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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Anvisa libera estudo clínico e autoriza aplicação de polilaminina em cinco pacientes com lesão na medula

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Estudo de fase 1 vai avaliar a segurança da polilaminina, aplicada diretamente na área lesionada da medula espinhal em pacientes com trauma recente.
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Por Redação g1

Postado em 05 de Janeiro de 2.026 às 11h55m
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Nova pesquisa pode ajudar quem perdeu movimentos
Nova pesquisa pode ajudar quem perdeu movimentos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta segunda-feira (5) o início de um estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança do uso da polilaminina, proteína que se mostrou capaz de regenerar lesões na medula espinhal, e cinco pacientes vão receber a substância.

A substância vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e que ajuda os neurônios a se conectarem.

Luiz Fernando Mozer recebeu medicação experimental polilaminina após liberação judicial e realizou procedimento no Espírito Santo — Foto: Acervo pessoal
Luiz Fernando Mozer recebeu medicação experimental polilaminina após liberação judicial e realizou procedimento no Espírito Santo — Foto: Acervo pessoal

O que será feito?

Nesta fase do estudo, cinco pacientes, com idades entre 18 e 72 anos, que apresentem lesões agudas completas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10.

As lesões devem ter ocorrido há menos de 72 horas e os pacientes precisam ter indicação cirúrgica.

Os locais onde o estudo será realizado ainda serão definidos pela empresa patrocinadora e posteriormente informados à Anvisa. Isso acaba por definir quem recebe a substância.

Esta etapa avalia a segurança da substância, ou seja, se ela é segura para os pacientes. A avaliação de segurança busca identificar riscos potenciais aos quais os participantes possam estar expostos. Com base nessas informações, podem ser adotadas medidas para minimizar riscos ou, se necessário, reavaliar a viabilidade de continuidade do estudo.

Dependendo dos resultados da fase 1, o estudo poderá avançar para as fases 2 e 3, que têm como objetivo comprovar a eficácia do tratamento.

O que se sabe até agora?

A substância já foi aplicada em pequenos grupos de pacientes brasileiros em caráter experimental, dentro de protocolos acadêmicos.

Segundo os pesquisadores, alguns voluntários que haviam perdido completamente os movimentos abaixo da lesão recuperaram parte da mobilidade —algo considerado improvável sem intervenção. Houve relatos que variaram de pequenos movimentos a ganhos mais amplos, como controle de tronco e até passos com auxílio.

O número de pessoas testadas, porém, ainda era muito pequeno –foram oito voluntários– e os cientistas ressaltavam que os resultados precisam ser confirmados em estudos maiores e controlados.

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma forma reorganizada em laboratório da laminina, uma proteína naturalmente presente no organismo e fundamental para o desenvolvimento do sistema nervoso.

A laminina faz parte da chamada matriz extracelular –uma espécie de andaime biológico que dá suporte às células e orienta processos como crescimento, migração e conexão entre neurônios. Durante o desenvolvimento embrionário, ela ajuda os neurônios a formar circuitos funcionais; na vida adulta, porém, essa capacidade fica muito limitada, especialmente no sistema nervoso central.

O diferencial da polilaminina está no estado físico em que a proteína é aplicada ao tecido lesionado. No organismo, a laminina funciona de forma polimérica, organizada em estruturas tridimensionais que orientam o comportamento das células nervosas.

Fora do corpo, essa organização se desfaz e a proteína perde parte de sua atividade biológica. A polilaminina foi desenvolvida para restaurar essa conformação, permitindo que a laminina volte a atuar de maneira semelhante à observada nas fases iniciais do desenvolvimento do sistema nervoso.

Nos estudos experimentais, essa organização se mostrou crucial. Ao ser aplicada diretamente na medula espinhal lesionada, a polilaminina funciona como um substrato permissivo, capaz de estimular o crescimento de prolongamentos dos neurônios (axônios) por meio de um ambiente que normalmente é hostil à regeneração.

Após um trauma medular, forma-se uma cicatriz rica em moléculas inibitórias que bloqueiam esse crescimento. A polilaminina ajuda a reprogramar esse ambiente, favorecendo a reconexão neural.

Resultados observados em modelos animais e em estudos clínicos iniciais sugerem que essa abordagem pode permitir ganhos funcionais mesmo quando a recuperação espontânea seria improvável, como em lesões completas da medula.

Em um estudo longitudinal com cães com lesão medular crônica, por exemplo, a aplicação da polilaminina foi considerada segura e associada a melhora progressiva da marcha, sem efeitos adversos graves.

Os próprios pesquisadores ressaltam, no entanto, que a polilaminina não é uma cura isolada, mas parte de uma estratégia mais ampla de regeneração. A expectativa é que, combinada a outras abordagens —como fatores de crescimento ou técnicas cirúrgicas adequadas—, ela ajude a restaurar parte da comunicação entre neurônios danificados.

É justamente esse potencial que agora começa a ser testado de forma controlada em humanos, sob autorização da Anvisa.

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domingo, 4 de janeiro de 2026

De roupa inflável a banho químico: conheça protocolos de segurança no 1º laboratório do Brasil para estudar vírus mais letais do mundo

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Novo laboratório de biossegurança máxima está em construção em Campinas (SP); g1 foi conferir procedimentos exigidos para evitar contaminação na entrada e saída do local.
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Por Bárbara Camilotti, g1 Campinas e região

Postado em 04 de Janeiro de 2.026 às 06h00m
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Como Orion vai garantir segurança para estudar vírus e bactérias altamente perigosos
Como Orion vai garantir segurança para estudar vírus e bactérias altamente perigosos

O Orion, primeiro laboratório do Brasil com nível máximo de biossegurança, precisará seguir protocolos rigorosos, com trajes especiais e até tratamento do ar, para que pesquisadores analisem com segurança vírus e bactérias considerados os mais perigosos pelo alto potencial infeccioso e letal.

A unidade está em construção em Campinas, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), e a previsão é que fique pronto em 2027. O g1 visitou o centro de treinamento que simula, sem nenhum risco real, o procedimento para acessar o espaço, evitando contaminação.

🔎 O Orion recebe a inscrição de laboratório NB4, que significa o nível de biossegurança máximo exigido para laboratórios que trabalham com agentes perigosos, ou seja, com alto risco de infecções que podem ser fatais e com potencial elevado de transmissão por aerossóis.

A instalação terá vários pontos de controle de acesso em áreas estratégicas, como a entrada principal, a sala onde ficam os trajes de proteção e a sala de descarte de materiais.

Traje especial

Para entrar no NB4, o pesquisador precisará vestir um macacão pressurizado com capacete, botas e luvas acoplados. — Foto: Bárbara Camilotti/g1
Para entrar no NB4, o pesquisador precisará vestir um macacão pressurizado com capacete, botas e luvas acoplados. — Foto: Bárbara Camilotti/g1

Para entrar no NB4, o pesquisador precisará vestir um macacão pressurizado com capacete, botas e luvas acoplados. Esse traje isola completamente o profissional, evitando contato até com o ar do laboratório.

O macacão, que se assemelha ao usado por astronautas no espaço, precisa estar conectado a uma mangueira que fornece ar filtrado e respirável. Ele fica inflado o tempo todo, mantendo pressão positiva - ou seja, a própria ventilação impede a entrada de ar externo ao traje, dificultando a penetração de microorganismos.

Assim, se houver algum rompimento no material, o usuário não será exposto ao patógeno e poderá chegar com segurança ao banho químico.

Saída do laboratório

Ao sair, o pesquisador terá que passar por um banho químico obrigatório, ainda com o macacão, por cerca de sete minutos. Depois, o traje descontaminado será guardado para novo uso.

Em seguida, o profissional vai retirar os equipamentos de proteção e tomar um banho pessoal com água e produtos de higiene.

A roupa hospitalar usada por baixo do macacão será esterilizada em autoclave (com altas temperaturas) antes de seguir para lavagem comum.

Ilustração mostra as etapas que um pesquisador deve cumprir para entrar e sair de um ambiente de máxima biossegurança. — Foto: Reprodução CNPEM
Ilustração mostra as etapas que um pesquisador deve cumprir para entrar e sair de um ambiente de máxima biossegurança. — Foto: Reprodução CNPEM

Tratamento do ar

O ar do laboratório passará por dupla filtragem antes de ser liberado para o meio ambiente. Sensores vão monitorar a pressão do ar continuamente, e dispositivos de exaustão vão manter pressão negativa nas cabines e áreas adjacentes.

Um corredor de segurança com pressão negativa vai funcionar como mais uma barreira - nesse caso, a ventilação impede a saída do ar de dentro do laboratório.

Manipulação segura e descarte

As amostras dos agentes biológicos de alto risco serão manipuladas apenas em cabines de segurança, que filtram o ar para proteger o pesquisador e o ambiente.

Todo o material de descarte será esterilizado em autoclaves de porta dupla. Os efluentes vão passar por dois tratamentos: químico, dentro do laboratório, e térmico, no subsolo.

Treinamento para reduzir riscos

Antes da inauguração, um centro de treinamento vai preparar os pesquisadores para atuar com segurança. O treinamento começa de forma lúdica, com brinquedos e tintas, para que os cientistas se aprendam as usar os equipamentos de proteção individual sem que haja risco biológico.

Esse é o primeiro laboratório de biossegurança para treinamento da América Latina. Aqui, durante esse tempo de treinamento, a gente tem a oportunidade de desenvolver essas seguranças, essas compreensões, afirma Tatiane Ometto, gerente de biossegurança do CNPEM. 
Como será o Orion?

🧪 O complexo laboratorial de máxima contenção biológica representa um avanço para o Brasil, que permitirá pesquisas com patógenos capazes de causar doenças graves e com alto grau de transmissibilidade (das chamadas classes 3 e 4) - estrutura essa que não existe até hoje em toda a América Latina.

💉Possuir um laboratório de biossegurança máxima (NB4) oferece condições ao país de monitorar, isolar e pesquisar os agentes biológicos para desenvolver métodos de diagnóstico, vacinas e tratamentos.

🧫No caso do Brasil, mais do que armazenar e manipular essas amostras biológicas, o laboratório de biossegurança máxima terá acesso exclusivo a três linhas de luz (estações de pesquisa) do Sirius, o que não existe em nenhum outro lugar do mundo.

🌟 É por conta dessa conexão com o Sirius que vem o nome do projeto, Orion, em homenagem à constelação que possui três estrelas apontadas para a estrela que batizou o acelerador de partículas brasileiro.

👩‍🔬 O projeto prevê a capacitação de cientistas brasileiros para lidar com agentes infecciosos desses tipos. Essa formação já integra o custo do projeto, atualizado para R$ 1,5 bilhão.

🏗 O complexo laboratorial terá cerca de 29 mil metros quadrados, e sua construção está prevista para ficar pronta ao final de 2027. Após essa etapa, o Orion passará pelo chamado comissionamento técnico e científico, e também por certificações internacionais de segurança, para que possa entrar em operação regular.

Imagem área mostra área onde está sendo construido o Orion ao lado do Sirius, acelerador de partículas que fica no CNPEM, em Campinas (SP) — Foto: CNPEM/Divulgação
Imagem área mostra área onde está sendo construido o Orion ao lado do Sirius, acelerador de partículas que fica no CNPEM, em Campinas (SP) — Foto: CNPEM/Divulgação

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sábado, 3 de janeiro de 2026

'Fazer muita coisa ao mesmo tempo é uma grande falácia': neurocientista explica efeitos de ser 'multitarefa'

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Neurocirurgião e professor da USP, Fernando Gomes falou em entrevista ao podcast O Assunto como o modo "fazer tudo ao mesmo tempo" pode causar sérios danos ao cérebro e ao corpo humano.
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Por g1 — São Paulo

Postado em 03 de Janeiro de 2.026 às 05h15m
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"Fazer muita coisa ao mesmo tempo é uma grande falácia". A afirmação é do neurocientista Fernando Gomes, entrevistado de Natuza Nery no episódio do podcast O Assunto da sexta-feira (2).

Na conversa, Fernando explicou quais as consequências para o cérebro humano, e para o corpo, de se ter uma rotina "multitarefa"(OUÇA A ENTREVISTA COMPLETA NO PLAYER ACIMA)

Neurocientista e neurocirurgião, Fernando é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Ele diz que o cérebro humano tem a habilidade de fazer até nove itens "abertos ao mesmo tempo", mas explica: "quando você faz mais de uma coisa ao mesmo tempo, o produto final nem sempre é o melhor do que quando você faz uma tarefa por vez".

Ele exemplifica o que acontece quando uma pessoa "pula" de uma tarefa para outra, mudando rapidamente seu foco de atenção:

"Existe o um gasto metabólico muito grande. Você precisa de oxigênio, você precisa de glicose. E todo o fluxo sanguíneo cerebral terá que ser mudado conforme você permite que a sua atenção passe a funcionar não de uma forma concentrada e sustentada em uma só tarefa, mas em duas", diz.

Fernando resume as consequências desse processo: "Isso cansa. Leva o cérebro a um processo de exaustão."

Segundo ele, estimular o cérebro o tempo todo - navegando durante horas em redes sociais, por exemplo - afeta a memória a longo prazo e pode impactar também no aprendizado.

Na conversa, o professor cita também um estudo publicado pela Universidade Stanford em 2009.

"Esse estudo mostra que, apesar de conseguirmos realizar mais de uma coisa ao mesmo tempo, a pessoa que faz muitas coisas ao mesmo tempo tende a apresentar problemas relacionados com atenção seletiva e também com processo de memorização", lembra.

Fernando fala que fazer várias coisas ao mesmo tempo aumenta o "grau de alerta" do cérebro, impactando o funcionamento deste que é o principal órgão do nosso sistema nervoso.

Segundo ele, este processo leva ao acionamento do eixo hipotálamo e da hipófise adrenal, jogando mais adrenalina no organismo. "O que faz com que a pessoa fique com aquela percepção de maior atenção que a longo prazo se transforma numa liberação crônica e mais elevada do cortisol", diz. O cortisol é conhecido como "hormônio do estresse".

"A gente acha que fazer muita coisa ao mesmo tempo é um sinal de heroísmo. E, na verdade, a gente está subutilizando o nosso cérebro. E estamos nos ajoelhando a um elemento externo que nos cobra algo que só a gente mesmo pode falar: 'não!'". 
A importância do sono e de fazer "faxina mental"

Na conversa com Natuza, Fernando destaca também a importância do sono e de fazer uma "faxina mental".

"É preciso entender que há um pilar da saúde: o sono. O período do sono é um período mágico para o cérebro", diz.

O professor explica que, mesmo neste momento, o cérebro segue funcionando.

"Durante o período do sono, as experiências do dia anterior são organizadas no hipocampo e nos circuitos neurais. Durante o sono, o sistema glinfático, que basicamente faz a limpeza do tecido cerebral, entra em ação com mais vigor, levando neurotoxinas e produtos do metabolismo para fora da caixa craniana. Então, primeira coisa, entender que o sono é sagrado."

"É como se a gente pudesse descarregar toda a entrada que tivemos de dado e de informações", diz, sobre a importância de ter momentos de tédio e de "faxina mental", sem estímulos.

A epidemia do cérebro sobrecarregado
A epidemia do cérebro sobrecarregado

O que você precisa saber:

O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sarah Resende, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Carlos Catelan. Apresentação: Natuza Nery.

O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.

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    CZT: o incrível material que está gerando uma revolução tecnológica (e por que é tão difícil de obter)

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    Apenas poucas empresas conseguem produzir telureto de cádmio e zinco (CZT), um material com propriedades poderosas que pode transformar áreas como o diagnóstico médico por imagens
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    TOPO
    Por Chris Baraniuk

    Postado em 03 de Janeiro de 2.026 às 06h00m
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    Muito poucas organizações conseguem fornecer telureto de cádmio e zinco. — Foto: Kromek via BBC
    Muito poucas organizações conseguem fornecer telureto de cádmio e zinco. — Foto: Kromek via BBC

    Deitar-se de costas dentro de um grande scanner de tomografia, o mais quieto possível, com os braços acima da cabeça e durante 45 minutos, não é das coisas mais divertidas.

    Era isso que os pacientes do Royal Brompton Hospital, em Londres, precisavam fazer durante certos exames pulmonares. Mas, com a instalação de um novo equipamento no ano passado, o tempo diminuiu para apenas 15 minutos.

    Isso se deve, em parte, à tecnologia de processamento de imagens do aparelho, mas também a um material especial conhecido como CZT (sigla em inglês para telureto de cádmio e zinco), que permite à máquina produzir imagens tridimensionais muito detalhadas dos pulmões dos pacientes.

    "Com este scanner, obtêm-se imagens maravilhosas", afirma a médica Kshama Wechalekar, chefe de medicina nuclear e PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons) do hospital.

    "É uma verdadeira façanha de engenharia e física."

    O CZT da máquina foi fabricado pela empresa britânia Kromek, uma das poucas do mundo capazes de produzi-lo.

    Talvez você nunca tenha ouvido falar dele, mas — nas palavras de Wechalekar — ele está provocando uma "revolução" na imagiologia médica.

    Esse material incrível ainda tem muitos outros usos, como em telescópios de raios-x, detectores de radiação e scanners de segurança em aeroportos.

    E sua demanda só cresce.

    Kshama Wechaleka com o novo equipamento no Royal Brompton Hospital de Londres. — Foto: Guy's and St Thomas' NHS Foundation Trust via BBC
    Kshama Wechaleka com o novo equipamento no Royal Brompton Hospital de Londres. — Foto: Guy's and St Thomas' NHS Foundation Trust via BBC

    As pesquisas sobre os pulmões dos pacientes realizadas por Wechalekar e seus colegas envolvem a detecção de numerosos coágulos de sangue minúsculos em pessoas com covid prolongada, ou de um coágulo maior conhecido como embolia pulmonar, por exemplo.

    O scanner, que custa um milhão de libras esterlinas (cerca de R$ 7,4 milhões), funciona detectando os raios gama emitidos por uma substância radioativa injetada no corpo dos pacientes.

    Mas a sensibilidade do scanner também significa que é necessária uma quantidade menor dessa substância do que antes.

    "Podemos reduzir as doses em cerca de 30%", afirma a médica.

    Embora os scanners baseados em CZT não sejam novos, equipamentos de corpo inteiro e de grande porte como este são uma inovação relativamente recente.

    O CZT existe há décadas, mas sua fabricação é notoriamente difícil.

    "Levou muito tempo desenvolvê-lo para que se tornasse um processo de produção em escala industrial", afirma Arnab Basu, diretor-executivo e fundador da Kromek.

    Nas instalações da empresa em Sedgefield, na Inglaterra, há 170 pequenos fornos em uma sala que Basu descreve como "semelhante a uma fazenda de servidores".

    Nesses fornos, um pó especial é aquecido, fundido e depois solidificado, formando uma estrutura monocristalina.

    Todo o processo leva semanas.

    "Átomo por átomo, os cristais se reorganizam […] até ficarem completamente alinhados", explica Basu.

    O CZT recém-formado, um semicondutor, pode detectar partículas minúsculas de fótons em raios-x e raios gama com precisão incrível, funcionando como uma versão altamente especializada do sensor de imagem baseado em silício sensível à luz que existe na câmera do seu smartphone.

    Cada vez que um fóton de alta energia incide no CZT, como o raio-x, ele mobiliza um elétron, e esse sinal elétrico pode ser usado para gerar uma imagem. A tecnologia de scanners anterior utilizava um processo em dois passos, que não era tão preciso.

    "É digital", detalha Basu.

    "É um único passo de conversão. Preserva toda a informação importante, como o tempo e a energia dos raios-x que atingem o detector de CZT; é possível criar imagens coloridas ou espectroscópicas (que permite diferenciar materiais, tecidos ou substâncias)."

    Ele acrescenta que scanners baseados em CZT já são usados atualmente para detecção de explosivos em aeroportos do Reino Unido e para escanear bagagens despachadas em alguns aeroportos dos EUA.

    "Esperamos que o CZT seja incorporado ao segmento de bagagem de mão nos próximos anos."

    O material escolhido

    Mas nem sempre é fácil conseguir CZT.

    Henric Krawczynski, pesquisador da Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA, já utilizou o material anteriormente em telescópios espaciais suspensos em balões de grande altitude.

    Esses detectores podem captar raios-x emitidos tanto por estrelas de nêutrons quanto pelo plasma ao redor de buracos negros.

    O professor Krawczynski precisa de peças muito finas de CZT, de 0,8 mm, para seus telescópios, pois isso ajuda a reduzir a quantidade de radiação de fundo captada, permitindo um sinal mais claro.

    "Gostaríamos de comprar 17 detectores novos", afirma. "É realmente difícil encontrá-los tão finos."

    A Kromek não pôde ajudá-lo porque, segundo Basu, a empresa enfrenta uma grande demanda atualmente.

    "Apoiamos inúmeras organizações de pesquisa", acrescenta. "É muito difícil fazer cem coisas diferentes. Cada projeto de pesquisa requer um tipo muito específico de estrutura de detector."

    Muitos outros cientistas também utilizam CZT.

    No Reino Unido, uma grande modernização do centro de pesquisa Diamond Light Source, em Oxfordshire, melhorará suas capacidades graças à instalação de detectores baseados em CZT.

    O Diamond Light Source é um sincrotron - que acelera elétrons ao redor de um anel gigante, a uma velocidade próxima à da luz.

    Os ímãs fazem com que esses elétrons, ao passarem, percam energia na forma de raios-x, direcionados em linhas de luz para, por exemplo, analisar materiais.

    Alguns experimentos recentes envolveram a análise de impurezas no alumínio durante sua fusão. Compreender melhor essas impurezas pode ajudar a melhorar as formas recicladas do metal.

    Com a atualização do Diamond Light Source, cuja conclusão está prevista para 2030, os raios-x produzidos serão significativamente mais brilhantes, o que significa que os sensores existentes não conseguirão detectá-los corretamente.

    "Não faz sentido gastar todo esse dinheiro em melhorar essas instalações se não for possível detectar a luz que elas produzem", diz Matt Veale, líder do grupo de desenvolvimento de detectores no Conselho de Instalações Científicas e Tecnológicas, uma das partes interessadas no Diamond Light Source.

    Por isso, mais uma vez, o CZT foi o material escolhido.

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