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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Dólar fecha em R$ 5,18 e renova menor patamar desde maio de 2024; Ibovespa avança

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A moeda americana caiu 0,62%, cotada em R$ 5,1878, no menor nível do ano até agora. Já o principal índice da bolsa brasileira tinha alta na última hora do pregão.
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Por Redação g1 — São Paulo

Postado em 09 de Fevereiro de 2.026 às 10h00m
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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar fechou a sessão desta segunda-feira (9) em queda de 0,62%, cotado a R$ 5,1878 no menor patamar desde maio de 2024 e no menor nível do ano até agora. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operava em alta na última hora do pregão.

▶️A moeda americana perdeu força ao redor do planeta nesta segunda-feira, após notícias de que reguladores chineses estariam recomendando que os bancos do país diminuíssem a exposição aos Treasuries (títulos do Tesouro americano), ou seja, reduzissem o volume desses papéis nas carteiras para diminuir o risco. As informações foram divulgadas pela Bloomberg News.

  • A notícia aumentou a percepção no mercado de que investidores estrangeiros estariam evitando ativos dos Estados Unidos e enfraqueceu o dólar em relação a outras moedas do mundo — inclusive o real brasileiro.

▶️ Ainda no exterior, investidores também avaliaram falas do assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett. Ele afirmou que o crescimento do emprego poderá ser menor nos EUA nos próximos meses. O cenário reforça a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deva ser mais cauteloso na condução dos juros no país.

▶️ No Brasil, o foco esteve com novas falas do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, que participou de evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC). Galípolo fez comentários sobre a situação do Banco Master, em liquidação extrajudicial desde novembro do ano passado, reiterando que o caso gerou uma comoção desproporcional ao tamanho da instituição.

▶️ Na agenda, o Boletim Focus mostrou uma nova queda na projeção de inflação para 2026, agora em 3,97%. A temporada de balanços corporativos também segue no radar. Por aqui, o BTG Pactual divulgou lucro líquido ajustado de R$ 4,6 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 40,3% em um ano.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,62%;
  • Acumulado do mês: -1,14%;
  • Acumulado do ano: -5,48%.
📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +0,87%;
  • Acumulado do mês: +0,87%;
  • Acumulado do ano: +13,54%.
Caso Master no radar

Os desdobramentos do caso do Banco Master continuam a ficar no centro das atenções. Nesta segunda-feira, o destaque ficou com os comentários do presidente do BC, Gabriel Galípolo, que participou de um evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC).

Galípolo afirmou que o caso do Banco Master gerou confusão e desinformação no debate público, sobretudo sobre a legalidade de oferecer rendimentos acima do mercado — o que, por si só, não justificaria uma intervenção do BC, segundo o banqueiro central.

Isso porque, segundo ele, não existe uma regra que proíba bancos de captar recursos pagando juros mais altos, como fazia o Master. "Aquilo não configuraria um objeto para você liquidar o banco, disse.

Tinha gente que cobrava que liquidasse o banco porque existiam CDBs sendo emitidos a uma taxa superior ao CDI. Não se trata disso", completou.

Na avaliação do presidente do BC, o problema central estava na combinação entre dificuldades de liquidez, dúvidas sobre a qualidade dos ativos e suspeitas envolvendo carteiras de crédito, o que levou à intensificação da supervisão a partir do fim de 2024.

Os prejuízos ligados ao caso, no entanto, continuam a aumentar. Um levantamento feito pela GloboNews com base nos balanços mais atualizados disponibilizados pelo Ministério da Previdência Social, pelo menos oito fundos previdenciários estaduais e municipais que investiram em letras financeiras do Banco Master estão deficitários.

Eleições internacionais

  • Portugal

Portugal elegeu António José Seguro, do Partido Socialista, como novo presidente no segundo turno da eleição no país. Com quase todos os votos apurados, ele teve cerca de 67% dos votos, contra 33% de André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega.

Seguro venceu com apoio de partidos de centro e se apresentou como um candidato moderado, defensor da democracia e contrário ao discurso radical e anti-imigração do rival. Ventura reconheceu a derrota, mas disse que seu partido continua crescendo no país.

A eleição ocorreu em meio a fortes tempestades, que adiaram a votação em algumas cidades. Mesmo assim, a maioria dos portugueses conseguiu votar normalmente.

  • Japão

Já o partido da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, venceu a eleição antecipada e garantiu pelo menos dois terços das cadeiras do Parlamento, segundo a emissora pública NHK.

Com essa maioria, o governo ganha força para aprovar suas propostas com mais facilidade.

Takaichi, primeira mulher a governar o país, é conservadora, tem apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, e defende posições duras sobre segurança, economia e imigração. Ela dissolveu o Parlamento em janeiro para tentar ampliar sua base política — e conseguiu.

A votação aconteceu em meio a nevascas, que dificultaram o acesso de eleitores às urnas em algumas regiões. Apesar disso, o resultado confirmou as pesquisas, que já apontavam ampla vitória do partido da premiê.

Agenda econômica e corporativa

  • Temporada de balanços corporativos

A divulgação dos resultados corporativos do quarto trimestre continua no radar dos mercados. Por aqui, o BTG Pactual informou nesta manhã que teve um lucro recorde no fim de 2025.

Entre outubro e dezembro, o banco ganhou cerca de R$ 4,6 bilhões, um aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior. Também faturou mais, com R$ 9,1 bilhões em receitas, superando as expectativas do mercado.

Agora, o mercado volta a atenção para os próximos resultados previstos para esta semana, com destaque para o Banco do Brasil, que divulga seus números na quarta-feira (11) e a Vale, na quinta-feira (12)

A expectativa é que os executivos da mineradora comentem sobre o caso mais recente envolvendo o nome da companhia. Nesta segunda-feira, a Justiça de Minas Gerais determinou a paralisação de todas as operações da empresa no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto, na Região Central do estado.

Segundo a decisão, as atividades só poderão voltar após comprovação da segurança das estruturas. Por enquanto, ficam permitidas apenas ações para reduzir riscos e evitar danos ambientais.

  • Boletim Focus

Outro destaque do dia ficou com o Boletim Focus. Segundo o documento, o mercado financeiro reduziu pela quinta semana seguida a previsão de inflação para 2026, de 3,99% para 3,97%, segundo o boletim Focus do Banco Central. Se confirmada, a taxa ficará abaixo da inflação registrada em 2025 (4,26%).

  • As projeções para os anos seguintes foram mantidas: 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028 e 2029.
  • Para os juros, a expectativa é de queda da Selic, hoje em 15% ao ano, para 12,25% no fim de 2026.
  • O crescimento do PIB em 2026 segue estimado em 1,8%, abaixo do ritmo projetado para 2025.
  • Já o dólar deve encerrar 2026 em torno de R$ 5,50, segundo as previsões do mercado.
Bolsas globais

Nos Estados Unidos, o clima nos mercados financeiros foi bastante positivo nesta segunda-feira, conforme empresas de tecnologia recuperavam boa parte das perdas da última semana, e à medida que investidores aguardam novos indicadores importantes da atividade econômica do país.

Em Wall Street, o Dow Jones tinha alta de 0,12%, enquanto o S&P 500 subia 0,62% e o Nasdaq avançava 1,07%

Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 atingiu um novo recorde de fechamento nesta segunda-feira, acompanhando uma recuperação global do mercado acionário. O índice avançou 0,70%.

Entre os demais índices da região, destaque para o DAX, na Alemanha, que avançou 1,19%. Em Madri, o Ibex-35 teve alta1,40%, enquanto o PSI20, de Lisboa, subiu 1,13%.

Na Ásia, os mercados tiveram um dia de forte recuperação, impulsionados pelo desempenho recorde de Wall Street na sexta-feira, e pela alta das bolsas japonesas após a vitória eleitoral da primeira-ministra Sanae Takaichi no fim de semana. As ações chinesas também reagiram bem, com o melhor resultado em um mês.

Analistas recomendaram que os investidores mantivessem suas posições antes do feriado do Ano Novo Lunar, avaliando que a recente queda — de mais de 4% desde o pico de 29 de janeiro — pode ter chegado ao fim.

No fechamento, os índices da região registraram altas expressivas. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,76%, para 27.027 pontos. Em Xangai, o SSEC avançou 1,41%, para 4.123 pontos, e o CSI300 ganhou 1,63%, chegando a 4.719 pontos.

No Japão, o Nikkei disparou 3,9%, para 56.363 pontos. Na Coreia do Sul, o KOSPI subiu 4,10%, para 5.298 pontos, enquanto Taiwan registrou alta de 1,96%, para 32.404 pontos. Em Cingapura, o Straits Times avançou 0,54%, para 4.960 pontos.

Dólar — Foto: Karolina Grabowska/Pexels
Dólar — Foto: Karolina Grabowska/Pexels

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domingo, 8 de fevereiro de 2026

PIX movimenta R$ 35,4 trilhões em 2025 e bate recorde; BC promete novidades para este ano

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Com mais de cinco anos de existência, ferramenta de transferência de recursos do Banco Central é reconhecida internacionalmente. PIX permitiu bancarização da população, novos modelos de negócios e promete novidades para os próximos anos.
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Por Alexandro MartelloJanize Colaço, g1 — Brasília e São Paulo
07/02/2026 04h01 
Postado em 08 de Fevereiro de 2.026 às 09h00m
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Começam a valer novas regras do PIX para combater fraudes
Começam a valer novas regras do PIX para combater fraudes

O Banco Central (BCregistrou R$ 35,36 trilhões em transferências via PIX em 2025. Um recorde.

O volume de valores transferidos cresceu 33,6% na comparação com 2024 — quando as movimentações totalizaram R$ 26,46 trilhões.

A quantidade de transações também superou a registrada no ano anterior. Em 2025, foram 79,8 bilhões de operações. Em 2024, o Banco Central contabilizou 63,5 bilhões de transferências.

O Banco Central também prevê novidades no principal meio de pagamento dos brasileiros para 2026 (veja mais abaixo nessa reportagem).

MOVIMENTAÇÕES DE RECURSOS PELO PIX
EM R$ TRILHÕES






Em novembro de 2025, quando o PIX fez aniversário de cinco anos, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, comentou que o país estava próximo, naquele momento, de ter toda a população adulta utilizando a ferramenta.

"É essencialmente quase todo adulto no país", disse o diretor do BC, na ocasião.

Ele também afirmou que a velocidade da adoção massiva do PIX pelo povo brasileiro surpreendeu, e que a ferramenta foi responsável por incluir milhares de pessoas no sistema financeiro.

Muita gente não usava as contas que tinha. Ou apenas recebia o salário, sacava tudo e só utilizava dinheiro. Depois do PIX, as pessoas perceberam a conveniência de se pagar as contas pelo celular e mudaram esse comportamento, passando, de fato, a usar suas contas, afirmou o diretor do BC, Renato Gomes, em novembro do ano passado. 
Evolução nos últimos anos

Reconhecido internacionalmente, a ferramenta de transferência em tempo real do Banco Central evoluiu nos últimos cinco anos. Entre elas:

  • 📩 PIX Cobrança: passou a cumprir o papel do boleto, permitindo que empresas e prestadores de serviço emitam e recebam pagamentos de forma mais rápida, com conciliação automática e comunicação direta com o cliente.
  • 💵 PIX Saque e PIX Troco: lojas e outros estabelecimentos passaram a funcionar como pontos de saque, o que descentraliza o acesso ao dinheiro e ainda reduz custos para o comércio ao incentivar o uso de pagamentos eletrônicos.
  • 📅 PIX Agendado: facilitou pagamentos periódicos e transferências com datas fixas, ganhando relevância entre empregadores, autônomos e profissionais liberais pela previsibilidade e organização financeira.
  • 📱 PIX por Aproximação: disponível inicialmente apenas para Android, trouxe a experiência de pagamentos por contato físico, semelhante aos cartões por aproximação, para o ambiente digital.
  • 🔄 PIX Automático: transforma os pagamentos recorrentes ao democratizar o equivalente ao débito automático, antes concentrado em grandes instituições, e facilitar cobranças de serviços contínuos.
  • 🌐 Integração com o Open Finance: ampliou o alcance das transações digitais, permitindo iniciar pagamentos por diferentes plataformas, especialmente em compras online e via celular.
Golpes, fraudes e a corrida pela segurança

A evolução do sistema de pagamentos também trouxe a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de segurança da ferramenta. Só em 2024, por exemplo, o BC registrou R$ 6,5 bilhões em perdas por fraudes pelo PIX, um aumento de 80% em relação ao ano anterior.

Já neste ano, o BC registrou o maior ataque hacker do país, que desviou R$ 800 milhões de bancos e empresas ligadas ao sistema PIX.

Uma das medidas mais recentes é a chamada coincidência cadastral, que exige que os dados das chaves coincidam com as informações da Receita Federal, reduzindo a abertura de contas com identidades falsas.

"O manual de penalidades também foi reforçado, tornando mais severas as sanções para instituições que não seguem as regras de segurança. Intermediários tecnológicos passaram a operar com limites restritos até cumprirem todas as exigências de credenciamento, e novos mecanismos de alerta para transações suspeitas estão em desenvolvimento", afirmou o diretor do BC, Renato Gomes.

➡️Mais recentemente, o BC passou a exigir que os bancos sigam novas regras para viabilizar a restituição de recursos em casos de fraude e de falha operacional.

Antes, a devolução só podia ser feita a partir da conta usada na fraude. No entanto, os golpistas costumam sacar ou transferir rapidamente o dinheiro para outras contas, perdendo a possibilidade de rastreio.

Novidades em estudo

➡️O Banco Central também prevê novidades para o PIX neste ano.

  • Cobrança Híbrida: inserção no regulamento do PIX da possibilidade de pagamento, por meio do QR code, de uma cobrança que também apresenta a possibilidade de pagamento por meio do arranjo de boleto. Isso já é oferecido de forma facultativa, mas a previsão é de que seja obrigatória a partir de novembro deste ano.
  • Duplicata: funcionalidade para permitir o pagamento de duplicatas escriturais (títulos de crédito) via PIX, facilitando a antecipação de recebíveis, com informações atualizadas em tempo real, reduzindo custos operacionais. Objetivo é que sirva de alternativa aos boletos bancários.
  • Split tributário: adequar a ferramenta, até o fim do ano, ao sistema de pagamento de impostos em tempo real que vem sendo desenvolvido pela Receita Federal no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. De 2027 em diante, a CBS (tributo federal sobre o consumoserá paga no ato da compra, desde que seja feita por meio eletrônico.

➡️Previstas para 2027, a depender de recursos disponíveis no Banco Central:

  • PIX internacional: modalidade que já é aceita em alguns países, como Argentina, Estados Unidos (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o formato atual de utilização do PIX, em outros países, é "parcial", focada em estabelecimentos específicos. A ideia é que os pagamentos transfronteiriços possam ser feitos de forma definitiva, entre países, no futuro. A ideia é interligar sistemas de pagamento instantâneos.
  • PIX em garantia: será um tipo crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A ideia é que esses trabalhadores possam dar, em garantia de empréstimos bancários, "recebíveis futuros", ou seja, transferências que irão receber por meio do PIX - possibilitando a liberação dos recursos e juros mais acessíveis.
  • PIX por aproximação (modelo offline): ideia é permitir o pagamento por aproximação mesmo que o usuário não esteja com seu dispositivo conectado, ou seja, ligado à rede por Wi-Fi ou 5G.

➡️Ao mesmo tempo, o Banco Central segue discutindo o lançamento, no futuro, das regras para o chamado PIX Parcelado, que será uma alternativa para 60 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso ao cartão de crédito.

💵O parcelamento por meio do PIX já é ofertado por várias instituições financeiras, uma linha de crédito formal, mas o BC quer padronizar as regras — o que tende a favorecer a competição entre os bancos e queda dos juros. Essa padronização não tem prazo definido.

— Foto: Divulgação
— Foto: Divulgação

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Calor nas cidades pode ser até o dobro do previsto com o aquecimento global, aponta estudo

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Análise de 104 cidades mostra que 8 em cada 10 devem aquecer mais rápido que áreas rurais ao redor, mesmo se o aquecimento global for limitado a 2 °C. Trabalho inclui cidades brasileiras e indica que o efeito varia conforme vegetação, urbanização e clima local.
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Por Roberto Peixoto, g1

Postado em 08 de Fevereiro de 2.026 às 07h00m
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Vale qualquer sombra: em Madureira, pessoas esperam o ônibus na sombra do poste — Foto: Marcos Serra Lima/g1/Arquiv
Vale qualquer sombra: em Madureira, pessoas esperam o ônibus na sombra do poste — Foto: Marcos Serra Lima/g1/Arquiv

Um novo estudo científico recém-publicado indica que o aquecimento global pode ter um efeito ainda mais intenso dentro das cidades do que o previsto por modelos climáticos tradicionais.

A pesquisa, publicada na prestigiada revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)", analisou 104 cidades de porte médio em regiões tropicais e subtropicais e concluiu que, em cerca de 81% delas, a temperatura urbana tende a subir mais rapidamente do que nas áreas rurais ao redor.

O trabalho utilizou projeções climáticas combinadas com modelos estatísticos e técnicas de aprendizado de máquina para estimar como fatores como a chuva, a umidade e a vegetação influenciam o aquecimento urbano.

COP30 - Por que limitar o aquecimento a 1,5°C é a meta perseguida?
COP30 - Por que limitar o aquecimento a 1,5°C é a meta perseguida?

2️⃣ Em parte das cidades avaliadas, o aumento de temperatura pode chegar a ser até o dobro do registrado no entorno rural.

Entre as cidades analisadas estão municípios de vários países da América Latina, incluindo o Brasil.

O estudo cita, por exemplo, Campo Grande, além de outras cidades brasileiras avaliadas nas projeções.

Nos resultados, os pesquisadores observaram que o comportamento das cidades brasileiras tende a ser diferente do registrado em regiões mais áridas ou densamente urbanizadas da Ásia e do Oriente Médio.

Em partes do Brasil, porém, a diferença entre o aquecimento urbano e o regional pode ser menor, em parte por causa da presença de vegetação e da maior disponibilidade de umidade, fatores que ajudam a reduzir a intensidade da chamada ilha de calor urbana.

Ainda assim, o estudo mostra que essas cidades continuam aquecendo junto com o clima regional, o que pode aumentar a frequência de dias muito quentes e de noites abafadas.

Os resultados mostram, contudo, que o comportamento de cidades pelo mundo não é uniforme: em alguns casos, a diferença entre o aquecimento urbano e o regional é pequena, enquanto em outros há um aumento mais expressivo.

Ainda assim, os pesquisadores destacam que mesmo variações aparentemente pequenas podem ter impacto relevante na vida cotidiana.

➡️ Em cidades já quentes, um aumento adicional de alguns décimos de grau pode elevar a frequência de dias muito quentes e noites abafadas, com efeitos sobre saúde, consumo de energia e qualidade de vida.

O fenômeno por trás desse resultado é conhecido como ilha de calor urbana. Cidades tendem a reter mais calor do que áreas rurais por causa da presença de concreto, asfalto e edifícios, além da menor quantidade de vegetação.

Esses materiais absorvem energia durante o dia e liberam calor lentamente à noite, mantendo as temperaturas elevadas.

São Paulo registrou 39 °C em 25 de dezembro, em pleno dia de Natal, durante uma onda de calor. — Foto: RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
São Paulo registrou 39 °C em 25 de dezembro, em pleno dia de Natal, durante uma onda de calor. — Foto: RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Segundo os autores, os modelos climáticos globais são essenciais para prever o aquecimento do planeta, mas não conseguem representar com precisão o microclima das cidades, especialmente as de porte médio.

🌡️ Isso acontece porque esses modelos trabalham com áreas muito grandes, nas quais diferenças locais acabam diluídas.

Para contornar essa limitação, o estudo combinou dados climáticos com informações de satélite e modelos capazes de estimar com mais detalhe a temperatura da superfície nas áreas urbanas.

Os resultados indicam que, ao considerar esses fatores locais, o aquecimento nas cidades pode ser maior do que o estimado apenas com base nas médias regionais.

Em algumas regiões do mundo, como norte da Índia e partes da China, as projeções apontam aumentos urbanos significativamente superiores aos das áreas vizinhas.

Já em cidades brasileiras analisadas, a diferença tende a ser menor em média, embora o aumento geral de temperatura ainda seja significativo.

Os pesquisadores também ressaltam que o estudo não considerou a expansão futura das cidades.

E caso áreas urbanizadas continuem crescendo nas próximas décadas, o aquecimento local pode ser ainda maior do que o estimado.

Silhueta de uma mulher contra o sol poente. — Foto: AP Photo/Charlie Riedel
Silhueta de uma mulher contra o sol poente. — Foto: AP Photo/Charlie Riedel

Por que limitar o aquecimento a 1,5°C é a meta perseguida?

A meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais surgiu como um consenso científico e diplomático em 2015, com o Acordo de Paris.

Ela foi definida após uma série de estudos mostrarem que esse valor representava um limite seguro para evitar os efeitos mais devastadores das mudanças climáticas – como secas intensas, colapso de ecossistemas, aumento extremo do nível do mar e impactos graves à saúde humana.

A lógica por trás desse número era clara: quanto menor o aquecimento, menores os riscos. Relatórios do IPCC (painel da ONU sobre clima) mostraram que, mesmo com 1,5°C, o planeta já enfrentaria perdas consideráveis, mas que esses impactos seriam muito piores com 2°C ou mais.

Estabelecer esse teto era uma forma de preservar o futuro de bilhões de pessoas, especialmente nas regiões mais vulneráveis.

No entanto, os dados mais recentes apontam que esse limite já está sendo superado. Em 2024, o planeta atingiu a marca de 1,6°C de aquecimento: a questão que os cientistas avaliam é se isso foi um novo padrão ou apenas o registro pontual em um ano.

E, pior: estudos publicados nas revistas "Nature Climate Change e Nature Communications" indicam que manter o aquecimento em 1,5°C talvez não seja mais suficiente para impedir o colapso de geleiras na Groenlândia e na Antártida – regiões que armazenam gelo capaz de elevar o nível do mar em até 65 metros nos próximos séculos.

Além disso, um relatório da ONU afirma que, mesmo no cenário mais otimista, a chance de limitar o aquecimento global a 1,5°C é de apenas 14%.

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Por que bitcoin despencou ao menor nível desde que Trump assumiu o poder

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Preço da moeda digital desabou apesar do apoio público do presidente americano, Donald Trump.
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TOPO
Por BBC

Postado em 06 de Fevereiro de 2.026 às 08h10
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Bandeira dos EUA exibida na tela de um laptop e representação da criptomoeda Bitcoin em 6 de novembro de 2024. — Foto: Getty Image via BBC
Bandeira dos EUA exibida na tela de um laptop e representação da criptomoeda Bitcoin em 6 de novembro de 2024. — Foto: Getty Image via BBC

O preço do bitcoin caiu ao nível mais baixo em 15 meses, apesar do apoio pessoal dado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, às criptomoedas.

Um único bitcoin agora vale US$ 65 mil (ou cerca de R$ 342 mil), o menor valor desde outubro de 2024. A cotação já desabou 24% desde o início deste ano.

A queda ocorreu após meses de alta, que levaram a criptomoeda a atingir um recorde histórico de US$ 122 mil em outubro.

Bitcoin atinge menor patamar desde eleição de Trump
Bitcoin atinge menor patamar desde eleição de Trump

O envolvimento de Trump no setor, seu apoio declarado às criptomoedas e suas promessas de flexibilizar a legislação sobre o setor deram impulso ao ativo.

Uma das primeiras ações de Trump ao retornar à Casa Branca em janeiro de 2025 foi publicar uma ordem executiva com o objetivo de tornar os EUA a "capital mundial das criptomoedas".

Em seu primeiro ano de volta ao cargo, Trump lançou sua própria criptomoeda, com a maior parte dos lucros indo para suas empresas. E ele manteve seu envolvimento com a World Liberty Financial, um veículo de investimento para outros ativos cripto que pertence à família Trump.

Até o momento, seu governo sancionou uma lei para dar respaldo federal às criptomoedas e dissolveu uma equipe do Departamento de Justiça focada na aplicação da regulamentação de criptomoedas. A Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês) abandonou o trabalho de fiscalização e as investigações relacionadas às criptomoedas.

Em novembro, os democratas do Comitê Judiciário do Senado criticaram a "agenda pró-criptomoedas" de Trump, observando que o presidente acumulou participações em criptomoedas no valor de mais de US$ 11 bilhões e obteve uma renda pessoal de US$ 800 milhões com transações desde que assumiu o cargo.

Com a queda da cotação registrada na quinta-feira, o bitcoin acumula 32% de baixa nos últimos 12 meses, se aproximando de patamares registrados no início de 2024 e em 2021.

O bitcoin é a maior e mais conhecida criptomoeda — uma forma de dinheiro exclusivamente digital que não é controlada por uma instituição financeira centralizada.

Por que o Bitcoin perdeu valor?

A cotação do bitcoin tende a ser volátil, mas analistas do Deutsche Bank afirmaram em uma nota na quarta-feira que a queda mais recente foi "desencadeada" pela nomeação de Kevin Warsh por Trump como o novo presidente do Federal Reserve (o banco central dos EUA).

Alguns acreditam que ele adotará uma abordagem mais "agressiva", mantendo as taxas de juros mais altas, enquanto uma política monetária mais expansionista favoreceria o investimento em ativos como criptomoedas.

A cotação do bitcoin tem apresentado uma tendência de queda nos últimos quatro meses, observou o Deutsche Bank, com um crescente sentimento negativo em relação às criptomoedas de modo geral.

"Essa venda constante, em nossa opinião, sinaliza que os investidores tradicionais estão perdendo o interesse, e o pessimismo geral em relação às criptomoedas está crescendo", afirmou o banco.

O Deutsche Bank não acredita que as criptomoedas vão desaparecer, mas também não prevê que o bitcoin volte às altas impulsionadas por Trump.

O banco afirmou que a moeda digital está passando de um "ativo puramente especulativo" para uma fase mais realista, como um ativo que "precisa encontrar seu papel específico".

William Barhydt, diretor executivo da Abra Capital Management, uma empresa de investimentos focada em criptoativos, concordou que as criptomoedas estão amadurecendo, mas espera que os preços se recuperem.

"Eu não diria que elas precisam se recuperar, mas não consigo imaginar como isso não aconteceria", disse Barhydt, observando que esta não é a primeira vez que o bitcoin apresenta oscilações significativas de valor.

"A única maneira de isso não acontecer é se acabarmos em algum tipo de guerra", acrescentou Barhydt.

Outras criptomoedas populares são ethereum e solana. Seus preços caíram cerca de 37% até agora em 2026.

De acordo com a CoinGecko, que monitora o desempenho de milhares de criptomoedas, o mercado perdeu mais de US$ 1 trilhão em valor apenas no último mês e US$ 2 trilhões desde que atingiu seu pico em outubro.

A Stifel, uma empresa de investimentos e pesquisa com sede nos EUA, afirmou em um comunicado aos investidores que os preços do bitcoin podem cair para até US$ 38 mil. A empresa apontou para uma nova tendência de criptomoedas seguirem mais de perto os preços do dólar americano.

Na semana passada, o dólar caiu para sua cotação mais baixa em quatro anos.

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