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domingo, 15 de agosto de 2021

Por que ocorrem tantos terremotos no Haiti?

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Forte terremoto ocorrido neste sábado voltou a mostrar fragilidade geológica da ilha de Hispaniola, onde estão Haiti e República Dominicana, mas que atinge principalmente território haitiano.
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TOPO
Por BBC

Postado em 15 de agosto de 2021 às 19h50m


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Terremoto de magnitude 7,2 atingiu sul do Haiti, deixando pelo menos 724 mortos e 1,8 mil feridos — Foto: Reuters/BBC
Terremoto de magnitude 7,2 atingiu sul do Haiti, deixando pelo menos 724 mortos e 1,8 mil feridos — Foto: Reuters/BBC

Na manhã deste sábado (14), um forte terremoto de magnitude 7,2 atingiu o sul do Haiti, deixando pelo menos 724 mortos e mais de 1,8 mil feridos.

Tremores como esse não são novidade no pequeno país, um dos mais pobres do mundo e afundado em crises.

Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de magnitude semelhante devastou Porto Príncipe, capital do país, causando a morte de mais de 200 mil pessoas. Mais de 300 mil ficaram feridas.

E isso já havia acontecido em 1887, 1842, 1770 e 1751.

VÍDEO: Terremoto de 7,2 de magnitude deixa mortos no Haiti
VÍDEO: Terremoto de 7,2 de magnitude deixa mortos no Haiti

Mas por que tantos terremotos ocorrem no Haiti?

Uma das respostas pôde ser encontrada naquela tarde de 12 de janeiro de 2010, quando especialistas souberam imediatamente que o tremor seria um dos piores desastres naturais da história recente daquele país.

Além de ter atingido uma das nações mais pobres do Ocidente — e, portanto, uma das menos preparadas para enfrentar eventos desse tipo, o terremoto ocorreu em uma região onde se localiza uma complexa rede de placas tectônicas e falhas geológicas.

O Haiti está situado em meio a um vasto sistema de falhas geológicas que resultam do movimento da placa caribenha e da enorme placa norte-americana.

Como em outras áreas onde as placas tectônicas são contíguas, nos limites da placa do Caribe há uma atividade sísmica significativa devido a essas falhas.

VÍDEO: Veja imagens da destruição causada por terremoto no Haiti
VÍDEO: Veja imagens da destruição causada por terremoto no Haiti

E foi o súbito deslizamento de uma delas, a falha de Enriquillo-Plantain Garden, que levou ao desastre.

Estima-se que o epicentro do terremoto, de magnitude 7, ocorreu a cerca de 15 quilômetros de Porto Príncipe. E o hipocentro (local no interior da Terra onde se inicia a ruptura do material rochoso ocorrendo a libertação de energia sob a forma de ondas sísmicas) estava a apenas oito quilômetros da superfície.

Já o que foi registrado neste sábado tinha magnitude de 7,2 e a 10 quilômetros da superfície, mas teve seu epicentro no sul da ilha.

Essa proximidade com a superfície, dizem os especialistas, garantiu que as forças de choque do solo fossem mais intensas e destrutivas.

Sem amortecimento

Edifícios em zonas sísmicas em países desenvolvidos são construídos com sistemas de amortecimento que lhes permitem "resistir" aos tremores, não apenas deixando-os balançarem para frente e para trás, mas também fazendo-os girar junto com o movimento da terra.

Mas as estruturas simples de concreto das cidades haitianas desmoronam quando submetidas a essa pressão.

"A proximidade com a superfície é um dos fatores mais sérios que contribuem para a gravidade de um tremor causado por um terremoto de qualquer magnitude", disse David Rothery, cientista planetário da Open University no Reino Unido, à BBC.

"Além disso, o terremoto tende a ser maior se estiver mais perto da fonte. Nesse caso (o terremoto de 2010), o epicentro estava a apenas 15 quilômetros do centro da capital e por isso foi tão destrutivo."

Então, uma série de tremores secundários fortes — mais de 10, todos com magnitude superior a 5 — ampliou a devastação.

Mas, apesar do fato de que o Haiti está em uma área de alto risco para terremotos, o último grande terremoto antes da catástrofe de 2010 havia ocorrido 150 anos antes.

A costa norte do país está localizada no limite das grandes placas tectônicas do Caribe e da América do Norte, onde vastos blocos da superfície terrestre se movem esfregando-se uns contra os outros em um movimento horizontal.

Acredita-se que a placa do Caribe esteja se movendo para o leste a uma taxa de cerca de 2 centímetros a cada ano.

Esperado

E, como os especialistas apontam, antes de 2010, um deslizamento era esperado há muito tempo na falha de Enriquillo-Plantain Garden.

"Ela se manteve firme nos últimos 250 anos", disse Roger Busson, do Serviço de Pesquisa Geológica Britânica, à BBC sobre o terremoto de 2010.

"Todo aquele tempo estava armazenando pressão enquanto as placas deslizavam umas sobre as outras, e era realmente apenas uma questão de tempo para que essa liberação de energia ocorresse."

"A pergunta que nos fazíamos era se toda aquela energia ia ser liberada de uma vez ou em uma série de pequenos tremores. A resposta é que foi tudo de uma vez."

Em 2010, a superfície ao longo da falha estava, em algumas partes, separada por até um metro ou mais.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) afirma que a falha de Enriquillo-Plantain Garden pode ter sido a fonte de vários terremotos importantes ao longo da história: os de 1860, 1770, 1761, 1751, 1684, 1673 e 1618.

E também do que aconteceu neste sábado.

"Como no evento de 2010, o mecanismo que produz este terremoto indica uma falha de empuxo oblíqua ao longo da zona da falha Enriquillo-Plantain Garden", informou o USGS em seu site.

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sábado, 14 de agosto de 2021

'Núcleo do demônio': como era a 3ª bomba atômica que os EUA planejavam lançar contra o Japão

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Nos primeiros dias de agosto de 1945, ainda não estava claro se duas bombas atômicas seriam suficientes para fazer o Japão se render, explica pesquisador.
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TOPO
Por BBC

Postado em 14 de agosto  de 2021 às 09h00m


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Louis Stolin (à esquerda), foi um dos maiores especialistas no manuseio de materiais radioativos — Foto: Los Álamos National Laboratory via BBC
Louis Stolin (à esquerda), foi um dos maiores especialistas no manuseio de materiais radioativos — Foto: Los Álamos National Laboratory via BBC

Nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram as duas únicas bombas nucleares já usadas em uma guerra, nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

Juntas, elas causaram os ataques mais mortais que já ocorreram, nos quais morreram cerca de 200 mil pessoas.

Da perspectiva dos Estados Unidos, o objetivo era pressionar a rendição do Japão e encerrar a Segunda Guerra Mundial.

VEJA TAMBÉM: Em meio às Olimpíadas, Japão homenageia vítimas da bomba atômica em Hiroshima
Primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, participa de homenagem às vítimas da bomba atômica em Hiroshima em 6 de agosto de 2021 — Foto: Jiji Press via AFP
Primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, participa de homenagem às vítimas da bomba atômica em Hiroshima em 6 de agosto de 2021 — Foto: Jiji Press via AFP

E, caso não bastassem, Washington praticamente tinha uma terceira bomba atômica pronta.

O apelido dela era Rufus, e consistia em um núcleo de plutônio, semelhante ao usado na bomba Fat Man — detonada sobre Nagasaki.

A Rufus nunca se converteu em uma bomba funcional, mas causou dois acidentes fatais, razão pela qual a bomba ficou marcada na história como "o núcleo do demônio".

"Era essencialmente igual ao núcleo da Fat Man", disse Alex Wellerstein, historiador especializado em armas nucleares e autor do blog Nuclear Secrecy, à BBC Mundo.

Rufus serviria para ser usada como uma bomba de implosão, como a Fat Man — Foto: Getty Images via BBC
Rufus serviria para ser usada como uma bomba de implosão, como a Fat Man — Foto: Getty Images via BBC

Isso significa que ela poderia ter se tornado uma bomba capaz de gerar uma explosão de cerca de 20 quilotons, como aconteceu em Nagasaki.

De acordo com as comunicações oficiais dos Estados Unidos, citadas em um artigo de Wellerstein, a bomba Rufus deveria estar pronta para ser lançada no dia 17 ou 18 de agosto de 1945.

Nos primeiros dias de agosto de 1945, não estava claro se duas bombas atômicas seriam suficientes para fazer o Japão se render, explica Wellerstein.

Só depois de sua rendição, no dia 15 de agosto, "ficou claro que duas bombas haviam sido 'suficientes', senão demais", diz o especialista.

Sobrevivente do bombardeio de Nagasaki reza no aniversário de 75 anos do ataque, em 2020 — Foto: Jiji Press via AFP
Sobrevivente do bombardeio de Nagasaki reza no aniversário de 75 anos do ataque, em 2020 — Foto: Jiji Press via AFP

Portanto, no final, não foi necessário usar a Rufus.

"O que aconteceu entre os dias 15 e 21 de agosto? Não sei", escreve Wellerstein. Mas o que está documentado é que, a partir de 21 de agosto, pesquisadores do Laboratório de Los Alamos, no Novo México, onde as bombas atômicas foram desenvolvidas, começaram a usar esse núcleo de plutônio para experimentos extremamente perigosos.

Cócegas em um dragão

Em 1945, os únicos núcleos de plutônio já feitos foram Rufus, Fat Man e o da bomba Gadget, que foi usada no teste Trinity, o primeiro de explosão nuclear conduzido pelos Estados Unidos.

Em Los Alamos, os pesquisadores queriam descobrir qual era o ponto limite no qual o plutônio se tornava supercrítico — isto é, eles queriam saber qual era o ponto em que uma reação em cadeia do plutônio desencadeava uma explosão mortal de radiação.

A ideia era encontrar maneiras mais eficientes de fazer um núcleo chegar ao estado supercrítico e otimizar a carga da bomba.

Manipular um núcleo de plutônio é uma manobra extremamente delicada. É por isso que os pesquisadores se referiram a esses exercícios como "fazer cócegas na cauda de um dragão".

"Eles sabiam que, se tivessem o azar de acordar a besta furiosa, acabariam queimados", escreveu o jornalista Peter Dockrill em um artigo no portal Science Alert.

Segundo Wellerstein, quem participou desses experimentos tinha consciência do risco, mas o fez porque era uma forma de obter dados valiosos.

Momentos letais

A primeira vítima do Rufus foi o físico americano Harry Daghlian, na época com 24 anos.

Daghlian tinha trabalhado no Projeto Manhattan, no qual os Estados Unidos desenvolveram suas primeiras bombas nucleares.

Em 21 de agosto de 1945, Daghlian começou a construir uma pilha de blocos de carboneto de tungstênio ao redor da Rufus.

A ideia dele era ver se ele poderia criar um "refletor de nêutrons" no qual os nêutrons lançados pelo núcleo ricocheteariam e, assim, o levariam com mais eficiência ao ponto crítico.

Era noite e Daghlian estava trabalhando sozinho, violando os protocolos de segurança, conforme documentado pelo portal da Atomic Heritage Foundation.

O jovem cientista já havia empilhado vários blocos, mas quando estava terminando de colocar o último, seu dispositivo de monitoramento lhe disse que isso poderia fazer com que o núcleo se tornasse supercrítico.

Era como arriscar a vida em uma jenga mortal.

Ele manobrou para remover o bloco, mas infelizmente o deixou cair no núcleo, que entrou em um estado supercrítico e gerou uma explosão de nêutrons.

Além disso, a reação dele foi destruir a torre de blocos, expondo-o a uma dose adicional de radiação gama.

Essas ações foram letais.

Durante 25 dias, Daghlian suportou o doloroso envenenamento radioativo até finalmente morrer no hospital. Estima-se que ele recebeu uma dose de 510 rem de radiação iônica.

O rem é a unidade de medida da radiação absorvida por uma pessoa. Em média, 500 rem são fatais para um ser humano.

'Isso é tudo'

Apenas nove meses depois, o dragão atacou novamente.

Em 21 de maio de 1946, o físico americano Louis Stolin estava testando um experimento que já havia feito várias vezes.

Na época, Stolin era o maior especialista mundial no manuseio de quantidades perigosas de plutônio, de acordo com Wellerstein.

Esta é uma reprodução da sala na qual Stolin realizou seu experimento — Foto: Los Álamos National Laboratory via BBC
Esta é uma reprodução da sala na qual Stolin realizou seu experimento — Foto: Los Álamos National Laboratory via BBC

Junto a um grupo de colegas, ele estava mostrando como levar um núcleo de plutônio — Rufus, neste caso — ao ponto supercrítico.

O exercício consistia em unir duas metades de uma esfera de berílio, formando uma cúpula na qual os nêutrons saltavam em direção ao núcleo.

A chave para não causar um desastre era evitar que as duas meias esferas cobrissem totalmente o núcleo.

Para fazer isso, Stolin usou uma chave de fenda como separador que servia como válvula de escape para os nêutrons. Dessa forma, ele poderia registrar como a fissão aumentava, sem que a reação em cadeia atingisse o ponto crítico.

Tudo estava indo bem, mas aconteceu a única coisa que não poderia ter acontecido.

A chave de fenda de Stolin escorregou e a cúpula se fechou completamente.

No meio da cúpula de berílio estava o 'núcleo do demônio' — Foto: Los Álamos National Laboratory via BBC
No meio da cúpula de berílio estava o 'núcleo do demônio' — Foto: Los Álamos National Laboratory via BBC

Foi apenas um instante, mas o suficiente para o núcleo atingir o ponto crítico e liberar uma corrente de nêutrons que produziu um intenso brilho azul.

"O flash azul foi claramente visível em toda a sala, embora ela fosse bem iluminada", escreveu Raemer Schreiber, um dos físicos que assistiram ao experimento.

"O flash não durou mais do que alguns décimos de segundo."

Stolin reagiu rapidamente e descobriu a cúpula, mas era tarde demais: ele havia recebido uma dose letal de radiação.

Nove meses antes, ele mesmo havia acompanhado seu colega Daghlian durante seus últimos dias de vida, e estava claro para ele que um destino semelhante o aguardava.

"Bem, isso é tudo", foram as primeiras palavras que ele disse, completamente resignado, depois que sua chave de fenda escorregou, como Schreiber relembra em seu relatório, citado por Dockrill na Science Alert.

As estimativas indicam que Stolin recebeu 2.100 rem de nêutrons, raios gama e raios-x no corpo dele.

A agonia dele durou nove dias.

Durante esse período, ele sofreu náuseas, dores abdominais, perda de peso e "confusão mental", conforme descrito por Wellerstein em uma reportagem na revista "The New Yorker".

Ele morreu aos 35 anos, no mesmo quarto de hospital onde seu colega Daghlian tinha morrido.

Ironicamente, observa Wellerstein, Stolin estava fazendo o procedimento para que seus colegas aprendessem a técnica caso ele não estivesse presente.

O fim da maldição

Os acidentes de Daghlian e Stolin serviram para fortalecer as medidas de segurança em procedimentos envolvendo material radioativo.

A partir de então, esses tipos de exercícios passaram a ser manobrados remotamente, a uma distância de cerca de 200 metros entre as pessoas e o material radioativo.

"Essas mortes ajudaram a criar uma nova era de medidas de saúde e segurança", diz o site da Atomic Heritage Foundation.

De acordo com os arquivos de Los Alamos, o "núcleo do demônio" foi derretido no verão de 1946 e usado para fazer uma nova arma.

"Na verdade, o núcleo do demônio não era demoníaco", diz Dockrill.

"Se há uma presença do mal aqui, não é o núcleo, mas o fato de que os humanos correram para fabricar essas armas terríveis", diz o jornalista.

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sexta-feira, 13 de agosto de 2021

'Prévia' do PIB do Banco Central indica ligeira alta de 0,12% no 2º trimestre de 2021

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Em junho, foi registrada expansão de 1,14% no nível de atividade. Divulgação oficial do PIB será feita pelo IBGE em 1º de setembro.
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Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

Postado em 13 de agosto de 2021 às 16h15m


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O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central, considerado uma "prévia" do Produto Interno Bruto (PIB), registrou aumento de 0,12% no segundo trimestre, em comparação aos três primeiros meses de 2021. Ou seja, relativa estabilidade.

O IBC-BR do Banco Central é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do PIB, mas os números oficiais do Produto Interno Bruto do primeiro trimestre serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) somente em 1º de setembro. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

O resultado, divulgado nesta sexta-feira (13), foi calculado após ajuste sazonal — uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes.

No primeiro trimestre deste ano, o aumento foi de 1,63%. Quando a comparação é feita com o resultado do segundo trimestre de 2020, o IBC-Br indica uma alta de 13,17% (sem ajuste sazonal).

EVOLUÇÃO DO IBC-BR (EM %)
CONTRA O TRIMESTRE ANTERIOR, COM AJUSTE SAZONAL
-9,6-9,67,937,932,952,951,631,630,120,122º trimestre de 20203º trimestre de 20204º trimestre de 20201º trimestre de 20212º trimestre de 2021-15-10-50510
4º trimestre de 2020
2,95
Fonte: BANCO CENTRAL 

  • Em 2020, por conta da pandemia do coronavírus, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil tombou 4,1%, registrando a maior contração desde o início da série histórica atual do IBGE, iniciada em 1996.
  • Os economistas das instituições financeiras projetaram, na semana passada, uma alta de 5,3% para o resultado do PIB e 2021;
  • Em julho, o governo brasileiro elevou sua expectativa de crescimento do PIB para 5,3% em 2021. Para o Banco Central, a economia crescerá 4,6% neste ano.
Alta em junho

Apesar da relativa estabilidade no PIB no segundo trimestre, o resultado de junho foi positivo. Segundo o Banco Central, o nível de atividade, medido pelo IBC-Br, registrou crescimento de 1,14% em junho.

De acordo com André Perfeito, economista da Necton Investimentos, o resultado de junho veio acima das expectativas, pois as projeções medianas giravam em torno de 0,55% de alta.

"O resultado melhor tem a ver com a reabertura da economia em parte, o que fez Serviços performar melhor com a maior circulação de pessoas e abertura do comércio", avaliou, em comunicado.

EVOLUÇÃO DO IBC-Br
Em %, na comparação com o mês anterior (após ajuste sazonal)
0,880,88-4,84-4,84-9,5-9,51,651,655,545,542,122,121,391,391,531,530,840,840,670,670,460,460,660,661,671,67-1,98-1,980,90,9-0,55-0,551,141,14FEV/20MAR/20ABR/20MAI/20JUN/20JUL/20AGO/20SET/20OUT/20NOV/20DEZ/20JAN/21FEV/21MAR/21ABR/21MAI/21JUN/21-12,5-10-7,5-5-2,502,557,5
Fonte: Banco Central

Na comparação com junho de 2020, o IBC-Br registrou uma expansão de 9,07%, segundo o Banco Central. No acumulado dos 12 meses até junho de 2021, houve crescimento de 2,33% – sem ajuste sazonal.

Com o resultado registrado em junho, o IBC-Br atingiu 140,58 pontos. Com isso, permaneceu acima do patamar registrado antes da pandemia (139,42 pontos em fevereiro de 2020).

Pandemia

O resultado do nível de atividade acontece em meio à pandemia da Covid-19, que começou a atingir a economia de forma mais intensa em março do ano passado.

A partir de maio de 2020, os indicadores começaram a mostram uma retomada da produção e das vendas, e os números oficiais confirmaram a saída do cenário recessivo.

Para tentar evitar um impacto maior da pandemia do PIB e auxiliar os desassistidos, o governo Bolsonaro anunciou, no ano passado, uma série de medidas - com impacto de R$ 524 bilhões nos gastos públicos.

Neste ano, com o avanço da vacinação e queda do distanciamento social, a economia vem registrando um patamar mais alto de expansão.

PIB X IBC-Br

Os resultados do IBC-Br são considerados uma "prévia do PIB". Porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do Produto Interno Bruto.

O cálculo dos dois é um pouco diferente – o indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE).

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com um maior crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria mais pressão inflacionária.

Com a alta recente da inflação, o Banco Central promoveu, em março, o primeiro aumento da taxa básica de juros em quase seis anos, de 2% para 2,75% ao ano.

Os analistas das instituições financeiras estimam que a taxa subirá mais nos próximos meses, atingindo 7,25% no fim de 2021 e de 2022.

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