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quinta-feira, 13 de maio de 2021

Desemprego no Brasil da pandemia: doutor em engenharia espacial vende doces

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Número de subutilizados com ensino superior cresceu 43% entre 2019 e 2020.
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TOPO
Por BBC

Postado em 13 de maio de 2021 às 12h40m


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Número de subutilizados com ensino superior cresceu 43% entre 2019 e 2020 — Foto: GETTY IMAGES/STEVE PREZANT
Número de subutilizados com ensino superior cresceu 43% entre 2019 e 2020 — Foto: GETTY IMAGES/STEVE PREZANT

"Tenho só uma palavra para definir o que eu sinto: frustração. Estudar, estudar, tentar e não conseguir nada. Você se sente como um incapaz."

A afirmação é de Maycol Vargas, de 33 anos e graduado em engenharia aeronáutica, com mestrado e doutorado em engenharia e tecnologia espaciais, na área de combustão e propulsão, pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Depois de defender sua tese no início de 2020, o morador de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, se viu desempregado com doutorado.

"Mandei currículo até para auxiliar de serviços gerais, mas está difícil. Montei um negócio próprio e estou fazendo doces, porque eu estava sem nenhuma renda. Isso me rende uns R$ 400, R$ 500 por mês, no máximo. Um profissional da minha área normalmente ganha na faixa de R$ 13 mil a R$ 15 mil."

Maycol é um dos milhões de profissionais brasileiros qualificados e subutilizados em meio à pandemia do coronavírus.

Entre o quarto trimestre de 2019 e igual período de 2020, o número de trabalhadores com ensino superior subutilizados passou de 2,5 milhões para 3,5 milhões, um aumento de 43%.

Na população em geral, considerando todos os níveis de qualificação, os subutilizados passaram de 26,1 milhões a 32 milhões nesse mesmo intervalo, crescimento de 23%.

A subutilização da força de trabalho é um indicador mais amplo do que a desocupação.

Além dos desempregados, a subutilização também inclui aqueles que estão trabalhando menos horas do que gostariam; que desistiram de procurar emprego (os chamados desalentados); ou que gostariam de trabalhar, mas por algum motivo - como ter que cuidar dos filhos que estão fora da escola ou de idosos, por exemplo - não estavam disponíveis.

"A taxa de desemprego é uma medida super importante, mas ela deixa de fora todas essas pessoas que também estão numa situação de insatisfação com a situação de trabalho delas", explica Ana Tereza Pires, pesquisadora da consultoria IDados e autora do levantamento, elaborado a partir de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

"A subutilização é um retrato mais amplo do mercado de trabalho e dessa ineficiência em alocar todo mundo que tem potencial de trabalhar dentro da força de trabalho", acrescenta a economista.

"Especialmente nessa época de pandemia, essa é uma medida muito importante, porque muita gente desistiu de procurar trabalho ou estava procurando emprego, mas ficou indisponível para trabalhar, como no caso das mães. Então esse indicador dá conta de um contingente maior de brasileiros num momento de crise."
Taxa de desocupação dos trabalhadores com ensino superior passou de 5,6% para 6,9% entre o quarto trimestre de 2019 e igual período de 2020 — Foto: RUNSTUDIO/GETTY IMAGES
Taxa de desocupação dos trabalhadores com ensino superior passou de 5,6% para 6,9% entre o quarto trimestre de 2019 e igual período de 2020 — Foto: RUNSTUDIO/GETTY IMAGES

O desemprego para quem tem ensino superior

A taxa de desocupação entre os trabalhadores com ensino superior é historicamente mais baixa do que a dos trabalhadores em geral. Entre o quarto trimestre de 2019 e igual período de 2020, ela passou de 5,6% para 6,9%, aumento de 1,3 ponto percentual.

Nesse mesmo intervalo, a taxa de desemprego para a população em geral subiu de 11% para 13,9%, um aumento de 2,9 ponto percentual.

A diferença histórica no nível de desocupação entre os mais e os menos qualificado se explica pela parcela ainda relativamente pequena de pessoas com ensino superior no país. Segundo o IBGE, no quarto trimestre de 2020, apenas 16,5% da população brasileira em idade de trabalhar havia concluído o nível superior.

Como esse profissionais mais qualificados são relativamente escassos no país, em geral, eles têm mais facilidade de encontrar uma vaga no mercado de trabalho.

"Olhando a taxa de desemprego entre o final de 2019 e o final de 2020, ela cresceu muito no mercado de trabalho como um todo. Para quem tem ensino superior, houve um crescimento, mas não muito elevado", observa a pesquisadora do IDados.

"Isso poderia levar a crer que os trabalhadores com ensino superior não foram muito afetados pela crise decorrente da pandemia. Mas, quando olhamos para a subutilização, fica claro que as pessoas com ensino superior estão bastante representadas."
Desemprego atinge recorde de 14,4 milhões de brasileiros no trimestre terminado em fevereiro
Desemprego atinge recorde de 14,4 milhões de brasileiros no trimestre terminado em fevereiro

Por que a subutilização aumentou entre os mais qualificados

A economista avalia que os mais instruídos foram menos afetados pelo desemprego na pandemia devido à maior possibilidade desses trabalhadores de fazerem home office.

Segundo dados da pesquisa Pnad Covid-19 referentes a novembro de 2020 (o último dado disponível, posto que a pesquisa foi descontinuada pelo IBGE), dos 7,3 milhões de pessoas que estavam trabalhando de forma remota naquele mês, 76% tinham ensino superior completou ou pós-graduação.

Estudo aponta que 76% dos trabalhadores em home office completaram o ensino superior
Estudo aponta que 76% dos trabalhadores em home office completaram o ensino superior

"Muitos dos trabalhadores com ensino superior que saíram da força de trabalho não foram para o desemprego, foram direto para a inatividade. Não foram procurar emprego, seja por terem uma situação econômica melhor e poderem esperar uma melhora do mercado, ou por terem que cuidar da casa e dos filhos, no caso das mulheres."

O IBGE só considera como "desempregado" quem efetivamente procurou emprego no período recente.

Das três categorias de subutilização dos trabalhadores com ensino superior analisadas pela pesquisadora, o número de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas cresceu 13%; o número de desocupados aumentou 33%; e o contingente de pessoas na chamada força de trabalho potencial (que inclui os desalentados e os indisponíveis) mais do que dobrou, com um avanço de 138% entre o fim de 2019 e o de 2020.
Marianna Rodrigues Martelo, de 27 anos, se formou em odontologia em dezembro de 2020, mas ainda não conseguiu emprego na área — Foto: Arquivo pessoal
Marianna Rodrigues Martelo, de 27 anos, se formou em odontologia em dezembro de 2020, mas ainda não conseguiu emprego na área — Foto: Arquivo pessoal

O drama dos recém-formados

Um grupo importante desses trabalhadores subutilizados com ensino superior são os recém-formados.

Historicamente no Brasil, o desemprego sempre foi maior para a população mais jovem, de todos os níveis de instrução. Isso porque o mercado costuma exigir uma experiência que esses trabalhadores não têm.

"Muitos dos que acabaram de se formar podem ter optado por não sair para procurar emprego agora, porque sabem que a dificuldade é muito grande. Então eles acabam entrando nessa força de trabalho potencial", explica Pires.

Marianna Rodrigues Marcelo, de 27 anos, tem vivido na pele essa realidade. A moradora de Guarulhos (SP) se formou na faculdade de odontologia em dezembro de 2020, mas ainda não conseguiu encontrar um emprego na área.

"Já devo ter mandado pelo menos 100 currículos, só hoje mandei uns 20", conta Marianna.

"A maioria das vagas pede experiência e que se tenha pelo menos um ou dois anos de formado. Isso complica, porque eu sou recém-formada", afirma. "A pandemia também pode estar dificultando, porque diminuiu a oferta de vagas, já que a economia não está girando corretamente." 
Os empregadores que estão trabalhando menos do que gostariam

Um outro grupo relevante de pessoas qualificadas e subutilizadas na pandemia são os empregadores que estão trabalhando menos do que gostariam, devido às restrições ao funcionamento de empresas, particularmente no setor de serviços.
Renata Dornelles da Cruz (centro) e suas sócias Priscilla e Cassiana Alves da Silva, donas do salão de beleza Africaníssimas, em São Leopoldo (RS): na pandemia, Renata tem dedicado apenas duas manhãs por semana ao negócio — Foto: Arquivo pessoal
Renata Dornelles da Cruz (centro) e suas sócias Priscilla e Cassiana Alves da Silva, donas do salão de beleza Africaníssimas, em São Leopoldo (RS): na pandemia, Renata tem dedicado apenas duas manhãs por semana ao negócio — Foto: Arquivo pessoal

"Há um número muito alto entre os subutilizados qualificados na pandemia de pessoas que são chefes de família e homens e mulheres brancos, que geralmente não ficam fora da força de trabalho e agora passaram a ficar", observa Pires, do iDados.

"Então isso pode estar relacionado a esses pequenos empresários que acabaram fechando ou dando um tempo nos seus negócios até a coisa melhorar ou cujas empresas não estão produzindo tanto quanto poderiam."

Conforme o levantamento, 41% dos trabalhadores qualificados e subutilizados eram chefes de família no quarto trimestre de 2020 e 58% eram brancos.

A empresária Renata Dornelles da Cruz, de 38 anos e moradora de São Leopoldo (RS), não é branca, mas é um exemplo desses pequenos empresários que estão trabalhando menos do que gostariam na pandemia. São os chamados subutilizados por insuficiência de horas trabalhadas.

Formada em turismo e jornalismo, com especialização em Moda, Criatividade e Inovação pelo Senac, Renata é proprietária, ao lado de duas sócias, do salão de beleza especializado em cabelo afro Africaníssimas.

Com a queda de movimento devido às restrições impostas pelo coronavírus e sem conseguir renegociar o aluguel, em março deste ano, as sócias tiveram de devolver o espaço que ocupavam numa galeria na região central de São Leopoldo e instalaram o salão num imóvel próprio no bairro mais afastado de Cohab Feitoria.

"Antes eu ia ao salão todo dia. No ano passado, passei a ir no máximo duas vezes por semana e ficar só meio turno, para deixar mais espaço para as clientes e porque moro com meus pais que são grupo de risco", conta Renata, que cuida do marketing, das redes sociais e da gestão financeira da empresa.

"Esse ano, com a mudança de endereço, estou totalmente em modo remoto. Como não tem mais tantos clientes, não tenho mais tanto conteúdo para produzir. Antes eu trabalhava com as tarefas do salão todos os dias, de segunda a sábado, quando não domingo. Agora, resolvo tudo em duas manhãs", relata, quanto à redução das suas horas de trabalho. 
Os efeitos para a economia como um todo

Apesar de as histórias de desemprego e subutilização entre os mais qualificados serem menos dramáticas do que entre os menos qualificados, que em geral são a população de baixa renda, a perda de rendimentos entre os mais escolarizados tem efeito sobre a economia como um todo.

Isso porque são esses trabalhadores que recebem a maior parcela da massa de rendimentos do país - a massa de rendimentos é a soma de todos os salários. Com isso, eles também são responsáveis pela maior parte do consumo, movimentando a economia.

"Quem tem ensino superior no Brasil não é a maioria, mas sem dúvida é quem concentra a maior quantidade de renda e quem mais acaba demandando produtos e serviços", explica a pesquisadora do IDados.

"Por exemplo, o serviço de empregada doméstica e serviços não essenciais como salão de beleza e restaurantes, são muito mais demandados por pessoas com ensino superior e maior nível de renda. Então esses serviços acabam sendo afetados", diz Pires.

Segundo estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) publicado ao fim de abril, entre o quarto trimestre de 2019 e igual período de 2020, o contingente de trabalhadores domésticos do Brasil diminuiu de 6,4 milhões para 4,9 milhões, o que representa 1,5 milhão de pessoas a menos prestando esse tipo de serviço.

"Todo o cenário econômico nesse momento está condicionado ao combate à pandemia e à estratégia de vacinação", avalia a economista.

"Se tivermos uma campanha de vacinação efetiva, os mais qualificados vão voltar a trabalhar como antes, já que eles no geral são mais demandados. Mas é difícil traçar um cenários quando as estratégias de vacinação estão tão incipientes", conclui.

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Peixe das profundezas do oceano é encontrado em praia na Califórnia

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Peixe-futebol do Pacífico costuma viver a mais de 900 metros de profundidade e raramente chega intacto a uma praia. Fêmea usa estrutura que possui na frente da cabeça e emite luminosidade para atrair presas na escuridão.
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Por G1

Postado em 13 de maio de 2021 às 09h15m


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Peixe das profundezas é encontrado nos Estados Unidos
Peixe das profundezas é encontrado nos Estados Unidos

Um peixe que vive apenas em águas profundas do oceano foi encontrado em uma praia de Orange County, na Califórnia, na segunda-feira (10).

Peixe-futebol do Pacífico encontrado em praia de Orange County, na Califórnia — Foto: Reprodução/Facebook/Crystal Cove State Park
Peixe-futebol do Pacífico encontrado em praia de Orange County, na Califórnia — Foto: Reprodução/Facebook/Crystal Cove State Park

A região onde o peixe apareceu faz parte de uma área de proteção do Parque Estadual Crystal Cove, que explicou em seu perfil em uma rede social que é muito raro que eles apareçam em praias, já que vivem abaixo de 900 metros de profundeza, e mais ainda que cheguem à margem ainda intactos.

Peixe-futebol do Pacífico encontrado em praia de Orange County, na Califórnia — Foto: Reprodução/Facebook/Crystal Cove State Park
Peixe-futebol do Pacífico encontrado em praia de Orange County, na Califórnia — Foto: Reprodução/Facebook/Crystal Cove State Park

O animal encontrado era uma fêmea de peixe-futebol do Pacífico, que pode chegar a até 60 centímetros de comprimento, segundo comunicado do parque. Já o macho dessa mesma espécie costuma ser muito menor: tem menos de 3 centímetros e age como uma espécie de parasita, cuja única função é auxiliar a fêmea a se reproduzir, segundo os especialistas.

(CORREÇÃO: O G1 errou ao informar, quando publicou esta reportagem, que a fêmea da espécie do peixe encontrado na Califórnia pode chegar a 7 metros e o macho a 30 centímetros de comprimento. Na verdade, de acordo com as informações do Parque Crystal Cove, a fêmea chega a aproximadamente 60 centímetros e o macho a menos de 3 centímetros. A informação foi corrigida às 11h20 desta quinta-feira, 13).

O peixe-futebol do Pacífico pertence à ordem dos Lophiiformes, peixes ósseos que possuem em sua maioria uma estrutura na frente da cabeça que emite luminosidade para atrair presas na escuridão da profundeza dos oceanos onde vivem.

Peixe-futebol do Pacífico encontrado em praia de Orange County, na Califórnia — Foto: Reprodução/Facebook/Crystal Cove State Park
Peixe-futebol do Pacífico encontrado em praia de Orange County, na Califórnia — Foto: Reprodução/Facebook/Crystal Cove State Park

Seus dentes são afiados e pontiagudos como cacos de vidro e sua boca é capaz de sugar e engolir presas do tamanho de seu próprio corpo, segundo a publicação do parque estadual.

Um peixe do tipo aparece na animação Procurando Nemo, quando Merlin e sua amiga Dory são atraídos por uma pequena luz, na verdade parte da cabeça de um predador.

‘Peixes monstruosos’: veja casos de animais enormes ou de formas assustadoras encontrados
‘Peixes monstruosos’: veja casos de animais enormes ou de formas assustadoras encontrados

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quarta-feira, 12 de maio de 2021

Bitcoin desaba após Elon Musk anunciar que Tesla vai suspender vendas com a criptomoeda

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Empreendedor interrompeu uso da moeda digital no faturamento de carros por conta dos impactos ambientais. Cotação da moeda digital cai mais de 13% no acumulado de 24 horas.
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Por G1

Postado em 12 de maio de 2021 às 22h30m


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Elon Musk, presidente-executivo da Tesla, em evento no Japão, em 2014 — Foto: Toru Hanai/Reuters
Elon Musk, presidente-executivo da Tesla, em evento no Japão, em 2014 — Foto: Toru Hanai/Reuters

Elon Musk informou pelas redes sociais nesta quarta-feira (12) que vai suspender as vendas de carros da Tesla usando bitcoin por conta dos impactos ambientais causados pela mineração de moedas digitais.

Com o anúncio, a cotação da criptomoeda — que já recuava no dia — passou a desabar, ultrapassando 12%, para US$ 50,125.09, no acumulado de 24 horas.

Estamos preocupados com o uso crescente de combustíveis fósseis para mineração e transações com bitcoins, especialmente carvão, que tem as piores emissões que qualquer combustível, disse o empreendedor, no Twitter.

CEO da Tesla e também da Space X, Musk afirmou que a empresa automotiva não vai vender nenhum bitcoin e que só vai usar novamente a criptomoeda quando a mineração fizer a "transição para uma energia mais sustentável".

A criptomoeda é uma boa ideia em muitos níveis e acreditamos que ela tem um futuro promissor, mas isso não pode ter um grande custo para o meio ambiente, afirmou ele.

As ações da Tesla também passaram a cair no after market (negociações após fechamento do mercado) em Wall Street. Às 20h (no Brasil), os ativos registravam perdas de 1,09%, a US$ 583,48.

Bitcoin: Saiba o que é e como funciona a mais popular das criptomoedas
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Setor de serviços tem queda de 4% em março e volta a operar abaixo do nível pré-pandemia, aponta IBGE

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Recuo do volume de serviços prestados no país foi o mais intenso desde junho de 2020. Apesar da queda, setor encerrou o primeiro trimestre com alta de 2,8% na comparação com o 4º trimestre do ano passado.
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Por Daniel Silveira, G1 — Rio de Janeiro

Postado em 12 de maio de 2021 às 11h05m


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Medidas restritivas diante do avanço da pandemia fez o setor de serviços registrar a queda mais intensa desde junho de 2020, segundo o IBGE — Foto: Marcos Serra Lima/G1; Marcelo Brandt/G1
Medidas restritivas diante do avanço da pandemia fez o setor de serviços registrar a queda mais intensa desde junho de 2020, segundo o IBGE — Foto: Marcos Serra Lima/G1; Marcelo Brandt/G1

O volume de serviços prestados no Brasil teve queda de 4% em março, na comparação com fevereiro, após dois meses seguidos de dados positivos. Com o resultado, o setor voltou a operar abaixo do nível pré-pandemia, apontam os dados divulgados nesta quarta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O recuo registrado em março foi o mais intenso desde junho do ano passado, quando o setor teve queda de 5,5%. O resultado foi pior do que expectativa em pesquisa da Reuters, que apontava recuo de 3,2%.

O setor mostrava um movimento de recuperação desde junho do ano passado e chegou a superar o patamar pré-pandemia. Mas, com a queda em março, encontra-se 2,8% abaixo do volume de fevereiro do ano passado, enfatizou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Setor de serviços registrou a queda mais intensa desde junho de 2020 — Foto: Economia/G1
Setor de serviços registrou a queda mais intensa desde junho de 2020 — Foto: Economia/G1

Das cinco grandes atividades do setor, a de serviços prestados às famílias é a que registra a maior distância do patamar de fevereiro de 2020.

Na comparação com março de 2020, o setor teve alta de 4,5%, após 12 taxas negativas seguidas nesta base de comparação. Já no acumulado em 12 meses, o volume de serviços prestados no país registra um tombo de 8%.

Setor de serviços voltou a operar abaixo do nível pré-pandemia — Foto: Economia/G1
Setor de serviços voltou a operar abaixo do nível pré-pandemia — Foto: Economia/G1

Em termos de patamar, o setor de serviços em março operava 13,6% abaixo do seu ponto mais alto, registrado em novembro de 2014. Essa distância já foi maior, tendo chegado a -27,9% em maio do ano passado.

Agravamento da pandemia

Das cinco atividades do setor de serviços, três registraram queda em março – justamente as que são mais dependentes do atendimento presencial. Segundo o gerente da pesquisa, esse resultado se deve ao recrudescimento das medidas restritivas diante do avanço da pandemia da Covid-19 no Brasil.

[As medidas restritivas] Foram menos impactantes do que março de 2020, mas suficientes para fazer o setor de serviço recuar e voltar ao patamar pré-pandemia, enfatizou Lobo.

A maior retração foi observada entre os serviços prestados às famílias, que caiu 27% em relação a fevereiro, a taxa negativa mais intensa desde abril de 2020, quando recuou 46,5%. Já os serviços de transportes, auxiliares aos transportes e correio tiveram queda de 1,9%, enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 1,4%.

Tiveram alta na passagem de fevereiro para março os serviços de informação e comunicação e os outros serviços – respectivamente, de 1,9% e 3,7%.

Veja abaixo a variação dos subgrupos de cada uma grandes atividades se serviços:

  • Transporte aéreo: -10,2%
  • Transporte aquaviário: 0,7%
  • Transporte terrestre: -2,7%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: -1,9%
  • Serviços administrativos e complementares: -5,4%
  • Serviços técnico-profissionais: -1,2%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: -1,4%
  • Serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias: 6,1%
  • Serviços de Tecnologia da Informação: 4,1%
  • Telecomunicações: 0
  • Serviços de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC): 1,6%
  • Serviços de informação e comunicação: 1,9%
  • Outros serviços prestados às famílias: -7,2%
  • Serviços de alojamento e alimentação: -28%
  • Serviços prestados às famílias: -27%
  • Outros serviços: 3,7%
  • Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: -1,3%
Alta no trimestre

Apesar da retração de março, o setor de serviços encerrou o primeiro trimestre com avanço de 2,8% na comparação com trimestre imediatamente anterior. Foi a terceira taxa positiva nesta base de comparação, mas a menos intensa do período.

Resultado trimestral do setor de serviços — Foto: Economia G1
Resultado trimestral do setor de serviços — Foto: Economia G1

Já na comparação com o 1º trimestre do ano passado o setor registrou queda de 0,8%, na quinta queda trimestral seguida na comparação frente a igual trimestre anterior.

Queda em 14 das 27 regiões pesquisadas

A retração do volume de serviços prestados no país foi observada em 14 das 27 das unidades da federação.

Entre os locais com taxas negativas, o impacto mais importante veio de São Paulo (-2,6%), seguido por Distrito Federal (-6,1%), Minas Gerais (-1,6%), Santa Catarina (-3,4%) e Rio de Janeiro (-0,8%).

Dentre as UFs que tiveram alta, o principal destaque ficou com o Mato Grosso do Sul, com avanço de 11,8% frente a fevereiro.

Atividades turísticas têm queda de 22% em março

Os serviços relacionados ao turismo registraram, na passagem de fevereiro para março, uma queda de 22% – foi o recuo mais intenso desde abril do ano passado, quando a queda havia sido de 54,5%.

"O segmento de turismo vinha mostrando recuperação entre maio de 2020 e fevereiro de 2021, com avanço de 127,2%, mas sofre novo revés neste mês, de maneira que agora ainda necessita crescer 78,7% para retornar ao patamar de fevereiro do ano passado", destacou o IBGE.

Todos os 12 locais pesquisados acompanharam a retração verificada na atividade turística nacional (-22,0%). A influência negativa mais relevante ficou com São Paulo (-21,5%), seguido por Rio de Janeiro (-17,2%), Paraná (-26,5%), Minas Gerais (-17,4%), Santa Catarina (-26,2%) e Pernambuco (-24,9%).

Frente a março de 2020, o índice de volume de atividades turísticas no Brasil caiu 19,1%, décima terceira taxa negativa seguida. Todas as doze unidades da federação onde o indicador é investigado mostraram recuo, com destaque negativo para São Paulo (-27,7%), seguido por Rio Grande do Sul (-33,2%), Paraná (-24,3%) e Rio de Janeiro (-8,2%).

No acumulado do ano, o agregado especial de atividades turísticas caiu 27,4% frente a igual período de 2020, pressionado, sobretudo, pelas reduções de receita obtida por empresas dos ramos de restaurantes; transporte aéreo de passageiros; hotéis; agências de viagens; transporte rodoviário coletivo de passageiros; e serviços de bufê.

Todos os doze locais investigados também registraram taxas negativas, com destaque para São Paulo (-35,6%) e Rio de Janeiro (-23,8%), seguidos por Minas Gerais (-25,8%), Paraná (-28,1%), Rio Grande do Sul (-30,2%) e Bahia (-18,8%).

Perspectivas

A confiança empresarial teve, em abril, a primeira alta após seis quedas seguidas, conforme o último levantamento divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo a entidade, a indústria é único setor a registrar níveis elevados de confiança. No entanto, o índice do comércio, que em março havia despencado para o menor nível desde maio de 2020, teve alta de 11,6 pontos, no mês.

Os economistas do mercado financeiro passaram a prever uma maior expansão da economia este ano. Conforme o último relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, a previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do país tenha alta de 3,21% - antes, o crescimento previsto era de 3,14%.

O mercado financeiro também aumentou a projeção de alta da inflação para este ano, de 5,01% para 5,04%. A previsão de inflação do mercado continua acima da meta central deste ano, de 3,75%, e se aproxima do teto do sistema de metas: 5,25%. Isso porque, pelo sistema atual, a inflação será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25% em 2021.

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