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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Petróleo sobe mais de 20% em mês de incerteza sobre guerra no Oriente Médio

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Nesta sexta (31), os preços do petróleo subiram mais de 1% após Irã informar interceptação de dois navios no Estreito de Ormuz
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Por Ahmed Tolba e Nafisa Eltahir e Yasmine Ghania, da Reuters
31/07/26 às 15:36 | Atualizado 31/07/26 às 16:51
Postado em 31 de Julho de 2.026 às 17h15m

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Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam  • , Omã31 de julho de 2026REUTERS/Stringer

Os preços do petróleo subiram nesta sexta-feira (31) depois que o Irã informou ter interceptado dois navios que tentavam sair do Estreito de Ormuz, reforçando as preocupações ​com o abastecimento energético global após um ataque com drones a navios em um porto egípcio no ​Mediterrâneo nesta semana.

O Irã informou que outros quatro petroleiros voltaram atrás após a intervenção de suas forças, embora as informações iranianas não tenham podido ser confirmadas de forma independente.

Dois grandes petroleiros transportando petróleo carregado no Golfo foram registrados como passando pelo estreito, uma via navegável estreita entre o Irã e Omã que normalmente transporta cerca de um quinto dos embarques mundiais de energia.

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Outros dois navios de carga também transitaram pelo estreito, de acordo com dados de navegação da Kpler, que não registram embarcações que tenham transitado pelo estreito com seus transponders desligados.

O Irã bloqueou a maior parte do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz desde o início do conflito, que já dura cinco meses, enquanto seus aliados houthis no Iêmen começaram este mês a ameaçar o Estreito de Bab ⁠el-Mandeb — localizado na extremidade oposta do Mar Vermelho em relação ao Canal de ​Suez —, outra rota de exportação do petróleo bruto saudita.

Os preços do petróleo subiram mais de 1% nesta sexta-feira, com os operadores citando as notícias sobre o Irã, ​que se seguiram a uma reportagem semelhante no início desta semana que não foi confirmada.

Os contratos futuros de referência do petróleo Brent estavam a caminho de registrar alta de 23% ⁠em julho, e economistas e analistas consultados pela Reuters esperam que os preços subam ⁠ainda mais este ano.

Não houve relatos de novos ataques dos EUA ao Irã durante a madrugada entre quinta e sexta-feira, após o que foi uma ​forte ‌escalada na guerra contra o Irã no início da semana, com ataques conjuntos dos EUA e da Arábia Saudita contra forças aliadas ao Irã no Iraque.

O presidente dos EUA, Donald Trump, em declaração ⁠à Fox News nesta sexta-feira, disse que a guerra estava indo bem. Tudo o que se pode fazer é continuar vencendo; então, eventualmente, algo vai acontecer, afirmou ele, sem dar detalhes.

Em uma reunião de gabinete mais tarde nesta sexta-feira, no retiro de Camp David, Trump disse acreditar que ainda seria possível chegar a um acordo com o Irã, e que o enviado especial Steve Witkoff, seu genro Jared Kushner ‌e o ⁠secretário de Estado, Marco Rubio, ‌estão envolvidos nas negociações.

No entanto, ele também disse que estava perdendo a confiança nos iranianos, afirmando que eles quebram a palavra com tanta frequência — uma acusação que Teerã frequentemente dirige a Washington — e afirmou que iria atacá-los.

Controle iraniano

Um órgão criado pelo Irã para administrar o Estreito de Ormuz informou nesta sexta-feira que a travessia continuava impossível devido às ações agressivas contínuas das forças militares dos EUA na região, segundo a ⁠mídia iraniana. Alguns navios negociaram a passagem com Teerã, o que irritou Washington.

A Autoridade do Estreito do Golfo ⁠Pérsico disse que, assim que a estabilidade e a calma fossem restauradas, todos os pedidos seriam analisados e as autorizações de trânsito seriam emitidas gradualmente.

O Comando Central dos EUA informou na quinta-feira que as forças norte-americanas ainda bloqueavam as ‌exportações de petróleo iraniano pelo Golfo e haviam concluído com sucesso uma intensa onda de ataques.

O Exército iraniano informou que atacou instalações militares dos EUA no Kuwait e no Barein nesta sexta-feira, em resposta aos ataques norte-americanos, citando um ataque a uma casa em Qeshm, uma ilha próxima ao Estreito de Ormuz, onde o Irã começou a atacar navios.

As Forças Armadas do Kuwait informaram ter destruído drones, com alguns danos causados pela queda de destroços, mas sem vítimas. Não houve comentário imediato por parte do Barein.

Pesquisa da Reuters mostra que preços do petróleo devem ‌subir ainda mais

Mesmo com o Irã e seus aliados houthis tendo disparado contra petroleiros que transitavam pelo Estreito de Ormuz e Bab el-Mandeb, o Canal de Suez e o oleoduto Sumed continuaram a oferecer rotas seguras em direção ao norte para as exportações de energia sauditas pelo Mar Vermelho.

Ninguém assumiu a responsabilidade pelo que o gabinete do Egito informou na quinta-feira ⁠ter sido um drone não identificado que causou um incêndio em duas embarcações no dia anterior no porto mediterrâneo de Damietta, localizado a mais de 160 km a oeste do canal por via rodoviária.

O Irã negou qualquer envolvimento no ataque em Damietta.

O Egito é um importante amigo e parceiro na região, e sua segurança é de extrema importância para nós, escreveu o ministro das Relações Exteriores do ​Irã, Abbas Araqchi, nas redes sociais. Todos devemos estar vigilantes contra as conspirações israelenses e as operações de bandeira falsa destinadas a minar a paz regional.

O gabinete do primeiro-ministro de Israel não respondeu imediatamente a ​um pedido da Reuters para comentar as alegações de Araqchi.

Omã apresentou ao Irã um plano apoiado pelos países do Golfo para administrar o Estreito de Ormuz, incluindo a cobrança de taxas voluntárias pelo seu uso, disseram à Reuters fontes a par do assunto.

Embora o Irã tenha rejeitado publicamente a proposta de Omã, sua agência de notícias semioficial Ilna citou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmando que as negociações com Omã sobre o estreito continuavam.

(Reportagem adicional de Jonathan Saul, em ‌Londres, Susan Heavey e Simon Lewis, em Washington)

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Dívida pública sobe 10 pontos do PIB na parcial do governo Lula e atinge 81,9%, maior nível em mais de 5 anos

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Endividamento já se aproxima do recorde histórico, atingindo durante a pandemia da Covid-19, o que pressiona para cima a taxa de juros na economia. Analistas pedem corte de gastos para retomar uma trajetória positiva para as contas do governo e conter alta da dívida.
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Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Postado em 31 de Julho de 2.026 às 09h40m

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A dívida do setor público consolidado registrou alta de ponto percentual em junho, atingindo 81,9% do PIB — o equivalente a R$ 10,8 trilhões, segundo dados do Banco Central.

🔎 A dívida do setor público consolidado é um conceito fiscal que representa o montante total das obrigações financeiras assumidas por um ente da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios).

🔎 O indicador é considerado um termômetro da chamada "solvência" de uma nação, ou seja, da capacidade de honrar seus compromissos futuros. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.

  • Com isso, a dívida pública já subiu 10,2 pontos percentuais na parcial da atual gestão do governo Lula, visto que somava 71,7% do PIB no final de 2022.
  • Esse também é o maior nível desde abril de 2021, em meio à pandemia da Covid-19, quando o endividamento do setor público totalizou 82,6% do PIB.
  • A dívida pública também já se aproxima, com isso, do recorde histórico, atingindo justamente durante a pandemia, devido ao forte aumento de gastos públicos, de 87,7% do PIB.
Dívida Pública Federal passa de R$ 9,2 trilhões em junho
Dívida Pública Federal passa de R$ 9,2 trilhões em junho

💵 A relação entre dívida e PIB é um indicador relevante para o mercado financeiro, interpretado como um sinal da capacidade do país de honrar seus compromissos financeiros de curto, médio e longo prazo. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.

➡️ Com uma dívida mais alta, impulsionada pelos gastos públicos nos últimos anos da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há uma pressão maior sobre a taxa de juros brasileira. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país.

Em 2023, o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avaliou que os juros são altos no Brasil por conta do elevado nível do endividamento.

"Na parte dos juros, a gente não pode confundir causa e efeito. A dívida não é alta porque o juro é alto. É o contrário, o juro é alto porque a dívida é alta. Quando você endividado vai ao banco, e o banco faz uma análise que você é endividado e não paga a dívida, o juro é alto", declarou Campos Neto, na ocasião.

Edifício do Banco Central em Brasília. — Foto: Adobe stock - Banco Central.
Edifício do Banco Central em Brasília. — Foto: Adobe stock - Banco Central.

Comparação internacional

➡️ No padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), referência para comparação internacional — que inclui títulos públicos que estão na carteira do BC no endividamento brasileiro —, a dívida do país é muito maior: 95,8% do PIB (patamar de junho).

➡️Por esse conceito, a dívida brasileira já está bem mais próxima do recorde histórico, registrado em fevereiro de 2021 — quando somou 96,7% do PIB.

A série histórica da dívida brasileira, pelo padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), começou a ser calculada pelo Banco Central no fim de 2001. Naquele momento, somava cerca de 67% do PIB.

➡️Quando utilizado o critério internacional de comparação, calculado pelo FMI, a dívida brasileira, que terminou 2025 em 93,4% do PIB, ficou:

  • longe de economias emergentes, cujo patamar somou 73,6% do PIB no fim do ano passado, e também de países da América Latina (71,1% do PIB);
  • bem acima da média de nações do Oriente Médio e Ásia Central, assim como de países da África Subsaariana;
  • pouco acima do padrão de países da Zona do Euro;
  • abaixo de economias avançadas e de países do G7 (sete maiores economias do mundo).

DÍVIDA POR BLOCOS ECONÔMICOS NO FIM DE 2025
% DO PIB (CONCEITO DO FMI)


Fonte: BC (REALIZADO EM 2025) E *ESTIMATIVAS DO FMI

➡️Relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) recomendou em 2023 que os países da América Latina e Caribe reduzam sua dívida pública para um patamar entre 46% a 55% do PIB. O objetivo seria aumentar a confiança dos investidores e possibilitar a redução da taxa de juros, com efeitos positivos sobre o nível de atividade e sobre o emprego.

Essa é a mesma posição externada em 2023 por Roberto Campos Neto, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) para o BC. Para ele, a comparação apropriada para o nível da dívida pública brasileira deve ser feita com os demais países emergentes.

"Não adianta querer se comparar com os Estados Unidos", acrescentou, na ocasião.

Também naquele ano, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, avaliou que dívida brasileira não precisa estar no mesmo patamar dos emergentes porque, em sua visão, há "diferenciais importantes" na economia brasileira, como praticamente ausência de dívida em dólar e mercado financeiro doméstico desenvolvido, entre outros.

"É difícil falar sobre isso, é uma mega discussão. A Índia tem divida maior do que a nossa, é um país também em desenvolvimento. Cresce bastante, tem uma trajetória estável de dívida, e segue o jogo. Comparar o Brasil com a América Latina? O Brasil é mais comparável com a Índia ou com o Peru?", questionou o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, em 2023. 
Crescimento da dívida

Os números do BC mostram que o endividamento permaneceu relativamente estável até 2014, o último ano do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT).

No primeiro ano do segundo mandato de Dilma, em 2015, a dívida deu um salto de 10 pontos percentuais. Em 2016, subiu outros seis pontos percentuais. Dilma sofreu "impeachment" em agosto daquele ano.

Os dados do BC mostram que a dívida continuou crescendo na gestão Temer, e atingiu seu ápice em 2020, sob Jair Bolsonaro, por conta de gastos extraordinários relacionados com a Covid-19.

Apesar de mais de R$ 660 bilhões em despesas extraordinárias com a pandemia, a dívida caiu quando se considera toda gestão Bolsonaro, pois estava em 87,1% do PIB em 2019 (início do mandato), terminando 2022 (último ano do governo) em 83,9% do PIB.

TRAJETÓRIA DA DÍVIDA BRASILEIRA
EM % DO PIB (FIM DE PERIODO, CONCEITO DO FMI)


Fonte: BANCO CENTRAL

No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o endividamento subiu dez pontos percentuais em três anos e meio por conta, principalmente, do aumento de despesas públicas, algo que tem pressionado a taxa e as despesas com juros, tais como:

  • PEC da transição: governo aprovou, ainda em 2022, a chamada PEC da transição, por meio da qual ampliou o limite para gastos públicos, permanentemente, em cerca de R$ 170 bilhões por ano.
  • Reajuste real do salário mínimo: governo Lula retomou a política de reajustes reais do salário mínimo, ou seja, aumentos acima da inflação (limitada a 2,5%). Esse foi um dos principais fatores a elevar as despesas, visto que os benefícios previdenciários não podem ser menores que o salário mínimo.
  • Pisos saúde e educação: governo retomou a política de que os gastos mínimos em saúde e educação são atrelados à receita, e não mais à inflação do ano anterior (essas rubricas estavam dentro do teto de gastos, do presidente Temer, até então).
  • Pagamento de precatórios atrasados: o que injetou R$ 92,3 bilhões na economia no fim de 2023, início de 2024. A Fazenda admite que isso influenciou a aceleração no ritmo de crescimento do setor de serviços.
  • Reajustes a servidores públicos: governo retomou política de reajustes a servidores públicos, que estava represada no governo Jair Bolsonaro, com base na inflação. Houve ampla mesa de negociação com cerca de 100 categorias contempladas.
Dívida pública por mandatos pelo critério do FMI

  • Lula 1 (2003 a 2006): queda de 11,5 pontos do PIB;
  • Lula 2 (2006 a 2010): recuo de 2,2 pontos do PIB;
  • Dilma 1 (2010 a 2014): queda de 0,8 ponto do PIB;
  • Dilma 2 (2014 a agosto de 2016): alta de 10,7 pontos do PIB;
  • Temer (setembro 2016 a dezembro de 2018): alta de 12,5 pontos do PIB;
  • Bolsonaro (2019 a 2022): recuo de 0,8 ponto do PIB;
  • Lula 3 (2023 até junho de 2026): alta parcial de 10,2 pontos percentuais.
O que fazer?

Para tentar conter o crescimento da dívida pública, e proporcionar uma queda sustentável da taxa básica de juros, a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, estimou que o governo teria registrar superávits primários acima de 2% do PIB.

A atual gestão do presidente Lula ainda não conseguiu trazer as contas de volta ao azul, apesar de o governo ter elevado uma série de impostos nos últimos anos, com a carga tributária atingindo recordes históricos.

▶️O mercado financeiro é crítico da estratégia do governo federal de aumentar impostos para tentar reequilibrar as contas públicas, ao mesmo tempo que eleva gastos.

▶️Analistas pedem ênfase maior em cortes de despesas para trazer as contas de volta ao equilíbrio, conter a expansão da dívida pública e proporcionar uma queda sustentável dos juros no país - favorecendo um crescimento econômico sustentado.

A equipe econômica, por sua vez, tem apostado no chamado "arcabouço fiscal", ou seja, nas regras para as contas públicas aprovadas em 2023 em substituição ao teto de gastos. Por estas regras:

  • a despesa não pode registrar crescimento maior do que 70% do aumento da arrecadação;
  • a alta de gastos fica limitada, em termos reais, a 2,5% por ano;
  • o arcabouço busca justamente conter o crescimento da dívida pública no futuro.

Por conta de exceções ao limite de gastos e despesas fora do orçamento, entretanto, esse mecanismo não tem se mostrado efetivo na geração de superávits primários nas contas do governo nos últimos anos - que seguem no vermelho.

Questionado pelo g1 no começo de julho se não seria excessivo um novo aumento de 10 pontos percentuais da dívida em um eventual quarto mandato de Lula, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, de início avaliou que a principal culpada pela alta de juros não seria o Ministério da Fazenda, mas sim o peso dos juros nas contas públicas.

Depois, entretanto, afirmou que o governo buscaria, em um possível novo mandato, a obtenção de superávits primários, mas "sem loucura".

"Nós vamos fazer isso estruturalmente. Se você pegar o histórico de primário efetivo que a gente viu no passado, estrutural e efetivo, não era sustentável. O país estava indo mal. O país agora começa a ir melhor. Nós estamos numa trajetória de melhoria. De novo, está tudo certo? Está tudo pronto? Não. Mas é preciso ser feito de maneira que a gente siga crescendo e comece a gerar resultado primário positivo. Efetivamente positivo. O que eu espero fazer no próximo ano, porque o orçamento que vai ser entregue agora para o próximo ano", afirmou Durigan ao g1, na ocasião.

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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Mísseis Patriot: Conheça interceptador que custou US$ 60 bi ao Pentágono

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Sistema de mísseis usa tecnologia "hit-to-kill", detecta ameaças a 150 km e dispara dois mísseis em menos de 9 segundos
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Da CNN Brasil
30/07/26 às 14:48 | Atualizado 30/07/26 às 14:48
Postado em 30 de Julho de 2.026 às 20h00m

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O Pentágono fechou um contrato de quase US$ 60 bilhões com a empresa americana Lockheed Martin para a produção de mísseis do sistema de defesa aérea Patriot. O acordo visa ampliar significativamente o estoque de interceptadores, cuja demanda global está em alta devido aos conflitos em curso na Ucrânia e no Oriente Médio.

Segundo o editor de Internacional Diego Pavão, o que está em escassez não é o sistema em si, já instalado em diversos países.

"O que está em falta é o interceptador, o míssil que esse sistema dispara para conseguir interceptar e derrubar o outro míssil, aquele míssil inimigo que vem de fora", explicou Pavão durante o Live CNN desta quinta-feira (30).

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Cada interceptador leva entre 24 e 30 meses para ser produzido, um prazo que reflete a sofisticação tecnológica do equipamento. O míssil utiliza componentes altamente especializados, como microchips e semicondutores, cuja fabricação está concentrada em poucas empresas no mundo.

Taiwan é apontada como uma das principais produtoras desse tipo de componente, mas a oferta global ainda é considerada insuficiente diante da demanda crescente.

"A Ucrânia já usou e precisa muito desses mísseis. Eles estão conversando com os Estados Unidos sobre produzir esse míssil dentro do próprio território ucraniano para que o país não fique refém da demanda externa, já que tem uma guerra em andamento no Oriente Médio", destacou Pavão.

Atualmente, a Lockheed Martin produz 650 interceptadores por ano. O Pentágono considera esse volume insatisfatório e estabeleceu como meta atingir 2 mil unidades anuais até 2030, mais do que o triplo da produção atual.

"A gente sabe que os Estados Unidos têm menos de mil interceptadores em seu estoque. É pouco diante da demanda altíssima, considerando que temos dois conflitos grandes acontecendo no mundo que pedem exatamente esse tipo de armamento", disse Pavão.

Cada unidade do míssil Patriot custa US$ 4 milhões e, uma vez disparada, leva no mínimo dois anos para ser reposta.

Tecnologia "hit-to-kill"

O sistema Patriot utiliza uma tecnologia denominada "hit-to-kill", que pode ser traduzida, de forma literal, como "bater para matar".

Ao contrário de outros mísseis que contam com ogivas explosivas, o interceptador do Patriot destrói o alvo exclusivamente pelo impacto cinético. "Ou seja, apenas o encontro dele com o míssil inimigo já o destrói", explicou Pavão.

Essa característica torna o míssil mais leve e compacto, permitindo que mais unidades sejam acomodadas em uma mesma bateria de lançamento.

O radar do sistema é capaz de detectar mísseis inimigos a um raio de aproximadamente 150 km de distância. Após a detecção, o sistema calcula a rota do projétil adversário e realiza um disparo duplo (dois mísseis ao mesmo tempo), em no máximo 9 segundos, garantindo maior probabilidade de destruição do alvo no ar.

"Pelo fato de ele não ter uma ogiva explosiva, ele não tem danos colaterais. Ele não deixa destroços que podem atingir cidades e civis, por isso ele é tão eficiente", destacou o jornalista.

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Análise: Por que Irã retomou ataques mesmo após EUA pararem de atirar?

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Teerã optou por retomar hostilidades por conta própria, demonstrando disposição crescente em utilizar força militar para moldar o curso da guerra
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Abbas Al Lawati, da CNN
30/07/26 às 18:30 | Atualizado 30/07/26 às 18:30
Postado em 30 de Julho de 2.026 às 18h45m

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Um membro armado do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica monitora uma área na Praça Azad, no oeste de Teerã, Irã, em 11 de fevereiro de 2026  • Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images

O Irã colocou fim a dias de relativa calma no Oriente Médio ao lançar o que os EUA classificaram como um ataque "surpresa", marcando uma mudança notável no padrão do conflito.

Em vez de reagir a um novo ataque americano, Teerã optou por retomar as hostilidades por conta própria, demonstrando uma disposição crescente em utilizar força militar para moldar o curso da guerra segundo seus próprios termos.

Isso, por sua vez, prepara o terreno para uma nova escalada. "Vamos dar uma surra neles", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista à Fox News na manhã de quarta-feira (30).

"Vamos atingi-los com força. Eles vão levar uma surra", acrescentou.

Essa ameaça dificilmente surpreendeu Teerã, que lançou seus mísseis ciente de que isso poderia provocar o retorno dos bombardeiros americanos.

Trump havia atribuído a pausa da semana passada a um pedido do Irã, alegando que eles "pediram de forma muito educada" e queriam negociações.

Teerã nunca se comprometeu publicamente com a pausa recente, embora uma autoridade iraniana de alto escalão tenha declarado que "nossas forças armadas também decidiram não realizar ações militares".

Isso torna a decisão do Irã de retomar os ataques ainda mais significativa.

Horas depois de sinalizar publicamente que corresponderia à contenção demonstrada pelos EUA, Teerã atacou forças americanas — aparentemente concluindo que aumentar a pressão valia o risco de reiniciar os bombardeios noturnos.

"Algo parece ter mudado fundamentalmente na abordagem do Irã, particularmente em relação à sua disposição de iniciar um ataque caso considere essa a única opção viável", escreveu Hamid Reza Azizi, pesquisador do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança, na rede social X.

O ataque do Irã ocorreu logo após a reunião do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com Trump em Washington — encontro que o líder israelense descreveu como "uma das melhores conversas" que ambos já tiveram, em meio a atritos crescentes entre os dois.

Horas antes da reunião, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que queria atacar a infraestrutura energética iraniana, mas foi contido pela administração Trump.

"O ataque parece ter sido um sinal relacionado à visita de Netanyahu à Casa Branca, ocorrida mais cedo naquele dia", escreveu Azizi.

"Isso sugere que a estratégia militar do Irã pode ter mudado e que Teerã agora está preparada para lançar um ataque preventivo caso detecte sinais de uma ameaça iminente", disse.

Pouco depois do ataque na Jordânia, as forças armadas dos EUA e da Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos contra milícias apoiadas pelo Irã no Iraque.

O CENTCOM (Comando Central dos EUA) apresentou a operação no Iraque não como uma retaliação pelo ataque na Jordânia, mas como uma resposta a mais de 30 ataques com drones contra forças americanas e infraestrutura energética saudita nas 72 horas anteriores.

A escalada ocorrida durante a noite demonstrou como o conflito está se expandindo. A Arábia Saudita, que há muito relutava em ser diretamente arrastada para a guerra, está se envolvendo mais profundamente à medida que enfrenta ameaças em três frentes: os Houthis no Iêmen, milícias apoiadas pelo Irã no Iraque e o próprio Irã.

“O desafio central para Washington e seus parceiros do Golfo é que nem o Irã nem seus aliados regionais parecem dispostos a recuar do que agora definem como objetivos estratégicos fundamentais”, escreveu na rede social X Danny Citrinowicz, pesquisador sênior do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel e ex-chefe da divisão do Irã na inteligência militar israelense.

“Teerã continua insistindo em manter sua influência sobre o Estreito de Ormuz, enquanto os Houthis deixaram claro que não encerrarão sua campanha a menos que o bloqueio imposto a eles — liderado pela Arábia Saudita — seja suspenso”.

‘Nada mais do que uma fantasia’

Em entrevista à televisão estatal iraniana, publicada poucas horas antes do ataque na Jordânia, o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, apresentou talvez uma das exposições mais claras da posição de Teerã até o momento.

O Irã havia cessado os disparos, sugeriu ele, mas não hesitaria em retomar as hostilidades caso sua reivindicação de soberania sobre o Estreito de Ormuz fosse contestada.

Teerã não poderia considerar-se vitoriosa se o estreito retornasse ao seu status anterior à guerra, afirmou o vice-ministro. A via navegável havia se tornado um elemento central para a segurança nacional do país e uma “ferramenta de defesa”.

Quando o entrevistador perguntou por que Teerã havia arriscado reiniciar a guerra ao atacar navios comerciais, apesar de um cessar-fogo em vigor, Gharibabadi disse que o Irã considerava uma “linha vermelha” os esforços de Omã e dos EUA para estabelecer uma rota de navegação concorrente através do estreito. Permitir a operação dessa rota, argumentou ele, reduziria a reivindicação do Irã ao “exercício efetivo de soberania” sobre a via navegável a “nada mais do que uma fantasia”.

“Pode-se analisar a questão de forma simples e perguntar por que o Irã atacaria três navios comerciais com mísseis apenas porque eles desligaram o GPS, correndo o risco de reiniciar uma guerra”, disse ele.

“Mas, se você observar os bastidores, verá que os arranjos aplicados ao Estreito de Ormuz terão um impacto de longo prazo na segurança da República Islâmica do Irã”, afirmou.

Do ponto de vista de Teerã, a pausa de Washington nos ataques ao Irã reflete “fraqueza estratégica, e não contenção”, escreveu Citrinowicz. Essa percepção corre o risco de alimentar um ciclo em que o Irã intensifica as hostilidades para impor custos maiores, enquanto nenhum dos lados recua por medo de perder credibilidade.

Os EUA e seus parceiros, portanto, enfrentam uma escolha, argumentou ele: atender a algumas exigências iranianas ou aceitar a perspectiva de um conflito prolongado marcado por ataques crescentes à navegação, à infraestrutura energética e às rotas comerciais.

(Com informações de Aida Karimi, Eyad Kourdi, Dana Karni, Mohammed Tawfeeq e Tal Shalev, da CNN).

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