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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Como a ciência explica por que é tão difícil resistir a comidas doces e gordurosas

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Experimentos mostram que certos alimentos ativam mecanismos de recompensa do cérebro.
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TOPO
Por BBC

Postado em 21 de fevereiro de 2022 às 11h05m

Post.- N.\ 10.216

Experimentos científicos nos oferecem algumas pistas sobre o que acontece em nossos cérebros quando optamos por certos alimentos. — Foto: Pexels
Experimentos científicos nos oferecem algumas pistas sobre o que acontece em nossos cérebros quando optamos por certos alimentos. — Foto: Pexels

Por que é tão mais fácil escolher comer um donut em vez de uma porção de brócolis cozido no vapor?

Não há dúvida de que algumas comidas despertam mais a nossa vontade do que outras — sobretudo aquelas ricas em açúcar e gordura.

Mas por que são tão irresistíveis?

Experimentos científicos nos oferecem algumas pistas sobre o que acontece em nossos cérebros quando optamos por certos alimentos.

Segundo o neurocientista Fabian Grabenhorst, se você entrasse em uma máquina de ressonância magnética e te oferecessem um milk-shake de chocolate, poderíamos ver o sistema de recompensas do seu cérebro se iluminar como um parque de diversões.

Alimentos como milk-shake ativam mecanismos de recompensa do cérebro — Foto: Pexels
Alimentos como milk-shake ativam mecanismos de recompensa do cérebro — Foto: Pexels

Logo acima dos olhos está localizado o córtex orbitofrontal, uma parte do cérebro que é especialmente desenvolvida em humanos e primatas.

Nela, grupos de neurônios respondem a diferentes sensações e nutrientes — sabor, cheiro, quão cremoso e encorpado o milk-shake é — e quanto mais seus neurônios se iluminam, mais apetitosa a comida em questão parece.

Duas coisas que alegram particularmente estes neurônios de recompensa são a gordura e o açúcar.

E combinações de gordura e açúcar podem ser ainda mais atraentes, como no caso do milkshake, de um donut ou de uma fatia de torta.

Combinações de gordura e açúcar podem ser ainda mais atraentes, como no caso do milkshake, de um donut ou de uma fatia de torta. — Foto: Pexels
Combinações de gordura e açúcar podem ser ainda mais atraentes, como no caso do milkshake, de um donut ou de uma fatia de torta. — Foto: Pexels

Mas nossos neurônios não respondem apenas a essas sensações, eles também são ativados quando você está planejando o que comer — em uma espécie de competição entre si para serem "escolhidos".

E uma vez que você decide, os mesmos neurônios acompanham seu progresso — à medida que você come, eles vão ficando cada vez menos ativos, conforme você se aproxima da saciedade.

Mas não estamos totalmente à mercê das demandas de nosso córtex orbitofrontal. Ter informações sobre os alimentos pode fazer uma grande diferença.

Vamos voltar àquela máquina de ressonância magnética, e tomar agora um pouco de sopa. Tem dois tipos — uma sopa é identificada como de 'sabor rico e delicioso', e a outra como 'água de legume cozido'.

Seus neurônios se iluminam mais ao tomar a sopa de 'sabor rico e delicioso', e menos com a 'água de legume cozido'.

Mas tem uma pegadinha: é a mesma sopa. A única diferença é o nome, e isso é suficiente para mudar completamente sua experiência, conforme mostram estudos.

É a mesma sopa, mas os neurônios se iluminam mais ao tomar a sopa de 'sabor rico e delicioso', e menos com a 'água de legume cozido' — Foto: Pexels
É a mesma sopa, mas os neurônios se iluminam mais ao tomar a sopa de 'sabor rico e delicioso', e menos com a 'água de legume cozido' — Foto: Pexels

Este experimento também foi feito com vinho — dizer às pessoas que determinado vinho era mais caro aumentava a atividade dos neurônios e deixava o vinho com um sabor melhor.

Outra parte do cérebro envolvida na escolha dos alimentos é a amígdala — estrutura localizada no lobo temporal (lateral), que processa nossas emoções.

Ela também tem um papel quando você decide onde ir comer com outra pessoa.

Se você já viu no passado o que esta pessoa prefere, sua amígdala terá desenvolvido os chamados neurônios de simulação — que permitem a você prever as intenções do outro e incluir assim em suas próprias sugestões do que comer juntos.

As diferenças em nossos genes também são um fator que explica quão suscetíveis somos ao canto da sereia dos nossos neurônios de recompensa — algumas pessoas são naturalmente mais responsivas à recompensa que sentimos ao comer açúcar e gordura do que outras.

Aspecto social

Experimentos científicos nos oferecem pistas sobre como nossos cérebros computam nossas escolhas sobre o que comer, mas a maneira como lidamos com essas escolhas em nossas vidas e na sociedade também é complexa.

De acordo com Emily Contois, professora assistente de Estudos de Mídia da Universidade de Tulsa, nos EUA, vários fatores influenciam nossa escolha do que comer.

"O que está disponível no supermercado? O que é conveniente? O que é acessível financeiramente? O que traz boas lembranças? O que é gostoso para nós? O que achamos saudável? Qual é o nosso estado de saúde atual? O que define nossas ideias sobre quem somos?", enumera ela para a BBC Ideas.

E as redes sociais, segundo ela, ganharam um papel importante neste processo.

"O Instagram, e o desejo de que as pessoas sejam capazes de tirar belas fotos de comida, transformaram a ideia de que 'você é o que você come', em 'você é o que você posta'", avalia.

Redes sociais ganharam um papel importante na hora de escolher o que comer — Foto: Pexels
Redes sociais ganharam um papel importante na hora de escolher o que comer — Foto: Pexels

Contois afirma que buscamos uma série de coisas diferentes a partir dos alimentos que consumimos — como conforto, conexão com nossa família ou nossa herança ancestral e até mesmo um senso de controle.

"Quando vivemos em momentos repletos de conflitos econômicos, políticos e sociais, às vezes buscamos na comida aquela sensação de segurança e proteção. Então, nesses momentos, às vezes vemos as pessoas se interessarem muito por ideias relacionadas à simplicidade, saúde e pureza, como uma maneira de nos protegermos de contextos fora do nosso controle", explica.

Desta forma, a comida fala um pouco também sobre quem somos.

"(Sobre) Toda a complexidade da nossa identidade. O que comemos conta histórias sobre nosso gênero e nossa sexualidade, nossa raça e nossa etnia, nossa classe social ou nossas aspirações em relação à nossa classe social, a região onde vivemos, seja uma área urbana ou rural. O que comemos conta essas histórias contraditórias e complexas sobre quem somos", diz ela.

No futuro, podemos usar nosso conhecimento sobre o que acontece em nossos cérebros para criar alimentos atraentes com poucas calorias e saudáveis.

E podemos nos ajudar entendendo como nossos neurônios de recompensa tramam para conseguir o que querem.

Podemos ficar atentos a momentos em que tendemos a fazer escolhas erradas, como quando optamos por determinado alimento por causa de um rótulo que consideramos atraente, e não pelo teor em si.

No fim das contas, pelo menos não estamos totalmente à mercê de nossos neurônios de recompensa. Podemos usar nossa compreensão para ajudar a pensar em alimentos saudáveis ​​e fazer escolhas saudáveis.

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domingo, 20 de fevereiro de 2022

Desmatamento reduziu preço da terra e favoreceu poucos produtores rurais, diz estudo

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Pesquisa do Instituto Escolhas, feita por pesquisadores da USP, indica que houve maior desvalorização em municípios com expansão da agropecuária, como em São Félix do Xingu, no Pará.
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Por g1

Postado em 20 de fevereiro de 2022 às 11h45m

Post.- N.\ 10.215

Desmatamento reduziu preço da terra e favoreceu poucos produtores rurais, diz estudo — Foto: Arquivo/BP-AC
Desmatamento reduziu preço da terra e favoreceu poucos produtores rurais, diz estudo — Foto: Arquivo/BP-AC

O desmatamento ocorrido na década passada reduziu o preço da terra no Brasil, favorecendo a compra dessas áreas por uma pequena parcela de produtores, aponta um estudo lançado na quinta-feira (17) pelo Instituto Escolhas, feito por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

A pesquisa mostra que o desflorestamento entre os anos de 2011 e 2014 fez com que as terras brasileiras valessem, em 2017, R$ 136,7 bilhões a menos do que valeriam na ausência dele, uma depreciação equivalente a R$ 391 por hectare.

A lógica, indica o estudo, é que a desvalorização aumenta a oferta de terras, beneficiando produtores que tenham recursos para comprá-las e que estejam em regiões onde essas terras estão disponíveis.

"[Neste caso,] o produtor que comprou novas terras contou com uma ajuda do desmatamento, mesmo que ele não tenha derrubado uma só árvore", diz a pesquisa. "Ele conseguiu preço melhor para comprar terra, aumentar seu patrimônio e seu volume de produção".

Por outro lado, o desmatamento prejudicou produtores sem recursos ou de regiões sem oferta de terras, além de ter reduzido o valor de suas propriedades, acrescenta o estudo.

Municípios que tiveram maior perda no valor de suas terras — Foto: Reprodução/Instituto Escolhas
Municípios que tiveram maior perda no valor de suas terras — Foto: Reprodução/Instituto Escolhas

A pesquisa mostra que nos municípios em que ocorreu a expansão da fronteira agropecuária – situados, predominante, na Amazônia Legal e Matopiba (região que compreende estado de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) – a depreciação foi ainda maior.

Nesses, a diminuição do valor das terras chegou a R$ 83,5 bilhões ou 25% do valor da terra em 2017, o equivalente a uma redução média de R$ 985,00 por hectare.

O município onde ocorreu a maior desvalorização foi em São Félix do Xingu, no Pará, cidade com forte atividade pecuária e que tem o maior rebanho bovino do país (2,4 milhões de cabeças).

No município paraense, o preço do hectare de terra foi de R$ 2.476 em 2017. Sem o desmatamento dos anos anteriores, o preço teria chegado a R$ 6.606 por hectare.

Apesar do efeito geral de depreciação do preço da terra, os maiores valores observados estão concentrados em poucos municípios e produtores: 61 municípios (1,15%) acumularam metade da depreciação total da terra no país.

Valor da terra

O valor de mercado de um pedaço de terra é influenciado por diversos fatores como a infraestrutura, a proximidade de cidades, passando por disponibilidade de água para irrigação e o acesso a orientação técnica.

Para fazer o estudo, a equipe utilizou dados sobre o preço da terra, produção agropecuária e a mudança de uso da terra no país entre os períodos de 2006 a 2017.

O estudo, idealizado e coordenado pelo Instituto Escolhas, foi feito por uma equipe de pesquisadores da Esalq/USP, formada por Joaquim Bento de Souza Ferreira Filho, Gerd Sparovek, Adauto Brasilino Rocha Junior, Alberto Barreto, Arthur Fendrich e Giovani William Gianetti.

Exposição ‘Amazônia’ exibe resultado de 7 anos de trabalho
Exposição ‘Amazônia’ exibe resultado de 7 anos de trabalho

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Conheça a bromélia 'Darth Vader' e outras plantas ornamentais que não são da natureza

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Seleção proposital feita pela ação humana faz plantas ganharem atributos mais chamativos e vantajosos para cultivo. Efeitos vão desde de durabilidade até cores diferenciadas.
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Por Rafael Miotto, g1

Postado em 18 de fevereiro de 2022 às 09h30m

Post.- N.\ 10.214

Billbergia ‘Darth Vader’  — Foto: cultivar413 on VisualHunt.com
Billbergia ‘Darth Vader’ — Foto: cultivar413 on VisualHunt.com

As cultivares são velhas conhecidas nas plantações de alimentos. Muito do que você leva à sua boca não estava presente na natureza antes da ação do homem.

Diversos vegetais passam por processos de alteração, e muitas das plantas ornamentais que adornam os interiores das casas também não eram encontradas no meio ambiente anteriormente.

A famosa Begonia Maculata "Wightii" , hit do Instragram, é um exemplo de planta que não é nativa de nenhum local. Embora confundida com a Begonia maculata natural do Rio de Janeiro, a planta foi criada a partir de viveiros na Europa.

"Uma cultivar decorre da seleção proposital de indivíduos com características obtidas por cruzamentos genéticos sucessivos", afirma Gabriel Khedi, engenheiro agrônomo paisagista.

Os cruzamentos têm objetivo de adquirir atributos físicos e fisiológicos desejáveis ou mais vantajosos em termos de cultivo, afirma Khedi. Uma cultivar é diferente de uma variedade, essa, sim, fruto de mutações ou cruzamentos espontâneos na natureza.

Heliconia bihai — Foto: skibler on VisualHunt.com
Heliconia bihai — Foto: skibler on VisualHunt.com

"Uma cultivar pode ter flores com cores diferentes da espécie típica, pode ter folhas com um verde mais claro, pode ter maior tempo de durabilidade no pós-colheita, pode ter maior produção de flores, pode ter maior tolerância ao calor etc", diz o agrônomo.

Veja 5 plantas ornamentais cultivares citadas por Gabriel Khedi:

Billbergia ‘Darth Vader’:

Billbergia ‘Darth Vader’  — Foto: cultivar413 on VisualHunt
Billbergia ‘Darth Vader’ — Foto: cultivar413 on VisualHunt

A bromélia que levou o nome do vilão de "Star wars" tem cor escura e listras brancas, resultado do cruzamento entre as cultivares "La Noche’ com "Domingos Martins".

"Apesar do gênero conhecido, das informações de linhagem e do nome da cultivar ‘Darth Vader’, esse é um dos casos em que a planta não foi listada com seu epíteto científico, ou seja, é um registro “incompleto” da informação da espécie", aponta Khedi.

Etlingera elatior cv. Itamambuca

Etlingera elatior cv. Itamambuca é uma cultivar que não existia na natureza — Foto: Hans Hillewaert / Creative Commons
Etlingera elatior cv. Itamambuca é uma cultivar que não existia na natureza — Foto: Hans Hillewaert / Creative Commons

Essa planta possui uma haste floral mais alta e com brácteas (estruturas foliáceas) de cor vermelho mais intenso.

Heliconia bihai ‘Peach pink’

Heliconia bihai "Peach pink" — Foto: Chnelsons / Creative Commons
Heliconia bihai "Peach pink" — Foto: Chnelsons / Creative Commons

É uma cultivar com brácteas de coloração alaranjada com tonalidade rósea, diferente da espécie típica que tem inflorescências com brácteas vermelhas, explica Khedi.

Calathea bella ‘Carlina’

Calathea bella ‘Carlina’ — Foto: Joel Abroad / Creative Commons
Calathea bella ‘Carlina’ — Foto: Joel Abroad / Creative Commons

Possui folhas com coloração verde mais clara, bastante esbranquiçada, enquanto a espécie típica tem folhas de verde mais escuro.

Zamioculcas zamiifolia ‘Raven’

Zamioculcas zamiifolia ‘Raven’ — Foto: ourhouseplants on VisualHunt.com
Zamioculcas zamiifolia ‘Raven’ — Foto: ourhouseplants on VisualHunt.com

Ao contrário da espécie típica que tem folhas de cor verde bandeira, a cultivar possui folhas muito escuras, quase pretas.

'Perda' da origem da cultivar

Muitas vezes a origem da cultivar é "perdida". O engenheiro agrônomo paisagista explica que isso pode acontecer por causa de cruzamentos contínuos, que afastam as cultivares das características originais da espécie típica. "Agora há uma nova planta, com uma morfologia e fisiologia diferentes", explica Khedi.

"Um exemplo são alguns tipos antigos de begônias que foram cruzados em viveiros ou de forma doméstica sem registro genealógico, e hoje temos exemplares lindos, mas sem “linhagem” conhecida", conta.

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Operações com criptomoedas mais que dobram e atingem R$ 200,7 bilhões em 2021, diz Receita

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Apesar de aumento no interesse dos investidores, operações com moedas digitais não são regulamentadas no Brasil. Banco Central alerta para risco de perdas financeiras.
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Por Fábio Amato, g1 — Brasília

Postado em 17 de fevereiro de 2022 às 20h45m

Post.- N.\ 10.213

Valor movimentado em criptomoedas dobrou em 2021
Valor movimentado em criptomoedas dobrou em 2021

Contribuintes brasileiros comunicaram à Receita Federal um total de R$ 200,7 bilhões em operações com criptomoedas em 2021, informou o órgão.

Esse valor é mais que o dobro dos R$ 91,4 bilhões em operações comunicadas em 2020.

Para se ter uma ideia, os R$ 200,7 bilhões em operações com moedas virtuais equivalem a duas vezes e meia o total de investimentos acumulados no programa Tesouro Direto, do governo federal, ao final de 2021 (R$ 79 bilhões).

Operações com criptomoedas
Em R$ bilhões
91,491,4200,7200,720202021050100150200250
Fonte: Receita Federal

"As criptomoedas aqui no Brasil cresceram bastante. E elas saíram do obscurantismo que a gente via uns anos atrás. Durante muito tempo eram associadas inclusive a operações escusas", disse Bruno Diniz, professor de cursos de especialização sobre o tema na Universidade de São Paulo (USP).

"Elas deixaram de ser um tema escuso, obscuro, para se tornar algo mais presente no dia-a-dia das pessoas. E são reconhecidas como uma classe de ativos novos. Assim como a gente tem ações, renda fixa, a gente hoje tem os criptoativos fazendo parte do dia-a-dia do investidor", completou.

A Receita Federal exige desde 2019 a comunicação de operações com criptomoedas.

São obrigadas a fazer a declaração todas as pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no Brasil que movimentem acima de R$ 30 mil com moedas virtuais ao longo de um mês, além das "exchange" – empresas que funcionam como casas de câmbio e intermediadoras de negócios com as moedas digitais.

Na época em que anunciou a norma, a Receita Federal informou que a exigência da comunicação tinha o objetivo de combater a sonegação fiscal e evitar crimes como lavagem de dinheiro e remessa ilegal de divisas ao exterior.

Entretanto, o Brasil não possui uma regulamentação específica para os investimentos em criptomoedas. O Banco Central já emitiu alerta para os riscos de perda de recursos nessas operações (leia mais abaixo).

Interesse cresceu

Os dados da Receita Federal mostram forte crescimento no interesse de investidores brasileiras nas criptomoedas.

O número médio de pessoas que comunica operações com as moedas virtuais passou de 125 mil por mês, em 2020, para 459 mil por mês, em 2021.

Operações com criptomoedas: pessoas físicas
Média mensal, em milhares
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Fonte: Receita Federal

Homens responderam por 86,3% dessas comunicações no ano passado. As mulheres, por 13,7%.

O número médio de empresas que fizeram essa comunicação passou de 3,1 mil por mês, em 2020, para 6,3 mil por mês, no ano passado.

Apesar desse crescimento, o país ainda não possui uma regulamentação específica para as moedas digitais.

Essa regulação é discutida há alguns anos no Congresso Nacional. No final do ano passado, o senador Irajá (PSD-TO), que é relator de um projeto de lei sobre o tema, apresentou, na Comissão de Assuntos Econômicos, parecer favorável à aprovação do texto.

O projeto prevê, por exemplo, que empresas só poderão atuar no setor com autorização do governo federal e serão obrigadas a manter registro de toas as transações. O texto também criminaliza a obtenção de vantagem ilícita por meio da prestação de serviços relacionados a ativos virtuais, com pena de prisão.

O Banco Central não regula nem supervisiona as operações. E já emitiu alerta sobre os riscos de perdas financeiras nos investimentos em criptomoedas, que não possuem garantias nem são lastreadas em ativos reais.

Volatilidade

Essas moedas costumam registrar fortes oscilações em seus preços. No ano passado, por exemplo, a Bitcoin, umas das criptomoedas mais populares, registrou valor recorde no mês de abril (US$ 63,5 mil, no dia 13). Entretanto, ao final de junho, já acumulava perda superior a 50% (US$ 31,6 mil no dia 25).

Ao final de outubro, o valor da Bitcoin batia novo recorde (US$ 66 mil, no dia 20) e a moeda registrava ganho acima de 100% em um ano. Desde então, acumula nova desvalorização (US$ 44,6 mil no dia 15 de fevereiro).

Bitcoin: Saiba o que é e como funciona a mais popular das criptomoedas
Bitcoin: Saiba o que é e como funciona a mais popular das criptomoedas

Entre as razões para essa forte oscilação estão decisões como a do governo Chinês, que, em setembro do ano passado, declarou ilegais todas as transações com criptomoedas.

Na época, o Banco Central da China alegou que "o comércio e a especulação com Bitcoin e outras moedas virtuais se estenderam, alterando a ordem econômica e financeira, aumentando a lavagem de dinheiro, a arrecadação de fundos ilegais, os esquemas de pirâmides e outras atividades criminosas e ilegais".

"A principal orientação que nós damos para começar a investir no mundo do cripto é escolher uma boa empresa, uma boa 'exchange', uma boa corretora, sediada no Brasil, que respeita as leis brasileiras, que tem sistemas de prevenção à lavagem de dinheiro, serviço de atendimento ao consumidor e investidor, numa plataforma sólida", disse o diretor-executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto).

"Ainda assim, mesmo numa plataforma sólida, comece devagar, estude um pouco os ativos, os retornos, as variações, não coloque muito do seu patrimônio. Vá ganhando confiança devagarinho, até que se sinta confortável para aumentar o tamanho dessa exposição, desse investimento", completou ele.

No Brasil, crimes relacionados a moedas virtuais ganharam destaque no noticiário brasileiro recentemente.

No ano passado, a Polícia Federal prendeu Glaidson dos Santos, que passou a ser conhecido como o Faraó das Bitcoins. Glaidson é acusado de crime contra o sistema financeiro e organização criminosa. Ele responde a 288 processos na área cível.

De acordo com a PF, a GAS Consultoria, empresa de Glaidson e da mulher dele, Mirelis Yoseline, movimentou pelo menos R$ 38 bilhões a partir de 2015.

A empresa prometia aos clientes retorno mensal de 10% sobre o dinheiro investido e dizia obter esses ganhos no mercado de criptomoedas. Segundo a investigação, porém, a GAS operava um esquema de pirâmide financeira. O esquema atraiu milhares de investidores em todo o Brasil. Banco Central do Brasil

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