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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Desertificação no Piauí já é 5 vezes maior que a cidade de São Paulo

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Solo degradado abrange 15 cidades do PI e atinge áreas agricultáveis.
Apesar do fenômeno, degradação ainda pode ser contida.

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Pedro SantiagoDo G1 PI, em Gilbués
23/12/2015 07h00 - Atualizado em 23/12/2015 09h19
Postado às 09h25m
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Voçorocas fazem parte da paisagem em Gilbués (Foto: Pedro Santiago/G1)Processo foi intensificado quando começou a exploração da pecuária e agricultura (Foto: Pedro Santiago/G1)

Mais da metade dos 70 hectares da Fazenda Sucuruiú, dos agricultores Marineide e João Rodrigues, está imprestável para o cultivo. A área é entrecortada por enormes fendas no chão que podem chegar a 2 km de extensão e 30 metros de profundidade, mais conhecidas como voçorocas. 

O casal faz parte dos milhares de piauienses que têm suas terras atingidas pelo processo de desertificação, que já atinge 15 municípios do estado e é considerada a maior área de solo degradado do país.

A extensão da degradação equivale a cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo, segundo pesquisas da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Apesar dos dados assustadores, algumas iniciativas e pesquisas mostraram que o processo é reversível e que é possível o cultivo responsável na região.
Agricultora Marineide Rodrigues em suas terras em Gilbués (Foto: Pedro Santiago/G1)
Mais da metade das terras de Marineide estão
degradadas (Foto: Pedro Santiago/G1)

De acordo com Aldrin Perez, pesquisador do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e correspondente científico da Organização das Nações Unidas (ONU) para desertificação no Brasil, o fenômeno acontece no Sul do Piauí pelo menos desde quando o homem começou a explorar a pecuária e agricultura na região e ocorre porque o solo é extremamente frágil, sofre com chuvas intensas e tem muitos animais pastoreando na mesma área.

“Não existe uma data específica para esse início. O que podemos dizer é que os tipos de solos da região são suscetíveis a erosão, aí vem a chuva forte e leva a terra. Com isso, a vegetação não consegue mais crescer e assim vão nascendo as voçorocas, que tendem a se aprofundar. Existe um fator natural determinante para essa situação", disse.


"Em apenas três meses caem cerca de 1.200 milímetros; em alguns janeiros já choveu 500 milímetros. Associada a essa situação, tem o superpastoreio e o desmatamento. 

Tudo isso resulta em degradação”, completou o engenheiro agrônomo Milcíades Gadelha Lima, doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e estudioso das áreas de desertificação e recursos hídricos no semi-árido e cerrado piauienses.

O fenômeno leva à perda da área agricultável e ao assoreamento de riachos e rios, e provoca a fuga do homem do campo para a cidade. A erosão pode chegar a tal nível que deixa o solo irrecuperável, tornando a terra imprestável para a agricultura.

"Aqui já plantamos de tudo, já tivemos engenho, fabricamos rapadura, mas foi tudo se acabando. As chuvas foram diminuindo e a roça era muito fraquinha porque não tínhamos conhecimento", relatou a agricultora Zilmar Barbosa, dona, junto com o marido, de uma fazenda de 90 hectares, 60 deles tomados pelas voçorocas.

A terra, que assusta pela vermelhidão, é extremamente fértil e, se bem trabalhada, pode obter altos índices de produtividade. Aqui voltamos ao casal formado por Marineide Cirilo Rodrigues e João Tavares Rodrigues, já que sua propriedade, graças a uma iniciativa do governo do estado, é um exemplo prático da contraposição entre terra degradada e fértil.
Mapa da desertificação no Piauí (Foto: Adelmo Paixão/G1)
Com a implementação do Projeto Viva Sucuruiú, que possibilitou o uso de tecnologia (adubo e máquinas agrícolas), a Fazenda Sucuruiú conseguiu ter uma produtividade de 120 sacos de milho por hectare (4.800 kg), um resultado excelente em se tratando de agricultura familiar (a média nacional do agronegócio é de 5.682 kg/hectare, segundo o IBGE). Antes, os agricultores viviam com safras de 20 sacos por hectare.

“Praticamente toda a área atingida pela desertificação tem uma fertilidade exageradamente alta. Todo aquele solo vermelho que você vê é rico em nutrientes. Com um pH próximo ou superior a sete, o que chamamos de pH neutro. 

No Brasil, o pH é considerado alto (ácido) com o valor de 5, o que dificulta o desenvolvimento da planta. Com o pH neutro, a necessidade de adubo é pequena”, afirmou Adeodato Ari Cavalcante Salviano, professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que estuda a degradação do solo há 20 anos.

Efeitos
Os efeitos que o processo de desertificação, que atinje uma área total de 7.759 quilômetros quadrados distribuídos por 15 municípios piauienses, acertam em cheio o homem do campo.

Zilmar barbosa tem 90 hectares de terra, mas apenas 30 são aproveitáveis para a agricultura (Foto: Pedro Santiago/G1)
Zilmar Barbosa tem 90 hectares de terra; apenas
30 são aproveitáveis  (Foto: Pedro Santiago/G1)

Para o engenheiro agrônomo e pesquisador Fabriciano Corado, são dois os grandes efeitos provocados pelas enormes crateras que consomem as terras do Sul piauiense: a erosão do Rio Parnaíba e a evasão provocada pela perda de áreas agricultáveis. 

Segundo ele, a erosão tem jogado grandes quantidades de sedimentos que vão parar nos subafluentes (rios menores que deságuam nos afluentes) do Rio Parnaíba, que despeja nos afluentes e por fim desaguam no segundo maior rio nordestino.

O profissional diz que além das consequências ambientais, existem as sociais. “Com as voçorocas, os agricultores perdem área agricultável e isso provoca a diminuição da qualidade de vida. 


Isso acontece porque ele deixa a sua terra e vai morar na cidade, já que ele não vê mais condições de trabalhar com ela. Na zona urbana, ele consegue um subemprego. Com isso, ele e sua família estão perdendo o vínculo com o campo”, disse.
Voçorocas fazem parte da paisagem em Gilbués (Foto: Pedro Santiago/G1)Voçorocas atigem áreas em 15 cidades do Piauí Pedro Santiago/G1)

Ações contra a desertificação e experiência de sucesso
Fabriciano diz assistir ao cenário relatado por ele com desânimo e esperança. O desânimo se deve às poucas ações que o poder público vem interpondo na região, mas a alegria é carregada pelos resultados alcançados por alguns projetos implantados pela Secretaria de Meio Ambiente do Piauí, por meio da Fundação Agente para o Desenvolvimento do Agronegócio e Meio Ambiente.


Uma experiência exitosa no combate à desertificação foi a implementação do Projeto Viva Sucuruiú, em 2006, que revitalizou mananciais, recuperou áreas degradadas, assim como capacitou agricultores e implementou o uso de tecnologia em propriedades que usavam técnicas antigas e ultrapassadas do manejo do solo.
Girasol plantado pelo agricultor Washington Rodrigues em Gilbués (Foto: Fabriciano Cordado/arquivo pessoal)Girassol plantado pelo agricultor Washington em Gilbués (Foto: Fabriciano Corado/arquivo pessoal)

A agricultora Marineide Cirilo Rodrigues, citada no início do texto, diz que o projeto foi um marco na região. “Para nós que participamos do projeto foi muito bom. Aprendemos a como trabalhar. 

Antes, o que a gente plantava e colhia não dava mal para os bichos comerem, a gente estocava a colheita em junho e em outubro não tinha mais. 

Eu também tinha uma horta no Nuperade, mas ali tudo acabou”, contou num misto de alegria e desgosto pela lembrança
Quando disse que iria plantar girassol, ninguém acreditou, mas depois todo mundo vinha aqui tirar foto"
Washington Rodrigues
Whashington Rodrigues ousou e plantou até girasol no solo vermelho de Gilbués (Foto: Pedro Santiago/G1)
Whashington Rodrigues ousou e plantou até
girassol  (Foto: Pedro Santiago/G1)

O agricultor Washington Rodrigues também foi beneficiado com o projeto. Desde então plantou milho, sorgo (variação de semente do milho) e realizou uma experiência que chamou atenção: semeou e colheu uma safra de girassol. 

"Essa terra dá para todos os agricultores tirarem o seu sustento, mas precisamos de ajuda do governo. Aqui com tecnologia, a gente consegue viver bem com o que conseguimos tirar do chão. Quando disse que iria plantar girassol, ninguém acreditou, mas depois todo mundo vinha aqui tirar foto", contou.

O Núcleo de Pesquisa de Reconstrução de Áreas Degradadas (Nuperade) foi criado em 2004 pela Secretaria de Meio Ambiente para estudar e instalar projetos de pesquisa que ajudem a entender e combater a degradação no Piauí. Foi adquirida uma área de 52 hectares extremamente degradada próxima à entrada da cidade de Gilbués e nela foi implantado um projeto que alcançou resultados interessantes.


Apesar do trabalho feito, hoje o núcleo está abandonado. A horta comunitária (aquela citada pela agricultora Marineide) praticamente acabou, o viveiro de mudas para reflorestamento pegou fogo e as ações de combate a degradação na área foram abandonadas. “O Piauí perde a chance de se tornar uma referência mundial no combate à desertificação”, lamentou Fabriciano sobre a situação.
Voçorocas fazem parte da paisagem em Gilbués (Foto: Pedro Santiago/G1)Voçorocas fazem parte da paisagem em Gilbués (Foto: Pedro Santiago/G1)

O secretário de Meio Ambiente do Piauí, Ziza Carvalho, afirmou ao G1 que o Banco Mundial destinou US$ 188 mil para a retomada das ações do Nuperade. “Um programa de proteção ao Cerrado escolheu seis cidades para investir no combate ao desmatamento e queimada. 

Gilbués foi contemplado com US$ 33 mil para a reforma do Nuperade e reconstrução do viveiro de mudas e mais US$ 155 mil para o plantio, distribuição e manutenção das mudas”, informou.

A Semar informou que essa é a única ação prevista para o combate específico da desertificação. Sobre o incentivo da adoção de técnicas agrícolas, o órgão afirmou que a reponsabilidade seria da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).


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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Número de famílias endividadas volta a subir em dezembro, diz CNC

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Proporção de famílias que dizem ter dívidas é de 61%.
Alta ocorreu só no grupo de famílias com renda acima de 10 mínimos.

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Do G1, em São Paulo
22/12/2015 13h10 - Atualizado em 22/12/2015 13h53
Postado às 16h55m
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Depois de dois meses seguidos de queda na comparação mensal, o número de famílias endividadas voltou a subir em dezembro. 

A proporção de famílias que afirmaram ter dívidas com cheques pré-datado e especial, cartão de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal e prestação de carro e seguro chegou a 61,1% no mês, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Especialista de Mogi das Cruzes dá dicas para evitar endividamento (Foto: Reprodução/TV Diário)Aumenta percentual de famílias endividadas (Foto: Reprodução/TV Diário)

A alta no número de famílias endividadas frente a outubro foi observada apenas no grupo de famílias com rendimentos superiores a dez salários mínimos. Nessa faixa de renda, a parcela de famílias endividadas foi de 56%.

Entre aquelas que recebem menos de dez salários mínimos, o percentual teve leve queda entre um mês e outro, passando de 62,3%, em novembro, para 62,2% em dezembro. Na comparação anual, ambas as faixas de renda apresentaram alta.

“Observamos uma retração nos indicadores de consumo das famílias, sobretudo em relação aos bens duráveis, porém o aumento das taxas de juros e a redução do emprego e da renda real dos consumidores motivaram a piora nos indicadores de endividamento e inadimplência”, explica a economista da CNC Marianne Hanson, em nota.

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SpaceX lança foguete e coloca satélites em órbita com sucesso

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Empresa dos EUA conseguiu recuperar intacto primeiro estágio de foguete.
Operação é inédita e poupará milhões de dólares para a companhia.

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Da France Presse
22/12/2015 05h31 - Atualizado em 22/12/2015 07h08
Postado às 10h05m
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A empresa americana SpaceX lançou com sucesso nesta segunda-feira (21) seu foguete Falcon 9 - que colocou 11 satélites em órbita - e conseguiu recuperar intacto o primeiro estágio do vetor, em uma operação inédita (Foto: Mike Brown/Reuters)
A empresa americana SpaceX lançou com sucesso nesta segunda-feira (21) seu foguete Falcon 9 - que colocou 11 satélites em órbita - e conseguiu recuperar intacto o primeiro estágio do vetor, em uma operação inédita (Foto: Mike Brown/Reuters)

A empresa americana SpaceX conseguiu realizar o pouso de seu foguete Falcon 9 na segunda-feira (21) pela primeira vez, um feito inédito na história espacial, motivado pelo desejo de reduzir custos e de transformar os foguetes em naves com possibilidade de reutilização.

A SpaceX lançou com sucesso o Falcon 9 com o objetivo de transportar 11 satélites à órbita baixa da Terra e depois conseguiu fazer retornar ao planeta a primeira fase do lançador.

O foguete decolou às 20H29 (23H29 de Brasília) de Cabo Canaveral, Flórida. Alguns minutos depois do lançamento, a primeira fase do foguete - que dá a potência na decolagem - se desprendeu e iniciou o retorno à Terra, enquanto a segunda fase manteve a propulsão dos satélites para o espaço.
Graças aos motores que atenuaram a queda, a primeira fase do foguete pousou de modo suave em posição vertical 11 minutos depois da decolagem, de acordo com as imagens exibidas ao vivo pela empresa do bilionário Elon Musk.
Esta foi a primeira vez que um foguete orbital realizou um pouso controlado.

"Ainda não consigo acreditar", disse Musk em uma teleconferência.
"Acredito que é um momento revolucionário. Ninguém havia conseguido antes recuperar um lançador orbital intacto", completou.

O foguete chegou a uma altura de 200 km antes de retornar à Terra e pousar em um local que já serviu de base de testes de foguetes e mísseis da Força Aérea dos Estados Unidos, mas que não era utilizado desde 1978.

A segunda fase do foguete conseguiu nos minutos seguintes liberar os 11 satélites da empresa ORBCOMM na órbita baixa da Terra.
"Confirmamos a primeira etapa do pouso do Falcon", escreveu a SpaceX no Twitter.
"Todos os 11 satélites ORBCOMM foram liberados em órbitas nominais".

A Nasa também celebrou a conquista.
"Felicitações @SpaceX por seu pouso vertical de sucesso da primeira fase de volta à Terra!", escreveu a agência espacial americana em um tuíte.

Recuperar a primeira fase do foguete Falcon 9 permitirá a SpaceX economizar dinheiro, já que atualmente os componentes destes aparelhos custam milhões de dólares e costumam terminar como resíduos após cada lançamento.

Em outras oportunidades, as tentativas de pouso de foguetes sobre plataformas flutuantes no oceano falharam, mas a SpaceX afirma que a cada experiência se aproximava do sucesso.

No mês passado, o fundador da Amazon e dono da empresa de foguetes Blue Origin, Jeff Bezos, anunciou o pouso com êxito do foguete New Shepard depois de um voo suborbital.
O New Shepard voou a uma altitude menor que o Falcon 9, o que tornou mais fácil o pouso na comparação com o foguete de Musk, afirmam especialistas.

No dia 28 de junho, o Falcon 9 explodiu apenas dois minutos depois do lançamento, destruindo a nave de carga não tripulada Dragon, que transportava material para os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS).

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