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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Cientistas desvendam mistério de vida 'tipo alienígena' nas profundezas do Ártico

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Esponjas gigantes sobrevivem dos restos de animais extintos em águas frias e profundas perto do Polo Norte.
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TOPO
Por BBC

Postado em 14 de fevereiro de 2022 às 14h45m

Post.- N.\ 10.206

Esponjas gigantes sobrevivem dos restos de animais extintos em águas frias e profundas perto do Polo Norte — Foto: INSTITUTO ALFRED WEGENER
Esponjas gigantes sobrevivem dos restos de animais extintos em águas frias e profundas perto do Polo Norte — Foto: INSTITUTO ALFRED WEGENER

Cientistas dizem que resolveram o mistério de como as esponjas gigantes florescem nas águas profundas e geladas do Ártico.

As esponjas marinhas sobrevivem alimentando-se de restos de vermes e outros animais extintos que morreram há milhares de anos, sugerem eles.

Esponjas são animais antigos muito simples encontrados em mares de todo o mundo, de oceanos profundos a recifes tropicais rasos.

Elas foram encontrados vivendo em grande número e em tamanho impressionante no fundo do Oceano Ártico.

Esses enormes "jardins de esponja" fazem parte de um ecossistema único que prospera sob o oceano coberto de gelo perto do Polo Norte, diz Teresa Morganti, do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha em Bremen, na Alemanha.

Ártico é uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas — Foto: Getty Images via BBCÁrtico é uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas — Foto: Getty Images via BBC

"Encontramos esponjas enormes — elas podem atingir até um metro de diâmetro", explica.

"Esta é a primeira evidência de esponjas comendo matéria fóssil antiga."

Ao balançar uma câmera nas profundezas do gelo, os pesquisadores conseguiram fotografar as coleções de esponjas que formam um jardim no fundo do mar.

Na época, eles ficaram confusos sobre como os animais primitivos sobreviveram nas profundezas frias e escuras, longe de qualquer fonte de alimento conhecida.

Mais recentemente, após analisar amostras da expedição ao Ártico, eles descobriram que as esponjas tinham em média 300 anos.

E que esses seres sobrevivem comendo os restos de uma extinta comunidade de animais — com a ajuda de bactérias amigáveis ​​que produzem antibióticos.

"Onde as esponjas gostam de viver, há uma camada de material morto", diz a professora Antje Boetius, do instituto Alfred Wegener em Bremerhaven, que liderou a expedição ao Ártico.

"E finalmente nos ocorreu que esta pode ser a solução para o porquê de as esponjas serem tão abundantes, porque elas podem explorar essa matéria orgânica com a ajuda dos simbiontes."

Esponjas atuam como engenheiros do ecossistema, mantendo saúde do meio ambiente — Foto: INSTITUTO ALFRED WEGENER
Esponjas atuam como engenheiros do ecossistema, mantendo saúde do meio ambiente — Foto: INSTITUTO ALFRED WEGENER

A descoberta mostra que temos muito mais a aprender sobre o Planeta Terra e pode haver mais formas de vida esperando para serem descobertas sob o gelo.

"Há tanta vida tipo alienígena e especialmente nos mares cobertos de gelo, onde mal temos a tecnologia para acessar, olhar ao redor e fazer um mapa", acrescenta.

Mas com o gelo marinho do Ártico recuando a uma taxa sem precedentes, os pesquisadores alertam que essa teia única de vida está sob crescente pressão das mudanças climáticas.

De acordo com medições científicas, tanto a espessura quanto a extensão do gelo marinho de verão no Ártico mostraram um declínio dramático nos últimos 30 anos, o que é consistente com as observações de um Ártico em aquecimento.

"Com a cobertura de gelo marinho em declínio rápido e o ambiente oceânico mudando, um melhor conhecimento dos ecossistemas de hotspots é essencial para proteger e gerenciar a diversidade única desses mares do Ártico sob pressão", diz Boetius.

O estudo foi publicado na revista científica "Nature Communications".

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sábado, 12 de fevereiro de 2022

Paulistano de 5 anos que mapeou asteroides em projeto da Nasa citou nomes de planetas no Museu Catavento aos 2 anos, conta mãe

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Miro Latansio Tsai identificou 15 corpos celestes que poderiam colidir com a Terra e quer ser engenheiro aeroespacial quando crescer ‘para salvar o mundo’. Ele fala inglês e chinês e aprendeu a ler aos 3 anos.
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Por Bárbara Muniz Vieira, g1 SP — São Paulo

Postado em 12 de fevereiro de 2022 às 10h00m

Post.- N.\ 10.205

Miro posa com as medalhas ganhadas pela descoberta de 15 asteroides no projeto Caça Asteroides 2021 do MCTI promovido em parceria com o IASC e a NASA — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Miro posa com as medalhas ganhadas pela descoberta de 15 asteroides no projeto Caça Asteroides 2021 do MCTI promovido em parceria com o IASC e a NASA — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

O paulistano de 5 anos que descobriu 15 asteroides em um projeto da Nasa, a agência espacial americana, mostrou seu entendimento sobre astronomia aos dois anos durante uma visita ao Museu Catavento, na região central da capital paulista.

Miro Latansio Tsai se tornou a pessoa mais jovem do mundo a realizar a descoberta de asteroides em um projeto em parceria com a Nasa que tem por objetivo mapear constantemente o céu em busca de objetos próximos que possam apresentar risco de colisão com a Terra (saiba mais abaixo).

Desde bem pequeno, Miro Latansio Tsai preferia os museus aos parquinhos. Ao chegar ao Museu Catavento, ele foi citando os nomes de todos os planetas do Sistema Solar, de acordo com a mãe, a advogada Carla Latansio, de 40 anos.

Apesar de ser um bebê de 2 anos, ele ficou alucinado! O passeio preferido dele sempre foi ir a museu. Ele não queria ir para o parquinho, sempre queria ir ao museu (risos). Miro não tinha livro de astronomia nessa época ainda e chegou lá mostrando todos os planetas por nome. Eu acho que ele viu na TV, porque ele vê muitos documentários, conta a mãe.

Mas esse não foi o primeiro feito de Miro, que aos 5 anos é fluente em inglês e está aprendendo mandarim com o pai, o administrador chinês Jack Tsai, de 45 anos. Carla também conta que Miro começou a ler durante a pandemia, aos 3 anos. Com um ano e meio falava frases completas, como Eu quero ir embora, e deu os primeiros passos aos 9 meses, de acordo com a mãe.

Ele não é desenvolvido só na parte da fala, mas em toda a parte cognitiva. Ele tem um raciocínio muito avançado para a idade. Miro sempre teve interesse muito grande por ciência e tecnologia, sempre foi curioso e queria entender como as coisas aconteciam.

Miro aparece em uma publicação do Instagram oficial da Nasa, a agência espacial americana — Foto: Reprodução/Instagram
Miro aparece em uma publicação do Instagram oficial da Nasa, a agência espacial americana — Foto: Reprodução/Instagram

A fase dos "porquês" de Miro começou aos 2 anos. Antes de se interessar pelo espaço, Miro já escolhia livros comoAtlas do Corpo Humano e Atlas Geográfico, segundo Carla.

"Ele fazia perguntas como por que o sol é quente e a lua não? Perguntava tudo, ficava horas analisando um formigueiro, um sapinho, sempre foi muito investigativo. Na livraria eu mostrava livros infantis e ele não queria, ia direto nos atlas. Ele decorou como funciona o sistema digestivo e dava uma aula para a gente, os pais.

Miro posa com os certificados internacionais que já recebeu aos 5 anos — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Miro posa com os certificados internacionais que já recebeu aos 5 anos — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Parceria com a Nasa

O projeto em que Miro identificou 15 asteroides é o Caça-Asteroides 2021, realizado pelo International Astronomical Search Collaboration (IASC – Programa de Colaboração de Pesquisa Astronômica Internacional, em tradução livre), em parceria com a Nasa e o Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System (Pan-STARRS).

O objetivo é mapear constantemente o céu em busca de objetos próximos que possam apresentar risco de colisão com a Terra.

No Brasil, o projeto acontece por intermédio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

Os relatórios são revisados e validados pelo IASC e então submetidos ao Minor Planet Center (MPC) em Harvard. O MPC é reconhecido pela International Astromonical Union, em Paris, como o repositório oficial mundial de dados sobre asteroides.

Miro tem asteroides provisórios e preliminares. Os preliminares são a confirmação de que o que ele identificou é mesmo um asteroide, porém a autoria da descoberta só se dá oficialmente quando termina o processo de análise.

Miro posa com a imagem de uma galáxia em sua casa, na Zona Sul da capital paulista — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Miro posa com a imagem de uma galáxia em sua casa, na Zona Sul da capital paulista — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Assim, apesar de ele ter realmente visto um asteroide novo, ele ainda não teve a autoria confirmada. Os preliminares são prováveis asteroides que já passaram pelo crivo de Harvard e do IASC e foram cadastrados no site internacional de observações MPC.

Com o tempo, se essas detecções forem confirmadas por observações adicionais feitas por grandes pesquisas do céu (por exemplo, Pan-STARRS, Catalina Sky Survey), elas podem se tornar descobertas que são numeradas pela União Astronômica Internacional.

Esse processo, desde a primeira detecção até o status de descoberta, leva de 6 a 8 anos. Uma vez numerados, os descobridores podem propor nomes à IAU.

No vídeo abaixo, Miro ensina a localizar asteroides:

Brasileiro de 5 anos é o mais jovem do mundo a descobrir asteroide
Brasileiro de 5 anos é o mais jovem do mundo a descobrir asteroide

Clubinho do Miro

Além do Caça-Asteroides, Miro participa de vários outros projetos em parceria com a Nasa ou diretamente com a agência espacial americana, como é o caso do Globe, que faz monitoramento do clima planetário. O menino já foi inclusive homenageado nas redes sociais da agência (veja foto acima).

Agora que já conquistou o feito de identificar os asteroides, Miro está ensinando os interessados a aprender a fazer o mesmo. Carla criou o Clubinho do Miro, onde divulga vídeos do filho dando aulas sobre o assunto. Ele adora ensinar, conta Carla.

E como nem o céu é o limite para o pequeno Miro, ele também já sabe o que quer ser quando crescer. Além de piloto de monster truck, um tipo de caminhonete gigante, feita para competições, Miro quer, nas palavras do próprio, salvar o planeta para defender as pessoas. Identificar asteroides que podem colidir com a Terra foi o primeiro passo do menino de 5 anos que em todo aniversário pede que o tema seja Superman.

Miro na exposição oficial da NASA em shopping de São Paulo, a primeira fora dos Estados Unidos. Trouxeram as roupas originais do Neil Armstrong suja com poeira da lua, e o painel original todo de Houston do programa Apollo 11 que chegou a lua. — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Miro na exposição oficial da NASA em shopping de São Paulo, a primeira fora dos Estados Unidos. Trouxeram as roupas originais do Neil Armstrong suja com poeira da lua, e o painel original todo de Houston do programa Apollo 11 que chegou a lua. — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Por que comunicação em tempo real não é possível entre a Terra e outros planetas

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A velocidade da luz teria que aumentar drasticamente para alcançar a comunicação interplanetária ou interestelar, explica especialista espanhol.
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TOPO
Por BBC

Postado em 11 de fevereiro de 2022 às 12h40m

Post.- N.\ 10.204

Por que comunicação em tempo real não é possível entre a Terra e outros planetas — Foto: Arquivo
Por que comunicação em tempo real não é possível entre a Terra e outros planetas — Foto: Arquivo

Os seres humanos comunicam-se entre si de duas formas. A primeira é a mesma utilizada por outros animais: a emissão de ondas sonoras.

Mas elas são lentas e não se propagam por mais de algumas dezenas de metros, devido à atenuação causada pelo ar. Por isso, temos procurado desde a Antiguidade formas alternativas de comunicação a longas distâncias.

Sinais de fumaça, bandeiras e espelhos foram algumas soluções, mas eram ineficientes com respeito à quantidade de dados que podiam transmitir. Já as cartas permitiram transmitir muito mais informações, mas eram muito lentas.

O grande salto foi produzido com o domínio progressivo das ondas eletromagnéticas. Em 1791, Claude Chappe inventou o telégrafo óptico — um sistema que permitia a transmissão de um símbolo a cada dois minutos entre Paris e Lille, na França, cobrindo uma distância de 230 km. Mas esse sistema dependia das condições climáticas e não funcionava à noite.

Em 1837, foi implementado o telégrafo elétrico, criação dos inventores ingleses William F. Cooke e Charles Wheatstone. Em poucos anos, foi possível conectar os Estados Unidos de leste a oeste e, posteriormente, transmitir através do oceano por meio de cabos submarinos.

Em 1901, Guglielmo Marconi desenvolveu experimentos com telegrafia sem fio cruzando o Oceano Atlântico.

A mensagem de texto nasceu com o telégrafo
A mensagem de texto nasceu com o telégrafo

O nascimento da sociedade da informação

Já nos séculos 20 e 21, a aplicação da fibra óptica e da moderna tecnologia sem fios levou à criação da sociedade da informação, na qual podemos nos comunicar uns com os outros em tempo real.

Tudo isso é possível porque as ondas eletromagnéticas são transmitidas de forma muito mais rápida que as ondas sonoras. O som, mesmo se transmitido em condições ideais, através de diamante, atinge uma velocidade 10 mil vezes menor que as ondas eletromagnéticas transmitidas pelo ar ou por fibra óptica.

Um parâmetro que permite avaliar a qualidade das comunicações é o tempo de ida e volta (RTT, na sigla em inglês), ou seja, o tempo transcorrido desde a transmissão de uma mensagem por um emissor ao seu receptor até que chegue de volta a resposta. Seu valor aproximado é de duas vezes a distância entre os interlocutores, dividido pela velocidade de propagação do sinal.

Cientistas e engenheiros definem o limite máximo de RTT para que se tenha qualidade de comunicação em tempo real em cerca de 200 milissegundos.

Se considerarmos que a velocidade do som no ar é de 340 m/s e que o RTT não deve superar 200 ms, podemos calcular que a distância para a conversa entre duas pessoas não deve exceder 34 metros — um valor lógico, se considerarmos que as ondas sonoras destinam-se à comunicação entre pessoas próximas entre si.

Com relação aos sinais eletromagnéticos, é possível hoje em dia fazê-los propagar-se através de meios guiados e sem fio à velocidade de cerca de 2x108 m/s, o que é similar à velocidade da luz (e, no caso da fibra óptica, a transmissão é feita pela própria luz).

Com essa velocidade, para não superar o RTT de 200 ms, a separação entre os dois interlocutores deve ser de não mais de 20 mil quilômetros, que é exatamente a maior distância entre dois pontos quaisquer da superfície terrestre.

Em outras palavras, a velocidade de propagação das ondas eletromagnéticas é adequada para comunicação em tempo real entre todos os habitantes da Terra.

Do 1 ao 5G: as evoluções e o potencial da nova tecnologia
Do 1 ao 5G: as evoluções e o potencial da nova tecnologia

E na comunicação interplanetária?

Entre a Terra e a Lua (384 mil quilômetros de distância), o RTT aumenta para vários segundos. Este valor é inaceitável para muitas das aplicações utilizadas na nossa sociedade da informação.

Já entre a Terra e os demais planetas, o RTT chega a minutos. E nem se fale na estrela mais próxima, Proxima Centauri, situada a 4,2 anos-luz da Terra. Seu RTT é de 8,4 anos.

Ou seja, precisaríamos esperar mais de duas olimpíadas para receber uma resposta de um interlocutor hipotético em um planeta que gire ao redor daquela estrela.

A velocidade da luz precisaria aumentar drasticamente para conseguirmos chegar à comunicação interplanetária ou interestelar.

Por outro lado, se a velocidade da luz fosse menor, não seria possível comunicar dois pontos da Terra sem correr o risco de que o RTT superasse os 200 ms. Em outras palavras, a comunicação terrestre em tempo real não seria possível e a sociedade da informação entraria em colapso.

Se a velocidade de propagação da luz em fibra óptica fosse de 2x107 m/s em vez de 2x108 m/s, por exemplo, o RTT entre Buenos Aires, na Argentina, e Seul, na Coreia do Sul (quase 20 mil km de distância) aumentaria de 200 ms para 2 segundos.

Isso significaria precisar ficar esperando cada vez que alguém falasse, enquanto aplicativos mais exigentes, como cirurgias remotas ou videogames interativos, não conseguiriam enfrentar esse aumento de tempo.

A velocidade das ondas eletromagnéticas é suficiente para que os seres humanos se comuniquem em tempo real entre dois pontos quaisquer na Terra, mas se torna insuficiente à medida que nos afastamos do planeta.

A sociedade da informação somente é possível em planetas cujo diâmetro não é maior que o da Terra e somente um animal como o ser humano, capaz de controlar a propagação de sinais eletromagnéticos, pode beneficiar-se dessa tecnologia.

Esta coincidência paradoxal levanta questões como o ajuste fino do universo ou o princípio antrópico, além de abrir caminho para outras reflexões. Uma delas é o motivo pelo qual o ser humano convergiu para o desenvolvimento da sociedade da informação em um planeta como a Terra.

O RTT de 200 ms, considerado adequado para aplicações em tempo real, é válido porque o nosso cérebro, combinado com outras partes do nosso corpo, como os olhos e os ouvidos, reage a diferentes estímulos com tempos de resposta que se ajustam a esse valor.

Além disso, esse valor de RTT é fruto de muitos anos de evolução e o diâmetro da Terra também foi resultado da expansão do universo. O terceiro parâmetro, a velocidade da luz, é combinado com o RTT e o diâmetro da Terra para criar a sociedade da informação, que basicamente consiste de muitos seres humanos interagindo entre si em tempo real na superfície do nosso planeta.

Outra reflexão refere-se a qual o sentido de colonizar planetas se não é possível comunicar-se com eles em tempo real. Será que, no futuro, poderemos superar a velocidade da luz?

*Ignacio del Villar Fernández é professor titular de tecnologia eletrônica da Universidade Pública de Navarra, na Espanha.

iPhone evolui e passa por várias mudanças em 15 anosiPhone evolui e passa por várias mudanças em 15 anos
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Cientistas britânicos anunciam recorde de produção de energia por fusão nuclear

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O processo pretende replicar o que acontece no coração do Sol e substituir a fissão nuclear como forma de geração de energia limpa e sustentável.
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Por France Presse

Postado em 09 de fevereiro de 2022 às 13h35m

Post.- N.\ 10.203

Veja energia gerada pela fusão nuclear no JET
Veja energia gerada pela fusão nuclear no JET

Cientistas do Reino Unido anunciaram, nesta quarta-feira (9), que produziram uma quantidade recorde de energia por meio da fusão nuclear: 59 megajoules em cinco segundos (veja vídeo acima). A marca foi alcançada por cientistas do Joint European Torus (JET), próximo à cidade de Oxford.

A fusão nuclear pretende replicar o que acontece no coração do Sol: átomos de hidrogênio se unindo, em seu núcleo, para formar hélio. É esse processo que faz com que o Sol libere muita energia. Esse processo é diferente daquele usado nas usinas atuais — o de fissão nuclear, em que os núcleos dos átomos se dividem.

Em nota, a Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido disse que os resultados eram "a demonstração mais clara em todo o mundo do potencial da energia de fusão para fornecer energia de baixo carbono segura e sustentável".

O diretor da agência, Ian Chapman, afirmou que "está claro que devemos fazer mudanças significativas para lidar com os efeitos das mudanças climáticas, e a fusão oferece muito potencial. Estamos construindo o conhecimento e desenvolvendo a nova tecnologia necessária para fornecer uma fonte de energia sustentável e de baixo carbono que ajuda a proteger o planeta para as futuras gerações. Nosso mundo precisa da energia de fusão".

Para seus defensores, a fusão nuclear é a "energia do futuro", porque produz pouco resíduo e muito menos radioatividade quando comparada a uma planta convencional, que usa a fissão nuclear e tem risco de acidentes — como o de Chernobyl, em 1986, e o de Fukushima, em 2011.

Além disso, a fusão nuclear não gera gases de efeito estufa, e, diferente da fissão, não pode ser usada como arma.

Cientistas da Califórnia conseguem gerar energia a partir da fusão nuclear pela 1ª vezCientistas da Califórnia conseguem gerar energia a partir da fusão nuclear pela 1ª vez

Grande potencial

No núcleo solar, enormes pressões gravitacionais permitem que a fusão aconteça a temperaturas de cerca de 10 milhões de graus Celsius. Nas pressões que são possíveis na Terra — muito mais baixas —, as temperaturas para produzir a fusão precisam ser muito mais altas — acima de 100 milhões de graus Celsius, segundo reportagem da rede britânica BBC.

Como não existem materiais que possam resistir ao contato direto com esse calor, para conseguir a fusão em laboratório, os cientistas criaram uma solução na qual um gás superaquecido, ou plasma, é mantido dentro de um campo magnético em forma de rosquinha — em uma máquina chamada tokamak.

A fusão nuclear permite produzir milhões de vezes mais energia do que o carvão, o petróleo, ou o gás.

Os resultados anunciados nesta quarta-feira (9) demonstraram a possibilidade de gerar energia de fusão durante cinco segundos — o que ainda é insuficiente para viabilizar o processo.

"Mas, se você pode manter a fusão por cinco segundos, pode fazê-lo por cinco minutos e, depois, por cinco horas" com futuras máquinas mais potentes, argumentou Tony Donne, diretor do Programa Europeu de Fusão (EUROfusion, em inglês).

O JET, que anunciou o recorde nesta quarta, é o centro de pesquisa do programa: mais de 350 cientistas trabalham nele, em mais de 30 laboratórios da União Europeia, Suíça e Ucrânia.

No sul da França, está sendo construído outro reator de fusão, o Iter, mais avançado que o JET. Além da União Europeia, participam do projeto China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Rússia e Estados Unidos.

O projeto Iter, entretanto, é criticado por organizações de defesa do meio ambiente como a ONG Greenpeace, como uma "miragem científica" e "um buraco financeiro sem fundo".

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Geleiras do planeta possuem menos gelo do que se pensava, aponta relatório

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Estimativa revisada reduz o aumento do nível global dos oceanos em 7,62 cm caso todas as geleiras sejam derretidas. Mas aumenta preocupação com derretimento sazonal das geleiras para o aumento no fluxo dos rios e para a irrigação de culturas.
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TOPO
Por Reuters

Postado em 08 de fevereiro de 2022 às 11h00m

Post.- N.\ 10.202

Avanços em tecnologias de satélite revelaram que as geleiras do planeta possuem significativamente menos gelo do que se pensava antes, de acordo com um estudo publicado na "Nature Geoscience" nesta segunda-feira (7).

A estimativa revisada reduz o aumento do nível global dos oceanos em 7,62 cm caso todas as geleiras sejam derretidas. Mas aumenta a preocupação de algumas comunidades que dependem do derretimento sazonal das geleiras para o aumento no fluxo dos rios e para a irrigação de culturas. Se as geleiras possuem menos gelo do que se pensava, a água pode acabar antes do que era esperado. 

Embora partes do gelo derretam naturalmente durante o ano, as temperaturas em alta por conta das mudanças climáticas estão acelerando o recuo glacial. Entre 2000 e 2019, esses rios de gelo perderam cerca de 5,4 trilhões de toneladas. 

Alguns países já estão tendo dificuldades com o desaparecimento das geleiras. O Peru está investindo na dessalinização para compensar a baixa disponibilidade de água doce, e o Chile espera criar geleiras artificiais em suas montanhas. 

No entanto, "temos um entendimento muito baixo sobre o quanto de gelo está de fato armazenado nas geleiras", afirmou o principal autor do estudo, Romain Millan, pesquisador glaciólogo da Universidade de Grenoble Alpes. Análises anteriores, por exemplo, contaram duas vezes geleiras ao longo de regiões periféricas da Groenlândia e dos lençóis de gelo da Antártica, superestimando o volume de gelo. 

O estudo publicado na Nature Geoscience avaliou o quão rápido as geleiras estão se deslocando na paisagem, ou suas velocidades. Tais medidas permitem que cientistas meçam mais precisamente seus volumes, já que o fluxo de água de degelo indica onde o gelo está mais fino ou mais grosso. Mas a coleta de informação tem sido limitada pela tecnologia. 

Vídeos mostram derretimento de geleiras na AntárticaVídeos mostram derretimento de geleiras na Antártica

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