de Songkhla, na Tailândia, onde o governo declarou estado de emergência na terça-feira devido às graves inundações, informou um funcionário à emissora X.

Pelo menos dez turistas, da Austrália, do Reino Unido, da China, da Malásia, de Singapura e da África do Sul, foram resgatados na província de Songkhla na sexta-feira (28), informou o Ministério do Turismo à CNN.

A situação melhorou significativamente. Os níveis da água recuaram quase completamente, restando apenas algumas áreas alagadas, disse um porta-voz.

Pessoas sendo resgatadas de inundações na Tailândia • TPBS/VIA REUTERS
Pessoas sendo resgatadas de inundações na Tailândia • TPBS/VIA REUTERS

Prejuízos no Sri Lanka

Mais de 1,1 milhão de pessoas foram afetadas pelo ciclone Ditwah, que provocou deslizamentos de terra e inundações na sexta-feira (28), segundo a agência de notícias Reuters.

Pelo menos 355 pessoas morreram e outras 366 continuam desaparecidas, segundo o Centro de Gestão de Desastres do Sri Lanka.

Mais de 25 mil casas foram destruídas e 147 mil pessoas foram obrigadas a se abrigar em refúgios temporários administrados pelo governo, informou a AP.

Algumas famílias estão ilhadas há quatro dias, sem energia elétrica ou sinal de telefone para pedir ajuda, disse Moses Akash De Silva, diretor da Fundação Voz para os Sem Voz, à CNN nesta segunda-feira (1º).

A organização beneficente já forneceu 4 mil refeições para famílias que perderam suas casas perto de Colombo, na costa oeste da ilha.

De Silva e voluntários compraram ingredientes em barcos nas águas da enchente, preparando refeições com peixe, carne ou ovo com curry e arroz.

Quando as águas baixarem e as famílias retornarem para suas casas, a fundação fornecerá alimentos não perecíveis, como arroz e farinha, e itens domésticos como fogões a gás e colchões para apoiá-las em seus esforços de reconstrução, disse De Silva.

Há uma demanda enorme e muitas pessoas precisam recomeçar do zero, afirmou ele à CNNA última vez que tivemos enchentes severas foi em 2016 e esta é dez vezes pior.

Está ensolarado hoje, mas ainda há um grande risco de deslizamentos de terra", acrescentou.

Ruvinda Bernard, agente de viagens e voluntária da organização beneficente, acrescentou: Ontem, recebemos uma ligação de três famílias ainda presas em um telhado, sem como descer.

O clube de remo de Colombo disse que tinha um barco, então ligamos para a força-tarefa especial da polícia para providenciar um caminhão para transportá-lo até a água e resgatá-lo."

Enquanto isso, Mallika Kumari estava entre as mais de 78 mil pessoas transferidas para centros de acolhimento, a maioria instalada em escolas, depois que sua casa foi rapidamente inundada, segundo a Reuters.

Eu soube do alerta de inundação pela TV, mas nunca imaginamos que o rio transbordaria tão rápido. Saímos correndo de casa sem nada, falou Mallika aos repórteres.

Nem tomamos café da manhã. Dois dos meus filhos pegaram gripe. Preciso comprar remédios para eles. Trouxe alguns sacos de lixo para recolher as roupas deles, acrescentou.

Na correria, Mallika deixou seu gato para trás, que foi resgatado por um barco da marinha e levado para terra firme.

Selvi, uma moradora de 46 anos do bairro de Wennawatte, em Colombo, fugiu de casa com quatro sacolas de roupas e outros pertences.

Minha casa está completamente alagada. Não sei para onde ir, mas espero que haja algum abrigo seguro para onde eu possa levar minha família, disse ela à AFP.

Na Mesquita Dalugala Thakiya, voluntários preparavam marmitas de arroz com frango e curry de lentilha para as vítimas da enchente.

Estamos recebendo mais pedidos de comida porque as pessoas que trabalham em empregos diários não conseguem encontrar trabalho e estão com poucas economias, afirmou Risham Ahmed, organizadora de refeições, à Reuters.

Elas estão preocupadas com como reconstruir suas vidas", acrescentou.

Enchente após passagem de ciclone no Sri Lanka • REUTERS
Enchente após passagem de ciclone no Sri Lanka • REUTERS

Transtornos na Malásia

Na Malásia, pelo menos duas pessoas morreram após uma tempestade tropical atingir a costa pouco depois da meia-noite de sexta-feira (28), no horário local, informou a agência de notícias Reuters.

Cerca de 34 mil pessoas foram retiradas antes da tempestade, mas Gon Qasim e seu marido não tiveram a mesma sorte, ficando ilhados em um campo no norte do estado de Perlis no último fim de semana, quando a enchente bloqueou sua rota de fuga.

O casal de idosos foi resgatado por um de seus filhos e levado para um centro de retirada na capital do estado, Kangar, onde centenas de famílias se abrigavam em tendas fornecidas pela agência nacional de gestão de desastres, informou a Reuters.

Eu estava lá dentro e não conseguia sair. Quando saí, não havia outro lugar para ficar a não ser o campo, falou Gon, de 73 anos, aos repórteres, relembrando seu sofrimento em uma entrevista na quarta-feira (26).

A água estava como o oceano. Era assim que parecia."

Mudanças climáticas

O Sudeste Asiático, que inclui Indonésia, Tailândia e Malásia, é uma das áreas mais vulneráveis ​​às mudanças climáticas, alertaram cientistas.

Os extremos climáticos atuais na região podem ser resultado da interação de dois sistemas ativos: um tufão nas Filipinas, e a formação incomum de um ciclone, no Estreito de Malaca, disseram meteorologistas à Reuters.

Em outras partes do Sudeste Asiático, neste mês, enchentes mortais devastaram partes do Vietnã, onde inundações e deslizamentos de terra mataram dezenas de pessoas.

Também neste mês, as Filipinas sofreram com outros dois tufões mortais em uma semana, que mataram centenas de pessoas e forçaram a retirada de mais de 1,4 milhão.

Neste verão, a região também viu as temperaturas atingirem níveis sem precedentes, com pouco alívio do calor e da umidade implacáveis, falou o climatologista Maximiliano Herrera à CNN.  

Esse conteúdo foi publicado originalmente em

inglês  Ver original 

Tópicos


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PIX bate recorde e registra 297,4 milhões de operações em um dia

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Números foram divulgados nesta segunda (1) pelo Banco Central e são referentes à última sexta (28). O recorde anterior havia sido registrado no dia 5 de setembro.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 01 de Dezembro de 2.025 às 09h35m
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O Banco Central (BC) informou nesta segunda-feira (1º) que o PIX bateu recorde ao registrar 297,4 milhões de transações financeiras em um único dia — a última sexta-feira (28).

Segundo o BC, essas operações em PIX movimentaram R$ 166,2 bilhões esse valor também é recorde.

Nesta sexta, data do recorde, os brasileiros também foram às compras em função da Black Friday. Mesma ocasião em que terminou o prazo para os empregadores pagarem a primeira parcela do 13º salário.

🔎O recorde anterior havia sido registrado em 5 de setembro, quando foram registradas 290 milhões de transações."O resultado é mais uma demonstração da importância do PIX como infraestrutura digital pública, para o funcionamento da economia nacional", avaliou o Banco Central.

O PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil (BC), completou cinco anos em novembro.

Nesse período, a ferramenta — que reúne cerca de 890 milhões de chaves cadastradas e já faz parte da rotina de mais de 170 milhões de brasileiros — conseguiu aumentar o acesso ao sistema financeiro e estimular a concorrência entre instituições, alcançando a marca de R$ 85,5 trilhões em recursos movimentados entre 16 de novembro de 2020 até 30 de setembro de 2025 (veja mais abaixo).

Antes, a devolução só podia ser feita a partir da conta usada na fraude. No entanto, os golpistas costumam sacar ou transferir rapidamente o dinheiro para outras contas, perdendo a possibilidade de rastreio.

Pix se tornou referência internacional de sistema de pagamento digital — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo via BBC
Pix se tornou referência internacional de sistema de pagamento digital — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo via BBC

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Quarto privativo, cama e TV de 32": como é o avião que fará voo mais longo do mundo

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Companhia australiana Qantas encomendou 12 aviões desse modelo e disse que eles poderão fazer voos de até 22 horas sem fazer paradas.
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Por Redação g1

Postado em 01 de Dezembro de 2.025 às 05h00m
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Avião pode superar recorde de voo mais longo do mundo
Avião pode superar recorde de voo mais longo do mundo

O recorde de voo comercial mais longo do mundo poderá ser superado por um novo avião: o A350-1000ULR, da fabricante europeia Airbus.

A aeronave poderá cruzar o mundo em viagens de 22 horas sem precisar de escalas, informou a companhia aérea australiana Qantas.

A empresa encomendou 12 aviões desse modelo e divulgou novas imagens da primeira unidade, que deve ficar pronta em 2026. O voo comercial de estreia está previsto para o primeiro semestre de 2027.

Segundo a Qantas, pela primeira vez, será possível conectar a Austrália com Londres e Nova York em voos sem paradas. Na prática, passageiros economizarão até quatro horas nessas viagens.

O investimento faz parte do que a empresa chamou de Projeto Sunrise ("nascer do Sol"). Ele ganhou esse nome porque, devido à diferença do fuso horário entre a Austrália e o restante do mundo, os passageiros poderão ver o nascer do sol duas vez nos voos mais longos.

O modelo comprado pela Qantas é uma versão de alcance ultralongo do A350-1000. Uma das diferenças é um tanque adicional com capacidade para mais 20 mil litros de combustível.

Para oferecer mais conforto, a companhia levará no máximo 238 passageiros por voo, abaixo dos cerca de 300 lugares da versão padrão da aeronave.

Avião A350-1000ULR, fabricado pela Airbus, foi encomendado pela companhia aérea australiana Qantas — Foto: Divulgação/Qantas
Avião A350-1000ULR, fabricado pela Airbus, foi encomendado pela companhia aérea australiana Qantas — Foto: Divulgação/Qantas

O projeto da Qantas inclui uma zona de bem-estar com opções para passageiros alongarem as pernas, se alimentarem e se hidratarem. Além disso, todos terão acesso a Wi-Fi durante o voo.

O avião terá 6 assentos na primeira classe, 52 na classe executiva, 40 na classe econômica premium e 140 na classe econômica. Saiba mais sobre cada uma delas:

  • Primeira classe com quarto privativo com poltrona reclinável, cama, TV de 32", seis áreas para armazenar objetos, guarda-roupa e espaço para trabalhar e comer;
  • Classe executiva com poltrona larga que vira cama de 2 metros de comprimento, TV de 18", mesa de apoio, carregador sem fio, área de armazenamento e opção para fechar cabine;
  • Classe econômica premium com apoio para as pernas e para a cabeça, tela de 13,3" e porta-luvas pessoal;
  • Classe econômica com suporte para apoio para a cabeça, espaço extra para as pernas, tela de 13,3".
Primeira classe do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Primeira classe do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas

A empresa também disse ter trabalhado com especialistas em sono para reduzir os efeitos do jet lag ao adotar iluminação e horários de refeição mais adequados.

A companhia aérea já tinha anunciado o plano de comprar os novos aviões da Airbus em 2019, mas, por conta da pandemia, o negócio só foi oficializado em 2022.

No início de novembro de 2025, a empresa informou que a primeira aeronave estava na linha de montagem da Airbus em Toulouse, na França. Componentes como as seções frontal, central e traseira, bem como asas, cauda e trem de pouso já foram instalados.


Zona de bem-estar do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Zona de bem-estar do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas


Avião A350-1000ULR na fábrica da Airbus em Toulouse, na França — Foto: Divulgação/Qantas
Avião A350-1000ULR na fábrica da Airbus em Toulouse, na França — Foto: Divulgação/Qantas


Classe executiva do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Classe executiva do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas


Classe econômica premium do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Classe econômica premium do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas


Classe econômica do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas
Classe econômica do avião do projeto Sunrise — Foto: Divulgação/Qantas


Neo: conheça robô que pode lavar, dobrar e passar suas roupas
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Agentes de IA viram aposta das empresas, e quem domina a tecnologia pode ganhar até R$ 20
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domingo, 30 de novembro de 2025

Cientistas descobrem que duas espécies humanas antigas viveram lado a lado — e caminhavam de jeitos diferentes

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Novo estudo identifica que um pé enigmático achado na Etiópia pertence a outra espécie que coexistiu com Lucy há 3,4 milhões de anos. Diferenças no andar e na dieta revelam que nossos ancestrais ocupavam nichos distintos no mesmo ambiente.
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Por Redação g1

Postado em 30 de Novembro de 2.025 às 06h00m
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O que é o prêmio fóssil do dia?
O que é o prêmio fóssil do dia?

Uma nova análise de fósseis feita por pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona (ASU), nos Estados Unidos, mostra que duas espécies humanas antigas conviveram na mesma região da Etiópia há 3,4 milhões de anos — e que não caminhavam da mesma forma.

A descoberta, publicada na revista Nature, ajuda a recontar um capítulo crucial da evolução humana e reforça que o caminho até o homo sapiens sapiens foi muito menos linear do que se imaginava.

O estudo finalmente resolve um mistério que intrigava cientistas desde 2009: a quem pertencia um pé fossilizado achado em 29 fragmentos na região de Woranso-Mille.

Agora, com a ajuda de novos achados, os pesquisadores conseguiram associar o fóssil à espécie Australopithecus deyiremeda, diferente da famosa Lucy (Australopithecus afarensis).

Fragmentos do BRT-VP-2/135 antes da montagem. O espécime foi encontrado em 29 pedaços, dos quais 27 foram recuperados por peneiramento e seleção da terra peneirada. — Foto: Yohannes Haile-Selassie, Universidade Estadual do Arizona
Fragmentos do BRT-VP-2/135 antes da montagem. O espécime foi encontrado em 29 pedaços, dos quais 27 foram recuperados por peneiramento e seleção da terra peneirada. — Foto: Yohannes Haile-Selassie, Universidade Estadual do Arizona

O pé que não combinava com Lucy

Lucy, descoberta em 1974, ficou conhecida por ser totalmente bípede. Por isso, quando o chamado Pé de Burtele foi encontrado em 2009, algo chamou atenção.

Ele tinha um dedão opositor, como o polegar das mãos, útil para escalar árvores; mas o restante do pé indicava locomoção bípede em terra firme.

Era um mosaico incomum: parte trepador, parte caminhante terrestre.

O problema é que, sem uma mandíbula ou dentes associados ao pé, os cientistas não podiam confirmar de qual espécie ele vinha. A prudência é regra na paleoantropologia.

Ao longo da última década, novas escavações trouxeram o que faltava: dentes e a mandíbula de um indivíduo jovem, compatíveis com a anatomia do pé. A partir deles, foi possível confirmar que o dono do fóssil era mesmo o A. deyiremeda.

Montagem de fotos mostra o esqueleto de Lucy e um modelo tridimensional do Australopithecus afarensis — Foto: University of Texas at Austin via AP/AP Photo/Pat Sullivan
Montagem de fotos mostra o esqueleto de Lucy e um modelo tridimensional do Australopithecus afarensis — Foto: University of Texas at Austin via AP/AP Photo/Pat Sullivan

Duas espécies no mesmo lugar e ao mesmo tempo

Essa é a parte mais importante da descoberta: é o único sítio arqueológico conhecido onde duas espécies de hominídeos relacionadas aparecem claramente convivendo no mesmo período, na mesma paisagem.

Isso muda o entendimento sobre a Etiópia daquela época. O que se pensava ser um território dominado exclusivamente pelo A. afarensis — a linhagem de Lucy — agora revela um cenário mais diverso, com espécies vizinhas vivendo lado a lado.

E elas ocupavam nichos diferentes.

Jeitos diferentes de andar

A análise do pé mostra que o A. deyiremeda tinha:

  • dedão que ainda conseguia agarrar galhos (habilidade útil para forragear e buscar alimento em árvores);
  • andar bípede, mas com impulso vindo do segundo dedo, não do dedão — o oposto do que humanos modernos fazem.

Enquanto isso, Lucy tinha pés totalmente adaptados ao bipedalismo terrestre, com dedão alinhado aos outros.

Isso indica que o bipedalismo não surgiu de um jeito único. Havia experimentos evolutivos acontecendo simultaneamente, até que uma forma mais eficiente prevaleceu.

Montagem mostra o fóssil do 'Australopithecus afarensis'; à direita, as costas da ossada de 'Selam' — Foto: Divulgação/Dikika Research Project
Montagem mostra o fóssil do 'Australopithecus afarensis'; à direita, as costas da ossada de 'Selam' — Foto: Divulgação/Dikika Research Project

Dietas diferentes, vidas diferentes

Além dos pés, a equipe analisou isótopos de carbono em oito dos 25 dentes atribuídos ao A. deyiremeda. A técnica permite identificar que tipos de plantas eram consumidos.

Os dados revelaram:

  • Lucy tinha uma dieta variada, incluindo gramas e vegetação aberta (plantas C4).
  • A. deyiremeda comia majoritariamente plantas C3, típicas de áreas arborizadas.

Ou seja: as duas espécies não competiam diretamente pelos mesmos recursos, o que ajuda a explicar como conseguiram coexistir.

Uma mandíbula infantil mostra como cresciam

Entre os novos fósseis está também a mandíbula de um indivíduo jovem, com dentes de leite e permanentes em formação. A tomografia revelou padrões de crescimento semelhantes aos de outros australopitecos, mostrando que, apesar das diferenças de locomoção e dieta, o desenvolvimento infantil dessas espécies seguia um padrão parecido.

Os pesquisadores destacam que entender o comportamento, a dieta e o ambiente desses ancestrais ajuda a compreender como mudanças climáticas antigas moldaram a evolução — e como transformações ambientais atuais podem afetar a vida humana no futuro.

Se não entendermos o nosso passado, não conseguimos compreender plenamente o presente, afirma Yohannes Haile-Selassie, coordenador da pesquisa.

Cientistas acham fóssil de réptil extinto no Rio Grande do Sul
Cientistas acham fóssil de réptil extinto no Rio Grande do Sul

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