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sábado, 21 de outubro de 2023

5 principais riscos de um ataque terrestre de Israel a Gaza

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Apesar de contar com um dos exércitos mais ricos e poderosos do mundo, Israel sabe dos riscos envolvidos na ofensiva terrestre.
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TOPO
Por BBC

Postado em 21 de outubro de 2023 às 10h00m

#.*Post. - N.\ 10.985*.#

Veículos militares e soldados israelenses perto da fronteira com Gaza — Foto: HANNIBAL HANSCHKE/EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK
Veículos militares e soldados israelenses perto da fronteira com Gaza — Foto: HANNIBAL HANSCHKE/EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK

O período mais duro da guerra entre Israel e o Hamas em Gaza ainda pode estar por vir.

Diante de centenas de milhares de militares israelenses, que há dias vestem uniformes de guerra e carregam armamento pesado na fronteira de Israel com Gaza, o ministro da Defesa Yoav Gallant fez nesta quinta-feira (19) a sugestão mais clara até agora sobre um possível ataque israelense por terra.

"Vocês veem Gaza agora à distância. Em breve a verão de dentro. O comando virá", disse ele aos soldados. Pouco depois, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu postou um vídeo dele próprio cercado por militares na fronteira e prometendo vitória.

Apesar de contar com um dos exércitos mais ricos e poderosos do mundo, tanto Netanyahu, quanto o ministro Gallant, quando as centenas de milhares de tropas estacionadas na fronteira sabem dos riscos envolvidos na empreitada.

Como matar "todos os membros do Hamas", como prometeu Nethanyahu, em um território que inclui um emaranhado de 500 km de túneis, segundo o grupo palestino, e cerca de 200 reféns nas mãos do inimigo?

E, mesmo que isso fosse possível, como garantir que novos integrantes não assumirão imediatamente o legado do grupo?

Além disso - qual pode ser a resposta de países vizinhos árabes ao crescente número de vítimas, mais de 4.000, em meio à retaliação israelense ao bárbaro ataque de 7 de outubro do Hamas, que resultou em 1.400 israelenses mortos, comunidades destruídas e mais de uma centena pessoas sequestradas, incluindo dezenas de menores de idade e idosos, segundo Israel?

Ainda: como reagirão aliados, como EUA e Europa, enquanto Gaza se transforma em um "buraco do inferno perto do colapso", nas palavras da agência da ONU para refugiados palestinos?

Por fim, o que dirão os próprios israelenses, diante da crescente impopularidade de Netanyahu e a perspectiva de mais mortos em combates?

A promessa israelense de "eliminar o Hamas e destruir suas capacidades militares e políticas" é considerada gigantesca e difícil de cumprir - e isso ajuda a entender o impasse sobre entrar por terra em Gaza, apesar das tropas e posição de ataque.

Entenda, a seguir, os principais riscos.

1. As armadilhas escondidas em um labirinto subterrâneo

A faixa de Gaza tem só 41 km de comprimento e 10 km de largura. Mas esse terreno cresce quando se leva em conta lado obscuro do território.

É muito difícil avaliar o tamanho do “Metrô de Gaza”, como Israel chama a rede de túneis em constante construção na região e sob domínio do Hamas.

Após combates em 2021, forças militares israelenses disseram ter destruído mais de 100 km de túneis em ataques aéreos. O Hamas, no entanto, disse que os seus túneis se estendiam por 500 km e que apenas 5% haviam sido atingidos.

O maior metrô do Brasil, em São Paulo, tem pouco mais de 100km, para efeito de comparação.

Sistema de túneis do Hamas — Foto: BBC
Sistema de túneis do Hamas — Foto: BBC


Túneis de Gaza identificados por Israel em 2014 — Foto: BBC
Túneis de Gaza identificados por Israel em 2014 — Foto: BBC

"O risco da rede de túneis é que ela vai permitir que os defensores do Hamas se movam pelo campo de batalha enquanto estão escondidos e protegidos de ataques", explicou à BBC News Brasil David Betz, professor de Guerra no Mundo Moderno na universidade Kings College de Londres.

"Assim, eles podem ser capazes de atacar as forças israelenses de surpresa pelo flanco ou pela retaguarda e potencialmente desaparecer novamente."

O especialista explica que é difícil localizar as entradas e saídas dos túneis.

"Eles também são bastante difíceis de destruir. Os explosivos têm de ser colocados numa parte considerável do seu comprimento para causar um grande colapso. Um pequeno colapso pode ser contornado pelo Hamas e o túnel voltar a ser utilizado", diz.

Além disso, como lembra a correspondente internacional-chefe da BBC, Lyse Doucet, "não está claro até que ponto os israelenses têm conhecimento sobre que os aguarda na Faixa de Gaza".

"A destreza militar do Hamas – incluindo seu conhecimento surpreendentemente preciso da segurança israelense, que permitiu ao grupo ludibriar as formidáveis defesas do país – impressionou Israel. O Hamas provavelmente vai demonstrar o mesmo nível de sofisticação quando enfrentar a reação israelense, que certamente será feroz", ela diz.

À BBC, Daphné Richemond-Barak, especialista em guerra subterrânea da Universidade Reichman, em Israel, explica que os túneis dentro de Gaza têm centros de comando e controle, eletricidade, e permitem a permanência de longo prazo de integrantes do grupo.

"O Hamas poderia facilmente usar escudos humanos no contexto dos túneis e simplesmente colocar reféns israelenses, e outros dentro deles", diz.

2. Um 'futuro sombrio' para os reféns

Em manifestação em Tel Aviv, famílias de israelenses mantidos como reféns aparecem ao lado de mesa de jantar posta com cadeiras vazias que representam simbolicamente os sequestrados — Foto: REUTERS/JANIS LAIZANS
Em manifestação em Tel Aviv, famílias de israelenses mantidos como reféns aparecem ao lado de mesa de jantar posta com cadeiras vazias que representam simbolicamente os sequestrados — Foto: REUTERS/JANIS LAIZANS

A segurança de mais de uma centena de reféns raptados pelo Hamas no ataque de 7 de outubro contra Israel está no coração das estratégias desenhadas pelas forças de segurança israelenses.

Nesta sexta-feira, o exército israelense divulgou novos detalhes sobre reféns em Gaza.

Duas reféns americanas que haviam sido sequestradas pelo Hamas foram liberadas, após um acordo mediado pelo governo do Catar.

Dos atualmente detidos na Faixa de Gaza, segundo Israel, mais de 20 deles têm menos de 18 anos - a mais jovem é um bebê de 9 meses.

Entre 10 a 20 pessoas têm mais de 60 anos, continua o comunicado, que aponta que "a maioria dos reféns está viva".

Os israelenses também afirmam que cadáveres foram “levados como reféns” para a Faixa de Gaza após os ataques do Hamas.

Mas o paradeiro da maior parte deles é um mistério.

"Enquanto faltarem informações de inteligência, os riscos para os reféns e para os soldados israelenses existirão", diz à BBC News Brasil o analista político-militar Bilal Y. Saab, do Programa de Oriente Médio e Norte de África do think-tank britânico Chatham House.

"As Forças de Defesa de Israel, que têm como alvo o Hamas, podem acabar matando reféns com as suas próprias armas", alerta o professor Betz à reportagem.

Ele cita combates em Mariupol, na Ucrânia, há um ano, quando forças ucranianas lutavam a partir de andares altos de edifícios de apartamentos, enquanto civis de origem russa ficavam encurralados nos andares inferiores.

"Isso tornou os esforços russos para atingir os ucranianos muito difíceis e dolorosos", diz Betz.

"Da mesma forma, se pressionado, o Hamas pode matar ou ameaçar matar reféns para tentar influenciar as decisões dos comandantes israelenses. (...) Não vejo como o destino dos reféns israelenses possa ser outra coisa que não muito sombrio."

3. O preço das mortes de civis palestinos - e de soldados israelenses

Destroços de igreja ortodoxa grega após um ataque aéreo noturno em Gaza nesta sexta-feira (20); pelo menos 18 pessoas foram mortas, de acordo com as autoridades palestinas — Foto: MOHAMMED SABER/EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK
Destroços de igreja ortodoxa grega após um ataque aéreo noturno em Gaza nesta sexta-feira (20); pelo menos 18 pessoas foram mortas, de acordo com as autoridades palestinas — Foto: MOHAMMED SABER/EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK

A ONU informou nesta sexta-feira que 16 de seus funcionários foram mortos em Gaza desde que a guerra começou.

Citando o Ministério da Saúde de Gaza, as Nações Unidas falam em pelo menos 853 crianças mortas pelos bombardeios de Israel e pedem paralisação imediata dos bombardeios - vindo de ambos os lados.

O total de feridos em Gaza segundo o documento é de 12.493, "incluindo 3.983 crianças e 3.300 mulheres". Mais de um milhão de pessoas foram forçadas a se deslocar de suas casas com guerra.

Protestos contrários à resposta de Israel tem sido registrados nas principais capitais da Europa e do mundo árabe. Protestos pró-Israel também tem sido registrados em várias localidades.

Em visitas recentes a Israel, líderes ocidentais ressaltaram apoio irrestrito ao direito de Israel de se defender contra seus inimigos "desde que a legislação internacional seja respeitada".

Com o crescimento de críticas ao impacto sobre civis da resposta israelense a agressão do Hamas, Israel tem "um problema mais político do que militar", na avaliação do analista Saab.

"Israel pode utilizar seu material bélico mais pesado, mas corre o risco de alienar os aliados ocidentais que pedem a Israel que respeite as regras da guerra", diz.

O correspondente de segurança da BBC, Frank Gardner, concorda.

"À medida que o número de mortos entre os civis palestinos aumenta como resultado dos implacáveis ataques aéreos israelenses, grande parte da comoção global por Israel após as ações sanguinárias do Hamas em 7 de outubro foi substituída por um clamor crescente para que os bombardeios cessem e que os cidadãos comuns de Gaza sejam protegidos", ele afirma.

E, caso as forças terrestres israelenses entrem por terra em Gaza, o número de mortos vai definitivamente aumentar.

"É provável que, mais uma vez, seja a população civil a sofrer o peso do conflito", diz o especialista da BBC.

Na avaliação do jornalista britânico Jonathan Freedland, Israel pode "estar caminhando para uma ‘emboscada’ do Hamas”.

"(Em uma invasão por terra), Israel sofrerá pesadas baixas e irá infligi-las – e ambos os resultados agradarão perfeitamente ao Hamas", disse ele em coluna no jornal The Guardian, apontando que um aumento do número de mortos palestinos "seria uma vantagem na guerra de propaganda", enquanto as mortes de soldados israelenses fortaleceriam o Hamas na palestina.

"Uma guerra longa e sangrenta é o que o Hamas e os seus apoiadores iranianos – desesperados para inviabilizar os recentes movimentos no sentido da ‘normalização’ das relações entre Israel e vários dos seus vizinhos, sobretudo a Arábia Saudita – anseiam", avalia Freedland no artigo.

Netanyahu, cujo governo vinha sendo alvo de grandes protestos nas ruas de Israel, vê sua oposição interna intensificada após as falhas de inteligência que não previram e conseguiram evitar os ataques do Hamas.

Ainda assim, Netanyahu conseguiu um apoio da oposição para formar um novo governo unificado a instalação de um gabinete de guerra, ante um consenso no qual a população parece não ver alternativas para além da "aniquilação do Hamas".

"A questão-chave para Israel será o clima interno, que, na minha opinião, neste momento se baseia numa percepção bastante fria de que não há muita escolha", diz o professor de guerra moderna do Kings College.

"Eles não podem se dar ao luxo de ser fracos, e a maioria das pessoas parece entender isso", diz.

4. Um segundo front contra inimigos bem mais poderosos

"Difícil acreditar que o Hezbollah vá ficar ali sentado vendo o seu parceiro palestino próximo ser potencialmente desarmado pelas forças de segurança de Israel", diz à BBC News Brasil o analista político-militar Bilal Y. Saab.

Diante da possibilidade de uma invasão contra Gaza por terra, o especialista, que trabalhou como conselheiro sênior do Departamento de Defesa dos EUA, diz que "a probabilidade de outra frente de guerra ser aberta é muito real".

Seu foco mais provável é a fronteira norte de Israel com o Líbano, onde bombardeios mútuos entre militantes do Hezbollah e militares israelenses já resultaram na evacuação de cidades inteiras nos últimos dias.

Fronteiras de Israel — Foto: BBC
Fronteiras de Israel — Foto: BBC

O Hezbollah é um partido político islâmico xiita e um grupo paramilitar que exerce grande poder na política libanesa. Assim como o Hamas, é apoiado pelo Irã.

A formalização desta nova frente de guerra significaria uma "escalada dramática" nos problemas enfrentados por Israel.

"O Hezbollah tem um arsenal de mísseis muito mais significativo que o do Hamas – muitas vezes maior em número, mas também em alcance, precisão e poder explosivo", explica David Betz.

"Aeródromos, bases, infraestruturas de transporte e comunicações, instalações portuárias e assim por diante de Israel poderiam ser alvo de ataques", continua o professor, lembrando que uma segunda frente no Líbano pode sobrecarregar as forças de defesa de Israel.

"Qualquer operação no terreno em Gaza exigirá muitas tropas, e um número ainda maior será necessário no norte", diz Betz à BBC News Brasil.

O Irã está no centro deste debate. O país vem emitindo duros avisos de que o ataque de Israel a Gaza não pode ficar sem resposta.

O país financia, treina, arma e controla várias milícias no Oriente Médio.

Nas palavras do correspondende de segurança da BBC, Frank Gardner, "de longe, a mais potente delas é o Hezbollah no Líbano".

Israel e Líbano travaram uma dura guerra em 2006. Enquanto o resultado foi inconclusivo, centenas de soldados foram mortos e modernos tanques de guerra de Israel foram destruídos por minas escondidas e emboscadas bem planejadas.

"A abertura de um novo front faria com que o conflito de 2006 pareça um passeio no parque", avalia Saab à BBC News Brasil.

O motivo é que, desde 2006, o Hezbollah se rearmou com ajuda iraniana.

Acredita-se que o grupo tenha hoje perto de 150 mil foguetes e mísseis, muitos dos quais são de longo alcance e guiados com precisão, o que torna seu poderio militar muito maior do que em 2006.

5. A entrada de novos países em uma guerra bem maior

Para Bilal Y. Saab, uma guerra contra o Hezbollah torna o "risco de uma escalada bastante elevado".

Em outras palavras, cresce a possibilidade de mais países se envolverem na guerra - algo que europeus e norte-americanos tentam, a todo custo, evitar.

Após uma rodada por diversos países árabes de seu secretário de Estado, Antony Blinken, o presidente americano Joe Biden fez nesta semana uma viagem-relâmpago à região que previa encontros com chefes de governo do Líbano, Jordânia, Egito e Autoridade Palestina - justamente para baixar os ânimos.

Biden só conseguiu, no entanto, visitar Israel.

Os encontros com líderes árabes, que aconteceriam na Jordânia, foram subitamente cancelados depois da explosão em um hospital de Gaza, cujas causas viraram foco de novas trocas de acusações entre israelenses e palestinos.

Dias depois, o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, também viajou para a região, onde esteve com líderes da Autoridade Palestina, da Arábia Saudita e do Egito, além de Israel.

Duas mensagens principais foram repetidas por Blinken, Biden, Sunak e outros líderes ocidentais: "Apoiamos Israel e não podemos deixar que a guerra saia das fronteiras de Gaza".

Mas o que gera tanta preocupação?

"Se o Irã também se envolver diretamente, em vez de simplesmente através do Hezbollah, seria então muito provável que outras potências sejam atraídas", explica o professor David Betz.

Isso incluiria os próprios EUA - que enviaram na semana passada dois porta-aviões, cerca de 2.000 fuzileiros navais e navios de apoio para o Oriente Médio.

Sinais desta escalada já começam a aparecer, para além do Hamas e do Hezbollah.

Na quinta-feira (19/10), um navio de guerra da Marinha dos EUA interceptou mísseis e drones lançados do Iêmen pelo movimento Houthi, alinhado ao Irã, segundo o Pentágono.

O governo americano disse que os mísseis foram lançados “potencialmente contra alvos em Israel”.

O Pentágono também disse que as tropas dos EUA no Iraque e na Síria foram atacadas várias vezes nos últimos dias.

Washington está em alerta para atividades de grupos apoiados pelo Irã, enquanto Israel continua a atacar alvos do Hamas em Gaza.

"A situação é extremamente confusa e repleta de potencial significativo de escalada", diz Betz à BBC News Brasil.

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sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Quanto custa o 'uísque mais caro do mundo' que vai a leilão no Reino Unido

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O barril foi destilado em 1926 e envelhecido em tonéis de xerez durante seis décadas antes de ser engarrafado em 1986. Apenas 40 garrafas foram produzidas.
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TOPO
Por BBC

Postado em 20 de outubro de 2023 às 15h45m

#.*Post. - N.\ 10.984*.#

O uísque Macallan Adami 1926 será leiloado na Sotheby's de Londres no dia 18 de novembro. — Foto: Tristan Fewings via BBC
O uísque Macallan Adami 1926 será leiloado na Sotheby's de Londres no dia 18 de novembro. — Foto: Tristan Fewings via BBC

Uma garrafa de uísque single malt da destilaria The Macallan será leiloada em novembro e tem um preço estimado em até 1,2 milhão de libras esterlinas, o equivalente a R$ 7,3 milhões, segundo informou a casa de leilões Sotheby's.

De acordo com especialistas, o Macallan 1926 era conhecido por ser o uísque escocês mais procurado. Isso foi confirmado quando uma garrafa semelhante foi vendida em 2019 pelo valor recorde de 1,5 milhão de libras (R$ 9,2 milhões).

Essa venda será a primeira de uma garrafa desse barril desde então.

O famoso barril foi destilado em 1926 e envelhecido em tonéis de xerez durante seis décadas antes de ser engarrafado em 1986.

Apenas 40 garrafas foram produzidas e não foram disponibilizadas para compra — em vez disso, algumas foram oferecidas aos principais clientes da The Macallan.

Os valores arrecadados nos leilões dessas garrafas ao longo dos anos foram extraordinários.

O Macallan Adami 1926 será vendido na Sotheby's, em Londres, no dia 18 de novembro, com uma estimativa de valor de 750 mil libras (R$ 4,6 milhões) a 1,2 milhão de libras (R$ 7,3 milhões).

Jonny Fowle, chefe global de bebidas exóticas da Sotheby's, disse: O Macallan 1926 é o uísque que todo leiloeiro deseja vender e que todo colecionador deseja possuir".

Estou entusiasmado por levar uma garrafa a um leilão da Sotheby’s pela primeira vez desde que estabelecemos o recorde desta série há quatro anos", disse.

Jonny Fowle, chefe global de bebidas exóticas da Sotheby's, disse: 'O Macallan 1926 é o uísque que todo leiloeiro deseja vender'. — Foto: Tristan Fewings via BBC
Jonny Fowle, chefe global de bebidas exóticas da Sotheby's, disse: 'O Macallan 1926 é o uísque que todo leiloeiro deseja vender'. — Foto: Tristan Fewings via BBC

A Sotheby's disse que as 40 garrafas do barril de 1926 foram rotuladas de maneiras diferentes. Um número máximo de 14 foram decoradas com os rótulos icônicos Fine e Rare (Fino e Raro), um dos quais foi a garrafa recorde vendida em 2019.

Duas garrafas foram lançadas sem nenhum rótulo. Destas, uma foi pintada à mão pelo artista irlandês Michael Dillon. Quando vendida em 2018, tornou-se a primeira garrafa de uísque a ultrapassar o valor de 1 milhão de libras (cerca de R$ 6 milhões).

Das garrafas restantes, 12 foram rotuladas pelo artista pop Peter Blake e outras 12 foram desenhadas pelo pintor italiano Valerio Adami.

Embora tenham sido produzidas 12 garrafas de The Macallan Adami 1926, não se sabe quantas delas ainda existem.

Diz-se que uma delas foi destruída em um terremoto no Japão em 2011, e acredita-se que pelo menos uma tenha sido aberta e consumida.

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quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Brasil não aceitou 'jogo' de Biden e vai insistir em negociações sobre conflito Israel-Hamas

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O texto proposto pelo Brasil recebeu 12 votos favoráveis
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Por Valdo Cruz
Comentarista de política e economia da GloboNews.

Postado em 19 de outubro de 2023 às 10h10m

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Ministro das Relações Exteriores lamenta veto americano à resolução apresentada pelo Brasil no Conselho de Segurança
Ministro das Relações Exteriores lamenta veto americano à resolução apresentada pelo Brasil no Conselho de Segurança

A equipe do Brasil à frente da presidência do Conselho de Segurança da ONU, sob orientação do presidente Lula, não aceitou entrar no "jogo" do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e insistiu na votação da resolução que determinava uma pausa humanitária entre Israel e Hamas.

O texto proposto pelo Brasil recebeu 12 voto favoráveis, mais do que o necessário para a aprovação, mas foi vetado pelos Estados Unidos. Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, Reino Unido, França e Rússia) têm poder de veto.

Biden não queria a votação da proposta enquanto estava em viagem a Israel. Sua estratégia era tentar fazer negociações diretamente com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e acertar um corredor humanitário, evitando medidas contra Israel e um cessar fogo.

O Brasil foi contra. Aceitou adiar a votação de terça (17) para quarta-feira (18), mas não mais do que isso. No final, o bloqueio dos EUA ao texto se tornou alvo de críticas praticamente unânimes no Conselho de Segurança.

Países como França e China não só criticaram os Estados Unidos, como fizeram questão de elogiar a condução das negociações pela equipe de diplomatas do Brasil. Os dois países destacaram que o texto acertado era o melhor e o possível neste momento.

Por sinal, depois da votação da resolução, a avaliação do Palácio do Planalto é que as negociações mostraram que o país ganhou um papel de destaque e de importância dentro da organização.

E tornou muito mais explícita a necessidade de se reformular o atual modelo do conselho da ONU, em que apenas um dos cinco membros permanentes tem o poder de vetar algo que os demais 14 integrantes possam autorizar.

O Brasil sabe que hoje não há muito espaço para fazer essa mudança. Mas pelo menos ganhou munição para futuras discussões. Em meio a um grave conflito, mudar as regras de funcionamento do Conselho de Segurança da ONU é praticamente impossível.

Sobre o veto dos Estados Unidos, diplomatas brasileiros reforçam críticas que estão sendo feitas ao governo norte-americano: no caso da guerra da Rússia na Ucrânia, Biden tem acusado Putin de cometer crimes de guerra, mas no caso de Israel e Hamas, ele não tem falado no excesso e na reação desproporcional israelense, punindo também civis palestinos na região da Faixa de Gaza.

Apesar do veto à resolução brasileira, o Brasil, como presidente do Conselho de Segurança da ONU, vai insistir em negociações que discutam um cessar-fogo entre Israel e Hamas e a criações de corredores humanitários.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, viajou para Nova York nesta quarta-feira e vai presidir, no próximo dia 24, um debate aberto de Alto Nível do Conselho de Segurança sobre a temática do Oriente Médio, com discussões sobre o conflito na Palestina.

Segundo a equipe de Mauro Vieira, o Brasil não vai dar-se como vencido e seguirá buscando construir acordos que aliviem a "dramática situação humanitária" e a solução de dois Estados, Israel e Palestina.

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quarta-feira, 18 de outubro de 2023

A nova rota da seda que a China quer construir vale o investimento trilionário?

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A China está promovendo uma enorme comemoração para marcar uma das suas maiores tentativas de se conectar com o mundo exterior: a nova rota da seda.
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Por Tessa Wong

Postado em 18 de outubro de 2023 às 13h00m

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A Iniciativa do Cinturão e Rota é a marca registrada do presidente chinês Xi Jinping — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A Iniciativa do Cinturão e Rota é a marca registrada do presidente chinês Xi Jinping — Foto: GETTY IMAGES via BBC

A China está promovendo uma enorme comemoração para marcar uma das suas maiores tentativas de se conectar com o mundo exterior: a Iniciativa do Cinturão e Rota, conhecida como a nova rota da seda.

Líderes e autoridades de todo o mundo estão na capital chinesa, Pequim, para participar de uma cúpula de alto nível que marca o 10º aniversário da iniciativa.

Entre eles, estão o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán. Também é esperado o representante do governo do Talebã no Afeganistão.

A imprensa chinesa está repleta de notícias sobre as conquistas da iniciativa, incluindo um documentário em seis episódios apresentado pela TV estatal.

Marca registrada do presidente chinês Xi Jinping, a nova rota da seda pretende aproximar a China do mundo exterior com investimentos e projetos de infraestrutura. Após uma injeção de dinheiro sem precedentes em cerca de 150 países, a China se vangloria de ter transformado o mundo – o que não deixa de ser verdade.

Mas a imensa aposta de Pequim não saiu exatamente conforme o esperado. Será que valeu a pena?

Sucesso econômico que só tem ganhadores?

Desde que foi anunciada a Iniciativa do Cinturão e Rota em 2013, em meio às comparações com a antiga Rota da Seda, ficou claro que as ambições chinesas eram muito amplas.

O "cinturão" é uma referência aos caminhos terrestres que conectam a China à Europa através da Ásia Central, além do sul da Ásia e do sudeste asiático. Já a "Rota" designa a rede marítima que liga a China aos principais portos do mundo através da Ásia, até a África e a Europa.

A iniciativa começou com fortes investimentos estatais em infraestrutura no exterior. A maior parte dos gastos (estimados em US$ 1 trilhão, ou cerca de R$ 5,06 trilhões) foi concentrada em projetos de transporte, como ferrovias e usinas energéticas.

O projeto de construção de uma ferrovia de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25,2 bilhões) no Quênia, financiada por empréstimos chineses, corre o risco de se tornar um imenso 'elefante branco' — Foto: YASUYOSHI CHIBA via BBC
O projeto de construção de uma ferrovia de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25,2 bilhões) no Quênia, financiada por empréstimos chineses, corre o risco de se tornar um imenso 'elefante branco' — Foto: YASUYOSHI CHIBA via BBC

A China anunciou que o projeto seria vantajoso para todas as partes envolvidas e que os investimentos estimulariam o desenvolvimento em outros países.

Domesticamente, Pequim vendeu a ideia da nova rota da seda como uma forma de ajudar as empresas chinesas, impulsionar a economia e melhorar a imagem do país no exterior.

Alguns dos objetivos, como a internacionalização da moeda da China – o yuan – e a ocupação da capacidade ociosa das companhias chinesas, tiveram sucesso limitado. Mas Pequim colheu imensos benefícios econômicos no setor comercial.

Uma série de acordos trouxe acesso a mais recursos, como petróleo, gás e minérios, especialmente com a expansão do foco da iniciativa para a África, América do Sul e Oriente Médio. Cerca de US$ 19,1 trilhões (R$ 96,5 trilhões) em mercadorias foram comercializadas entre a China e os países da nova rota da seda na última década.

"A questão é levar as empresas estatais chinesas para o exterior... facilitando o fluxo dos recursos de que a China precisa", afirma Jacob Gunter, analista sênior do Instituto Mercator para Estudos Chineses (Merics, na sigla em inglês), com sede na Alemanha.

"O objetivo também é expandir e desenvolver os mercados de exportação como alternativas para o mundo liberal desenvolvido", segundo ele. E esta diversificação passou a ser fundamental em uma época em que a China enfrenta o aumento das tensões com o Ocidente e seus aliados.

A soja é um exemplo. A China é o maior importador mundial do produto e dependia muito dos Estados Unidos para se abastecer.

Mas uma disputa tarifária com Washington levou Pequim a procurar fornecedores na América do Sul, especialmente no Brasil, considerado o maior beneficiário de fundos da nova rota da seda na região.

Gasodutos da Rússia e da Ásia central e importações de petróleo da Rússia, Iraque, Brasil e Omã reduziram a dependência chinesa do Japão, Coreia do Sul e dos Estados Unidos, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês).

A 'armadilha do endividamento

'Ao se tornar a primeira opção de muitos países de média e baixa renda para empréstimos pela nova rota da seda, a China agora é o maior credor internacional do mundo.

A verdadeira escala da dívida é desconhecida. Acredita que ela seja, pelo menos, da ordem de centenas de bilhões de dólares. Mas muitos dos empréstimos, de investidores públicos e privados, são mantidos em sigilo.

Do Sri Lanka e das Maldivas até o Laos e o Quênia, inúmeros países contraíram dívidas pela Iniciativa do Cinturão e Rota, o que colocou o governo chinês em maus lençóis.

A crise do mercado imobiliário e os livres empréstimos dos governos locais na China já criaram internamente a "bomba da dívida". Estima-se que essa dívida chegue à casa dos trilhões de dólares.

A lenta recuperação econômica pós-pandemia e os níveis recorde de desemprego entre os jovens agravaram a situação interna do país.

Pequim reestruturou os empréstimos pela nova rota da seda, ampliou os prazos e desembolsou cerca de US$ 240 bilhões (cerca de R$ 1,2 trilhão) para ajudar os tomadores de empréstimos a fazer seus pagamentos dentro do prazo. Mas o país se recusou a cancelar as dívidas.

"Politicamente, será um desafio interno para a China promover simultaneamente a redução das dívidas no exterior enquanto os problemas econômicos domésticos não forem totalmente resolvidos", afirma Christoph Nedopil, fundador e diretor do think tank (centro de pesquisa e debates) chinês Green Finance and Development Center (GFDC), que acompanha os gastos com a nova rota da seda.

Isso prejudicou a reputação chinesa. Críticos acusam Pequim de praticar a diplomacia da "armadilha do endividamento", induzindo os países mais pobres a contratar projetos caros, para que a China possa eventualmente assumir o controle de ativos oferecidos em garantia.

Os Estados Unidos acusaram os chineses desta prática no caso do controverso projeto do porto de Hambantota, no Sri Lanka.

Muitos analistas defendem que existem poucas evidências desta prática, mas ela elevou o temor de que Pequim esteja usando a nova rota da seda para enfraquecer a soberania de outros países.

A China também é criticada pelas chamadas "dívidas ocultas". Os governos não sabem até que ponto suas instituições de empréstimo estão expostas, o que dificulta o exame dos custos e benefícios da nova rota da seda.

Ao longo dos anos, os projetos da iniciativa chinesa também foram acusados de criar "elefantes brancos" geradores de desperdício, alimentar a corrupção local, agravar problemas ambientais, explorar trabalhadores e deixar de cumprir com as promessas de trazer empregos e prosperidade para as comunidades locais.

Um estudo recente do organismo de pesquisas Aid Data concluiu que mais de um terço dos projetos enfrenta esses problemas. E a crescente repercussão negativa levou alguns países a cancelar os acordos relativos à Iniciativa do Cinturão e Rota, como a Malásia e a Tanzânia.

"Falhas no gerenciamento de riscos e falta de atenção aos detalhes e coesão" dos credores e companhias chinesas são parte dos motivos, segundo o think tank norte-americano Council on Foreign Relations. Mas este e outros observadores indicaram que os países devedores também são responsáveis, seja porque assinaram acordos sem o planejamento adequado ou por administrarem mal suas finanças, como no caso do porto de Hambantota.

Observadores também afirmam que a China impõe menos condições sobre seus recursos, o que é menos oneroso que as ofertas dos financiadores globais ou do Ocidente.

"A China surge como uma 'loja completa': 'Aqui estão nossos bancos e empresas e fazemos tudo, do início ao fim. E, se você assinar hoje, iremos terminar aquela ferrovia a tempo para a sua próxima campanha eleitoral", segundo Gunter.

"É um enorme argumento de venda dizer que você pode fazer tudo em um a três anos, com muito pouca burocracia", prossegue ele. "Talvez haja algumas incorreções e sejam violados direitos trabalhistas, mas a sua ferrovia irá ficar pronta."

Nova rota da seda — Foto: BBC
Nova rota da seda — Foto: BBC

Vitória diplomática

O fato é que a China atingiu um dos seus principais objetivos: ampliar a sua influência.

Não é apenas com rodovias e ferrovias que a China cria conexões. Pequim projeta seu soft power e se posiciona como líder no Sul Global, pagando milhares de bolsas de estudo nas universidades chinesas, programas de intercâmbio cultural e Institutos Confúcio.

A própria expansão do bloco comercial Brics foi creditada à China.

O think tank americano Pew Research Center concluiu que, na última década, muitos países de renda média passaram a adotar posições cada vez mais favoráveis em relação à China, incluindo o México, Argentina, Coreia do Sul, Quênia e Nigéria.

Gunter destaca que, cada vez mais, os países do Sul Global deixam de tomar partido na rivalidade entre os Estados Unidos e a China.

"A China não reverteu a orientação para o Ocidente de muitos países, mas, de fato, moveu a agulha para o campo intermediário – o que já é uma enorme vitória diplomática para Pequim", segundo ele.

Os observadores também levantam preocupações sobre possíveis coerções econômicas. Elas podem fazer com que os governos estrangeiros se sintam pressionados a seguir a agenda de Pequim, para evitar que a China retire seus investimentos.

Um estudo da Aid Data sobre os empréstimos das entidades estatais chinesas para governos estrangeiros encontrou cláusulas contratuais que "potencialmente, permitem aos credores influenciar as políticas domésticas e externas dos devedores".

Nas Nações Unidas, a China "encurralou outros Estados em coalizões temporárias" para se opor a medidas importantes para Pequim. E a participação na nova rota da seda levou diversos membros da União Europeia a bloquear ou atenuar políticas importantes para a China, segundo indica o IISS.

O think tank também afirma que a Iniciativa do Cinturão e Rota passou a ser um dos "principais instrumentos" da China para o isolamento diplomático de Taiwan. Muitos países que alteraram seu reconhecimento de Taiwan para a China na última década recebem financiamento através da iniciativa, segundo a instituição.

No sudeste asiático, o Camboja vem se recusando insistentemente a condenar as ações chinesas no Mar do Sul da China. Já o Laos e a Tailândia têm sido criticados por deterem ou permitirem o sequestro de ativistas chineses procurados por Pequim.

O porto de Gwadar, no Paquistão, permite que a China evite o estreito de Malaca, na Malásia, para chegar até a África e o Oriente Médio — Foto: AFP via BBC
O porto de Gwadar, no Paquistão, permite que a China evite o estreito de Malaca, na Malásia, para chegar até a África e o Oriente Médio — Foto: AFP via BBC

'Pequeno e belo'

Atualmente, a China já reconhece que alguns pontos precisam de mudanças.

Pequim prega o mantra de "pequeno e belo" – ou seja, a nova rota da seda pode ganhar maior relevância com projetos de baixo investimento e alta lucratividade.

Os exemplos fornecidos pela imprensa estatal chinesa incluem programas de tecelagem de bambu e rattan na Libéria, projetos de biotecnologia de biogás em Tonga e Samoa e promoção da tecnologia de produção de cogumelos em Fiji, Papua-Nova Guiné e Ruanda.

A China também anunciou uma nova "rota da seda digital", voltada à infraestrutura digital e de telecomunicações. Analistas afirmam que este seria um fluxo mais sustentável de lucros para as empresas chinesas, reduzindo o impacto das proibições ocidentais aos equipamentos 5G da China.

Esta nova estratégia fez com que a China reduzisse seus financiamentos. O país impôs limites aos empréstimos externos pelos bancos chineses. Os acordos de investimento, agora, são cerca de 50% menores do que cinco anos atrás, segundo a análise do GFDC.

A China também deixou de ser o único credor da nova rota da seda e abriu uma plataforma para que outros países e bancos internacionais também possam emprestar dinheiro.

Mas Pequim tem planos ainda mais grandiosos para sua iniciativa. A nova rota da seda agora é promovida como a base da "nova comunidade global do futuro compartilhado".

Dois artigos publicados por Pequim em outubro afirmam que sua forma de globalização seria mais justa, mais inclusiva e menos sujeita a julgamentos do que a liderada pelas potências "hegemônicas" do Ocidente, que buscam atingir um "jogo de soma zero".

"A Iniciativa do Cinturão e Rota é uma estrada pública aberta para todos, não um caminho privado de propriedade de uma única parte", afirmam os artigos.

Longe de buscar dominação, como afirmam os críticos, a China defende que está "ajudando os demais a terem sucesso na busca pelo seu próprio sucesso".

A visão da China é que "agora, a globalização está em risco. O Ocidente, em nome da 'eliminação dos riscos', está, na verdade, 'eliminando o risco da China'", afirma o professor Wang Yiwei, que estuda a iniciativa na Universidade Renmin, na China.

Para ele, o principal desafio é "como a Iniciativa do Cinturão e Rota pode estabelecer conectividade mútua e evitar uma nova Guerra Fria".

O trilionário experimento de Pequim criou um instrumento poderoso para exercer influência. A questão é se o planeta quer ter uma ordem mundial liderada pelos chineses.

*Com colaboração da BBC Monitoring.

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