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domingo, 4 de maio de 2014

Mantega:‘Temos uma previsão de aumento de tributos’


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O ministro da Fazenda já admite a hipótese de elevar os impostos sobre bens de consumo para cumprir a meta de superávit fiscal deste ano, de 1,9% do PIB
Segundo Mantega, o reajuste de 10% do Bolsa Família, anunciado pela presidente Dilma, não comprometerá as contas públicas
Ele reconhece que o governo estuda medida que reduz salário e jornada de trabalho para evitar demissões


Guido Mantega: ‘Vamos cumprir essa meta, e serão feitos os ajustes necessários. Já posso dizer que a arrecadação de abril foi boa’
Foto: Marcos Alves / Agência O Globo
Guido Mantega: ‘Vamos cumprir essa meta, e serão feitos os ajustes necessários. Já posso dizer que a arrecadação de abril foi boa’ Marcos Alves / Agência O Globo
BRASÍLIA - O aumento de impostos sobre bens de consumo pode ser uma das armas do governo para realizar o esforço fiscal prometido para 2014. É o que disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista ao GLOBO. 

Ele garantiu que a realização da meta de superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) é um compromisso "irreversível" e será entregue com aumento na arrecadação ou corte nas despesas. 

Segundo Mantega, o gasto extra de R$ 1,3 bilhão com o reajuste de 10% no Bolsa Família este ano, que acaba de ser anunciado pela presidente Dilma Rousseff, não é expressivo e será absorvido sem prejuízo da meta fiscal.

Como o governo vai acomodar mais despesas com o aumento do Bolsa Família este ano num momento de restrições fiscais?
Nós temos, este ano, uma receita que cobre todas as despesas, sendo que as principais estão sob controle. Os gastos de pessoal vêm caindo em relação ao PIB e, na Previdência, o déficit está controlado. Mas algumas despesas, como essa do Bolsa Família, podem subir. 

Não é uma despesa expressiva, e estaremos compensando isso com aumentos de arrecadação ou redução de gastos, se for necessário. O compromisso com o cumprimento de um superávit primário de 1,9% do PIB é irreversível. Vamos cumprir essa meta, e serão feitos os ajustes necessários. 

Já posso dizer para você que estamos fechando a arrecadação de abril, que foi boa, e vamos fazer um primário muito bom em abril, de modo que estamos cumprindo a meta fiscal. O aumento do Bolsa Família será absorvido sem nenhum comprometimento da meta fiscal.

Quais receitas podem subir?
Temos uma previsão de aumento de alguns tributos. Foi o que aconteceu, por exemplo, na tabela de bebidas (que serve como base de cálculo para o IPI e o PIS/Cofins do setor de bebidas frias). A tributação é proporcional ao preço. Quando o setor aumenta os preços, se você não faz um reajuste da tabela, é como se o tributo tivesse caído. Não fizemos reajuste no ano passado, mas vamos fazer este ano. 

Isso nos trará uma receita adicional de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões em 2014. Mas nada impede que nós possamos fazer mais redução de despesas. Já fizemos um corte de R$ 44 bilhões no Orçamento e nada impede que, se for necessário, façamos algum corte adicional para que o fiscal seja cumprido na íntegra.

O setor de bebidas criticou muito o aumento da tributação, que subiu duas vezes em menos de um mês, e, agora, ameaça aumentar os preços durante a Copa do Mundo...
No ano passado, não fizemos reajuste da tabela de preços. Demos um benefício fiscal para o setor. Agora, mexemos no redutor (que também incide sobre a base de cálculo dos tributos) e na tabela. 

Este é o momento adequado porque as empresas vão aumentar o faturamento (com a Copa do Mundo) e podem perfeitamente diluir isso. Essa correção é insignificante. Em média, dá uns 2,5% sobre o preço final.

Quais outros impostos podem subir?
Haverá alteração no PIS/Cofins sobre importação. Isso nada mais é do que equalizar o tributo do bem importado ao do bem produzido no Brasil. O que também poderíamos fazer é (alterar a) tributação sobre bens de consumo.

O IPI dos carros, que foi reduzido no passado, por exemplo, está sendo recomposto. Não há uma decisão ainda, mas ele poderá subir agora em junho. É esse tipo de medida. Mas, na verdade, estamos trabalhando mais com a contenção de gastos e estamos contando com a recuperação da arrecadação por conta da melhoria do crescimento econômico.

Mas o que está sendo feito concretamente para reduzir as despesas?
O governo já fez um corte de R$ 44 bilhões na despesa. Reduzimos inclusive R$ 7 bilhões nos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Também reduzimos transferências para estados e municípios. Temos feito ajustes de despesas à medida que for necessário.

Como estão as medidas que o governo prometeu para conter despesas com abono salarial, seguro-desemprego e auxílio doença?
Estamos trabalhando para reduzir esses gastos. Hoje, há muita rotatividade no mercado de trabalho e isso não é bom para o governo porque acabamos gastando mais com seguro-desemprego. Estão em curso alguns ajustes, mas isso não é algo decretado pelo Ministério da Fazenda. 

Está sendo conversado com o Ministério do Trabalho e com as centrais sindicais. Há também o auxílio-doença, que subiu muito, e chegou a R$ 17 bilhões. Estamos estudando como fazer para reduzir essa despesa. O governo identificou aí algumas fraudes e está trabalhando para reduzir também. 

Ao todo, são R$ 44 bilhões de despesas com abono e seguro-desemprego e mais R$ 17 bilhões de auxílio-doença. É com esse universo que estamos trabalhando. Se conseguirmos reduzir esses gastos em 10%, 15% ou 20%, teremos uma economia importante de despesas.

Quando o governo encaminha para o Congresso proposta que flexibiliza as relações de trabalho?
Essa proposta vem sendo discutida há algum tempo. Está sendo aperfeiçoada, mas ainda não há uma decisão. Está sendo amadurecida. Eu mesmo já fiz discussões com a CUT e com segmentos técnicos e, a princípio, a ideia é que a empresa não demita o trabalhador. 

Ela faz uma redução da jornada trabalhada. Uma empresa que momentaneamente passa por uma dificuldade de vendas, tem que diminuir a produção. Então, ela coloca 20% de sua força de trabalho em casa. O trabalhador continua recebendo parte do salário, e o custo é dividido pelo seguro-desemprego, pela empresa e pelo trabalhador.

Quais são as medidas que o governo estuda para ajudar o setor automotivo, que ameaça demitir por causa de problemas nas vendas? As montadoras contavam com a manutenção do IPI reduzido...
Já existe um retorno gradual do IPI. Mas estamos olhando para as dificuldades do setor. Fizemos uma reunião com representantes do governo argentino para suprimir dificuldades na exportação de automóveis brasileiros para a Argentina. 

Do nosso lado, facilitar o crédito para a exportação e também para que haja algum aumento de crédito no mercado doméstico, onde houve uma redução drástica do crédito. Estamos trabalhando num fundo garantidor para melhorar a segurança dos bancos de modo que eles se sintam mais à vontade para liberar o crédito.

Quanto será colocado pelo governo nesse fundo garantidor?
Quem vai colocar não é o governo. Será uma solução de mercado.

Enquanto isso, as montadoras ameaçam demitir...
Não vejo a necessidade de demissões no setor automotivo. Isso não ocorreu nos últimos cinco anos e não vai ser agora que vai ocorrer.

O senhor acha que as montadoras fazem um jogo baixo ao dizer que vão demitir para tirar vantagem do governo?
Eu não acredito que qualquer setor faça jogo baixo. Os setores choram, querem condições melhores. No caso do setor automotivo, sabemos que as montadoras acumularam um pouco mais de estoque. Mas, em abril, as vendas aumentaram em relação a março.

A presidente Dilma Rousseff também anunciou uma correção de 4,5% na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física para 2015. No entanto, a defasagem da tabela é de mais de 60%.
Em primeiro lugar, essa correção não era obrigatória. Os governos anteriores não faziam nenhuma correção. Nós temos feito isso para manter o imposto mais baixo para os trabalhadores. 

Na tabela, temos que calcular uma inflação média para o ano que vem. Não sabemos de quanto ela será, mas nada melhor que o centro da meta (de 4,5%) para esse cálculo. Temos que supor que a inflação deverá ficar em torno do centro da meta.

Pesquisadores desvendam mistério em torno das pirâmides do Egito


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Estudo mostra que transporte de blocos era feito por deslizamento sobre a areia molhada
RIO - Cercadas de mistérios, as pirâmides do Egito intrigam há mais de 4,5 mil anos. E foi só na última semana que pesquisadores da Universidade de Amsterdã revelaram um de seus maiores segredos: a forma com que era feito o transporte dos blocos de pedra por centenas de quilômetros. A resposta é simples: deslizando-os pela areia molhada.

Quem faz essa afirmação é uma equipe da Universidade de Amsterdã. 

Segundo o grupo, tudo se resume ao atrito - ou à ausência dele. Os antigos egípcios transportavam sua carga rochosa pelas areias do deserto. Dezenas de escravos colocavam as pedras em grandes trenós - superfícies planas com bordas viradas para cima - , que as levavam até o local de construção.

Os pesquisadores avaliaram que, quando tentamos puxar um trenó com uma carga de 2,5 toneladas, ele tende a afundar na areia. Isso acontece especialmente porque o peso cria obstáculos formados por elevações de terra que precisam ser removidas regularmente. Esse efeito de atolamento, entretanto, não se repete quando a areia está molhada.

Com a presença da umidade, formam-se pontes capilares, microgotas de água que fazem os grãos se ligarem uns aos outros, o que dobra a rigidez do material. Tal efeito impede que a areia forme elevações na frente do trenó, reduzindo pela metade a força necessária para arrastá-lo.

- Eis o truque: molhar tudo o que está na frente do trenó. Com essa divisão de forças, uma pedra de 2,5 toneladas pode ser tranquilamente carregada por aproximadamente 70 pessoas - explica o cientista Daniel Bonn, um dos autores do estudo publicado na “Physical Review Letters”.

Nos laboratório da Universidade de Amsterdã, os físicos colocaram, em uma bandeja de areia, uma versão em miniatura do trenó egípcio. Eles calcularam tanto a força de tração necessária quanto a rigidez da areia após a utilização da água. Para determinar essa rigidez, foi usado um reômetro, equipamento que mostra a força a ser aplicada para deformar um certo volume de terra. O grupo constatou que a força de tração exigida diminui proporcionalmente com a rigidez da areia.

Bonn acredita que o trabalho oferece uma nova interpretação ao tradicional derramamento de água praticado pelos egípcios - prática amplamente retratada em hieroglifos e sempre associada a rituais de purificação:
- Nossa descoberta mostra que há uma base científica sólida nessa prática. 

Certamente, ela fazia parte das necessidades daquela civilização. O estudo sugere que outras tradições classificadas apenas como ritualísticas devem ser estudadas com mais profundidade, pois podem nos oferecer respostas importantes sobre aquele tempo.

O truque que cientistas demoraram centenas de anos para descobrir, aliás, teve uma pista importante encontrada dentro do túmulo de Djehutihotep, descoberto na era vitoriana, em meados do século XIX. Uma pintura descreve uma cena de escravos transportando uma estátua colossal do governante do Império Médio. No registro, há um homem na frente do trenó derramando líquido na areia.

Resta agora aos pesquisadores desvendar outro mistério tão intrigante quanto: como as pedras foram encaixadas perfeitamente umas sobre as outras? Espera-se que, desta vez, a resposta não demore tanto tempo para chegar.

sábado, 3 de maio de 2014

Deslizamento causou mais de 2 mil mortes no Afeganistão, diz governo


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Província de Badakhshan foi devastada pela catástrofe após fortes chuvas.
Cerca de 350 corpos foram encontrados pelas equipes de resgate afegãs.

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03/05/2014 06h30 - Atualizado em 03/05/2014 11h01
Postado às 15h35m
Da EFE
Moradores do vilarejo província de Badakhshan caminham com seus pertences neste sábado (3) (Foto: Stringer/Reuters)Moradores do vilarejo província de Badakhshan caminham com seus pertences neste sábado (3) (Foto: Stringer/Reuters)

O governador da província de Badakhshan, no Afeganistão, disse neste sábado (3) que o deslizamento de terra registrado no nordeste do país causou mais de 2 mil mortes. A causa para a catástrofe foi a chuva forte que atingiu a região.

"Criamos uma comissão para identificar as vítimas e prestar atendimento às suas famílias", detalhou o governador Shah Wali Adeeb, que também informou que as equipes de resgate "recuperaram mais de 300 corpos, mas ainda restam muitos sob quilos de lama e pedra", disse à EFE.

Um porta-voz do governador disse à Reuters que o número de mortos pode chegar a mais de 2.100 pessoas de 300 famílias. Segundo a Reuters, o governo expressou preocupação com a instabilidade da região, que corre o risco de sofrer novos deslizamentos, ameaçando os milhares de desabrigados e centenas de pessoas que trabalham nos resgates.

Moradores e algumas dezenas de policiais, equipados somente com ferramentas básicas de escavação, retomaram as buscas na manhã deste sábado, mas logo ficou claro que não havia esperança de encontrar sobreviventes enterrados em uma profundidade de quase 100 metros de lama.

Segundo a "CNN", o governo local decidiu chegou a dizer que iria declarar o local como uma "vala comum", por causa da impossibilidade de resgatar todos os corpos
Adeeb afirmou ainda que um dos problemas para identificar as vítimas do sexo feminino é que "na cultura afegã, as famílias não registram o nome das mulheres, por isso sabemos o sobrenome, mas não o nome de muitas".

O governador relatou também que dois helicópteros foram enviados de Cabul para colaborar nos trabalhos de resgate, que até agora não tiveram muito sucesso, devido aos equipamentos e máquinas que estão sendo empregados. "Algumas casas estão a 30 metros de profundidade", explicou.

Cerca de 700 famílias foram transferidas para um local seguro, por causa da instabilidade do terreno na área do acidente, e receberam barracas e cobertores para passar a noite.

O desastre causou ainda a morte de aproximadamente 1,5 mil cabeças de gado, que também ficaram soterradas por toneladas de barro e rocha.


O deslizamento aconteceu após dois dias de chuvas intensas na cidade de Ab-e-Barik, no distrito de Argo, onde pelo menos 300 casas, das mais de mil que foram atingidas pelo deslizamento, ficaram completamente soterradas.

As equipes de resgate recuperaram 350 corpos nesta sexta-feira e prosseguem com os trabalhos, sem muitas esperanças de encontrar sobreviventes.

Os desastres naturais são frequentes no extremo norte do país asiático, que faz fronteira com Tadjiquistão, Paquistão e China e que conta com meios precários para fazer frente às enchentes, avalanches de neve e terremotos que acontecem na região.
Moradores se reúnem no local do deslizamento de terra na província de Badakhshan neste sábado; o governo desistiu de encontrar sobreviventes  (Foto: Reuters/Stringer)Moradores se reúnem no local do deslizamento de terra na província de Badakhshan neste sábado; o governo desistiu de encontrar sobreviventes (Foto: Reuters/Stringer)

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