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Apesar da inferioridade militar e econômica, o país explora a posição geográfica para negociar a paz nos seus termos
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Lourival Sant'Anna
Analista de Internacional. Fez reportagens em 80 países, incluindo 15 coberturas de conflitos armados, ao longo de mais de 30 anos de carreira. É mestre em jornalismo pela USP e autor de 4 livros
Postado em 28 de Abril de 2.026 às 06h25m
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Imagem de satélite do Estreito de Ormuz • Ilustração gerada por IA
Esses movimentos refletem uma realidade: o Irã está com a iniciativa diplomática. Isso ficou claro no fim de semana. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi a Islamabad na sexta-feira (24). Trump preparou seus enviados especiais, Steve Witkoff e Jared Kushner, para também viajar para a capital paquistanesa no sábado (25).
Dessa forma, os iranianos procuraram demonstrar que não estão “desesperados para conversar”, como havia alegado Trump, e também que não estão isolados. Em Mascate, Abbas discutiu o status do Estreito de Ormuz, que também passa pela costa de Omã.
Em São Petersburgo, reuniu-se com o próprio presidente Vladimir Putin, num sinal de prestígio. Depois da reunião, a Rússia reiterou seu apoio ao Irã. A posição russa é a de que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã sem serem provocados.
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A capacidade do Irã de manter a iniciativa reflete a dominância de escalada que ele exerce no Estreito de Ormuz. Significa que, seja qual for a ação militar disponível para os EUA, o Irã tem a capacidade de responder de forma politicamente mais danosa para os americanos.
O Irã -- ao contrário da Rússia, que ganha com o prolongamento da guerra por causa da elevação dos preços da energia e dos fertilizantes – paga um alto preço econômico com o fechamento do estreito, e teve parte substancial de sua infraestrutura militar e civil destruída.
Mesmo assim, apesar da superioridade militar de EUA e Israel, o controle sobre o estreito confere aos iranianos uma posição de força desproporcional a suas condições no campo da defesa e da economia.
Bloquear o estreito é relativamente fácil: basta as companhias marítimas saberem que uma simples mina naval oferece risco a suas embarcações para manter seus navios nos portos. E não é necessário uma Marinha de guerra avançada para lançar minas: bastam lanchas ou jet skis.
Pelo estreito passam 50% dos insumos de fertilizantes, 30% do alumínio, 17% dos polímeros da indústria do plástico, 30% do hélio usado na fabricação de semicondutores e uma quantidade expressiva de produtos petroquímicos que servem de ingredientes para a indústria farmacêutica.
A solução desse impasse só é possível por meio da negociação. Os iranianos sabem disso. Os americanos estão aprendendo a duras penas. Enquanto isso, são “humilhados” pelo Irã, como disse nesta segunda-feira Friederich Merz.
O chanceler alemão não pode ser acusado nem de esquerdista nem de antiamericano: ele é da conservadora União Democrata-Cristão e foi chairman do fundo de investimentos americano Black Rock na Alemanha, entre 2016 e 2020.



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