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Especialista em Direito Internacional alerta que o Estreito de Ormuz seguirá fechado para aliados americanos e que possíveis ataques iranianos terão impacto econômico global
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Da CNN Brasil
Postado em 23 de Março de 2.026 às 05h00m
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"A gente sabe que o Irã não vai ceder, não vai abrir o Estreito de Ormuz justamente para os países aliados aos Estados Unidos. É importantíssimo deixar claro que o Estreito de Ormuz não está fechado. Tanto é verdade que barcos petroleiros que rumam, por exemplo, à China, à Rússia, continuam tendo acesso ao Estreito", explicou Caneparo.
Impactos econômicos globais
A tensão no Estreito de Ormuz, por onde passa significativa parte do petróleo mundial, já causa preocupação nos mercados financeiros globais. Segundo a especialista, caso ocorram os ataques esperados, haverá aumento no preço do barril de petróleo e uma inflação que afetará diversos países, incluindo o Brasil.
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"Um ataque ao Irã não vai produzir efeitos apenas dentro do território iraniano, porque o Irã é um grande exportador de petróleo e tem uma estrutura apta a influenciar todo e qualquer lugar do mundo, inclusive o Brasil. Isso faz com que haja elevação dos preços dos combustíveis e principalmente também uma inflação atrelada aos alimentos, logística e transporte", alertou Caneparo.
Contra-ataques iranianos
A especialista também prevê que o Irã não se limitará a uma postura defensiva e deve contra-atacar em setores estratégicos de outros países do Oriente Médio. Ela citou como exemplo um recente ataque iraniano a uma infraestrutura de gás liquefeito no Catar, que afetou 17% da produção local, e mencionou possíveis ataques a estruturas na Arábia Saudita.
"A gente sabe que o Irã vai contra-atacar também em setor estratégico em outros países do Oriente Médio. O Irã está ameaçando atacar via bombardeio alguma estrutura na Arábia Saudita relacionada à extração de petróleo pelo Mar Vermelho para o restante do mundo", afirmou Caneparo.
Poder militar iraniano
Caneparo ressaltou que o Irã possui uma considerável força militar, sendo a segunda maior potência do Oriente Médio, atrás apenas de Israel. Além disso, destacou que o regime dos aiatolás é bem estruturado e possui um sistema militar descentralizado, o que dificulta sua desestabilização.
"Nós não estamos falando de um Estado, nós estamos falando de uma civilização que tem um poder de resiliência muito grande. E mais problemático ainda é que nós temos um regime, o regime dos aiatolás, muito bem estruturado. Ele é um regime, a partir da perspectiva militar, descentralizado", explicou a especialista.
A doutora em Direito Internacional também alertou que ataques ocidentais ao território iraniano podem fortalecer o apoio popular ao regime atual, mesmo entre aqueles que anteriormente se opunham a ele, pois a população tende a se unir em defesa do território nacional.


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