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segunda-feira, 6 de março de 2017

Mercado sobe previsão para o crescimento do PIB em 2017 e 2018

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Expectativa dos analistas de mercado financeiro foi coletada na semana passada e divulgada nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central.

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Os economistas das instituições financeiras elevaram marginalmente sua estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2017 e 2018.

As expectativas do mercado financeiro foram coletadas pelo Banco Central na semana passada e divulgadas nesta segunda-feira (6) por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus. Mais de cem instituições financeiras foram ouvidas.

Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2017, o mercado financeiro elevou a previsão de um crescimento de 0,48% para 0,49% de alta.
O governo estima uma alta de 1%, mas o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já confirmou que deverá revisar este número para baixo.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Em 2015, houve uma contração de 3,8%, a maior em 25 anos. O resultado de 2016 ainda não foi divulgado pelo IBGE, mas a previsão do mercado é de um "tombo" próximo de 3,5%. Essa será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de retração no nível de atividade da economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948.

Para 2018, os economistas das instituições financeiras subiram sua estimativa de expansão do PIB de 2,37% para 2,39%.

Inflação
Para o comportamento da inflação de 2017, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o mercado manteve sua previsão estável em 4,36% na semana passada.

Com isso, manteve a expectativa de que a inflação deste ano ficará abaixo da meta central, que é de 4,5%. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e deve ser perseguida pelo Banco Central, que para isso eleva ou reduz a taxa de juros (Selic).

A meta central de inflação não é atingida no Brasil desde 2009. Naquele momento, o país ainda sentia os efeitos da crise financeira internacional de forma mais intensa, que acabou se espalhando pelo mundo. A piora da crise financeira veio após o anúncio de concordata do banco norte-americano Lehman Brothers, em setembro de 2008.

Pelo sistema vigente no Brasil, a meta de inflação é considerada formalmente cumprida quando o IPCA fica dentro do intervalo de tolerância também fixado pelo CMN. Para 2017, esse intervalo é de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima do centro da meta. Assim, o BC terá cumprido a meta se o IPCA terminar este ano entre 3% e 6%.

No ano passado, a inflação ficou acima da meta central, mas dentro do intervalo definido pelo CMN. Já em 2015, a meta foi descumprida pelo BC - naquele ano, a inflação superou a barreira dos 10%.

A previsão de que a meta central será atingida neste ano está relacionada com a forte recessão, embora indicadores comecem a apontar para uma melhora do nível de atividade nos últimos meses. Mesmo assim, o desemprego e a inadimplência permanecem altos.

Para 2018, a previsão do mercado financeiro para a inflação permaneceu estável em 4,50%. O índice está em linha com a meta de inflação do período (4,5%) e também abaixo do teto de 6% para o ano que vem.

Taxa de juros
O mercado financeiro manteve sua previsão para a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 9,25% ao ano no fechamento de 2017 - ou seja, continua prevendo queda dos juros no decorrer deste ano. Atualmente, a Selic está em 12,25% ao ano.

Para o fechamento de 2018, a estimativa dos economistas dos bancos para a taxa Selic continuou em 9% ao ano. Com isso, estimaram que o processo de corte dos juros terá continuidade no ano que vem.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. A instituição tem de calibrar os juros para atingir índices pré-determinados pelo sistema de metas de inflação brasileiro.
As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços. Entretanto, também prejudicam a economia e geram desemprego.

Câmbio, balança e investimentos
Na edição desta semana do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2017 permaneceu em R$ 3,30. Para o fechamento de 2018, a previsão dos economistas para o dólar ficou estável em R$ 3,40.

A projeção do relatório Focus para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2017 recuou de US$ 47,6 bilhões para US$ 47,3 bilhões de resultado positivo. Para o próximo ano, a estimativa dos especialistas do mercado para o superávit permaneceu em US$ 40 bilhões.


A projeção do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil em 2017 permaneceu em US$ 72 bilhões. Para 2018, a estimativa dos analistas recuou de US$ 73,5 bilhões para US$ 72 bilhões. 
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domingo, 5 de março de 2017

Como nova 'freada' da economia chinesa poderá afetar o Brasil - para o mal e para o bem

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País que é o principal parceiro comercial de Brasília revê para baixo expectativas de crescimento em 2017, que já eram as piores em mais de 25 anos.

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 Li Keqiang fez o anúncio no congresso anual do PC Chinês  (Foto: REUTERS/Jason Lee)
Li Keqiang fez o anúncio no congresso anual do PC Chinês (Foto: REUTERS/Jason Lee)

O primeiro-ministro da China, Li Keqiang, anunciou neste domingo a revisão para baixo da previsão de crescimento da economia do país em 2017.

Falando durante o congresso anual do Partido Comunista Chinês, em Pequim, Keqian disse que o PIB do gigante asiático deverá crescer apenas 6,5% em 2017, em um encolhimento de 0,2% ponto percentual em relação ao ano passado - que já tinha marcado o pior desempenho econômico da China em mais de 25 anos.

Anteriormente, o governo chinês esperava crescimento de até 7% para este ano, algo já menor que a média histórica apresentada pelo país desde a introdução das reformas econômicas de 1989 - entre aquele ano e 2015, o país cresceu a uma média anual de pelo menos 10%.

O anúncio da revisão acenderá luzes de alerta em todo o mundo, e é de interesse especial para o Brasil. Nos últimos anos, Pequim se consolidou como o principal parceiro comercial de Brasília.

Como essa nova "freada" chinesa pode afetar a economia brasileira?

Exportações

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDCI), a China é o destino de mais de 15% das exportações brasileiras.

Em 2016, as vendas para a China caíram quase 6% em relação a 2015, ano em que já havia se registrado um registrou decréscimo de 15% no volume de exportações para o país asiático.

Desde 2015, a China já vinha comprando menos, e a perspectiva agora é de nova diminuição. O discurso de Keqian na assembleia do PC Chinês citou especificamente o excesso de oferta de carvão e aço no mercado chinês e isso pode ter impacto direto no minério de ferro brasileiro - a China concentra entre 50% a 60% da capacidade siderúrgica do mundo.

Vale ainda lembrar que matérias primas representam o grosso das exportações brasileiras para a China. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Avançada (IPEA) publicado em março do ano passado já estimava que, para cada dólar adquirido pelo Brasil em vendas para a China, "pelo menos 87 centavos vinham de produtos primários e manufaturas intensivas em recursos naturais".

Nervosimo no mercado de ações
Em 2016, as bolsas de valores chinesas tiveram períodos de instabilidade que causaram preocupação global - por duas vezes houve quedas de mais de 7%. As oscilações afetaram o mercado brasileiro, por conta de fatores como a desconfiança de investidores em mercados emergentes e a fuga de investimentos, além da pressão inflacionária provocada pela desvalorização do real em relação ao dólar.

Oportunidades disfarçadas?
Mas a "freada chinesa" poderá trazer oportunidades para o Brasil. Apesar da queda no PIB, a China segue crescendo mais do que qualquer outra grande economia industrializada do mundo e seguirá dependendo fortemente da importação de alimentos e energia, dois setores em que o Brasil desfruta do que especialistas consideram uma "posição privilegiada" por conta da disponibilidade de recursos naturais e terras férteis bem maiores que a chinesa.

No estudo do IPEA, Ricardo Bacelette, economista da instituição especializado em China, descreveu um cenário em que o aumento da população urbana no país asiático resultará em um crescimento do interesse chinês em importações brasileiras e mesmo investimentos no Brasil nos próximos cinco anos - os aportes diretos na primeira metade de 2016 (US$ 10 billhões) foram o dobro dos registrado em 2015, por exemplo. 
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O magnata que doou fortuna de US$ 8 bilhões em segredo e ficou com quase nada

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Charles Feeney fez pagamentos anônimos para projetos em países como Vietnã, África do Sul e Irlanda.

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Charles Feeney fez as doações anonimamente (Foto: Pascal Perch/ BBC)
Charles Feeney fez as doações anonimamente (Foto: Pascal Perch/ BBC)

A fortuna estimada em US$ 8 bilhões (R$ 25 bilhões) que transformou Charles Feeney em um dos homens mais ricos dos Estados Unidos não pertence mais a ele. O magnata doou o montante em segredo, e em vida, para instituições ao redor do mundo.

"Não o fiz para provar coisa alguma, exceto que, com sorte, o mundo agora é um lugar melhor porque peguei o meu dinheiro e o dividi entre muitas pessoas", afirmou Feeney, em entrevista à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Quando questionado sobre a decisão de fazer as doações secretamente, afirmou que "não precisa explicar para todo mundo o que está fazendo".
Entre as instituições agraciadas estão algumas na área de saúde pública e outras que fazem campanha pela paz.

Além disso, cerca de U$S1 milhão foi usado em custos operacionais da empresa Atlantic Philantropies, um grupo de entidades criado pelo próprio Feeney, em 1982, para canalizar as doações.

O valor mais recente foi uma doação de U$ 7 milhões (R$ 22 milhões), no fim do ano passado, para ajudar estudantes da Universidade de Cornell (EUA) envolvidos em trabalhos comunitários.

Apartamento alugado
Dessa forma, Feeney, hoje com 85 anos, terminou de distribuir a riqueza que acumulou como fundador de uma empresa pioneira de duty-free (ou free shop) - lojas especializadas em vender, sem encargos fiscais tradicionais, desde perfumes até bebidas alcoólicas e cigarros em aeroportos.

Segundo Oechsli, depois das doações, o agora ex-magnata ficou com apenas uma pequena parcela do que ganhou: aluga um apartamento modesto em São Francisco, na Califórnia. Não tem mais imóveis ou bens luxuosos.

Tudo o que guardou seriam "alguns poucos milhões" - menos de U$ 10 milhões (R$ 33 milhões) - para cobrir os custos de vida e cuidados médicos que ele e sua mulher, Helga, terão até a morte.

E, apesar da mudança no padrão de vida e de consumo, Feeney, apontado como uma espécie de antítese do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está longe de demonstrar arrependimentos.

"Viver e desfrutar da vida da maneira que eu fiz até agora já está bom. Estou feliz com isso, e minha esposa também", afirmou.

'James Bond da filantropia'
Feeney é o filantropo americano que doou mais dinheiro ainda vivo.
Segundo a revista Forbes, ele encabeçou uma lista de percentual de doações em relação à fortuna, que inclui o megainvestidor George Soros - Soros que teria doado em vida cerca de 49% de sua riqueza atual - e o casal Bill e Melinda Gates (40%).

A mesma publicação o chamou de "James Bond da filantropia" pela forma como ele viajou o mundo por mais de três décadas com a missão de distribuir clandestinamente sua fortuna.

Feeney confessa que a decisão de se desfazer da riqueza acumulada não foi consequência de um episódio em particular, mas de um processo pessoal, que incluiu leituras sobre filantropia e algumas reflexões.

"Considerei as alternativas que tinha na minha vida e pensei que o melhor que poderia fazer era estender a mão e buscar as pessoas menos afortunadas", disse.

Trajetória
Feeney não herdou sua riqueza, mas a ganhou ao longo da vida. Ele nasceu e cresceu em uma região humilde de Nova Jersey, filho de mãe enfermeira e pai corretor de seguros.

Aos 10 anos, vendia cartões de Natal de porta em porta e ainda adolescente se alistou na Força Aérea dos Estados Unidos - serviu no setor de inteligência de sinais na Guerra da Coreia (1950-53).

Ele foi o primeiro membro da família a cursar o ensino superior, através de um programa governamental para veteranos de guerra - estudou justamente em Cornell.

A ideia de fundar a gigante Duty Free Shoppers (DFS) ao lado de Robert Miller, em 1960, foi baseada na experiência de negócios que Feeney tinha recebido vendendo mercadorias a tropas dos Estados Unidos em outros países.
A fortuna começou a se multiplicar até ele chegar à conclusão de que ele e os filhos tinham mais do que precisavam.

Vida simples
Muito antes de doar todo o dinheiro, Feeney era conhecido pelo estilo de vida mais simples, diferente da aura luxuosa que a empresa dele transmitia.

Preferia comer em bares populares do que em restaurantes caros de Nova York e não viajava de avião na primeira classe. Usava um relógio que custava cerca de US$ 15 e carregava uma sacola plástica com os jornais que lia frequentemente.

Por isso, nega que sinta falta dos tempos em que tinha uma imensa fortuna.
"Não sinto falta, porque nunca fui apegado à riqueza material", disse.
Questionado sobre o que lhe dá prazer depois de cumprir o grande objetivo de se livrar do dinheiro, ele responde.

"Viver exatamente do modo que eu vivo, sabendo que através do trabalho da fundação fiz o bem a quem não esperava".
"Isso foi uma espécie de recompensa", disse.

O destino das recompensas
As doações de Feeney ajudaram pacientes com Aids a terem acesso a tratamento retroviral na África do Sul, a reformar o sistema de saúde pública no Vietnã e a buscar a paz na Irlanda do Norte, onde ele se reuniu com paramilitares nos anos 90 para pedir que abandonassem as armas.

Apesar de a Atlantic não ter negócios na América Latina, ele investiu na melhoria da saúde pública em Cuba e em ações que contribuíram para normalizar as relações entre a ilha e os EUA recentemente.
No mês passado, um artigo no jornal americano "The New York Times" comparou Feeney com Trump, mas como modelos opostos.

"Durante anos, Trump fez muita pressão para entrar na lista dos mais ricos da Forbes, por exemplo; Feeney articulou para estar de fora dela. A doação da Atlantic vinha inteiramente do dinheiro de Feeney, enquanto grande parte do dinheiro que entrou na Fundação Trump recentemente era de outras pessoas", afirmou o jornal.

Questionado pela BBC Mundo sobre o contraste, ele evitou comentar.
"Nunca tive a intenção de comparar a minha vida com a de ninguém."

Apesar disso, assessores afirmam que o ex-magnata está muito preocupado com a situação atual dos Estados Unidos e com a polarização política no país.


Agora que sua fortuna já foi inteiramente repartida, a Atlantic está com os dias contados: vai se dissolver em 2020, depois de finalizar a entrega das doações prometidas e de desenvolver os programas previstos. 
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