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sexta-feira, 14 de junho de 2024

Laboratório de R$ 1 bilhão dará 'autonomia tecnológica' para país combater futuras pandemias, diz ministra

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Batizado de Orion, laboratório de biossegurança máxima (NB4) será único no mundo, uma vez que será integrado ao Sirius, acelerador de partículas no CNPEM, em Campinas (SP).
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Por Fernando Evans, g1 Campinas e Região

Postado em 14 de junho de 2024 às 14h55m

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Ministra de Ciência e Tecnologia visita CNPEM em Campinas

A ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, afirmou nesta sexta-feira (14) que o Orion, laboratório de biossegurança máxima (NB4) de R$ 1 bilhão que está sendo construído no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), dará mais autonomia tecnológica para que o país combata futuras pandemias.

"Isso vai dar uma resposta ao próprio complexo industrial de saúde e salvar vidas, na medida em que a gente vai ter a capacidade de ter mais autonomia tecnológica e ajudar a prevenir os impactos que podem advir dessas mudanças que estão aí, demonstrando que elas podem acontecer e que a gente tem que garantir que a ciência responda".

Luciana Santos esteve no CNPEM, no início da tarde desta sexta, para visitar as obras do Orion. A ministra falou brevemente com jornalistas e participou de um tour pelo complexo.

Depois do almoço, Luciana Santos participou da posse de Juliana Daguano na diretoria do Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer. Juliana é a primeira diretora da história do CTI.

No CTI, a ministra visitou as obras do novo parque tecnológico, previsto para ser inaugurado em setembro de 2024, e o Laboratório de Qualificação de Produtos Eletrônicos, onde ocorre o aprimoramento do hardware de equipamentos diversos, entre eles, a urna eletrônica.

A minsitra também visitou outras instalações do CTI, e teve contato com tecnologias em desenvolvimento nas áreas de impressão 3D e robótica, entre outros.

"O CTI Renato Archer é uma das nossas vinculadas mais tecnológicas. Daqui saem métodos e processos que têm possibilidade de atender demandas variadas no cenário socioeconômico, em temas como indústria 4.0, saúde avançada, tecnologias habilitadoras, está completamente alinhado àquilo que estamos pautando como prioridade", destacou a ministra.

Segundo Juliana Daguano, o avanço em Tecnologia da Informação (TI) norteia o CTI, que atualmente tem duas grandes áreas estratégicas em desenvolvimento.

"Uma de semicondutores e processos para desenvolvimento de semicondutores, e outra para aplicação de TI, como robótica e inteligência artificial", explica.

A ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, visita laboratórios do CTI Renato Archer, em Campinas (SP), na companhia da diretora Juliana Daguano — Foto: Fernando Evans/g1
A ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, visita laboratórios do CTI Renato Archer, em Campinas (SP), na companhia da diretora Juliana Daguano — Foto: Fernando Evans/g1

Como será o Orion?

A estrutura permitirá o enfrentamento de futuras pandemias, com estudos de patógenos capazes de causar doenças graves, e terá uma característica única no mundo: é a primeira vez que um NB4 estará conectado a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius. Conheça, abaixo, detalhes do projeto.

🧪 O complexo laboratorial de máxima contenção biológica representa um avanço para o Brasil, que permitirá pesquisas com patógenos capazes de causar doenças graves e com alto grau de transmissibilidade (das chamadas classes 3 e 4) - estrutura essa que não existe até hoje em toda a América Latina.

💉Possuir um laboratório de biossegurança máxima (NB4) oferece condições ao país de monitorar, isolar e pesquisar os agentes biológicos para desenvolver métodos de diagnóstico, vacinas e tratamentos.

🧫No caso do Brasil, mais do que armazenar e manipular essas amostras biológicas, o laboratório de biossegurança máxima terá acesso exclusivo a três linhas de luz (estações de pesquisa) do Sirius, o que não existe em nenhum outro lugar do mundo.

🌟 É por conta dessa conexão com o Sirius que vem o nome do projeto, Orion, em homenagem à constelação que possui três estrelas apontadas para a estrela que batizou o acelerador de partículas brasileiro.

👩‍🔬 O projeto prevê a capacitação de cientistas brasileiros para lidar com agentes infecciosos desses tipos. Essa formação já integra o custo previsto de R$ 1 bilhão.

🏗 O complexo laboratorial terá cerca de 20 mil metros quadrados, e sua construção está prevista para ficar pronta até 2026. Após essa etapa, o Orion passará pelo chamado comissionamento técnico e científico, e também por certificações internacionais de segurança, para que possa entrar em operação regular.

O Orion será único no mundo, uma vez que o complexo laboratorial de máxima contenção biológica estará conectado ao Sirius, fonte de luz síncrotron de 4ª geração — Foto: CNPEM/Divulgação
O Orion será único no mundo, uma vez que o complexo laboratorial de máxima contenção biológica estará conectado ao Sirius, fonte de luz síncrotron de 4ª geração — Foto: CNPEM/Divulgação

Vírus circulantes na mira

De acordo com o CNPEM, existem cerca de 60 laboratórios de máxima contenção no mundo, com estrutura e certificados para manipular amostras biológicas classificados como "classe 4" - nenhum deles na América do Sul, Central ou Caribe.

🥼 E o que isso permite? Para se ter uma ideia, o primeiro e único vírus desta categoria já identificado no Brasil, o Sabiá (SABV), que causa a febre hemorrágica brasileira, doença diagnosticada em humanos pela primeira vez na década de 1990, tem amostras isoladas armazenadas no exterior.

Pesquisas mais aprofundadas sobre a doença não são realizadas hoje em solo brasileiro por falta de infraestrutura adequada. Segundo Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, a doença teve recentes notificações.

😷 Veja exemplos de outros vírus que poderão ser manipulados no Orion e que são circulantes na América Latina:

  • Junín: causador da febre hemorrágica argentina
  • Guanarito: causador da febre hemorrágica venezuelana
  • Machupo: causador da febre hemorrágica boliviana

No mundo, estruturas como essa são as responsáveis por análises e estudos de vírus como o Ebola, por exemplo, que são mais perigosos que o Sars-Cov-2, causador da Covid-19.

E a própria Covid-19 serve de alerta sobre a necessidade de monitoramento de agentes conhecidos, em constante mutação, e novas ameaças - crescimento populacional e desmatamento, por exemplo, são apontados como fatores de desequilíbrio em áreas que podem ser reservatórios naturais de doenças ainda desconhecidas.

A pandemia recolocou no centro do debate a importância do domínio nacional de uma base produtiva em saúde, bem como o papel do Estado na coordenação de agentes e investimentos no enfrentamento da crise sanitária. Nesse contexto, a implantação do laboratório de biossegurança nível 4 é estratégica para o país. E a conexão entre o NB4 e a fonte de luz síncrotron abrirá grandes oportunidades de pesquisa e desenvolvimento na área de patógenos, posicionando o Brasil como liderança global, afirmou a ministra Luciana Santos.

Por que o Orion será único no mundo?

De acordo com Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, além de instalações laboratoriais em NB3 e NB4 e das estações de pesquisa com técnicas de luz síncrotron, junto ao Sirius, o projeto deve ainda reunir laboratórios de pesquisa básica, técnicas analíticas e competências avançadas para imagens biológicas, como microscopias eletrônicas e criomicroscopia.

"Todas essas competências científicas reunidas em um único complexo é algo que o diferencia de toda infraestrutura disponível no Brasil e no mundo", destaca.

Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM — Foto: Fernando Evans/G1
Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM — Foto: Fernando Evans/G1

📝Um dos pontos-chave do projeto está na capacitação de pessoal, que contará com parcerias com instituições internacionais de referência e treinamentos no exterior. O programa prevê atividades práticas em ambiente-modelo (Laboratório Mockup), no próprio CNPEM.

Segundo Silva, as equipes enfrentrão condições simuladas, sem a manipulação de materiais infecciosos ou risco de contágio, sob supervisão de profissionais capacitados.

"Paralelamente às obras e aos desenvolvimentos tecnológicos do Projeto Orion, o CNPEM irá conduzir um programa nacional de treinamento e capacitação em infraestruturas de alta e máxima contenção biológica, voltado à formação de recursos humanos em competências ainda pouco desenvolvidas no Brasil e nos demais países da América Latina", detalha o diretor.

Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, reforça a ciência no enfrentamento do novo coronavírus — Foto: Nelson Kon
Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, reforça a ciência no enfrentamento do novo coronavírus — Foto: Nelson Kon

Sirius, fase 2

Considerado o principal projeto científico brasileiro, o Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de "raio X superpotente" que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas.

Ele foi projetado para abrigar até 38 linhas de luz (estações de pesquisa), sendo 14 delas previstas na primeira fase. Com o novo PAC, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai destinar mais R$ 800 milhões para avançar no projeto, com a construção de mais 10 novas linhas.

Junto as novas estações previstas, outras três serão construídas e conectadas ao complexo Orion (dentro do orçamento do laboratório). As linhas no Sirius são batizadas com nomes inspirados na fauna e flora brasileira, e essas serão a Hibisco, Timbó e Sibipiruna.

As três linhas, segundo o diretor do CNPEM, devem ser entregues justamente com toda a estrutura voltada para pesquisa básica, técnicas analíticas e competências de bioimagens previstas para o Orion.

"Essas estações de pesquisa permitirão extrair informações estruturais quantitativas a respeito dos sistemas infectados com patógenos de classe 3 e 4, desde o nível subcelular até o nível de organismo. Com isso, geraremos imagens 3D que permitirão, por exemplo, o estudo celular em escala nanométrica, passando pela dinâmica de inflamação nos tecidos e danos aos órgãos, até o acompanhamento do processo de infecção no organismo. Juntamente com as outras técnicas avançadas que serão integradas no Orion, teremos condições para que patógenos, células, tecidos e organismos sejam pesquisados de forma segura, o que tornará possível a compreensão dos fenômenos biológicos relacionados ao desenvolvimento das doenças e guiará o desenvolvimento de futuros métodos de diagnóstico, vacinas e tratamentos", detalha Silva.

Como funciona o Sirius? Para observar as estruturas, os cientistas aceleram os elétrons quase na velocidade da luz, fazendo com que percorram o túnel de 500 metros de comprimento 600 mil vezes por segundo. Depois, os elétrons são desviados para uma das estações de pesquisa, ou linhas de luz, para os experimentos.

🧲 Esse desvio é realizado com a ajuda de ímãs superpotentes, e eles são responsáveis por gerar a luz síncrotron. Apesar de extremamente brilhante, ela é invisível a olho nu. Segundo os cientistas, o feixe é 30 vezes mais fino que o diâmetro de um fio de cabelo.

CNPEM, que abriga o Sirius, fechou acordo de cooperação com China em maio deste ano, assista:

Brasil e China assinam acordo para cooperação científica

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quinta-feira, 13 de junho de 2024

Lula defende criação de IA para Sul Global “competir com os mais ricos”

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Presidente destacou que tecnologia transformará radicalmente modo de vida e que é necessário compartilhar benefícios 
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Tiago TortellaSalvador Stranoda CNN
13/06/2024 às 13:40 | Atualizado 13/06/2024 às 14:40
Postado em 13 de junho de 2024 às 14h55m

#.*Post. - N.\ 11.235*.#


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a criação de uma inteligência artificial para o Sul Global para que seja possível competir com os países mais ricos. A fala foi feita durante evento da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo o petista, será necessário que a OIT trabalhe junto à ONU e a países para quea gente construa um projeto de Inteligência Artificial que seja do Sul Global, para que a gente possa competir com os países mais ricos, que, ao criar a Inteligência Artificial, tentam manipular o restante da humanidade.

A inteligência artificial nada mais é do que a esperteza de algumas empresas que acumulam conhecimento de todos os seres humanos. E com a acumulação desses dados sem pagar um único centavo de dólar ao povo, eles conseguem fazer o que estão fazendo no mundo, disse.

É uma tarefa revolucionária a gente tentar mudar esse quadro, comentou Lula.

Assim, o presidente ressaltou que  a inteligência artificial transformará radicalmente o modo de vida, sendo necessário atuar para que os benefícios cheguem a todos e não apenas nos mesmos países que ficam sempre com a parte melhor.

A própria OIT classifica as ferramentas de IA e os avanços da robótica como forças que devem mudar profundamente o mercado de trabalho nos próximos anos.

Taxação de super-ricos

Em outro momento de sua fala, Lula defendeu a reforma do sistema financeiro global como uma ferramenta de diminuição da desigualdade no mundo.

A mão invisível do mercado só agrava a desigualdade. O crescimento da produtividade não tem sido acompanhado pelo crescimento dos salários, gerando insatisfação e muita polarização, destacou.

O Brasil está impulsionando a proposta de taxação dos super-ricos na pauta do G20. Nunca antes o mundo teve tantos bilionários. Estamos falando de 3 mil pessoas que detêm quase US$ 15 trilhões, pontuou Lula.

Veja outros destaques do discurso do presidente brasileiro nesta matéria.

Assista ao discurso completo de Lula:

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Dólar sobe e ultrapassa os R$ 5,40 após declarações de Lula; Ibovespa cai

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No dia anterior, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,07%, cotada a R$ 5,3605. Já o principal índice acionário da bolsa de valores brasileira encerrou com um avanço de 0,73%, aos 121.635 pontos.
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Por g1

Postado em 12 de junho de 2024 às 11h50m

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Dólar — Foto: Karolina Grabowska/Pexels
Dólar — Foto: Karolina Grabowska/Pexels

O dólar inverteu o sinal e opera em forte alta nesta quarta-feira (12), com investidores repercutindo falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento realizado hoje, no Rio de Janeiro.

Lula disse que não consegue discutir economia sem "colocar a questão social na ordem do dia" e que o "mercado (financeiro) não é uma entidade abstrata, apartada da política e da sociedade".

A declaração vem em um momento em que investidores estão cautelosos com a questão fiscal brasileira e o governo vem sendo pressionado a reduzir gastos.

Já o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, opera em forte queda.

Veja abaixo o resumo dos mercados.

Dólar

Às 11h35, o dólar subia 0,79%, cotado a R$ 5,4027. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,4286 Veja mais cotações.

Na terça-feira, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,07%, cotada a R$ 5,3605.

Com o resultado, acumulou altas de:

  • 0,68% na semana;
  • 2,12% no mês;
  • 10,47% no ano.

Ibovespa

No mesmo horário, o Ibovespa caía 1,07%, aos 120.337 pontos.

Na terça, o índice encerrou em alta de 0,73%, aos 121.635 pontos.

Com o resultado, acumulou:

  • alta de 0,72% na semana;
  • queda de 0,38% no mês;
  • perdas de 9,35% no ano.

Entenda o que faz o dólar subir ou descer

O que está mexendo com os mercados?

O mercado começou o dia com maios tranquilidade nesta quarta, depois que dados de inflação dos Estados Unidos mostraram que os preços na maior economia do mundo começam a arrefecer.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) não teve alteração em maio, enquanto o mercado esperava uma leve alta de 0,01%. No mês anterior, a inflação no país havia crescido 0,03%.

Com a inflação dando esses sinais de arrefecimento, crescem as expectativas dos investidores de que o Federal reserve (Fed, o banco central americano) não deve promover novas altas em suas taxas de juros e que, além disso, um ciclo de quedas pode começar nos próximos meses.

Hoje, inclusive, o Fed se reúne para definir as novas taxas de juros americanas, atualmente entre 5,25% e 5,50% ao ano. As projeções são de que a instituição mantenha essas taxas inalteradas.

Apesar da visão mais positiva com o futuro da inflação e dos juros nos Estados Unidos, o mercado nacional inverteu o sinal depois do presidente Lula discursar em um evento, defendendo que a economia não pode estar apartada do social.

"Todos os debates que se fazem se tratando de economia, a gente fala de um monte de coisa, mas me parece que os problemas sociais não existem. Eles existem. Estão nos nossos calcanhares, estão nas nossas portas, estão nas ruas", disse Lula.

O presidente deu a declaração em um momento no qual o governo é pressionado pelo mercado a reduzir gastos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que apresentará a Lula uma proposta de mudança no formato dos pisos (gastos mínimos) em saúde e educação.

Lula, cujo governo tem dificuldade para zerar o déficit das contas públicas, disse que trabalha para equilibrar contas sem comprometer investimento.

"Estamos arrumando a casa e colocando as contas públicas em ordem para assegurar o equilíbrio fiscal. O aumento da arrecadação e a queda da taxa de juros permitirão a redução do déficit sem comprometer a capacidade de investimento público", declarou.

Em abril, a arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 228,9 bilhões, segundo a Receita Federal, o maior valor para o mês em 30 anos. No primeiro quadrimestre (janeiro a abril), a arrecadação cresceu acima da inflação.

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terça-feira, 11 de junho de 2024

IPCA: preços sobem 0,46% em maio, com alta forte dos alimentos e já sentindo efeitos das chuvas no RS

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Batata foi o subitem que mais pesou na inflação. Impactos das chuvas no sul ainda devem ser sentidos nos próximos meses. O índice de preços já acumula alta de 2,27% no ano e de 3,93% em 12 meses.
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Por Bruna Miato, g1

Postado em 11 de junho de 2024 às 09h30m

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Batata inglesa — Foto: Divulgação
Batata inglesa — Foto: Divulgação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, mostrou que os preços subiram 0,46% em maio. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A alta nos preços foi puxada, sobretudo, por um avanço no grupo de Alimentação e bebidas, que subiu 0,62% na comparação com abril. Dentro do grupo, destaque para os tubérculos, raízes e legumes — principalmente a batata, que disparou 20,61% em um mês.

Segundo o IBGE, as maiores cheias da história que foram registradas no Rio Grande do Sul no mês passado já começam a mostrar seus impactos na economia brasileira, contribuindo para o avanço da inflação. O peso da capital Porto Alegre na inflação brasileira é de 8,61%, segundo André Almeida, gerente da pesquisa, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

"Em maio, com a safra das águas na reta final e um início mais devagar da safra das secas, a oferta da batata ficou reduzida. Além disso, parte da produção foi afetada pelas fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul, que é uma das principais regiões produtoras", diz o pesquisador.

Almeida também destaca que os impactos do desastre ambiental no estado podem ser sentidos nos próximos meses em diversas cadeias logísticas — como interrupções na cadeia produtiva, problemas logísticos, estragos no solo e perdas de equipamentos, por exemplo.

Em abril, os preços haviam subido 0,38%, o que mostra uma continuidade da aceleração da inflação brasileira. No ano, a inflação já acumula alta de 2,27%, enquanto em 12 meses, o indicador acumula avanço de 3,93%.

Essa é a primeira vez desde outubro do ano passado que a inflação acumulada em 12 meses acelera em relação ao que foi registrado no mês anterior.

Apesar da aceleração, a inflação continua dentro da meta do Banco Central do Brasil, que é de 3% para 2024, podendo variar entre 1,5% e 4,5%.

O resultado veio acima das expectativas do mercado financeiro, que esperava uma alta de 0,42% para a inflação em maio.

Veja a inflação de maio em cada grupo

  • Alimentação e bebidas: 0,62%
  • Habitação: 0,67%
  • Artigos de residência: -0,53%
  • Vestuário: 0,50%
  • Transportes: 0,44%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,69%
  • Despesas pessoais: 0,22%
  • Educação: 0,09%
  • Comunicação: 0,14%


Inflação sobe 0,46% em maio

Alimentos comuns no prato dos brasileiros ficaram mais caros

Além da batata, os preços de outros alimentos muito comuns no dia a dia das famílias brasileiras também ficaram mais caros em maio. Os destaques, segundo o IBGE, ficam com a cebola, que teve alta de 7,94%, o leite longa vida, com avanço de 5,36%, e o café moído, com 3,42%.

Almeida comenta que "o leite está em período de entressafra e houve queda nas importações. Essa combinação resultou em uma menor oferta. Em relação ao café, os preços das duas espécies têm subido no mercado internacional, o que explica o resultado de maio".

Outro produto com forte alta nos preços em maio foi o azeite de oliva. No acumulado em 12 meses até o mês passado, o preço do produto disparou 49,05%, consequência da seca que atinge a Europa.

Apesar da inflação registrada por alimentos populares, o preço da alimentação no domicílio teve uma desaceleração em relação ao mês anterior: alta de 0,66% em maio contra 0,81% em abril. Essa desaceleração foi puxada pela queda de 2,73% no preço das frutas.

Já a alimentação fora do domicílio registrou uma alta de 0,50%, ante uma variação positiva de 0,39% em abril. Tantos os preços dos lanches quanto das refeições tiveram altas nesse subgrupo, de 0,78% e 0,36%, respectivamente.

Inflação sobe mais em Porto Alegre do que em outros locais

Segundo o IBGE, a área de abrangência investigada pelo IPCA que teve a maior variação nos preços foi Porto Alegre, em meio ao maior desastre ambiental da história do Rio Grande do Sul.

A inflação na capital gaúcha foi de 0,87% em maio, com altas registradas em diversos itens, principalmente produtos básicos, como alimentos e combustíveis.

"A situação de calamidade acabou afetando a alta dos preços de alguns produtos e serviços. Em maio, as principais altas foram da batata-inglesa (23,94%), do gás de botijão (7,39%) e da gasolina (1,80%)", comenta Almeida, do IBGE. 

Veja a variação e o peso de cada capital no IPCA nacional:
  • Porto Alegre: alta de 0,87% e peso de 8,61%
  • São Luís: alta de 0,63% e peso de 1,62%
  • Belo Horizonte: alta de 0,63% e peso de 9,69%
  • Aracaju: alta de 0,60% e peso de 1,03%
  • Salvador: alta de 0,58% e peso de 5,99%
  • Fortaleza: alta de 0,55% e peso de 3,23%
  • Vitória: alta de 0,51% e peso de 1,86%
  • Curitiba: alta de 0,49% e peso de 8,09%
  • Rio de Janeiro: alta de 0,44% e peso de 9,43%
  • Recife: alta de 0,43% e peso de 3,92%
  • Campo Grande: alta de 0,42% e peso de 1,57%
  • São Paulo: alta de 0,37% e peso de 32,28%
  • Brasília: alta de 0,34% e peso de 4,06%
  • Rio Branco: alta de 0,19% e peso de 0,51%
  • Belém: alta de 0,13% e peso de 3,94%
  • Goiânia: queda de 0,06% e peso de 4,17%
Habitação, cuidados pessoais e transportes também impactam inflação

O grupo de Habitação teve uma alta de 0,67% nos preços em maio, o segundo maior impacto para a inflação no mês, de acordo com o IBGE.

Esse avanço foi puxado, principalmente, pelo aumento médio de 0,94% na energia elétrica residencial pelo país. A taxa de água e esgoto e o gás encanado também subiram, com altas de 1,62% e 0,30%, respectivamente.

Já o grupo de Saúde e cuidados pessoais, embora não tenha o maior peso sobre o índice geral, teve a maior variação percentual no último mês, com alta de 0,69%, puxada pelo avanço de 0,77% nos preços dos planos de saúde.

Além disso, os itens de higiene pessoal também ficaram mais caros, com alta de 1,04%, puxados por perfumes (2,59%) e produtos para pele (2,26%). "Maio é marcado pelo Dia das Mães, que colaborou para o aumento de preços dos perfumes, artigos de maquiagem e produtos para pele", diz André Almeida.

No grupo de Transportes, que subiu 0,44%, os principais itens também avançaram. O aumento principal esteve com as passagens aéreas, que subiram 5,91% em maio, na primeira alta do ano. Os preços dos combustíveis ficaram 0,45% mais caros, com alta de 0,53% no etanol, 0,51% no óleo diesel e 0,45% na gasolina.

INPC tem alta de 0,46% em maio

Por fim, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) — que é usado como referência para reajustes do salário mínimo, pois calcula a inflação para famílias com renda mais baixa — teve alta de 0,46% em abril. Em abril, a alta foi de 0,37%.

Assim, o INPC acumula alta de 2,42% no ano e de 3,34% nos últimos 12 meses. Em maio de 2023, a taxa foi de 0,36%.Banco Central do Brasil

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