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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Índia firma acordo comercial com EUA uma semana depois de fechar com Europa Detalhes ainda não estão claros, mas pivô em direção aos europeus pode ter servido de incentivo para Trump

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Detalhes ainda não estão claros, mas pivô em direção aos europeus pode ter servido de incentivo para Trump
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Lourival Sant'Anna
Analista de Internacional. Fez reportagens em 80 países, incluindo 15 coberturas de conflitos armados, ao longo de mais de 30 anos de carreira. É mestre em jornalismo pela USP e autor de 4 livros
02/02/26 às 22:25 | Atualizado 02/02/26 às 22:25
Postado em 03 de Fevereiro de 2.026 às 05h00m
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Como todo acordo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o dessa segunda-feira (2), entre ele e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, é vago e repleto de incertezas.

Mesmo assim, é um acordo muito importante, e revelador das táticas de Trump, para ser ignorado.

Trump escreveu em sua rede social, Truth Social, que Modi concordou em por fim à importação de petróleo da Rússia, que havia motivado a imposição de uma alíquota adicional de 25% sobre os produtos indianos, além dos 25% em tarifa recíproca.

Por sua vez, em sua postagem na rede X, o primeiro-ministro indiano não fez referência a esse compromisso.

Ele confirmou que a tarifa americana para produtos indianos passa a ser de 18%, mas não fez menção à alíquota zero sobre todos os produtos americanos, anunciada por Trump.

Modi também não citou o compromisso de “comprar produtos americanos a um nível muito mais alto, além de mais de US$ 500 bilhões em energia, tecnologia, produtos agrícolas, carvão e muitos outros”.

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Mas o aspecto mais revelador do acordo é que ele foi firmado apenas seis dias depois do anúncio do acordo de livre comércio entre Índia e União Europeia, ao fim de duas décadas de negociações.

O incentivo para ambas as partes foi precisamente a postura predatória de Trump no comércio e de abandono de compromissos na área de defesa.

Além da eliminação de tarifas, o acordo com os europeus tem também um componente cooperação na área militar.

Mais da metade do arsenal indiano é de origem russa, e o país se vê pressionado pelo crescente fornecimento de armas da China para o Paquistão, com o qual mantém disputas territoriais que levam a conflitos armados periódicos.

Trump por sinal alega ter mediado a solução do último, travado entre 7 e 10 de maio do ano passado.

A Índia é um dos países mais protecionistas do mundo. A aceitação de alíquota zero para os produtos americanos seria uma mudança muito significativa de política por parte de Nova Délhi.

Entre janeiro e novembro do ano passado, a Índia exportou US$ 95 bilhões para os EUA e importou apenas US$ 42 bilhões.

Importação de petróleo

A eliminação de toda a importação do petróleo russo também seria a renúncia a um negócio altamente lucrativo. Em novembro, a Índia importou 1,7 milhão de barris de petróleo russo.

Em dezembro, esse volume caiu para 1,2 milhão. Isso representa entre 30% e 40% das importações de petróleo pela Índia.

Desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2002, e consequente imposição de sanções pela Europa e Estados Unidos, a Índia e a China – que por sinal nunca foi sequer ameaçada de tarifas por esse motivo por Trump – se beneficiam da compra de petróleo russo a descontos de US$ 6 a US$ 8 por barril.

O petróleo é refinado na Índia; parte é consumida por seu mercado interno e a outra parte, vendida para a Europa. Recentemente os governos europeus se deram conta de que estavam indiretamente violando suas sanções contra a Rússia por meio desse triângulo com a Índia, e estão fechando essa brecha.

Por esse prisma talvez já tivesse se tornado mais interessante para a Índia oferecer essa concessão a Trump, em troca da eliminação da tarifa adicional e redução da alíquota “recíproca”.

Quanto a Trump, ele nunca perde a oportunidade de anunciar um bom negócio, mesmo se os detalhes não forem exatamente como ele diz.

CNN Brasil
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