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sexta-feira, 27 de março de 2026

Opções de Trump no Irã correm riscos e têm poucas chances de sucesso

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Cenários elaborados por oficiais do Pentágono podem acarretar em muitas baixas, com pouca garantia de êxito
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Adam Cancryn, Zachary Cohen e Alayna Treene, da CNN
27/03/26 às 05:00 | Atualizado 27/03/26 às 05:00
Postado em 27 de Março de 2.026 às 05h30m
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O presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, nesta quinta-feira (26)  • Chip Somodevilla/Getty Images

O presidente Donald Trump está avaliando diversas opções para intensificar drasticamente a guerra contra o Irã, caso sua mais recente tentativa de diplomacia fracasse, mas nenhuma delas é ideal.

Embora a campanha militar tenha se concentrado fortemente em bombardear o país até o momento, oficiais do Pentágono, preparando-se para uma próxima fase da guerra, elaboraram cenários para o envio de tropas com o objetivo de tomar diversos alvos dentro do Irã, de acordo com mais de meia dúzia de pessoas familiarizadas com as discussões.

No entanto, esses cenários não só acarretariam o risco de muitas baixas, como também há pouca garantia de que eles encerrariam o conflito com sucesso.

O planejamento interno tem assumido crescente importância à medida que Trump traça a próxima etapa de sua campanha no Oriente Médio — e à medida que a pressão econômica e política aumenta sobre ele para encontrar uma maneira decisiva de encerrar a guerra.

Mesmo ordenando o envio de milhares de soldados adicionais para a região, Trump tem demonstrado hesitação em intensificar ainda mais o conflito, receoso de que um passo em falso agora transforme a guerra em um conflito cada vez mais violento e prolongado.

“Eles estão derrotados, não podem se recuperar”, disse Trump sobre o Irã durante uma reunião de gabinete nesta quinta-feira (26). “Agora eles têm a chance de fazer um acordo. Mas isso depende deles.”

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, nesta quinta-feira (26) • Chip Somodevilla/Getty Images
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, nesta quinta-feira (26) • Chip Somodevilla/Getty Images

Esforços diplomáticos continuam

Trump deixou claro nos últimos dias que deseja um fim rápido para a guerra, mesmo que ainda não saiba exatamente como garanti-lo. Depois de ameaçar, na semana passada, bombardear as usinas de energia do Irã, Trump recuou, dizendo ter recebido indicações de que autoridades iranianas agora estariam dispostas a negociar.

Na quinta-feira, ele estendeu ainda mais o prazo, declarando que adiaria até 6 de abril os ataques à infraestrutura energética iraniana, na esperança de avançar nas negociações.



Ainda assim, não está claro o quão frutíferos esses esforços serão. Uma proposta de paz de 15 pontos elaborada por funcionários do governo Trump foi prontamente rejeitada pelo Irã. As próprias exigências do regime — que incluíam o pagamento de indenizações e reparações de guerra — também foram consideradas inaceitáveis.

E embora Trump continue insistindo que as negociações estão "indo muito bem", ele alternadamente ameaça intensificar os ataques numa tentativa de forçar o Irã a capitular caso não coopere.

"É função do Pentágono fazer os preparativos necessários para dar ao Comandante-em-Chefe a máxima flexibilidade", disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em um comunicado.

"Isso não significa que o Presidente tenha tomado uma decisão e, como o Presidente disse recentemente no Salão Oval, ele não planeja enviar tropas terrestres para lugar nenhum neste momento", acrescentou Leavitt.

Os EUA e Israel já submeteram o Irã a semanas de bombardeios, matando diversos líderes importantes e eliminando grande parte da capacidade ofensiva do país.

Ainda assim, o regime iraniano apenas consolidou ainda mais seu controle sobre o país. O governo também reforçou seu controle sobre o Estreito de Ormuz, praticamente interrompendo o fluxo de petróleo do Golfo Pérsico e mergulhando os mercados globais de energia em uma crise que se agrava a cada dia.

Imagem de satélite do Estreito de Ormuz • Gallo Images via Getty Images
Imagem de satélite do Estreito de Ormuz • Gallo Images via Getty Images

Autoridades do governo têm buscado maneiras de eliminar esse ponto crucial de influência econômica, seja assumindo o controle do estreito ou dizimando a capacidade do Irã de continuar suas lucrativas exportações de petróleo.

"Eles não têm incentivo para aliviar a pressão sobre o estreito agora", disse Landon Derentz, ex-funcionário de segurança nacional e energia durante os governos Obama, Biden e o primeiro governo Trump.

"E não vejo nenhuma ferramenta política que tenha um impacto significativo em nossa capacidade de compensar a magnitude do déficit", afirmou Derentz.

Opções restantes provavelmente exigem tropas terrestres

Há poucas opções restantes para garantir o controle do estreito e promover os interesses dos EUA no Irã o suficiente para que Trump declare vitória de forma convincente. E as autoridades estão cada vez mais convencidas de que quase todas elas provavelmente exigiriam tropas, de acordo com várias pessoas familiarizadas com as discussões.

Autoridades do governo debateram ideias distintas para extrair o urânio enriquecido que permanece enterrado nas instalações nucleares do Irã, uma missão que alguns acreditam que poderia dar a Trump a vitória decisiva de que ele precisa para encerrar a guerra, disseram fontes familiarizadas com as discussões.

As autoridades também desenvolveram opções para capturar a Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, ou autorizar um ataque aéreo com o objetivo de destruir sua infraestrutura petrolífera.

Ilha de Kharg, no Irã • Cortesia Planet Labs PBC
Ilha de Kharg, no Irã • Cortesia Planet Labs PBC

Além disso, o governo examinou a possibilidade de tomar outras ilhas estrategicamente localizadas perto do estreito, o que poderia enfraquecer a capacidade do Irã de ameaçar os petroleiros que tentam atravessar a hidrovia.

Autoridades da Casa Branca acreditam que a tomada da Ilha de Kharg, em particular, "levaria à falência total" a Guarda Revolucionária do Irã, disse uma autoridade, potencialmente abrindo caminho para um fim definitivo da guerra.

E, caso os recentes esforços diplomáticos de Trump fracassem, alguns de seus assessores e oficiais de inteligência argumentaram em privado que tropas poderiam ser enviadas para o exterior.

No entanto, existe outra preocupação igualmente presente no círculo de Trump: qualquer escalada — especialmente se incluir tropas terrestres — poderia ser desastrosa. Nenhuma das opções disponíveis para Trump garante o fim do conflito, mesmo que executadas com sucesso do ponto de vista tático, afirmou uma fonte familiarizada com os planos.

Talvez ainda mais alarmante seja o fato de que isso introduziria novas incertezas que poderiam rapidamente sair do controle de Trump, arrastando-o ainda mais para uma guerra que ele está cada vez mais ansioso para encerrar rapidamente.

Uma escalada militar por parte dos EUA quase certamente levaria o Irã a retaliar na mesma moeda, potencialmente atacando alvos relacionados à energia na região. Os ataques com mísseis do regime contra a instalação de gás natural de Ras Laffan, no Catar, no início deste mês, já danificaram significativamente partes do importante complexo industrial, alimentando temores nos mercados de energia de uma guerra regional cada vez maior.

Vista da instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) na Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar • Stringer/picture alliance via Getty Images
Vista da instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) na Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar • Stringer/picture alliance via Getty Images

O Irã também poderia convocar os rebeldes Houthis, alinhados ao regime, para atacar petroleiros que foram desviados do Estreito de Ormuz para o Mar Vermelho, que tem servido como a única rota relativamente segura para os armadores transportarem pelo menos parte de sua carga pela região desde o início da guerra, disse um corretor sênior do setor de transporte marítimo de petróleo.

“O Mar Vermelho tem sido um problema há cerca de três anos. Mas já existem armadores suficientes que se sentem confortáveis ​​em navegar por lá”, disse o corretor.

“Se houvesse um problema grave no Mar Vermelho, isso poderia bloquear o fluxo de petróleo proveniente do Golfo Pérsico”, acrescentou.

Temores de escalada

Para alguns assessores e aliados de Trump, esses riscos econômicos são insignificantes em comparação com o perigo que os soldados americanos poderiam enfrentar em solo iraniano em praticamente qualquer cenário.

Os EUA têm limitado, até agora, as baixas em suas forças armadas, uma prioridade considerada crucial para manter o limitado apoio público que ainda existe à guerra.

Mas a tomada e o controle de ilhas próximas ao Estreito de Ormuz ou o envio de forças especiais para o interior do Irã em busca de urânio enriquecido exporiam imediatamente os EUA ao potencial de um número significativo de baixas, eliminando qualquer dúvida na mente dos eleitores de que o que Trump chamou de uma pequena “excursão” ou “desvio” é, na verdade, uma guerra em grande escala.

Vários senadores republicanos já sinalizaram que se oporiam a qualquer envio de tropas para o Irã, prenunciando o potencial para uma grande divisão dentro de um partido que, até agora, tem apoiado amplamente os objetivos de guerra de Trump.

E apesar da pressão que tal missão poderia exercer sobre o Irã, caso fosse bem-sucedida, permanecem sérias preocupações sobre como as forças americanas a executariam. O Irã passou as últimas semanas armando emboscadas e movimentando armas para a Ilha de Kharg, conforme relatado anteriormente pela CNN.

Vista geral do Terminal Petrolífero da Ilha de Kharg, a 25 km da costa iraniana no Golfo Pérsico e a 483 km a noroeste do Estreito de Ormuz, no Irã, em 12 de março de 2017. O Terminal Petrolífero da Ilha de Kharg leva o petróleo iraniano para o mercado mundial. • Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images
Vista geral do Terminal Petrolífero da Ilha de Kharg, a 25 km da costa iraniana no Golfo Pérsico e a 483 km a noroeste do Estreito de Ormuz, no Irã, em 12 de março de 2017. O Terminal Petrolífero da Ilha de Kharg leva o petróleo iraniano para o mercado mundial. • Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images

Mesmo antes disso, analistas afirmaram que qualquer invasão da ilha seria traiçoeira, exigindo que as tropas suportassem ataques constantes de mísseis e drones — e então torcessem para que conseguissem manter a ilha por tempo suficiente para forçar o Irã a se render.

“Isso daria a Trump a oportunidade de dizer: ‘Agora eu controlo o petróleo do Irã’”, disse Gregory Brew, analista sênior sobre o Irã e o setor de energia da empresa de avaliação de risco político Eurasia Group.

“O problema é que os iranianos não vão se render imediatamente. Em vez disso, vão reagir de forma extremamente negativa”, afirmou Brew.

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quinta-feira, 26 de março de 2026

Como bloqueio de Ormuz tem sido lucrativo para o Irã

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Segundo político iraniano, regime tem exigindo 2 milhões de dólares para embarcações passarem "seguras" pelo estreito. País também tem continuado a exportar petróleo e conseguiu até alívio de algumas sanções
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TOPO
Por Deutsche Welle

Postado em 26 de Março de 2.026 às 13h50m
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Irã diz que vai abrir o Estreito de Ormuz para embarcações “não hostis” — Foto: Benoit Tessier/Reuters
Irã diz que vai abrir o Estreito de Ormuz para embarcações “não hostis” — Foto: Benoit Tessier/Reuters

Ao longo da história, pessoas e grupos influentes sempre encontraram maneiras de lucrar com momentos de crise. Não seria diferente na guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito está prestes a completar um mês, justamente quando os EUA afirmam negociar uma trégua.

Nas últimas semanas, surgiram denúncias de que postos de combustíveis elevaram os preços poucas horas após os primeiros ataques; de que grandes petrolíferas estariam registrando lucros excepcionais com o barril acima de 100 dólares; e também de que seguradoras marítimas aumentaram drasticamente o valor dos prêmios após o bloqueio do Estreito de Ormuz por Teerã.

A acusação mais recente, porém, envolve diretamente um dos participantes do conflito. Segundo relatos, o Irã estaria cobrando até 2 milhões de dólares (R$ 10,45 milhões) de navios que transportam petróleo e gás para permitir uma passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

O Lloyd’s List, uma das publicações marítimas mais tradicionais e respeitadas do mundo, informou na semana passada que ao menos uma embarcação já realizou esse pagamento.

Cobrança de "pedágio" em Ormuz?

Se confirmada, essa iniciativa pode transformar um dos gargalos estratégicos mais críticos do planeta — por onde transita um quinto do petróleo e do gás consumidos mundialmente — em um pedágio de alto risco.

Embora vários funcionários iranianos tenham negado a informação, o parlamentar Alaeddin Boroujerdi declarou à TV estatal que as taxas estariam sendo cobradas como parte de um novo regime soberano no estreito, justificadas como uma forma de cobrir custos de guerra.

Segundo Robert Huebert, especialista em relações internacionais da Universidade de Calgary, no Canadá, a cobrança de um pedágio no Estreito de Ormuz violaria o direito marítimo internacional.

"Liberdade de navegação é a base do comércio marítimo internacional, é a capacidade de transitar por essas áreas sem qualquer tipo de obstrução", disse Huebert ao podcast da Energi Media, na última terça-feira (24. "Se você fizer isso [cobrar uma taxa], enfrentará oposição direta de praticamente todos os Estados", complementou.

Com mais de 3,2 mil embarcações retidas, Peter Sand, analista-chefe da empresa de inteligência marítima Xeneta, com sede em Copenhague, minimizou a relevância da cobrança para a reabertura do estreito.

Por mais alta que pareça, [a taxa de 2 milhões de dólares] não é o fator essencial", disse Sand à DW. "O que importa é que ainda não é seguro atravessar [Ormuz]."

Ainda assim, a disposição de grandes importadores de petróleo e gás em negociar diretamente e pagar uma taxa tão alta por navio — somada a seguros já exorbitantes — mostra o grau de desespero de países altamente dependentes de energia para assegurar ao menos um fluxo mínimo pelo estreito.

"Alguns [países] podem querer pagar", acrescentou Sand. "É um último prêmio relativamente pequeno para assegurar algum nível de fornecimento energético contínuo."

Preço do combustível já tem sofrido os reflexos do fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: Rene Traut/Rene Traut Fotografie/picture alliance via DW
Preço do combustível já tem sofrido os reflexos do fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: Rene Traut/Rene Traut Fotografie/picture alliance via DW

Drible nas sanções contra o Irã

O Lloyd’s List afirmou que não está claro como a transação foi realizada, já que o Irã permanece sob sanções internacionais, o que dificulta ao país receber pagamentos em dólares por meio de canais financeiros ocidentais.

A publicação informou que Índia, Paquistão, Iraque, Malásia e China estão negociando diretamente com autoridades iranianas para organizar a passagem segura de seus navios.

A Bloomberg, que também divulgou a cobrança, citou fontes sob anonimato afirmando que várias embarcações já pagaram para atravessar o estreito, embora o pedágio não pareça ocorrer de forma sistemática.

Uma das fontes ouvidas pela Bloomberg acrescentou que Teerã avalia formalizar a taxa como parte de um eventual acordo de paz com Estados Unidos e Israel.

Trânsito facilitado para navios "não hostis"

Em um novo desdobramento, o Irã enviou, na terça-feira (24/03), uma carta aos membros da Organização Marítima Internacional (OMI) informando que passará a permitir que embarcações não hostis atravessem Ormuz, desde que haja coordenação prévia com Teerã.

"Até agora, [o Irã] havia autorizado entre três e cinco travessias por dia", disse Sand. "[Agora Teerã está dizendo:] se você não é inimigo do Irã, o estreito está aberto para você."

Enquanto isso, um porta-voz da OMI disse à DW que a organização trabalha para estabelecer "uma medida provisória e urgente para facilitar a evacuação segura dos navios mercantes atualmente retidos na região do Golfo".

Antes que a crise se agrave ainda mais, a entidade destacou que é crucial proteger a vida e o bem-estar dos marinheiros retidos, ao mesmo tempo em que pressiona para que navios dispostos a transitar por Ormuz possam fazê-lo sem risco de ataques.

Paralelamente, a produção e as exportações de petróleo do Irã seguem sem interrupção. Na semana passada, o governo do presidente dos EUA anunciou uma isenção de sanções de 30 dias para a compra de petróleo iraniano já armazenado em petroleiros, com o objetivo de aliviar a pressão sobre o fornecimento de energia desde o início da guerra entre EUA, Israel e o Irã.

A alta dos preços provocada pelo conflito também tem permitido que Teerã cobre mais por esse petróleo.

Escoltas navais não são uma "solução de longo prazo"

O presidente dos EUA, Donald Trump, vem pressionando os aliados europeus da Otan a participarem de uma missão multinacional de patrulha ou escolta naval no Golfo para proteger a navegação comercial.

Os países europeus, porém, têm resistido a um envolvimento imediato. Ainda assim, muitos deles — incluindo Alemanha, França e Itália — já sinalizaram disposição para contribuir com uma missão de escolta ou patrulha naval assim que os combates ativos cessarem.

A OMI afirmou que, embora escoltas navais já tenham sido usadas anteriormente — inclusive durante os recentes ataques dos houthis, apoiados pelo Irã, contra navios no Mar Vermelho — elas não representam uma solução sustentável ou de longo prazo.

"É necessário encontrar uma solução multilateral para diminuir as tensões e permitir que marinheiros civis e navios sejam evacuados com segurança", disse o porta-voz da entidade.

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IPCA-15: preços sobem 0,44% em março, puxados por alimentação e despesas pessoais

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No acumulado dos últimos 12 meses, o índice registra alta de 3,90%, abaixo dos 4,10% observados no período anterior. Em março de 2025, o IPCA-15 havia sido de 0,64%.
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Por Janize Colaço, g1 — São Paulo

Postado em 26 de Março de 2.026 às 10h00m
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IPCA-15: preços sobem 0,44% em março
IPCA-15: preços sobem 0,44% em março

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador considerado uma prévia da inflação oficial do país, subiu 0,44% em março, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado dos últimos 12 meses, o índice registra alta de 3,90%, abaixo dos 4,10% observados no período anterior. Em março de 2025, o IPCA-15 havia sido de 0,64%.

Mesmo assim, o resultado de março ficou acima do esperado por economistas. As projeções indicavam uma alta mensal de 0,29% e um avanço de 3,74% no acumulado de 12 meses.

O levantamento do IBGE mostra que todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preços em março.

A maior alta foi registrada no grupo Alimentação e bebidas, com avanço de 0,88%, o que exerceu o maior peso sobre o resultado do mês. Em seguida aparecem as Despesas pessoais, que incluem gastos como serviços e cuidados pessoais, com aumento de 0,82%.

Veja a variação mensal dos preços por grupos:

  • Alimentação e bebidas: 0,88%
  • Habitação: 0,24%
  • Artigos de residência: 0,37%
  • Vestuário: 0,47%
  • Transportes: 0,21%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,36%
  • Despesas pessoais: 0,82%
  • Educação: 0,05%
  • Comunicação: 0,03%
Alimentação puxa alta dos preços em março

No grupo Alimentação e bebidas, que registrou alta de 0,88%, os preços dos alimentos consumidos em casa subiram com mais força em março. A chamada alimentação no domicílio passou de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março.

Entre os itens que mais contribuíram para essa alta, estão:

  • 🫐 Açaí (29,95%)
  • 🫘 Feijão-carioca (19,69%)
  • 🥚 Ovo de galinha (7,54%)
  • 🥛 Leite longa vida (4,46%)
  • 🥩 Carnes (1,45%)

Por outro lado, alguns produtos ficaram mais baratos no período, como:

  • ☕ Café moído (-1,76%)
  • 🍎 Frutas (-1,31%)

Já a alimentação fora de casa, que inclui gastos em restaurantes, bares e lanchonetes, apresentou uma leve desaceleração: passou de 0,46% em fevereiro para 0,35% em março.

Dentro desse grupo, o preço das refeições subiu 0,31%, abaixo do aumento de 0,62% registrado no mês anterior. Já os lanches tiveram alta maior, passando de 0,28% para 0,50% no mesmo período.

No grupo Despesas pessoais, que avançou 0,82%, o resultado foi influenciado principalmente pelo aumento em serviços bancários (2,12%) e no custo do empregado doméstico (0,59%).

Já no grupo Saúde e cuidados pessoais, que registrou alta de 0,36%, os principais aumentos vieram dos planos de saúde (0,49%) e dos artigos de higiene pessoal, como produtos de cuidado diário, que subiram 0,38%.

Habitação e transportes também pressionam inflação

No grupo Habitação, os preços passaram de 0,06% em fevereiro para 0,24% em março. Parte desse resultado foi influenciada pela energia elétrica residencial, que registrou alta de 0,29%.

O avanço reflete reajustes nas tarifas cobradas por concessionárias no Rio de Janeiro, com aumentos médios de 15,1% e 14,66%, em vigor desde 15 de março.

No grupo Transportes, que subiu 0,21%, o principal destaque foi o aumento das passagens aéreas, que avançaram 5,94% e tiveram o maior impacto individual no resultado do índice no mês.

Também houve aumento no preço do ônibus intermunicipal, que registrou alta de 1,29%. Esse resultado inclui reajustes nas tarifas no Rio de Janeiro, entre 11,69% e 12,61%, em vigor desde 15 de fevereiro, e em Curitiba, com aumento de 7,27%, aplicado a partir de 16 de fevereiro.

Já os combustíveis, de forma geral, tiveram leve queda de 0,03% no período. Os preços do gás veicular (-2,27%), do etanol (-0,61%) e da gasolina (-0,08%) recuaram. Por outro lado, o óleo diesel registrou alta de 3,77%.

Inflação do trimestre

Já o IPCA-E, indicador que corresponde à soma dos resultados do IPCA-15 ao longo de três meses, registrou alta de 1,49% no trimestre. O resultado ficou abaixo dos 1,99% observados no mesmo período de 2025.

Entre os grupos de produtos e serviços pesquisados, as maiores altas no trimestre foram registradas em Educação (5,3%), Saúde e cuidados pessoais (1,85%) e Transportes (1,81%).

Na outra ponta, as menores variações foram observadas em Habitação (0,04%), praticamente estável no trimestre, além de Vestuário (0,33%) e Artigos de residência (1,01%).

Veja a variação trimestral dos preços por grupos:

  • Alimentação e bebidas: 1,40%
  • Habitação: 0,04%
  • Artigos de residência: 1,01%
  • Vestuário: 0,33%
  • Transportes: 1,81%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,85%
  • Despesas pessoais: 1,30%
  • Educação: 5,30%
  • Comunicação: 1,15%
inflação, consumo, mercado, preços, economia, alimentos, supermercado — Foto: Adriana Toffetti/Ato Press/Estadão Conteúdo
inflação, consumo, mercado, preços, economia, alimentos, supermercado — Foto: Adriana Toffetti/Ato Press/Estadão Conteúdo
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Irã controla entra e sai do Golfo Pérsico por ilhas no Estreito de Ormuz

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Dados da Lloyd's List apontam tráfego de embarcações autorizadas próximo à costa iraniana; Teerã reinvidica controle mesmo após a guerra
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Henrique Sales Barros, da CNN Brasil*, em São Paulo
26/03/26 às 03:00 | Atualizado 26/03/26 às 03:00
Postado em 26 de Março de 2.026 às 05h00m
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Larak e Qeshm: é por meio destas duas ilhas que o Irã vem controlando quem pode cruzar o Estreito de Ormuz, seja em direção aos portos petrolíferos do Golfo Pérsico, seja rumo às rotas marítimas globais.

Segundo a plataforma de dados e informações marítimas Lloyd's List, de 13 a 25 de março, 26 embarcações atravessaram o estreito entre as duas ilhas, sob autorização da Guarda Revolucionária do Irã.

A Guarda é o braço militar do regime iraniano que vem ameaçando e atacando - com drones e mísseis - embarcações que tentam cruzar o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da oferta habitual de petróleo e gás natural do mercado global.

Ainda de acordo com a Lloyd's List, algumas embarcações pagaram uma espécie de pedágio em moeda chinesa (yuan) para cruzar o estreito, mas a maioria estaria conseguindo atravessar a região apenas com base em uma avaliação política e diplomática das forças iranianas.

A autorização de passagem por uma rota específica, junto a uma escolta por lanchas da Guarda Revolucionária, é o que garantiria que um navio passe pelo estreito sem sofrer ataques.

Antes da guerra em curso no Oriente Médio, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz costumava ocorrer ao sul destas ilhas, próximo à península de Musandan, no Omã.

Ilustração via Infogram
Ilustração via Infogram

"O Estreito de Ormuz não está completamente fechado. Está fechado apenas para os nossos inimigos", afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em entrevista a uma TV estatal iraniana nesta quarta-feira (25).

Segundo o ministro, embarcações ligadas a países como China, Rússia, Paquistão, Iraque, Índia e Bangladesh teriam conseguido passar pelo estreito.

"São países que conversaram e coordenaram ações conosco, e isso continuará no futuro também - mesmo depois da guerra", acrescentou Araghchi.

O Irã tem reivindicado a soberania do país sobre o estreito como uma condição para chegar a um acordo com os Estados Unidos e pôr fim à guerra em curso no Oriente Médio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já sugeriu que toleraria um controle conjunto com o Irã sobre Ormuz caso ambas as partes alcancem um acordo de cessar-fogo, via uma "negociação" que vem sendo alardeada por Washington.

O Irã têm negado qualquer negociação em curso e dito que há apenas "trocas de mensagens" por meio de países intermediadores com trânsito nos dois lados - como o Paquistão.

Também via Paquistão, Washington apresentou 15 pontos para um eventual acordo com pontos inaceitáveis para o Irã, como o reconhecimento do Estado de Israel e restrições ao programa de mísseis balísticos da República Islâmica.

Em resposta, o Irã também apresentou questões inaceitáveis para Washington, como o ressarcimento por danos causados pela guerra e garantias de que não será novamente atacado nem pelos EUA, nem por Israel.

Apesar de a Casa Branca falar em "negociações" em curso, na semana passada, dois grupos de embarcações de guerra americanos capitaneados por navios de assalto anfíbio estavam em direção às águas do Oriente Médio.

Os navios de assalto anfíbio USS Boxer e USS Trípoli, com 5 mil fuzileiros navais ao todo, podem operar como "mini porta-aviões" e também servir de base para lançar militares em uma incursão terrestre a partir do mar, por meio de veículos anfíbios.

Além destas embarcações, cerca de mil militares da 82ª Aerotransportada do Exército, com paraquedistas capazes de fazer assaltos aéreos, devem ser enviados para o Oriente Médio nos próximos dias.

Em meio a estes envios, o Irã tem reforçado militarmente a Ilha de Kharg, que fica Golfo Pérsico à dentro e de onde sai cerca de 90% das exportações petrolíferas iranianas.

Ilustração via Infogram
Ilustração via Infogram

O Irã tem investido em mais militares, sistemas de defesa antiaérea e minas antipessoais e antitanque em Kharg. Uma ocupação da ilha poderia ser um contraponto americano ao controle iraniano sobre Ormuz.

* Com informações da CNN e da Reuters

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